Laços Que Unem
Amy Blankenship


Obsessão Livro #1
O Santuário é um vasto e isolado sítio de férias escondido no topo da sua própria montanha privada. Angel Hart cresceu protegida do mundo real no resort pertencente à sua família. Rodeada pelos três homens que mais adorava até o divórcio dos seus pais a ter afastado deles, Angel viveu uma vida acolhida e privilegiada. Dois anos mais tarde ela volta a casa para uma visita e trouxe o seu novo namorado. Subitamente, Angel torna-se o objeto do afeto de várias pessoas e estas não fazem intenção de a deixar sair do Santuário de novo. Obsessões secretas tornam-se num jogo de posse mortífero, enquanto os homens que a amam se tornam as pessoas mais perigosas na montanha.







LaÃ§os Que Unem

Saga ObsessÃ£o



Amy Blankenship

Translated by Sobral Ricardo

Copyright Â© 2009 Amy Blankenship

English Edition Published by Amy Blankenship

Portuguese Edition Published by TEKTIME

All rights reserved.



CapÃ­tulo 1 âSantuÃ¡rioâ



Angel Hart olhou pelo espesso vidro da janela, querendo encolher-se face Ã  altura que o helicÃ³ptero levava quando voou em direÃ§Ã£o ao resort onde ela tinha crescido. Amava este sÃ­tio de morte... Mas gostava muito mais de o ver do chÃ£o. Voar era a sua Ãºnica fobia e tinha estado a fazÃª-lo nas Ãºltimas dez horas.

Soprando o cabelo dos olhos, olhou para o seu irmÃ£o, Tristian, perguntando-se o que o tinha possuÃ­do para se encontrar no aeroporto com eles, sabendo que teria de voltar para casa a voar no helicÃ³ptero.

Ela tinha a certeza que o Tristian ainda odiava mais voar do que ela e conseguia vÃª-lo a mandar mensagens a alguÃ©m para manter a mente ocupada. Talvez tivesse enfrentado o seu medo porque nÃ£o se tinham visto durante quase dois anos, mesmo falando ao telefone e mandando mensagens um ao outro quase todos os dias. Ela nÃ£o quis, propriamente, saber porque o havia feito, porque tÃª-lo ali com ela bastava para a acalmar e estava grata por isso.

Para fugir ao barulho do helicÃ³ptero, Angel deixou a mente divagar pelos Ãºltimos dois anos. Quando os seus pais se divorciaram, o pai dela tinha-a para a CalifÃ³rnia enquanto o Tristian tinha sido obrigado a ficar aqui no santuÃ¡rio com a mÃ£e deles. Visto que era demasiado longe para fazer de carro e nenhum deles gostava de voar... A distÃ¢ncia tinha sido a Ãºnica razÃ£o para que nÃ£o se tivessem visitado.

Ela nÃ£o tinha percebido o quanto tinha tido saudades de Tristian atÃ© o ter visto parado ali no aeroporto sozinho. Ele estava encostado Ã  parede mesmo em frente Ã  porta por onde eles tinham passado. Assim que se viram, ela lanÃ§ou-se a correr em direÃ§Ã£o dele quando ele estendeu os braÃ§os para a abraÃ§ar.

O seu irmÃ£o mais velho... O Tristian fora sempre a primeira pessoa com quem ela falava de manhÃ£ e a Ãºltima que via antes de fechar os olhos e adormecer. Ao crescerem, atÃ© tinham convencido os pais deles que sofriam de sonambulismo porque se levantavam a meio da noite para adormecerem na cama um do outro.

A mÃ£e deles tinha tentado acabar com aquilo quando ficaram um pouco mais velhos trancando as portas dos quartos Ã  noite. Angel serrou os lÃ¡bios lembrando o que a mÃ£e deles tinha dito da Ãºltima vez que os tinha apanhado a dormir nos braÃ§os um do outro.

- Ã pecado, a forma como vocÃªs se comportam... agem mais como amantes do que como irmÃ£o e irmÃ£ - O tom de voz de Lily Hart tinha mudado de amor de mÃ£e para repugnÃ¢ncia.

Tristian encontrara, rapidamente, uma forma de contornar aquelas fechaduras estÃºpidas. Tinha cortado um bocado da parede atrÃ¡s do seu armÃ¡rio para que pudesse, facilmente, entrar nos pequenos corredores que seguiam as paredes do hotel onde viveram. Tinha feito o mesmo Ã  parede dela e todas as noites esgueirava-se para o quarto dela e dormiam juntos... preparando o despertador para que nÃ£o fossem apanhados.

Ele dissera-lhe que era a mÃ£e deles que era a pervertida... Por pensar que a relaÃ§Ã£o deles era indecente e repugnante. AtÃ© tinha realÃ§ado que em muitos outros paÃ­ses mais pequenos, toda a famÃ­lia dormia e tomava banho junta, e que em outros era perfeitamente normal casamento entre irmÃ£os. Tristian tinha-a convencido que era a mÃ£e que era a pecadora ao tentar afastÃ¡-los um do outro.

Angel tinha decidido havia muito tempo manter os seus segredos com Tristian e que eram assuntos deles e de mais ninguÃ©m... confiava nele.

Tristian nÃ£o tinha mudado muito desde que ela o tinha visto pela Ãºltima vez, mantendo sua aparÃªncia jovem e inocente. Mas, ao mesmo tempo, conseguia ver mudanÃ§as que nÃ£o tinha visto a acontecer. O seu cabelo loiro tinha escurecido um pouco na raiz... Madeixas de loiro platinado e pontas ruivas ficavam-lhe muito bem com os seu bronze suave e olhos verdes.

Sorriu pensando que ele se integraria bem com os surfistas da CalifÃ³rnia com o seu penteado alternativo. Era quase todo do mesmo comprimento tirando uma zona em que caÃ­a sobre um dos olhos, bem alÃ©m do queixo. TambÃ©m conseguia ver o couro preto do colar com a cruz, que ela lhe tinha enviado para o Natal, espreitando perto do colarinho.

No entanto, sentiu que era ela quem tinha mudado mais. Quando deixara o santuÃ¡rio tinha apenas dezasseis anos. Depois de estar com Tristian, Hunter, e Ray quase todos os dias da sua vida... sentira-se sentido muito perdida e sozinha em Los Angeles. Ela nunca tinha, sequer, visitado uma escola real porque a avÃ³ deles tinha contratado sempre explicadores privados para os ensinar em casa.

Ir para a secundÃ¡ria em Los Angeles fora um grande choque cultural. Foi entÃ£o que percebeu, tendo a sua famÃ­lia tanto dinheiro tinha apenas permitido que a iludissem completamente quanto ao que era normal. EntÃ£o conheceu Ashton Fox. Sempre que saÃ­a da casa do seu pai, Ashton estava lÃ¡ ou aparecia sempre onde quer que ela estivesse... Como se fosse destino. Ele devolveu-lhe o sorriso rapidamente e comeÃ§ou a mostrar-lhe todo um novo mundo.

Angel cometeu o erro de olhar de novo pela janela assim que passaram por um vale fundo, fazendo-a sentir como se estivessem altÃ­ssimos.

Apertou a mÃ£o de Ashton com mais forÃ§a ainda, decidindo olhar para ele e nÃ£o para a vertiginosa vista. Os seus olhos de um azul gelado riam-se do nervosismo dela, mas ela nÃ£o quis saber... de todo. Estava quase feliz por ele nÃ£o a ter ouvido quando o tentou impedir de a seguir atÃ© ao santuÃ¡rio durante o fim de semana.

Usando o pequeno comunicador feito nos seus auriculares perguntou. - Ash, jÃ¡ alguma vez andaste de helicÃ³ptero? Pareces estar a lidar com isto muito bem.

- NÃ£o, mas eu estou a amar cada minuto - Ashton sorriu-lhe. - A tua famÃ­lia Ã© um pouco excÃªntrica, nÃ£o achas? Mandaram um helicÃ³ptero para nos ir buscar ao aeroporto enquanto uma limusina trÃ¡s a nossa bagagem. E eu pensei que minha famÃ­lia era rica - levantou as sobrancelhas tentando faze-la rir.

Ele sabia que ela estava nervosa pela forma como lhe estava a cortar a circulaÃ§Ã£o da mÃ£o. A vulnerabilidade dela sÃ³ o encantou ainda mais. NÃ£o era nada como as vadias de Los Angeles com quem ele tinha namorado. Os seus pensamentos perderam-se quando a voz do irmÃ£o dela se ouviu atravÃ©s do comunicador.

- Ã sempre assim - Tristian olhou para a sua irmÃ£, sabendo que ela concordaria.

Eles tinham visto os adultos da famÃ­lia Hart a jogar este jogo estÃºpido durante toda a sua vida. - Na famÃ­lia Hart tÃªm sempre de se superar uns aos outros. O facto de a nossa avÃ³ ser dona do helicÃ³ptero e de toda santuÃ¡rio Ã© a sua pequena vitÃ³ria sobre os seus trÃªs filhos... e o mundo - Murmurou a Ãºltima parte com um pouco mais de sarcasmo.

- JÃ¡ chega, Tristian - Malcolm Hart fez um olhar desapontado para o seu filho depois virou-se para a sua mais recente namorada, Felicia. Ele decidiu dominar o com-link durante o resto da viagem para que o seu filho nÃ£o tivesse a oportunidade de dizer mais nada que danificasse a famÃ­lia em frente dos seus convidados.

Ele sorriu para a bonita ruiva com quem tinha comeÃ§ado a namorar havia apenas duas semanas. Ele seduzira-a com dinheiro sÃ³ para que a pudesse trazer e exibir em frente da sua ex-mulher, Lily Tinha sido ela quem insistiu no divÃ³rcio, entÃ£o ele ia esfregÃ¡-lo na sua cara, ferozmente.

Entrando em modo de guia turÃ­stico, Malcolm apontou pela janela vendo que estavam quase lÃ¡. - O resort Ã© ali, logo a seguir Ã quela subida, santuÃ¡rioâ¦ melhor conhecido pelas suas famosas capelas para casamentos e suites nupciais - Malcolm sorriu para Felicia de forma matreira. Ele sabia que se mantivesse a esperanÃ§a ela faria o seu papel muito bem em frente a Lily.

