Uma Carga de Valor Morgan Rice Anel Do Feiticeiro #6 Em UMA CARGA DE VALOR (Livro #6 da série: O Anel do Feiticeiro), Thor continua sua busca, penetrando cada vez mais profundamente no Império, para recuperar a Espada do Destino roubada e salvar o Anel. Enquanto ele e seus amigos se deparam com uma tragédia inesperada e perdem um membro do seu grupo íntimo, Thor e os seus amigos restantes tornam-se mais achegados do que jamais foram, aprendendo que eles devem enfrentar e superar as adversidades juntos. A sua viagem os leva para novas e exóticas terras, incluindo os desolados Campos de Sal, o Grande Túnel e as Montanhas de Fogo, ao mesmo tempo em que eles enfrentam uma série de monstros inesperados em cada volta que dão. As habilidades de Thor se desenvolvem ainda mais enquanto ele se submete ao seu treinamento mais avançado, mesmo assim, ele vai precisar recorrer a poderes superiores aos que já usou, para poder sobreviver. Eles finalmente descobrem o lugar para onde a Espada foi levada e aprendem que para recuperá-la, eles terão de aventurar-se pelo lugar mais temido do Império: a Terra dos Dragões. De volta ao Anel, Gwendolyn recupera-se lentamente e lida com uma profunda depressão após seu ataque. Kendrick e os outros prometem lutar por sua honra, apesar das suas escassas probabilidades de sucesso. Segue-se uma das maiores batalhas da história do Anel, enquanto eles lutam para libertar Silésia e conquistar Andronicus. Enquanto isso, Godfrey se encontra disfarçado atrás das linhas inimigas e começa a encontrar a si mesmo, aprendendo o que significa tornar-se um guerreiro, de uma maneira bem peculiar. Gareth consegue ficar vivo, usando toda a sua astúcia para evitar ser capturado por Andronicus, enquanto Erec luta por sua vida para salvar Savária da iminente invasão de Andronicus e para salvar seu amor, Alistair. Argon paga um alto preço por fazer o que é proibido: interferir nos assuntos humanos. E Gwendolyn deve decidir entre renunciar a sua vida, ou tornar-se uma freira e viver reclusa na antiga Torre de Refúgio. Mas não antes que, em uma reviravolta chocante, Thor finalmente descubra quem é seu verdadeiro pai. Será que Thor e os outros sobreviverão à busca? Será que eles vão recuperar a Espada do Destino? Será que o Anel vai sobreviver à invasão de Andronicus? O que será de Gwendolyn, Kendrick e Erec? E quem é o verdadeiro pai de Thor? Com sua ambientação em um mundo sofisticado e sua caracterização de época, UMA CARGA DE VALOR é um conto épico sobre amigos e amantes, rivais e pretendentes, sobre cavaleiros e dragões, intrigas e maquinações políticas, sobre atingir a maioridade, corações partidos, decepção, ambição e traição. É uma história de honra e coragem, de destinos, de feitiçaria. É uma fantasia que nos leva a um mundo que nunca esqueceremos e que vai interessar a todas as idades e gêneros. O livro contém 70. 000 palavras. Morgan Rice UMA  CARGA  DE  VALOR LIVRO #6 DA SÉRIE: O ANEL DO FEITICEIRO Sobre Morgan Rice Morgan Rice é a autora do best-seller #1 DIÁRIOS DE VAMPIROS, uma série destinada a jovens adultos composta por onze livros (mais em progresso); da série de Best-seller #1 – TRILOGIA DE SOBREVIVÊNCIA, um thriller pós-apocalíptico que compreende dois livros (outro será adicionado); a série número um de vendas, O ANEL DO FEITICEIRO, composta por treze livros de fantasia épica (outros serão acrescentados). Os livros de Morgan estão disponíveis em áudio e página impressa e suas traduções estão disponíveis em: alemão, francês, italiano, espanhol, português, japonês, chinês, sueco, holandês, turco, húngaro, checo e eslovaco (em breve estarão disponíveis em mais idiomas). Morgan apreciará muitíssimo seus comentários, por favor, fique à vontade para visitar www.morganricebooks.com (http://www.morganricebooks.com/) faça parte de nosso newsletter, receba um livro gratuito, ganhe brindes, baixe nosso aplicativo gratuito, obtenha as novidades exclusivas em primeira mão, conecte-se ao Facebook e Twitter, permaneça em contato! Crítica aclamada sobre Morgan Rice “O ANEL DO FEITICEIRO reúne todos os ingredientes para um sucesso instantâneo: tramas, intrigas, mistério, bravos cavaleiros e florescentes relacionamentos repletos de corações partidos, decepções e traições. O livro manterá o leitor entretido por horas e agradará a pessoas de todas as idades. Recomendado para fazer parte da biblioteca permanente de todos os leitores do gênero de fantasia.” –-Books and Movie Reviews, Roberto Mattos. “Rice faz um trabalho magnífico ao atrair você para a história desde o início, utilizando uma grande qualidade descritiva que transcende a mera imagem do cenário… Muito bem escrito e de uma leitura extremamente rápida.” –-Black Lagoon Reviews (referindo-se a Turned) “Uma história ideal para jovens leitores. Morgan Rice fez um bom trabalho, dando uma interessante reviravolta na trama… Refrescante e original. As séries giram em torno de uma garota… Uma jovem extraordinária!… Fácil de ler, mas com um ritmo de leitura extremamente acelerado… Classificação10 pelo MJ/DEJUS.” –-The Romance Reviews (referindo-se a Turned) “Captou a minha atenção desde o início e eu não pude soltá-lo… Esta é uma história de aventura incrível que combina agilidade e ação desde o início. Você não encontrará nela nenhum momento maçante.” –-Paranormal Romance Guild (referindo-se a Turned) “Carregado de ação, romance, aventura e suspense. Ponha suas mãos nele e apaixone-se novamente.” –-Vampirebooksite.com (referindo-se a Turned) “Uma ótima trama, este é especialmente o tipo de livro que lhe dará trabalho soltar à noite. O final é tão intrigante e espetacular que fará com que você queira comprar imediatamente o livro seguinte, só para ver o que acontecerá.” –-The Dallas Examiner (referindo-se a Loved) “Um livro que é um rival digno de CREPÚSCULO (TWILIGHT) e AS CRÔNICAS VAMPIRESCAS (VAMPIRE DIARIES) e que fará com que você deseje continuar lendo sem parar até a última página! Se você curte aventura, amor e vampiros este é o livro ideal para você!” –-Vampirebooksite.com (referindo-se a Turned) “Morgan Rice mais uma vez mostra ser uma narradora extremamente talentosa… Esta narrativa atrairá uma grande variedade de público, incluindo os fãs mais jovens do gênero vampiro/fantasia. Terminou com uma situação de suspense tão inesperada que o deixará chocado.” –-The Romance Reviews (referindo-se a Loved) Livros de Morgan Rice O ANEL DO FEITICEIRO EM BUSCA DE HERÓIS (Livro #1) UMA MARCHA DE REIS (Livro #2) UM DESTINO DE DRAGÕES (Livro #3) UM GRITO DE HONRA (Livro #4) UM VOTO DE GLÓRIA (Livro #5) UMA CARGA DE VALOR (Livro #6) UM RITO DE ESPADAS (Livro #7) UM ESCUDO DE ARMAS (Livro #8) UM CÉU DE FEITIÇOS (Livro #9) UM MAR DE ESCUDOS (Livro #10) UM REINADO DE AÇO (Livro #11) UMA TERRA DE FOGO (Livro #12) UM GOVERNO DE RAINHAS (Livro #13) TRILOGIA DE SOBREVIVÊNCIA ARENA UM: TRAFICANTES DE ESCRAVOS (Livro #1) ARENA DOIS (Livro #2) DIÁRIOS DE UM VAMPIRO TRANSFORMADA (Livro #1) AMADA (Livro #2) TRAÍDA (Livro #3) DESTINADA (Livro #4) DESEJADA (Livro #5) PROMETIDA EM CASAMENTO (Livro #6) JURADA (Livro #7) ENCONTRADA (Livro #8) RESSUSCITADA (Livro #9) SUPLICADA (Livro #10) DESTINADA (Livro #11) Ouça (http://www.amazon.com/Quest-Heroes-Book-Sorcerers-Ring/dp/B00F9VJRXG/ref=la_B004KYW5SW_1_13_title_0_main?s=books&ie=UTF8&qid=1379619328&sr=1-13) a série O ANEL DO FEITICEIRO em formato audiobook! 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Se você estiver lendo este livro sem o haver comprado, ou o mesmo não foi adquirido para seu uso exclusivo, por gentileza, devolva-o e adquira sua própria cópia. Obrigada por respeitar o trabalho árduo desta autora. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, empresas, organizações, lugares, eventos e incidentes ou são o produto da imaginação da autora ou são utilizados ficcionalmente. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência. A imagem da capa é de Sergii Votit e usada sob licença da Shutterstock.com. “Muito antes de morrer, morre o covarde; só uma vez o homem forte prova a morte.”     --William Shakespeare     Júlio César CAPÍTULO UM Gwendolyn estava de bruços na grama, sentindo a fria brisa do inverno roçar sua pele nua e quando seus olhos se abriram gradualmente, o mundo distante voltou a estar em foco. Ela tinha estado em algum lugar longínquo em um campo radiante, banhado pela luz do sol e coberto de flores. Thor e seu pai estavam ao lado dela, todos eles riam e estavam felizes. Tudo era perfeito no mundo. Mas agora, enquanto ela abria os olhos lentamente, o mundo diante dela não poderia ser mais diferente. O chão era duro e frio e ali, de pé, acima dela, incorporando-se lentamente, não era o seu pai quem estava, nem tampouco Thor, mas sim um monstro: McCloud. Depois de ter se saciado com ela, ele se levantou lentamente, abotoou sua calça e olhou-a com um olhar satisfeito. Tudo voltou à mente de Gwendolyn com a rapidez de um raio. Sua rendição a Andronicus. A traição dele. Ela sendo atacada por McCloud. As bochechas de Gwen ficaram vermelhas quando ela percebeu como tinha sido ingênua. Gwen ficou ali deitada, seu corpo estava todo dolorido, seu coração estava despedaçado; nunca em sua vida ela desejou tanto morrer, como naquele momento. Gwendolyn abriu os olhos ainda mais e viu o exército de Andronicus, dezenas de soldados, todos eles assistindo à cena, sua vergonha aumentou ainda mais. Ela nunca deveria ter se rendido àquela criatura; ela desejou que, em vez disso, ela tivesse morrido lutando. Ela deveria ter escutado Kendrick e os outros. Andronicus tinha apelado à sua vocação de sacrifício e ela tinha se deixado enganar por ele. Ela desejou ter se encontrado com ele durante uma batalha; mesmo que ela morresse; então pelo menos, ela poderia morrer com a sua dignidade e sua honra, intactas. Gwendolyn sabia com toda a certeza, pela primeira vez em sua vida, que ela estava prestes a morrer. Mas de alguma forma, isso já não a incomodava. Ela não se importava em morrer, ela só se importava com sua maneira de morrer – ela não estava pronta para morrer ainda. Enquanto Gwendolyn estava deitada lá, de bruços, ela estendeu furtivamente o braço e recolheu um punhado de terra em sua mão. “Você pode se levantar agora, mulher.” McCloud ordenou rispidamente. “Eu já terminei com você. Agora é a vez dos outros.” Gwen segurava o punhado de terra com tanta força que seus dedos ficaram brancos, ela rezou para que sua ideia funcionasse. Em um movimento rápido, ela virou-se e jogou o punhado de terra nos olhos de McCloud. McCloud não esperava por isso, ele gritou e cambaleou para trás, levantando as mãos para tentar limpar a terra de seus olhos. Gwen aproveitou o momento. Ela tinha sido treinada pelos guerreiros reais durante sua infância no Castelo do Rei e eles sempre tinham lhe ensinado a atacar uma segunda vez, antes que seu inimigo tivesse uma chance de se recuperar. Eles também tinham lhe ensinado uma lição que ela nunca tinha esquecido: mesmo que ela não estivesse carregando uma arma, ela estava sempre armada. Ela sempre poderia usar a arma do inimigo. Gwen estendeu a mão, extraiu o punhal do cinto de McCloud, levantou-o bem alto e enfiou-o entre as pernas dele. McCloud gritou ainda mais alto enquanto tirava as mãos dos olhos e agarrava sua virilha. O sangue escorria entre suas pernas quando ele se abaixou e puxou o punhal, ofegando. Gwen estava feliz consigo mesma por conseguir desferir o golpe, feliz por ter obtido, pelo menos, aquela pequena vingança. Mas, para sua surpresa, o ferimento que teria derrubado qualquer outra pessoa, não o deteve. Aquele monstro era imparável. Ela o havia ferido gravemente, bem onde ele merecia, mas não o havia matado. Ela não tinha sequer feito com que ele caísse de joelhos. Em vez disso, McCloud extraiu o punhal, o qual ainda estava pingando sangue e zombou dela lançando-lhe um olhar mortal. Ele começou a descer sobre ela, segurando o punhal com as mãos trêmulas e Gwendolyn sabia que sua hora havia chegado. Pelo menos ela iria morrer com uma pequena satisfação. “Agora eu vou arrancar o seu coração e alimentar você com ele.” Disse ele. “… Prepare-se para aprender o que a dor realmente significa.” Gwendolyn preparou-se para o golpe do punhal, preparou-se para sofrer uma morte dolorosa. Um grito ecoou e depois de um momento chocante, Gwendolyn ficou surpresa ao perceber que o grito não era o dela própria. Era de McCloud; ele estava gritando em agonia. Gwen baixou as mãos e olhou para cima, confusa. McCloud tinha deixado cair o punhal. Ela piscou várias vezes, tentando entender a visão diante de si. McCloud ficou ali com uma flecha alojada em seu olho. Ele gritava enquanto o sangue escorria de sua órbita. Ele levantou a mão e agarrou a flecha. Gwen não conseguia entender. Ele havia sido atingido. Mas como? Por quem? Gwen virou-se na direção de onde a flecha tinha vindo e seu coração disparou ao ver Steffen, ali de pé, segurando um arco, escondendo-se no meio de um enorme grupo de soldados. Antes que alguém pudesse descobrir o que estava acontecendo, Steffen disparou mais seis flechas. Os seis soldados que estavam ao lado de McCloud foram caindo, um por um, as flechas atravessaram a garganta de todos eles. Steffen se inclinou de volta para continuar disparando, mas finalmente ele foi descoberto e derrubado por um grande grupo de soldados. Eles o sujeitaram e o esmurraram contra o chão. McCloud, ainda gritando, virou-se e saiu correndo no meio da multidão. Surpreendentemente, ele