Depressão
Juan Moisés De La Serna






DepressÃ£o

Quando a tristeza se torna patolÃ³gica



Dr. Juan MoisÃ©s de la Serna



Traduzido por Rosane Bujes



Copyright Â© 2018




PrefÃ¡cio


Na vida ocorrem acontecimentos, fatos positivos e negativos, que influenciarÃ£o a nossa forma de pensar e de nos comportar, mas tambÃ©m na maneira como nos sentimos.

A tristeza normalmente provÃ©m de uma perda ou de um acontecimento que nos parece negativo ou, simplesmente, porque nÃ£o cumpriram nossas expectativas.

Esta tristeza pode ser passageira, durando apenas horas, dias ou atÃ© mesmo semanas. PorÃ©m, quando esta tristeza se prolonga e muda a nossa forma de sentir, pensar e agir, pode ser que estejamos diante de um problema mais grave, ou seja, a DepressÃ£o.




Ãndice




PrefÃ¡cio (#u72b6e9e2-2410-5a02-a3e8-0cf74745d86a)

CapÃ­tulo 1. Tristeza (#uf0da7f13-46d8-5e48-934d-3236ed31e859)

CapÃ­tulo 2. Luto (#udceebeed-36d7-5076-85a5-e8682700236f)

CapÃ­tulo 3. Distimia (#u64af2b8e-86d2-595e-b40f-8ae9812de896)

CapÃ­tulo 4. DepressÃ£o Sazonal (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 5. DepressÃ£o PÃ³s-Parto (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 6. Transtorno de DepressÃ£o Maior (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 7. Origem da DepressÃ£o (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 8. Tratando a DepressÃ£o (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 9. FamÃ­lia e DepressÃ£o (#litres_trial_promo)

Sobre Juan MoisÃ©s de la Serna (#litres_trial_promo)



Dedicado aos meus pais




Agradecimentos


Aproveito aqui para agradecer a todos que colaboraram contribuindo na elaboraÃ§Ã£o deste texto, especialmente Ã  Dra. Mayca MarÃ­n Valero, psicÃ³loga e chefe de Treinamento na FederaÃ§Ã£o Espanhola de Parkinson e ao Dr. FerrÃ¡n PÃ¤drÃ³s BlÃ¡zquez, professor da Universidade Michoacana de San NicolÃ¡s de Hidalgo (MÃ©xico).




Aviso Legal


A reproduÃ§Ã£o total ou parcial deste livro nÃ£o Ã© permitida, nem sua incorporaÃ§Ã£o em um sistema de computador, ou transmissÃ£o de qualquer forma ou por qualquer meio, seja eletrÃ´nico, mecÃ¢nico, por fotocÃ³pia, gravaÃ§Ã£o ou outros meios, sem a autorizaÃ§Ã£o prÃ©via e por escrita do editor. A violaÃ§Ã£o desses direitos mencionados pode constituir um delito contra a propriedade intelectual.

Caso deseja fotocopiar ou escanear alguma parte desta obra, dirija-se a CEDRO (Centro EspaÃ±ol de Derechos ReprogrÃ¡ficos). VocÃª pode entrar em contato com CEDRO atravÃ©s do site www.conlicencia.com ou pelo telefone 91 702 19 70 / 93 272 04 47.



Â© Juan MoisÃ©s de la Serna, 2018




CapÃ­tulo 1. Tristeza


Um dos problemas mais comuns que vemos em uma consulta Ã© relacionado com as emoÃ§Ãµes, seja por excesso de ativaÃ§Ã£o, no caso do estresse e da ansiedade ou por sua inibiÃ§Ã£o, no caso de tristeza e depressÃ£o.

NÃ£o se trata apenas de que as pessoas estejam mais sensÃ­veis a estes problemas, e, portanto, procuram com maior frequÃªncia a consulta psicolÃ³gica; senÃ£o que sÃ£o os problemas mais comuns sofridos. Muito mais do que qualquer outro transtorno na Ã¡rea de saÃºde mental.

A tristeza Ã© um estado pelo qual a pessoa deixa de se sentir âplenaâ ou pelo menos ânormalâ. Ã considerada uma das emoÃ§Ãµes bÃ¡sicas, juntamente com a felicidade ou o medo.

