A Oração
 Yeyazel







Yeyazel




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Ãndice




... DESDE O INÃCIO DOS TEMPOS  (#u75951841-d4c1-59e9-b958-52505d80495d)

NOSSA EVOLUÃÃO  (#u0620b2c9-dfb0-5c3a-a74b-6bb8259f10aa)

PEDIMOS   (#ua257e168-f66a-5dbc-a72f-a6434fda8565)

A NOSSA RESPONSABILIDADE  (#litres_trial_promo)

EM QUAL DIREÃÃO  (#litres_trial_promo)

NÃS NÃO PUDEMOS EXPULSÃ-LO  (#litres_trial_promo)

TUDO SE DEVE  (#litres_trial_promo)

REGRAS   (#litres_trial_promo)

IMAGINAÃÃO  (#litres_trial_promo)

LÃ EM CIMA ALGUÃM ESCUTA-ME  (#litres_trial_promo)

EXPIAÃÃO  (#litres_trial_promo)

A GOTA  (#litres_trial_promo)

VIBRAÃÃO  (#litres_trial_promo)

CLAREZA DE INTENÃÃES   (#litres_trial_promo)

MANTRA E REPETIÃÃES  (#litres_trial_promo)

... UMA ÃNICA COISA  (#litres_trial_promo)

ONDE HÃ ALEGRIA  (#litres_trial_promo)

NESTE MOMENTO   (#litres_trial_promo)

O AGLOMERADO   (#litres_trial_promo)





... DESDE O INÃCIO DOS TEMPOS











Minha casa Ã© pequena, mas suas janelas se abrem para um mundo infinito.

ConfÃºcio





O propÃ³sito deste livro Ã© simples, mostra um meio, o mais poderoso e eficaz, para mudar em qualquer Ã¡rea da prÃ³pria vida, para mudar qualquer situaÃ§Ã£o e para obter qualquer objetivo, estabelecido.

Isto na esfera das relaÃ§Ãµes humanas, portanto, a esfera familiar, o trabalho, o econÃ³mico, o social, em todos os campos de aÃ§Ã£o do nosso ser.

Tal meio o conhecem todos, realmente todos, Ã© algo que Ã© a heranÃ§a de toda a humanidade, ninguÃ©m excluÃ­do, mas, estranhamente, quase ninguÃ©m usa este meio.

Este instrumento muito poderoso Ã  nossa disposiÃ§Ã£o Ã© a oraÃ§Ã£o, esse tipo de comunhÃ£o entre os seres mortais e o reino dos divinos, e isso acontece desde o inÃ­cio dos tempos.

NÃ³s seres miserÃ¡veis, abandonados a forÃ§as externas que tememos e que nÃ£o conseguimos domar.

NÃ³s, seres pequenos numa imensidÃ£o de espaÃ§o, ou universo, infinita e minÃºsculos grÃ£os de areia Ã  mercÃª do capricho do destino.

Quem de nÃ³s, olhando para um cÃ©u estrelado numa noite clara, nÃ£o sentiu essa sensaÃ§Ã£o de microscÃ³pica e absoluta fraqueza diante dum cosmos tÃ£o vasto?

Quem entre nÃ³s, ouvindo sobre as figuras que compÃµem o universo criado, nÃ£o Ã© consternado diante da imensa vastidÃ£o que a rodeia?

Diante de tal magnificÃªncia, buscamos um lugar que nos tranquiliza, que nos traz serenidade e que nos proteja do inimigo mais implacÃ¡vel, do tempo.

O tempo, esta gaiola que prende a nossa existÃªncia, que limita o nosso ser; tudo isso diante duma vastidÃ£o de espaÃ§o considerada infinita e uma vastidÃ£o de tempo que tambÃ©m Ã© ilimitada, eterna.

Tudo isso, relacionado Ã  nossa limitada e minÃºscula existÃªncia terrena, cria e criou hÃ¡ milÃ©nios, um sentimento muito preciso, o medo.

O medo como um conjunto de sentimentos que o compÃµem, como sentir-se completamente indefeso diante do que nos acontece na vida, se sentir completamente perdidos, como seres nascidos e que vieram ao mundo e neste universo sem saber da maneira mais absoluta, podendo sÃ³ fazer hipÃ³teses.

Medo por causa da limitaÃ§Ã£o da nossa existÃªncia, que coincide com um comeÃ§o e um fim assustador.