ainda não estava morto. Ela esperava que ele sangrasse até a morte. O coração de Gwen se encheu de gratidão por Steffen, mais do que ele jamais saberia. Ela sabia que morreria naquele mesmo dia, às mãos de outra pessoa, mas pelo menos já não seria às mãos de McCloud. O acampamento de soldados acalmou-se quando Andronicus levantou-se e marchou lentamente até Gwendolyn. Ela ficou ali, observando enquanto ele se aproximava, Andronicus era incrivelmente alto; era como uma montanha em movimento, vindo em sua direção. Os soldados vinham logo atrás dele enquanto ele chegava mais perto. O campo de batalha estava mortalmente silencioso, o único som que se ouvia era o do vento chicoteando. Andronicus parou e ficou a alguns metros de distância, avultando-se sobre Gwen e olhando para baixo, sem nenhuma expressão em seu rosto. Ele estendeu a mão e passou os dedos lentamente sobre as cabeças encolhidas de seu colar, um som estranho provinha das entranhas do seu peito e garganta, era como um ronronar. Ele parecia estar irritado e ao mesmo tempo intrigado. “Você desafiou o grande Andronicus.” Ele disse lentamente, todo o campo escutava cada palavra sua dita com sua voz antiga e profunda. Sua voz ressoou com autoridade e estrondou através das planícies. “Teria sido mais fácil se você tivesse se submetido ao seu castigo. Agora você vai ter de aprender o que é sentir dor de verdade.” Andronicus se abaixou e desembainhou a maior espada que Gwen já tinha visto. A espada deveria ter mais de dois metros de comprimento, seu ruído metálico característico ecoou por todo o campo de batalha. Andronicus segurou a espada bem alto e girou-a contra a luz, o reflexo era tão forte que encandeou Gwen. Ele examinava a espada enquanto a girava em suas mãos, como se a estivesse vendo pela primeira vez. “Você é uma mulher de origem nobre.” Disse ele. “É apropriado que você morra ferida por uma espada nobre.” Andronicus deu dois passos para a frente, agarrou o punho da espada com ambas as mãos e levantou a espada ainda mais alto. Gwendolyn fechou os olhos. Ela ouvia o assobio do vento e o movimento de cada folha de grama, então começaram a desfilar por sua mente lembranças aleatórias de sua vida. Ela sentia a conclusão de sua vida, sentia tudo o que ela tinha feito, todo mundo que ela amava. Em suas considerações finais, Gwen pensou em Thor. Ela levou a mão até seu pescoço e apertou o amuleto que ele tinha lhe dado, segurando-o firmemente em seu punho. Ela podia sentir um poder cálido irradiando através dele, daquela antiga pedra vermelha, então ela se lembrou das palavras ditas por Thor quando ele tinha dado o amuleto para ela: este amuleto pode salvar sua vida. Uma vez. Ela apertou o amuleto com mais força, ele pulsava na palma da mão dela, Gwen orou a Deus com cada fibra do seu ser. Deus, por favor, faze que este amuleto funcione. Por favor, salva- me, Só por esta vez. Permite-me ver Thor novamente. Gwendolyn abriu os olhos, esperando ver a espada de Andronicus brilhando sobre ela. No entanto o que ela viu a surpreendeu. Andronicus estava ali, paralisado, olhando por cima do ombro, como se estivesse observando alguém se aproximar. Ele parecia estar surpreso; até mesmo confuso. A expressão do seu rosto era incrivelmente diferente daquela que as pessoas estavam acostumadas a ver. “Você vai baixar sua arma agora.” Uma voz soou atrás de Gwendolyn. Gwendolyn ficou eletrizada com o som daquela voz. Era uma voz que ela conhecia. Ela se virou e ficou surpresa ao ver ali, de pé, uma pessoa que ela conhecia tão bem quanto o seu próprio pai. Argon. Ali estava ele, de pé, vestido com suas vestes brancas e seu capuz, seus olhos brilhavam com uma intensidade jamais vista, enquanto ele fitava Andronicus. Ela e Steffen jaziam no chão entre aqueles dois titãs. Eram duas criaturas de uma força incrível, uma provinha da escuridão e a outra da luz, de pé uma contra a outra. Gwen quase podia sentir a violenta guerra espiritual acima de sua cabeça. “É mesmo?” Andronicus respondeu com um sorriso zombeteiro. Mas Gwen podia ver os lábios de Andronicus tremerem enquanto ele sorria, ela podia ver pela primeira vez, algo semelhante ao medo nos olhos dele. Ela nunca tinha pensado que veria isso. Andronicus devia conhecer bem Argon. E o que ele poderia saber sobre Argon seria suficiente para atemorizar o homem mais poderoso do mundo. “Você não causará mais nenhum dano à garota.” Disse Argon calmamente. “Você vai aceitar sua rendição.” Disse ele, dando um passo para mais perto, com seus olhos hipnotizantes brilhando. “Você vai deixá-la se retirar para o seu povo. E você vai permitir que o seu povo se renda, se eles desejar. Eu só vou dizer isto uma vez. Seria sábio da sua parte aceitar.” Andronicus encarou Argon e piscou várias vezes, como se estivesse indeciso. Então, finalmente, ele inclinou a cabeça para trás e deu uma gargalhada. Foi o riso mais alto e mais sinistro que Gwen tinha ouvido, ele preencheu todo o campo, parecia que havia chegado ao mais alto dos céus. “Os seus truques de feiticeiro não vão funcionar comigo, meu velho.” Disse Andronicus. “Eu sei bem do Grande Argon. Houve um tempo em que você era poderoso. Mais poderoso do que o homem, do que os dragões, que o próprio céu; ou pelo menos isso é o que dizem. Mas o seu tempo já passou. Agora vivemos um novo tempo. Agora estamos na era do grande Andronicus. Agora, você não passa de uma relíquia, um remanescente de outros tempos, de quando os MacGils governavam, de quando a magia era forte, de quando o Anel era imbatível. Mas seu destino está ligado ao Anel. E agora, o Anel é vulnerável. Tal como você. “Você é um tolo por me confrontar, velho. Agora você vai sofrer. Agora você vai conhecer a força do Grande Andronicus.” Andronicus fez um gesto de desprezo e levantou novamente sua espada para Gwendolyn, desta vez olhando diretamente para Argon. “Eu vou matar a garota lentamente, diante de seus olhos.” Disse Andronicus. “Logo depois eu vou matar o corcunda. Em seguida, eu vou mutilar você, mas vou deixá-lo vivo como um símbolo ambulante do poder da minha grandeza.” Gwendolyn se preparou e se encolheu quando Andronicus baixou a espada sobre a sua cabeça. De repente, algo aconteceu. Ela ouviu um som, semelhante ao de mil fogos cortando o ar, seguido pelo grito de Andronicus. Ela abriu os olhos em total descrença para ver Andronicus com o rosto contorcido de dor, soltar sua espada e ajoelhar-se no chão. Ela observou Argon dar um passo adiante e logo depois outro, enquanto mantinha a palma de sua mão voltada para cima, dela emanava uma bola de luz violeta. A bola ficava cada vez maior e envolvia Andronicus enquanto Argon continuava caminhando para a frente sem nenhuma expressão em seu rosto; ele se aproximava cada vez mais de Andronicus com a palma de sua mão estendida. Andronicus se enrolou em uma bola no chão, quando a luz o envolveu. Um suspiro irrompeu entre seus homens, mas nenhum se atreveu a aproximar. Ou eles estavam com medo, ou Argon tinha lançado-lhes algum tipo de feitiço para torná-los impotentes. “FAÇA COM QUE PARE!”Andronicus gritou, levando as mãos até as orelhas e cobrindo- as. “EU IMPLORO!” “Você não fará mais nenhum mal à jovem.” Argon disse lentamente. “Eu não farei mais nenhum mal à jovem!” Andronicus repetia como se estivesse em transe. “Você vai libertá-la agora e permitir que ela volte ao seu povo.” “Eu vou libertá-la agora e permitir que ela volte ao seu povo!” “Você dará ao povo dela a chance de se render.” “Eu vou dar ao seu povo uma chance de se render!” Andronicus gritou. “Por favor! Eu farei qualquer coisa!” Argon respirou fundo, e então, finalmente parou. A luz desapareceu de sua mão quando ele baixou lentamente o braço. Gwen olhou para ele em estado de choque; ela nunca tinha visto Argon em ação, ela mal podia compreender o seu poder. Era como ver os céus se abrirem. “Se nos encontrarmos de novo, grande Andronicus…” Disse Argon lentamente, olhando para baixo enquanto Andronicus jazia ali no chão choramingando. “… Será no seu caminho para os reinos mais escuros da morte.” CAPÍTULO DOIS Thor lutava no chão enquanto era fortemente imobilizado pelos soldados do Império. Ele assistia impotente enquanto Durs, o homem que ele uma vez havia tido como um irmão levantava sua espada para matá-lo. Thor fechou os olhos e se preparou, sabendo que sua hora tinha chegado. Ele estava furioso consigo mesmo por ter sido tão estúpido, tão confiante. Seus irmãos o haviam estado enganando o tempo todo, como um cordeiro levado ao matadouro. Pior ainda, como Thor era o líder, os outros rapazes tinham seguido sua orientação. Ele não tinha decepcionado apenas a si mesmo, ele tinha decepcionado todos os outros também. Sua ingenuidade e sua natureza confiante, haviam posto todos eles em perigo. Enquanto Thorgrin lutava, ele tentou com toda sua alma invocar seu poder, derivar de algum lugar dentro de si, apenas o poder suficiente para se libertar de suas amarras e poder defender-se. No entanto, por mais que ele tentasse, o poder não surgia. Sua própria força não era suficiente para ajudá-lo a se libertar de todos os soldados que o mantinham preso ao chão. Thor sentiu o vento acariciar seu rosto enquanto Durs baixava a espada. Ele se preparou para o impacto iminente do aço. Ele ainda não estava pronto para morrer. Em sua mente, ele viu Gwendolyn no Anel esperando por ele. Ele sentiu que a havia decepcionado também. Thor ouviu um barulho repentino de corpos que se chocavam entre si, ele abriu os olhos e ficou surpreso ao sentir que ainda estava vivo. O braço de Durs estava congelado ali, no ar, seu pulso estava sujeito pela mão de um enorme soldado do império, o qual superava Durs em altura, o que era bastante inusual, tomando em conta a altura de Durs. Ele segurava o pulso de Durs a apenas alguns centímetros de distância de Thor, impedindo que ele o traspassasse. Durs virou-se para o soldado do Império, com uma expressão de surpresa em seu rosto. “Nosso líder não quer vê-los mortos.” O soldado murmurou sombriamente para Durs. “Ele os quer vivos. Como prisioneiros.” “Ninguém nos disse isso.” Durs protestou. “O acordo era que teríamos de matá-los!” Dross acrescentou. “Os termos do acordo mudaram.” O soldado respondeu. “Vocês não podem fazer isso!” Drake exclamou. “Ah, não podemos?” Ele respondeu sombriamente, voltando-se para ele. “Nós podemos fazer o que quisermos. Na verdade, vocês agora são nossos prisioneiros, também. “O soldado sorriu. “Quanto mais membros da Legião nós tivermos para o resgate, melhor será.” Durs olhou para o soldado, seu rosto refletia sua indignação, um momento depois, o caos explodiu quando os três irmãos se lançaram contra dezenas de soldados do Império, os quais logo derrubaram e imobilizaram os três irmãos no chão e em seguida amarraram seus pulsos. Thor aproveitou o caos, virou-se e procurou Krohn. Logo ele o viu a apenas alguns metros de distância, à espreita nas sombras, Krohn permanecia, lealmente, sempre por perto. “Krohn, ajude-me!” Thor gritou. “AGORA!” Krohn entrou em ação com um grunhido, voando pelo ar e pousando suas presas na garganta do soldado do Império que estava segurando o pulso de Thor. Thor conseguiu soltar-se enquanto Krohn pulava de um soldado para outro, mordendo e arranhando-os até que Thor pudesse libertar-se e pegar sua espada. Então Thor virou-se e com um único golpe, decepou a cabeça de três deles. Thor correu para Reece, quem se encontrava mais próximo e apunhalou seu captor no coração, libertando-o e permitindo-lhe desembainhar sua espada e juntar-se à luta. Os dois se espalharam e correram para os seus irmãos da Legião, atacando seus captores e liberando Elden, O’Connor, Conval e Conven. Os outros soldados estavam distraídos detendo Drake, Durs e Dross e quando eles se viraram e descobriram o que estava acontecendo, já era tarde demais. Thor, Reece, O’Connor, Elden, Conval e Conven estavam livres e todos com armas nas mãos. Eles ainda estavam amplamente superados em número e Thor sabia que a luta não seria fácil. Mas pelo menos ele sabia que todos tinham uma chance de lutar. Destemidos, todos eles avançaram contra o inimigo, com total entrega. Os cem soldados do Império atacaram e de repente, Thor ouviu um grito lá no alto do céu, ele olhou para cima e viu Estopheles. Seu falcão desceu voando em picada e arranhou os olhos do soldado líder do Império, o qual caiu no chão debatendo-se. Então Estopheles voltou sua atenção para vários outros soldados, arranhando-os e derrubando-os, um de cada vez. Enquanto eles avançavam, Thor colocou uma pedra em sua funda e atirou, ele acertou um soldado na têmpora e derrubou-o antes que ele pudesse alcançá-los; O’Connor conseguiu disparar duas flechas e ambas acertaram o alvo com precisão mortal, Elden arremessou uma lança, atravessando dois soldados, os quais caíram aos seus pés. Era um bom começo, mas ainda restava uma centena de soldados para matar. Eles se encontraram no meio com um grande grito de guerra. Tal como tinha sido ensinado, Thor enfocou-se em um soldado em particular, ele escolheu o maior e mais cruel que poderia encontrar, enquanto erguia sua espada, bem alto. Houve um grande estrondo de metal quando a espada de Thor foi bloqueada pelo escudo do homem, que imediatamente desceu um martelo em direção à cabeça de Thor. Thor se esquivou e o martelo despencou no solo, então Thor puxou o punhal da cintura e apunhalou o soldado; imediatamente ele caiu morto. Thor levantou o escudo a tempo de bloquear os golpes