- Visto que o cume da montanha Ã© praticamente raso, este sÃ­tio tem tudo o que possas imaginar incluindo um SPA, um lago enorme, piscina no interior e exterior... entre outras coisas. NÃ³s somos donos de cerca de 50 quilÃ³metros em todas as direÃ§Ãµes e marcÃ¡mos a terra como reserva de caÃ§a para que ninguÃ©m posso alguma vez construir lÃ¡ nada e estragar a sua beleza. SÃ³ existe uma estrada em direÃ§Ã£o Ã  montanha e o portÃ£o de baixo mantÃ©m os intrusos de fora.

- Uau... Ã© tudo tÃ£o fabuloso - guinchou Felicia naquela voz carente.

- E no fundo da montanha existe uma reserva de Ã­ndios apache - continuou ele. - A maioria dos funcionÃ¡rios do resort sÃ£o apache - Os olhos do Malcolm vidraram com memÃ³rias das belas raparigas que os seus pais tinham contratado da reserva. Os seus anos de adolescente tinham sido algo que nÃ£o mudaria pelo mundo.

- Ãndios verdadeiros? - Felicia pestanejou e lanÃ§ou-lhe um ar assustado, inclinando-se em direÃ§Ã£o dele por proteÃ§Ã£o. Ela teve muita sorte quando um homem mais velho e tÃ£o rico engraÃ§ara com ela. Se ela jogasse bem a sua mÃ£o, nunca mais teria de trabalhar na vida.

- Quantos anos tens? Cinco? - Tristian esticou-se e desligou o seu com-link sentindo-se maldisposto e nÃ£o era da viagem de helicÃ³ptero.

Ele massajou as tÃªmporas irritado com a dor de cabeÃ§a que sentia aparecer... ultimamente tinha perdido toda a tolerÃ¢ncia para pessoas estÃºpidas. Levando a mÃ£o ao bolso, tirou o seu cantil do Ã¡lcool, sÃ³ que este nÃ£o tinha Ã¡lcool dentro. Era um remÃ©dio Ã­ndio para a dor de cabeÃ§a que o seu amigo Hunter lhe tinha feito e costumava funcionar em poucos minutos. SÃ³ esperava que fosse forte o suficiente para o livrar daquela dor causada por este helicÃ³ptero estÃºpido e pelo seu pai.

Ele sabia o que o seu pai estava a planear. Felicia devia estar a meio dos seus vinte e parecia mais o trofÃ©u do seu pai do que uma namorada. Eram momentos destes que o deixavam feliz por nÃ£o viver com o seu pai.

Ainda assim, toda aquela situaÃ§Ã£o o irritou seriamente. A culpa dos pais deles nÃ£o se darem bem nÃ£o era da Angel, entÃ£o porque Ã© que ela teve de sair da sua casa? O divÃ³rcio tinha-o deixado muito chateado quando descobriu que o juiz tinha decidido que cada um ficaria com um filho. Desde que Angel tinha tido dezasseis e ele dezassete que tinham sido separados contra a sua vontade.

Se ele soubesse o que sabia agora... Nunca teria deixado aquilo acontecer. Por ele nÃ£o ter sido esperto o suficiente para o parar... ficou quase dois anos sem ver a Angel e foi por isso que cometera o erro de se encontrar com ela no aeroporto hoje. Tinha demasiadas saudades dela.

Os cantos da sua boca deixaram transparecer um sorriso perverso lembrando que o mesmo juiz estÃºpido que o tinha separado da sua irmÃ£ tinha sido morto num acidente horrÃ­vel dois dias depois de Angel ter sido forÃ§ada a mudar-se. Tristian afastou o pensamento quando olhou de volta para a sua irmÃ£. AtÃ© entÃ£o, tinham vivido no santuÃ¡rio toda a sua vida.

De todos os sete netos, ele e Angel eram os preferidos da avÃ³ Hart e as coisas em santuÃ¡rio tinham-se tornado muito melhores depois do avÃ´ deles ter caÃ­do das escadas e partido o seu pescoÃ§o trÃªs anos antes.

Os olhos de Tristian endureceram-se com aquele pensamento. Eles nÃ£o tinham chorado uma Ãºnica lÃ¡grima quando aconteceu porque nem ele nem a Angel conseguiam suportar o velho. John Hart tinha sido tÃ£o mau que metia medo... sempre a olhar para eles e a ofendÃª-los quando pensava que ninguÃ©m estava a ouvir. Ao crescerem, ele e a sua irmÃ£ tinham feito um jogo que consistia em evitar o avÃ´ deles a todo o custo.

John Hart sempre fora pior para ele... tratando-o de forma diferente dos seus outros netos. Tristian bloqueou teimosamente as memÃ³rias decidindo que o velho nÃ£o valia a pena o esforÃ§o cerebral que estava a dar-lhe.

O seu olhar viajou da sua irmÃ£ para o namorado dela, Ashton Fox. Foi a primeira vez que soube que ela tinha um namorado. Tristian manteve a sua expressÃ£o impassÃ­vel enquanto olhava para o caloiro da universidade. Segundo toda a informaÃ§Ã£o que tinha recolhido... ele pareceu aceitÃ¡vel e odiava isso porque queria que a Angel se mudasse de volta para o santuÃ¡rio. Isso nÃ£o aconteceria se ela estivesse a gostar da sua vida na CalifÃ³rnia.

Ashton Fox tinha vinte anos, mas ia fazer vinte e um esta semana... Como se ele quisesse saber. Talvez lhe preparasse uma grande festa de anos e o deixasse embebedar-se tanto que ele vomitasse para cima de Angel... talvez isso ajudasse a romper os seus laÃ§os o suficiente para que ela voltasse para casa. Se nÃ£o, tinha a certeza que entre ele, Hunter e Ray... eles conseguiam pensar em alguma coisa.

Tristian continuou a tentar pensar em mais razÃµes para nÃ£o gostar de Ashton. Ele atÃ© tinha pedido ao seu tio Robert, que era advogado, para fazer uma investigaÃ§Ã£o minuciosa sobre o passado dele. Robert Hart tinha confirmado que vinha de uma famÃ­lia com dinheiro, mas nÃ£o tanto dinheiro como eles tinham. Ainda assim, Tristian tinha de admitir que era suficiente para impedir que ele quisesse namorar com a sua irmÃ£ sÃ³ pelo seu dinheiro.

Descobriu, no entanto, que Ashton Fox tinha um cadastro criminal de algum gÃ©nero, mas estava selado. Robert tinha dito que provavelmente era algo menor como conduzir embriagado quando era um adolescente. Ashton tambÃ©m estava a estudar para ser mÃ©dico, apesar de parecer mais um anÃºncio andante para a Calvin Klein Jeans com o seu cabelo loiro de platina atado, pele bronzeada e olhos de um azul gelado.

Tristian fez uma careta ao pensar que se Ashton e Angel tivessem idades mais prÃ³ximas podiam quase ser gÃ©meos... tirando o facto de o cabelo da Angel ser mais comprido. Mesmo agora, estavam os dois a fazer aquela coisa a sorrir um para o outro e estava mesmo a comeÃ§ar a irritÃ¡-lo. Tristian afundou-se no seu lugar e decidiu olhar pela janela.

Ele grunhiu silenciosamente perguntando-se qual visÃ£o era pior.



*****



Isabel Hart pousou a sua chÃ¡vena enquanto ouviu o seu helicÃ³ptero privado Ã  distÃ¢ncia. Ela quis correr para a janela e vÃª-los chegar a casa, mas aguentou-se sabendo que tinha um papel a desempenhar este fim de semana... a frÃ¡gil avÃ³ que precisava da sua famÃ­lia em casa com ela.

Ela tinha tido o ligeiro ataque cardÃ­aco recentemente e tinha sido suficiente para convencer Malcolm e Angel a voltar para casa... mesmo que fosse sÃ³ durante as fÃ©rias do dia da independÃªncia. Quase fez a experiÃªncia assustadora valer a pena. Ela atÃ© tinha fechado o Resort a pessoas de fora e combinou com o Tristian deixar os empregados tirar o fim de semana para que parecesse mais uma casa para a sua famÃ­lia.

Se fosse Ã  sua maneira, convenceria o seu filho e neta desaparecidos a mudarem-se definitivamente para o santuÃ¡rio... mesmo que tivesse de fingir que estava a morrer para o fazer.

Todos os seus filhos tinham vivido aqui com as suas famÃ­lias. Era uma tradiÃ§Ã£o que o divÃ³rcio do Malcolm tinha quebrado. O seu filho mais velho, Robert, tinha-se tornado um advogado casando-se com a sua paixÃ£o de secundÃ¡rio, Dianne. Eles tinham tido gÃ©meos, Devin e Damien, que tinham agora vinte anos e trabalhavam para ela como instrutores no ginÃ¡sio que ocupava uma Ã¡rea enorme no rÃ©s-do-chÃ£o do resort.

Ela tinha estado de olho no Robert porque ele era muito como o seu pai... ganancioso e calculista. Ela estava ciente de que ele jÃ¡ se estava a preparar para competir pelo seu Ãºltimo Testamento quando ela morresse, mesmo sabendo ela que ele nÃ£o estava certo em relaÃ§Ã£o ao que o testamento citava.

Mal sabia que nÃ£o lhe serviria de nada... aquele testamento era cimento em todas as direÃ§Ãµes. Ela tambÃ©m tinha deixado de lhe entregar a papelada do resort quando o tinha apanhado a falsificar os livros e a desviar alguns dos lucros para uma das suas contas bancÃ¡rias. Ele tinha-se tornado uma grande desilusÃ£o nos Ãºltimos dois anos.

A sua segunda mais velha, a Ãºnica rapariga, Carley, e os seus trÃªs filhos tambÃ©m viviam aqui. Mas Carley nÃ£o era nada como Robert.

A sua famÃ­lia estava cheia de miÃºdos mimados que pensavam que eram melhor que os outros porque viviam do fundo fiduciÃ¡rio que ela tinha preparado para eles. Tiffany tinha dezassete anos, Paris vinte e dois e Jason vinte. Mas ela nÃ£o podia culpar as crianÃ§as por serem preguiÃ§osas quando a mÃ£e deles nÃ£o passava de uma alcoÃ³lica. Entre os quatro, tinham corrido com o pobre marido de Carley hÃ¡ anos.