Existem muitas razÃµes que podem causar tristeza, podendo ser desde a perda de um ente querido atÃ© o fato de nÃ£o alcanÃ§ar um objetivo desejado. Mas talvez a mais grave Ã© a presenÃ§a de uma doenÃ§a, principalmente, se esta doenÃ§a Ã© incurÃ¡vel ou crÃ´nica.

HÃ¡ muito tempo, deixou-se de discutir a relaÃ§Ã£o entre a saÃºde fÃ­sica e a mental. HaverÃ¡ um efeito direto no estado de Ã¢nimo da pessoa que sofre de um mal fÃ­sico e, consequentemente, as demais Ã¡reas tambÃ©m serÃ£o atingidas, inclusive a forma em que a pessoa se relaciona com as pessoas e consigo mesma.

Quando uma pessoa se sente mal, por exemplo, por sofrer uma enfermidade crÃ´nica, o seu humor pode mudar significativamente, podendo levar o paciente a ter uma depressÃ£o.

Mas quando os sintomas da depressÃ£o aparecem, a situaÃ§Ã£o piora jÃ¡ que os efeitos sÃ£o fortes, reduzindo a qualidade de vida e o Ã¢nimo da pessoa. AlÃ©m de afetar tambÃ©m o sistema imunolÃ³gico, o que leva o paciente a um cÃ­rculo vicioso.

Quanto pior o paciente estÃ¡ fisicamente, pior se sente psicologicamente e, quanto maiores os sintomas depressivos, pior responderÃ¡ o corpo. Ao contrÃ¡rio, de facilitar a recuperaÃ§Ã£o irÃ¡ prejudicÃ¡-la.

As consequÃªncias deste cÃ­rculo vicioso Ã© um agravamento dos sintomas, piorando a qualidade de vida do paciente, fazendo com que seja menos tolerante ao que acontece e, portanto, tendo um pior prognÃ³stico comparado com outro paciente que nÃ£o tenha os mesmos sintomas depressivos.

DaÃ­ a importÃ¢ncia de detectar os primeiros sintomas da depressÃ£o, para poder tratÃ¡-los logo que possÃ­vel para que nÃ£o avance e prejudique ainda mais a saÃºde do paciente. Precisamente no tratamento encontramos uma das grandes dificuldades, pois Ã s vezes o farmacolÃ³gico Ã© incompatÃ­vel com a doenÃ§a crÃ´nica. EntÃ£o, serÃ¡ preciso focar-se, exclusivamente, na Ã¡rea psicolÃ³gica. Mas quantas pessoas que sofrem de uma doenÃ§a crÃ´nica tÃªm depressÃ£o?

Exatamente a isso, pretendia responder a pesquisa realizada pelo Departamento de enfermagem de saÃºde comunitÃ¡ria, o ColÃ©gio UniversitÃ¡rio Al Farabi, a Faculdade de Enfermagem da Universidade da JordÃ¢nia, a Faculdade de enfermagem da Universidade do Rey Saud e o Centro de cÃ¢ncer do Rei Hussein (JordÃ¢nia), recentemente publicada na revista cientÃ­fica de Psicologia, em 2014.

Envolveu oitocentos e seis pacientes, dos quais 45% eram mulheres. Todos eles estavam sofrendo de uma doenÃ§a crÃ´nica pelo menos nos Ãºltimos seis meses, tal como: diabete tipo II, artrite reumatoide, enfermidades cardiovasculares, cÃ¢ncer ou doenÃ§as pulmonares.

Foram excluÃ­dos do estudo pessoas que jÃ¡ tinham um histÃ³rico de problemas de saÃºde mental anterior.

Foram usados seis questionÃ¡rios traduzidos para o Ã¡rabe, o Multidimensional Scale of Perceived Social Support, para analisar a percepÃ§Ã£o de apoio social dos pacientes, o Beck Depression Inventory-II (BDI-II), para avaliar a presenÃ§a de sintomas depressivos, o Psychological Stress Measure (PSM), para avaliar os nÃ­veis de ansiedade, o COPE Inventory, para avaliar a gestÃ£o do stress, o Life Orientation Test (LOT-R), para verificar os nÃ­veis de otimismo e o Sastisfaction with Life Scale para os nÃ­veis de satisfaÃ§Ã£o com a vida.

