Cobiçada Morgan Rice Memórias de um Vampiro #10 Em COBIÇADA (Livro #10 em Memórias de Um Vampiro), Scarlet Paine, de 16 anos, se esforça para entender exatamente o que ela está virando. Seu comportamento errante a afastou de seu novo namorado, Blake, e, agora, ela precisa se empenhar em fazer as pazes com ele e fazê-lo compreender. Mas o problema é que nem mesmo ela entende o que está acontecendo. Ao mesmo tempo, o garoto novo, o misterioso Sage, entra em sua vida. Seus caminhos se cruzam e, embora ela tente evitá-lo, ele a persegue continuamente, mesmo com as objeções de sua melhor amiga, Maria, que está convencida de que Scarlet está roubando Sage só para si. Scarlet encontra-se levada por Sage, que a conduz para o seu mundo, atravessando os portões da histórica mansão a beira do rio de sua família. À medida que sua relação se aprofunda, ela começa a aprender mais sobre seu passado misterioso, sua família e os segredos que ele deve guardar. Eles passam os momentos mais românticos que ela poderia imaginar, em uma ilha isolada no Hudson, e ela está convencida de que encontrara o verdadeiro amor de sua vida. Mas então ela fica arrasada ao saber o maior segredo de Sage: ele não é humano e tem apenas algumas semanas de vida. Tragicamente, justo no momento em que o destino lhe trouxera seu grande amor, parece que ele também o levará embora. Quando Scarlet retorna às festas do ensino médio que levam para o grande baile, ela acaba em um enorme desentendimento com suas amigas, que a expulsam de seu grupo. Ao mesmo tempo, Vivian se junta às garotas populares para fazer de sua vida um inferno, em direção a um confronto inevitável. Scarlet é forçada a fugir, piorando as coisas com seus pais, e logo se vê pressionada por todos os lados. A única luz na sua vida é Sage. Mas ele ainda está guardando alguns segredos dela, e Blake ressurge, determinado a ir atrás dela. Caitlin, enquanto isso, está determinada a encontrar uma maneira de reverter o vampirismo de Scarlet. E o que ela descobre a leva a uma jornada em busca do antídoto, nos interiores de bibliotecas e livrarias e ela não vai parar até encontra-lo. Mas pode ser tarde demais. Scarlet está se transformando rapidamente, mal conseguindo controlar o que ela está virando. Ela quer ficar junto de Sage – mas o destino parece querer separá-los. Quando o livro termina com uma reviravolta cheia de ação e surpresa, Scarlet terá que fazer uma monumental escolha – uma que vai mudar o mundo para sempre. Quanto ela está disposta a arriscar por amor? Morgan Rice Cobiçada (Livro #10 De Memórias De Um Vampiro) Sobre Morgan Rice Morgan Rice é a autora número 1 do bestseller THE VAMPIRE JOURNALS (MEMÓRIAS DE UM VAMPIRO), uma série para jovens adultos composta de onze livros (até o momento); da série bestseller número 1 THE SURVIVAL TRILOGY (A TRILOGIA DA SOBREVIVÊNCIA), um thriller pós-apocalíptico com dois livros até o momento; e  bestseller da série de fantasia épica número 1 THE SORCERER’S RING (O ANEL DO FEITICEIRO), formado até agora por treze livros. Os livros de Morgan estão disponíveis em edições de áudio e edições impressas e traduções dos livros podem ser encontradas em alemão, francês, italiano, espanhol, português, japonês, chinês, sueco, holandês, turco, húngaro, tcheco e eslovaco (com mais línguas por virem). TRANSFORMADA (Livro Nº1 da série Diários de um Vampiro), ARENA UM (Livro Nº1  da série Trilogia de Sobrevivência) e EM BUSCA DE HERÓIS (Livro Nº1  da série O Anel do Feiticeiro) estão disponíveis gratuitamente! Morgan quer ouvir a sua opinião, então, por favor, sinta-se à vontade para visitar seu website www.morganricebooks.com (http://www.morganricebooks.com/) para fazer parte da lista de e-mails, receber um livro de graça, ganhar brindes, baixar o novo aplicativo, ficar por dentro das últimas novidades exclusivas, conectar ao Facebook e Twitter e manter contato! Crítica selecionada sobre MEMÓRIAS DE UM VAMPIRO “Rice faz um ótimo trabalho ao trazer o leitor para dentro da história desde o início, usando uma incrível qualidade descritiva que transcende a mera pintura do cenário… Bem escrito e extremamente rápido de ler.”     --Black Lagoon Reviews (sobre Transformada) “Um história ideal para jovens leitores. Morgan Rice fez um ótimo trabalho tramando uma inesperada reviravolta… Inovador e único. A série acontece em torno de uma garota… uma incrível garota!… Fácil de ler, mas de ritmo extremamente acelerado. Apropriado para maiores de 12 anos.”     --The Romance Reviews (sobre Transformada) “Prendeu minha atenção desde o início e não deixou mais escapar… Esta história é uma aventura incrível, de ritmo intenso e cheia de ação desde o início. Não há um momento entediante sequer.”     --Paranormal Romance Guild  (sobre Transformada) “Cheio de ação, romance, aventura e suspense. Ponha as suas mãos nesse e se apaixone mais uma vez.”     --vampirebooksite.com (sobre Transformada) “Uma trama incrível e é especialmente o tipo de livro difícil de parar de ler à noite. O suspense do final é tão espetacular que imediatamente você vai querer comprar o livro seguinte, só para ver o que acontece.”     --The Dallas Examiner {sobre Loved} “TRANSFORMADA é um livro que pode competir com CREPÚSCULO e DIÁRIOS DO VAMPIRO, e fará com que você queira continuar lendo até a última página! Se você gosta de aventura, amor e vampiros, este é o livro para você!”     --Vampirebooksite.com (sobre Transformada) “Morgan Rice prova mais uma vez que é uma talentosa contadora de histórias… Agradará uma grande variedade de público, incluindo jovens fãs do gênero vampiro/fantasia. Termina em um surpreendente suspense que o deixará impressionado.”     --The Romance Reviews (sobre  Amada) “O ANEL DO FEITICEIRO possui todos os ingredients para um sucesso instantâneo: tramas, conspirações, mistério, cavaleiros valentes e relacionamentos que florescem repletos de corações partidos, decepções e traições. Ele o manterá entretido por horas e satisfaz todas as idades. Recomendado para a biblioteca permanete de todos leitores de fantasias.”     Books and Movie Reviews, Roberto Mattos Livros de Morgan Rice O ANEL DO FEITICEIRO EM BUSCA DE HERÓIS (Livro nº1) UMA MARCHA DE REIS (Livro nº2) UM DESTINO DE DRAGÕES (Livro nº3) UM GRITO DE HONRA (Livro nº4) UM VOTO DE GLÓRIA (Livro nº5) UMA CARGA DE VALOR (Livro nº6) UM RITO DE ESPADAS (Livro nº7) UM ESCUDO DE ARMAS (Livro nº8) UM CÉU DE FEITIÇOS (Livro nº9) UM MAR DE ESCUDOS (Livro nº10) UM REINADO DE AÇO (Livro nº11) UMA TERRA DE FOGO (Livro nº12) UM GOVERNO DE RAINHAS (Livro nº 13) UM JURAMENTO DE IRMÃOS (Livro nº 14) UM SONHO DE MORTAIS (Livro nº 15) UMA JUSTA DE CAVALEIROS (Livro nº 16) O PRESENTE DA BATALHA (Livro nº 17) A TRILOGIA DA SOBREVIVÊNCIA ARENA UM: COMERCIANTES DE ESCRAVOS (Livro 1) ARENA DOIS (Livro 2) MEMÓRIAS DE UM VAMPIRO TRANSFORMADA (Livro 1) AMADA (Livro 2) TRAÍDA (Livro 3) DESTINADA (Livro 4) DESEJADA (Livro 5) COMPROMETIDA (Livro 6) VOWED (Livro 7) ENCONTRADA (Livro 8) RESSUSCITADA (Livro 9) COBIÇADA(Livro 10) PREDESTINADA (Livro 11) Faça o download dos livros de Morgan Rice agora mesmo! 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Nomes, personagens, empresas, organizações, locais e incidentes são frutos da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência. “Oh! Que noite abençoada! Tenho medo, de um sonho, lisonjeiro em demasia para ser realidade.”     —William Shakespeare, Romeu e Julieta CAPÍTULO UM Caitlin Paine acelerou pela West Side Highway, determinada a chegar aos Cloisters antes que fechasssem. Sua mente girava enquanto ela refletia sobre todos os problemas que estavam cercando Scarlat – problemas que nenhuma adolescente deveria ter. Scarlet estava se transformando, Caitlin tinha certeza disso. Ela não era mais um mero ser humano e, a cada dia que passava, ela estava piorando. Caitlin sentiu que sua filha estava se tornando o que ela mesma, Caitlin, uma vez havia sido: um vampiro. É claro que Caitlin não tinha nenhuma memória sobre ser um vampiro; mas, pelo que ela havia lido no diário encontrado em seu sótão – seu diário de vampiro – ela sentia que tudo fora real. Se o jornal fosse verdade, e ela sentiu que sim, então, uma vez ela havia sido um, muito tempo atrás; e, de alguma forma, ela havia acabado ali, no presente, com uma vida normal, uma família normal e sem memórias sobre sua vida anterior. A única coisa diferente era que sua família estava longe de ser normal. Sua vida estava longe de ser normal. Sua filha, de alguma forma, estava se tornando o que ela mesma era anteriormente. Caitlin desejou, pela milionésima vez, que ela nunca tinha encontrado o diário. Sentia que a descoberta fora como abrir a caixa de Pandora, foi o que havia suscitado aquele desfile de pesadelos. Ela desejou desesperadamente que pudesse simplesmente fazer tudo voltar ao normal. Ela precisava de respostas. Precisava saber, ter certeza, que tudo era verdadeiro. Já que ela não podia forçar as coisas a voltarem ao normal, então ela precisava, pelo menos, saber mais sobre o que estava acontecendo com Scarlet. E descobrir se havia alguma maneira de impedir isso. Enquanto dirigia, Caitlin pensou novamente sobre os livros raros que tinha encontrado em sua biblioteca. Acima de tudo, ela pensava sobre aquele volume raro e sua página rasgada. Pensou em sua antiga cerimônia, aquela em latim, com a sua cura para o vampirismo. Ela se perguntou de novo se aquilo seria real. Ou era apenas um antigo folclore? Um conto da carochinha? Qualquer estudioso conceituado, é claro, diria que sim. E uma parte dela também queria ignorá-lo. Mas outra parte estava agarrada a ele, agarrada a esta última esperança para salvar Scarlet. Pela milionésima vez, ela se perguntava como poderia encontrar a outra metade daquela página. Ela vinha de um dos livros mais raros existentes e, mesmo que ela pudesse, de alguma forma, conseguir rastrear outra cópia, quais eram as chances de a outra metade da página estar lá? Afinal de contas, a página tinha sido arrancada, provavelmente para escondê-la. Mas de quem? De que? O mistério só aprofundava em sua mente. Ela tentou se concentrar em seu próprio diário, sua própria caligrafia de séculos atrás, em sua descrição do clã de vampiros sob os Cloisters. Ela havia escrito sobre uma