Dança Da Lua
Amy Blankenship


Laços De Sangue #1
A vida de Envy era ótima. Ótimo irmão, ótimo namorado, e o melhor trabalho que a garota poderia pedir... atendente de bar nos clubes mais populares da cidade. Pelo menos era ótima até que recebeu um telefonema de um de seus melhores amigos sobre o seu namorado dançando limbo vertical na pista de dança da Moon Dance. Sua decisão de enfrentá-lo inicia uma cadeia de eventos que irá apresentá-la a um mundo paranormal perigoso escondido debaixo da monotonia cotidiana. Um mundo onde as pessoas podem se transformar em jaguares, vampiros da vida real percorrendo as ruas e anjos caídos andando entre nós. Devon é um homem-jaguar, um pouco rude ao se mover e um dos proprietários da Moon Dance. Seu mundo está inclinado em seu eixo quando espia uma raposa sedutora com cabelo vermelho dançando em seu clube, munida de um coração cínico e um taser. Com uma guerra de vampiros violenta em torno deles, Devon promete fazer esta mulher sua... e vai lutar com todas as forças para tê-la.







âDanÃ§a da Luaâ

LaÃ§os de Sangue, Livro Um

Editado por Tracy Murray

Translated by Claudia Peruto



Copyright Â© 2012 Amy Blankenship

English Edition Published by Amy Blankenship

Portogese Edition Published by TEKTIME

All rights reserved.

ISBN:

ISBN-13



PrÃ³logo

A Floresta Nacional de Angeles Ã© a casa de pumas perigosos e jaguares importados que vagueiam pela vasta floresta. Algumas vezes, em noites claras, seu nÃºmero cresce por um tempo enquanto os animais que eram de LA, ou deslocadores como o folclore passou a conhecÃª-los, vagueavam pela terra indomÃ¡vel junto aos seus primos distantes. SÃ£o aquelas noites onde os verdadeiros animais se escondem em suas tocas, enquanto os predadores da cidade invadem seu territÃ³rio tempo suficiente para caÃ§ar, ou em raras ocasiÃµes, resolver lutas que nÃ£o podem ser resolvidas na relva humana.

NÃ£o hÃ¡ nada mais vicioso do que quando esses deslocadores lutam e, se um deles era ferido, se tornava tÃ£o perigoso para os seres humanos do que os animais semelhantes. Para proteger os seres humanos que vivem juntos, as disputas dos deslocadores, sempre que possÃ­vel, sÃ£o sempre feitas fora da vista desses humanos, e o melhor lugar Ã© nas profundezas de suas Ã¡reas de caÃ§a nativas.

Hoje Ã  noite, a floresta se tornou assustadoramente silenciosa, conforme os dois proprietÃ¡rios do maior clube da cidade entravam na terra indomÃ¡vel, tirando suas roupas do corpo para deixar sua besta interior correr livre. Esta noite, eles estavam caÃ§ando o tÃºmulo de um vampiro que poderia destruir os dois.

Nas profundezas da floresta, onde nenhum humano conseguiria ouvi-lo, Malachi, o lÃ­der de um pequeno clÃ£ jaguar, corria pela escuridÃ£o em direÃ§Ã£o ao seu adversÃ¡rio... Um homem que nunca deveria ter confiado no seu melhor amigo. Seu alvo era outro deslocador, este com sangue de puma correndo em suas veias, Nathaniel Wilderâ¦ seu parceiro de negÃ³cios durante os Ãºltimos 30 anos.

Malachi irrompeu na clareira para encontrar Nathaniel esperando por ele na sua forma humana. Dando alguns passos para frente, era como andar de uma forma para outra, enquanto Malachi voltava para sua forma humana. Ambos eram letais, independente da forma que estivessem. Como seres humanos, eram ambos atlÃ©ticos, com mÃºsculos de aÃ§o tensos sob a pele macia. Os deslocadores estavam lentos devido Ã  idade, e ambos mal pareciam ter passado dos 30 anos, embora estivessem bem aos 50 anos de idade.

Se este fosse um filme de Hollywood, teria levado vÃ¡rios minutos para ser grosseiramente mudado, mas esta era a realidade e nÃ£o havia monstros babando nesta clareira. A nudez nÃ£o era nada para um deslocador, e a lua irradiou sua luz como um holofote atravÃ©s das nuvens de chuva acima deles.

âIsso nÃ£o tem que acabar assim,â Nathaniel disse, conforme ele se mantinha firme no chÃ£o enquanto tentava trazer seu amigo Ã  razÃ£o. âMe escute! Isso foi hÃ¡ trinta anos, e as coisas mudaram... Eu mudei.â

âTrinta anos de mentiras!â, Malachi trovejou, sua voz ecoando na lareira. Seus olhos foram atÃ© o ponto onde ele enterrou Kane e ele sentiu a fisgada Ãºmida aparecer nos seus olhos. âPor sua causa, eu conectei Kane a essa sujeira... por sua causa eu o abandonei por trinta anos!â

âEu nÃ£o posso deixar vocÃª desenterrar ele, Malachi! VocÃª sabe o que vai acontecer se fizer isso,â Nathaniel assistiu nervosamente a forma como Malachi olhava longamente para o tÃºmulo do homem que um dia tinha sido seu melhor amigo. Ele nunca tinha entendido. Kane era um vampiro, e era perigoso.

Kane tambÃ©m tinha sido uma das duas coisas que impedia a formaÃ§Ã£o da parceria entre os jaguares e os pumas... Kane e a bela e traiÃ§oeira esposa de Malachi, Carlotta. Nathaniel tinha se apaixonado por ela primeiro. Ele nÃ£o queria que isso acontecesse dessa forma. No fim, Nathaniel cuidou do problema com um ataque de ciÃºmes... Matando dois coelhos com um sÃ³ golpe.

âEle era meu melhor amigo e ele nunca me traiu! VocÃª foi o Ãºnico que me esfaqueou pelas costas!â, Malachi piscou para espantar as lÃ¡grimas de fÃºria, quando levou a mÃ£o atÃ© a orelha e tocou no brinco que estava usando: o brinco de Kane. O que ele tinha feito? Quando ele encontrou Kane debruÃ§ado sobre sua esposa morta, ele parou confuso, atÃ© que Nathaniel confirmou que o assassino era Kane.

Ela morreu aqui neste mesmo campo, e ele pensou que era justo conectar Kane a esta terra... neste solo. AtÃ© roubou o livro de magia de Kane e usou contra ele, por vinganÃ§a.

Sim, Nathaniel estava certo sobre uma coisa. A maioria dos vampiros era mÃ¡, mas havia algumas exceÃ§Ãµes, e Kane tinha sido uma delas. Mas nÃ£o era pior do que ele tinha feito. Esse feitiÃ§o sÃ³ poderia ser revertido pela alma gÃªmea de Kane.

Malachi tinha achado engraÃ§ado esse momento, porque Kane nÃ£o tinha idade certa e ainda nÃ£o tinha conhecido sua alma gÃªmea. No passado, ele e Kane tinham brincado muitas vezes sobre o assunto, dizendo que tal mulher nunca tinha nascido. Sua mente relembrou o sorriso de Kane quando ele dizia, âDeus teria que ter senso de humor para criar uma mulher que aguentaria algumas de suas travessuras.â

âEle estÃ¡ lÃ¡ hÃ¡ muito tempo,â avisou Nathaniel. âCom esse tipo de sede de sangue e a insanidade crescendo nele... se vocÃª soltar Kane agora, ele sÃ³ irÃ¡ nos matar.â

A cabeÃ§a de Malachi levantou um pouco e olhou para Nathaniel. âEle sÃ³ vai ter que matar a mim, pois vocÃª jÃ¡ estarÃ¡ morto.â

Com a ameaÃ§a dita, ambos os homens mudaram suas formas para animais de novo.



*****



Ã beira do acampamento, prÃ³ximo Ã  grande reserva de caÃ§a, estava Tabatha King, ou Tabby como todos pareciam chamÃ¡-la, sentada nos degraus da caravana de seus pais, olhando para as estrelas que apareciam por entre as nuvens grossas. Ela soprou sua franja para longe de seus olhos contentes por ter finalmente parado de chover.

Essa foi a primeira vez que ela estava acampando, e a Ãºltima coisa que ela queria fazer era se apertar dentro do RV. Ela estava tÃ£o animada em relaÃ§Ã£o a essa viagem e ficou ainda mais feliz quando concordaram em trazer o pequeno cÃ£o de famÃ­lia, chamado Scrappy. Tinha implorado muito, mas depois de prometer cuidar de seu pequeno melhor amigo, um cachorrinho Yorkie, ela finalmente convenceu seus pais relutantes.

Scrappy estava latindo na escuridÃ£o, girando em torno de sua coleira, querendo perseguir as sombras que tinham chamado sua atenÃ§Ã£o. A garotinha engasgou quando Scrappy saiu da coleira de repente e fugiu. Ela se levantou dos degraus de aÃ§o quando o filhote atravessou uma pequena abertura no fundo da cerca que separava o acampamento da reserva de caÃ§a.

âScrapp, nÃ£o!â, Tabby gritou e correu atrÃ¡s do cachorro. Seus pais tinham confiado nela para nÃ£o perdÃª-lo. Parando na cerca, ela respirou fundo enquanto olhava para a escuridÃ£o das Ã¡rvores. âEu nÃ£o sou covarde.â Ela mordeu o lÃ¡bio inferior, determinada, antes de se ajoelhar para investigar a abertura.

Depois de alguns pequenos arranhÃµes, ela tinha se espremido atravÃ©s do mesmo buraco na cerca e estava correndo pelo bosque, seguindo o som distante de latidos. âVocÃª vai me colocar em apurosâ, ela sussurrou asperamente, e entÃ£o comeÃ§ou a estalar a lÃ­ngua, sabendo que o filhote muitas vezes seguia o som.

âTabby, onde vocÃª estÃ¡?â

AtrÃ¡s dela, Tabatha ouviu sua mÃ£e chamando, mas ela estava mais interessada em levar seu cachorro de volta para o acampamento. Scrappy era seu cachorro e ela tinha que cuidar dele. EntÃ£o, em vez de responder sua mÃ£e ou chamar o cachorro, ela ficou quieta e seguiu o som agudo do latido de Scrappy.

NÃ£o demorou muito para que Tabatha precisasse parar para recuperar o fÃ´lego. Ela encostou-se em uma Ã¡rvore e colocou as mÃ£os nos joelhos sujos, respirando e escutando os sons da floresta. Ela sempre quis ficar no meio da floresta e apenas ouvir, como os Ã­ndios faziam nos filmes de TV.

As nuvens de chuva que se separaram por um tempo voltaram e o luar brilhante desapareceu de repente. Seus olhos se arregalaram quando percebeu que nÃ£o podia mais ver as luzes do acampamento.

Tentando dar um passo para frente, olhou ao redor de forma descontrolada, mas tudo o que viu foi escuridÃ£o, troncos de Ã¡rvores quase imperceptÃ­veis e sombras ainda mais escuras. Ela choramingou quando algo rosnou atrÃ¡s dela. Decidindo que nÃ£o gostaria dessa direÃ§Ã£o, ela saiu correndo sem olhar para trÃ¡s.

Depois do que pareceu ser uma eternidade, ela ouviu Scrappy latir de novo e correu nessa direÃ§Ã£o, esperando que o que tinha rosnado nÃ£o estivesse perseguindo ela. Ela ouviu outro rosnado, mas dessa vez estava vindo de algum lugar na frente dela.

Afundando os calcanhares no chÃ£o, ela tentou deslizar atÃ© parar, mas o solo estava coberto de folhas lisas e sujeira de chuva. Em vez de parar, ela deslizou ainda mais para o lado antes de cair em um declive gradual.

A respiraÃ§Ã£o dela parou quando seu corpo bateu em uma Ã¡rvore caÃ­da que a impedia de deslizar. A primeira coisa que notou, depois de recuperar o fÃ´lego, foi que Scrappy nÃ£o estava mais latindo. Ela o ouviu rosnar novamente e comeÃ§ou a subir a colina quando ouviu um gemido suave. Arrastando-se, de joelhos, ela espiou por cima do tronco da Ã¡rvore e viu uma pequena clareira onde o luar estava brilhando.

Bem no centro da clareira estava Scrappy, se lamentando como se tivesse sido espancado por um cachorro na rua de casa. O cachorro estava deitado no chÃ£o e rastejando para trÃ¡s. Seus olhos azuis se arregalaram quando ela viu o motivo. Dois animais se moviam lentamente, um em direÃ§Ã£o ao outro na clareira, e Scrappy estava bem no meio.

âBobo,â Tabby sibilou em voz baixa.

Ela reconheceu os animais das fotos que o seu pai lhe mostrou antes de embarcarem na viagem. Um deles era um puma e o outro ela reconhecia da televisÃ£o... um jaguar. Ela adorava assistir a apresentaÃ§Ãµes de animais e nÃ£o era sensÃ­vel como a mÃ£e quando os animais da TV tentavam se atacar. Mas isso era diferente... era real e um pouco assustador.

Eles eram gatos que podiam comer vocÃª, grande tambÃ©m. Os animais graciosos circularam entre si, rosnando profundamente e seus olhos cintilavam como medalhÃµes dourados. O som mortal foi carregado pela brisa, soprando em direÃ§Ã£o a Tabatha, enquanto ela continuava a observÃ¡-los com nervosismo.

âVem, Scrappy,â ela sussurrou, esperando que os gatos enormes nÃ£o a ouvissem. âVem aqui antes que um deles pise em vocÃª.â Ela ia dizer âcomer vocÃªâ, mas nÃ£o queria assustar o pobre cachorro mais do que jÃ¡ estava.

Os gatos gritaram de repente, fazendo Tabatha cobrir as orelhas com as palmas das mÃ£os, porque o som era tÃ£o alto e assustador. Eles correram em alta velocidade atravÃ©s da clareira, fazendo Scrappy enfiar a cauda entre as pernas e gritar de medo.