Os resultados indicam que metade dos pacientes com doenÃ§as crÃ´nicas apresentam sintomas depressivos, 27% deles sÃ£o leves e 31% sÃ£o moderados.

Da mesma forma, esses pacientes em metade dos casos mostram baixos nÃ­veis de otimismo, com uma capacidade moderada para gerenciar stress, apesar de que possuam altos nÃ­veis de satisfaÃ§Ã£o com sua vida, nÃ­veis moderados de stress e baixos nÃ­veis de percepÃ§Ã£o de apoio social.

Devemos lembrar que esses resultados foram obtidos atravÃ©s de questionÃ¡rios respondidos pelos prÃ³prios pacientes, portanto, alguns resultados sÃ£o melhores do que o esperado com respeito Ã  satisfaÃ§Ã£o com a vida ou com os nÃ­veis de stress.

Uma das limitaÃ§Ãµes do estudo Ã© precisamente a populaÃ§Ã£o, objeto de anÃ¡lise, ou seja, somente os pacientes de uma populaÃ§Ã£o muito especÃ­fica foram considerados, tais como eram os habitantes da JordÃ¢nia, uma cidade com uma cultura, uma religiÃ£o e idiossincrasia particular, o que faz com que seja necessÃ¡ria uma nova pesquisa a respeito para poder comprovar se os resultados permanecem idÃªnticos em outras populaÃ§Ãµes.

Da mesma forma, haver reunido dentro do grupo de estudo, pacientes com diagnÃ³sticos de enfermidades graves tÃ£o diferentes e com prognÃ³sticos tÃ£o distintos, como por exemplo, o de diabete e de cÃ¢ncer, podem haver afetado os resultados.

Seria melhor escolher um Ãºnico grupo de enfermos crÃ´nicos e observar entre eles, o nÃºmero de pessoas que padecem sintomas de depressÃ£o, jÃ¡ que a informaÃ§Ã£o obtida a respeito teria maior validade ecolÃ³gica.

Outra limitaÃ§Ã£o do estudo tem origem na exclusÃ£o de pacientes com enfermidades crÃ´nicas que tambÃ©m padecem de alguma psicopatologia, o que agravaria ainda mais o prognÃ³stico.

Apesar das limitaÃ§Ãµes comentadas, o estudo mostra um elevado Ã­ndice de pacientes crÃ´nicos com sintomatologia depressiva, muitas vezes, nÃ£o diagnosticadas ou tratadas, o que prejudica a qualidade de vida do paciente.

Devido a importÃ¢ncia da depressÃ£o na saÃºde, quer seja sofrendo ou nÃ£o de uma doenÃ§a crÃ´nica, o que afeta o desempenho em tudo o que a pessoa faz, a ciÃªncia mÃ©dica investigou os fatores que poderiam favorecer ou proteger a pessoa de sofrer uma depressÃ£o e, no caso de padecer de depressÃ£o, quais os fatores que ajudam a superÃ¡-la.

A rede social de apoio tem sido considerada fundamental tanto na prevenÃ§Ã£o quanto na recuperaÃ§Ã£o de uma pessoa com depressÃ£o.

Sabe-se tambÃ©m que existem outras circunstÃ¢ncias que podem favorecer a depressÃ£o, tais como a ruÃ­na econÃ´mica, a perda afetiva e atÃ© mesmo a perda de emprego.

Esses gatilhos podem gerar um perÃ­odo razoÃ¡vel de dor, ou se tornar crÃ´nicos, transformando-se em uma verdadeira depressÃ£o maior.

Ã preciso considerar que a depressÃ£o tem trÃªs componentes: o afetivo, o comportamental e o cognitivo. Estes fatores estÃ£o intimamente interligados, de tal forma que realizam sua auto-alimentaÃ§Ã£o, formando um cÃ­rculo vicioso difÃ­cil de quebrar sem ajuda terapÃªutica especializada.