de espada de dois atacantes, então ele defendeu-se com sua própria espada, matando um deles. Ele estava prestes a atacar o outro, quando vislumbrou uma espada vindo por trás dele; ele teve de girar ao redor e bloqueá-la com seu escudo. Thor estava sendo atacado por todos os lados e se encontrava em franca desvantagem numérica. Tudo o que ele conseguia fazer era aparar os golpes que choviam sobre ele. Ele não tinha tempo nem energia para atacar, somente para defender-se. Os soldados continuavam vindo por ele, cada vez mais. Thor olhou e viu que os seus irmãos da Legião estavam na mesma situação: cada um deles tinha conseguido matar um ou dois soldados, mas estavam amplamente superados em número, eles tinham pagado um alto preço por isso, já que todos tinham sofrido pequenos ferimentos por todos os lados. Thor poderia dizer que eles estavam perdendo terreno, mesmo com Krohn saltando e atacando e mesmo com a ajuda de Indra, ela pegava pedras e as jogava no grupo de soldados. Seria apenas uma questão de tempo até que todos eles fossem cercados e liquidados. “Libertem-nos!” Ouviu-se uma voz. Thor se virou para ver Drake atado com cordas, junto com seus irmãos, a poucos metros de distância. “Libertem-nos!” Drake repetiu. “E nós vamos ajudá-los a lutar contra eles! Nós lutamos pela mesma causa!” Thor levantou o escudo para bloquear mais um grande golpe, o qual provinha de um machado de guerra, então ele percebeu que ter mais três pares de mãos ajudaria muito. Sem elas, eles claramente não tinham nenhuma chance de derrotar todos aqueles soldados. Thor não sentia que podia voltar a confiar nos três irmãos, mas naquele momento ele pensou que não tinha nada a perder tentando. Afinal, os três irmãos também tinham motivação para lutar. Thor bloqueou mais um golpe de espada, em seguida, dobrou os joelhos e rolou por vários metros no meio da multidão, até chegar aos três irmãos. Ele levantou-se e cortou as cordas, uma de cada vez, protegendo-os ao mesmo tempo contra os golpes, enquanto cada um sacava sua espada e metia-se na luta. Drake, Dross e Durs avançaram contra a multidão espessa de soldados do Império e atacaram desferindo golpes, empurrando e apontando. Cada um deles era grande e habilidoso. Eles pegaram os soldados do Império desprevenidos, matando vários deles imediatamente e incrementando suas probabilidades de êxito. Thor tinha sentimentos encontrados por libertá-los depois do que tinham feito, mas dadas as circunstâncias, parecia ter sido a escolha mais sábia. Havia sido melhor do que a morte. Agora, havia nove deles contra os oitenta ou mais soldados restantes. As chances ainda eram escassas, mas pelo menos agora eram melhores do que antes. Os irmãos da Legião recorreram as suas habilidades de treinamento, às práticas inculcadas neles durante a Centena, eles recordaram as inúmeras vezes que haviam sido treinados para lutar enquanto estivessem cercados e em menor número. Eles fizeram tal como Kolk e Brom os tinham treinado: eles recuaram e formaram um círculo apertado e de costas um para o outro, lutavam contra os soldados invasores do Império como uma unidade. Eles foram encorajados pela chegada dos três lutadores extras, cada um recobrou forças e lutou com mais vigor do que antes. Conval extraiu seu mangual e o fez girar com toda sua extensão golpeando o inimigo vez após vez e conseguindo abater três soldados do Império antes que a corrente fosse arrancada dele. Seu irmão Conven usava uma maça regular, ele apontava para baixo e golpeava as pernas dos soldados com a bola de metal cheia de puas. O’Connor não podia usar seu arco a uma distância tão curta, mas ele conseguiu extrair duas adagas de arremesso de sua cintura e as atirou no meio da multidão, matando dois soldados. Elden empunhou seu martelo de guerra de duas mãos ferozmente, fazendo chover grandes golpes a sua volta. Enquanto isso, Thor e Reece bloqueavam golpes e se defendiam habilmente com suas espadas. Por um momento, Thor estava se sentindo otimista. Em seguida, Thor detectou com o canto do olho algo que o perturbou. Ele viu um dos três irmãos dar a volta e cruzar todo o círculo da Legião; Thor se virou e viu Durs. Ele estava investindo, mas não investia contra um soldado do Império, Durs avançava diretamente contra ele. Contra Thor. Ele vinha diretamente para suas costas. Tudo aconteceu muito rapidamente e Thor, quem se achava lutando contra dois soldados do Império diante dele, não pôde virar-se a tempo. Thor sabia que estava prestes a morrer. Prestes a ser apunhalado pelas costas por um rapaz a quem ele tinha uma vez considerado como um irmão, por um garoto em quem ele, ingenuamente, confiou duas vezes. De repente, Conval apareceu na frente de Thor, para protegê-lo. E quando Durs baixou sua espada, ao invés de encontrar um alvo nas costas de Thor, ele encontrou o peito de Conval. Thor virou-se e gritou: “CONVAL!” Conval ficou ali, paralisado, seus olhos se arregalaram em um olhar mortal quando ele olhou para a espada mergulhada em seu coração. O sangue jorrava pelo torso dele. Durs ficou ali, olhando também, igualmente surpreso. Conval caiu de joelhos, o sangue jorrava de seu peito. Thor assistiu em câmera lenta, quando Conval, um querido irmão da Legião, um garoto a quem ele amava como um irmão, caiu de cara no chão, morto. Tudo isso para salvar a vida de Thor. Durs ficou de pé por cima dele, olhando para baixo, parecendo chocado com o que tinha acabado de fazer. Thor avançou para matar Durs, mas Conven chegou primeiro. O irmão gêmeo de Conval correu e brandiu sua longa espada, decapitando Durs, cujo corpo mole caiu no solo. Thor ficou parado ali, sentindo um enorme vazio por dentro, totalmente destroçado pela culpa. Ele tinha cometido demasiados erros de julgamento. Se ele não tivesse libertado Durs, Conval poderia estar vivo naquele momento. Com suas costas voltadas para os soldados do Império, os membros da Legião deram-lhes uma oportunidade para atacar. Todos eles irromperam pelo círculo aberto, foi quando Thor sentiu um martelo de guerra golpeá-lo na parte de trás do ombro; a força do golpe o derrubou de cara, no chão. Antes que ele pudesse levantar-se, vários soldados se lançaram sobre ele; Thor sentia os pés deles chutando suas costas; em seguida, ele sentiu um soldado aproximar-se, agarrar seu cabelo e inclinar-se sobre ele com um punhal. “Diga adeus, jovem.” O soldado disse. Thor fechou os olhos e ao fazer isso ele sentiu-se transportado para outro mundo. Por favor, Deus… Thor disse para si mesmo. Permite-me viver o dia de hoje. Simplesmente dá-me a força para matar esses soldados. Permite que eu possa morrer outro dia, em algum outro lugar, com honra. Permite que eu viva o suficiente para vingar essas mortes. Permite que eu veja Gwendolyn uma última vez. Enquanto Thor estava deitado ali, vendo a adaga descer, ele sentia o tempo ficar devagar até praticamente parar. Ele sentiu uma onda repentina de calor subir por suas pernas, torso e braços; a onda percorreu todo o caminho até chegar às palmas das mãos e alcançar as pontas dos dedos, produzindo um formigamento tão intenso que Thor não conseguia nem sequer fechar os dedos. A incrível onda de calor e energia estava pronta para irromper através dele. Thor girou ao redor, sentindo-se carregado com uma nova força, então ele apontou com a palma da mão para seu atacante. Uma esfera de luz branca emanou da palma da mão e mandou o atacante voando pelo campo de batalha, derrubando vários outros soldados junto com ele. Thor estava transbordando de energia, ele apontava com as palmas das mãos, para todas as direções no campo de batalha. Enquanto ele o fazia, fachos de luz brancos irradiavam por toda parte, criando ondas de destruição tão rápidas e intensas, que em poucos minutos, todos os soldados do Império jaziam em uma grande pilha, mortos. Quando o calor do momento arrefeceu, Thor fez um balanço da situação. Ele, Reece, O’Connor, Elden e Conven estavam vivos. Perto dele estavam Krohn e Indra, também vivos. Krohn respirava com dificuldade. Todos os soldados do Império estavam mortos e aos seus pés jazia Conval, sem vida. Dross estava morto também, a espada de um soldado do Império estava atravessada em seu coração. O único que restava vivo era Drake. Ele ficou ali, gemendo no chão, com um ferimento no estômago causado pelo punhal de um soldado do Império. Thor marchou até ele quando Reece, O’Connor e Elden o fizeram levantar-se gemendo de dor. Drake, encolhendo-se de dor, zombou deles com insolência, em seu estado semi-consciente. “Você deveria ter nos matado desde o início.” Drake disse, enquanto o sangue escorria de sua boca, suas palavras foram cortadas por uma longa tosse. “Você sempre foi muito ingênuo. Muito estúpido.” Thor sentiu seu rosto corar, ele ficou ainda mais furioso consigo mesmo por acreditar neles. Ele estava furioso, acima de tudo, porque a sua ingenuidade havia resultado na morte de Conval. “Eu só vou perguntar para você uma vez.” Thor rosnou. “Responda-me com sinceridade, e nós vamos deixá-lo viver. Minta para nós, e você vai seguir o caminho de seus dois irmãos. A escolha é sua.” Drake tossiu várias vezes. “Onde está a espada?” Thor exigiu. “Diga a verdade desta vez.” Drake tossiu vez após vez, então, finalmente, levantou a cabeça. Ele olhou para cima e encontrou os olhos de Thor e seu olhar estava cheio de ódio. “Neversink.” Drake finalmente respondeu. Thor olhou para os outros, os quais olharam de volta para ele, confusos. “Neversink?” Thor perguntou. “É um lago sem fundo.” Indra interferiu na conversa, dando um passo à frente. “Do outro lado do Grande Deserto. É o lago de maior profundeza que existe.” Thor franziu o cenho de volta para Drake. “Por quê?” Ele perguntou. Drake tossiu, ele estava cada vez mais fraco. “Ordens de Gareth.” Drake disse. “Ele queria que ela fosse lançada em um lugar do qual nunca pudesse ser recuperada.” “Mas por quê?” Thor insistiu confuso. “Por que destruir a espada?” Drake olhou para cima e encontrou os olhos dele. “Se ele não conseguiu erguê-la…” Drake disse. “Então ninguém mais poderia.” Thor olhou longa e duramente para ele e finalmente, sentiu-se convencido de que ele estava dizendo a verdade. “Então o nosso tempo é curto.” Thor disse, preparando-se para ir embora. Drake abanou a cabeça. “Você nunca vai chegar lá a tempo.” Drake Disse. “Eles estão vários dias a sua frente. A espada já está perdida para sempre. Desistam e voltem para o Anel e poupem vocês mesmos de tanto sacrifício.” Thor abanou sua cabeça. “Nós não pensamos como você.” Ele replicou. “Nós não vivemos apenas para salvar nossas vidas. Vivemos por nossos valores, por nossos códigos. E nós iremos até onde isso nos conduzir.” “Veja até onde os seus valores trouxeram você até agora.” Disse Drake. “Mesmo com os seus valores, você é um tolo, assim como o resto deles. Seus valores de nada servem.” Thor olhou com desprezo para ele. Ele mal podia acreditar que tinha sido criado na mesma casa e passado toda a sua infância com aquela criatura. Os nós dos dedos de Thor ficaram brancos quando ele apertou o punho da espada, querendo mais do que nunca matar o rapaz. Os olhos de Drake seguiam suas mãos. “Faça isso.” Drake disse. “Vamos, mate-me. Faça isso de uma vez por todas.” Thor olhou longa e duramente para ele, louco de vontade de matá-lo. Mas ele tinha dado sua palavra. Se Drake contasse a verdade, ele não iria matá-lo. E Thor sempre era fiel a sua palavra. “Eu não vou matá-lo.” Thor disse finalmente. “Por mais que você mereça. Você não vai morrer por minhas mãos, se eu agisse assim, eu seria tão baixo como você.” Quando Thor começou a virar-se, Conven correu e gritou: “Isto é por meu irmão!” Antes que qualquer um deles pudesse reagir, Conven levantou a espada e traspassou o coração de Drake. Os olhos de Conven se iluminaram com loucura e com pesar, enquanto ele segurava Drake em um abraço mortal e assistia a queda do corpo inerte de Drake no chão, já sem vida. Thor olhou para baixo e sabia que a morte de Drake seria de pouco consolo para a perda de Conven. Por toda a sua perda. Mas, pelo menos, era algo. Thor olhou para a vasta extensão do deserto diante deles e sabia que a espada estava em algum lugar além de suas fronteiras. Ela parecia estar a um planeta de distância. Justo quando Thor pensou que sua jornada estava completa, ele percebeu que ela ainda não tinha nem sequer começado. CAPÍTULO TRÊS Erec estava sentado entre as dezenas de cavaleiros do Duque, no salão de armas dentro do castelo, seguros atrás dos portões de Savária. Todos eles estavam machucados e surrados de seu encontro com aqueles monstros. Ao seu lado estava sentado seu amigo Brandt, o qual segurava a cabeça entre as mãos, tal como faziam muitos outros. O ambiente na sala era triste. Erec sentia isso também. Cada músculo de seu corpo doía devido àquele dia de batalha contra aqueles monstros, junto com os homens do lorde. Tinha sido um dos dias de batalha mais difíceis que Erec podia lembrar e o Duque tinha perdido muitos homens. Enquanto Erec refletia, ele percebeu que se não fosse por Alistair, ele, Brandt e os outros já estariam mortos. Erec estava cheio de gratidão a ela, além disso, ele sentia seu amor renovado. Ele também estava intrigado por ela, mais do que já tinha estado. Ele sempre tinha sentido que ela era especial, até mesmo poderosa. Mas os acontecimentos daquele dia tinham lhe confirmado isso. Ele tinha um ardente desejo de saber mais sobre quem ela realmente era e sobre o segredo de sua