MINOTAURO
Crime ou Sacrifício?
De:
Sergio Ochoa Meraz
Traduzido por Susana Franco
Para Dom Sergio, o meu pai
Para Dom Jorge, o meu amigo
Tenham uma boa viagem, senhores.
Assim seja.
Toda a história deveria ter um final feliz
Capítulo 1
Um Polícia
Roberto Velarde era um polícia de estirpe, talentoso; pode-se dizer que era praticamente desde que foi concebido.
Olhar para trás, para a história da sua família, era o equivalente a limpar o pó dos crachás, nomeações e fotos de homens rigorosamente vestidos com um uniforme por aqui e por ali.
Para ele sempre foi evidente, tão evidente que, na sua juventude, desistiu dos prazeres mundanos para se dedicar totalmente à academia do Distrito Federal.
Nas suas entranhas continuava o desejo ardente de ser um detetive, de resolver os piores crimes; de viver em grande. Ser algo como a versão mexicana do Dick Tracy - aquele dos desenhos animados de domingo.
Contudo, a política, a grade interna às corporações e interesses dos outros, foi responsável por extinguir nele, gradualmente, a chama da justiça, até a extinguir quase que por completo; Velarde testemunhou mais do que uma vez a venda e compra da justiça, a corrupção; o preço pelo qual a legalidade era avaliada.
Se havia decidido continuar a ser polícia, era mais por gesto romântico do que por outra coisa, talvez também por vocação. No fundo, ainda havia nele a necessidade predominante de consertar, compor, fazer a diferença; de se distinguir.
Quando Roberto Velarde ainda era muito jovem, aos 19 anos, foi convidado pelo próprio Dr. Alfonso Quiroz Cuarón, - um amigo íntimo do seu pai e civil, - para integrar a sua equipa de trabalho como estagiário. Foi ele quem investigou, reuniu e integrou os arquivos que resultariam na captura dos criminosos que se revelaram os personagens da época, incluindo um que colocaria o Distrito Federal no foco da imprensa da época e em artigos de jornal sérios que deram a volta ao mundo, porque era nada mais, nada menos do que Gregorio Cárdenas Hernández, também conhecido como "el Goyo Cárdenas".
Foram momentos decisivos na sua formação, na sua fome como pesquisador; o mundo da psicologia criminal a que teve acesso diário, graças à tutela de Quiroz Cuarón, que acabou por delinear nele um maravilhoso agente da polícia judiciária federal (habilidades e conhecimentos que também lhe permitiam tirar proveito das suas lebres como infiltrado da Polícia Secreta quando tinha oportunidade).