No caso deste terceiro, os pensamentos tornam-se catastrÃ³ficos, pessimistas e sem uma soluÃ§Ã£o para a situaÃ§Ã£o atual.

PorÃ©m, quando uma pessoa estÃ¡ exposta a uma realidade desfavorÃ¡vel, os pensamentos catastrÃ³ficos coincidem com sua realidade, o que reforÃ§a seus pensamentos e favorece o aparecimento da depressÃ£o. EntÃ£o, existe uma relaÃ§Ã£o entre a depressÃ£o e o nÃ­vel econÃ´mico?

Isso Ã© o que se pode responder graÃ§as a um relatÃ³rio publicado pelo departamento de saÃºde do governo de Porto Rico (EUA), desenvolvido durante o ano de 2013.

Nesse mesmo estudo foram analisados diferentes fatores que podem estar influenciando a presenÃ§a da depressÃ£o, no qual foi realizado dentro de um projeto mais amplo para detectar comportamentos de risco entre a populaÃ§Ã£o, de acordo com o programa âThe Behavioral Risk Factor Surveillance System (BRFSS).

Para isso, realizou-se uma pesquisa por telefone com uma amostra de seis mil habitantes, o que representa 0,21% da populaÃ§Ã£o total, todos com idade superior a 18 anos, a maior parte hispÃ¢nica (98,5%), sendo que 64% eram mulheres.

AlÃ©m disso, os dados foram coletados por grupos de idade, nÃ­vel educacional dos participantes e renda.

Os resultados mostram que as pessoas com idade entre 45 a 54 e entre 55 a 64 anos, sÃ£o aquelas que mais sofrem de depressÃ£o, atingindo percentuais de 25,7% e 30,7%, respectivamente, bem acima dos nÃ­veis alcanÃ§ados entre os mais jovens com idades entre 18 a 24 anos, que atingem 5,9%.

Eles tambÃ©m mostram que as pessoas que tÃªm menos escolaridade (sem escolaridade completa) apresentam nÃ­veis mais altos de depressÃ£o, em comparaÃ§Ã£o com aqueles que terminaram a faculdade, obtendo porcentagens de 21,3% em comparaÃ§Ã£o com 14,4%, respectivamente.

O relatÃ³rio tambÃ©m separa os entrevistados em seis grupos, conforme sua renda, o que permite observar a relaÃ§Ã£o entre os aspectos econÃ´micos e a presenÃ§a de depressÃ£o, sendo que os que mais sofrem ganham renda inferiores a 15.000 dÃ³lares, com 23,2% contra aqueles que tÃªm rendimentos maiores a 75.000 dÃ³lares, com 9,2%.

Uma das limitaÃ§Ãµes deste estudo e a forma caracterÃ­stica de coletar dados por meio do telefone, Ã© que ficam excluÃ­das certas populaÃ§Ãµes que, por um motivo ou outro, nÃ£o dispÃµem de linha telefÃ´nica e, portanto, o estudo Ã© tendencioso ao deixar uma parte da populaÃ§Ã£o sem pesquisar, provavelmente com baixos recursos econÃ´micos.

Outra limitaÃ§Ã£o Ã© que os resultados nÃ£o fazem qualquer distinÃ§Ã£o entre o tipo de depressÃ£o que padece, seja depressÃ£o maior ou distimia. AlÃ©m disso, os dados da forma como sÃ£o apresentados nÃ£o permitem realizar comparaÃ§Ãµes entre grupos, o que torna possÃ­vel aprofundar mais as diferenÃ§as encontradas entre os grupos com base aas variÃ¡veis analisadas.

Apesar das limitaÃ§Ãµes anteriores, Ã© preciso destacar a importÃ¢ncia dos resultados ao mostrar o perfil daquelas pessoas que estÃ£o mais expostas a sofrer de depressÃ£o, sendo elas: o baixo nÃ­vel educacional, idade entre 45 a 64 anos e baixa renda.

Por outro lado, as pessoas que parecem estar mais protegidas de sofrer depressÃ£o sÃ£o os jovens entre 18 e 24 anos, que tÃªm estudos universitÃ¡rios e as pessoas que ganham entre 35.000 a 49.999 dÃ³lares e mais de 75.000 dÃ³lares.