câmara secreta que conduzia ao clã, lá em baixo, em um andar subterrâneo. Ela precisava saber se era real. Se havia algum sinal, qualquer sinal, para então autenticar tudo aquilo em sua mente, isso lhe permitiria seguir confiante. Mas, se não houvesse nenhum sinal ali, então ela não acreditaria mais em seu diário. Caitlin saiu da estrada e percorreu o Fort Tryon Park, que a levou para a entrada principal do Cloisters. Ela dirigiu por uma rampa estreita e sinuosa e, finalmente, estacionou diante daquela estrutura maciça. Quando ela saiu do carro, ela parou e olhou para cima; por alguma estranha razão, o lugar lhe parecia surpreendentemente familiar, como se houvesse sido um local importante em sua vida. Ela não conseguia entender o porquê, pois, até onde ela sabia, ela só tinha visitado ali uma ou duas vezes. A menos, é claro, que tudo em seu diário de vampiro fosse verdade. O que ela estava sentindo era real? Ou era tudo apenas uma ilusão? Ela atravessou o portal da frente em forma de arco, chegou a estrutura medieval de pedra, depois atravessou uma longa rampa e um corredor longo e estreito. E então ela finalmente chegou na entrada principal, onde pagou uma taxa e se dirigiu por um corredor. Ela passou por um pequeno pátio à sua direita com fileiras de arcos de pedra, dentro dos quais se via um jardim medieval. As folhas caídas brilhavam. Era uma tarde de semana e o local estava quase vazio, ela se sentia como se aquele lugar fosse todo seu. Isto é, até que ela escutou a música. No início, era apenas uma voz e, em seguida, várias vozes. Cantando. Um canto antigo de um pequeno coro. Ela não conseguia entender se era ao vivo ou uma gravação, enquanto permanecia ali, paralisada, ouvindo as vozes celestiais ecoando por todo o pequeno castelo. Ela se sentiu transportada, como se tivesse chegado em outro lugar e tempo. Ela sabia que tinha uma missão a cumprir, mas ela tinha que ver de onde aquela música estava vindo. Ela entrou em outro corredor e seguiu o som. Passou por uma pequena porta medieval, arqueada e então se viu em uma capela, com tetos altos e vitrais. Ali estava, para sua surpresa, um coro de seis cantores, homens e mulheres mais velhos, vestidos interiamente com vestes brancas. Eles estavam diante de uma sala vazia, olhando para as partituras enquanto cantavam. Cantos gregorianos. Caitlin viu a placa, um enorme cartaz anunciava o show da tarde. Ela percebeu que tinha entrado no meio de uma performance ao vivo. No entanto, ela era a única pessoa na sala. Aparentemente, ninguém mais sabia sobre aquilo. Caitlin fechou os olhos enquanto ouvia a música. Era tão bonita, tão assombrosa, ela percebeu que era difícil deixar aquela sala. Ela abriu os olhos e olhou ao redor das muralhas medievais e móveis, isso fez com que se sentisse ainda mais fora de contato com a realidade. Onde ela estava? A canção finalmente acabou, ela se virou e saiu correndo da sala, tentando recuperar seu senso de realidade. Ela correu de volta pelo corredor e chegou a uma escadaria de pedra. Ela então desceu, alcançando os andares mais baixos dos Cloisters e, logo em seguida, seu coração começou a bater mais rápido. Aquele lugar lhe parecia tão estranhamente familiar, como se ela já tivesse passado um  tempo considerável lá. Não conseguia entender. Correu pelo andar mais baixo, lembrando da descrição em uma das páginas de seu diário. Lembrou-se da menção da porta, era um portal secreto, que a levaria para as escadarias que chegavam a um andar subterrâneo, ao clã de Caleb. Ela ficou mais animada quando viu, à sua esquerda, uma área isolada por uma corda. Por trás da corda havia uma escadaria medieval perfeitamente preservada. Ela ia em direção ao teto. Não levava a nenhuma lugar. Era apenas um artefato em exposição. O mesmo descriyo em seu diário. Mas a escada também tinha uma pequena porta de madeira escondida na sua parte inferior e, por trás dela, Caitlin não sabia dizer se os degraus a levariam para o andar debaixo. Ela estava dentro de uma área isolada, e ela não podia chegar mais perto. Ela precisava saber. Se ela a levasse para baixo, então tudo o que ela havia escrito seria verdade e não apenas uma fantasia. Ela olhou para os lados e viu um guarda de segurança do outro lado da sala, cochilando. Ela sabia que, cruzar a corda em um museu poderia deixá-la em apuros, talvez até mesmo seria presa. Mas ela precisava saber. Ela tinha que ser rápida. Caitlin, de repente, passou por cima da corda de veludo, em direção à escada. Imediatamente, um alarme disparou bem alto, cortando o ar. “EI, SENHORA!”, o guarda gritou. Ele começou a correr em sua direção. O alarme era agudo e seu coração batia forte no peito. Mas já era tarde demais. Ela não podia voltar atrás. Ela precisava saber. Aquilo tudo ia contra sua natureza, dar um passo alé da corda, violar uma exposição do museu, fazer qualquer coisa contra as regras – especialmente em relação a aretfatos e história em geral. Mas ela não tinha escolha. A vida de Scarlet estava em jogo. Caitlin alcançou a escada e colocou a mão sobre a maçaneta de madeira medieval. Ela a virou. O portão se abriu e, com isso, viu