Tinham passado trÃªs anos desde que o seu marido, John, tinha falecido, depois perdeu Malcolm e Angel, logo no ano depois. John tinha sido um homem arrogante de mÃ£o pesada e a verdade era... nÃ£o sentia saudades de todo. Mas com todos os restantes membros tÃ£o ocupados com as suas vidas, haviam deixado Isabel sozinha na sua avanÃ§ada idade.

Os Ãºnicos que lhe davam atenÃ§Ã£o eram Tristian e os dois rapazes indianos que ele e a sua irmÃ£ gostavam tanto... Hunter e Ray Rawlins.

Ela nÃ£o queria, propriamente, saber o que o resto da famÃ­lia fazia... eram Angel e Tristian que eram importantes para ela. NÃ£o a incomodava que um dos irmÃ£os nÃ£o fosse de sangue... era o coraÃ§Ã£o que contava. Quando Tristian fora adotado, ela tinha avisado os outros membros da famÃ­lia de que se eles alguma vez lhe contassem da adoÃ§Ã£o, seriam deserdados e expulsos do SantuÃ¡rio sem pensar duas vezes. AtÃ© agora a ameaÃ§a tinha aguentado.

Tristian e Angel nÃ£o tinham forma de saber, mas um dia o SantuÃ¡rio passaria a pertencer apenas a eles.

Olhando para cima, Isabel sorriu para dentro vendo Lily Hart petrificada no jardim de flores. Ela tinha permitido que Lily continuasse a viver aqui com o seu filho quando Malcolm se tinha mudado para a outra ponta do paÃ­s. A Ãºnica razÃ£o para ter consentido que a mulher ficasse ali era para fazer com que Angel voltasse mais vezes possÃ­vel, e para manter o Tristian lÃ¡.

No que dizia respeito a Isabel... era bem feito que Lily estivesse infeliz. Malcolm tinha-a amado por ter uma atitude fria e insuportÃ¡vel... afastando Malcolm, mas sem lhe dizer porquÃª. Ela calculou que Lily sÃ³ tinha ficado aqui porque era estÃºpida o suficiente para pensar que um dia seria dona de uma parte do SantuÃ¡rio.

Malcolm fora um mulherengo antes de se terem casado, dormindo com metade do staff Ã­ndio que tinha trabalhado no hotel antes de comeÃ§ar a subir a fasquia.

Ele deixou a sua vida de malandro quando se tinha casado, por isso ela sabia que nÃ£o era essa a razÃ£o para o divÃ³rcio. Ele tinha sempre amado as mulheres, mas Isabel soube que quem ele amava mais era a Lily por causa da sua beleza... ela ainda era muito bonita. Fria e bonita... era tÃ£o privada de emoÃ§Ãµes que nunca se deu ao trabalho de ser uma mÃ£e a sÃ©rio para os seus filhos... mesmo quando eram pequenos.

Pelo ar pÃ¡lido na cara de Lily, Isabel percebeu que Malcolm tinha chegado, finalmente. Ela tinha dito ao piloto do helicÃ³ptero, de forma bem clara, que seria despedido no caso de se atrever a voltar para vir buscar alguÃ©m antes de terminar o fim de semana. TambÃ©m tinha pago a Ray para que ele inutilizasse todos os veÃ­culos da propriedade de uma forma ou outra para que ninguÃ©m pudesse sair.

Pela primeira vez... a famÃ­lia estaria toda junta aqui... quer gostassem ou nÃ£o.



*****



Ray Rawlins ouviu o som do helicÃ³ptero Ã  distÃ¢ncia enquanto ele fechou o capÃ´ do Ãºltimo carro estacionado na garagem. Ele olhou Ã  sua volta para todos os dispendiosos veÃ­culos que agora se viam inÃºteis com uma sensaÃ§Ã£o de satisfaÃ§Ã£o. Isabel Hunter conseguia ser tÃ£o implacÃ¡vel quanto o seu, falecido, marido quando queria.

Saindo do edifÃ­cio em tijolo, afastou o seu, longo, cabelo negro dos olhos enquanto observava o helicÃ³ptero descer, lentamente, para o heliporto. Os seus pensamentos viraram-se para Hunter, perguntando-se se o seu irmÃ£o conseguiria manter a calma agora que tinham descoberto que Angel trazia o seu namorado da CalifÃ³rnia para o SantuÃ¡rio para passar a semana.

Ashton Fox nÃ£o fazia ideia da teia de aranha em que acabara de entrar.

Na sua opiniÃ£o, a maioria das pessoas que tinham nascido no topo desta montanha mereciam cair dela. Angel e Tristian eram as exceÃ§Ãµes. Quando eles estavam a crescer, ele e Hunter tinham-nos acolhido debaixo de asa e protegido o quanto era possÃ­vel da maldade em que tinham nascido... mesmo a querida avÃ³ deles conseguia ser traiÃ§oeira quando queria alguma coisa.

Ele encostou-se Ã  parede de tijolo lembrando a infÃ¢ncia deles. Ele e Hunter eram apenas dois anos mais velhos que os irmÃ£os, mas os quatro foram sempre inseparÃ¡veis. Juntos, tinham ido para os bosques quase todos os dias, com ele e o Hunter a ensinar-lhes tÃ©cnicas Ã­ndias de sobrevivÃªncia... apesar de Tristian e Angel pensarem que nÃ£o passava de uma brincadeira.

A sua visÃ£o do passado desapareceu quando Angel saiu a correr do helicÃ³ptero com o namorado atrÃ¡s. Ele abanou a cabeÃ§a enquanto o vento do helicÃ³ptero fez o seu cabelo platina voar como se ela estivesse no meio de uma tempestade invisÃ­vel.

Ele olhou para a estadia enorme conhecida como SantuÃ¡rio. Ele sabia que as pessoas lÃ¡ dentro que diziam ser da famÃ­lia dele estavam prestes a jogar um novo jogo... Um demasiado perigoso para a pequena rapariga jogar sozinha.

Ray tirou o pequeno canteiro que Hunter lhe tinha oferecido e deu um gole para desobstruir a mente. Ele precisaria de toda a sua concentraÃ§Ã£o se fosse impedir que Angel ficasse em perigo.



*****



Tristian esperou atÃ© estar toda a gente fora do helicÃ³ptero antes de se inclinar para o piloto, ganhando a sua atenÃ§Ã£o. - Lembre-se do que Isabel Hart disse - seu rosto perdeu o sorriso enquanto seus olhos verdes estreitaram em aviso. - VÃ¡ passar umas fÃ©rias e nÃ£o se preocupe connosco. NÃ£o precisamos de si esta semana, entende?

Angel sorriu, feliz, quando Tristian se juntou a ela e todos fugiram do vento das hÃ©lices. Ela sentiu-se muito melhor assim que se virou para ver a malvada mÃ¡quina a ir embora e levar o seu som insuportÃ¡vel consigo.

- Bons ventos te levem para um tornado - Angel fez uma saudaÃ§Ã£o trocista. Se ela soubesse que ninguÃ©m gozaria com ela, tinha levado as mÃ£os ao chÃ£o e agradecido o facto de ter chegado bem.

Ashton passou os dedos pelo seu loiro e sedoso cabelo, adorando a sensaÃ§Ã£o. - Oh, estÃ¡s sÃ³ chateada porque o helicÃ³ptero despenteou o teu lindo cabelo - ele sorriu, perguntando-se como Ã© que os seus dedos corriam sem atingir um Ãºnico nÃ³. Ela era a coisa mais prÃ³xima Ã  perfeiÃ§Ã£o que ele jÃ¡ havia encontrado, e quando ela disse que ela estava a ir para casa para uma visita ele tinha sido esperto o suficiente para nÃ£o a querer fora de sua vista.

Reparando que o seu pai e Felicia jÃ¡ tinham entrado, Ashton deslizou o seu braÃ§o atravÃ©s dos seus ombros enquanto eles comeÃ§aram a subir a colina para a propriedade.

- EntÃ£o, pequeno capuchinho vermelho, vamos ver a tua avÃ³ primeiro? Ele observou, tentando nÃ£o parecer arrebatado pelo tamanho da mansÃ£o. Ele tinha ouvido o pai dela a gabar-se dela, mas agora que estava aqui, percebeu que tinha, na verdade sido subavaliada.

Tristian piscou o olho a Angel antes de interromper. - Acho que estÃ¡ na hora de mostrar o quarto a Ashton e deixar que ele assente, nÃ£o achas? NÃ£o hÃ¡ necessidade para testar o lobo mau demasiado. A avÃ³ jÃ¡ teve um ataque cardÃ­aco... acho que apresentares-lhe o teu namorado assim que chegas pode ser demais para ela.

O sorriso de Angel desvaneceu ao ser mencionado o ataque cardÃ­aco da sua avÃ³. Ela quase voou para casa no segundo em que Tristian lhe tinha contado, mas o pai dela tinha concordado em vir passar o dia da independÃªncia aqui, por isso ela esperou. Tristian tinha dito ao telefone que tinha sido Hunter que tinha a encontrado a avÃ³ deles mesmo no Ãºltimo segundo e provavelmente atÃ© lhe salvou a vida.

O seu prÃ³prio coraÃ§Ã£o acelerou durante um segundo quando imaginou Hunter na sua mente... Hunter Rawlins. Ela sempre o viu como o seu melhor amigo, mas quando se mudou para Los Angeles, Angel tinha percebido, lentamente, que tinham sido mais do que amigos... muito mais. Ela tinha sentido tantas saudades de Hunter como do seu prÃ³prio irmÃ£o.

- Oh vÃ¡ lÃ¡ - Tristian quase rosnou quando a prendeu nos seus braÃ§os e lhe deu um carinhoso abraÃ§o. - NÃ£o quis dizer isso - chegou-se para trÃ¡s e agarrou-lhe as bochechas, fazendo com que levantasse a cabeÃ§a para olhar para ele. - Prometeste que seriam apenas sorrisos esta semana - lembrou-lhe com o olhar fixo no dela.

- Eu sei - Angel colocou o sorriso de volta nos lÃ¡bios, mas nÃ£o se sentiu bem a mesma. - Eu fico bem assim que vir, com os meus prÃ³prios olhos, que a avÃ³ estÃ¡ bem. Tu, leva o Ash e diverte-te. Eu encontro-me convosco mais tarde.