Portanto, respondendo Ã  questÃ£o inicial, aparentemente existe uma relaÃ§Ã£o entre a depressÃ£o e o nÃ­vel financeiro, porÃ©m esta nÃ£o Ã© uma relaÃ§Ã£o direta, ou seja, quanto mais dinheiro menos depressÃ£o, como Ã© comprovado entre as pessoas que ganham entre 50.000 a 74.999 dÃ³lares, que sofrem depressÃ£o em um percentual semelhante aos nÃ­veis anteriores, de fato, tais percentuais sÃ£o semelhantes Ã s pessoas que recebem entre 25.000 a 34.999 dÃ³lares.

Embora a pesquisa nÃ£o entra em avaliaÃ§Ãµes teÃ³ricas sobre as explicaÃ§Ãµes a respeito, parece lÃ³gico pensar que a preocupaÃ§Ã£o pela falta de dinheiro pode ser determinante. Assim como o acesso a uma maior e melhor quantidade de recursos que poderiam prevenir ou paliar o aparecimento dos primeiros sintomas de depressÃ£o antes que esta fique crÃ´nica.

Quando uma pessoa pensa em dinheiro e na depressÃ£o, geralmente nÃ£o o faz focando no custo para sociedade em que vive, mas sim com foco na pessoa que estÃ¡ sofrendo, porÃ©m nÃ£o Ã© esta a abordagem feita pela administraÃ§Ã£o pÃºblica. O enfoque priorizado pela administraÃ§Ã£o pÃºblica Ã© o de observar para onde estÃ£o sendo destinados o dinheiro, entre os diferentes serviÃ§os e departamentos que estÃ£o sob sua responsabilidade, seja para investimento de materiais, de recursos humanos, a fim de oferecer seus serviÃ§os de forma eficaz.

O transtorno de depressÃ£o maior afeta, principalmente, a saÃºde psicolÃ³gica do paciente, mas tambÃ©m Ã s demais atividades diÃ¡rias, tais como: o desejo de comer e a capacidade de ter uma noite de sono reparadora. Esses efeitos sÃ£o estendidos tambÃ©m aos familiares, colegas e amigos.

Ã normal observar uma diminuiÃ§Ã£o no desempenho acadÃªmico ou profissional, que, no caso de uma maior gravidade deste transtorno, pode levar uma pessoa a perder seu emprego, seus amigos e atÃ© mesmo seu cÃ´njuge.

Atualmente existem diversos mÃ©todos de intervenÃ§Ã£o terapÃªutica desde a psicoterapia atÃ© a farmacologia, passando para a terapia eletroconvulsiva, caso o paciente nÃ£o responda adequadamente Ã  farmacolÃ³gica.

Cada uma dessas intervenÃ§Ãµes requer pessoal especializado, desenvolvimento tecnolÃ³gico e um centro administrativo. Todas essas coisas irÃ£o somando âgastosâ para a administraÃ§Ã£o, mas qual Ã© o custo da depressÃ£o para o primeiro mundo?

Exatamente isso procurou averiguar a Escola de Medicina de Hannover, juntamente com a Universidad Goethe de Frankfurt e a Universidad Jena Friedrich-Schiller (Alemanha), cujos resultados foram publicados em 2014, na revista cientÃ­fica Depression Research and Treatment.

Na pesquisa, houve a intervenÃ§Ã£o de setenta mÃ©dicos da rede sanitÃ¡ria AlemÃ£, os quais realizaram uma reavaliaÃ§Ã£o de seus pacientes diagnosticados com depressÃ£o. Ã medida que lhes informavam acerca da pesquisa, solicitavam seu consentimento para participar. No total foram seiscentos e vinte e seis pacientes, sendo que 75,7% eram mulheres. Foram registrados dados em trÃªs momentos: no momento de perguntar sobre sua participaÃ§Ã£o, aos 6 meses e em um ano.

Foram coletados cinco dados de cada participante: a medicaÃ§Ã£o que recebiam, as consultas a seu mÃ©dico, as consultas ao especialista, a psicoterapia que recebiam e o nÃºmero de hospitalizaÃ§Ãµes, sendo o custo extraÃ­do de tabelas padronizadas e estimadas pelo EscritÃ³rio de EstatÃ­stica Federal da Alemanha.