para onde a escada levava. Para lugar Nenhum. Ela terminava no chão. Era uma escada falsa. Apenas para exibição. Seu coração apertou, estava devastada. Não havia nenhuma câmara subterrânea. Nenhum alçapão. Nada. Como a exibição indicava, era apenas uma escada. Apenas isso. Um artefato. Uma relíquia de idade. Era tudo uma mentira. Tudo. Caitlin, de repente, senti braços pesados a agarrarem por trás e a arrastaram para fora, por cima da corda de veludo, para o outro lado. “O que você pensa que está fazendo!?” outro guarda gritou, se aproximando para ajudar a afastá-la. “Eu sinto muito”, disse ela, tentando pensar rápido. “Eu… hum… eu perdi meu brinco. Ele caiu, e deslizou pelo no chão. Achei que estivesse por ali. Eu só estava procurando por ele.” “Este é um museu, senhora!”, o homem gritou, com o rosto vermelho. “Você não pode simplesmente cruzar limites como este. E você não pode tocar nas coisas!” “Eu sinto muito”, disse ela, sua garganta estava seca. Ela rezou para que não a prendessem. Eles certamente poderiam, ela sabia. Os dois guardas olharam um para o outro, como se debatessem. Finalmente, um deles disse: “Saia daqui!” Ele a empurrou e, Caitlin, aliviada, saiu correndo pelo corredor. Ela viu uma porta aberta que dava para a parte de fora, para um terraço inferior e ela correu para atravessá-la. Ela se encontrou do lado fora, no terraço mais baixo, no ar frio de outubro, seu coração ainda batia rápido. Ela estava tão feliz por estar ali fora. No entanto, ao mesmo tempo, estava perturbada. Não havia nada ali. Seu diário era uma invenção? Nada era real? Será que ela havia imaginando tudo? Mas, então, como explicar a reação de Aiden? Caitlin cruzou o terraço de paralelepípedos, passando por outro jardim medieval, cheio de pequenas árvores frutíferas. Ela continuou andando até chegar a um parapeito de mármore. Ela encostou ali e ficou observando a paisagem; a distância, ela podia ver o rio Hudson, cintilando sob o sol do fim de tarde. De repente, ela se virou, esperando, por algum motivo, ver Caleb ali de pé, ao lado dela. Por alguma razão, ela sentiu que havia estado ali antes, naquele mesmo terraço, com Caleb. Isso não fazia nenhum sentido. Será que ela estava perdendo a cabeça? Agora, ela não tinha tanta certeza. CAPÍTULO DOIS Scarlet entrou em seu quarto, chorando histericamente e bateu a porta atrás dela. Ela correu todo o caminho de volta para casa, desde o rio, e não tinha parado de chorar desde então. Ela não entendia o que estava acontecendo com ela. Aquele momento continuava em sua mente quando, ela via a pulsação no pescoço de Blake, quando ela sentiu aquela coisa, aquela vontade de querer mordê-lo. De querer se alimentar. O que estava acontecendo com ela? Ela era algum tipo de aberração? Por que ela se sentia assim? E, por que, então – bem naquele momento? Bem no primeiro beijo deles? Agora que ela estava longe daquela cena, era ainda mais difícil se lembrar perfeitamente  como seu corpo estava naquele momento – e a cada segundo que passava, estava ficando cada vez mais difícil. Seu corpo parecia normal agora. Havia sido apenas um momento fugaz? Fora apenas uma coisa estranha, um momento que ela já havia superado e que nunca mais voltaria? Ela queria desesperadamente acreditar nisso. Mas outra parte dela, uma parte mais íntima, sentia que não era o caso. O sentimento fora muito forte, algo que ela jamais esqueceria. Se ela tivesse sucumbido ao momento, se tivesse ficado lá mais um segundo, ela tinha certeza de que Blake estaria morto agora. Scarlet não podia evitar de pensar sobre aquele outro dia. Sobre chegar em casa doente. Correr para fora da casa. Esquecer tudo o que tinha acontecido, onde havia estado. Sobre acordar no hospital. A mãe dela estava tão preocupada, tão assustada… Agora, tudo isso veio à tona em sua mente. Sua mãe queria que ela visse mais médicos, fizesse mais testes. E, em seguida, visse um padre. Será que a mãe dela suspeitava de algo? Era isso que ela estava insinuando? Será que ela achava que ela estava se tornando um vampiro? O coração de Scarlet estava acelerado quando ela se sentou em seu quarto, encolhida em sua cadeira favorita. Ruth descansou a cabeça em seu colo e Scarlet inclinou-se para acariciar-lhe. Mas havia lágrimas em seus olhos quando ela o fez. Sentia-se em estado de choque, em transe. Ela estava apavorada com a idéia de que estava doente, que ela tinha algum tipo de doença ou talvez, algo pior. No fundo, ela pensou que aquilo era ridículo, claro, a direção de seus pensamentos. Mas ela se atreveu a se perguntar. Sua vontade de morder o pescoço dele. A sensação que ela teve em seus dois dentes incisivos. Sua ânsia para se alimentar. Seria possível? Ela era uma vampira? Será que os vampiros realmente existem? Ela estendeu a mão, abriu seu laptop e acessou o google. Ela precisava saber. Ela entrou na página da Wikipedia para “vampiro” e começou a ler: “A noção de vampirismo existe há milênios; culturas, como os mesopotâmios, hebreus, gregos e romanos antigos tinham contos de demônios e espíritos que são considerados precursores dos vampiros modernos. No entanto, apesar da ocorrência