Vendo o cachorro traumatizado, Tabatha passou por cima da Ã¡rvore e correu atÃ© Scrappy o mais rÃ¡pido que conseguiu. Ela estava mais perto de Scrappy do que os gatos e mergulhou para baixo, cobrindo rapidamente seu pequeno corpo com o dela, assim que os dois animais saltaram e colidiram no ar, bem acima dela.

âPor favor, nÃ£o machuquem meu cachorro!â, ela gritou.

Ela gritou de novo quando as garras afiadas rasparam em seu braÃ§o e outras passavam pelas suas costas. Os gatos atingiram o chÃ£o, logo atrÃ¡s dela, com um ruÃ­do dissonante, e rosnando e gritando um para o outro. Ela continuou curvada por cima de Scrappy, que ainda estava tremendo e choramingando suavemente, nÃ£o ousando olhar para os animais lutando apenas a alguns metros atrÃ¡s dela.

Tabatha estava com medo de se mover e segurou o cachorro o mais forte que podia. Seus olhos estavam cerrados e ela comeÃ§ou a sussurrar para Scrappy correr e buscar ajuda, se um dos gatos a pegasse tambÃ©m. Alguma coisa Ãºmida e quente borrifou nas suas costas, mas ela ainda nÃ£o se moveu. Finalmente, a luta parou e ela deu uma olhada por cima do ombro.

Ela comeÃ§ou a tremer e chorar quando viu dois homens deitados atrÃ¡s dela, com sangue por toda parte. Tabatha se ergueu sobre os joelhos devagar, com Scrappy nos seus braÃ§os e comeÃ§ou a se afastar. Para onde o puma e a onÃ§a foram? Eles atacaram esses dois homens e fugiram? Por que os homens estavam sem roupa?

Nathaniel abriu os olhos de repente e mostrou dentes muito afiados para ela.

Tabatha tropeÃ§ou para trÃ¡s e quase caiu, mas recuperou o equilÃ­brio. Scrappy gritou de novo quando o rosnado do homem imitou o rosnado do puma, e lutou para sair dos braÃ§os de Tabby. Ele fugiu para a floresta, gritando de medo.

Malachi estremeceu quando o sangue jorrou de seu peito. Ele abriu a boca e grunhiu uma palavra em direÃ§Ã£o Ã  menina.

âCorra!â, sua voz terminou com o grito ensurdecedor de um jaguar.

Tabatha nÃ£o pensou duas vezes antes de obedecer. Ela girou sobre os calcanhares e correu da clareira sem pensar em olhar para trÃ¡s. Ela nÃ£o se importava para onde estava indo, apenas se afastou dos dois homens assustadores cobertos de sangue.



*****



âObrigado e este Ã© o noticiÃ¡rio local. Esta noite, uma famÃ­lia local tem razÃ£o para comemorar. Sua filha, Tabatha, finalmente foi encontrada vagando sem rumo dentro da Floresta Nacional de Angeles, depois de desaparecer, a trÃªs dias, de um acampamento perto de Crystal Lake para procurar o cachorro da famÃ­lia. Aparentemente, o cachorro se soltou de sua coleira e correu para a floresta. A garota de sete anos, corajosamente, correu atrÃ¡s do cachorro e nÃ£o foi encontrada atÃ© esta manhÃ£. Infelizmente, o cachorro nÃ£o foi encontrado com ela. De acordo com as autoridades, ela estÃ¡ no Hospital ComunitÃ¡rio se recuperando do choque, pois parece que ela sobreviveu a um ataque de puma. A pequena Tabatha continuou a falar aos guardas florestais sobre dois homens feridos na floresta, mas depois de uma busca minuciosa, dentro de uma Ã¡rea de oito mil quilÃ´metros quadrados, nada foi encontrado. Falaremos mais sobre isso em instantes.â



CapÃ­tulo 1

10 anos mais tardeâ¦

A mÃºsica alta batia de forma rÃ­tmica no clube, seu letreiro grande em neon roxo mudava as cores em sincronia com a batida. A luz lanÃ§ou um brilho misterioso em direÃ§Ã£o ao prÃ©dio do outro lado da rua. No telhado desse edifÃ­cio, um homem com cabelo loiro claro e curto estava com um pÃ© apoiado na borda. Ele se inclinou para frente, com um cotovelo apoiado em seu joelho dobrado, enquanto fumava um cigarro.

Kane Tripp inclinou ligeiramente a cabeÃ§a e passou a mÃ£o pelo cabelo curto e espetado. Ele odiava cortar, perdendo o comprimento que tinha. Ele ainda podia se lembrar da sensaÃ§Ã£o da suavidade de seus cabelos acariciando a parte de baixo das costas. Levando o cigarro aos lÃ¡bios, inalou profundamente sabendo que sentia falta de muitas coisas, como os cigarros que costumava fumar antes de ser enterrado vivo e deixado para morrer.

Quarenta anos atrÃ¡s ele foi pego de surpresa por Malachi, o lÃ­der de um pequeno clÃ£ de jaguares, e acusado de matar a companheira do deslocador. Antes daquela noite, Kane tinha estado em boa posiÃ§Ã£o com os jaguares, e seu lÃ­der tinha sido um de seus amigos mais prÃ³ximos. Os lÃ¡bios de Kane diluÃ­ram a memÃ³ria. Malachi o testou, o julgou e o condenou em um ataque de raiva.

Usando um feitiÃ§o do prÃ³prio livro que Kane pensou ter escondido com tanto cuidado, Malachi o amarrou com uma maldiÃ§Ã£o, o tornando incapaz de se mover ou falar... incapaz de se defender. EntÃ£o, ele removeu o brinco de pedra de Kane, que lhe permitia caminhar livremente Ã  luz do dia. As pedras de sangue tinham pertencido uma vez ao primeiro vampiro, Syn.

Kane jÃ¡ tinha se perguntado como poderia ter havido o primeiro, e a resposta o surpreendeu.

Syn tinha vindo a este mundo sozinho, ferido e morrendo de fome. Um jovem o havia encontrado e, com sua fome, Syn tomou seu sangue. O vampiro aprendeu rapidamente que os seres humanos deste mundo eram criaturas frÃ¡geis, cujas almas os deixariam se compartilhassem seu sangue, na esperanÃ§a de criar uma famÃ­lia neste planeta. Mas, uma vez que suas almas iam embora, eles eram inÃºteis para ele, e eram um pouco mais do que monstros.

Durante sua vida sem fim, Syn tinha encontrado apenas trÃªs seres humanos que mantinham suas almas... se tornando seus filhos. A Ãºnica diferenÃ§a era que, uma vez que se tornassem vampiros, o sol os queimaria... os deixando e deixando seus irmÃ£os monstros para se esconder da luz do dia. Isso nunca tinha sido um problema no planeta de Syb, por causa da pedra de sangue.

As braÃ§adeiras grossas que Syn usava vinham de seu mundo e eram feitas de pedras de sangue. Raspando um pedaÃ§o de cada uma das braÃ§adeiras, ele moldou um anel, um colar e um brinco Ãºnico. Kane, mais uma vez, esticou a mÃ£o e tocou no brinco que estava usando.

Onde a pedra de sangue tinha lhe dado uma vida seminormal... o livro de feitiÃ§os de Syn se tornou a queda de Kane. Kane o deixou para que o seu escolhido usasse sabiamente enquanto dormia. Dentro dele estava o feitiÃ§o de condenaÃ§Ã£o, uma maneira de derrubar as crianÃ§as sem alma, quando se tornavam um risco muito grande para os humanos.

Enquanto o feitiÃ§o de condenaÃ§Ã£o era usado nele, Kane podia somente assistir, com seus olhos escuros, sem piscar, quando seu ex-amigo moveu o solo preto com a pÃ¡ e jogou sobre ele. A Ãºltima coisa que ele se lembrava foi de ver as estrelas encherem o cÃ©u acima das florestas de Ã¡rvores.

A escuridÃ£o tinha consumido tudo e era tÃ£o silenciosa. O feitiÃ§o o mantinha preso, mas ele podia sentir as coisas na terra se movendo sobre ele. Criaturas minÃºsculas e mortais que evitavam comer sua carne morta, mas sem saber, mordiam sua alma.

Com o passar do tempo, ele tinha certeza de que tinha enlouquecido, e entÃ£o ele comeÃ§ou a ouvir vozes de vez em quando... vozes. Elas eram bem-vindas em sua prisÃ£o e ele desejava ouvir mais. Ãs vezes, ouvia famÃ­lias inteiras, outras vezes ouvia apenas adultos.

Ãs vezes ele tentava lutar contra o feitiÃ§o, pedir ajuda ou atÃ© mesmo ser algum tipo de companhia para si mesmo. A magia se realizou rÃ¡pido, o deixando completamente impotente. Ele sabia que esse feitiÃ§o... era usado em monstros. Era uma magia um pouco complexa que exigia sangue de um ente querido para libertÃ¡-lo. Um feitiÃ§o de amor tÃ£o forte que somente a alma gÃªmea da vÃ­tima poderia quebrar a magia.

Ele sempre tinha trabalhado com vampiros sem alma, pois vocÃª tinha que ter uma alma para chamar pela alma gÃªmea. Ele tinha usado o feitiÃ§o mais de uma vez para livrar o mundo de seus irmÃ£os assassinos demonÃ­acos, que nÃ£o conheciam nada alÃ©m da sede de sangue.

Kane riu rancorosamente da memÃ³ria assombrosa de saber que estava condenado... porque ele nÃ£o tinha uma alma gÃªmea. Pelo menos ele nunca tinha conhecido tal enigma. E se tivesse um, entÃ£o era improvÃ¡vel que ela simplesmente tropeÃ§asse em seu tÃºmulo enquanto estivesse sangrando. Malachi estava tÃ£o desolado... tinha amado tanto sua esposa que queria que Kane conhecesse a profundidade desse amor e ansiasse por isso.

Anseio pelo que ele fez. Muitas vezes ele derramava lÃ¡grimas, implorando por qualquer Deus que o escutasse, para trazer sua alma gÃªmea para ele para que pudesse ser livre. Se ele realmente tivesse matado a esposa de seu amigo, entÃ£o tinha sido um castigo justo. Mas ele era inocente desse crime.

Uma noite, muito tempo depois de ter desistido de toda a esperanÃ§a, ele ouviu. O som distinto do rugido de Malachi rompeu seu monÃ³logo insano, acompanhado por outro grito de fÃºria. EntÃ£o, para seu choque, ele ouviu a voz de uma menina logo acima dele, gritando para nÃ£o machucar seu cachorro.

O som de sua voz baixa e assustada quebrou algo dentro dele, fazendo-o desejar ser livre, para que pudesse protegÃª-la da besta no meio da noite.

âMalachi nÃ£o vai machucar seu cachorro, minha pequenaâ, Kane sussurrou mentalmente.

Era verdade. Malachi nÃ£o faria mal a ninguÃ©m, a menos que o tivessem prejudicado de alguma forma... especialmente uma crianÃ§a. Sabendo que seu amigo estava em algum lugar acima dele, Kane sentiu uma faÃ­sca de vida voltar para ele. Ele ficou furioso quando a menina gritou novamente e ouviu algo bater no chÃ£o. Sangue... ele cheirava sangue recÃ©m-derramado escorrendo pela terra macia em sua direÃ§Ã£o.

Era a coisa mais bem-vinda que havia encontrado. O cheiro invadiu sua mente e quase o levou ao apogeu da insanidade, sabendo que seria incapaz de alcanÃ§Ã¡-lo. Ele estava tÃ£o fraco por passar tanto tempo sem uma Ãºnica bebida... sedento atÃ© a morte, mas nunca morrendo. Foi quando ele sentiu um dos dedos se contorcendo.

Kane se concentrou nisso e determinou o que restava de sua mente para tentar se mover. Sentiu os dias passarem, se baseando no calor que sentia do chÃ£o acima dele. O cheiro de sangue o rodeava agora, levando-o para frente. Finalmente, ele foi capaz de forÃ§ar lentamente seus braÃ§os e comeÃ§ou o processo lento de tentar cavar para fora de seu prÃ³prio tÃºmulo.

Mais dias se passaram e quando sua mÃ£o finalmente quebrou a superfÃ­cie, ele literalmente chorou lÃ¡grimas de alegria. Puxando-se para fora da terra, Kane abriu os olhos e olhou para cima, rindo de forma quase manÃ­aca, quando viu um cÃ©u preto e com estrelas. Olhando para o chÃ£o, ele notou um pedaÃ§o de pano que tinha pequenas gotas de sangue seco. O pegou, segurando-o no nariz, inalando o cheiro do sangue que o havia libertado.

Mantendo a lembranÃ§a de seu salvador cerrada em seu pulso, ele levantou o resto do seu corpo do chÃ£o. Malachi e o deslocador que realmente matou a esposa do jaguar estavam mortos a poucos metros do seu tÃºmulo.

Olhando atravÃ©s deles, para a floresta, ele sabia que a garota estava longe, mas Kane estava convencido de que a crianÃ§a era sua alma gÃªmea. Quem mais poderia ter quebrado o feitiÃ§o que Malachi colocou sobre ele?

Muito fraco para ir em busca da menina, Kane rastejou atÃ© Malachi, parecendo tocar ternamente na bochecha do homem. Virando o rosto para ele, a respiraÃ§Ã£o de Kane o deixou confuso. Malachi estava usando o brinco com pedra de sangue. Seu brinco!

Em um momento de raiva e com um movimento rÃ¡pido demais para detectar, Kane se levantou com o brinco preso em seu pulso. Olhando para Nathaniel, o homem que o havia prendido, Kane juntou a escuridÃ£o ao seu redor como uma capa e desapareceu na escuridÃ£o.

Kane exalou e observou a fumaÃ§a flutuar pelo ar, enrolando-se na frente dele antes de soprar pela brisa. Ele passou os Ãºltimos dez anos vagando de paÃ­s para paÃ­s, de continente para continente, aprendendo tudo o que tinha perdido durante sua sentenÃ§a de prisÃ£o de trinta anos.