Os resultados demonstraram que o custo mÃ©dio por paciente com depressÃ£o maior durante um ano Ã© de 3.813 euros, nÃ£o havendo diferenÃ§as significativas no custo para homens e para mulheres.

O que supÃµe um gasto anual de 15,6 bilhÃµes de euros na Alemanha, com pacientes com depressÃ£o maior, em valores macroeconÃ´micos.

Valores que parecem excessivos para os autores, apesar de ser o transtorno psicolÃ³gico mais frequente entre os pacientes que recorrem a uma consulta. Assim, os autores do estudo sugerem fazer maiores intervenÃ§Ãµes tanto na detecÃ§Ã£o precoce da doenÃ§a como em busca de novas e melhores tÃ©cnicas e terapias, com o objetivo de reduzir o nÃºmero de consultas, e especialmente o custo total de atendimento recebido pelos pacientes com depressÃ£o maior.

Embora os resultados sejam reveladores, nÃ£o informam se custam mais ou menos que outras enfermidades mentais e atÃ© mesmo que outras condiÃ§Ãµes fÃ­sicas atendidas. Por isso, nÃ£o Ã© possÃ­vel estimar se se trata de um gasto excessivo ou nÃ£o para a administraÃ§Ã£o pÃºblica, nem mesmo se devem ser priorizadas em relaÃ§Ã£o Ã  outras enfermidades devido a seu elevado custo.

Tudo o que mencionamos anteriormente, mostra como nÃ£o se trata de um pequeno problema, por suas implicaÃ§Ãµes tanto com relaÃ§Ã£o ao paciente e sua saÃºde, como no aspecto econÃ´mico.

Mas, com o fim de estabelecer um diagnÃ³stico e seu tratamento adequado, a primeira coisa que deve ser feita Ã© distinguir de outros fenÃ´menos emocionais em que exista tristeza, mas que nÃ£o chega a desencadear a DepressÃ£o Maior.




CapÃ­tulo 2. Luto


Denomina-se luto Ã  reaÃ§Ã£o de tristeza apÃ³s a perda de um ente querido e o decaimento de Ã¢nimo, que Ã© entendido como um passo ânormalâ no caso de pessoas que tÃªm um vÃ­nculo afetivo com o falecido.

Uma das discussÃµes mais ardentes entre os profissionais de SaÃºde Mental no momento de lidar com a reforma do manual de referÃªncia para diagnÃ³stico e tratamento (DSM-5) foi com relaÃ§Ã£o Ã  forma de abordar o tema do luto.

O DSM-5, periodicamente, Ã© revisado pelos especialistas, onde sÃ£o feitas novas inclusÃµes de psicopatologias e exclusÃµes de outras.

Na versÃ£o mais recente, a quinta, poucas mudanÃ§as foram feitas, porÃ©m muito polÃªmicas. Uma das mais destacadas refere-se Ã  consideraÃ§Ã£o do luto, como entidade prÃ³pria ou como parte da depressÃ£o.

O luto Ã© uma etapa que a pessoa passa ao perder um ente querido, de antemÃ£o em alguns paÃ­ses, isso se reflete em uma vestimenta diferente e em atos como o velÃ³rio.

O luto tem uma parte importante na experiÃªncia pessoal, porÃ©m tambÃ©m social, na qual se recebe o apoio e o consolo dos familiares e pessoas prÃ³ximas, assim como seu pÃªsame.

Quando uma pessoa experimenta o luto, sente-se decaÃ­da, triste, sem vontade de fazer nada, perdendo inclusive o sentido das coisas que faz â¦ Algo lÃ³gico e normal dentro da sociedade.

O problema Ã© que estes sintomas tambÃ©m sÃ£o os mesmos da depressÃ£o ou como Ã© denominada em psicopatologia: Transtorno de DepressÃ£o Maior.

Alguns especialistas destacam que, se compartilham os mesmos sintomas, Ã© porque se trata do mesmo problema de saÃºde. Outros, pelo contrÃ¡rio, o diferenciam devido a que existe uma âcausa que o justifiqueâ.