de criaturas vampirescas nestas civilizações antigas, o folclore para a entidade que hoje conhecemos como o vampiro origina-se quase que exclusivamente do sudeste da Europa, do início do século, quando foram registradas e publicadas tradições orais de muitos grupos étnicos da região. Na maioria dos casos, os vampiros são fantasmas de seres malignos, vítimas de suicídio, ou bruxas, mas elas também podem ser criadas por um espírito maligno que possua um cadáver ou ao ser mordido por um vampiro.” Scarlet rapidamente fechou seu laptop e o afastou. Era demais para ela tolerar. Ela balançou a cabeça, tentando tirar aquilo fisicamente de sua mente. Algo estava definitivamente errado com ela. Mas será que era isso? Estava aterrorizada. Para piorar tudo, ainda tinham seus sentimentos por Blake e sua ideia sobre o que tinha acontecido entre eles. Ela não podia acreditar que havia fugido dele daquele jeito, especialmente naquele momento. Eles estava em um momento maravilhoso, um sonho. E agora isso. Justo quando seu relacionamento estava começando a rolar. Era tão injusto. Ela não podia sequer imaginar o que ele estaria pensando naquele momento. Ele devia estar pensando que ela era algum tipo de aberração, ou algum tipo de psicopata, por ela ter interrompido tudo do nada e no meio de um beijo, e ainda ter fugido correndo para a floresta. Ele devia pensar que ela estava totalmente fora de si. Tinha certeza de que ele nunca iria querer vê-la novamente. Ele provavelmente voltaria para Vivian. Ela queria desesperadamente se explicar. Mas como ela poderia? O que ela poderia dizer? Que ela tinha tido uma súbita vontade de morder seu pescoço? Alimentar-se dele? Beber o seu sangue? Que ela teve que fugir para protegê-lo? Claro, isso seria realmente iria apaziguar as preocupações dele, ela pensou. Ela queria fazer as coisas direito. Ela queria vê-lo novamente. Mas ela não tinha idéia de como explicar. Não só isso, ela também estava com medo de ficar perto dele; ela não confiava em si mesma agora. E se o desejo tomasse conta dela mais uma vez? E se, da próxima vez, ela realmente o machucasse? Ela começou a chorar ao imaginar isso. Ela estava condenado a nunca mais ficar próxima a outros meninos? Não. Ela precisava tentar. Ela tinha que, pelo menos, tentar fazer as coisas direito. Ela precisava tentar se explicar, de alguma forma. Para que, pelo menso, ele não tivesse razão para odiá-la. Mesmo que ele nunca mais quisesse vê-la novamente, ela não podia simplesmente deixar as coisas como estavam. E, no fundo, uma parte dela ainda se atrevia a pensar, esperançosamente, de que, talvez, aquilo havia sido apenas uma coisa de uma só vez, um episódio anormal e que talvez eles ainda pudessem ficar juntos. Afinal, se eles pudessem superar aquilo, eles poderiam superar qualquer coisa. Scarlet estava começando a se sentir um pouco melhor. Ela enxugou as lágrimas, pegou um lenço de papel, assoou o nariz e pegou seu celular. Ela encontrou o número dele e começou a escreveruma mensageme. Então ela parou. O que ela deveria dizer? Eu sinto muito pelo que aconteceu hoje. Ela deletou isso. Era muito genérico. Eu não sei o que deu em mim hoje. Ela deletou também. Não parecia muito bom. Ela precisava de um equilíbrio perfeito, a mistura perfeita de se desculpar e, ao mesmo tempo, ter a esperança de que as coisas não tivessem mudado para sempre. Ela precisava enfatizar que, até aquele ponto, ela estava adorando o momento. Ela fechou os olhos e suspirou, pensando muito. Vamos lá, vamos lá, ela se encorajou. Ela começou a escrever. Eu tive um momento incrível com você hoje. Eu sinto muito que terminou daquele jeito. Havia uma razão para eu ter que sair daquele jeito, mas eu não posso explicar isso para você. Eu sei que é difícil de entender, mas eu espero que você possa. Eu só quero que você saiba que eu adorei hoje, e eu sinto muito. E eu espero que nós possamos nos ver outra vez. Scarlet olhou para o seu rascunho por um longo tempo e, finalmente, com um movimentou de sua a mão,clicou em enviar. Ela observou o envio. Seu texto não era perfeito. Ela já havia pensado em como ela poderia tê-lo reescrito um milhão de vezes. E uma parte dela já se arrependia de ter enviado. Talvez parecess muito desespero. Talvez parecesse muito enigmático. Que Seja. Já foi. Pelo menos agora ele sabia que ela ainda gostava dele e que ela queria vê-lo novamente. Ela sabia que Blake carregava seu celular o tempo inteiro. Ela sabia que ele iria pegá-lo imediatamente. E que ele sempre respondia mensagens dentro de segundos. Scarlet tremia enquanto ela esperava. Ela colocou seu celular em seu colo e fechou os olhos, respirando lentamente, à espera de uma vibração. Desejando que vibrasse. Vamos lá, ela pensou. Responda a mensagem. Ela ficou ali sentada, esperando, por o que parecia ter sido uma eternidade. Ela ficou atualizando seu celular. Depois de alguns minutos, ela até chegou a desligá-lo e a ligá-lo em seguida caso ele tivesse travado. Ela, então, observou o tique-taque do relógio. Dois minutos se passaram. Em seguida, cinco. Depois, dez. Ela bateu o telefone em cima da mesa e podia sentir