linhagem. Mas ele havia prometido não intrometer-se e ele sempre mantinha a sua palavra. Erec mal podia esperar que aquela reunião terminasse, para que ele pudesse vê-la novamente. Os cavaleiros do Duque tinham estado sentados ali por horas, se recuperando, tentando descobrir o que tinha acontecido e discutindo sobre o que fazer a seguir. O escudo estava inativo e Erec ainda estava tentando concluir quais seriam as derivações que isso poderia ter. Isso significava que Savária agora estava sujeita a ataques; pior ainda, mensageiros haviam chegado e transmitido as notícias da invasão de Andronicus e do que tinha acontecido na Corte do Rei em Silésia. O coração de Erec estava apertado. Seu coração o impelia a estar com seus irmãos do Exército Prata, para defender as suas cidades de origem. Mas ali estava ele, em Savária, onde o destino o havia colocado. Sua presença era necessária ali também, afinal a cidade e o povo do Duque eram uma parte estratégica do império MacGil e eles também precisavam defender-se. Mas novos relatórios chegavam constantemente informando que Andronicus enviaria um de seus batalhões ali, para atacar Savária. Erec sabia que os milhões de homens do exército dele logo se espalhariam por cada canto do Anel. Quando isso fosse feito, Andronicus não deixaria nada em pé. Erec tinha ouvido histórias das conquistas dele durante toda sua vida; ele sabia que Andronicus era um homem cruel, sem igual. Pelas simples leis matemáticas, algumas centenas de homens do Duque seriam incapazes de levantar-se contra eles. Savária era uma cidade condenada. “Eu digo que nos rendamos.” Disse o conselheiro do Duque, um velho guerreiro grisalho que estava sentado meio arriado sobre uma longa mesa retangular de madeira e perdido em uma caneca de cerveja. Ele bateu sua luva de metal contra a madeira e todos os outros soldados se acalmaram e olharam para ele. “Que escolha nós temos?” Acrescentou. “Nós não somos mais do que apenas algumas centenas, contra um milhão deles.” “Talvez nós possamos defender, ou pelo menos manter a cidade.” Disse outro soldado. “Mas por quanto tempo?” Perguntou outro. “Tempo suficiente para que MacGil envie reforços, se é que podemos aguentar o tempo suficiente.” “MacGil está morto.” Respondeu outro guerreiro. “Ninguém virá nos ajudar.” “Mas sua filha vive.” Outro rebateu. “E seus homens também. Eles não nos abandonariam aqui!” “Eles mal podem defender a si mesmos!” Protestou outro. Os homens irromperam em murmúrios agitados, todos discutindo entre si, falando uns para os outros, dando voltas e voltas em círculos. Erec ficou sentado ali observando tudo, sentindo-se esgotado. Um mensageiro havia chegado há algumas horas e tinha dado a terrível notícia sobre a invasão de Andronicus. Além disso, ele recebia naquele exato momento, uma notícia ainda pior: o Rei MacGil havia sido assassinado. Erec tinha estado longe da Corte do Rei por tanto tempo, aquela era primeira vez que ele recebia notícias. Ao recebê-las, ele sentiu como se um punhal tivesse atravessado seu coração. Ele tinha amado MacGil como um pai e sua perda deixou-o sentindo-se mais vazio do que ele jamais poderia expressar. A sala ficou em silêncio, o Duque pigarreou e todos os olhos se voltaram para ele. “Nós podemos defender nossa cidade contra um ataque.” Disse o Duque lentamente. “Com nossas habilidades e a força dessas paredes, podemos aguentar um exército até cinco vezes superior a nós em número, talvez um exército até dez vezes maior que o nosso. E temos provisões suficientes para resistir a um cerco por semanas. Se estivéssemos lutando contra um exército comum, com certeza nós ganharíamos.” Ele suspirou. “Mas o Império se jacta de não ser um exército qualquer.” Acrescentou. “Nós não podemos nos defender de um milhão de homens. Seria inútil.” Ele fez uma pausa. “Tudo menos render-se. Todos nós sabemos o que Andronicus faz com seus prisioneiros. Eu sei que todos nós vamos morrer de um jeito ou de outro. A questão é se nós morreremos de pé, lutando, ou se morreremos derrotados sobre nossas costas. Eu digo que nós morramos de pé, lutando!” A sala explodiu em um grito de aprovação. Erec concordava totalmente com aquelas palavras. “Então só nos resta uma coisa a fazer.” Continuou o Duque. “Nós vamos defender Savária. Nós nunca nos renderemos. Pode ser que morramos, mas todos nós morreremos juntos.” A sala foi mergulhada em um silêncio pesado enquanto todos acenavam solenemente uns para os outros. Parecia que todos buscavam outra resposta. “Há outra possibilidade.” Finalmente Erec disse em voz alta. Ele podia sentir todos os olhos se virarem e olhar para ele. O Duque assentiu, concedendo-lhe a palavra. “Nós podemos atacar.” Disse Erec. “Atacar? “ Os soldados exclamaram surpresos. “Apenas algumas centenas de nós, atacando um milhão de homens? Erec, eu sei que você é destemido, mas você está louco?” Erec abanou sua cabeça, ele falava sério, muito sério. “O que vocês não estão levando em conta é que os homens de Andronicus jamais esperariam um ataque. Nós teríamos o fator surpresa a nosso favor. Como vocês bem disseram, sentados aqui, apenas nos defendendo, nós todos morreremos. Se atacarmos, nós poderemos abater muitos mais deles; o mais importante, se atacarmos da maneira certa e no lugar certo, poderemos fazer mais do que simplesmente resistir: nós poderemos até mesmo vencer.” “Vencer?!” Todos eles exclamaram, olhando para Erec, completamente desnorteados. “O que você quer dizer?” Perguntou o Duque. “Andronicus esperará que estejamos aqui, que nós permaneçamos aqui e defendamos a nossa cidade.” Explicou Erec. “Seus homens nunca esperarão que mantenhamos um eventual bloqueio fora dos portões da nossa cidade. Aqui na cidade, temos a vantagem das muralhas fortes, mas lá fora, no campo, nós temos a vantagem da surpresa. E a surpresa é sempre superior à força. Se conseguirmos manter um bloqueio natural, nós poderemos canalizar todos eles para um ponto e, a partir daí, podemos atacar. Eu me refiro à Ravina Oriental.” “A Ravina Oriental?” Perguntou um soldado. Erec assentiu com um movimento de cabeça. “É uma brecha íngreme entre dois penhascos, a única passagem nas montanhas Kavônia, a um bom dia de viagem daqui. Se os homens de Andronicus vierem até nós, a maneira mais direta será através da ravina. Caso contrário, eles vão ter de escalar as montanhas. A estrada do Norte é muito estreita e muito barrenta nesta época do ano, ele perderia semanas. E a partir do Sul, ele teria de atravessar o Rio Fiorde.” O Duque olhava com admiração para Erec, esfregando sua barba enquanto pensava. “Você pode estar certo. Andronicus poderia simplesmente levar seus homens através da ravina. Para qualquer outro exército seria um ato de arrogância suprema. Mas Andronicus com seus milhões de homens, seria muito bem capaz de fazer isso.” Erec assentiu com um movimento de cabeça. “Se conseguirmos chegar lá, se é que podemos induzi-los a isso, poderemos surpreendê-los e emboscá-los. Em uma posição como essa, uns poucos homens são capazes de conter milhares.” Todos os outros soldados olharam para Erec, com algo parecido com esperança e reverência em seus olhos, logo depois, a sala mergulhou em um silêncio espesso. “Um plano ousado, meu amigo.” Disse o Duque. “Podemos ver que você é um guerreiro corajoso. Você sempre foi.” O Duque fez um gesto para um atendente. “Traga-me um mapa!” Um rapaz saiu correndo da sala e voltou por outra porta, segurando um grande rolo de pergaminho. Ele o desenrolou em cima da mesa e os soldados se reuniram em torno dele estudando-o. Erec estendeu a mão e encontrou Savária no mapa, ele traçou uma linha para o Leste com o dedo, parando na Ravina Oriental. Um passo estreito que se encontra rodeado de montanhas, até onde a vista alcança. “É perfeito.” Disse um soldado. Os outros concordaram, esfregando a barba. “Já ouvi histórias de algumas dezenas de homens que detiveram milhares na ravina.” Disse um soldado. “Isso é história da carochinha.” Outro soldado disse, cinicamente. “Sim, nós contamos com o elemento surpresa. Mas com o que mais? Não vamos ter a proteção de nossas muralhas.” “Nós teremos a proteção das paredes da natureza.” Outro soldado respondeu. “A dessas montanhas, a centenas de metros de um sólido precipício.” “Nada é seguro.” Erec acrescentou. “Como o Duque disse, nós podemos morrer aqui, ou morrer lá fora. Eu digo que devemos morrer lá fora. A vitória favorece os audazes.” O Duque, depois de ficar um longo tempo esfregando sua barba, finalmente balançou a cabeça, recostou-se e enrolou o mapa. “Preparem suas armas!” Exclamou ele. “Nós partimos esta noite!” * Erec marchava pelo corredor do castelo do Duque, vestido novamente com sua armadura, sua espada balançava em sua cintura, ele dirigia-se para o lado oposto aos demais homens. Ele tinha uma tarefa importante para cumprir, antes de partir para o que poderia ser sua última batalha. Ele devia ver Alistair. Desde que havia retornado daquele dia de batalha, Alistair tinha estado aguardando no castelo, ao fundo do corredor em seu próprio quarto, esperando que Erec fosse até ela. Ela estava esperando por um reencontro feliz e o coração de Erec ficou apertado quando ele percebeu que teria de partilhar com ela a má notícia de que ele estaria saindo novamente. Ele sentia uma certa sensação de paz, sabendo que pelo menos ali ela estaria segura, dentro das muralhas daquele castelo. Ele se sentia mais determinado do que nunca a mantê-la segura, a protegê-la do Império. Seu coração doía com a ideia de deixá-la; tudo o que ele desejava era passar o tempo com ela, desde que os dois haviam se comprometido para casar. Mas isso, simplesmente, não parecia estar destinado a ocorrer. Erec virou a esquina, suas esporas tilintavam e suas botas ecoavam nos corredores vazios do castelo; ele se preparava para o adeus, o qual ele sabia que seria doloroso. Ele finalmente chegou até uma antiga porta arqueada de madeira e bateu suavemente com sua luva. Ouviu-se o som de passos atravessando a sala e um momento depois a porta se abriu. O coração de Erec se revigorou tal como fazia cada vez que ele via Alistair. Lá estava ela, na porta, com seu cabelo longo e loiro esvoaçante e seus olhos grandes de cristal olhando para ele como uma aparição. Ela parecia ficar mais bonita cada vez que ele a via. Erec entrou e abraçou-a e ela o abraçou de volta. Ela o abraçou com força por um longo tempo, não querendo soltá-lo. Ele tampouco queria soltá-la. Ele queria mais do que qualquer coisa simplesmente poder fechar a porta atrás dele e ficar ali com ela, durante o tempo que pudesse. Mas isso não era possível. A calidez e o aconchego dos braços dela davam a ele a sensação de que tudo estava em paz no mundo e ele estava relutante em soltá-la. Finalmente, ele se afastou e olhou nos olhos dela, eles estavam brilhando. Ela olhou para sua armadura, para suas armas e seu semblante caiu quando ela percebeu que ele não iria permanecer com ela. “Vai partir novamente, meu senhor?” Perguntou ela. Erec baixou sua cabeça. “Parto contra meu desejo, minha senhora.” Ele replicou. “O Império se aproxima. Se eu ficar aqui, vamos todos morrer.” “E se você morrer?” Perguntou ela. “Eu certamente morrerei algum dia, de uma maneira ou de outra.” Admitiu ele. “Mas isso pelo menos vai dar a todos nós uma chance. Uma pequena chance, mas uma chance enfim.” Alistair virou-se e caminhou até a janela, olhando para o pátio do Duque banhado pelo pôr-do-sol, o rosto dela estava iluminado pela luz suave. Erec podia ver a tristeza gravada nele, ele foi até ela, afastou o cabelo de seu pescoço e a acariciou. “Não fique triste, minha amada.” Disse. “Se eu sobreviver, eu voltarei para você. E então nós estaremos juntos para sempre, livre de todos os perigos e ameaças. Estaremos livres para finalmente viver nossas vidas juntos.” Ela balançou a cabeça tristemente. “Eu tenho medo.” Disse ela. “Do exército que se aproxima?” Ele perguntou. “Não.” Ela disse voltando-se para ele. “Eu tenho medo de você.” Erec olhou para ela, confuso. “Eu tenho medo do que você possa pensar de mim agora.” Disse ela. “Depois que você viu o que aconteceu no campo de batalha.” Erec abanou sua cabeça. “Eu não penso em você de forma diferente, de modo algum.” Disse ele. “Você salvou a minha vida e eu estou muito grato por isso.” Ela balançou a cabeça. “Mas você também viu um lado diferente de mim.” Disse ela. “Você viu que eu não sou normal. Eu não sou como todo mundo. Eu tenho um poder dentro de mim que eu não entendo. E agora eu temo que você me considere como uma espécie de monstro. Uma mulher que você já não quer como esposa.” O coração de Erec ficou partido ao ouvir as palavras dela. Ele deu um passo à frente, tomou as mãos dela firmemente entre as suas e olhou nos olhos dela com toda a seriedade que ele pôde conseguir reunir. “Alistair.” Disse ele. “Eu a amo com toda a minha alma. Nunca houve uma mulher que eu amasse mais. E nunca haverá. Eu a amo por tudo o que você é. Eu não vejo você de maneira diferente de nenhuma outra pessoa. Seja qual for o poder que você tiver, seja você quem for – mesmo que eu não entenda, eu aceito tudo isso. Sou grato por tudo isso. Eu jurei não me intrometer e vou manter essa promessa. Eu nunca vou lhe perguntar nada. “Seja quem você for, eu a aceitarei tal como você é.” Ela o fitou por um longo tempo, então lentamente abriu um sorriso e seus olhos se encheram de lágrimas de alívio e alegria. Ela virou-se e abraçou-o, abraçou fortemente, abraçou-o