Ele tinha construÃ­do lentamente sua forÃ§a de novo, comeÃ§ando com um cachorro Yorkie branco que encontrou encolhido dentro de uma Ã¡rvore consagrada naquela floresta. Era o animal de estimaÃ§Ã£o de alguÃ©m, e ele sentou remorso por fazer isso, mas a necessidade de se alimentar era mais forte do que sua culpa no momento.

SÃ³ depois de se alimentar ele percebeu que o filhote pertencia Ã  crianÃ§a que o havia libertado. Sentido uma pequena faÃ­sca de vida ainda dentro da pequena bola de pelos, ele fez a coisa mais terrÃ­vel. Mordendo seu prÃ³prio pulso, Kane forÃ§ou que algumas gotas caÃ­ssem na sua lÃ­ngua cor-de-rosa e, entÃ£o, colocou o filhote de cachorro no chÃ£o, sem saber o que diabos estava fazendo. Nunca funcionaria... ou funcionaria?

Ela o salvou duas vezes e nem sequer sabia disso. A memÃ³ria de sua voz assustadora ainda tinha o poder de sacudi-lo do seu sono mais profundo. Ele desejou ter visto ela... apenas um vislumbre para ir com a voz que o assombrava.

Estendendo a mÃ£o para o bolso, tirou o pequeno colar e olhou para o pingente em forma de osso. Ele sabia o nome da famÃ­lia, mas o endereÃ§o nÃ£o era mais vÃ¡lido... nÃ£o era jÃ¡ hÃ¡ alguns anos. Quando ele finalmente aprendeu a usar um computador, ele fez uma busca, mas os pais da menina estavam mortos e a casa tinha sido vendida. A filha, a quem ele tinha certeza que o tinha libertado, desapareceu sem deixar rastro.

Kane jogou o cigarro para o seu pÃ© esquerdo e o pisoteou. Ao voltar a Los Angeles, imediatamente voltou ao clube que Malachi morou uma vez e correu, apenas para descobrir que tinha sido vendido e seus filhos tinham se mudado para um novo endereÃ§o. O novo lugar tinha se tornado nada mais do que um armazÃ©m abandonado, mas os jaguares tinham reformado recentemente e o transformou em uma boate para se adequar aos tempos. Os filhos de Malachi agora dirigiam o estabelecimento.

Ele sacudiu a cabeÃ§a, se perguntando como Malachi podia se casar novamente, sabendo o quanto tinha amado sua primeira esposa. Ela tinha sido sua alma gÃªmea e, mesmo que os deslocadores fossem conhecidos pelo seu apetite sexual, uma vez que encontravam sua alma gÃªmea, era quase impossÃ­vel amar outra pessoa.

Quando Kane pesquisou, ele observou que a nova esposa de Malachi tinha lhe dado quatro filhos, morrendo no parto do seu filho mais novo, Nick.

Malachi morreu na noite em que ouviu um rugido no subsolo, mas Kane ainda sentia a necessidade de vinganÃ§a agarrando suas entranhas. Quase todos os vampiros nascem da escuridÃ£o, e talvez Syn estivesse errado sobre ele ser tÃ£o diferente de seus irmÃ£os do mal. Apenas, talvez, perder a cabeÃ§a por trinta anos torturantes tinham feito bastante dano, entÃ£o agora ele nÃ£o era exceÃ§Ã£o. Sua mente ainda estava no lugar escuro onde Malachi o tinha colocado.

No que se referia a Kane, eram os jaguares que tinham tirado o primeiro sangue. Agora ele estava de volta para prestar seus sentimentos... a toda a maldita raÃ§a de deslocadores, comeÃ§ando com os filhos de Malachi. Oh, mas ele nÃ£o iria parar por ai. Depois seriam os filhos do deslocador que o prendeu... Nathaniel Wilder.

Criar seguidores para lhe dar sangue nÃ£o tinha sido difÃ­cil. Kane ainda estava espantado com toda a cena subterrÃ¢nea selvagem no centro da cidade. Muitos deles sÃ³ sonhavam em ser o que ele era... um verdadeiro vampiro em vez de uma pessoa que quer ser selvagem.

Tudo que ele tinha que fazer era virar um, e depois deixar seu subalterno sem alma por sua prÃ³pria conta. Ele escolheu o mais perigoso do grupo... aquele que parecia ter perdido sua alma ainda na escuridÃ£o. Raven, um patife, que tinha sido um psicopata borderline quando era humano... um pÃ¡ria selvagem, que estava com fome de sangue muito antes de ter a verdadeira necessidade para isso.

Raven era a Ãºnica pessoa que Kane tinha contado sobre os deslocadores traidores que o prenderam e o enterraram vivo. Ele nÃ£o sabia por que tinha contado a Raven... tÃ©dio talvez.

Kane tinha deixado o trapaceiro livre na cidade. Raven estava zangado com o mundo antes de renascer como uma crianÃ§a da noite, e agora Kane tinha dado uma saÃ­da para essa raiva. Raven tinha assumido a responsabilidade de se vingar em nome de Kane, e o vampiro sem alma usou suas novas habilidades em toda a sua extensÃ£o.

Ele nÃ£o se incomodou em tentar convencÃª-lo de que ele se encaixava perfeitamente nos seus planos de preparar o resto da famÃ­lia de Malachi para a queda. Por que ele protegeria os deslocadores de Raven? O mÃ¡ximo que ele poderia oferecer era dizer ao menino que ele nÃ£o precisava matar humanos para se alimentar, que ele nÃ£o precisava causar nenhum dano, se nÃ£o quisesse. NÃ£o era culpa dele que Raven tinha escolhido infligir a morte em vez disso.

A primeira vez que Raven matou foi uma Ãºnica vez em que Kane tinha entrado, pegado o menino antes de deixar os mortos com marca de vampiro Ã  mostra fÃ¡cil dos humanos. Manter sua espÃ©cie em segredo estava arraigado dentro de sua autopreservaÃ§Ã£o e ele tinha se esquecido de compartilhar esse segredo com Raven. Kane, entÃ£o, lhe mostrou como cortar as marcas de presas e a tornÃ¡-lo mais parecido com um assassino sÃ¡dico simples.

Raven tinha levado suas vÃ­timas para enterrar perto da Moon Dance para que as autoridades encontrassem. Foi a combinaÃ§Ã£o perfeita. A maioria dos vampiros era intrinsecamente malvada, entÃ£o Kane passou a maior parte de sua vida de morto-vivo ao alcance de assassinos. Ver esse menino matar parecia tÃ£o natural para sua espÃ©cie.

Se Syn estivesse acordado para testemunhar a matanÃ§a, ele teria tirado a misÃ©ria do mundo matando Raven ou a prendendo em uma sepultura. Agora que Kane tinha experimentado tal puniÃ§Ã£o, preferiria que sua escolha fosse uma morte rÃ¡pida.

Antes de ser banido, ele era amigo de outro vampiro... Michael. Eles estavam juntos hÃ¡ mais tempo do que qualquer um deles provavelmente poderia se lembrar ou mesmo se queria isso. Ambos tinham sido privilegiados com pedras de sangue, pois tinham mantido suas almas... eles e Damon, o irmÃ£o de Michael.

Michael era um bom homem... ainda do lado dos anjos, como eles diziam, embora tivesse ouvido atravÃ©s da videira que Damon tinha desenvolvido um lado escuro e estava tomando conta de seu irmÃ£o. Talvez fizesse uma pequena visita a Damon depois que tivesse terminado aqui e ensinasse algumas boas maneiras. Kane se perguntava sobre a sÃºbita rivalidade entre os irmÃ£os, porque Michael amava seu irmÃ£o... mas as coisas sempre tinham uma forma de mudar.

Kane nÃ£o queria que Michael soubesse o mal que o tÃºmulo tinha deixado rastejando dentro dele. Ele passou parte do seu tempo nas Ãºltimas semanas assistindo Michael de longe. Ele sabia que Michael e o filho jaguar mais velho, Warren, agora eram amigos... assim como ele e Malachi tinham sido um dia.

Os deslocadores eram traidores e Michael ainda tinha que descobrir esse pequeno fato. Com os deslocadores fora do caminho, ele faria a Michael um Ãºltimo favor... por causa dos velhos tempos.

Kane estendeu a mÃ£o, tocando o brinco que segurava a pedra de sangue, sabendo que ela sempre o impediu de matar humanos. Se sua alma fosse verdadeiramente mÃ¡, entÃ£o a magia dentro da pedra de sangue nÃ£o funcionaria para ele. Muitas vezes ele se perguntava como Malachi poderia ter ignorado esse simples fato... a prova de sua inocÃªncia estava bem na frente dele.

NÃ£o importa... Ele passou trinta anos em sua prisÃ£o por algo que nÃ£o tinha feito. âO retorno serÃ¡ o inferno, meus amigos.â



*****



âOperador de Telemarketing?â Chad perguntou, enquanto tentava esconder seu sorriso, enquanto sua irmÃ£ batia o telefone com forÃ§a suficiente para o fazer cair da parede. Caiu com um estrondo no chÃ£o.

Envy chutou o telefone no corredor, fingindo que era a cabeÃ§a do namorado antes de ligar para seu irmÃ£o. âVocÃªs sÃ£o todos cachorros, ou sÃ£o apenas os que eu namoro?â

Chad ergueu as mÃ£os em uma rendiÃ§Ã£o simulada, âNa minha opiniÃ£o, as meninas sÃ£o tÃ£o ruins quanto. Agora, se acalme e diga ao seu irmÃ£o mais velho o que aconteceu.â

Envy colocou sua testa contra a frieza da parede. Ela se recusou a deixar atÃ© uma Ãºnica lÃ¡grima que fosse cair. Ela nÃ£o gostava de Trevor o suficiente para chorar por ele e estava seriamente cansada de todos os caras, de uma forma ou de outra. âJason acabou de ligar para me convidar para sair. Ele achou que eu estava solteira de novo sÃ³ porque encontrou Trevor em um novo clube de danÃ§a. Ele estava praticamente se enroscando em outra garota ali, na pista de danÃ§a.â

Chad sacudiu a cabeÃ§a. Ele nÃ£o sentia nenhuma pena e Trevor, assim que sua irmÃ£ estivesse com eles nas mÃ£os. âQue tal irmos Ã  boate, entÃ£o?â Ele ergueu a sobrancelha, nÃ£o querendo perder isso por nada no mundo.

Envy sorriu, gostando dessa ideia, âMe dÃª dez minutos para me arrumar.â

Chad acenou com a cabeÃ§a e se sentou na beira do sofÃ¡, clicando no controle remoto para assistir ao noticiÃ¡rio, embora nÃ£o estivesse prestando qualquer atenÃ§Ã£o. Ele nÃ£o queria que ela namorasse Trevor de forma alguma. Ele sabia que o cara agia como todo americano, rico, preparaÃ§Ã£o para a faculdade apenas para tirar todos de seu caminho, mas isso nÃ£o significa que ele gostava de mentir para Envy sobre quem ele realmente era. Se Trevor ia dormir com ela, entÃ£o ela precisava pelo menos saber a verdade sobre a pessoa na qual ela estava enfeitiÃ§ada.

ComeÃ§ar um relacionamento com uma mentira nÃ£o era a melhor maneira. Se vocÃª fosse mentir, entÃ£o nÃ£o deveria se envolver, em primeiro lugar. Tinha encurralado Trevor da Ãºltima vez que o viu na estaÃ§Ã£o e disse ao agente disfarÃ§ado para que falasse a Envy a verdade sobre o que estava fazendo, ou entÃ£o ficasse longe dela. Ao era culpa dele que Trevor nÃ£o ouvia ninguÃ©m, a nÃ£o ser ele mesmo.

Ficou enojado ao pensar que Trevor podia usar Envy quando fez o trabalho disfarÃ§ado na cena do bar. Com ela sendo uma garÃ§onete em muitos clubes, deu a Trevor uma razÃ£o para segui-la atÃ© os lugares antes de abrirem e ficar atÃ© que fechassem. Estar lÃ¡ sem a multidÃ£o permitiu que Trevor bisbilhotasse muito mais e Envy nÃ£o era a mais esperta.

Chad se recusou a ir disfarÃ§ado, embora a equipe das ForÃ§as Especiais estivesse tentando arrastÃ¡-lo atÃ© lÃ¡ hÃ¡ algum tempo. O mais prÃ³ximo que ele chegou atÃ© o momento estava sendo seu amigo preferido que ligava quando era hora de passar pelas portas e derrubar as pessoas. E estava tudo bem para ele. Ele preferia chutar a bunda de um cara mau ou apenas espiar em volta, conversando e folheando papÃ©is, tentando encontrar algum podre de alguÃ©m.

Agora, seu amigo Jason, por outro lado, seria muito melhor namorado pra a Envy. Ela tinha ido para a escola com Jason, mas ai que estava o problema. Jason tinha se apaixonado por ela durante todo o ensino mÃ©dio, e tinha passado tanto tempo em casa que Envy considerava ele um irmÃ£o... nÃ£o um cara.

Jason havia se juntado aos guardas florestais na Floresta Nacional de Angeles assim que saiu da escola e realizou o mesmo trabalho desde entÃ£o. Envy ainda gostava de sair com Jason. Ela tambÃ©m conseguiu ver sua melhor amiga, Tabatha, com mais frequÃªncia, jÃ¡ que Tabatha era parte da unidade de Jason com os guardas.

Chad se levantou do sofÃ¡ e parou do lado de fora do quarto de Envy. Eles tinham sido companheiros de quarto nos Ãºltimos quatro anos, desde que seus pais morreram em um acidente de carro, e tinham comeÃ§ado maravilhosamente bem. Ele era um policial e ela estava de plantÃ£o para ser garÃ§onete em vÃ¡rios clubes dentro da cidade.

O Ãºnico motivo pelo qual ele nÃ£o disse nada sobre ela ter um emprego ârealâ era porque, na maioria das noites, ela ganhava mais dinheiro do que ele. Isso fez as coisas ficarem ainda melhor porque quando o aluguel era cobrado, Envy era quem geralmente pagava, enquanto ele cuidava de todo o resto.