E Ã© assim que toda a humanidade, em face de tanta dor interior, se fechou em si mesma e comeÃ§ou uma corrida louca em direÃ§Ã£o ao nada.

De fato, o objetivo dessa corrida nÃ£o Ã© tÃ£o importante quanto a velocidade tomada, o que nÃ£o nos permite perder-nos em nossos pensamentos e abandonar os nossos medos.

Porque Ã© por isso que basicamente nunca queremos parar e pensar, para nÃ£o ter medo.

NÃ£o Ã© de admirar que a ansiedade Ã© um dos males mais difundidos no mundo de hoje.

Mas, e aqui estÃ¡ a notÃ­cia positiva, hÃ¡ uma razÃ£o pela qual isso acontece e hÃ¡ um remÃ©dio.

A razÃ£o Ã© que perdemos de vista a parte divina de nÃ³s mesmos, esquecemos de ser feitos Ã  imagem e semelhanÃ§a de Deus.

Isto Ã© o que as religiÃµes ensinam, mas nÃ£o entendemos esse conceito.

Na verdade, fizemos o contrÃ¡rio, jÃ¡ que nÃ£o somos capazes de entender tudo isso, criamos uma figura oposta, ou seja, dum deus idoso e barbudo com um rosto severo, nÃ³s criamos esse Deus Ã  nossa imagem.

Esta Ã© a razÃ£o.

O remÃ©dio consiste em voltar Ã  parte divina de nÃ³s mesmos, que Ã© a Ãºnica receita verdadeira para nÃ£o se sentir mais sozinhos na imensidÃ£o que nos rodeia, mas para participar dela.

NÃ£o se sentir mais sozinhos e assustados, mas seguros e amados, protegidos e apreciados pela divindade.

NÃ£o vivendo vidas dolorosas, mas ricas e felizes.



Sair da lÃ³gica do tempo e do espaÃ§o porque somos seres eternos e infinitos.

Mas, como podemos conseguir tudo isso?

Como podemos nos reconetar Ã  parte divina de nÃ³s mesmos e do reino dos cÃ©us, a Deus e a todas as criaturas celestiais?

AtravÃ©s da oraÃ§Ã£o.

A oraÃ§Ã£o Ã© a maneira mais eficaz de alcanÃ§ar o divino.

A oraÃ§Ã£o Ã© a maneira mais eficaz de mudar as nossas vidas e mudar a nÃ³s mesmos.

Mas, como orar?

O objetivo deste livro Ã© esse, entender o que Ã© a oraÃ§Ã£o e como aplicÃ¡-la, a fim de alcanÃ§ar todas as mudanÃ§as que queremos, assim como felicidade e serenidade interior, amor e saÃºde.

Nenhuma forÃ§a ou coisa terrena pode dar-lhe as certezas, paz e seguranÃ§a que o CÃ©u pode dar-lhe.

E, se vocÃª nem acredita numa divindade, quanto mais assustadoras deverÃ£o ser vossas existÃªncias?

Ã claro que, como estamos num mundo terreal, Ã© certo que nele podemos viver em paz, viver vidas alegres e felizes.

Ã correto poder viver com dignidade e, para isso, precisamos de dinheiro.

O dinheiro nÃ£o Ã© nada demonÃ­aco, na verdade, Ã© o uso que podemos fazer com isso.

Mas isso Ã© vÃ¡lido para tudo, eu posso usar uma faca para descascar uma maÃ§Ã£ ou machucar uma pessoa, eu posso usar um veneno para curar ou matar e assim por diante.

Estas sÃ£o as premissas, isto Ã© o que espera-vos e espero com toda a minha alma, de poder animar, com as palavras do CÃ©u fluindo dentro de mim, o vosso coraÃ§Ã£o.

Espero que vocÃªs nÃ£o vÃ£o  apenas se limitar a ler este livro, mas que o usem.

E espero, na verdade, neste caso, tenho certeza de que vocÃª receberÃ¡, graÃ§as Ã  prÃ¡tica, o que deseja.

Quero fazer um esclarecimento final, para terminar e deixar-vos ao resto do livro.

Em primeiro lugar, nÃ£o sou professor, nem guru, nem aspirai a ser-lo, entÃ£o, de maneira alguma, quero que entre vocÃªs houvessem quem pensasse nestes termos.