com toda a força que ela tinha. Ela sussurrou no ouvido dele: “Volte para mim.” CAPÍTULO QUATRO Gareth estava à beira da caverna, observando o sol se pôr enquanto esperava. Ele lambeu os lábios secos e tentou se concentrar, os efeitos do ópio finalmente estavam passando. Ele estava tonto e não tinha bebido ou comido por dias. Gareth pensou novamente em sua ousada fuga do castelo, quando ele se esgueirou pela passagem secreta atrás da lareira e escapou bem antes que Lord Kultin tentasse emboscá-lo, ele sorriu. Kultin tinha sido inteligente em seu golpe, mas Gareth tinha sido mais esperto. Como todo mundo, ele tinha subestimado Gareth; ele não tinha percebido que os espiões de Gareth estavam por toda parte e que ele tinha sido informado sobre sua trama, quase que instantaneamente. Gareth tinha escapado a tempo, bem antes que Kultin o emboscasse e antes que Andronicus invadisse a Corte do Rei e a devastasse. Lorde Kultin tinha lhe feito um enorme favor. Gareth tinha seguido as antigas passagens secretas que levavam ao exterior do castelo, elas davam várias voltas abaixo do solo e finalmente o conduziram para fora, para o campo. Ele emergiu em uma vila remota a quilômetros da Corte do Rei. Ele tinha saído perto daquela caverna e tinha se derrubado logo depois de chegar a ela. Ele dormiu durante todo o dia, encolhido e tremendo de frio no ar implacável do inverno. Ele desejou ter trazido mais camadas de roupas. Desperto, Gareth agachou-se e viu ao longe, uma pequena aldeia agrícola; Havia um punhado de choupanas e a fumaça subia de suas chaminés. Havia soldados de Andronicus por todas as partes, marchando através da aldeia e do campo. Gareth esperou pacientemente até que eles se dispersassem. Seu estômago doía de fome e ele sabia que precisava chegar até uma daquelas casas. Ele podia sentir o cheiro da comida cozinhando, ali mesmo onde estava. Gareth correu para fora da caverna, olhando para todos os lados, respirando com dificuldade, agitado e com medo. Ele não tinha se exercitado nos últimos anos e estava ofegante com o esforço; isso o fez perceber o quão magro e doente ele tinha se tornado. O ferimento em sua cabeça, onde sua mãe o tinha atingido com o busto, latejava. Se ele sobrevivesse a tudo aquilo, ele jurou que a mataria com suas próprias mãos. Gareth correu para a aldeia, ele teve a sorte de escapar de ser detectado pelos poucos soldados do Império, os quais estavam com as costas viradas para ele. Ele correu para a primeira casa que viu, uma casa simples, de um só cômodo, idêntica as demais, um brilho cálido provinha do seu interior. Ele viu uma jovem adolescente, talvez de sua idade, caminhando através da porta aberta com uns pedaços de carne empilhados em um prato. Ela sorria e estava acompanhada por uma menina mais nova que talvez fosse sua irmã e tivesse uns dez anos. Ele decidiu que aquele era o lugar. Gareth irrompeu pela porta junto com elas, acompanhando-as e batendo a porta atrás de si. Ele agarrou a menina mais nova por trás e passou o braço em volta do pescoço dela. A menina gritou quando Gareth puxou um punhal da cintura e segurou-o contra a garganta dela. A garota mais velha deixou cair o prato de comida. Ela gritou e exclamou. “PAPAI!” Gareth virou-se e olhou ao redor da casa aconchegante, iluminada pela luz de velas e envolta no cheiro da comida. Então ele viu, além da adolescente, a mãe e o pai, de pé ao lado de uma mesa, olhando para ele com os olhos arregalados de medo e raiva. “Permaneçam atrás e assim eu não a matarei!” Gareth gritou desesperado, afastando-se deles e segurando a jovem firmemente. “Quem é você?” A jovem adolescente perguntou. “Meu nome é Sarka. O nome de minha irmã é Larka. Nós somos uma família pacífica. O que você quer com minha irmã? Deixe-a em paz!” “Eu sei quem você é.” O pai olhou para ele em sinal de desaprovação. “Você é o ex-rei. O filho de MacGil.” “Eu ainda sou Rei.” Gareth gritou. “E vocês são meus súditos. Vocês vão fazer o que eu disser!” O pai franziu o cenho para ele. “Se você é o rei, onde está seu exército?” Ele perguntou. “E se você é o rei, qual é o seu interesse ao tomar como refém uma jovem menina inocente, com um punhal real? Talvez o mesmo punhal real que usou para matar o seu próprio pai?” O homem disse com desprezo. “Eu ouvi os rumores.” “Você tem uma língua afiada.” Gareth disse. “Continue falando e eu mato sua filha.” O pai engoliu em seco, arregalando os olhos com medo, logo ele ficou em silêncio. “O que quer de nós?” A mãe gritou. “Comida.” Gareth disse. “E abrigo. Alertem os soldados de minha presença e eu prometo que matarei a menina. Nada de truques, vocês entendem? Vocês me deixam ficar e ela viverá. Eu quero passar a noite aqui. Você, Sarka, traga-me aquele prato de carne. E você, mulher, atice o fogo e traga-me um manto para cobrir meus ombros. Movam-se devagar!” Alertou ele. Gareth viu quando o pai acenou com a cabeça para a mãe. Sarka colocou a carne de volta no seu prato, enquanto a mãe se aproximou com um manto grosso e o colocou sobre os ombros dele. Gareth, ainda tremendo, retrocedeu lentamente em direção à lareira, logo o calor do fogo aqueceu suas costas quando ele se sentou no chão ao lado dela, agarrando Larka com força. A menina ainda estava chorando. Sarka aproximou-se com o prato. “Sente-se no chão ao meu lado!” Gareth ordenou. “Lentamente!” Sarka fez o que ele pediu com uma expressão carrancuda, ela olhou para sua irmã com preocupação e colocou bruscamente o prato no chão ao lado dele. Gareth foi dominado pelo cheiro. Ele se abaixou e pegou um pedaço de carne com a mão livre, enquanto segurava o punhal contra a garganta de Larka com a outra mão; ele mastigava e mastigava, fechando os olhos, saboreando cada mordida. Ele mastigava mais rápido do que podia engolir, os pedaços de comida pendiam de sua boca. “Vinho!” Ele exclamou. A mãe trouxe-lhe um odre de vinho e Gareth o espremeu  em sua boca cheia, sorvendo-o. Ele respirou fundo, mastigando e bebendo, ele estava começando a sentir-se normal de novo. “Agora solte a menina!” O pai disse. “De jeito nenhum.” Gareth respondeu. “Eu vou dormir a noite aqui, assim, com ela em meus braços. Ela vai estar segura se eu também estiver. Você quer ser um herói? Ou você quer que sua filha viva?” Todos os membros da família se entreolharam hesitantes, sem palavras. “Posso lhe fazer uma pergunta?” Sarka perguntou para ele. “Se você é um rei tão bom, por que você trata seus súditos dessa maneira?” Gareth olhou de volta para ela, perplexo, então finalmente ele se inclinou para trás e caiu na gargalhada. “Quem disse que eu era um bom rei?” CAPÍTULO CINCO Gwendolyn abriu os olhos, sentindo o mundo se mover ao seu redor, ela se esforçou para descobrir onde estava. Ela viu-se passando pelos enormes portões de pedra vermelha e arqueados de Silésia, ela viu milhares de soldados do Império que a olhavam com admiração. Ela viu Steffen, caminhando ao lado dela e ela viu como o céu se movia para cima e para baixo. Ela percebeu que estava sendo carregada. Ela percebeu que estava nos braços de alguém. Ela esticou o pescoço e viu os brilhantes e intensos olhos de Argon. Ela percebeu que estava sendo levada por Argon, Steffen seguia ao seu lado, os três ingressavam livremente pelos portões de Silésia, passavam por milhares de soldados do Império, os quais abriam caminho para eles e os observavam. Eles estavam rodeados por um brilho branco e Gwendolyn podia sentir-se imersa em uma espécie de escudo de energia protetora nos braços de Argon. Ela percebeu que ele estava lançando algum tipo de feitiço para manter todos os soldados sob controle. Gwen se sentiu confortada, protegida nos braços de Argon. Cada músculo em seu corpo doía, ela estava exausta e não sabia se poderia andar caso tentasse. Seus olhos tremulavam enquanto andavam e ela via o mundo passar por ela em pequenos fragmentos. Ela viu um pedaço de um muro em ruínas; um parapeito desmoronado; uma casa incendiada; uma pilha de escombros; ela via tudo isso enquanto eles atravessavam o pátio e chegavam aos portões mais distantes na borda do Canyon; ela viu-se passando por aqueles portões também e viu os soldados se afastando. Eles chegaram à beira do Canyon, até a plataforma coberta de puas de metal. Argon aguardou ali e logo a plataforma foi baixada, levando-os de volta para as profundezas da baixa Silésia. Ao entrarem na cidade baixa, Gwendolyn viu dezenas de rostos, os rostos preocupados e amáveis dos cidadãos de Silésia. Eles assistiam a sua passagem como se fosse um espetáculo. Todos olhavam para ela com olhares de admiração e preocupação, enquanto ela continuava descendo até a praça principal da cidade. Quando chegaram ali, centenas de pessoas se aglomeraram ao redor deles. Ela olhou ao redor e viu os rostos familiares de Kendrick, Srog, Godfrey, Brom, Kolk, Atme e de dezenas de homens do Exército Prata e da Legião a quem ela reconheceu. Eles se reuniram em torno dela, via-se a angústia em seus rostos no sol da manhã, a névoa serpenteava pelo Canyon e uma brisa fria a espetou. Ela fechou os olhos, tentando fazer com que tudo desaparecesse. Ela  se sentia como um objeto em exibição, sentia que havia sido esmagada até o mais íntimo de seu ser. Ela sentia-se humilhada. Ela sentia que havia decepcionado todos eles. Eles continuaram passando por todo o povo, pelas ruelas estreitas da cidade baixa, atravessaram outra entrada em arco e, finalmente, chegaram ao palacete da baixa Silésia. Gwen perdeu e recobrou a consciência várias vezes, enquanto entravam em um magnífico castelo vermelho, subiam até um conjunto de escadas, percorriam um longo corredor e atravessaram outra entrada alta e arqueada. Finalmente, uma pequena porta se abriu e eles entraram num quarto. O quarto estava escuro. Parecia ser um quarto grande, com uma antiga cama de dossel em seu centro. O fogo crepitava em uma antiga lareira de mármore, não muito longe da cama. Vários servos se encontravam na sala e Gwendolyn sentiu quando Argon a levou para a cama, colocando-a suavemente sobre ela. Quando ele fez isso, várias pessoas a rodearam e a olharam com preocupação. Argon retirou-se, ele deu alguns passos para trás e desapareceu no meio da multidão. Ela o procurou, piscando várias vezes, mas não conseguia mais encontrá-lo. Ele se havia ido. Ela sentiu a ausência de sua energia protetora, a qual havia estado envolvendo-a como um escudo. Ela sentia mais frio, sentia-se menos protegida, sem ele por perto. Gwen lambeu os lábios rachados e um momento depois sentiu que sua cabeça estava sendo apoiada sobre um travesseiro, logo uma jarra com água foi levada aos seus lábios. Ela bebeu e bebeu, percebendo o quanto estava com sede. Ela olhou para cima e viu uma mulher cujo rosto era familiar. Illepra, a curandeira real. Illepra tinha a vista baixa, seus olhos castanhos e suaves estavam cheios de preocupação enquanto ela dava água a Gwendolyn, passava um pano quente sobre sua testa e afastava o cabelo seu rosto. Ela pousou a mão sobre sua testa e Gwen sentiu uma energia curativa fluir através dela. Ela sentiu seus olhos ficarem pesados, logo ela sentiu que eles se fechavam contra sua vontade. * Gwendolyn não sabia quanto tempo tinha passado, até que ela abriu os olhos novamente. Ela ainda se sentia exausta, desorientada. Em seus sonhos, ela tinha ouvido uma voz e agora ela a ouvia novamente. “Gwendolyn.” Disse a voz. Ela a ouviu ecoar em sua mente e se perguntou quantas vezes haviam chamado o nome dela. Ela olhou para cima e reconheceu Kendrick, olhando para ela. De pé ao lado dele estava seu irmão Godfrey, junto com Srog, Brom, Kolk e vários outros. Do outro lado dela estava Steffen. Gwen odiava as expressões de seus rostos. Eles olhavam para ela como se ela fosse uma pobre coitada, como se ela tivesse retornado do mundo dos mortos. “Minha irmã.” Kendrick disse, sorrindo. Ela podia ouvir a preocupação em sua voz. “Diga-nos o que aconteceu.” Gwen balançou a cabeça, cansada demais para contar tudo. “Andronicus.” Ela disse, com voz rouca, sua voz não era mais que um sussurro. Ela limpou a garganta. “Eu tentei… render-me… em troca da cidade… eu confiava nele. Estúpida…” Ela balançou a cabeça vez após vez, uma lágrima rolou pelo seu rosto. “Não, você é nobre.” Kendrick corrigiu apertando-lhe a mão. “Você é a pessoa mais corajosa de todos nós.” “Você fez o que todo grande líder teria feito.” Godfrey disse dando um passo adiante. Gwen balançou a cabeça. “Ele nos enganou…” Gwendolyn disse. “… Ele me atacou. Ele mandou McCloud me atacar.” Gwen não pôde mais aguentar: ela começou a chorar enquanto falava as palavras, incapaz de conter-se. Ela sabia que isso não era próprio de um líder, mas ela não podia controlar-se. Kendrick tomou a mão dela entre as suas e a apertou suavemente. “Eles iam me matar…” Disse ela. “… Mas Steffen salvou-me…” Todos os homens olharam para Steffen com um novo respeito, ele estava, como sempre, lealmente ao lado de Gwen, com sua cabeça inclinada. “O que fiz foi muito pouco e muito tarde.” Ele respondeu humildemente. “Eu era um só homem contra muitos.” “Mesmo assim, você salvou nossa irmã e por isso, estaremos sempre em dívida com você.” Disse Kendrick. Steffen abanou sua cabeça. “Eu tenho uma dívida muito maior para com ela.” Respondeu ele. Gwen chorava. “Argon nos salvou a ambos.” Concluiu ela. O rosto de Kendrick ficou sombrio. “Nós vingaremos você.” Disse ele. “Não é por mim que eu que estou preocupada.” Disse ela. “É pela cidade… pelo nosso povo… Silésia… Andronicus… ele vai atacar.