âQual clube?â ele perguntou atravÃ©s da porta.

âO novo clube chamado Moon Dance,â Envy prendeu alguns dos seus longos cabelos de morango em um rabo de cavalo, deixando o resto cair nas costas em longas camadas. âEu podia muito bem me candidatar como uma garÃ§onete enquanto estamos lÃ¡.â

Chad franziu o cenho. âEsse Ã© o caminho para a extremidade da cidade, nÃ£o Ã©?â Ele voltou para seu quarto sem esperar por sua resposta. Recentemente, as coisas na extremidade da cidade tinham ficado um pouco perigosas. Os desaparecimentos eram o perigo mais proeminente e alguns corpos tinham sido encontrados a um quarteirÃ£o desse clube.

AtÃ© agora nÃ£o havia nada que pudesse ligar diretamente Ã  Moon Dance, exceto que as vÃ­timas escolhidas eram todas frequentadoras do clube. Foi apenas o tempo que Chad e muitas outras pessoas eram consideradas suspeitas. Tinham feito algumas perguntas sobre se havia ou nÃ£o um assassino em sÃ©rie curtindo esse bar. Muitas das Ãºltimas vÃ­timas foram vistas pela Ãºltima vez dentro do clube. Como policial, nÃ£o podia ignorar a probabilidade de haver uma conexÃ£o.

JÃ¡ que sua arma e distintivo jÃ¡ estavam no carro, Chad pegou o pequeno taser e o colocou na parte de trÃ¡s de suas calÃ§as, na cintura. Com todas as coisas ruins acontecendo lÃ¡ embaixo, ele queria Envy lÃ¡ apenas para o caso de algo dar errado enquanto ainda estivessem no clube.

Saindo de seu quarto, ele olhou para o corredor e parou quando viu sua irmÃ£. Uma saia de couro preta com fenda mostrando a coxa, junto com uma camisa de renda preta. Havia remendos de couro apenas onde precisava... o suficiente para esconder seus seios e mostrar sua barriga chapada e umbigo.

Ela tambÃ©m estava usando um par de botas de couro preto que vinha acima dos joelhos, com delicadas correntes com elos ao redor dos tornozelos. Um colar que sua mÃ£e tinha lhe dado hÃ¡ anos adornava seu pescoÃ§o, tendo um belo quartzo ametista pendurado. A maior parte de seu cabelo vermelho estava amarrada em um rabo de cavalo alto, com alguns fios caindo sobre os ombros.

Sua maquiagem foi feita com bom gosto, com um pouco de delineador preto e sombra, e um tom escuro de batom. Ela parecia uma dominatrix.

âDroga, estamos em busca de sangue?â Chad levantou uma sobrancelha, lhe olhando mais umas duas vezes. Ele tinha a intenÃ§Ã£o de cancelar a noite, e fazer ela voltar para seu quarto por razÃµes de seguranÃ§a.

âBem, eu decidi,â Envy levantou uma sobrancelha de forma delicada, âDepois que eu cuidar de Trevor, vou me divertir! De agora em diante, me recuso a namorar apenas um cara. NÃ£o quero um namorado... eu quero MUITOS deles! Dessa forma, quando alguÃ©m agir como um idiota, nÃ£o vai importar, pois vou ter outros que ficarÃ£o mais do que felizes em chutar sua bunda.â

âSim, eu me lembro o quÃ£o bem isso aconteceu na escola.â Chad sacudiu a cabeÃ§a, sabendo que sua irmÃ£ era muito mais inocente do que fingia ser, âVamos pegar meu carro no caso da delegacia ligar.â

âSÃ³ se eu conseguir brincar com as luzes azuis,â Envy sorriu, sabendo que ele deixaria.

Chad suspirou e comeÃ§ou a caminhar para o carro. âEu juro que vocÃª Ã© pior do que um garoto em uma loja de brinquedos, apertando cada bicho de pelÃºcia que faz barulho, deixando todos loucos.â

âO quÃª?â ela riu. âEu gosto das luzes azuis. As pessoas saem do nosso caminho quando eu a ligo.â

âComo na vez que vocÃª fez isso quando ficamos sem cafÃ©? Ele perguntou. âVocÃª sabe que Ã© um desperdÃ­cio de dinheiro do contribuinte, nÃ£o sabe?â

âSe vocÃª nÃ£o calar a boca, eu vou dirigir. EntÃ£o vocÃª terÃ¡ que lidar com as luzes vermelhas e a sireneâ, ela avisou com uma piscadela brincalhona.

Chad se calou imediatamente porque a Ãºltima vez que isso aconteceu, ela estava atrasada para o trabalho e ele estava doente demais para dirigir, entÃ£o ele ficou sentado no banco do passageiro adormecido. O chefe ainda lhe causava tristeza por causa disso.



*****



Envy desligou as luzes azuis a cerca de um quarteirÃ£o do clube e olhou para os holofotes que danÃ§avam no cÃ©u coberto de nuvens. Ela observou conforme o prÃ©dio de dois andares aparecia.

Ela estava trabalhando tanto ultimamente que nÃ£o tinha tido a chance de ver a Moon Dance, mas alguns de seus clientes tinham adorado. Do lado de fora nada era sofisticado. Parecia apenas um armazÃ©m de tijolos com poucas janelas e um grande sinal de neon roxo no alto da parede da frente.

As pessoas estavam na fila, atravessando o outro lado do enorme estacionamento, vestidas com suas melhores roupas de clube e conversando com animaÃ§Ã£o. O fato era que havia uma fila apÃ³s as dez da noite, mostrando a ela que o trabalho aqui provavelmente seria muito lucrativo.

âSim, definitivamente colocarei em uma aplicaÃ§Ã£o,â ela sorriu com a perspectiva.

âPelo menos a fila ETA quase desaparecida,â Chad disse sarcasticamente, nÃ£o querendo esperar para ver Trevor conseguir uma boa dose de sua irmÃ£ na adrenalina.

Ele estacionou bem na extremidade mais escura do estacionamento, bem ao lado do carro de Trevor. Antes que Envy pudesse abrir a porta do carro, Chad estendeu a mÃ£o e a pegou pelo braÃ§o. âAquiâ, ele colocou um pequeno taser na mÃ£o dela e, sem dizer uma Ãºnica palavra sobre isso, abriu a porta e saiu.

Envy envolveu o dispositivo entre seus dedos com um sorriso no rosto. Seu irmÃ£o tinha ensinado a ela autodefesa atÃ© o ponto onde ela provavelmente poderia derrubar a maioria dos policiais com que ele trabalhava, sem suar. Mas Chad sempre dizia: âPor que lutar, quando tudo que vocÃª tem que fazer Ã© apertar um botÃ£o?â

Ela deslizou o taser para o pequeno bolso lateral da saia de couro, junto com seu documento. Ela apertaria o botÃ£o de Trevor sem problemas. Ela pressionaria feliz o botÃ£o do elevador para ir ao inferno apenas para vÃª-lo agora. NinguÃ©m traiu Envy Sexton e fugiu com ela.

Eles andaram em direÃ§Ã£o Ã  fila um ao lado do outro, e Envy estava especialmente feliz quando a fila comeÃ§ou a se mover mais rÃ¡pido, levando apenas alguns minutos para entrarem.

O porteiro estava vestido com um belo par de calÃ§as Armani e jaqueta combinando. A camisa embaixo era da forma apropriada e mostrou um peito atraente. Seus cabelos castanhos caÃ­am em ambos os lados do rosto, em ondas Um pouco de barba aparecia em seu rosto, e ele tinha olhos escuros penetrantes, que quase brilhavam na luz de neon.

Chad pagou e eles mostraram seus documentos antes que o homem carimbasse sua mÃ£o e soltasse a corda de veludo vermelho, permitindo a eles o acesso. Entraram pelas portas principais e caminharam por um pequeno corredor em direÃ§Ã£o a outra porta, que se abriu quando eles se aproximaram. Ambos pararam quando entraram na sala principal e olharam. Era como se estivessem entrando em outra dimensÃ£o.

Para um local lotado como estava o estacionamento, vocÃª poderia pensar que estaria com pessoas imprensadas dentro, mas nÃ£o estava. Os lÃ¡bios de Envy se separaram enquanto ela andava em direÃ§Ã£o ao enorme buraco no centro da sala.

Se aproximando da grade, ela olhou para a pista de danÃ§a no andar de baixo. Em ambos os lados, tinha uma passarela que se estendia atravÃ©s do nÃ­vel principal com uma barra longa, que esticava por todo o seu comprimento. O bar, em si, parecia com vidro jateado com suave iluminaÃ§Ã£o de neon ondulando tudo atravÃ©s dele.

Duas escadas desciam Ã  sua esquerda e direita e se encontravam no meio, antes de descer para a pista de danÃ§a real abaixo. A pista de danÃ§a estava brilhando com luz suave, o suficiente para lanÃ§ar seus pÃ©s em um tipo de luz negra. Tudo isso adicionado ao pandemÃ´nio criado pelas luzes intermitentes aÃ©reas e holofotes coloridos que se moviam em todas as direÃ§Ãµes, exceto diretamente sobre os danÃ§arinos.

A forma como foi montado permitia ver os danÃ§arinos ajoelhados mas, alÃ©m disso, seus corpos estavam sombreados.

Envy se inclinou sobre a grade, olhando para ver se tinha barras no nÃ­vel mais baixo, mas nÃ£o havia nada alÃ©m da pista de danÃ§a. Isso lhe lembrou um buraco. Assim que descesse as escadas, estaria Ã  mercÃª da escuridÃ£o que ombreava os danÃ§arinos em privacidade.

âSÃ£o trÃªs andares?â ela perguntou, olhando para o teto sÃ³lido acima deles. Contando o porÃ£o, que seria o terceiro andar, ela se perguntou se tambÃ©m era parte do clube ou se estava fora dos limites.

Aplausos e vaias fizeram seu olhar se voltar para baixo na pista de danÃ§a. Ela olhou incrÃ©dula quando um holofote azul-celeste atingiu uma gaiola no meio do poÃ§o. Ela ficou instantaneamente encantada com o homem atrÃ¡s das barras.

O olhar de Chad tambÃ©m parou na gaiola. Parecia uma cela de prisÃ£o pequena. Dentro dela havia um homem e uma mulher e estavam circulando entre si. Mesmo dessa distÃ¢ncia, ele podia sentir o calor em seus movimentos. Seus dedos ficaram brancos quando agarrou o corrimÃ£o no momento em que o sujeito na jaula empurrou sua parceira de danÃ§a contra as barras apenas para ela se abaixar e passar por baixo do seu braÃ§o enquanto tentava prendÃª-la contra elas.

Girando, o sujeito agarrou seu pulso e a trouxe de volta rÃ¡pido contra ele antes de guiar suas mÃ£os para as barras na frente dela. Isso a fez agarrar as arras, ele se esfregando contra seu corpo quase nu atÃ© que sua cabeÃ§a pendeu para trÃ¡s contra o peito, como se ela estivesse gostando.

Era de natureza animal, quase como uma danÃ§a de acasalamento primitiva de algum tipo. Chad e Envy se encontravam cativados pelo show, a exibiÃ§Ã£o afetando cada um de formas diferentes.

Chad os observou por mais alguns minutos em silÃªncio enquanto o casal principal se separava apenas para que o homem a prendesse em uma posiÃ§Ã£o diferente. O calor de seus movimentos fez seu jeans crescer, como se estivesse apertando os quadris de macho contra a bunda da menina. Afastando seu olhar frustrado Chad se forÃ§ou a olhar para as decoraÃ§Ãµes nas paredes superiores onde ele podia ver de seu Ã¢ngulo.

Era principalmente as luzes piscando com luz preta constante perto das pinturas estico retrato enorme, com corpos lustrosos de jaguares, alguns lutando e alguns predadores em caÃ§a solo. Os animais letais pareciam ter vida prÃ³pria. As pinturas imÃ³veis quase se moviam com as luzes, dando a impressÃ£o de que os animais estavam vivos e observando.

Ele tinha que admitir que o tema era Ãºnico, mas funcionou. Seus olhos seguiram o movimento das luzes atravÃ©s das paredes e ele notou que as correntes pendiam entre as imagens, algumas com colares perfurantes e chicotes de couro preto.

Ele olhou de volta para a gaiola e estava prestes a ir encontrar Jason quando viu Trevor na pista de danÃ§a perto de um dos holofotes. O idiota estava encurralado entre duas meninas e parecia que estava tendo o momento de sua vida. Olhando para Envy, Chad sabia que ele nÃ£o precisaria dizer uma palavra, quando percebeu que ela estava olhando diretamente para o trio.

Envy inclinou a cabeÃ§a para o lado tentando estudar Trevor como se ela nÃ£o o conhecesse. Isso a fez imaginar por que ela namorava com ele, para comeÃ§ar.

Ela tinha que admitir que ele era fÃ¡cil de olhar. Maldita boa aparÃªncia seria a melhor frase. Ele parecia um tipo de surfista da CalifÃ³rnia, com seu cabelo loiro de sol esvoaÃ§ante, bronzeado dourado e olhos azuis acinzentados. Ele era completamente atraente e tinha sido muito divertido.

Mas se vocÃª tirasse sua boa aparÃªncia, nÃ£o tinha muito para realmente atrair uma menina. Tudo o que restava era um pirralho universitÃ¡rio que nasceu com uma colher de prata na boca. Quando ele estava por perto, ele era muito atencioso, mas tambÃ©m desaparecia do radar, Ã s vezes por dias, em um instante.

A Ãºnica coisa boa que ela poderia pensar em dizer sobre ele era muito quente ao se despedir, e isso tinha lhe dado alguns dos melhores momentos de sua vida.

Pensando bem, ela realmente acreditava que ele gostava dela de verdade... mais do que gostava dela. Mostraria realmente o que ela sabia sobre homens. Verdade seja dita, ela estava ficando cansada de ficar sozinha... mas entÃ£o, isso nÃ£o Ã© motivo para comeÃ§ar a namorar um cara.