Outra polÃªmica a respeito Ã© sobre quanto tempo deve durar o luto. Em algumas tradiÃ§Ãµes, Ã© estabelecido que o luto seja por um perÃ­odo de um ano, em outras sociedades Ã© de somente sete dias; mas uma coisa Ã© a dor e outra o luto.

A primeira refere-se ao estado de Ã¢nimo do familiar, enquanto o luto Ã© uma mostra social, que varia de paÃ­s para paÃ­s e, que pode vir a durar anos. O luto por si, nÃ£o implicarÃ¡ nenhum risco Ã  saÃºde da pessoa, e por isso, sua extensÃ£o nÃ£o supÃµe nenhum problema, desde que sejam seguidas as convenÃ§Ãµes sociais.

Antes do DSM-5, estava estabelecido que, se a âdorâ excedesse a dois meses, o paciente deveria ser atendido clinicamente como tendo DepressÃ£o Maior. Atualmente, este perÃ­odo mÃ­nimo de dois meses nÃ£o Ã© respeitado, logo pode ser diagnosticado e tratado a partir do momento que apareÃ§a a sintomatologia definida para a DepressÃ£o Maior.

Com esta mudanÃ§a, busca-se responder o quanto antes a um problema de saÃºde mental tÃ£o importante e estendido como Ã© a depressÃ£o, sem necessidade de esperar os dois meses como era feito anteriormente.

Por este motivo, o luto, tem sido entendido como um âsimples trÃ¢nsitoâ atravÃ©s do qual todos devemos passar ao perdermos um ente querido, porÃ©m Ã© preciso âvigiÃ¡-loâ para observar se os sintomas nÃ£o sÃ£o tÃ£o graves, de tal forma, que escondam um verdadeiro Transtorno de DepressÃ£o Maior.

Deve-se levar em conta que, em qualquer caso, para superar o luto Ã© fundamental contar com o apoio social de familiares e amigos que entendam a situaÃ§Ã£o e atendam a pessoa, enquanto estÃ¡ passando por este luto, para que o faÃ§a de forma adequada.




CapÃ­tulo 3. Distimia


Cada um de nÃ³s teve algum momento ruim em nossas vidas, uma etapa na qual nÃ£o tivemos vontade de fazer nada. Nos sentimos apÃ¡ticos e abatidos. Qualquer problema nos supera e nÃ£o âlevantamos a cabeÃ§aâ, porÃ©m com o tempo tudo vai se solucionando e recuperamos nosso estado anterior. No entanto, se vocÃª sente que este estado Ã© mantido durante anos, vocÃª pode estar sofrendo um transtorno chamado de distimia.

A distimia Ã© um tipo de transtorno relacionado ao humor, em que a pessoa experimenta sintomas depressivos crÃ´nicos, que duram mais de um ano, no caso de crianÃ§as e adolescentes, e dois anos em adultos. Considera-se que tem um inÃ­cio precoce se ocorrer antes dos 21 anos e tardio se ocorrer posteriormente.

Ã um transtorno com sintomas leves ou moderados e nÃ£o Ã© muito intenso para ser considerado um episÃ³dio depressivo, o que Ã© um requisito para diagnosticar um Transtorno Depressivo Maior.

De acordo com o estudo ESEMeD-Espanha, realizado em conjunto com a Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento, o Centro de SaÃºde Mental Sant Joan de DÃ©u, Sant Boi de Llobregat, a Unidade de Pesquisa em ServiÃ§os de SaÃºde, o Instituto Municipal de InvestigaÃ§Ã£o MÃ©dica da Barcelona (Espanha), cujos resultados foram publicados em 2006 na revista cientÃ­fica de Medicina ClÃ­nica.

A distimia Ã© o terceiro tipo de transtorno mental mais frequente na populaÃ§Ã£o espanhola, afetando a quase 1,5% dos cidadÃ£os a cada ano, e diferentemente de outros transtornos psicolÃ³gicos, existem diferenÃ§as em termos de distribuiÃ§Ã£o na populaÃ§Ã£o, por gÃªnero de distimia, afetando atÃ© cinco vezes mais a mulheres do que a homens.