as lágrimas brotando dentro novamente. Ele claramente não ia responder seu SMS. Como ela poderia culpá-lo? Ela provavelmente não responderia se fosse com ela. Então era isso. Tudo acabado. De repente, seu celular vibrou. Ela estendeu a mão e o tirou da mesa. Mas seu coração apertou ao ver que não era Blake. Era Maria. Eu não posso acreditar que você cabulou aula daquele jeito. Então… como foi seu encontro com Blake? Scarlet suspirou. Ela não tinha idéia de como responder. Não esquenta. Eu não vou cabular mais. Está tudo acabado entre nós. Sério Isso? Nossa. PQ? Vivian? Não. Não é ela. É que… Scarlet parou, pensando no que dizer. …não deu certo. Me conta. Scarlet suspirou. Ela realmente queria mudar de assunto. Não há nada a dizer. Tudo bem com você? OMG, eu não consigo parar de ficar obcecada com o novo garoto. Sage. Ouvi novos detalhes hoje. Scarlet estava exausta e realmente não queria continuar a conversa por mensagens de texto. Ela não queria ouvir mais fofocas e insinuações sobre o novo garoto – nem sobre ninguém. Ela só queria desaparecer do mundo. Mas Maria era sua melhor amiga, então ela tinha que ceder um pouco: Tipo o que? Ele tem uma irmã e um primo. Mas eles não frequentam nossa escola. Ele está no último ano. E foi transferido de uma escola particular. Ouvi dizer que é rico. Tipo milionário. Scarlet não se importava. Ela só queria acabar com isso. Felizmente, antes que ela pudesse escrever, ela recebeu uma outra mensagem – desta vez de Jasmin. OMG, o que está acontecendo no seu mural do Facebook? Scarlet leu surpresa. O que você quer dizer? Antes que ela pudesse responder, ela pegou seu laptop, abriu e entrou em sua rede social. Seu coração despencou. Vivian tinha postado nela: Boa tentativa de roubar Blake. Não funcionou. Depois que ele terminou com você, ele voltou para nós. Eu sabia que ele iria descarta-la. Apenas fiquei surpresa por ter acontecido tão cedo. Scarlet respirou ofegante, completamente surpresa. Ela viu vários amigos dela comentando no post, viu que tinha se espalhado pelos murais de muitas pessoas. Ela também viu que Vivian tinha postado no Twitter e que tinha sido retuittado por todos os amigos de Vivian. Scarlet ficou horrorizada. Ela nunca se sentira mais envergonhada. Ela apagou o comentário de sua parede, bloqueou Vivian, depois foi para suas configurações e as alterou de modo que apenas seus amigos pudessem postar em seu mural. Mas era como uma gota em um balde, obviamente, o dano já havia sido feito. Agora, toda a escola pensava que ela estava roubando os namorados das outras pessoas. E que ela tinha levado um fora. Seu rosto ficou vermelho. Ela estava tão furiosa que queria chegar e estrangular Vivian. Ela não sabia o que fazer. Scarlet fechou seu laptop com força e saiu correndo de seu quarto. Ela tropeçou pelos degraus, sem saber para onde ir ou o que fazer. Tudo que ela sabia era que ela precisava de ar. “Vamos, Ruth”, disse ela. Ela pegou a coleira e Ruth saltou animadamente, seguindo-a para fora da porta e descendo os degraus da varanda. Scarlet desceu os degraus, olhando para seus pés e, não foi até que ela estivesse na calçada, que ela olhou para cima e viu, ali, de pé. Ela parou, surpresa. E ele ficou ali, olhando para ela, como se ele estivesse esperando. Era o garoto novo. Sage. CAPITULO TRÊS Scarlet ficou ali parada, no meio da passagem, encarando-o. Ela mal podia acreditar. Ali, em pé na calçada, a poucos metros de distância, olhando para ela com seus intensos olhos cinzentos, era o novo garoto. Sage. O que ele estava fazendo ali, na frente de sua casa? Há quanto tempo ele estava ali parado? Ele estava observando sua casa? Será que ele estava prestes a entrar em sua casa? Ou ele só estava de passagem? Mas indo para onde? Ela morava em uma rua tranquila dos subúrbios, dificilmente alguém andava por lá. Porém, é verdade que ela estava a apenas duas quadras da cidade e, possivelmente, ele poderia estar indo para algum lugar. Mas isso era improvável. A ideia de ele estar ali, de pé, olhando sua casa, ou prestes a entrar, a assustou demais. Por outro lado, ela não podia negar que estava animada por vê-lo. Animada não era a palavra certa. Era mais como… fascinada. Ela não conseguia tirar os olhos dele. Sua pele lisa, sua mandíbula forte, as belas maçãs de seu rosto e nariz, seus olhos cinzentos, cílios longos, ela nunca tinha conhecido alguém remotamente parecido com ele. Tão nobre, tão orgulhoso. Ele parecia tão deslocado ali, como se ele tivesse saído de um palácio do século XVI. Ela também não podia deixar de notar que ela havia senetido borboletas no estômago quando ela olhou para ele. E foi uma sensação que ela não queria ter. Afinal de contas, Maria, sua melhor amiga, havia deixado claro que ela estava obcecada com ele. Quão errado seria se Scarlet o pegasse para ela? Maria nunca iria perdoá-la. E ela nunca se perdoaria. Além disso, tinha Blake. Ou não? Ela pensou de novo no post de Vivian, sobre Blake dispensando-a. Será que Blake realmente havia lhe dito isso? Ou era coisa de Vivian? De qualquer maneira, ela se estava bem certa de que Blake havia desaparecido de sua vida de uma