Eu nÃ£o sou nada mais do que uma pessoa como todos vocÃªs, que decidiu escrever este livro, colocando o que Ã© a prÃ³pria experiÃªncia de vida, as coisas aprendidas, o que sente dentro do c oraÃ§Ã£o e, por que nÃ£o, tambÃ©m com a prÃ³pria imaginaÃ§Ã£o criativa.

O que eu digo neste livro pode ressoar em vocÃªs ou pode ser considerado uma sÃ©rie de conversas inÃºteis.

Mas, acima de tudo, o que eu digo sÃ£o coisas que cada um de vocÃªs, no fundo de si mesmo, jÃ¡ sabe, sem a necessidade que alguÃ©m as ensine, no caso, hÃ¡ apenas a necessidade de relembrar-vos.

Eu escrevo o que o meu coraÃ§Ã£o entendeu e, se vocÃªs leem com o coraÃ§Ã£o, sem duvidas, tambÃ©m entenderÃ£o.

Deixai-vos acompanhar entÃ£o na redescoberta dum poder excecional, capaz de transformar completamente as suas vidas.








NOSSA EVOLUÃÃO











Na minha vida se concretizaram muitas coisas pelas quais nutria um desejo intenso,

mas que nunca poderia ter alcanÃ§ado somente com as minhas prÃ³prias forÃ§as.

E isso occorreu em resposta Ã  minha oraÃ§Ã£o.

Mahatma Gandhi

































A oraÃ§Ã£o Ã© algo que nasce, muito provavelmente, no momento em que o homem nasce.

A histÃ³ria da humanidade pode ser comparada Ã  existÃªncia dum Ãºnico indivÃ­duo, de modo que a evoluÃ§Ã£o que acompanha a raÃ§a humana pode ser comparada Ã  existÃªncia dum indivÃ­duo em crescimento que se torna adulto desde a infÃ¢ncia.

E, no alvorecer da existÃªncia humana, podemos comparÃ¡-lo a um recÃ©m-nascido, completamente Ã  mercÃª de tudo, indefeso e nÃ£o autossuficiente.

O recÃ©m-nascido precisa de seguranÃ§a e amor, precisa ser acompanhado, seguido, nÃ£o tem capacidade, necesita de orientaÃ§Ã£o.

E a humanidade recÃ©m-nascida tinha tais necessidades, era impotente em comparaÃ§Ã£o a um mundo hostil e misterioso, cujas forÃ§as eram assustadoras e incontrolÃ¡veis.

O mundo ao redor era visto como perigoso e, a divindade ou as divindades, eles eram poderes dos qual ter medo.

As oraÃ§Ãµes, naquele estÃ¡gio de desenvolvimento da religiÃ£o, quais sÃ£o as religiÃµes animistas que ainda sobrevivem em certas tribos primitivas, as poucas ainda existentes, tinham como objetivo aplacar a sua ira.

Os deuses eram poderosos e caprichosos e a oraÃ§Ã£o era uma esperanÃ§a para evitar a fÃºria destrutiva.

O homem era um brinquedo nas mÃ£os de poderes dominantes todo o universo e, como tal, completamente Ã  mercÃª do humor das divindades, como uma crianÃ§a que, sem razÃ£o, destrÃ³i o que ele havia criado anteriormente.

Mais tarde a humanidade, continuando a evoluir, como uma crianÃ§a que, gradualmente, adquire novas habilidades e maior independÃªncia, encontra-se diante dum novo passo de desenvolvimento religioso, aquele que nasce com os SumÃ©rios, a religiÃ£o mÃ£e do judaÃ­smo e Antigo Testamento, como evidenciado pelo fato de que AbraÃ£o, ancestral da raÃ§a judaica, era de Ur, primeiro das cidades sumÃ©rias e depois babilÃ³nicas.

Vamos deixar as religiÃµes orientais que seguiram um curso diferente, todas desenvolvidas a partir do hinduÃ­smo que, com toda a probabilidade, era anterior Ã  sumÃ©ria e era a Ãºnica religiÃ£o, apÃ³s a qual houve uma divisÃ£o entre hinduÃ­smo, mais focada no mundo espiritual onde a existÃªncia terrena era vista como ilusÃ³ria, e a sumÃ©ria que era baseada no mundo material e em como intervir no mundo material, graÃ§as aos poderes do mundo divino.