Ela suspirou ardentemente enquanto observava ele cair com tudo na garota que estava embriagada, percebendo que nÃ£o sentia ciÃºme nenhum. Se ela realmente estivesse apaixonada por ele, nÃ£o estaria completamente chateada agora, em vez de simplesmente magoada? O que mais a incomodava era que ele mentiu sobre querer somente ela.

Jason estava olhando para Envy entrar no clube de seu banco de bar mais prÃ³ximo da porta. Ele sabia que ela viria e ele nÃ£o estava surpreso ao ver Chad com ela. Depois de lhe dar alguns minutos olhando em volta, ele sorriu satisfeito quando percebeu a tensÃ£o nos ombros de Envy e soube que ela tinha visto seu namorado beijando na pista de danÃ§a.

Ele tentou esconder seu ciÃºme nos Ãºltimos dois meses e nÃ£o queria magoÃ¡-la, mas isso era o que precisava para afastÃ¡-la de Trevor, era para o seu prÃ³prio bem.

Voltando-se para Kat, o belo garÃ§om com quem estava conversando, Jason sorriu, âEu disse a vocÃª que eles vinham.â Ele acenou com a cabeÃ§a na direÃ§Ã£o de Envy e Chad.

Ele esteve aqui por mais de uma hora, mas depois de testemunhar a traiÃ§Ã£o de Trevor com Envy, ele nÃ£o estava com vontade de se juntar Ã  multidÃ£o. Ele acabou se entediando e comeÃ§ou a conversar com Kat para passar o tempo. Ele atÃ© tinha lhe contado sobre o namorado de Envy.

âEntÃ£o esse Ã© o seu melhor amigo e sua irmÃ£?â Kat olhou para o casal, mas seu interesse principal estava no policial. Se Jason nÃ£o tivesse lhe dito que Chad era um policial, ela nunca saberia. Ele era quente como o inferno.

Cerca de um metro e oitenta com pele bronzeada de sol, e cabeÃ§o castanho com luzes douradas. Era um pouco mais longo do que o penteado de um policial normal e parecia que o vento tinha soprado a maior parte para o lado, deixando-o com uma aparÃªncia um pouco selvagem. Ela se viu comparando-o com Quinn, e entÃ£o piscou, percebendo que tinha feito isso de novo. Ela olhou de volta para Jason, sabendo que ambos precisavam superar chamas antigas ou arriscar se queimar de forma constante.

âEle nÃ£o se parece com um policial,â disse Kat, olhando Chad e perguntando se ele estava namorando alguÃ©m. Jason nÃ£o disse que sim ou que nÃ£o.

âBem...,â Jason quase fez beicinho quando percebeu o jeito que ela estava olhando para o Chad. Ele balanÃ§ou a cabeÃ§a, âEu volto em alguns minutos.â

Terminando seu refrigerante, ele saiu do banquinho e caminhou em direÃ§Ã£o aos seus amigos. Quando diminuiu a distÃ¢ncia entre eles, ele colocou a mÃ£o no ombro de Envy. Baixando os lÃ¡bios prÃ³ximos ao seu ouvido, sussurrou, âQuer danÃ§ar?â

Envy sorriu sem se virar. âOh, sim!â, exclamou ela, e entÃ£o desceu as escadas mais prÃ³ximas, deixando Jason parado ao lado de Chad com a mÃ£o ainda em um ombro imaginÃ¡rio. Ele piscou quando ouviu Chad rir.

âDroga,â Jason suspirou enquanto observava ela descer.

Chad deu um tapinha no ombro de Jason com pena, enquanto o conduzia de volta ao bar e se inclinava contra ele, âNÃ£o deixe que isso te incomode. Acho que Envy tem em mente uma Ãºnica coisa no momento, e envolve vinganÃ§a.â

Ele olhou para a garota atrÃ¡s do bar e, por um momento, esqueceu que Jason estava lÃ¡. Ela era deslumbrante com seu tom de pele bronzeado e cabeÃ§o escuro muito longo, cacheado sobre seus ombros atÃ© chegar aos quadris. Seus olhos eram exatamente o oposto, azul claro com um cÃ­rculo preto grosso em torno da cor mais clara.

Seus lÃ¡bios eram cheios, atraindo o seu olhar para eles, dizendo, âApenas um refrigerante, por favor.â

âNÃ£o estÃ¡ bebendo hoje Ã  noite?â Jason perguntou, e tentou nÃ£o olhar para seu amigo quando os olhos de Chad estavam fixando Kat, quando respondeu. Por que todas as garotas gostavam de policiais?

âNÃ£o, tenho a sensaÃ§Ã£o de que preciso ficar sÃ³brio por enquanto. Eu realmente nÃ£o gosto de Trevor, entÃ£o eu dei a Envy o meu taser para ela brincar.â Chad tirou os olhos da garota tempo suficiente para lanÃ§ar um sorriso para Jason. âE eu dirigi o carro da polÃ­cia.â Ele sabia que Jason iria ler nas entrelinhas.

Jason se moveu para longe do bar de repente, perdoando o amigo por ser um imÃ£ da menina. âOh, droga, entÃ£o nÃ£o hÃ¡ nenhuma chance de eu perder isso!â Ele voltou para a grade, com o sorriso de Chade atrÃ¡s dele.

âBem, sÃ£o duas pessoas que eu fiz feliz hoje,â Chad picou para Kat, sabendo que estava ouvindo, depois pagando pela bebida. Ele tinha que ir ver o que Envy estava fazendo.

Kat acenou com a cabeÃ§a quando Chad deslizou uma nota de vinte e lhe disse para ficar com o troco antes de sair para se juntar a Jason. Esses dois caras podem ser perigosos para os hormÃ´nios de uma menina. Jason tinha longos cabelos castanhos e o rosto de corpo de um modelo da Bay Watch.

Ela pegou a maioria das garotas que passavam tentando chamar sua atenÃ§Ã£o. Jason parecia nÃ£o notar nenhum deles e parecia estar perdido em seus prÃ³prios pensamentos... atÃ© que comeÃ§ou a contar a ela sobre seus melhores amigos, Chad e a menina, que soava tÃ£o protetor.

Ela sentia falta disso, alguÃ©m alÃ©m de seus irmÃ£os sendo tÃ£o protetores com ela. Ela piscou lentamente, forÃ§ando a imagem de Quinn na sua cabeÃ§a e focada nos problemas que tinha em mÃ£os.

Foi observando o taser que ajudou a tirar Quinn de sua mente. Kat decidiu avisar seus irmÃ£os sobre esse novo entretenimento que estava prestes a comeÃ§ar. Tinham tido bastantes problemas ultimamente lidando com a sequÃªncia de assassinatos em torno do clube. A Ãºltima coisa que precisavam era de mais atenÃ§Ã£o ruim.

Chad se inclinou um pouco sobre a grade Ã  procura de Envy. GraÃ§as a Deus os danÃ§arinos da gaiola ainda estavam lÃ¡ emprestando seu ponto de luz e tornando mais fÃ¡cil localizÃ¡-la. Ouvindo um ligeiro gemido vindo de Jason, ele seguiu a linha de visÃ£o de Jason atÃ© que a viu danÃ§ando no meio de vÃ¡rios caras, perto do brilho do foco suave da gaiola. Ele franziu a testa, estreitando seu olhar e se perguntando o que ela estava fazendo.

âPelo menos ela estava olhando para Trevor. A propÃ³sito, obrigada pela ligaÃ§Ã£o,â ele disse com voz sÃ©ria. âEu fiquei esperando que algo assim acontecesse.â

Jason encolheu os ombros, âNÃ£o era para mim. Era para ela. Ela merece mais do que ele.â Ele tentou sorrir, enquanto observava, sabendo que ela estava solteira agora. Mas a visÃ£o de todos os outros rapazes chamando sua atenÃ§Ã£o fez com que o seu pequeno sorriso tivesse um toque de tristeza.



CapÃ­tulo 2

Envy sentiu o calor deslizar sobre ela como uma segunda pele enquanto descia os degraus. Ela tentou relaxar seus mÃºsculos tensos e se mudou para a pista de danÃ§a. Dando vÃ¡rios passos na direÃ§Ã£o de Trevor, ela sentiu como se estivesse em uma roda punk de sexo, com dedos tocando suavemente sua pele nua e corpos desconhecidos deslizando contra o dela.

A pista de danÃ§a era mais escura do que os outros clubes em que esteve ou trabalhou e descobriu que gostava da privacidade. NÃ£o tinha tantos casais individuais danÃ§ando como tinha um grupo misturado de corpos quentes. Sentindo a mudanÃ§a na atmosfera, ela lentamente ergueu as mÃ£os, deixando as pontas de seus dedos passarem em estranhos na escuridÃ£o. A adrenalina que sentia seguia a batida da mÃºsica sensual.

Sem estar ansiosa para enfrentar Trevor, ela levou um momento para fechar os olhos e simplesmente se mover com a mÃºsica, que sÃ³ poderia ser descrito como o som de luxÃºria.

Quando sentiu os toques fugazes se tornando mais ousados, Envy abriu os olhos e se viu olhando para vÃ¡rios peitos masculinos, alguns mostrando a pele atravÃ©s de camisas desabotoadas e alguns cobertos com material apertado que era tÃ£o sedutor. Ela nÃ£o ousou olhar para seus rostos por medo de fazer contato visual.

Tornando-se um pouco excitante, ela comeÃ§ou a recuar e nÃ£o se importou quando eles a seguiram na danÃ§a sedutora. Sentindo o ferro frio da jaula de danÃ§a contra suas costas, olhando lentamente para a pequena plataforma. Seus olhos se fixaram no cara dentro da jaula enquanto ele atraÃ­a a garota que estava com ele por baixo de seus joelhos em uma postura submissa.

Toda a sala parecia desaparecer quando seus olhares se fechavam e ficavam assim. A forma como ele estava olhando para ela fez com que Envy se sentisse como se estivesse em uma apresentaÃ§Ã£o Ãºnica. Ele tinha olhos azuis de gelo com um cÃ­rculo preto muito grosso ao redor de sua Ã­ris. NÃ£o achava que tinha visto olhos tÃ£o assustadores ou intensos. Ela poderia ter ficado olhando para eles por horas e ainda queria mais, e isso a assustou.

Seu olhar deu a Envy a impressÃ£o de que sabia como estava parecendo nua. A forma como seus olhos percorriam ser corpo e se demorava em certos lugares... fazia com que sentisse que suas mÃ£os estavam tocando nesses mesmos lugares. O desejo de se atirar contra as barras da gaiola e implorar para que ele a pegasse com forÃ§a e rÃ¡pido era quase demais para resistir.

Empurrando seu olhar para trÃ¡s da visÃ£o possessiva, Envy tentou se lembrar que poderia deixar a pista de danÃ§a sempre que quisesse.

Trevor nÃ£o estava se divertindo, embora tentasse ir com o fluxo da danÃ§a e se misturar o mÃ¡ximo possÃ­vel. Mas as meninas e as danÃ§as quentes nÃ£o eram as verdadeiras razÃµes pelas quais estava aqui. Ele manteve seu olhar sobre o cara na gaiola porque era essa sua verdadeira marca.

O nome do cara era Devon Santos e ele foi a Ãºltima pessoa a ser vista com Kelly Foster, a menina de 20 anos que tinha sido encontrada em um beco prÃ³ximo na semana passada. Ela estava naquela mesma gaiola com Devon na Ãºltima noite que estava viva.

AtÃ© agora, ele soube que a vÃ­tima de assassinato tinha trabalhado hÃ¡ pouco tempo em um clube de strip chamado Night Light. Ela trabalhou na Moon Dance apenas por uma noite... a noite em que morreu. A sua morte nÃ£o era a Ãºnica que ele seguia, mas era uma vantagem. Quem quer que tenha acabado com sua vida, tinha se assegurado de deixÃ¡-lo prÃ³ximo aos pumas e jaguares como um tipo presente.

Devon era sÃ³cio proprietÃ¡rio desse clube, junto com seus dois irmÃ£os, Nick e Warren, e sua Ãºnica irmÃ£, Kat. Os rumores diziam que os dois clubes tinham uma disputa silenciosa ocorrendo, e que as duas famÃ­lias tinham realmente sido rivais desde que seus pais desapareceram hÃ¡ mais de dez anos.

Os olhos de Trevor se estreitaram, sabendo a verdadeira razÃ£o pela qual havia animosidade entre os clubes. Estes nÃ£o eram clubes normais. Eram de propriedade e funcionavam por causa dos deslocadores. O clube onde Kelly estava trabalhando era dirigido por pumas. Ela tinha saÃ­do de lÃ¡ e veio trabalhar para os jaguares, sÃ³ para aparecer morta no dia seguinte. Isso era demais para ignorar.

Se os humanos soubessem que os deslocadores metamorfos viviam entre eles, haveria pÃ¢nico... mas eles tinham feito parte da sociedade por um longo tempo sem que o segredo fosse descoberto. Enquanto eles respeitassem as leis dos humanos, nÃ£o havia necessidade de causar caos em massa ao expulsar eles. A mentalidade humana voltaria Ã  idade das trevas se isso acontecesse.

A teoria em relaÃ§Ã£o ao comando paranormal das operaÃ§Ãµes especiais da CIA era a de lidar com isso da mesma forma que lidavam com encontro de ÃVNIS e alienÃ­genas. Mentir, esconder, encobrir. Havia coisas muito piores lÃ¡ fora, alÃ©m dos deslocadores que se encaixavam bem com a humanidade... outras criaturas mais perigosas que os seres humanos sÃ³ viam em filmes de terror ruins e alguns destes humanos ainda nÃ£o tinham noÃ§Ã£o disso.

Mas quando as pessoas comeÃ§aram a desaparecer e aparecer mortas, sua equipe foi dispersa para tentar descobrir o que estava acontecendo.

Vendo Devon abandonar a garota em sua gaiola e se aproximar das barras para olhar para alguÃ©m, Trevor desviou o olhar. Ele instantaneamente sentiu sua pressÃ£o arterial subir vÃ¡rios graus quando viu Envy encostada na mesma gaiola, cercada por uma massa murcha de caras.