Ela inclinou-se na ponta dos pÃ©s e beijou Ashton na face antes de se virar e ir em direÃ§Ã£o Ã  entrada lateral onde sabia que a sua avÃ³ estaria.

Ashton viu Angel a ir embora, nÃ£o gostando do facto de serem separados quase no minuto em que colocaram os pÃ©s na montanha. Durante a sua estadia em Los Angeles, o pai dela nunca tinha precisado dela para nada, entÃ£o ele tinha-a tido sempre para si sÃ³. Ele nÃ£o era bom a partilhar com outros.



*****



Hunter afastou o pensamento enquanto se desencostou da ombreira onde tinha estado encostado. Bastou ver Angel a dar aquele beijo inocente ao seu namorado para deixar um mau gosto na sua boca assim como uma vontade de bater em alguma coisa... preferencialmente em Ashton Fox. Foi preciso todo o seu autocontrolo para se impedir de a seguir assim que a viu afastar-se dos outros.

Ele conseguiu perceber o momento em que Tristian reparou que ele ali estava porque os seus passos aceleraram.

Ele e Tristian tinham sido melhores amigos desde que ele se lembrava, mas nos dois Ãºltimos anos, ambos tinham conhecido o lado mais negro um do outro... tudo porque a Angel os deixara. Ele observou Tristian enquanto ele encurtava a distÃ¢ncia entre eles depois estudou a sua expressÃ£o.

Erguendo os seus lÃ¡bios num sorriso aberto, Hunter dirigiu-se a ele. - Fico feliz de ver que sobreviveste ao helicÃ³ptero - gozou Hunter ao apertar o ombro de Tristian com uma mÃ£o amigÃ¡vel, depois acenou para cumprimentar o outro.

- Pois, um dia vou pegar num lanÃ§a-granadas e explodir com aquela coisa - Tristian encolheu os ombros enquanto Hunter se riu. Mudando de assunto, acrescentou. - Pelo menos Ã© toda a gente que temos esperado para passar a semana. O Ãºltimo dos convidados saiu hÃ¡ uma hora, entÃ£o agora sÃ³ resta a famÃ­lia e amigos. Acho que nunca vi este sÃ­tio tÃ£o vazio, mas sabe muito bem.

Observando a reaÃ§Ã£o de Hunter atentamente, Tristian deu um passo atrÃ¡s para que pudesse apresentÃ¡-los. - Hunter Rawlins... Este Ã© Ashton Fox.

Ashton esticou a mÃ£o e apertou a mÃ£o de Hunter com muita forÃ§a quando se cumprimentaram. Ele estava Ã  espera que Hunter apertasse a mÃ£o de volta e ficou surpreendido por ele nÃ£o o fazer. O Ã­ndio manteve o aperto de mÃ£o amigÃ¡vel para coincidir com o sorriso que tinha.

E pensar que ele tinha estado preocupado por ir conhecer o rapaz Apache de quem tinha ouvido Angel falar tanto. Quem a ouvia falar sobre Hunter e Rayâ¦ podia pensar que eles conseguiam andar sobre Ã¡gua, assim como fazer tudo o que alguma vez se viu um Ã­ndio fazer nos filmes.

- Bem-vindo ao santuÃ¡rio - Hunter repetiu a mesma coisa que teria dito a qualquer convidado. - EstÃ¡s pronto para te divertir esta semana? - As palavras soaram como uma espada de dois gumes nos seus ouvidos, mas o outro homem nÃ£o pareceu fazer ideia.

- Porque nÃ£o? - Ashton sorriu, contente por ainda nÃ£o ter de libertar a sua testosterona. - Mas primeiro, acho que preciso de um banho e de relaxar um pouco depois de estar a voar durante quase dez horas de seguida.

- NÃ£o digas mais - disse Tristian, levando-o atÃ© Ã  entrada principal. - Hunter, que quarto Ã© que arranjaste para ele ficar durante a semana?

- Eu vou buscar a chave - disse Hunter, passando por eles em direÃ§Ã£o ao Ã¡trio dando um espetÃ¡culo ao abrir o livro de registos como se estivesse a ver a lista de nomes.

Ele sabia exatamente onde tinha colocado Ashtonâ¦ mesmo ao lado do quarto onde o Ray ficava para ter fÃ¡cil acesso, sÃ³ nÃ£o era o fÃ¡cil acesso que o namorado gostaria de ter. Ashton Fox tinha tido um de dois quartos que pareciam desaparecer depois da esquina do salÃ£o do primeiro andar, do outro lado da, enorme, piscina interiorâ¦ afastados de todos os outros quartos.

Dando a volta, Hunter tirou a chave certa da parede e entregou-a a Tristian. Olhando para Ashton, deu a entender que era algo bom. - EstÃ¡ com sorte, pois mesmo ao lado do quarto seu ficam a piscina interior e o ginÃ¡sio.

Tristian no nÃºmero da chave virado de costas para Ashton enquanto disfarÃ§ava a sua expressÃ£o. Ele estava contente por Hunter nÃ£o ter posto Ashton perto do quarto de Angel, mas pensou que fosse ser, pelo menos, no mesmo quartoâ¦ nÃ£o que ele se fosse queixar. Se o sÃ£o plano corresse bem, Ashton nÃ£o iria ficar a semana inteira.

- EstÃ¡ tudo pronto para a festa na piscina? - perguntou Tristian, sabendo que Angel adorava nadar. Ele queria, desesperadamente, lembrar-lhe todas as coisas que ela estava a perder desde que se tinha mudado.

Hunter acenou. - Sim, os filhos de Carley convidaram vÃ¡rios amigos para passar a noite e jÃ¡ abriram o bar havaiano para se servirem - vendo o ar que Tristian lhe lanÃ§ou, acrescentou. - Jason deu os quartos ao lado do seu e das suas irmÃ£s aos seus convidadosâ¦ nÃ£o que eles vÃ£o dormir lÃ¡.

- Bem verdade - Tristian sorriu sabendo que entregar-lhes os quartos extra era para mostrar, apenas. Ele odiava o facto de os seus primos agirem sempre como se fossem donos do hotel quando, na verdade, quando nÃ£o passavam de parasitas que nÃ£o faziam nada para merecer o seu sustento. Eles tinham fama de trocar de namorados e namoradas cada mÃªs, cada semanaâ¦ Ã s vezes cada dia. A Ãºnica coisa para que serviam era sexoâ¦ fora isso, os seus parceiros nunca permaneciam muito tempo.

- Vemo-nos por aÃ­ mais tarde - anunciou por cima do ombro.

Quando Tristian partiu com Ashton, Hunter virou-se e agarrou a chave para o melhor quarto que havia no santuÃ¡rioâ¦ uma das suites nupciais no quarto andar. NÃ£o era como se alguÃ©m fosse a fosse usar durante esta semana e, provavelmente, Angel iria adorar ficar numa.

- Quem vai ficar na suite nupcial?

Hunter voltou-se, vendo Ray logo do outro lado da esquina com a caixa de foguetes segura debaixo do seu braÃ§o. Ele e Ray tinham estado numa situaÃ§Ã£o estranha desde que a mÃ£e deles tinha morrido hÃ¡ um mÃªs. Tinham declarado trÃ©guas, mas ambos sabiam que era uma situaÃ§Ã£o muito frÃ¡gil. Ele amava o seu irmÃ£o, mas ultimamente Ray tinha estado a agir de forma estranha o suficiente para que ele estivesse em alerta mÃ¡ximo.

- EntÃ£o, decidiste lanÃ§ar os foguetes esta noite? - Hunter mudou, rapidamente, o assunto enquanto colocava a chave no seu bolso.

Os olhos escuros de Ray seguiram o movimento protetor, mas deixou passar por agora. - Sim, queremos que a semana tenha um comeÃ§o explosivo, nÃ£o queremos?

- Claro. Vens Ã  festa na piscina mais logo? - perguntou Hunter, nÃ£o gostando que Ray estivesse de olho nele.

- Sim, eu vou estarâ¦ por perto - respondeu Ray com um olhar elevado enquanto tirava alguns fÃ³sforos de uma taÃ§a na secretÃ¡ria e os atirava para a caixa de foguetes antes de se virar para sair.

Hunter ficou onde estava atÃ© Ray estar fora de vista, depois levou, lentamente, a mÃ£o ao bolso e retirou a chave. Virando-se, comeÃ§ou a pendurar a chave de volta no sÃ­tio dela, mas decidiu colocÃ¡-la numa das gavetas da secretÃ¡ria. Virando-se para o chaveiro, abanou os dedos como se estivesse a pensar, depois tirou a chave do quarto ao lado do seu.

Ele sentia-se mais tranquilo se conseguisse manter Angel debaixo de olhoâ¦ especialmente Ã  noite.



CapÃ­tulo 2 âSegredosâ



Angel ficou de frente para as portas de vidro olhando para a sua avÃ³. Ela calculou que Isabel Hart fosse estar na enorme marquise a olhar para os jardins nesta altura do dia. Ela sentiu um aperto no peito ao ver a sua avÃ³ a tocar nos botÃµes da cadeira de rodas enquanto se aproximava das portas do terraÃ§o que levavam para fora do jardim.

A Ãºltima vez de que tinha visto a sua avÃ³, ela estava de pÃ© e emproada, limpando as lÃ¡grimas da face enquanto lhes disse adeus. Colocando a sua mÃ£o contra as enormes portas de vidro, Angel respirou fundo e abriu-as.

- AvÃ³! - Angel sorriu e correu toda a sala em direÃ§Ã£o a ela. O seu sorriso brilhou ainda mais quando os olhos da sua avÃ³ se abriram de alegria. Inclinando-se, Angel deu-lhe um abraÃ§o sentido. - Oh cÃ©us, senti tanto a tua falta!

Isabel fechou os seus olhos desfrutando do abraÃ§o sincero. Isso era o que ela tanto gostava em Angel e Tristianâ¦ o facto de eles nÃ£o serem falsos como o resto da famÃ­lia. Quando amavam alguÃ©mâ¦ amavam com todo o seu coraÃ§Ã£o.

- Aqui estÃ¡ o meu anjo - Isabel acariciou-a fracamente nas costas. Ela sentiu a sua forÃ§a a voltar sÃ³ por estar perto de Angel. Aquela rapariga sempre tivera a capacidade de a deixar de melhor humor e de a fazer sentir amada. Mas isso nÃ£o a ia impedir de fingir a doenÃ§a, fosse como fosse. - Estou feliz por teres voltado para me ver uma Ãºltima vez - deixou a sua voz esganiÃ§ar como se fosse um pensamento devastador.