vez por todas. “Hum … oi”, disse ela, sem saber o que dizer. Afinal, eles nunca haviam se apresentado. “Eu não queria assustá-la”, disse ele de volta. Ela adorou sua voz. Era gentil e suave, mas poderosa ao mesmo tempo. Ele era de fala mansa, mas havia algo de autoridade em seu tom. Ela poderia ouvir aquela voz para sempre. “Eu sou Sage”, disse ele, estendendo a mão. “Eu sei”, disse ela, enquanto ela estendeu a mão e pegou. O toque de sua pele era eletrizante. Ela sentiu um arrepio subir pelo seu braço, quando apertou sua fria mão com a mão quente dele. “É uma cidade pequena”, ela acrescentou, tentando se explicar, mas depois se sentiu envergonhada. Aquilo havia sido estúpido de sua parte; ela não deveria ter dito que sabia o seu nome. Isto a fez parecer desesperada. Mas, espere, ela pensou. Por que ela estava mesmo pensando desta maneira? Afinal, ele era o garoto de Maria. Não era? “Sua mão está tão fria”, disse ele, quando ele olhou para a palma da mão dela. Scarlet a retirou, percebendo. “Desculpe”, disse ela, encolhendo os ombros. “Você não me disse o seu nome”, disse ele. “Ah, desculpa, eu achei que você sabia”, disse ela e, em seguida, acrescentou: “Não que eu seja famosa nem popular. É só que… bem, cidade pequena, você sabe?” Ela já estava se embanando, piorando as coisas a cada frase. Ela sempre fazia isso quando estava nervosa na frente de meninos. “De qualquer forma, meu nome é Scarlet. Scarlet Paine “. Ele sorriu. “Scarlet”, ele repetiu. Ela adorou o som de seu nome em sua voz. “É a cor de muitas coisas. Vinho, sangue, rosas. É claro que eu prefiro o último”, ele acrescentou com um sorriso. Scarlet sorriu de volta. Quem falava daquele jeito? ela se perguntou. Era como se ele fosse de outro tempo, um outro lugar. Ela estava morrendo de vontade de saber mais sobre ele. “O que você está fazendo por aqui?”, ela perguntou, então percebeu que soava muito mal educada. “Não quero ser rude nem nada. Mas eu quero dizer tipo, o que você está fazendo na frente da minha casa? “ Ele momentaneamente parecia afobado. “Pois é”, disse ele. “Que momento mais peculiar, não é? Eu estava na cidade, e pensei que eu poderia explorar um pouco por ai. Eu sou novo aqui e pensei em ver para onde esses caminhos me levarim. Eu não tinha idéia que levavam a você. “ Scarlet se senti melhor. Pelo menos ele não estava vigiando sua casa nem nada do tipo. “Bem, não há muito para se ver. Esta cidade tem apenas alguns quarteirões para cada sentido. Mais algumas quadras para lá e é só isso. “ Ele sorriu. “È. Eu mesmo estava começando a perceber isso. “ De repente, Ruth correu até ele e deu um pulo e lambeu-lhe a mão. “Não pule,” Scarlet a repreendeu. “Está tudo bem”, disse ele. Ele se ajoelhou e acariciou Ruth suavemente, afagando seu pêlo com a palma de sua mão, coçando atrás das orelhas. Ruth se inclinou e o lambeu no rosto. Ela começou a choramingar e Scarlet poderia dizer que ela realmente gostava dele. Ela ficou chocada. Ruth era sempre tão protetora com ela,  ela nunca tinha visto ela se aproximar de um estranho como este. “Mas que belo animalzinho. Não é mesmo, Ruth?”, ele disse. Ruth inclinou-se e o lambeu novamente e ele a beijou no nariz. Scarlet ficou atordoada. “Como você sabia que o nome dela era Ruth?” “Hum… eu li. Na plaquinha da coleira.” “Mas ela está desbotada”, disse ela. “Quero dizer, eu mal consigo lê-la.” Ele deu de ombros, sorriu. “Sempre me disseram que eu tinha uma boa visão”, disse ele. Mas Scarlet não estava convencida. A plaquinha estava extremamente gasta, e ela não entendia como ele poderia tê-la lido. Ele a deixou com medo. Como ele sabia o nome dela? No entanto, ao mesmo tempo, sentia-se confortável ao ficar perto dele. E, dado o estado em que ela estava, ela estava gostando de ter companhia. Não queria que ele fosse embora. Mas, ao mesmo tempo, ela pensou em Maria, e em como ela ficaria chateada se ela aparece por lá e a visse em pé ali com ele. Ela Ficaria com tanto ciúmes. Ela provavelmente iria odiá-la para o resto da vida. “Você é bem misterioso por aqui”, disse Scarlet. “O garoto novo. Ninguém realmente sabe muito sobre você. Mas um monte de pessoas estão morrendo de vontade de saber mais.” “Estão é?”, ele deu de ombros. Scarlet esperou, mas ele não lhe disse mais nada. “Então… como… qual é a sua história?”, perguntou ela. “Acho que todo mundo tem uma, não é?”, ele perguntou. Ele se virou e olhou para a linha do horizonte, como se debatesse se deveria dizer algo. “Eu acho que a minha é chata”, disse ele. “Minha família… recentemente se mudou para cá. Então aqui estou eu, terminando o meu último ano.” “Ouvi dizer que você tem tipo… uma irmã?” Um sorriso se formou no canto de sua boca. “As notícias voam por aqui, não é?”, perguntou ele com um sorriso. Scarlet corou. “Desculpe”, disse ela. “Sim, eu tenho”, ele respondeu, mas não contou nada mais. “Desculpe, não quero me intrometer”, disse ela. Ele olhou para ela e, quando os olhos dela se encontraram com os dele – por um momento, sentiu seu mundo começar a derreter. Pela primeira vez naquele dia, todas as suas preocupações estavam afastadas de sua mente. Ela sentiu-se