…” Godfrey deu um tapinha na mão dela. “Não se preocupe com isso agora.” Disse ele, dando um passo à frente. “Descanse. Deixe que nós discutamos essas coisas. Você está segura agora, aqui.” Gwen sentiu os olhos dela se fechando. Ela não sabia se estava acordada ou sonhando. “Ela necessita dormir.” Illepra disse, dando um passo à frente com atitude protetora. Gwendolyn ouvia tudo isso vagamente enquanto se sentia cada vez mais sonolenta. Ela entrava e saía do estado de inconsciência. Por sua mente passavam as imagens de Thor e logo as de seu pai. Ela estava tendo dificuldades para discernir o que era real e o que era um sonho e ouvia apenas trechos da conversa acima de sua cabeça. “Que tão sérias são as suas feridas?” Disse uma voz, talvez fosse a voz de Kendrick. Ela sentiu Illepra pousar a palma da mão em sua testa. E foram dela as últimas palavras que Gwen ouviu, antes que seus olhos se fechassem: “As feridas do corpo são leves, meu senhor. São as feridas do seu espírito, as mais profundas.” * Quando Gwen acordou novamente, foi ao som de um fogo crepitante. Ela não podia dizer quanto tempo tinha passado. Ela piscou várias vezes enquanto olhava ao redor do quarto escuro. Ela viu que a multidão havia se dispersado. As únicas pessoas que permaneceram foram Steffen, sentado em uma cadeira ao lado da cama; Illepra, que estava sobre ela, aplicando uma pomada no seu pulso e apenas mais outra pessoa. Era um homem idoso e gentil que a olhava com preocupação. Ela quase o reconheceu, mas tinha dificuldade em identificá-lo. Ela sentia-se tão cansada, muito cansada, como se não tivesse dormido há anos. “Minha senhora?” O homem idoso disse, inclinando-se. Ele segurava algo grande em ambas as mãos, ela olhou para baixo e percebeu que era um livro com uma capa de couro. “Sou eu Aberthol.” Disse ele. “Seu antigo professor. Está me ouvindo?” Gwen engoliu saliva e assentiu lentamente, abrindo um pouco os olhos. “Eu estive esperando horas para vê-la.” Disse ele. “Eu a vi mexer-se inquieta.” Gwen assentiu lentamente, lembrando-se dele, grata por sua presença. Aberthol inclinou-se e abriu o grande livro, Gwen podia sentir o peso dele em seu colo. Ela ouviu o farfalhar de suas páginas pesadas enquanto ele as folheava. “É um dos poucos livros que eu salvei.” Ele disse. “… Antes do incêndio da Casa dos Eruditos. É o quarto volume dos anais dos MacGils. Você o leu antes. Dentro dele há histórias de conquistas, vitórias e derrotas é claro, mas há também outras histórias. Histórias de grandes líderes feridos. De feridas do corpo e feridas do espírito. Todos os tipos de lesões que possamos imaginar, minha senhora. E eu vim aqui para dizer-lhe isto: até mesmo os melhores homens e mulheres sofreram as formas mais inimagináveis de tratamento, lesões e tortura. A senhora não está sozinha. A senhora é apenas uma partícula da roda do tempo. Há inúmeros outros que sofreram coisas muito piores do que a senhora; muitos que sobreviveram, prosseguiram e se tornaram grandes líderes. “Não se sinta envergonhada.” Disse ele, agarrando-lhe o pulso. “É isso o que eu quero dizer-lhe. Nunca se envergonhe. Não deve haver nenhuma vergonha em sua pessoa, somente honra e coragem pelo que tem feito. A senhora é tão grande quanto qualquer líder que o Anel já viu. E isso em nada a diminui, de forma alguma.” Gwen, tocada por suas palavras, sentiu uma lágrima rolar pelo seu rosto. Suas palavras eram exatamente o que ela precisava ouvir e ela se sentia muito grata por elas. Naturalmente, ela sabia e entendia que ele estava certo. No entanto, ela ainda estava muito afetada emocionalmente e tinha dificuldades para sentir o que ele dizia. Uma parte dela não poderia deixar de sentir que de alguma forma, ela tinha sido afetada para sempre. Ela sabia que isso não era verdade, mas era assim como ela se sentia. Aberthol sorria enquanto ele segurava um livro menor. “Lembra-se deste aqui?” Perguntou ele, virando sua capa de couro vermelho. “Era o seu livro favorito de toda a infância. As lendas de nossos pais. Há uma história em particular aqui que eu gostaria de ler para você, para ajudá-la a passar o tempo.” Gwen estava comovida pelo gesto, mas ela não aguentava mais. Ela balançou a cabeça tristemente. “Obrigada.” Ela disse, com voz rouca, outra lágrima rolou pelo seu rosto. “Mas eu não posso ouvi-lo agora.” O rosto dele refletiu sua decepção e em seguida, ele assentiu, entendendo. “Em outra ocasião.” Disse ela, sentindo-se deprimida. “Eu preciso ficar sozinha. Eu gostaria, por favor, que me deixassem sozinha. Todos vocês.” Disse ela, virando-se e olhando para Steffen e Illepra. Todos eles se levantaram e fizeram uma pequena reverência, em seguida, se viraram e saíram da sala apressadamente. Gwen se sentiu culpada, mas ela não podia evitar isso; ela queria enroscar seu corpo como se fosse uma bola e morrer. Ela ouvia os passos de todos atravessando a sala, ouviu a porta fechar-se atrás deles e olhou ao redor para assegurar-se de que o quarto estivesse vazio. Mas ela se surpreendeu ao ver que não estava: ali estava uma figura solitária, de pé na soleira, ereta, com sua postura perfeita, como sempre. Ela caminhou bem devagar, com seu andar imponente até Gwen, parou a poucos metros de sua cama e olhou para ela, com seu rosto totalmente inexpressivo. Era sua mãe. Gwen ficou surpresa ao vê-la parada ali, a ex-rainha, tão imponente e orgulhosa como de costume, olhando para ela com uma expressão mais fria do que nunca. Não havia nenhuma compaixão em seus olhos, nada sequer comparável à compaixão que Gwen encontrou nos olhos de outros visitantes. “Por que está aqui?” Perguntou Gwen. “Eu vim aqui para vê-la.” “Mas eu não desejo vê-la.” Disse Gwen. “Eu não quero ver ninguém.” “Eu não me importo o que você quer.” Disse sua mãe, indiferente e confiante. “Eu sou sua mãe e eu tenho o direito de vê-la quando eu quiser.” Gwen sentiu a velha raiva contra sua mãe arder; ela era a última pessoa que ela queria ver naquele momento. Mas ela conhecia bem sua mãe e sabia que ela não iria embora antes de dizer tudo o que tinha em mente. “Então diga o que quer.” Disse Gwendolyn. “Fale e me deixe em paz de uma vez por todas.” Sua mãe suspirou. “Você não sabe disso.” Disse a mãe. “Mas quando eu era jovem e tinha sua idade, eu fui atacada da mesma forma que você.” Gwen olhou-a chocada; ela não tinha ideia. “Seu pai sabia disso…” Sua mãe continuou. “… E ele não se importou. Ele se casou comigo mesmo assim. Na época, era como se meu mundo tivesse acabado. Mas não acabou.” Gwen fechou os olhos, sentindo outra lágrima rolar pelo seu rosto, enquanto tentava bloquear aquele assunto. Ela não queria ouvir a história de sua mãe. Era um pouco tarde demais para que sua mãe demonstrasse ter qualquer compaixão real para com ela. Será que ela simplesmente pensava que poderia entrar ali, depois de tantos anos de tratamento cruel, oferecer uma história empática e pretender que em troca, todo o dano fosse reparado? “A senhora já acabou?” Perguntou Gwendolyn. Sua mãe deu um passo à frente. “Não, Eu não acabei.” Disse ela, com voz firme. “Você é a rainha agora, então já é hora de que você aja como uma.” Disse sua mãe, com uma voz tão dura como o aço. Gwen percebeu uma força na voz dela jamais sentida antes. “Você se lamenta. Mas as mulheres todos os dias, em todos os lugares, sofrem destinos muito piores do que você. O que aconteceu com você não é nada no esquema da vida. Você me entende? Nada.” Sua mãe suspirou. “Se você quiser sobreviver e sentir-se à vontade neste mundo, você deve ser forte. Mais forte do que os homens. Os homens terão você, de uma forma ou de outra. A vida não se trata apenas do que acontece com você – trata-se de como você percebe isso. Como você reage a isso. É sobre isso que você exerce o controle. Você pode se acovardar e morrer. Ou você pode ser forte. “Isso é o que separa as garotas das mulheres.” Gwen sabia que sua mãe estava tentando ajudar, mas ela se ressentia da falta de compaixão de sua abordagem. E ela odiava receber um sermão. “Eu odeio você.” Gwendolyn disse para a mãe. “Eu sempre odiei.” “Eu sei disso.” Disse sua mãe. “E eu odeio você também. Mas isso não significa que não possamos nos entender. Eu não quero o seu amor, o que eu quero é que você seja forte. Este mundo não é governado pelos fracos e assustadiços, ele é governado por aqueles que levantam a cabeça diante da adversidade, como se ela não fosse nada. Você pode entrar em colapso e morrer, se quiser. Há tempo de sobra para isso. Mas isso seria tedioso, chato. Seja forte e viva. Verdadeiramente viva. Seja um exemplo para os outros. Porque um dia, eu lhe garanto, você vai morrer de qualquer jeito. E enquanto você estiver viva, você pode muito bem viver de verdade.” “Deixe-me em paz!” Gwendolyn gritou incapaz de ouvir outra palavra. Sua mãe olhou para ela friamente, então, finalmente, depois de um silêncio interminável, ela virou-se e saiu caminhando pomposamente do quarto como um pavão, batendo a porta atrás de si. No silêncio vazio, Gwen começou a chorar, ela chorou por um longo tempo. Mais do que nunca, ela desejava que tudo aquilo acabasse. CAPÍTULO SEIS Kendrick estava ali no amplo patamar da borda do Canyon, observando através da névoa serpenteante. Enquanto ele olhava, seu coração estava partindo-se por dentro. Ele se sentia arrasado ao ver sua irmã daquele jeito, se sentia destroçado, como se ele próprio tivesse sido atacado. Ele podia ver nos rostos de todos os silesianos que eles consideravam Gwen como mais do que apenas um líder, todos eles a viam como parte de sua família. Eles estavam desanimados, também. Era como se Andronicus tivesse ferido a todos. Kendrick sentia-se culpado. Ele deveria ter calculado que sua irmã mais nova faria algo assim, já que ele sabia o quanto ela era corajosa; o quanto ela era orgulhosa. Ele deveria ter previsto que ela iria tentar entregar-se antes que qualquer um deles tivesse a chance de detê-la. Ele deveria ter encontrado uma maneira de impedi-la de fazer isso. Ele conhecia a natureza dela, sabia como ela era confiável, conhecia seu bom coração e ele, como um guerreiro também sabia, melhor do que ela, da brutalidade de certos líderes. Ele era mais velho e mais sábio do que ela e ele sentia que a havia decepcionado. Kendrick também se sentia culpado por tudo aquilo, aquela situação terrível era uma carga pesada demais para ser colocada na cabeça de uma única pessoa: um governante recém-coroado, uma garota de dezesseis anos de idade. Ela não devia ter suportado o peso daquela situação sozinha. Tal decisão de peso teria sido difícil até mesmo para sua própria cabeça, até mesmo para a cabeça de seu pai. Gwendolyn fez o melhor que podia ser feito naquelas circunstâncias, e, talvez melhor do que qualquer um deles teria feito. O próprio Kendrick não tinha tido a menor ideia de como lidar com Andronicus. Nenhum deles tinha. Kendrick pensou em Andronicus e seu rosto ficou vermelho de raiva. Ele era um líder sem moral, sem princípios, sem humanidade. Estava claro para Kendrick que se eles se rendessem naquele momento, todos iriam ter o mesmo destino: Andronicus iria matar ou escravizar todos e cada um deles. Algo havia mudado no ar. Kendrick podia ver nos olhos de todos os homens e podia senti-lo em si mesmo. Os silesianos já não tinham apenas a intenção de sobreviver; de simplesmente defender-se. Agora eles queriam vingança. “SILESIANOS!” Gritou uma voz. A multidão se acalmou e olhou para cima. Ali, na cidade alta, na borda do Canyon, olhando para eles, estava Andronicus, cercado por seus capangas. “Dou-lhes uma alternativa!” Ele trovejou. “Devolvam Gwendolyn e eu permitirei que vocês vivam! Senão, a partir do pôr-do-sol eu vou fazer chover fogo sobre vocês,  um fogo tão intenso que nenhum de vocês sobreviverá a ele.” Ele fez uma pausa, sorrindo. “É uma oferta muito generosa. Não demorem muito para ponderá-la.” Com isso, Andronicus virou-se e foi embora. Todos os silesianos se viraram e se entreolharam gradualmente. Srog deu um passo adiante. “Companheiros silesianos!” Trovejou Srog para uma enorme e crescente multidão de guerreiros, com uma seriedade que Kendrick jamais tinha visto nele. “Andronicus atacou o nosso melhor e mais estimado líder. A filha do nosso amado rei MacGil, uma grande rainha em seu pleno direito. Ele atacou todos e cada um de nós. Ele tentou colocar uma mancha em nossa honra, mas ele simplesmente manchou a sua própria!” “APOIADO!” Gritava a multidão, os homens se mexiam inquietos; cada um segurava os punhos de suas espadas, um fogo ardia em seus olhos. “Kendrick.” Srog disse, virando-se para ele. “O que propõe que façamos?” Kendrick lentamente olhou nos olhos de todos os homens diante de si. “NÓS ATACAREMOS!” Kendrick gritou, um fogo percorria suas veias. A multidão gritou de volta em aprovação, uma multidão que se espessava cada vez mais, via-se o destemor em seus olhos. Kendrick via que todas e cada uma daquelas pessoas, estavam prontas para lutar até a morte. “VAMOS MORRER COMO HOMENS E NÃO COMO CÃES!” Kendrick gritou novamente. “APOIADO!” Gritou a multidão, em resposta. “NÓS LUTAREMOS POR GWENDOLYN! LUTAREMOS POR NOSSAS MÃES, IRMÃS E ESPOSAS!” “APOIADO!” “POR GWENDOLYN!” Kendrick gritou. “POR GWENDOLYN!” Gritou a multidão, em resposta. A multidão gritou em êxtase, ela aumentava a cada momento. Com um grito final, eles seguiram Kendrick e Srog e prosseguiram pelo caminho até chegar ao estreito patamar, subindo cada vez mais até a parte alta de Silésia. Havia