O que diabos ela estava fazendo ali? Ele deixou seus parceiros de danÃ§a sem pensar duas vezes e abriu caminho atravÃ©s da multidÃ£o em direÃ§Ã£o a ela.

Devon rosnou baixo em sua garganta quando a menina que tinha chamado sua atenÃ§Ã£o levantou suas mÃ£os para agarrar as barras atrÃ¡s dela. Podia sentir o seu calor acima de todos do clube e isso chamou sua atenÃ§Ã£o. Envolvendo suas mÃ£os sobre as dela, ele deixou seus dedos seguirem sedutoramente seus braÃ§os atravÃ©s das barras de sua gaiola.

Assim como Envy estava prestes a olhar de volta para a danÃ§arina erÃ³tica, alguÃ©m agarrou um de seus braÃ§os e a empurrou por baixo da gaiola. Seus lÃ¡bios se abriram quando viu quem era. Ela tinha esquecido completamente de Trevor! O humor sedutor quebrou e ela estava zangada de novo quando se lembrou por que tinha vindo para a Moon Dance, em primeiro lugar... vinganÃ§a.

âO que diabos vocÃª estÃ¡ fazendo aqui?â Trevor estalou um pouco severamente, tentando afastÃ¡-la da gaiola e o alcance perigoso de Devon. Se o jaguar era o assassino, entÃ£o a maneira como ele estava olhando para Envy a marcava como o seu prÃ³ximo alvo.

Envy manteve sua outra mÃ£o apertada firmemente na barra simplesmente porque nÃ£o gostava da forma como Trevor tinha decidido maltratÃ¡-la. Ele estava agindo como se ela tivesse feito algo de errado, em vez dele. Sorrindo o seu sorriso mais doce, ela informou, âEu vim para danÃ§ar... assim como vocÃª.â

Os lÃ¡bios de Trevor diminuÃ­ram, sabendo que ela o vira danÃ§ando com as outras garotas, mas o que ela nÃ£o entenda era que ele estava apenas as usando como uma cobertura. Ele nem sequer se importava o suficiente para perguntar seus nomes. Ele e Envy se encararam nos olho durante vÃ¡rios batimentos cardÃ­acos antes de ele suspirar.

Inclinando-se para perto de sua orelha, ele sussurrou, âEu posso explicar.â Ele nÃ£o queria dizer a ela quem realmente era, porque assim como o seu irmÃ£o idiota, Chad, ele estava com medo de que ela apenas assumisse que ele estava a usando para conseguir acesso melhor aos bares onde trabalhava.

âVamos,â ele tentou puxÃ¡-la novamente para longe do olhar aquecido de Devon. Ele levou um segundo para olhar para Devon e se um olhar pudesse matar, teria se tornado um lugar sangrento. Ele lanÃ§ou o olhar de volta e voltou sua atenÃ§Ã£o para sua namorada.

Envy sacudiu a cabeÃ§a para ele. Ela duvidava que ele iria explicar. âEu vim para danÃ§ar, Eu posso danÃ§ar com esses caras bonitos, ou vocÃª pode comeÃ§ar a se mover e se juntar a nÃ³s.â Ela ergueu uma sobrancelha delicada, como se nÃ£o se importasse de forma alguma com ele.

Trevor virou a cabeÃ§a lentamente e olhou por cima do ombro para os caras lascivos ainda pendurados Ã  espera para ver se eles tinham uma chance. âSumam,â ele disse, em tom mortal, enquanto se aproximava de Envy. Se ela queria danÃ§ar, entÃ£o por Deus, ela estava danÃ§ando com ele.

Envy fez becinho para ele, mas secretamente se perguntou por que ele estava agindo de forma tÃ£o ciumenta quando tinha danÃ§ado de forma tÃ£o provocativa com duas outras meninas. âVocÃª nÃ£o Ã© divertido.â Ela finalmente soltou a barra para correr suas mÃ£os sobre seu prÃ³prio corpo, deslizando despreocupadamente o taser para fora de seu bolso, e entÃ£o correu sua mÃ£o sobre suas costelas.

Devon se ergueu na sua altura mÃ¡xima, olhando para a pequena ruiva que tinha captado mais do que apenas sua atenÃ§Ã£o. Ele nÃ£o gostou do cheiro do cara que estava tentando reivindicÃ¡-la. Ele cheirava a pÃ³lvora velha e isso significava que ele tinha uma arma escondida em algum lugar nele. Ele estendeu a mÃ£o e destrancou a gaiola, dizendo Ã  danÃ§arina que iria fazer uma pausa.

Tocando seu dedo em sua orelha, Devon ouviu seu irmÃ£o lhe dizer atravÃ©s de um ponto de comunicaÃ§Ã£o quase invisÃ­vel que a menina na gaiola tinha um taser e tinha planos de usÃ¡-lo em um cara. Ele olhou pela pista de danÃ§a em direÃ§Ã£o Ã  luz negra que iluminava os degraus vendo Nick parado ali, pronto para interferir, se necessÃ¡rio.

Tinha sido a voz de Warren no ponto de comunicaÃ§Ã£o, entÃ£o Devon imaginou que seu irmÃ£o mais velho estava assistindo a uma das cÃ¢meras de visÃ£o noturna pendurada acima da passarela acima dele.

Olhando para suas mÃ£os pequenas agora vagando pelo corpo do cara, Devon sentiu a necessidade de arrancar a cabeÃ§a do cara. Isso foi atÃ© ele ver o brilho prata conforme sua mÃ£o vagueava para baixo, em direÃ§Ã£o ao seu quadril. Seus lÃ¡bios insinuaram uma sombra de sorriso ao decidir nÃ£o interferir ainda.

âDeixe-me cuidar disso,â Devon sussurrou no ponto.

Chad e Jason sorriram um para o outro, sabendo que estavam se preparando para descer e depois saÃ­ram em direÃ§Ã£o aos degraus que levavam Ã  pista de danÃ§a.

Trevor percebeu de repente que Envy nÃ£o tinha lhe dito que tambÃ©m estava vindo para cÃ¡, entÃ£o por que ele se sentia tÃ£o culpado? âEu perguntei o que estÃ¡ fazendo aqui,â ele repetiu e desta vez sua voz estava firme, conforme ele se movia na sua direÃ§Ã£o. Movimento ruim, ele quase perdeu a linha de raciocÃ­nio, pois a maior parte de seu sangue correu para sua virilha, sentindo excitaÃ§Ã£o pela primeira vez dede que colocou os pÃ©s dentro do clube.

Envy empurrou seu corpo contra o seu de forma sedutora, para que ela tivesse uma chance de dar um passo atrÃ¡s mais rÃ¡pido. âEu vim lhe dar algo,â ela respondeu e colocou todo o desejo aquecido que estava sentindo na pista de danÃ§a em seus olhos, para distraÃ­-lo.

âEu espero que seja a mesma coisa que eu tenho para vocÃª,â Trevor gemeu, assim que sentiu sua mÃ£o agarrando sua virilha.

âVamos descobrir,â sibilou Envy, conforme ela pressionava o taser contra o seu membro duro e empurrou para trÃ¡s assim que ele teve um espasmo e caiu de joelhos sem emitir qualquer som. âOops!â Envy fez beicinho e rapidamente deslizou o taser de volta para seu bolso, antes de se virar e fugir na outra direÃ§Ã£o. A Ãºltima coisa que ela queria era ficar parada ali quando Trevor encontrasse forÃ§as para se recuperar.

No momento que Envy atravessava a escuridÃ£o da pista de danÃ§a, alguÃ©m agarrou seu braÃ§o com firmeza. Pensando que era seu irmÃ£o, ela nÃ£o olhou para cima imediatamente, mas continuou com confianÃ§a. Assim que olhou para cima, uma pequena porta se abriu e ela foi empurrada atravÃ©s dela.

Envy mal teve tempo de se virar antes da porta ser fechada e trancada atrÃ¡s dela. Uma luz fraca sobre sua cabeÃ§a acendeu revelando monitores de TV e o cara que tinha visto na gaiola. Ela abriu a boca para falar, mas ele a interrompeu.

âPensei que talvez fosse melhor se vocÃª assistisse a sua obra na seguranÃ§a do escritÃ³rio,â Devon sorriu, apontando para uma das telas.

Envy olhou para a tela, pensando que a visÃ£o de Trevor segurando sua virilha a faria rir... mas em vez disso, ela se sentiu muito mal por ele. Isso fez com que o seu coraÃ§Ã£o sentisse como se estivesse mais fraco. Vendo-o com dor, de repente ela ficou contente pelo monitor nÃ£o ter som, pois tinha certeza de que nÃ£o queria saber o que ele estava dizendo.

Ela observou em silÃªncio enquanto Chad e Jason apareciam na multidÃ£o e o ajudaram a subir o resto do caminho. Ela nÃ£o podia dizer o que estava sendo dito, mas quando Trevor empurrou Chad para longe dele com mais forÃ§a do que deveria, segundos depois de ter sido atacado pelo taser, seus olhos se moveram para a porta, pronto para sair de lÃ¡ antes que um deles se machucasse.

Vendo o danÃ§arino balanÃ§ar a cabeÃ§a advertindo enquanto estava entre ela e a porta, Envy olhou de volta para o monitor, surpresa ao ver que realmente foi Jason que agarrou Trevor em uma chave de braÃ§o enquanto Chad colocava algemas nele.

Sentindo-se um pouco mais do que zangada consigo mesma por ser tÃ£o infantil, ela se dirigiu atÃ© a porta para dizer a Chad que deixasse Trevor ir. Novamente, a mÃ£o segurou seu braÃ§o. Ela olhou para ele se negando a encontrar seus olhos, quando obviamente era culpa dela ter comeÃ§ado isso. A culpa sÃ³ aumentou sua raiva e renovou sua coragem.

âDepois de me ver usando um taser em um cara, vocÃª realmente acha que Ã© uma boa ideia?â Ela lanÃ§ou os olhos pra ele e tentou nÃ£o perder a respiraÃ§Ã£o com o impacto. Agora que ela tinha um olhar mais atendo, seus olhos eram ainda mais surpreendentes do que os que estavam atrÃ¡s das barras da gaiola.

âQuem quer que sejam esses caras, talvez vocÃª queira tirÃ¡-los do clube antes de voltar a danÃ§ar.â Devon advertiu de novo, vendo a chama disparar em seus olhos. Ele quase podia ver sua pele se eriÃ§ar com a necessidade de resgatar o cara que tinha acabado de ferir... nÃ£o que ele tivesse qualquer intenÃ§Ã£o de deixÃ¡-la. âQual o seu nome?â

âPor quÃª?â Envy puxou seu braÃ§o para longe de seu aperto. âPara que vocÃª possa falar para os proprietÃ¡rios me banirem do clube?â

âNÃ£o Ã© provÃ¡vel,â Devon rosnou sombriamente ao pensar. âMas vocÃª pode querer manter esse taser em seu bolso o resto da noite.â Ele observou que ela olhou de volta para o monitor para ver sua vÃ­tima indo embora.

âDrogaâ, Envy suspirou mentalmente, enquanto ela encostava-se na porta, sentindo a vibraÃ§Ã£o da mÃºsica atravÃ©s da madeira. Ela mordeu o lÃ¡bio inferior sabendo que tiinha ido longe demais. Ela se lembrou do outro motivo para o qual ela veio Ã  Moon Dance hoje Ã  noite e se perguntou se era um bom momento para pedir emprego. Por que nÃ£o arriscar? Mentalmente, ela encolheu os ombros. âVocÃª sabe dizer se estÃ£o contratando aqui?â

Devon nÃ£o pÃ´de evitar o sorriso lento que se espalhava em seus lÃ¡bios. O que ele daria para levÃ¡-la naquela gaiola com ele por um tempo, para que ele pudesse domar o fogo dentro dela. âVocÃª danÃ§a?â ele perguntou com esperanÃ§a.

Os olhos de Envy se arregalaram quando ela se lembrou de vÃª-lo na jaula e suas coxas se incendiaram... mas, infelizmente, suas bochechas tambÃ©m. âNÃ£oâ ela sussurrou um pouco rouca demais. âNÃ£o danÃ§o. Eu atendo no bar de alguns outros clubes na Ã¡rea e estava indo me candidatar enquanto estava aqui.â

âQue penaâ Devon sorriu, enquanto se aproximava e abriu uma gaveta na mesa. Ele retirou o documento para se candidatar e entregou a ela. Ela ainda nÃ£o tinha dito seu nome, mas se ele tivesse que preencher o documento, entÃ£o teria todas as informaÃ§Ãµes necessÃ¡rias. Ele tambÃ©m queria ter certeza que ela nÃ£o tinha trabalhado para a Night Light.

Ele estava ficando cansado de eles enviarem pessoas aqui bisbilhotando. Quinn tinha terminado a amizade entre os pumas e os jaguares, entÃ£o os pumas poderiam simplesmente deixÃ¡-los em paz, tanto quanto ele estava preocupado.

AlguÃ©m da Night Light tinha enviado a Ãºltima pessoa que tinham contratado, e agora ela tinha sido assassinada, os pumas estavam olhando para a Moon Dance para conseguir respostas... e os policiais tambÃ©m. Apenas pra sua sorte, a Ãºnica noite em que ela tinha trabalhado aqui, ela tinha pedido para ser colocada na gaiola com ele.

Devon puxou a cadeira que estava embaixo da mesa, sabendo que a maneira mais rÃ¡pida de fazÃª-la ficar mais tempo era lhe dar o que queria. âVocÃª pode preenchÃª-lo agora. Talvez tenha outro emprego no final da noite.â

Envy se sentou, mas olhou de volta para o monitor com o cenho franzido. âVocÃª acha que o proprietÃ¡rio me viu aplicar o taser em Trevor?â ela mordeu o lÃ¡bio inferior, imaginando em sua mente como deve ter parecido. âEu realmente gostaria de nÃ£o ter feito isso.â

Devon se inclinou sobre o encosto de sua cadeira como se estivesse olhando para o monitor com ela. Colocando os lÃ¡bios perto de sua orelha, ele perguntou, âSe o proprietÃ¡rio visse e perguntasse sobre isso, o que diria?â Ele inspirou lentamente, enquanto seu cheiro o envolvia, aquecendo seu sangue.