O que muda, entÃ£o, com o advento dessa nova religiÃ£o que se diversificou entre os vÃ¡rios cultos, incluÃ­do o judaÃ­smo.

Muda a conceÃ§Ã£o da divindade.

A divindade ainda Ã© vista como poderosa e muitas vezes, caprichosa, imprevisÃ­vel e irascÃ­vel, mas o homem tenta, por meio da oraÃ§Ã£o, de agradar os seus favores.

Se antes a divindade era uma fÃºria cega, dispensadora de vida e morte a seu gosto, agora se transformou num Deus que, se tratado com os meios necessÃ¡rios, tambÃ©m pode ajudar o homem individual e as vÃ¡rias raÃ§as humanas.

Nasce a Ã©tica comportamental, pela qual atravÃ©s da retidÃ£o, nos tornamos simpÃ¡ticos aos olhos divinos e, portanto, merecedores.

O mesmo da crianÃ§a que percebe que, com certos comportamentos, ele Ã© repreendido, punido ou atÃ© espancado, enquanto com outros ele deixa os seus pais satisfeitos.

Por acaso, os SumÃ©rios iniciam a histÃ³ria e acabam com a prÃ©-histÃ³ria, e isso Ã© estabelecido por causa da primeira evidÃªncia escrita, que nada mais era do que um cÃ³digo de conduta, a famosa lei do olho por olho, dente por dente.

Se vocÃª arrancar o olho de alguÃ©m, o seu vai ser arrancado, uma lei simples, mas muito comum, na mente das crianÃ§as e, infelizmente, atÃ© hoje em muitos adultos.

A crianÃ§a raciocina dessa maneira, se receber um chute, para ele Ã© correto devolvÃª-lo, se um jogo for roubado, ele se sente no direito de roubar para contrabalanÃ§ar o mal sofrido.

EntÃ£o a oraÃ§Ã£o ainda Ã© dominada pelo medo em relaÃ§Ã£o a uma divindade perigosa, mas permeada pela esperanÃ§a de ser capaz de agrada-la.

O prÃ³prio Deus segue a mesma evoluÃ§Ã£o humana, passando de caprichoso a Ã©tico, se tratado com os modos devidos.

O Ãºltimo verdadeiro desenvolvimento religioso, aquele que deveria representar a transiÃ§Ã£o duma humanidade crianÃ§a para uma humanidade adolescente, iniciada em direÃ§Ã£o ao estÃ¡gio adulto, Ã© o cristianismo, o advento de Cristo.

Nesta perspetiva, Cristo transtorna completamente toda a humanidade porque apresenta-se ainda poderoso e, portanto, capaz de fazer milagres, mas que se deixa matar sem mostrar a sua forÃ§a.

A doutrina de Cristo incide sobre o amor incondicional, ela ensina a abandonar a  Lei da RetaliaÃ§Ã£o , a parar de reagir, a parar de retaliar em virtude dum amor superior.

Ela nos ensina a parar de procurar as causas externas, nos outros, mas em olhar para dentro de cada um de nÃ³s, parar de julgar os outros, mas julgar a si mesmo.

Mas este ensinamento requer que a humanidade assuma a responsabilidade e passe do estÃ¡gio infantil que precisa dos pais para o adulto autossuficiente.

âOuvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porÃ©m, vos digo que nÃ£o resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe tambÃ©m a outra; E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a tÃºnica, larga-lhe tambÃ©m a capa; E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. DÃ¡ a quem te pedir, e nÃ£o te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.â (Mateus 5:38-42)

Por que Cristo ensina tudo isso?

EstÃ¡ fora de qualquer lÃ³gica, que vantagem poderÃ­amos receber de tal comportamento?

PorÃ©m  hÃ¡ uma razÃ£o e Ã© muito importante : âSede, pois, misericordiosos, como tambÃ©m vosso Pai Ã© misericordioso. NÃ£o julgueis, e nÃ£o sereis julgados; nÃ£o condeneis, e nÃ£o sereis condenados; soltai, e soltar-vos-Ã£o. Dai, e ser-vos-Ã¡ dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarÃ£o no vosso regaÃ§o; porque com a mesma medida com que medirdes tambÃ©m vos medirÃ£o de novo.â (Lucas 6:36-38).

O que tudo isso significa?