chegado a hora de mostrar a Andronicus de que o Exército Prata estava feito. CAPÍTULO SETE Thor estava de pé ali com Reece, O’Connor, Elden, Conven, Indra e Krohn, na foz do rio, todos eles olhavam para o cadáver de Conval. O clima no ar era sombrio. O próprio Thor sentia o peso disso sobre seu peito esmagando-o enquanto ele olhava para seu irmão da Legião: Conval, ali, morto. Tudo parecia irreal. Desde que Thor conseguia se lembrar, sempre houve seis deles, juntos naquela jornada. Ele nunca tinha imaginado que haveria apenas cinco. Isso o fez sentir  sua mortalidade. Thor pensou em todas as vezes que Conval o havia apoiado, lembrou-se de como ele sempre esteve ao seu lado, a cada passo de sua jornada, desde o primeiro dia em que Thor se juntou à Legião. Conval era como um irmão para ele. Conval sempre havia defendido Thor, sempre tivera uma palavra amável para ele; ao contrário de alguns, ele tinha aceitado Thor como um amigo desde o início. Vê-lo ali morto – e especialmente como resultado de seus erros – fazia com que Thor ficasse com o estômago embrulhado. Se ele nunca tivesse confiado nos três irmãos, talvez Conval estivesse vivo hoje. Thor não conseguia pensar em Conval sem Conven, os dois gêmeos idênticos, inseparáveis, sempre completando os pensamentos um do outro. Ele não podia imaginar a dor que Conven estava sentindo. Conven parecia não estar mais em seu juízo perfeito; aquele Conven feliz e despreocupado que ele uma vez havia conhecido parecia ter desaparecido em um piscar de olhos. Todos eles ainda permaneciam na beira do campo de batalha, onde tudo havia ocorrido. Os cadáveres dos soldados do Império estavam empilhados ao seu redor. Todos ficaram ali, grudados ao chão, olhando para Conval, nenhum deles estava disposto a seguir em frente, antes que pudessem dar a Conval um enterro digno. Eles tinham encontrado algumas peles de excelente qualidade vestindo alguns oficiais do Império, então eles os despojaram delas e com elas envolveram o cadáver de Conval. Eles o haviam colocado em um pequeno barco, o mesmo que eles tinham usado para chegar até aquele lugar, seu corpo jazia ali, longo e rijo, de frente para o céu. O enterro de um guerreiro. Conval parecia estar tão enrijecido, seu corpo estava rígido e azul, eram como se ele nunca tivesse vivido. Eles haviam estado ali, Thor não sabia por quanto tempo, cada um deles perdido em suas próprias dores, nenhum querendo ver o corpo do seu amigo ir-se. Indra, com seus olhos fechados, fazia movimentos circulares com a palma da mão sobre a cabeça de Conval, enquanto cantava algo em uma língua que Thor não entendia. Ele podia perceber o quanto ela gostava dele, pela forma solene com que ela conduzia o funeral. Thor sentia uma sensação de paz ao ouvir o som da voz dela. Nenhum dos rapazes sabia o que dizer e todos permaneciam ali, imersos em um profundo pesar, em silêncio, deixando Indra prosseguir com o ritual. Finalmente, Indra terminou e deu um passo para trás. Conven deu um passo à frente, as lágrimas escorriam pelo seu rosto, ele se ajoelhou ao lado de Conval, estendeu a mão, colocou-a sobre a mão dele e inclinou a cabeça. Conven estendeu a mão e empurrou o barco. Ele balançou nas águas plácidas do rio, e então de repente, a correnteza começou a levá-lo, arrastando-o para longe bem devagar, suavemente, como se entendesse do que se tratava. O barco foi afastando-se cada vez mais, ficando mais longe do grupo. Krohn choramingava enquanto ele se distanciava. Uma névoa surgiu repentinamente, do nada, ela envolveu o barco e logo ele desapareceu. Thor sentia que seu corpo também havia sido sugado para o interior de um mundo subterrâneo. Aos poucos, os rapazes se voltaram e olharam ao redor, seus olhos percorriam o campo de batalha e os terrenos além dele. Atrás deles estava o mundo subterrâneo por onde eles tinham vindo; de um lado havia uma vasta planície coberta pela relva; do outro lado havia um deserto vazio, um deserto escaldante. Eles estavam em uma encruzilhada. Thor virou-se para Indra. “Para chegar a Neversink, é preciso atravessar esse deserto?” Thor perguntou. Ela assentiu com a cabeça. “Não há outro caminho?” Ele perguntou. Ela balançou a cabeça. “Há outros caminhos, mas menos diretos. Você perderia semanas. Se você espera vencer os ladrões, esse é o único caminho.” Os outros olhavam longa e duramente para o deserto, com seus sóis abrasadores, tremulando em ondas de calor. “Parece implacável.” Reece disse ao aproximar-se de Thor. “Não conheço ninguém que tenha alguma vez cruzado e sobrevivido.” Disse Indra. “É vasto e está repleto de criaturas hostis.” “Não temos provisões suficientes.” O’Connor disse. “Nós não conseguiremos cruzá-lo.” “No entanto, é o caminho que conduz até a espada.” Disse Thor. “Supondo que a espada ainda exista.” Disse Elden. “Se os ladrões já tiverem chegado a Neversink…” Disse Indra. “… Então a sua preciosa espada está perdida para sempre. Vocês estariam arriscando sua vida por um sonho. A melhor coisa que vocês podem fazer agora é voltar para o Anel.” “Nós não vamos dar a volta.” Thor disse determinado. “Muito menos agora.” Conven acrescentou dando um passo à frente, seus olhos estavam brilhando com fogo e tristeza. “Nós vamos encontrar essa espada ou morreremos tentando.” Disse Reece. Indra abanou a cabeça e suspirou. “Eu não esperava nenhuma outra resposta de vocês.” Disse ela. “Imprudentes até o fim.” * Thor marchava lado a lado com os outros através do deserto, com os olhos entrecerrados devido ao sol forte, ele estava ofegante sob o calor implacável. Ele pensou que ficaria feliz de se livrar do mundo subterrâneo e de sua melancolia sempre presente, pensou que se alegraria ao poder ver novamente os sóis. Mas ele tinha ido de um extremo para o outro. Ali, naquele deserto, não havia nada além do sol: sol amarelo e céu amarelo, tudo irradiando sobre ele e ele sem nenhum lugar para onde ir. Sua cabeça doía e ele estava ficando tonto. Ele estava arrastando os pés e parecia que havia estado marchando durante toda a vida. Ao olhar ao redor, ele viu que os outros também se sentiam iguais a ele. Eles tinham estado caminhando durante metade de um dia e ele não sabia como eles poderiam continuar mantendo o ritmo. Ele olhou para Indra, ela cobria sua cabeça com um capuz, Thor se perguntava se ela não teria razão. Talvez eles tivessem sido imprudentes ao tentar prosseguir. Mas ele prometeu encontrar a espada – então que alternativa eles tinham? Enquanto eles seguiam, seus pés levantavam nuvens de poeira que giravam em todas as direções, tornando ainda mais difícil respirar. No horizonte não se via mais que terras escaldadas pelo sol, tudo era plano, até onde a vista alcançava. Não havia o menor vislumbre de construções; de estradas; de montanhas, ou de qualquer coisa. Nada além do deserto. Thor sentia que era como se tivessem chegado ao fim do mundo. Enquanto eles avançavam, Thor encontrou consolo em uma coisa: pelo menos agora, pela primeira vez, ele tinha certeza de para onde eles estavam indo. Eles não estavam mais obrigados a ouvir seus três irmãos e seguir seu mapa estúpido; agora eles ouviam Indra e ele confiava nela mais do que ele jamais tinha confiado neles. Ele tinha certeza de que eles estavam sendo conduzidos na direção certa; ele apenas não se sentia seguro de que sobreviveria à viagem. Thor começou a ouvir um som sibilante suave, então ele olhou para baixo e viu a areia ao redor dele girando em círculos. Os outros viram isso também. Thor ficava confuso enquanto olhava a areia lentamente se juntar e os círculos ficarem maiores e mais intensos aos seus pés para em seguida, levantar-se em direção ao céu. Logo uma nuvem de pó se levantou, ela começou a elevar-se do chão do deserto, subindo cada vez mais. De repente, Thor sentiu todo o seu corpo ficar mais seco. Parecia que cada gota de água estava sendo sugada de seu corpo, ele ansiava por água; ele nunca tinha estado tão sedento em sua vida. Ele estendeu a mão em pânico, tentando encontrar seu odre de água, ele levantou-o e esguichou a água em sua boca. Mas, quando ele fez isso, a água voltou-se para cima, subiu para o céu, ela nunca atingiu os lábios dele. “O que está acontecendo?” Thor gritou para Indra, ofegante. Ela observava o céu com medo, retirando o capuz da cabeça. “Uma chuva inversa!” Gritou ela. “O que é isso?” Elden gritou ofegante, enquanto cobria sua garganta com as mãos. “Está chovendo para cima!” Gritou ela. “Toda a umidade está sendo sugada pelo céu!” Thor viu quando o resto de sua água saiu jorrando do odre, em direção aos céus, logo depois, ele viu o odre estalar e secar totalmente, caindo ao chão como uma folha seca. Thor caiu de joelhos, agarrando a garganta, mal conseguindo respirar. Ao redor dele, os outros faziam exatamente o mesmo. “Água!” Implorou Elden ao lado dele. Houve um grande estrondo, como o som de mil trovões, Thor olhou para cima e viu o céu escurecer. Uma única nuvem de tempestade apareceu, correndo em direção a eles a uma velocidade incrível. “ABAIXEM-SE!” Indra gritou. “O céu está revertendo!” Ela mal tinha terminado de falar quando o céu se abriu e uma parede de água jorrou para baixo, derrubando Thor e os outros com a força de um maremoto. Thor saiu rolando mais e mais na onda de água, dando tombos sem saber por quanto tempo. Finalmente, ele voltou à tona no chão do deserto, a onda rolou e passou diretamente por eles. Logo a onda foi seguida por pancadas de chuva grossa. Thor jogou a cabeça para trás e assim como os outros, ele bebeu a água da chuva por um bom tempo, até que finalmente se sentiu hidratado novamente. Aos poucos, cada um deles foi ficando de pé. Eles respiravam com dificuldade, parecia que haviam sido espancados. Eles se voltaram um para o outro. Eles haviam sobrevivido. Depois que o choque e o medo começaram a diminuir lentamente, eles caíram na gargalhada. “Nós estamos vivos!” O’Connor gritou bem alto. “Isso é o pior que este deserto pode nos dar?” Reece perguntou cheio de alegria por estar vivo. Indra abanou a cabeça, sombria. “Você comemora antes do tempo.” Ela disse, parecendo muito preocupada. “Após as chuvas, os animais do deserto saem para beber.” Um barulho horrível se ouviu, Thor olhou para baixo e viu com horror quando um exército de pequenas criaturas surgiu da areia e correu em direção a eles. Thor olhou por cima do ombro e viu o lago que a água das chuvas tinha deixado, então ele percebeu que eles estavam exatamente no caminho das criaturas sedentas. Dezenas de criaturas, sobre as quais Thor nunca havia posto os olhos em cima antes, corriam no caminho dele. Eram animais amarelos e enormes, semelhantes a um búfalo, porém duas vezes maiores. Eles possuíam quatro braços e quatro chifres e corriam sobre duas patas, em direção a eles. Eles avançavam de forma divertida, de vez em quando marchavam abaixados, apoiados sobre as patas e braços e logo depois eles saltavam sobre as duas patas de novo. Eles rugiam enquanto vinham até eles, suas vibrações faziam o chão tremer. Thor desembainhou a espada, assim como os outros e preparou-se para defender-se. Quando o primeiro dos animais se aproximou, Thor rolou para o lado e saiu do caminho sem golpear o animal, com a esperança de que ele simplesmente passasse correndo por eles e fosse direto para a água. A criatura abaixou a cabeça para golpear Thor, mas falhou por pouco quando Thor rolou. Para o pavor de Thor, ela não estava contente. A criatura enraivecida deu a volta e investiu direto contra ele. Parecia que ao invés de água, o que ela realmente queria era ver Thor morto. Ela atacou novamente, baixando seus chifres, Thor pulou bem alto no ar, brandiu sua espada e decepou um dos chifres da criatura quando ela passou correndo por ele. O animal gritou, pulou sobre as duas patas, virou-se e golpeou Thor, derrubando-o no chão. A criatura levantou suas patas e tentou pisotear Thor, mas ele rolou para fora do caminho dela, as patas da criatura deixaram uma marca impressa na areia e levantaram uma nuvem de poeira. A criatura levantou suas patas novamente, mas dessa vez Thor levantou a espada e enterrou-a no peito da criatura. A criatura gritou mais uma vez quando a espada penetrou nela até o punho. Thor rolou para o lado e saiu de debaixo dela, justo antes que ela desabasse sobre ele, morta. Ele teve sorte ao fazer isso, já que o peso dela o teria esmagado contra a terra. Quando Thor ficou de pé, outra criatura avançou contra ele, então ele pulou para fora do caminho, mas não antes que o chifre da criatura roçasse o braço dele, cortando-o e fazendo-o gritar de dor. Ele deixou cair sua espada. Thor, sem sua espada, extraiu sua funda, colocou uma pedra nela e atirou na besta. A criatura cambaleou e gritou quando a pedra perfurou seu olho – mas mesmo assim, ela seguiu atacando. Thor corria para a esquerda e para a direita, tentando ziguezaguear para fora do caminho, mas a criatura era muito rápida. Não havia para onde correr, ele sabia que em momentos ele seria despedaçado. Enquanto corria, ele olhava para seus irmãos da Legião e via que eles não estavam se saindo muito melhor; cada um deles estava sendo perseguido por uma daquelas criaturas. O animal se aproximava e estava a apenas alguns centímetros de distância, seu cheiro era terrível e seu bufar feria os ouvidos de Thor, então ele baixou seus chifres. Thor preparou-se para o impacto. De repente, o animal gritou, então, Thor se virou o viu sendo erguido no ar. Thor olhou para cima perplexo, sem entender o que