As causas da distimia ainda nÃ£o estÃ£o suficientemente esclarecidas, e sÃ£o atribuÃ­das a uma alteraÃ§Ã£o de um certo tipo de neurotransmissor chamado serotonina, responsÃ¡vel pelo controle das emoÃ§Ãµes e juÃ­zos de valor; Da mesma forma, situaÃ§Ãµes contÃ­nuas de estresse e fatores de personalidade podem estar presentes.

Entre as queixas mais comuns, que levam uma pessoa ao mÃ©dico, por este motivo, podemos encontrar os seguintes sinais de distimia:

- Estado de depressÃ£o ou irritaÃ§Ã£o (no caso de crianÃ§as e adolescentes),

- Perda de interesse pelas coisas que antes eram consideradas prazerosas.

- Sentimento de culpa, subestimando a si mesmo.

- PercepÃ§Ã£o de si mesmo como âtristeâ ou âdesanimadoâ.

- PersistÃªncia destes sinais durante muito tempo.

AlÃ©m dos sintomas anteriores, para obter o diagnÃ³stico Ã© preciso observar os seguintes sintomas de distimia:

- MudanÃ§as de apetite (pode ser excessivo ou diminuÃ­do)

- Escassez de energia e fadiga.

- Baixa autoestima.

- Dificuldade de concentraÃ§Ã£o e dificuldade de tomar decisÃµes.

- AlteraÃ§Ãµes do sono (pode ser maior ou menor).

- Sintomas crÃ´nicos e persistentes, mais leves do que a depressÃ£o.

Como se pode inferir, a distimia Ã© uma doenÃ§a silenciosa, com sintomas leves que podem passar despercebidos, sendo em muitos casos difÃ­cil estabelecer o seu inÃ­cio; alÃ©m disso, antes de estabelecer o diagnÃ³stico de distimia, Ã© preciso descartar outras causas que podem estar por trÃ¡s, tais como problemas fÃ­sicos (como o hipotireoidismo) ou uma fonte mÃ©dica (ao utilizar algum tipo de medicamento que justifique tal estado).

Da mesma forma, cuidados especiais devem ser tomados para diferenciÃ¡-la de outros transtornos com sintomas semelhantes, como o transtorno depressivo recorrente ou o transtorno de personalidade depressiva.

No primeiro, mÃºltiplos transtornos depressivos sÃ£o vivenciados ao longo da vida, mas estes sÃ£o episÃ³dicos e isolados, e mostram uma sintomatologia mais grave.

Com relaÃ§Ã£o ao transtorno de personalidade depressiva, esse Ã© um traÃ§o permanente da pessoa, entÃ£o pode-se diagnosticar a distimia se tiver um inÃ­cio tardio.

Apesar do exposto, deve-se notar que a distimia geralmente ocorre em conjunto com outros distÃºrbios tanto fÃ­sicos como psicolÃ³gicos. Entre os primeiros, estaria a dor crÃ´nica, a fibromialgia e a sÃ­ndrome do cÃ³lon irritÃ¡vel; entre as doenÃ§as mentais, geralmente estÃ¡ presente junto com a depressÃ£o maior em 40% dos casos, sendo denominada depressÃ£o dupla; mas tambÃ©m pode ser acompanhada por Transtornos de Ansiedade, especialmente Transtorno da Crise de AngÃºstia.

Uma vez obtido o diagnÃ³stico oportuno, Ã© necessÃ¡rio estabelecer o tratamento orientado para que a pessoa recupere um humor ânormalâ, exatamente como era antes de sofrer de distimia.

Entre as aÃ§Ãµes que podem ser realizadas para prevenir a distimia, podemos destacar:

- Realizar algum tipo de atividade esportiva moderada, diariamente, mesmo que seja passear ao ar livre.

- Ter uma alimentaÃ§Ã£o adequada, evitando excessos ou dietas prolongadas.

- Manter um nÃ­vel moderado de atividade (trabalho/estudo) diÃ¡ria, evitando situaÃ§Ãµes de estresse, em que a pessoa pode sentir-se Ãºtil com o que faz.




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