- O quÃª? - Angel respirou fundo depois afastou-se para poder olhar para a sua avÃ³. -AvÃ³? De que estÃ¡s a falar? - sÃ³ de a ouvir a dizer algo assim deu-lhe um aperto no coraÃ§Ã£o e trouxe-lhe lÃ¡grimas aos olhos.

- Oh, nÃ£o vamos falar de mim, minha querida. Conta-me tudo, senti tanto a tua falta nestes dois Ãºltimos anos e quem Ã© este namorado sobre quem tenho ouvido tantos rumores? - Isabel lanÃ§ou-lhe uma dÃ©bil careta. - NÃ£o acredito que a minha neta estÃ¡ a tentar crescer num sÃ­tio tÃ£o longe que eu nem o consigo ver a acontecer.



*****



Tristian saiu do quarto de Ashton, fechando a porta enquanto o seu telemÃ³vel vibrou no seu bolso. Vendo que era Ray, respondeu rapidamente. - OlÃ¡ Ray, diz-me?

- A limusina acabou de partir e a tua namorada estÃ¡ a subir a montanha neste momento. Parece ser o fim do trÃ¡fego permitido. Ainda queres que eu tranque o portÃ£o lÃ¡ em baixo? - perguntou Ray, sabendo que tinham sido instruÃ§Ãµes de Isabel Hart.

- Sim, a avÃ³ tem uma posiÃ§Ã£o muito firme em relaÃ§Ã£o ao aparecimento de convidados indesejados - confirmou Tristian. - Fecha-o bem e volta para aqui para te divertires. Se alguÃ©m precisar de sairâ¦ vÃ£o precisar de um guia para fora da montanha.

- Ã um bom plano - murmurou Ray.

Ele desligou o telemÃ³vel e fechou a, pesada, vedaÃ§Ã£o de ferro. Selando os trÃªs, espessos, cadeados olhou para a alta e espinhosa vedaÃ§Ã£o. Vendo a torre mÃ³vel pelo canto do seu olho, partiu na sua direÃ§Ã£o. Era a Ãºnica torre mÃ³vel num raio de oitenta quilÃ³metros e ele tinha a impressÃ£o de que estava prestes a tornar-se inÃºtil.



*****



Angel saiu do terraÃ§o, precisando de um momento a sÃ³s para absorver o choque de ver a sua avÃ³ com um aspeto tÃ£o frÃ¡gil naquela cadeira de rodas. Todas as vezes que ela tinha levantado o assunto da sua saÃºde, Isabel tinha-se esquivado, fazendo as suas prÃ³prias perguntas.

Depois de uma pequena visita, apenas a sua avÃ³ tinha dito que estava demasiado cansada e tinha de se deitar durante o resto do dia, mas fez Angel prometer que a visitaria de manhÃ£. Preocupou-a que a sua avÃ³ fosse para a cama tÃ£o cedo, entÃ£o perguntou-se, ao certo quÃ£o doente ela estava. A sua avÃ³ tinha estado de tÃ£o boa saÃºde antes de ela ter deixado o santuÃ¡rio e ter partido para a CalifÃ³rnia. AtÃ© tinha rejuvenescido depois da morte do avÃ´.

Os lÃ¡bios de Angel cerraram-se com ao relembrar o velho homem que ela sempre considerara um monstro. Ela nunca tinha odiado ninguÃ©m em toda a sua vida, mas poucas horas antes ele ter caÃ­do das escadas, tinha-a apanhado e a Hunter a voltarem depois de irem nadar sozinhos no lago. O seu avÃ´ gritou com ela, dizendo-lhe que ela era demasiado velha para estar a brincar com o refugo Ã­ndio da reserva. Ele disse a Hunter que desaparecesse da sua montanha, depois bateu com as portas quando entrou. Ver Hunter ir-se embora assim foi devastador. Quando ela se virou para o defender, o seu avÃ´ bateu-lhe com tanta forÃ§a que ela tinha caÃ­do para o chÃ£o.

Angel gritou de dor, mas nÃ£o tinha dito mais nada, sabendo que ele, provavelmente, tinha razÃ£o. Ele nem tinha sabido que ela e Hunter estavam a fazer coisas que nÃ£o deviam ter estado a fazerâ¦ beijaram-se, tocaram-se, experimentavamâ¦ se ele tivesse sabido dessa parte tinha-lhe batido mais de que uma vez.

- VÃªs, eu disse-te que nÃ£o era a estÃ¡tua de um anjo. Ã mesmo a Angel â alguÃ©m se riu atrÃ¡s dela, assustando-a e tirando-a da sua melancolia. Virando-se sorriu, vendo os gÃ©meos idÃªnticos do tio Robert, Devin e Damien.

- Meu Deus, como vocÃªs cresceram! - ela sorriu enquanto eles tiravam vez para a abraÃ§ar e a balanÃ§ar Ã  roda. Eles tinham a mesma idade de Tristian, mas tinham crescido o suficiente nos Ãºltimos anos para lhe passarem em altura, de alguma forma. Com, pelo menos, um metro e noventa, pareiam-se com seguranÃ§as. Ambos usavam uma t-shirt justa ao corpo com o logotipo âSantuÃ¡rioâ na parte da frente.

Ela colocou uma mÃ£o no braÃ§o de cada um, vendo o orgulho brilhar nos seus olhos cinzentos. - Acho que isso explica o que tÃªm andado a fazer nos Ãºltimos dois anos â riu-se. - TÃªm estado longe de sarilhos, ou a causÃ¡-los?

- Quem? NÃ³s? - Devin riu-se enquanto a colocava de novo no chÃ£o, deixando a sua mÃ£o acariciar a sua perna e anca no caminho.

- Devias conhecer-nos melhor do que isso â Damien revirou os olhos para o seu irmÃ£o quando deslizou o seu braÃ§o Ã  volta da cintura de Angel e a puxou para longe do alcance de Devin. Era um jogo que os gÃ©meos haviam jogado hÃ¡ anosâ¦ tentavam sempre superar-se um ao outro quando havia uma rapariga bonita por perto.

- Ã uma sorte para vocÃªs que ela conhece mesmo â Hunter olhou fixamente para os gÃ©meos, depois sorriu quando Angel se virou ao ouvir a sua voz.

Os lÃ¡bios de Angel separaram-se quando ela avistou Hunter pela primeira vez em quase dois anos. Subitamente, todo o tipo de memÃ³rias passou pela sua mente, deixando-a de joelhos enfraquecidos e batimento acelerado. Emails e chamadas telefÃ³nicas nÃ£o se comparavam a vÃª-lo em pessoa.

O seu cabelo estava maior do que ela se lembrava, descendo atÃ© meio das suas costas, escuro como tinta preta. Ele parecia um daqueles homens dos romances histÃ³ricos em que o Ã­ndio e a rapariga branca eram fotografados num abraÃ§o ardente.

Corando com a imagem mental, soltou-se dos seus primos e andou na direÃ§Ã£o dele. - EstÃ¡s mais alto â ela respirou fundo ao olhar para ele. Hunter era a Ãºnica pessoa que a sabia mais sobre ela do que o seu irmÃ£o.

- NÃ£o, tu ficaste mais pequena â gozou Hunter mesmo antes de lanÃ§ar os braÃ§os Ã  volta dela e de a levantar do chÃ£o. - A nÃ£o ser que eu faÃ§a isto â ela sempre fora leve como uma pena para ele. Ele rosnou interiormente quando ela se inclinou, acabando com o jogo infantil com um abraÃ§o apertado. Ele inalou o seu aroma, lembrando-se de todas as razÃµes pela qual ele tinha esperado que ela voltasse.

Sabendo que estavam a ser observados, Hunter colocou-a, rapidamente, no chÃ£o e olhou por cima do seu ombro para os gÃ©meos. - A festa na piscina estÃ¡ a comeÃ§ar e hÃ¡ lÃ¡ alguÃ©m a perguntar por vocÃªs.

- Stacey! - os gÃ©meos bateram as mÃ£os num cumprimento. - Vemo-nos mais tarde â eles partiram como se fosse uma corrida para ver quem chegava Ã  rapariga primeiro.

- EntÃ£o aprenderam, finalmente, a partilhar â disse Angel com um ar sÃ©rio, vendo os gÃ©meos a partir, depois riu-se suavemente da sua prÃ³pria piada.

- Penso que eles gostam mesmo Ã© da competiÃ§Ã£o â refletiu Hunter. - Esta Stacey aparece a toda a hora sÃ³ para que eles lutem por elaâ¦ atÃ© agora, nenhum deles ganhou.

Ela sorriu, suavemente, enquanto se virou de volta para Hunter, reparando na longa mecha de cabelo Ã©bano que tinha caÃ­do sobre a sua cara quando ele a levantou. Esticando a mÃ£o, ajeitou-a para o lado, carinhosamente, e prendeu-a atrÃ¡s da orelha dele. - Sinto que posso respirar, finalmente.

- O que te impedia? - a voz de Hunter estava tÃ£o suave como a dela. Ele sabia o que ela estava a querer dizer porque sentia o mesmo. Sentia-o com tanta intensidade que os seus olhos estavam a arder.

O seu olhar desceu para o beicinho que havia nos lÃ¡bios dela e sentiu-se a aproximarâ¦ querendo beijÃ¡-la como costumava fazer antes de ela se ter ido embora. Ele tinha sido quem lhe ensinara beijar, apesar de saber que ela nunca o tinha levado tÃ£o a sÃ©rio como ele. Para ela, tinha sido apenas uma brincadeira infantilâ¦ para ele tinham sido os laÃ§os que unem.

- Uma pessoa nunca devia ser separada do seu melhor amigoâ¦ magoa â Angel suspirou e abraÃ§ou-o de novo.

Hunter congelou ao ouvir as palavras âmelhor amigoâ. Algo que ela usava como forma de carinho que o fazia sentir como se levasse um soco no estÃ´mago. EntrelaÃ§ando os braÃ§os Ã  volta dela, Hunter inclinou-se para beijar o topo da sua cabeÃ§a enquanto tentava controlar a sua voz. - Eu sei.