Envy comeÃ§ou a virar a cabeÃ§a para olhar para ele, mas parou. As sensaÃ§Ãµes que ele estava causando com sua proximidade se espalharam pelo ombro do lado do pescoÃ§o. âEu estava sendo malvada,â ela suspirou sentindo o calor voltar de novo na sua cintura. Esse cara era perigoso para seus sentidos. Ela nÃ£o sabia se devia se virar e o lamber ou correr para se proteger.

O canto do lÃ¡bio de Devon insinuou um sorriso, mas ele nÃ£o se moveu de sua posiÃ§Ã£o, âEntÃ£o, vocÃª costuma usar taser nos caras o tempo todo por qualquer motivo?â Ele podia sentir o cheiro de sua excitaÃ§Ã£o e estava deixando suas calÃ§as desconfortavelmente apertadas.

âNÃ£o,â Envy estava contente pela distraÃ§Ã£o quando ela agarrou uma caneta de tinta do pequeno suporte na frente dela e comeÃ§ou a preencher o documento. âSÃ³ os que realmente merecem,â ela respondeu, nÃ£o querendo falar sobre isso.

Devon se ergueu e lutou contra a vontade de puxÃ¡-la da cadeira e sentÃ¡-la na mesa de frente para ele. Como estava, ele jÃ¡ estava esfregando seu cabelo sedoso entre seus dedos onde ele tinha se virado sobre as costas da cadeira.

Ele ficou em silÃªncio enquanto ela preenchia o formulÃ¡rio e ele o lia por cima do ombro, compreendendo cada palavra. Envy Sexton, e os clubes de pumas e o vampiro estavam felizmente ausentes da extensa lista de clubes onde ela trabalhava. Ele sabia que com alguns telefonemas rÃ¡pidos, ele poderia conseguir a maior parte do seu tempo, dizendo aos outros clubes para deixÃ¡-la fora do horÃ¡rio. Ele nÃ£o tinha vontade de compartilhar essa pequena gata selvagem.

Envy terminou o preenchimento e comeÃ§ou a se levantar, mas Devon colocou a mÃ£o em seu ombro para mantÃª-la ali. Ele rapidamente tirou o papel dela e se dirigiu atÃ© a porta.

âFique aqui. Voltarei em alguns minutos com uma resposta.â Devon pegou a maÃ§aneta da porta, mas parou quando ela falou.

âQual o seu nome?â Envy perguntou, se questionando se ela nÃ£o deveria dar o papel para o proprietÃ¡rio ela mesma. Talvez ela pudesse conseguir evitar a entrevista.

âDevon Santos,â ele respondeu, e entÃ£o desapareceu pela porta antes que ela pudesse detÃª-lo.

Ele sabia que Nick estava esperando logo atrÃ¡s da porta porque ele podia sentir o cheiro dele. Entregando o papel a Nick, Devon o informou, âTemos um novo garÃ§om.â Ele esperou enquanto Nick olhava o papel, sabendo que seu irmÃ£o estava procurando as mesmas coisas que ele jÃ¡ tinha verificado.

Nick tinha botado para correr alguns groupies vampiros e um vampiro que tinha entrado e arruinado seu humor na noite. Ele odiava vampiros e qualquer humano que fosse estÃºpido o suficiente para sair com eles. NÃ£o vendo nenhuma indicaÃ§Ã£o de que essa menina estava associada a eles e sentindo o cheiro de excitaÃ§Ã£o que seu irmÃ£o sentiu pela menina, Nick decidiu deixar Devon lidar com seus prÃ³prios assuntos.

Ele finalmente entregou o formulÃ¡rio de volta, âDiga a ela para deixar o taser em casa.â Nick olhou para seu irmÃ£o por um momento antes de acrescentar, âKat disse que o cara que foi atingido com o taser era seu namorado e o cara que o arrastou algemado era seu irmÃ£o.â

âAquele namorado dela tinha uma arma. Pude sentir o cheiro.â Devon encolheu os ombros, mesmo quando seus olhos se estreitaram, âTalvez ele nÃ£o fosse tÃ£o bom namorado.â

âTalvez vocÃª tenha que ter cuidado com isso.â Nick balanÃ§ou a cabeÃ§a, e mais interesse brilhou nos olhos de seu irmÃ£o. âSe vocÃª a quer, entÃ£o vocÃª estÃ¡ encarregado de controlÃ¡-la enquanto ela estiver aqui.â Nick cerrou os dentes quando ele sentiu cheiro de vampiro. Sem qualquer palavra, ele voltou a subir as escadas.

Envy olhou ao redor nervosamente e viu um elevador que ela nÃ£o tinha notado antes. Ela levantou uma sobrancelha delicada vendo que tinha um teclado em vez de um simples botÃ£o. Ela bateu a caneta na mesa, se perguntando quanto tempo ela deveria esperar. Ela ainda precisava descobrir se Chad realmente prendeu Trevor ou simplesmente o fez sair do clube.

Ela olhou para a mesa, tentando afastar sua mente por um momento. Ela era uma investigadora de nascenÃ§a como seu irmÃ£o, embora Chad tentasse esconder esse fato. A verdade era que Chad seria um grande detetive. Ele disse a todos que ele era apenas um policial de ronda, mas que nÃ£o estava, de forma alguma, perto da verdade. Ele foi lÃ­der de equipe da SWAT.

Ela finalmente olhou para o papel que ela pegou de forma distraÃ­da. Era um recibo de fornecimento. Seu olhar percorreu as informaÃ§Ãµes de faturamento para ver o nome na parte inferior. Ela colocou o pedaÃ§o de papel de volta na mesa. Devon Santos... maldito seja. Ele era um dos proprietÃ¡rios estranhos e tinha a deixado pensar que era apenas um danÃ§arino.

Neste momento a porta do escritÃ³rio se abriu e Devon entrou. âQuando vocÃª quer comeÃ§ar?â



*****



Nick correu pela pista de danÃ§a e subiu a escada que levava Ã  entrada. Ele abriu a porta com mais forÃ§a do que necessÃ¡rio e olhou para o homem tentando passar pela seguranÃ§a. Uma vez que a maioria dos seguranÃ§as eram deslocadores, eles podiam sentir cheiro de vampiro, mesmo quando nÃ£o havia sinais externos.

O senso de moda de um vampiro normal ao redor da cidade parecia vir da multidÃ£o gÃ³tica. Nos Ãºltimos meses, no entanto, cerca de dez vestindo terno de negÃ³cios ou apenas roupas normais de clube tinham tentado entrar. Essa Ã© a razÃ£o pela qual ele confiava tanto em perfume agora, em vez de aparÃªncia. Regra nÃºmero um... nenhum vampiro passaria sem uma permissÃ£o do dono.

âQual o seu assunto aqui?â Nick perguntou, tentando soar profissional por causa de sua audiÃªncia humana. O homem inclinou a cabeÃ§a para o lado e deu um sorriso perverso que fez o estÃ´mago de Nick revirar.

âEu gostaria de entrar.â Raven disse, enquanto suas pupilas dilatavam, usando seus poderes para encantar qualquer um que fosse capaz de cair no feitiÃ§o da compulsÃ£o dos vampiros.

Nick olhou para ele de cima atÃ© embaixo. O cara tinha cabelos pretos com luzes rosa tingida longos atÃ© a parte de baixo do rosto. Ele era jovem, provavelmente nÃ£o tinha nem vinte e cinco anos, com a pele muito pÃ¡lida e delineador pesado em torno dos olhos. Seus lÃ¡bios estavam pintados com batom preto, e atÃ© mesmo suas unhas estavam pintadas de preto.

âDesculpe senhor...â Nick ficou muito quieto, observando cada movimento do vampiro. NÃ£o importa o tamanho ou a idade, vampiros eram perigosos e nÃ£o deviam ser subestimados.

âRaven, chame Raven,â o homem respondeu, se perguntando o quÃ£o longe vocÃª poderia empurrar um jaguar.

âDesculpe Raven, mas estamos em bom nÃºmero.â Nick explicou, enquanto envolvia seus dedos em torno de suas duas pistolas, que estavam dentro do bolso de sua jaqueta de couro. Tinha balas de prata preenchidas com Ã¡gua benta. O canto de seu lÃ¡bio insinuou um sorriso sÃ¡dico, quando ele sentiu a lÃ¢mina de madeira do cabo da faca presa ao seu antebraÃ§o.

âEntÃ£o por que essas pessoas ainda estÃ£o em pÃ© na fila?â Raven perguntou, vendo o tom dourado comeÃ§ar a substituir a Ã­ris do jaguar.

Nick sorriu, mas parecia que estava rangendo os dentes. âEles tÃªm reservas.â

Os olhos de Raven brilharam na luz fraca por um momento, parecendo que estava brilhando sinistramente com o fogo interior. Nick desceu os trÃªs degraus atÃ© o nÃ­vel da rua e se colocou entre Raven e a multidÃ£o de humanos, entÃ£o se inclinou para perto da orelha de Raven.

âSaia agora, vampiro,â sussurrou ele com uma calma fria, enquanto pressionava a ponta da adaga de madeira contra as costelas de Raven, onde ninguÃ©m conseguiria ver. âVocÃª nÃ£o vai entrar.â

Nick se endireitou e cruzou os braÃ§os na frente dele, de modo que precisava apenas de um rÃ¡pido empurrÃ£o para apunhalÃ¡-lo com a adaga. âDesculpe, senhor, tenha uma boa noite.â

Raven sorriu novamente, desta vez quase de forma agradÃ¡vel, âOh, Ã© o que pretendo.â

Ele se afastou da porta e comeÃ§ou a andar pela rua com as mÃ£os enfiadas nos bolsos de sua calÃ§a jeans preta e assobiando uma melodia sinistra. Quando o jaguar se inclinou para sussurrar no seu ouvido, Raven viu seu mestre passar por eles e entrar no clube. NÃ£o via Kane hÃ¡ algum tempo. Na verdade, esta era a primeira vez em vÃ¡rias semanas, embora tivesse sentido os olhos de seu pai sobre ele muitas vezes.

O que surpreendeu Raven foi que Kane entrou com facilidade na cova de seus inimigos. O Mestre tinha lhe contado a histÃ³ria sobre ser enterrado vivo pelo lÃ­der deste clÃ£ jaguar. Seu mestre planejou isso sozinho?

âEles o enquadraram, mas desta vez quero ter certeza do sangue que o sangue estÃ¡ em suas mÃ£os.â Raven sussurrou para si mesmo antes de se misturar nas sombras. Ele sabia que nÃ£o tinha que esperar muito. Ele inda podia sentir o cheiro do sangue de sua Ãºltima vÃ­tima enquanto o perfume flutuava na brisa em direÃ§Ã£o Ã  Moon Dance.



*****



Kat Viu quando Chad e Jason ajudaram o namorado infeliz a sair do clube... algemado. Eles sempre disseram que a curiosidade matou o gato, mas ela sÃ³ tinha que descobrir o que eles planejavam fazer com ele. Se nÃ£o conseguisse nada, apenas para evitar que ela se perguntasse sobre isso o resto da noite.

Saindo por uma das portas laterais, ela ficou nas sombras enquanto as seguia. Com seus sentidos elevados, ela nÃ£o precisava estar tÃ£o perto para ouvir o que estavam dizendo.

Chad e Jason bloquearam Trevor entre o seu carro e o carro da polÃ­cia para que o namorado nÃ£o pudesse entrar no clube procurando Envy. Chad removeu as algemas, sabendo que ele realmente nÃ£o poderia prendÃª-lo sem um motivo legÃ­timo... a menos que Trevor o empurrasse.

âEu aposto que foi vocÃª quem disse que eu estava aqui!â Trevor rosnou para Jason. âNÃ£o pense que eu nÃ£o notei o interesse que vocÃª tem nela. SÃ³ nÃ£o conseguiu manter seu nariz fora disso, nÃ£o Ã©?â

Chad jogou seu braÃ§o quando Jason deu um passo ameaÃ§ador para frente. âJason, eu continuo daqui. Por que nÃ£o volta e vÃª se consegue encontrar Envy? NÃ£o quero ela aqui fora atÃ© que Trevor vÃ¡ embora.â

âVocÃª nÃ£o pode me impedir de voltar lÃ¡. Estou trabalhando!â Trevor sibilou sem pensar.

âSim, nÃ³s vimos o que danado estava trabalhando,â as mÃ£os de Jason se seguraram a seu lado, mas com um olhar aguÃ§ado de Chad, ele sabia que era melhor ir antes de Trevor, pois nÃ£o era o Ãºnico com algemas esta noite. Girando em seus calcanhares, ele lanÃ§ou mais uma observaÃ§Ã£o por cima do ombro, para benefÃ­cio de Trevor, âVocÃª vai nos encontrar na pista de danÃ§a... envolvidos um com o outro.â

Trevor avanÃ§ou, mas Chad o empurrou de volta contra o carro. Para surpresa de Chad, Trevor era muito mais forte do que parecia e foi uma luta. âEu avisei para nÃ£o sacanear minha irmÃ£, a menos que vocÃª lhe dissesse quem realmente Ã© e o verdadeiro motivo pelo qual vocÃª estÃ¡ sempre saindo para ir aos clubes. Envy acha que vocÃª nÃ£o Ã© nada alÃ©m de um maldito garoto de fraternidade. Se vocÃª queria impressionÃ¡-la, entÃ£o deveria ter lhe dito a verdade. Uma coisa que ela nunca foi capaz de lidar Ã© mentira. Especialmente se eles estÃ£o mentindo para ela.â

Kat encolheu seu olhar para Trevor. O que serÃ¡ que tudo isso significa?

âVocÃª sabe melhor do que eu que se eu tivesse dito a ela que eu estava trabalhando disfarÃ§ado, ela ficaria sempre preocupada se eu estaria usando ela quando eu ia com ela nos clubes.â Trevor trovejou, conforme se endireitava, mas nÃ£o tentou voltar para o clube novamente. Se usasse sua forÃ§a real, Chad seria um homem morto, e Trevor nÃ£o seria melhor do que as pessoas que caÃ§ava.