Significa que o que nos acontece nÃ£o depende de circunstÃ¢ncias externas, mas Ã© criado por nÃ³s, pelo que somos dentro de nÃ³s mesmos.   Se formos irascÃ­veis, por exemplo, continuaremos a viver situaÃ§Ãµes em que tal irascibilidade continuarÃ¡ a sair e nos cercar como uma sÃ©rie de eventos no curso da nossa existÃªncia.

Em outras palavras, a nossa irascibilidade atrairÃ¡ ainda mais irascibilidade, a fim de se manifestar, jÃ¡ que Ã© o que escolhemos ser.

Se somos pobres, mas mais que se-lo, acreditamos que somos pobres, nÃ³s nÃ£o faremos nada alÃ©m de atrair mais pobreza ao nosso redor.

Se odiarmos o nosso prÃ³ximo, continuaremos a viver tal Ã³dio em relaÃ§Ã£o a nÃ³s, porque Ã© o que escolhemos viver, por outro lado, se vivemos em amor, o amor Ã© o que serÃ¡ devolvido a nÃ³s e em abundÃ¢ncia.

Esta Ã© a promessa de Cristo, que nos aproxima da divindade como os seus filhos e nÃ£o como brinquedos em suas mÃ£os.

âPortanto, sejam perfeitos como perfeito Ã© o Pai celestial de vocÃªsâ(Mateus 5:48), esta Ã© a exortaÃ§Ã£o, tornar-se a imagem e semelhanÃ§a da divindade, tornando-se co-criadores da existÃªncia .

A vida se manifesta ao nosso redor da maneira exata em que acreditamos que Ã©, os pensamentos predominantes em nÃ³s, serÃ£o aqueles que formarÃ£o predominantemente o que nos rodeia, de acordo com o antigo axioma "como acima, assim abaixo".

E como a oraÃ§Ã£o desenvolve, chegados a este ponto?

âE eu vos digo a vÃ³s: Pedi, e dar-se-vos-Ã¡; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-Ã¡;

Porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate abrir-se-lhe-Ã¡.â  (Lucas 11, 9-10).

Aqui, entÃ£o, estÃ¡ o verdadeiro papel da oraÃ§Ã£o, a de se conectar com o cÃ©u e ser capaz de obter, de poder mudar as prÃ³prias existÃªncias, de poder desejar o que se deseja.
















PEDIMOS











NinguÃ©m se cansa de ser ajudado.

A ajuda Ã¨ um ato conforme com a natureza.

NÃ£o se canse de recebÃª-lo ou emprestÃ¡-lo.

Marco AurÃ©lio





































NÃ³s, homens, nos comportamos de maneira bastante bizarra no campo da oraÃ§Ã£o, ou, mais simplesmente, em pedir.

GostarÃ­amos de vidas diferentes, temos desejos, sonhos, esperanÃ§as, metas, objetivos ou desejo de ter mais ou melhor, mas, apesar de tudo isso, nÃ£o pedimos, nem a Deus nem a nÃ³s mesmos.

O que diz respeito Ã  melhoria da nossa existÃªncia parece nos fazer sentir vergonha, vergonha de ter mais do que outros, de ter sucesso onde os outros falham, de mostrar a riqueza diante de um mundo cheio de pobreza.

Por um lado, queremos mostrar aos nossos vizinhos que podemos pagar o mais recente modelo de smartphones, o modelo mais recente de TV ou fÃ©rias caras, que, para obtÃª-los, recorremos frequentemente a vÃ¡rios financiamentos; por outro lado, porÃ©m, nos sentimos desconfortÃ¡veis nÃ£o apenas diante de nÃ³s, em vez do vizinho ou daqueles que, como nÃ³s, ostentam tais confortos, temos o pobre homem, o mendigo, o vagabundo de plantÃ£o.

Na frente do nosso prÃ³ximo, estamos competindo para nÃ£o ser rotulados como pobres, dentro de nÃ³s mesmos, no entanto, nos sentimos culpados por ter mais do que outros.

Sempre carregamos essa nossa culpa, essa nossa vergonha, embora nem sempre Ã  luz do sol; mas sempre como a nossa companheira de vida que sempre tende a julgar e menosprezar, especialmente quando queremos mais para nÃ³s mesmos.