Ela usava esse termo desde que lhe tinha contado todos os seus segredosâ¦ mesmo o segredo entre ela e Tristian. AtÃ© lhe tinha contado uma vez que pensava que estava apaixonada pelo irmÃ£o mais velho dela. EntÃ£o Hunter comeÃ§ou a levÃ¡-la para as montanhasâ¦ sÃ³ os doisâ¦ mostrando-lhe todas as coisas que ele a conseguia fazer sentir que o seu irmÃ£o nÃ£o. Aquele foi o ponto de viragem entre ele e Tristianâ¦ porque ele sabia que os sentimentos secretos eram retribuÃ­dos. Para seu desespero, acabou por, apenas, convencer Angel que estava apaixonada por ambos.

Afastando-se, colocou o seu braÃ§o Ã  volta do ombro dela e comeÃ§ou a andar com ela para fora do jardim. - Aposto que ainda nem tiveste hipÃ³tese de relaxar depois do teu voo de risco â Ele sorriu, sabendo que ela odiava tanto o helicÃ³ptero como Tristian.

- Sabesâ¦ podias ter convencido a avÃ³ a nÃ£o o fazer â disse, indo contra ele. - Costumavas ser capaz de a convencer a fazer ou nÃ£o fazer qualquer coisa.

- Oh nem te atrevas â Hunter sorriu. - NÃ£o me culpes pela viagem. AlÃ©m disso, tenho deixado a tua avÃ³ fazer mais o que quer, ultimamente â atravessou a relva atÃ© ao campo. Ele sabia que estavam no campo de visÃ£o do quarto de Ashton, entÃ£o andou um pouco mais devagar, sÃ³ por maldade. Nunca ninguÃ©m o acusara de ser um santo.

Ãs o meu herÃ³iâ¦ sabias? Angel fez com que ele parasse para poder olhar para ela. - Se nÃ£o tivesses encontrado a avÃ³ quando ela teve o ataque cardÃ­acoâ¦ - a sua voz reduziu-se a um mero sussurro. - Salvaste-lhe a vida.

Ashton enrolou a toalha Ã  volta da sua cintura, enquanto saia da casa de banho. Era mesmo o que precisava, um longo e quente duche para comeÃ§ar a semana. Talvez conseguisse causar uma excelente impressÃ£o na famÃ­lia de Angel e reclamÃ¡-la para si. Nunca tinha trabalhado tanto para impressionar uma rapariga como a Angel.

A sua Ãºltima namorada acabou por se revelar uma galdÃ©ria dissimulada a quem ele tivera de ensinar uma liÃ§Ã£o, mas Angel nÃ£o. Ele conseguia perceber que ela era uma doce e jovem virgem criada em casa a quem ele tivera de dar a volta por um simples beijo. Mas isso nÃ£o o tinha incomodado. Se ele quisesse sexoâ¦ havia muitas rameiras dispostas a dar-lho e irem-se embora para que ele pudesse passar tempo com Angel.

Olhando para o espelho do armÃ¡rio, comeÃ§ou a secar o cabelo com a toalha, parou, reparando em algo no reflexo. Virando-se para a janela, fez uma careta vendo Angel e Hunter tÃ£o perto um do outro que pareciam estar a contar segredos.

Ele cerrou os dentes, fazendo os mÃºsculos do seu maxilar saltar, enquanto via a sua namorada com o rapaz Ã­ndio que ela chamava de melhor amigo, com tanto carinho. De algum modo, nÃ£o pensou que Hunter gostasse muito dessa alcunhaâ¦ nenhum homem no seu juÃ­zo perfeito, gostaria.

- Angel, a tua avÃ³ sempre foi querida para mim e para o Rayâ¦ mesmo quando nÃ£o tinha razÃ£o para ser. Detesto o que lhe aconteceu â Hunter suspirou, sabendo que era mentira. Se Isabel Hart nÃ£o tivesse tido o ataque cardÃ­aco, Angel nÃ£o estaria ali naquele momento. Ele encolheu-se sabendo o que tinha feito.

O xamÃ£ da sua tribo tinha-lhe ensinado tudo sobre plantas e a forma como elas podiam curar ou danificar o corpo. Ele tinha usado esse conhecimento e criado a mistura certa para causar a ligeira paragem de Isabel. Tinha sido a Ãºnica coisa de que se tinha lembrado que faria Angel voltar.

- Eu nÃ£o mereÃ§o nenhum louvor por a encontrar â admitiu Hunter, de consciÃªncia pesada.

Angel sorriu suavemente, sabendo que Hunter nÃ£o tinha um Ãºnico vestÃ­gio de prepotÃªncia no seu corpo. Querendo que ele soubesse o quanto ela estava agradecida pelo que ele fizera, colocou-se nos bicos dos pÃ©s e deu-lhe um, suave e fugaz, beijo nos lÃ¡bios.

Quando ela se afastou, os seus olhares cruzaram-se por um tempo. Angel inspirou, bruscamente, sentindo os pequenos relÃ¢mpagos atingirem-na estÃ´mago abaixo e pelas pernas acima. Esta nÃ£o foi a primeira vez que ele tinha causado esta reaÃ§Ã£o dentro dela, mas era a primeira vez que nÃ£o era suposto sentir isto por ele. Agora ela tinha um namoradoâ¦ estar apaixonada por Hunter era um tabu.

Angel engoliu em seco, enquanto deu um passo atrÃ¡s. â Obrigado por salvares a minha avÃ³. NÃ£o sei o que iria fazer se a tivesse perdido.

Hunter semicerrou os olhos, sabendo que ela estava a negar o que ambos tinham acabado de sentir. Talvez nÃ£o a negar, mas a ignorar definitivamente. Ele nÃ£o fazia intenÃ§Ã£o de a deixar escaparâ¦ aliÃ¡s, ele pretendia lembra-la de que ele nÃ£o era esquecido assim tÃ£o facilmente.

Esticando-se, agarrou a mÃ£o dela e avanÃ§ou para as portas da frente. â Vamos, temos de te instalar.

Ashton apertou o parapeito da janela com tanta forÃ§a que ouviu a madeira estalar. Angel nunca lhe tinha dado razÃµes para se sentir com ciÃºmes antes, mas nÃ£o gostou nada da forma como olhou para Hunterâ¦ a forma como ela o beijara. NÃ£o gostou nem um pouco. Ele nÃ£o a tinha deixado vir para casa sÃ³ para a ver atirar-se a outros rapazes.

Angel entrou no elevador afastando o resto da eletricidade que beijar Hunter lhe tinha causado. â EntÃ£o, onde Ã© que eu vou dormir? â ela sorriu, sabendo que era um jogo que eles costumavam jogar.

Os quatro, Tristian, Ray, Hunter e ela costumavam tirar os registos da secretÃ¡ria e trocar os quartos para causar confusÃ£o em massa. Eles costumavam ter em tantos sarilhos por causa daquilo que era engraÃ§ado o facto de Hunter estar encarregue da mesma coisa que costumava fazer com que gritassem com eles.

Hunter encolheu os ombros. â Calculei que fosses querer ficar ao lado do teu irmÃ£o â ele esticou-se e carregou no botÃ£o para o quarto andar. â Por isso, pus-te no teu velho quarto.

- Fico contente saber que ainda tenho um quarto grande â ela sorriu, sabendo que os quartos do Ãºltimo andar eram enormes, comparados aos lÃ¡ de baixo. AlÃ©m disso, ia ser bom sentir-se completamente em casa de novo. â Obrigado.

- Eu sempre achei que vocÃªs os dois eram um bocado mimados â brincou Hunter â foi por isso que decidi mudar-me tambÃ©m â ele tirou a chave do seu bolso. Tinha-se mudado para o quarto mesmo ao lado do dela quando se mudou para lÃ¡ o mÃªs passado. Tinha feito com que ele se sentisse mais prÃ³ximo dela, mesmo estando ela longe.

- Quando Ã© que te mudaste para o santuÃ¡rio? â perguntou Angel. Ele e Ray conduziam de trÃ¡s para a frente todos os dias para que pudessem passar a noite com a mÃ£e delesâ¦ mesmo antes de Ray ter a sua carta. Ele e Ray sempre amaram imenso a sua mÃ£e e asseguravam-se que ela estava sempre bem tratada.

Quando as portas se abriram, Hunter colocou a sua mÃ£o na ponta da porta do elevador para a manter aberta. â Desculpa Angelâ¦ eu disse ao Tristian para nÃ£o te dizer. NÃ£o queria que te preocupasses connosco â os seus olhos escureceram, sabendo que ela tinha todo o direito de ficar chateada se quisesse.

- EntÃ£o diz-me agora â Angel tinha um mau pressentimento. Hunter nunca lhe tinha escondido nada e ela perguntou-se se estar fora todo aquele tempo tinha causado isto. â O que Ã© que eu nÃ£o sei?

- A nossa mÃ£e morreu o mÃªs passado quando a nossa casa pegou fogo, acidentalmente â ele engoliu em seco, continuando a nÃ£o querer tocar assunto. â Os bombeiros disseram que pareceu que ela estava a cozinhar e deve ter adormecido.

Os lÃ¡bios de Angel abriram quando os olhos dele comeÃ§aram a brilhar com lÃ¡grimas, por cair. â Meu Deus, Hunterâ¦ lamento imenso. Quem me dera que me tivesses ditoâ¦ tinha voltado mais cedo.

- NÃ£o queria que o fizessesâ¦ ver-me assim â confessou ele, enquanto ela colocou os seus braÃ§os Ã  sua volta, pela terceira vez na Ãºltima meia hora.

Largando a porta, ele deixou-a fechar enquanto se esticava para carregar no botÃ£o de paragem. Colocando as palmas das mÃ£os nas costas dela, Hunter nÃ£o conseguiu evitar puxÃ¡-la contra si, deixando o cheiro do seu cabelo acalmar a dor que tinha dentro de si. Esta dor nÃ£o tinha nada a ver com a sua mÃ£e.

Angel nÃ£o pensara em fazer nada mais que confortÃ¡-lo, mas assim que os seus corpos se tocaram, viu-se encostada contra a parede do elevador e com uma das pernas dele entre as suas coxas, fazendo com que uma chama ardesse em ambos de novo.