Esse conhecimento foi suficiente para acalmÃ¡-lo tempo suficiente para controlar seus instintos animais, mas ele nÃ£o podia deixar de ficar chateado. âEla me aplicou taser, porra!â

âVocÃª mereceu, pois Ã© um namorado canalha e traidor. Isso Ã© o que vocÃª ganha por nÃ£o dizer a verdade. VocÃª terminou por esta noite, a menos que queira assombrar algum dos outros bares. AlÃ©m disso, Envy ainda tem o taser,â Chad sorriu. âEu aconselho vocÃª a deixÃ¡-la sozinha pelo resto da noite... ou melhor ainda, pelo resto de sua vida se nÃ£o puder ser sincero com ela.â

Trevor rangeu os dentes, mas nÃ£o disse mais nada. Chad nÃ£o podia lhe dizer para ficar longe de Envy, mas deixÃ¡-la para esfriar a cabeÃ§a era, provavelmente, um conselho inteligente.

âTudo bem, mas este,â ele apontou para o clube, ânÃ£o Ã© um lugar seguro para sua irmÃ£ estar, e vocÃª sabe disso!â Ele abriu a porta do carro, forÃ§ando Chad a dar um passo para trÃ¡s para evitar ser atingido. Fechando a porta atrÃ¡s dele, levou apenas alguns segundos antes de cantar pneu para fora do estacionamento.

Quando Trevor estava longe o suficiente para que Chad nÃ£o pudesse ver as luzes de seu carro, ele pegou o celular e digitou o nÃºmero de alguÃ©m que lhe devia um favor. Ele parou na loja mais prÃ³xima e estacionou atrÃ¡s de um caminhÃ£o de transferÃªncia para que nÃ£o fosse notado.

Ficou frustrado ao deixar ela lÃ¡ trÃ¡s depois da forma que Devon olhou para ela. Mesmo se Devon nÃ£o fosse o assassino, aquele olhar nÃ£o era uma coisa boa. Chad achava que ele poderia ser violento quando chegasse a Envy, nÃ£o? Vamos ver como ele se sente quando descobrir que Ã© o mais fraco. Ele corrigiria Jason tambÃ©m enquanto estivesse nisso.

Kat se deslocou mais para as sombras quando Chad se virou e olhou em sua direÃ§Ã£o. EÃ§a franziu a testa, sabendo que era impossÃ­vel de ele a ver... ele nÃ£o tinha a visÃ£o noturna que os deslocadores tinham. Ela soprou o cabelo para longe dos olhos e esperou enquanto ele apenas olhava para ela, e entÃ£o suspirou quando ele finalmente se virou e voltou para o clube.

EntÃ£o, Trevor era um policial disfarÃ§ado, e a irmÃ£ de Chad nÃ£o sabia... obviamente nem Jason. Trevor disse que estava trabalhando em um caso. Kat travou os dentes, sabendo que tinha que ser os assassinatos. Ela precisava dizer a Warren para se apressar e descobrir quem estava deixando uma trilha de sangue antes que eles levassem a culpa.



*****



Envy se levantou lentamente, se perguntando por que Devon nÃ£o apenas admitia que ele era um dos proprietÃ¡rios e poderia muito bem contratar ela sozinho. Ela odiava quando as pessoas mentiam para ela, mas ela nÃ£o o conhecia e ele nÃ£o lhe devia nada, entÃ£o engoliu o que estava prestes a dizer. Pena que nÃ£o ficaria para baixo.

âIsso foi muito rÃ¡pido,â ela olhou para ele com expectativa, enquanto cruzava os braÃ§os sobre o peito.

âEu fiz uma boa recomendaÃ§Ã£o para vocÃª. Ãs vezes eles me escutam. Devon a observou com curiosidade, sentindo o cheiro da mudanÃ§a de perfume. Ela estava zangada com ele. Cheirava bem.

âTalvez isso seja por que vocÃª Ã© o dono,â o pequeno sorriso de Envy desapareceu.

EntÃ£o por isso que ela estÃ¡ zangada. Ela nÃ£o gosta quando sente que alguÃ©m ETA escondendo alguma coisa dela. Ele se lembraria disso. Devon lentamente mergulhou a cabeÃ§a em um pequeno arco, âEu sou apenas um dos proprietÃ¡rios. Eu, meus dois irmÃ£os, e minha irmÃ£ somos donos deste clube. NÃ³s tentamos administrar as coisas juntos quando contratamos pessoas novas.â

Envy olhou para ele de repente, se sentindo mal. âMe desculpe, eu nÃ£o quis...â, ela desistiu com um suspiro e baixou os braÃ§os.

âPelo menos o taser ficou no seu bolso,â Devon sorriu, na esperanÃ§a de aliviar o humor.

Envy corou e sentiu a necessidade de sair de sua frente antes que ela fizesse algo mais tolo. âEu tenho trabalhado principalmente na parte da tarde e estou fora amanhÃ£, entÃ£o se...â, ela nervosamente informou, conforme mantinha a saÃ­da no seu campo de visÃ£o, e comeÃ§ou a se mover atÃ© ela antes de se tornar o trabalho mais curto da histÃ³ria.

âAmanhÃ£ de noite, entÃ£o,â Devon abriu a porta para ela, enquanto se aproximava dela. âÃs sete.â

Ele a viu correr e a deixou ir, porque sabia que ele poderia pegÃ¡-la se fosse longe demais. Ele fechou a porta do escritÃ³rio e se virou para o monitor para a ver caminhando contornando a parte exterior da pista de danÃ§a em direÃ§Ã£o Ã s escadas. Seus olhos se estreitaram quando um dos caras de antes agarrou seu braÃ§o para chamar sua atenÃ§Ã£o. Devon comeÃ§ou a se dirigir atÃ© a porta, mas Kat entrou antes que ele pudesse ir atrÃ¡s de Envy.

âEssa garota com o taser...â, Kat comeÃ§ou, mas foi interrompida pelo olhar duro de seu irmÃ£o.

âSeu nome Ã© Envy e vocÃª comeÃ§a a lhe ensinar sobre o bar amanhÃ£ Ã  noite. Eu sÃ³ a contratei como garÃ§onete. Devon cruzou os braÃ§os sobre o peito, enquanto se sentava na extremidade da mesa.

âRecolha suas garras,â Kat inclinou a cabeÃ§a quando Devon olhou de volta para o monitor e enrijeceu. Seguindo seu olhar, ela sorriu ao ver Jason e Envy no meio da tela. âMeu Deus, ela tem muitos admiradores essa noite.â Ela sabia que nÃ£o era exatamente verdade, mas ela queria ver a reaÃ§Ã£o de Devon. Ela teve sua resposta quando o plÃ¡stico fino na parte de trÃ¡s da cadeira do computador rasgou onde ele estava segurando com um pouco mais de forÃ§a.

Devon virou os olhos para Kat, âPor que vocÃª estÃ¡ no meu escritÃ³rio?â

Kat apenas sorriu para ele. Isso ia ser muito divertido. Ela se aproximou e apontou para a tela. âEsse cara, seu nome Ã© Jason Fox e eu passei um bom tempo conversando com ele no bar antes de seus dois amigos aparecerem.â

Devon arqueou uma sobrancelha para sua irmÃ£ esperando que ela chegasse onde queria.

âJason foi quem a chamou para que ela viesse ao clube. Ele realmente a convidou para sair.â Ela sorriu quando o rasgo da cadeira aumentou com o movimento da mÃ£o de Devon. âEu nÃ£o sei o que ela disse a ele, mas Jason disse, âEntÃ£o por que diabos Trevor estÃ¡ curtindo na pista de danÃ§a com outra pessoa?ââ

âEntÃ£o, ele Ã© a razÃ£o pela qual ela apareceu,â Devon disse, jogando o pedaÃ§o de plÃ¡stico sobre a mesa. âTenho certeza que vocÃª tem um ponto a chegar aqui.â

âSim, eu tenho, mas Ã© tÃ£o divertido ver vocÃª se contorcer,â Kat decidiu continuar sua histÃ³ria, quando ele lhe lanÃ§ou seu olhar âvÃ¡ para o infernoâ patenteado. Ela definitivamente ia comprar os direitos a essa expressÃ£o algum dia. âDe qualquer forma, era tudo uma encenaÃ§Ã£o, pelo que eu ouvi Seu irmÃ£o lhe seu o taser sabendo que ela seria louca o suficiente para usÃ¡-lo em seu namorado traidor, mas a verdade Ã© que Trevor nÃ£o estava realmente traindo ela.â

âO quÃª?â Devon grunhiu nÃ£o gostando de onde isso estava levando.

Kat passou os dez minutos seguintes contando ao irmÃ£o os segredos sujos de todos. Apenas por palpites, ela nÃ£o se esqueceu de deixar de fora o fato de que Jason tinha uma queda sÃ©ria por Envy hÃ¡ muito tempo.



CapÃ­tulo 3

Jason puxou Envy para seus braÃ§os, âVocÃª me deve uma danÃ§a.â

Ele estava muito feliz por nÃ£o ser o tipo de pessoa que atirava no mensageiro. Se nÃ£o fosse por ele, ela ainda teria um namorado... reconhecendo que seria um namorado traidor, mas entÃ£o Ã© por isso que ele tinha feito o telefonema, em primeiro lugar. âDesculpe,â ele sussurrou em seu ouvido, assim que ele a puxou para mais perto dele e comeÃ§ou a se mover com a mÃºsica.

Envy revirou os olhos deixando-os fora de seu alcance sem pensar duas vezes. âNÃ£o tem que se desculpar.â Ela tirou seus dedos de suas costas enquanto se movia para longe dele. âEu estou livre de novo e consegui outro emprego nesse meio tempo.â

Ela sorriu enquanto olhava a pista de danÃ§a novamente. âEste lugar Ã© um pouco diferente dos clubes que eu trabalhei, mas acho que pode ser interessante.â

Jason nÃ£o disse nada por um momento, quanto sentiu que o couro que cobria seu peito deslizou para a parte da frente da camisa, e sentiu inchar. Ele estava feliz por ela nÃ£o saber o que estava fazendo com ele, pois ele tinha um sentimento, e se ela soubesse, pararia.

âQuer escalar no sÃ¡bado de manhÃ£?â, ele deixou suas mÃ£os deslizarem para os lados, e em seguida, segurou seu quadril.

âEscalar? Isso parece legal. JÃ¡ faz um tempo,â Envy assentiu, e entÃ£o seus olhos se arregalaram quando Jason a puxou para frente e ela entrou em contato com algo longo e duro pressionando com suavidade sua barriga. Ela engoliu em seco enquanto seus olhos brilharam ao se aproximar dele.

âOnde estÃ¡ Chad?â ela respirou, sabendo que tinha feito isso de novo. Ela nÃ£o queria. Jason tinha sido e ainda era uma das melhores pessoas em todo o mundo. A Ãºltima coisa que ela queria era estragar isso por dormir com ele. Ela o amava demais para isso.

âA Ãºltima vez que eu vi, ele estava indo tirar o lixo,â Jason suspirou quando ela se afastou dele. Ele colocou os dedos no queixo dela e levantou os seus olhos para ele, âTrevor nÃ£o merece vocÃª.â

âChad nÃ£o o prendeu de verdade, prendeu?â Envy perguntou, pegando Jason pela mÃ£o e o levando atÃ© os degraus Ela tinha evitado essa conversa por anos, e nÃ£o estava estragando seu histÃ³rico agora.

âNÃ£o, eu acho que ser atacado por taser foi puniÃ§Ã£o suficiente... isso e perder vocÃª. Chad estava apenas se certificando de que encontrou o caminho do carro dele,â Jason sorriu. No topo da escada, ele notou Chad parado no bar ao lado da porta, esperando por eles. Mantendo a mÃ£o de Envy entre as suas, ele a guiou nessa direÃ§Ã£o.

A culpa estava doendo no peito de Envy. Ela realmente nÃ£o era uma pessoa com mÃ¡, e o que ela tinha feito a Trevor tinha sido uma coisa muito ruim SÃ³ se sentiu bem por um momento, e agora esse momento tinha desaparecido. Ela manteve os olhos baixos, tambÃ©m envergonhados por sequer olhar para seu irmÃ£o.

Chad olhou para Envy e sabia que era a hora de levÃ¡-la para casa. âVocÃª estÃ¡ pronta?â ele perguntou, dando um passo para longe do bar.

âEu posso te levar para casa,â Jason ofereceu, e acrescentou rapidamente, âSe ela quiser ficar comigo por um tempo.â

Chad podia ver o brilho de esperanÃ§a nos olhos de Jason e se perguntou se estava fazendo a coisa certa ou colocando seu amigo mais querido em problemas. Ele sentiu seu telefone vibrar em seu quadril e levantou a mÃ£o, âEspera um momento.â Vendo que era da delegacia de polÃ­cia ele comeÃ§ou a caminhar para a porta para que pudesse ouvir mais claramente.

Envy soprou sua franja para longe dos olhos, sabendo o quÃ£o bizarro tinha sido a noite, teve um sentimento de que Chad tinha acabado de ser chamado para o trabalho. Ela o observou pegar o telefone enquanto caminhava de volta para eles.

âVocÃª vai ficar bem com Jason?â Chad perguntou Quando assentiu, colocou o dedo sob o queixo e o levantou. âVocÃª fez a coisa certa com Trevor, entÃ£o se anime. Eu provavelmente nÃ£o estarei em casa atÃ© amanhÃ£ de manhÃ£, entÃ£o nÃ£o me espere.â

Envy deu um pequeno sorriso enquanto se afastava. Ambos tinham tocado seu queixo da mesma forma e lhe disseram que era culpa de Trevor, e nÃ£o dela. Ela adorava Jason porque ele era igual a Chad e era por isso que ela nunca cederia Ã  necessidade instintiva de namorar Jason de verdade.




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