EntÃ£o acontece que nÃ³s contentamos; em vez de querer, por exemplo, ganhar milhÃµes de euros, Ã© suficiente ter o necessÃ¡rio para poder pagar o emprÃ©stimo, a comida, alguma diversÃ£o e para guardar um pouco de dinheiro; em vez de aspirar a altos picos, estamos satisfeitos em estar um pouco acima do nÃ­vel do mar.

E em vez de olhar para o topo da montanha diante de nÃ³s, como um estÃ­mulo para querer conquistÃ¡-la, explorÃ¡-la, para ver que tesouros ela pode esconder, olhamos para aqueles que estÃ£o aos pÃ©s da montanha e nÃ£o tÃªm a capacidade de subir.

Por um lado, acreditamos que temos uma espÃ©cie de compaixÃ£o por eles, por outro, na realidade, temos o medo insano de sermos como eles, de rolar para baixo da montanha e de nÃ£o poder voltar atrÃ¡s.

NÃ£o ser mais capaz de escalÃ¡-la, porque agora nÃ£o somos mais tÃ£o jovem quanto quando a escalamos pela primeira vez, agora nÃ£o somos mais capazes de fazer esses sacrifÃ­cios que serviram para chegar aonde chegamos; nÃ£o ser mais capaz porque cheio de gente que aspira a subir e que nÃ£o teremos espaÃ§o suficiente para emergir, para passar adiante, ou, ainda mais simplesmente, incapazes porque nos encontramos lÃ¡ sem fazer nada, para ter nascidos felizmente mais acima da massa.

A crise que surgiu nos paÃ­ses industrializados Ã© a prova tangÃ­vel e evidente desse medo; os suicÃ­dios daqueles que se viram tendo tanto para nÃ£o ter mais nada mostram todos os medos que eu mencionei, nÃ£o ser mais capaz de ver possibilidades.

Vivemos num mundo onde a mensagem de evitar o egoÃ­smo em favor doutros Ã© instilada desde a infÃ¢ncia; por exemplo, em compartilhar o nosso jogo com alguÃ©m mesmo se nÃ£o quisermos, em evitar gritos e certos tipos de comportamento em favor dum decoro ou respeito comum, a nos ver negado algo porque nÃ£o podemos ter tudo da vida.

Mas quem decidiu que nÃ£o podemos ter tudo da vida?

NÃ£o interpretem-me mal, nÃ£o digo que nÃ£o seja correto compartilhar com os outros, mas isso deve ser um passo evolutivo espontÃ¢neo da crianÃ§a.

A crianÃ§a deve querer fazÃª-lo porque ele entende por si mesmo que Ã© certo, nÃ£o deve ser imposto.

Mas isso deve necessariamente passar antes do egoÃ­smo de alguÃ©m.

O egoÃ­smo nÃ£o Ã© errado, pelo contrÃ¡rio, Ã© o trampolim para o altruÃ­smo, Ã© necessÃ¡rio para a formaÃ§Ã£o do amor-prÃ³prio, um elemento indispensÃ¡vel de cada pessoa.

O egoÃ­smo Ã© saudÃ¡vel, perverso Ã© apenas o seu excesso.

O egoÃ­smo serve-nos principalmente para a sobrevivÃªncia, somos indivÃ­duos Ãºnicos e temos o direito de viver como qualquer outra pessoa e qualquer outro ser vivo; e quem farÃ¡ esse trabalho, o de nos manter vivos?

No inÃ­cio da nossa vida, quando somos pequenos e indefesos, sÃ£o nossos pais que se encarregam dessa tarefa, eles sÃ£o felizes, porque Ã© bom cuidar doutra vida, especialmente se ela foi gerada por nÃ³s.

Isso Ã© altruÃ­smo, mas isso acontece, na verdade, nÃ£o quando somos crianÃ§as, mas como adultos.

AtÃ© que um se torne um adulto, os pais cuidam da sobrevivÃªncia, mas gradualmente a crianÃ§a cresce, cada vez mais comeÃ§a a ter independÃªncia e, portanto, tambÃ©m Ã© responsÃ¡vel por si e por sua prÃ³pria proteÃ§Ã£o.

E, como adultos, o fardo da responsabilidade estÃ¡ completamente nas mÃ£os do indivÃ­duo que, se tiver seguido um desenvolvimento harmonioso do amor-prÃ³prio, do egoÃ­smo sadio mencionado acima, estÃ¡ plenamente desenvolvido.