- Meu Deus, Angel â murmurou Hunter contra a suave pele do seu pescoÃ§o, enquanto ele sentia o seu calor do seu centro subir atÃ© ao tecido que tapava a perna dele. Pressionando a sua coxa contra ela, levantou a cabeÃ§a e apanhou-lhe os lÃ¡bios, num beijo frustrado. As suas mÃ£os viajaram pelos braÃ§os dela e capturaram as suas mÃ£os. Deslizando os seus dedos pelos dela, empurrou-os contra a parede conhecendo-a bem o suficiente para saber que ser dominada era algo que a excitava. Se quase contasse como sexo, eles tinham sido amantes hÃ¡ muito tempo.

No inÃ­cio, Angel beijou-o de volta perdendo-se nas sensaÃ§Ãµes que ele lhe estava a causar, mas depois a imagem de Ashton apareceu na sua mente, quando ela virou a cabeÃ§a, rompendo o beijo. Ela gemeu, suavemente, quando sentiu a respiraÃ§Ã£o ardente no seu pescoÃ§o. Tirando as suas mÃ£os das dele, colocou-as no seu peito e empurrou-o.

- Hunter? â Angel manteve os olhos no chÃ£o com um medo, sÃºbito, do que veria quando olhasse para ele â Desculpa, euâ¦

- Shhhâ¦ - ele colocou os dedos debaixo do queixo dela e levantou-o para que ela olhasse para si. Ele jÃ¡ sabia porque Ã© que ela estava a parar. Ashton Fox jÃ¡ tinha perdidoâ¦ apesar de ela ainda nÃ£o o saber. Os seus olhos escureceram, atraentemente, enquanto ouvia a sua respiraÃ§Ã£o ofegante por causa de um simples beijo.

- NÃ£o peÃ§as desculpaâ¦ nunca devias pedir desculpa por e amar. Pelo menos sei que me perdoas por nÃ£o te ter contado sobre a minha mÃ£e â Hunter largou-a forÃ§ando-se a dar um passo atrÃ¡s e a carregar no botÃ£o para que as portas se abrissem para ela.

Sabendo que ele iria falar da sua mÃ£e quando estivesse pronto Angel virou-se e fugiu do elevador, deixando de confiar em si mesma para estar sozinha com ele. Assim que teve a certeza de que ele tinha desaparecido, abrandou o seu passo.

Pobre Hunterâ¦ e Ray. Eles sempre foram carinhosos com a mÃ£e deles e ela sempre os amou imenso de volta. Angel lembrou-se de ter desejado que ela e a sua mÃ£e tivessem aquele tipo de relaÃ§Ã£o. Mas a sua mÃ£e era-lhe uma estranhaâ¦ sempre fora.

Quando as portas do elevador se fecharam depois de ela sair, Hunter colocou as suas mÃ£os contra a mesma parede onde a tinha encostadoâ¦ empurrando-a com frustraÃ§Ã£o. Se contar atÃ© dez resultasse. Fechando os olhos, fÃª-lo na mesma, forÃ§ando a sua respiraÃ§Ã£o a voltar a algo que se assemelhasse a normal. Quando se endireitou e abriu os seus olhos, estava completamente calmo, de novo.

Abrindo o seu telemÃ³vel, escreveu o nÃºmero de Tristian para lhe dizer que a sua irmÃ£ estava instalada. Hunter fez uma careta ao ver que nÃ£o havia rede no telemÃ³vel.

Angel entrou no seu quarto e sorriu, vendo que tinham deixado tudo como tinha estado antes de ela se ter mudado. Atirou-se de costas para o colchÃ£o com um suspiro feliz enquanto fechava os olhos. Assim que o fez, o que ela e Hunter tinham feito no elevador voltara para a assombrar e fazer o seu corpo arder.

Ela tinha estado fora tanto tempo que achou que ele jÃ¡ nÃ£o a quisesse daquela maneira. Tristian tinha comeÃ§ado a namorar com alguÃ©mâ¦ porque Ã© que o Hunter nÃ£o?

Quando tinha comeÃ§ado a namorar com Ashtonâ¦ tinha tentado bloquear as memÃ³rias de Hunter e de Tristian. Mas agora que estava de volta, parecia que o seu coraÃ§Ã£o estava a ser separado de novo. Ela tinha estado apaixonada por ambos hÃ¡ tanto tempo que acabou por ser a razÃ£o para ela comeÃ§ar a namorar com Ashtonâ¦ para esquecer. Mas quando Hunter a tocara no elevador, confirmaram-se os seus piores medosâ¦ ela nÃ£o estava apaixonada por Ashton Fox e ele nunca a faria sentir como Hunter acabara de a fazer.

Ela encostou a palma da mÃ£o contra o seu ventre e deslizou-a para entre das suas pernas, arqueando o seu corpo enquanto o fazia. Ela fechou os seus olhos quando lhe a imagem de Hunter se dissipou e foi substituÃ­da pela memÃ³ria do toque ardente de Tristian.



CapÃ­tulo 3 âCiÃºmeâ



JÃ¡ era quase de noite quando Tristian trocou a mÃºsica calma por um rock alternativo, depois agarrou na garrafa de vinho que tinha acabado de esconder no fundo do bar. Quando pegou em trÃªs copos, o vestÃ­gio de um sorriso iluminou os seus lÃ¡bios. Tinha acabado de descobrir a adega secreta do seu avÃ´, que corria por baixo e atravÃ©s do enorme edifÃ­cio.

Impedindo o resto dos membros da famÃ­lia soubesse da existÃªncia dos corredores apertados era a Ãºnica coisa que Tristian gostava que o seu avÃ´ tivesse feito. Agora tinha o seu pequeno segredo e, atÃ© agora, sÃ³ uma outra pessoa Ã© que sabia da sua existÃªncia, Angel, e ela nÃ£o era o tipo de pessoa para explorar as catacumbas com teias de aranha.

Vendo Ashton a passer pela entrada, chamou-o e fez sinal para que se aproximasse. â estÃ¡ na altura de comeÃ§ar a conhecer a famÃ­lia â Tristian conduziu-os para uma das mesas de picnic penduradas onde os gÃ©meos estavam a entreter Stacey.

- Ok, ainda nem comecei a beber e jÃ¡ estou a ver a dobrar â brincou Ashton, esperando que fosse ser bom para quebrar o gelo.

Ao ouvi-los, Damien e Devin olharam para cima vendo a garrafa de vinho e deixando lÃ¡ o olhar, enquanto Tristian a pousava na mesa.

Ao ouvi-los, Damien e Devin olharam para cima e viram a garrafa de vinho, deixaram o seu olhar segue-la, enquanto Tristian a pousou na mesa.

- Ei, esta Ã© uma das garrafas da reserva secreta do avÃ´. Eu vi-o e ao pai a beber uma hÃ¡ muito tempo â Devin agarrou-a e comeÃ§ou a furar a rolha. â Onde raios descobriste esta?

Antes de Tristian conseguir responder, Damien acenou na direÃ§Ã£o de Ashton. â Tristian? Para que Ã© que o trouxeste? Precisamos tanto de outro homem como de um buraco na cabeÃ§a â colocou um braÃ§o Ã  volta de Stacey enquanto o seu gÃ©meo estava distraÃ­do.

- Ah, ah. â Tristian pousou os Ã³culos. â Apresento-vos Ashton Foxâ¦ o namorado de Angel â ele levantou o seu dedo e apontou mesmo, enquanto os apresentou a Ashton. â E este Ã© Devinâ¦ e Damien, nossos primosâ¦ esta Ã© Stacey que sÃ³ vem aqui para os torturar quando arranja tempo â piscou um olho a Stacey, sabendo que ela nÃ£o ia negar.

Ashton esticou a sua mÃ£o, tentando nÃ£o reagir, enquanto os gÃ©meos fizeram turnos, quase partindo os seus dedos com o aperto. Refletindo a mÃ£o para que o sangue voltasse a fluir, sorriu e disse â Angel falou muito de vocÃªs. Ã bom conhecer os gÃ©meos, finalmente.

- EntÃ£o, a nossa pequena Angel falou-te dos primos com os seus beijos preferidos? â perguntou Damien com uma expressÃ£o sÃ©ria.

- Sim, tambÃ©m me contou do nariz a sangrar que ganhaste pelo esforÃ§o â disse Ashton com a mesma seriedade, se nÃ£o algum aborrecimento. Se estava destinado ativar a testosteronaâ¦ assim seja.

Tristian riu-se alto e deu uma palmada nas costas de Ashton. â Assim Ã© que Ã©, dÃ¡-lhe.

- EstÃ¡s a falar a sÃ©rio? â perguntou Stacey, rindo-se com Tristian enquanto se chegava a um dos copos de vinho que Devin acabara de servir.

- Completamenteâ¦ pelo que sei â Damien agarrou o seu copo e pousou-o. Era triste ver que Angel tinha conseguido arranjar outro guarda costas. A brigada Ã­ndia nÃ£o era suficiente?

Ignorando os gÃ©meos, Tristian deu uma pancadinha no ombro de Ashton para que ele parasse de o encarar. â Ali esta o tio Robert e a sua mulher, Dianne â apontou para o casal que estava a entrar para o jacuzzi. â Eles deixaram de ter filhos depois dos gÃ©meos, por algum motivo â tentou nÃ£o se rir quando aquilo arrancou um sorriso de Ashton.

- Quem Ã© o teu amigo? â Tiffany apareceu, colocando o seu joelho ao lado de Devin e inclinando-se como se estivesse aborrecida, mas curiosa. Ela usava um bikini azul bebÃ© que tinha vÃ¡rios nÃºmeros abaixo do que devia, com uma mera tira Ã  volta da sua cintura.

Ela beliscou Devin na orelha quando ele virou a cabeÃ§a para olhar para os seus seios.

- PÃ¡ra com isso, seu pervertido.

- Esquece isso, Tiff, ele estÃ¡ comprometido â disse Devin, com um tom de pena, depois piscou-lhe o olho â Parece que estÃ¡s presa a mim, afinal â Ele rosnou quando reparou em Damien a tentar beijar Stacey. â Raios, Damien, nÃ£o te consigo virar as costas por um minuto, pois nÃ£o?

Quando os gÃ©meos tentaram inclinar-se para discutir um com o outro, Stacey ainda estava entre eles. Ela colocou uma mÃ£o delicada em cada um dos seus ombros e empurrou. â Parem com isso ou eu juro que volto para casa de novo â avisou ela.

