“Aspectos psicológicos em Tempos de Pandemia”
Escrito por Juan Moisés de la Serna
Traduzido por Daniela Ortega
1ª edição: maio de 2020
© Juan Moisés de la Serna, 2020
© Edições Tektime, 2020
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Distribuído por Tektime
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Após a ótima recepção do artigo intitulado “Qual o papel do psicólogo diante do novo Coronavírus (COVID-19)?”, que publiquei na Cátedra Aberta de Psicologia e Neurociência em 12 de fevereiro de 2020, e, em vista do interesse despertado entre colegas psicólogos e outras pessoas interessadas em psicologia, decidi escrever este livro, em que o tema da perspectiva psicológica é abordado em tempos de pandemia.
Apesar de as informações sobre crises sanitárias, como a da COVID-19, serem muito recentes e, em alguns casos, “mutáveis”, vou apresentar o trabalho com base nos dados atuais e, especialmente, em publicações de natureza científica, que também incluirão declarações de diferentes especialistas coletadas por meios de comunicação devidamente citados.
Um livro acessível a todos que desejam se aprofundar nos aspectos psicológicos de um fenômeno de massa em tempos de crise da saúde, como é o caso da COVID-19.
Dedicado aos meus pais
Pode-se falar em crise pessoal ou social; no primeiro caso, ocorre alguma circunstância interna ou externa que muda a maneira pela qual um indivíduo percebe seu presente, seu futuro e até seu passado, podendo questionar seu papel na vida ou tudo em que acreditava e pensava até aquele momento. É o caso quando um membro da família morre, especialmente se é alguém próximo, ou se sofre algum tipo de acidente com consequências para a saúde ou autonomia da pessoa. Mas alguém também pode entrar em crise devido a aspectos emocionais, como o colapso emocional causado, por exemplo, por um rompimento sentimental de nosso parceiro ou o divórcio dos pais, quando somos adolescentes, com os quais, do ponto de vista psicológico, pode-se falar em crises causadas por circunstâncias muito diversas que afetam o indivíduo. Mas há crises sociais, como no caso de crises humanitárias, em que milhões de pessoas afetadas abandonam tudo o que têm e começam a fugir para um futuro incerto; crises econômicas também podem ocorrer, onde milhares de pessoas podem perder o emprego da noite para o dia e, com isso, deixar de gerar renda para sua casa, colocando em risco sua sobrevivência e a da sua família (@NTN24ve, 2018) (ver Ilustração 1).
Ilustração 1. Tweet Crises Humanitárias
Nesse tipo de crise, estariam também aquelas relacionados à saúde, nas quais uma doença pode colocar em risco a vida da pessoa, de alguém que estava saudável dias antes. Essa categoria pode incluir pandemias e até emergências de saúde, como a COVID-19, uma doença que mobilizou milhares de médicos e profissionais de saúde, que lutam diariamente para mitigar os efeitos do vírus, mesmo colocando em risco a própria vida.
Embora às vezes os meios de comunicação deem mais visibilidade ao número de afetados e falecidos, informação oferecida pelos diferentes governos e reunidas pela OMS em seu site.
No Centro de Ciência e Engenharia de Sistemas da Universidade Johns Hopkins (EUA), (Johns Hopkins CSSE, 2020) o número de casos de afetados, falecidos e recuperados é relatado numérica e visualmente, tanto globalmente quanto por país.
Assim, em 7 de março de 2020, quando este livro teve início, o número de casos de afetados em todo o mundo era 102.470, distribuídos em 101 países, dos quais 80.651 afetados estavam na China, seguida pela Coréia do Sul, com 7.041, e Irã, com 4.747; Espanha ocupava a décima posição, com 401 casos (ver Ilustração 2Erro! Fonte de referência não encontrada.).
Ilustração 2 Casos de contagiados em 7 de março de 2020
Da mesma forma, o portal informava que o número de mortes até o momento era de 3.491 pessoas, tendo já sofrido e se recuperado da doença 57.462 pessoas.
Ilustração 3 Casos de contagiados em 19 de março de 2020
Atualizando os dados anteriores para 19 de março de 2020, o número de afetados passou a 218.827 pessoas, distribuídas em 160 países, com o número de mortes sendo 8.811 (ver Ilustração 3).
Ilustração 4 Evolução do termo de busca
Si buscarmos no Google (Google Trend, 2020) sobre as tendências de pesquisa da COVID-19, termo designado pela Organização Mundial da Saúde em 11 de fevereiro de 2020 para se referir ao novo coronavírus, que surgiu em uma província da China e cujo primeiro caso de afetado foi relatado em 31 de dezembro de 2019 (OMS, 2020), podemos observar como as buscas com esse termo aumentaram progressivamente em todo o mundo, dobrando entre 11 a 12 de fevereiro; 23 a 24 de fevereiro; e 1º a 2 de março; sendo observada apenas uma redução, entre 28 de fevereiro e 1º de março (ver Ilustração 4).
Quanto ao interesse gerado por países, é possível verificar que o que mais gerou buscas no último mês foi Cingapura, seguido de Islândia, China e Hong Kong; ficando na posição vinte os Estados Unidos, e a Espanha na posição quarenta e oito, entre os sessenta e cinco países que compõem o resultado do Google, sendo a última posição ocupada pela Turquia (ver Ilustração 5).