estava acontecendo, foi quando ele viu atrás de si um enorme monstro verde-limão, do tamanho de um dinossauro, com cerca de trinta metros de altura e fileiras de dentes afiados. O monstro sujeitava a criatura em sua mandíbula, como se ela não fosse nada, então ele se inclinou e abocanhou-a. O monstro mantinha a criatura ali, contorcendo-se, logo depois ele mastigou-a e devorou-a em três mordidas enormes, engolindo e lambendo os lábios. Todas as criaturas amarelas em torno de Thor se viraram e saíram correndo, fugindo do monstro verde. O monstro correu atrás delas, deslizando e chicoteando sua cauda enorme, enquanto ele corria; a cauda golpeou Thor por trás e derrubou-o com força no chão, o mesmo sucedeu com os outros. Mas o monstro passou por eles enquanto seguia atacando, ele estava mais interessado nas criaturas amarelas do que neles. Thor se virou e olhou para os outros, todos estavam ali, sentados, estupefatos. Todos olhavam para ele. Indra ficou ali balançando a cabeça. “Não se preocupe.” Disse ela. “Isso vai ficar ainda pior.” CAPÍTULO OITO Kendrick caminhava lentamente pelo pátio incendiado da parte alta de Silésia; ao seu lado marchavam Srog, Brom, Kolk, Atme, Godfrey e vários homens do Exército Prata. Todos eles marchavam lenta e deliberadamente, suas mãos estavam entrelaçadas atrás das suas cabeças em um mostra de rendição. O pequeno grupo percorria seu caminho, passando pelos milhares de atentos soldados do Império e dirigindo-se à figura expectante de Andronicus, no distante portão da cidade. Kendrick sentia todos os olhos sobre eles enquanto prosseguiam e a tensão no ar era espessa. O pátio, apesar de estar ocupado por milhares de soldados, estava silencioso o suficiente para poder ouvir a queda de um alfinete. Uma hora antes, Kendrick tinha gritado e declarado sua rendição a Andronicus. Então, aquele grupo havia subido, todos juntos, eles faziam questão de demonstrar que não portavam armas consigo enquanto marchavam e abriam seu caminho entre a multidão dos soldados do Império, para se ajoelhar formalmente diante de Andronicus. O coração de Kendrick estava batendo forte enquanto todos prosseguiam, sua garganta ficou seca quando ele viu os milhares de inimigos hostis o rodeavam. Kendrick e os outros tinham ensaiado um plano para ser executado quando eles se aproximassem de Andronicus. Kendrick agora via em primeira mão como Andronicus era grande e selvagem. Kendrick rezava para que o plano funcionasse. Do contrário, suas vidas estariam liquidadas. Eles marchavam fazendo tilintar suas esporas, até que finalmente um dos generais de Andronicus deu um passo à frente, ele era uma criatura imponente, com uma carranca profunda, ele colocou a palma áspera da mão contra o peito de Kendrick. Eles foram detidos a cerca de vinte metros de distância de Andronicus, o que, presumivelmente, seria uma medida de cautela. Seus soldados eram mais sábios do que Kendrick havia previsto; ele esperava poder marchar até Andronicus, mas era evidente que isso não estava permitido. O coração de Kendrick bateu mais rápido, ele não esperava que a distância obstaculizasse seu plano. Todos eles permaneceram ali, em silêncio, encarando uns aos outros, Kendrick pigarreou. “Viemos para nos render diante do Grande Andronicus.” Kendrick anunciou impostando sua voz, tentando usar seu tom mais convincente enquanto permanecia de pé, imóvel, ali junto com os outros, olhando nos olhos de Andronicus. Andronicus estendeu a mão e passou os dedos pelas cabeças encolhidas de seu colar então olhou para eles e emitiu um som parecido com um grunhido, ou talvez um riso. “Nós aceitamos os seus termos.” Kendrick continuou. “Nós admitimos a derrota.” Andronicus, o qual estava sentado em um enorme assento de pedra, se debruçou ligeiramente e olhou para eles com algo parecido com um sorriso em seu rosto. “Eu sei que vocês aceitarão.” Ele disse, sua voz retumbou por todo o pátio. “Onde está a jovem?” Kendrick estava preparado para isso. “Nós viemos como um contingente de nossos oficiais mais experientes e condecorados.” Kendrick respondeu. “Viemos em primeiro lugar, para professar nossa rendição a você. Quando nós terminarmos, os outros, com a sua permissão, virão.” Kendrick pensou que adicionar a frase ‘com a sua permissão’ tinha sido um bom toque, isso iria ajudar a rendição a parecer ainda mais plausível. Ele tinha aprendido uma grande lição há muito tempo, com um de seus conselheiros militares: quando se lida com um comandante narcisista, sempre é útil apelar para o seu ego. Não há limite para os erros que um comandante pode cometer quando você o lisonjeia, quando você infla a sua mania de grandeza. Andronicus inclinou-se ligeiramente para trás, mal reagindo. “É claro que eles vão.” Disse Andronicus. “Do contrário, o grupo de vocês seria muito estúpido para aparecer aqui.” Andronicus ficou ali sentado, olhando para eles, como se estivesse tentando decidir-se. Parecia que ele sentia que algo estava errado. O coração de Kendrick acelerou. Finalmente, depois de uma longa espera, Andronicus pareceu decidir-se. “Deem um passo à frente e ajoelhem-se.” Disse ele. “Todos vocês.” Todos olharam para Kendrick e ele assentiu. Todos eles deram um passo à frente e se ajoelharam diante de Andronicus. “Repitam depois de mim.” Disse o comandante. “Nós, representantes de Silésia…” “Nós, representantes de Silésia…” “Com este ato, nos entregamos ao Grande Andronicus…” “Com este ato, nos entregamos ao Grande Andronicus…” “juramos lealdade a ele pelo resto de nossos dias e para sempre…” “juramos lealdade a ele pelo resto de nossos dias e para sempre…” “e serviremos como escravos a ele enquanto os nossos dias puderem suportar.” As palavras finais eram difíceis para Kendrick pronunciar e ele engoliu em seco, até que finalmente as repetiu, uma  por uma: “E serviremos como escravos a ele enquanto os nossos dias puderem suportar.” Ao pronunciar aquelas palavras ele sentiu náuseas, seu coração estava martelando em seus ouvidos. Finalmente, toda a dor causada por tudo aquilo passou. Um silêncio tenso sobreveio a todos, então Andronicus finalmente sorriu. “Vocês MacGils são mais fracos do que eu pensava.” Ele rosnou. “Eu vou ter muito prazer em escravizar vocês e em fazer vocês aprenderem como são as coisas no Império. Agora vão buscar a jovem, antes que eu mude de ideia e mate todos vocês na hora.” Enquanto Kendrick estava ajoelhado, ele viu toda a sua vida passar diante dos seus olhos. Ele sabia que aquele era um dos momentos decisivos em sua vida. Se tudo corresse como ele esperava, ele iria viver para contar a história daquele dia para seus netos; senão, em apenas alguns instantes, ele estaria deitado ali como um cadáver. Ele sabia que as chances estavam contra ele, mas era um risco que ele tinha de correr. Em nome de si mesmo; em nome dos MacGils e em nome de Gwendolyn. Era agora ou nunca. Em um movimento rápido, Kendrick levou as mãos às costas e agarrou uma pequena espada escondida sob a camisa, ele levantou-se e gritou quando a atirou com toda a força. “SILESIANOS ATAQUEM!” A espada de Kendrick deu várias voltas sobre si, enquanto seguia sua trajetória, direto para o peito de Andronicus. Foi um arremesso poderoso, feito com uma pontaria certeira, um arremesso ousado o suficiente para matar qualquer guerreiro. Mas Andronicus não era um guerreiro qualquer. Kendrick estava uns poucos metros mais distante e Andronicus foi apenas um pouco mais rápido; ele conseguiu esquivar-se com um momento de vantagem. Andronicus ainda gritou de dor quando a lâmina roçou seu braço, tirando sangue. A espada continuou sua trajetória, para em seguida, alojar-se no ventre de um general que estava de pé ao lado dele. O general caiu morto, em lugar de Andronicus. Ao soar o grito de Kendrick, o caos irrompeu. Todos os que o acompanhavam levaram as mãos até as costas, sacaram suas espadas ocultas e com elas decapitaram os soldados que estavam de pé no meio deles. Brom puxou uma adaga do cinto, deu um passo para o lado e cortou a garganta de um soldado que estava por perto. Kolk retirou uma pequena funda de sua cintura, colocou uma pedra nela e atirou, ele abateu um soldado distante, o qual empunhava um arco antes de ser atingido na cabeça, bem antes que pudesse atirar. Godfrey lançou um punhal; sua pontaria não era tão certeira quanto à dos outros e o punhal não atingiu o alvo, em vez disso, ele atingiu a perna de um jovem soldado. Ao redor deles, se ouviram os gritos dos soldados do Império que haviam sido feridos, nenhum deles esperava o ataque surpresa. A um sinal, naquele mesmo instante, começaram a surgir repentinamente, de todos os lados do pátio os soldados de Silésia eles surgiam do chão e das paredes. Eles surgiram com um grande grito de guerra, disparando suas flechas e escurecendo o ambiente com elas. Milhares de flechas atravessaram o pátio derrubando os soldados do Império por todas as partes. Eles foram atacados por todos os lados e estavam perdidos, sem saber que caminho tomar; muitos deles, em seu pânico, acabavam atacando uns aos outros. Kendrick ficou emocionado ao ver que seu plano estava funcionando perfeitamente. Srog o havia informado sobre os túneis escondidos que conectavam a baixa Silésia com a cidade alta; os túneis haviam sido construídos para o caso de um cerco, como um último recurso, um elemento surpresa. Todos os soldados haviam esperado pacientemente em seus lugares, enquanto aguardavam um sinal de Kendrick. Milhares de silesianos surgiam agora, disparando com tal velocidade e pontaria que os soldados do Império não tiveram tempo para reagir. Kendrick avançou e entrou na briga, ele agarrou a espada de um soldado do Império já morto e com ela ele atacou os soldados mais próximos dele. Seu amigo Atme e os outros se uniram a ele. Os soldados do Império, em pânico e em meio ao caos, se viravam e corriam para todos os lados, sem ter sequer certeza de qual caminho seguir. Os silesianos estavam ganhando vantagem. Kendrick derrubou uma dúzia de homens antes mesmo que precisasse levantar o seu escudo em defesa. Atme lutava de volta, costas com costas com Kendrick, tal como ele sempre fazia, enquanto causava danos em igual proporção. Com cada golpe, Kendrick pensava em Gwendolyn, pensava em vingança. Os milhares de soldados do Império estavam tão aturdidos que todos eles deram a volta e correram, dirigindo-se para o conjunto de portões, para o pátio exterior. A multidão arrastou Andronicus e os seus homens em uma estampida, eles tentavam manter-se firmes, mas eram forçados a voltar pelos numerosos homens em fuga. Todos eles foram conduzidos como o gado até o portão, todos tentando desesperadamente fugir das flechas, que continuavam a chover de todas as direções. Os soldados de Silésia ficaram sem flechas, então todos eles sacaram suas espadas e atacaram junto com os seus irmãos da Legião. O número de soldados do Império era grande, mas eles não eram guerreiros bem treinados, a maioria deles eram apenas pessoas escravizadas e a serviço da Andronicus. Por outro lado, os silesianos, poderiam até ser poucos em número, porém, cada um deles era um guerreiro de elite, um soldado aguerrido, bem treinado, cada um deles valia por dez homens do Império. Eles também tinham o fator surpresa – e acima de tudo, eles tinham fogo nas veias. Eles estavam entre a cruz e a espada. Tinham uma enorme vontade de viver. Uma enorme vontade de proteger seus entes queridos. Eles estavam furiosos pelo que haviam feito a Gwendolyn. Afinal, aquela era a sua cidade. E eles sabiam que, se não ganhassem, suas mortes ocorreriam ali. Dezenas de silesianos tocaram as trombetas, o ruído aterrador soou como o som de um exército sem limites, mais e mais deles surgiam dos túneis. Todos eles avançavam como se suas vidas dependessem disso, milhares deles estavam indo ao encontro dos milhares de soldados do Império. A luta era dura, árdua, o sangue cobria o pátio à medida que espada encontrava espada e punhal encontrava punhal. Os homens se engalfinhavam e lutavam, olhando uns nos olhos do outros lutando corpo a corpo e matando-se entre si, cara a cara. Rapidamente, a maré favoreceu os silesianos. Outra trombeta soou e logo a Legião irrompeu pelos portões da parte baixa. Centenas de fortes soldados avançaram, gritando o seu grito de batalha feroz. Eles levantavam fundas, flechas, lanças e espadas e partiram para a briga, matando os soldados do Império a torto e à direita, ajudando a contra-arrestar a maré. Os guerreiros da Legião já eram veteranos, mesmo para sua pouca idade e enquanto corriam, todos eles gritavam por Gwendolyn e por Thor. A Legião fez tanto dano quanto os outros, todos eles se uniram de forma integrada, forçando o império a ir cada vez mais longe, de volta para os portões exteriores. Logo a maré da batalha virou a seu favor, já que os cadáveres dos soldados do Império caíam em todas as direções e os soldados que permaneciam estavam cada vez mais dominados pelo pânico e fugiam. Um milhão de soldados do Império aguardava além dos portões, mas havia um verdadeiro engarrafamento de soldados que fugiam e eles não podiam entrar. Andronicus se levantou em um acesso de raiva e pulou no meio de tudo, lutando e metendo-se na briga de soldados, avançando e atacando seu próprio povo. Ele agarrava os soldados com as próprias mãos e golpeava suas cabeças uma contra a outra, torcia o pescoço deles e os matava ali, na hora. Конец ознакомительного фрагмента. 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