Mas a nossa sociedade mostra ao invÃ©s e inexoravelmente que isso nÃ£o acontece para quase toda a populaÃ§Ã£o.

Se, por um lado, o instinto de sobrevivÃªncia funciona ao nÃ­vel do perigo iminente, ou seja, presto atenÃ§Ã£o a tudo o que poderia matar-me rapidamente, por exemplo, atravessar a rua com cuidado para nÃ£o ser atropelado por um carro, ou evitar comportamentos arriscados, como se sobressair duma varanda ou comer alimentos conspÃ­cuos e deteriorados, por outro lado, temos no nÃ­vel social toda uma sÃ©rie de comportamentos autodestrutivos do nosso corpo e de nÃ³s mesmos.

Um exemplo para todos, para ser claro e nÃ£o ir longe demais com tantos exemplos, o hÃ¡bito de fumar ou o de Ã¡lcool.

Perfeito comportamento completamente contra a natureza, porque nenhum ser na natureza vai contra o seu prÃ³prio instinto de preservaÃ§Ã£o da sua individualidade ou da sua espÃ©cie.

Qualquer um, atÃ© mesmo as crianÃ§as das escolas primÃ¡rias podem entender que, se tais vÃ­cios nÃ£o trazem nenhum benefÃ­cio, mas sim, sÃ³ mais ou menos graves e incapacitantes doenÃ§as, atÃ© a morte, sÃ£o coisas para evitar absolutamente.

O fumante ou o alcoÃ³latra tambÃ©m entende isso perfeitamente, embora busque desculpas para evitar tal argumento, essa responsabilidade com ele mesmo, como, por exemplo, "eu terei que morrer de alguma coisa", ou "tanto o ar estÃ¡ cheio de venenos".

Mas a verdade Ã³bvia Ã© que Ã© melhor evitar qualquer coisa que aproxime-me da morte, o que faz-me envelhecer, o que torna-me invÃ¡lido de alguma forma.

Isto porque ninguÃ©m Ã© feliz quando nÃ£o Ã© capaz de fazer algo porque jÃ¡ nÃ£o tem forÃ§as ou capacidades, ninguÃ©m vive bem se estÃ¡ doente e qualquer um, por quanto possa fazer o forte e o modelo fora da lei dos antigos filmes de Faroeste, fica aterrorizado com a aproximaÃ§Ã£o da morte.

No entanto, isso, como muitos outros comportamentos autolesivos, Ã© a norma em nossa sociedade.

Por quÃª?   Por nÃ£o termos amor-prÃ³prio, nÃ£o fomos capazes de desenvolver esse egoÃ­smo saudÃ¡vel, necessÃ¡rio e vital quando Ã©ramos crianÃ§as.

NÃ£o fomos bem sucedidos porque tudo o que nos rodeia contribuiu para garantir que nos faltasse tal autoestima, atÃ© os nossos pais, os nossos primeiros e essenciais modelos, careciam de autoestima, porque, como nÃ³s, sofriam exatamente o mesmo tratamento, na Ã©poca das suas infÃ¢ncias.

E a falta de amor-prÃ³prio tem sido a base de todos os outros problemas que trouxemos connosco desde entÃ£o, que foram se diversificando de indivÃ­duo para indivÃ­duo.

EntÃ£o, alguÃ©m escolheu reagir violentamente e se tornou um criminoso; alguÃ©m decidiu nÃ£o encarar a situaÃ§Ã£o e, em algum momento da sua vida, encontrou-se com ansiedade e ataques de pÃ¢nico; outra pessoa decidiu nÃ£o merecer nada e tornou-se um indivÃ­duo sem sonhos, sem esperanÃ§as.

No curso da nossa existÃªncia, os problemas foram diversificados e cada um os enfrentou de forma diferente, mas a base comum Ã© a falta de amor.

E a falta de amor Ã© preenchida pelo oposto do amor, o medo, tambÃ©m uma palavra que une toda uma sÃ©rie de problemas, distÃºrbios e maneiras diferentes de reagir.

Se existe amor por nÃ³s mesmos, hÃ¡ seguranÃ§a, enquanto inseguranÃ§a Ã© medo.

Onde hÃ¡ paz, serenidade, alegria e felicidade, graÃ§as ao amor, a falta disso se torna inquietude, pessimismo, resignaÃ§Ã£o, tristeza, ou seja, sempre medo.




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