Como pode ser visto, não há correspondência direta entre os países com o maior número de afetados e a preocupação que isso gerou entre a população refletida nos termos da pesquisa. Isso pode ocorrer devido ao fato de que existem outros fatores a serem considerados, como o alarmismo. gerado em determinadas populações ou que, naquele país, meios diferentes do Google sejam usados para consultar esse tipo de informação. Por exemplo, em alguns países asiáticos, o mecanismo de pesquisa mais usado é o Baidu.
Deve-se notar também que o termo COVID-19 surgiu depois de ter sido chamado de novo coronavírus 2019 (n-CoV), também conhecido como “vírus da China” ou “vírus de Wuhan”, que é o nome da província chinesa onde o contágio começou, de forma que alguns usuários continuarão fazendo as buscas com os termos antigos.
Além disso, o termo coronavírus pode ser usado, que é como a família desse vírus é chamada, ou simplesmente vírus; portanto, a visão geral dos dados ficaria incompleta ao coletar apenas o termo COVID-19, o que poderia explicar a diferença mostrada entre a ordem dos países em termos do número de casos de falecidos e a ordem de interesse mostrada nas pesquisas do Google.
Ilustração 6 Termos no Google relacionados à COVID
Portanto, se realizarmos a busca anterior e incluirmos como os termos COVID, Vírus e Coronavírus, podemos ver que a preocupação com esse tópico começa em 20 de janeiro de 2020 e que o termo COVID ou COVID-19, que é o nome oficial, é pouco utilizado para buscar informações a esse respeito, sendo muito mais usado o termo Vírus e, ainda mais, o termo Coronavírus (ver Ilustração 6).
No gráfico acima, pode-se observar que houve um momento inicial de interesse nos termos Vírus e Coronavírus entre 20 e 31 de janeiro, perdendo progressivamente o interesse nas buscas até 20 de fevereiro, quando o interesse aumenta exponencialmente para o termo Coronavírus.
Ilustração 7. Busca de Coronavírus por países
Com foco no último termo, o país que mais pesquisou no Google foi a Itália, seguido de Cingapura e Suíça. Espanha ocupa o quinto lugar, e Estados Unidos, o décimo nono, entre os 64 países para os quais existem dados disponíveis (ver Ilustração 7).
Dados que correspondem ao crescente número de casos de contagiados, com exceção da Irlanda, onde se pode falar de um alarmismo social acima dos dados reais da época.
Um dos problemas dos psicólogos sociais é conseguir a fidelidade do cliente a uma marca, sendo essa a que usamos para identificar uma determinada pessoa, produto ou empresa. Normalmente, quando pensamos em uma empresa como Coca-Cola, McDonald ou Ikea, geralmente fazemos isso com relação aos produtos que vendem. Se olhamos para outras marcas, como UPS, Iberia ou Microsoft, fazemos isso com os serviços que oferecem.
Algo que influenciará decisivamente a aquisição do produto ou serviço em questão, não apenas com base em nossos próprios critérios, mas na influência da opinião de outras pessoas e da mídia por meio da publicidade.
Da mesma forma, quando pensamos em Stephen Hawking, Barack Obama ou Rafael Nadal, não pensamos em produtos ou serviços, mas na marca pessoal ou marca pessoal que eles desenvolveram graças às suas carreiras científicas, políticas ou esportivas, ou seja, aspectos emocionais estão associados à marca, que podem ser vinculados a uma pessoa, empresa e até localidade.
E o mesmo acontece quando é preciso denominar os “infortúnios”, como acontece quando se trata de designar ciclones tropicais que anualmente castigam grande parte do Caribe e da América do Norte.
Segundo a Organização Mundial de Meteorologia (World Meteorological Organization, 2020), esses nomes seguem listas pré-estabelecidas que se alternam, deixando na memória muitos dos efeitos do furacão Katrina, em 2005, ou do Ike, em 2008.
Então, em princípio, esses nomes não têm relação com a data em que ocorre a violência ou com as áreas mais afetadas. Eles podem ser em inglês ou espanhol (por exemplo, Barry ou Gonzalo, respectivamente), masculinos ou femininos (por exemplo, Lorenzo ou Laura, respectivamente). Mas o nome dos ciclones tropicais tem algum impacto na população?
Foi o que se tentou descobrir com uma pesquisa realizada pelo Departamento de Administração e Empresas, em conjunto com o Departamento de Psicologia, o Instituto de Pesquisa em Comunicações e o Laboratório de Pesquisa da Universidade de Illinois para Pesquisas sobre Mulheres e Gênero, junto do Departamento de Estatística da Arizona State University (EUA) (Jung, Shavitt, Viswanathan, & Hilbe, 2014).
O estudo analisou as consequências climáticas dos furacões nos Estados Unidos durante as últimas seis décadas, diferenciando-os de acordo com os nomes masculino e feminino, descobrindo primeiro que aqueles que tinham nomes femininos foram os que levaram aos maiores efeitos destrutivos e mortes entre a população.
Deve-se lembrar que a lista de nomes é prefixada e que sua atribuição é consecutiva; portanto, a priori, não há relação entre o gênero do nome e sua violência; portanto, a coisa mais surpreendente no estudo é que apresentaram uma lista de nomes de furacões, 5 masculinos e 5 femininos, para 346 participantes, para que pudessem avaliar o uso em uma escala do tipo Likert, de 1 a 7, até que ponto consideraram violentos os furacões da lista.
Os resultados mostram que os furacões com nome masculino tendem a ser classificados como mais destrutivos que os furacões com nome feminino, independentemente do sexo dos participantes.