- Tiffany, apresento-te Ashtonâ¦ o convidado de Angel para a semana â Tristian passou o Ashton de namorado a convidado de propÃ³sito. Se Tiffany quisesse tentar a sua sorte com Ashton quem era ele para a impedir? â A Tiffany Ã© a prima mais nova e tem dois irmÃ£os algures por aqui.

- Eles estÃ£o na piscina com os amigos deles â Tiffany fez um beicinho sentindo-se tÃ£o amuada como Devin. Revirando os olhos, agarrou a mÃ£o de Devin e tirou-a da cadeira. â Andaâ¦ vamos molhar-nos.

- Claro â Devin deu uma palmada no rabo de Stacey quando enquanto a seguia em direÃ§Ã£o Ã  piscina.

Ashton levantou a sobrancelha, mas mordeu a lÃ­ngua, recusando dizer alguma coisa em voz alta. AlÃ©m disso, era provÃ¡vel que a famÃ­lia se juntasse toda contra ele se ele dissesse o que estava a passar pela sua mente.

Tristian apontou na direÃ§Ã£o da rapariga de cabelo negro a trepar a escada da prancha. â Aquela Ã© a Paris, a irmÃ£ mais velha de Tiffany. E o homem estranho que estÃ¡ a subir a escada com ela deve ser o seu novo brinquedo para durante a semana porque nunca o vi â ele virou-se na cadeira a olhar para a outra ponta da piscina. â E uma das duas pessoas aos beijos na secÃ§Ã£o infantil Ã© Jason, o irmÃ£o dela.

- O que Ã© que hÃ¡ no vinho, por aqui? â perguntou Ashton, esperando que parecesse uma piada.

- Porque Ã© que achas que eu nÃ£o o estou a beber? â Tristian sorriu, gostando cada vez mais de Ashtonâ¦ Ã s vezes, a vida nÃ£o prestava. â A mÃ£e deles deve aparecer em breve. Tia Carley â para que Damien nÃ£o ouvisse, inclinou-se para Ashton e acrescentou, num sussurro. â Isto Ã©â¦ se ela nÃ£o estiver demasiado bÃªbeda para andar.

- Aposto que Ã© aquela â Ashton acenou para a entrada, visto que a estava a examinar Ã  procura de Angel. A senhora de meia idade parecia-se com as raparigas, mas com o cabelo mais curto e demasiada maquilhagem. Ela tinha um aspeto cansadoâ¦ ou, espera um poucoâ¦ ela acabou de cambalear?

- Simâ¦ Ã© ela, aposto que vai direita ao Ã¡lcool â Tristian imitou o som de um sino de vitÃ³ria quando Carley tirou a garrafa whisky de Crown Royal do bar e a levou para a cadeira do lounge, sem se preocupar sequer com um copo.

- E quem Ã© aquela? â perguntou Ashton, apontando para a entrada, vendo uma rapariga perto da idade de Angel com cabelo longo e castanho e uma pele clara.

- Aquela Ã© a nossa outra prima â Tristian saiu da sua cadeira e encontrou a rapariga a meio caminho. Sabendo que isto iria tirar Ashton do sÃ©rio, ele baixou a cabeÃ§a, dando um longo e apaixonado beijo a Shae. Assim que achou ser suficiente para o espetÃ¡culo, respirou contra os lÃ¡bios dela. â NÃ£o te chateies, mas acabei de dizer ao namorado da Angel que tu Ã©s uma das nossas primas. Ele jÃ¡ caiu do acento?

Shae deu uma risada. â NÃ£o, mas ele Ã© sempre assim tÃ£o pÃ¡lido?

Tristian olhou por cima do seu ombro e quase se engasgou com o riso, quando Ashton olhou, instantaneamente, noutra direÃ§Ã£o como se nÃ£o tivesse estado a ver. â Ok, vamos acalmar o rapaz â Tristian guiou-a pela mÃ£o de volta para a mesa, reparando que Damien e Stacey tinham-se juntado a Devin na piscina.

- Esta Ã© a minha prima, Shae â ele agarrou as costelas quando Shae lhe deu uma cotovelada â Quero dizer, minha namorada, Shae â sorriu com ar culpado.

Ashton cruzou os braÃ§os e levantou a cabeÃ§a estudando-os â Onde estÃ¡ a tal irmÃ£ que tu tens? Sinto uma vontade sÃºbita de me esconder atrÃ¡s de alguÃ©m.

- O meu irmÃ£o estÃ¡ a dar-te problemas? â perguntou Angel diretamente atrÃ¡s dele. Ela estava a sorrir para Shae, tendo ouvido o comentÃ¡rio sobre ela ser uma prima.

- GraÃ§as a Deus â Ashton inclinou a cabeÃ§a para trÃ¡s, enquanto Angel se chegou para lhe dar um beijo suave nos lÃ¡bios. Ele ficou com ciÃºmes, de repente, porque nÃ£o teve nem metade da paixÃ£o do simples beijo que a viu dar a Hunter. â Eu sei que sÃ³ vou ter vinte e um anos daqui a umas horas, mas o teu irmÃ£o estÃ¡, seriamente, a tentar levar-me a beber.

Puxando-a para o seu lado, Ashton nÃ£o consegui evitar olhar para trÃ¡s dela para ver se o Ã­ndio andava a cheirar-lhe o rasto. Vendo um homem a inclinar-se contra um dos postes grossos do bar, fez uma careta, pensando que era Hunterâ¦ depois percebeu que nÃ£o era. Este homem era Ã­ndio, mas algo nele fÃª-lo parecer mais perigoso do que o que ele jÃ¡ tinha conhecido.

Ray nÃ£o se deu ao trabalho de desviar o olhar, em vez disso trancou o olhar com o namorado de Angel. Com um olhar frio, comeÃ§ou a andar direito a eleâ¦ sem nunca romper o contacto visual. Vendo Angel a seguir o olhar do rapaz, Ray suavizou a sua expressÃ£o para olhar para ela, nÃ£o querendo saber o que Ashton pensava dele.

O olhar de Angel iluminou-se instantaneamente â Olha, Ã© o Ray!

Ela comeÃ§ou a afastar-se de Ashton para que pudesse ir ter com ele, mas Ashton sÃ³ aumentou a forÃ§a com que agarrava a mÃ£o dela e fez com que ela parasse. Ela mordeu o seu lÃ¡bio inferior, com curiosidade, depois contentou-se com sorrir e esperar que Ray chegasse atÃ© ela.

Tristian reparou na manobra de mÃ£o pesada e a sua expressÃ£o endureceu. Angel iria querer um abraÃ§o de Ray depois de tanto tempo sem o ver, entÃ£o porque Ã© que Ashton estava a ser tÃ£o possessivo? Ele levantou-se pronto para informar Ashton de que ser uma besta nÃ£o era fixe, mas os seus lÃ¡bios formaram um sorriso quando Ray foi direito a Angel e lhe deu um abraÃ§o de qualquer maneira.

Pelo ar de infelicidade na cara de Ashton, Tristian esperou que este fosse o inÃ­cio de uma maravilhosa discussÃ£o.

- Ã bom ver-te de volta ao santuÃ¡rio â disse Ray, abraÃ§ando-a por uns segundos a mais do que o normal sÃ³ para irritar o namorado que nÃ£o desviava o olhar. AtÃ© foi um passo mais longe e beijou-lhe a bochecha antes de se afastar lentamente. Os seus olhos escureceram vÃ¡rios tons ao olhar para os, azuis, dela. â Se a tua mÃ£o ficar dormente diz-meâ¦ e eu parto-lhe os dedos.

- Ah? â Angel respirou, depois apercebeu-se do que ele estava a falar. Por acaso, a sua mÃ£o estava a ficar dormente. â Oh, nÃ£o â ela apertou a mÃ£o de Ashton como se a sua nÃ£o doesse, de todo, depois piscou um olho a Ray. â Ele nÃ£o me estÃ¡ a causar problemas. Este Ã© o meu namorado, Ashton.

Ela sorriu, reconfortando-o, sabendo que Ray partiria mesmo os dedos de Ash se ela tivesse dito algo de diferente. MantÃª-la em seguranÃ§a era uma coisa que ele sempre tinha feito.

Angel piscou os olhos, lembrando-se de uma dessas ocasiÃµes. Ray deu uma boa tareia a Hunter e a Tristian quando eles a convenceram a trepar o velho carvalho que ficava por cima do lago. Ele tinha-a proibido de o fazer muitas vezes antes e apareceu mesmo a tempo de a apanhar, quando ela caiu de um ramo alto que nÃ£o ficava por cima da Ã¡gua.

Ray ignorou completamente a introduÃ§Ã£o a Ashton. â Ã bom que tenhas voltado a casa, Angel. Talvez o desejo da tua avÃ³ se concretize e fiques aqui â ele chegou-se ao ouvido dela como se fosse sussurrar alguma coisa, mas manteve a voz alta o suficiente para que todos ouvissem. â Tenho uma surpresa para ti mais logo â Ray lanÃ§ou-lhe um sorriso cÃºmplice, depois acenou para Tristian e Shae. Sem dizer mais uma palavra, passou Ã  volta da enorme piscina e saiu pelo portÃ£o preto.

- Bem, isto moeu â lanÃ§ou Angel â Porque Ã© que ele nÃ£o ficou?

- Provavelmente, foi buscar a tua surpresa â encobriu Tristian, sabendo onde Ray tinha ido.

Virando-se para a mesa de picnic, Angel sentou-se ao lado de Ashton, esfregando a mÃ£o, distraidamente, quando ele a acabou por a largar. Ela queria perguntar porque Ã© que ele tinha apertado com tanta forÃ§a, mas decidiu nÃ£o o fazer quando olhou, atravÃ©s da mesa, para Shae. Se Ashton queria ser mauâ¦ entÃ£o podia sÃ³ ser ignorado. Ela queria celebrar, vendo a sua amiga favorita pela primeira vez desde que saiu da montanha.

- EntÃ£o? O meu irmÃ£o tem-se mesmo portado bem ou tÃªm-me mentido este tempo todo? - Perguntou Angel em tom de brincadeira.

- Provavelmente mentiu â Shae olhou para Tristian, depois piscou-lhe o olho ao levantar-se. â Acho que vou roubar a tua irmÃ£ por um minuto para pormos a conversa em dia.




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