transportada. Ela queria parar de olhar, colocar seus sentimentos em cheque, queria convocar pensamentos sobre Maria e se forçar a tirá-lo de sua mente. Mas ela não podia. Ela estava congelada. “Fico lisonjeado com isso”, disse ele. Ele continuou encaranda-a, então, depois de um momento, ele acrescentou: “Você gostaria de dar um passeio comigo?” Seu coração começou a bater forte. Ela queria ir com ele. Ela queria mais do que qualquer coisa no mundo. Mas uma parte dela estava com medo. Ela ainda estava se recuperando do que havia acontecido com Blake. Ela ainda não confiava em si mesma, em seus próprios sentimentos, em seu corpo, suas reações. E ela estava com medo de trair sua melhor amiga, mesmo que, na realidade, Maria não tivesse nenhum direito sobre Sage. Acima de tudo, ela não confiava em si mesma. O que quer que tivesse acontecido entre ela e Blake, esse impulso de se alimentar, ainda poderia estar lá. Por mais que ela quisesse saber mais, sentia a necessidade de protegê-lo. “Eu sinto muito”, disse ela. “Eu não posso.” Ela viu a decepção em seus olhos quando ele acenou de volta. “Entendo.” Scarlet, de repente ouviu o barulho de portas dentro de sua casa, juntamente com o som abafado de vozes crescentes. Eram seus pais, discutindo. Ela podia ouvi-los mesmo dali. Outra porta bateu, ela se virou e olhou para sua casa, preocupada. “Eu sinto muito, mas eu tenho que voltar para dentro agora –”, disse ela, ao se virar para se despedir. Mas, quando ela se virou, ela ficou completamente confusa. Não havia sinal de Sage. Em nenhum lugar. Ela olhou para os dois lados e virou a esquina, mas não havia nada. Era incompreensível. Era como se ele simplesmente tivesse desaparecido. Ela se perguntou como ele poderia ter fugido tão rapidamente. Era impossível. Ela se perguntou para onde ele tinha ido, e se ainda havia tempo para alcançá-lo. Porque agora, ela sentiu um impulso irresistível de estar com ele, conversar com ele. Ela percebeu, num piscar de olhos, que ela tinha acabado de fazer o mais estúpido erro de sua vida dizendo não. Agora que ele se fora, cada parte de seu corpo o chamava. Ela havia sido tão tola. Odiava si mesma. Será que tinha perdido mesmo sua chance? CAPÍTULO QUATRO Ainda abalada por seu encontro com Sage, Scarlet entrou em sua casa,  absorta em seu próprio mundo. Ela foi puxada bruscamente para a realidade quando se viu bem no meio da discussão de seus pais. Ela não conseguia acreditar. Em toda a sua vida, ela não se lembrava de vê-los discutindo e, agora, era só isso que eles faziam; ela sentiu uma pontada de culpa, queria saber se aquilo tinha a ver com ela. Não podia deixar de ter a sensação de que algo ruim tinha começado na vida de todos, algo que não ia embora e que aumentar dia após dia. E ela não conseguia deixar de sentir como se fosse tudo culpa dela. “Você está levando isso longe demais”, Caleb gritou para Caitlin por atrás da porta fechada. “Sério. O que deu em você? “ “O que deu em você?” Caitlin atirou de volta. “Você sempre esteve do meu lado, sempre me apoiou. Agora, você está se recusando.” “Recusando?”, ele rebateu. Scarlet não agüentava mais. Como se o seu dia não tivesse sido suficientemente ruim – ter que aquilo a deixava no limite. Ela só queria que eles parassem de discutir. Ela só queria sua vida voltasse ao normal. Ela deu alguns passos e abriu a porta da sala de jantar, esperando que sua presença os fizesse parar. Ambos pararam bem no meio de seus argumento, assim que se viraram e olharam para ela, como se fossem animais silvestres paralisados por faróis. “Onde você estava?”, Seu pai virou-se para ela. Scarlet foi pega de surpresa: seu pai nunca havia gritado com ela antes e nunca tinha usado aquele tom de voz. Seu rosto ainda estava vívido pela discussão e ela mal o reconhecia. “O que você quer dizer?”, disse ela, na defensiva. “Eu estava ali fora, com Ruth.” “Por uma hora?” “Do que você está falando?”, disse ela, se perguntando. “Eu estive fora por apenas alguns minutos.” “Não, não esteve. Subi e verifiquei o seu quarto, então eu vi você sair de casa e isso foi há uma hora. Onde você foi? “, ele insistiu, caminhando ao redor da mesa em direção a ela. “Não minta para mim.” Scarlet achou que ele tinha perdido completamente a cabeça. Não era só sua mãe que estava enlouquecendo, seu pai também. Ela sentiu se mundo desabar. “Eu não sei do que você está falando”, ela retrucou, sua própria voz em ascensão. Mas ela estava começando a se perguntar se, de alguma forma, ela tinha perdido a noção do tempo. Se alguma coisa estava acontecendo com ela. Se ela tivesse ido de novo a algum lugar e não se lembrava. O pensamento fez seu coração acelerar, ela começou a se desesperar silenciosamente. “Eu não estou mentindo. E eu não gosto de ser acusada dessa maneira.” “Você tem alguma idéia de como ficamos preocupados com você? Eu estava prestes a chamar a polícia de novo.” “Sinto muito!”, Ela gritou de volta. “Eu não fiz nada!” Ela estava tremendo por dentro, reflexo da sua ira e não conseguia aguentar por mais nem um minuto. Ela se virou e saiu da sala, explodindo em lágrimas logo em seguida. Ela subiu correndo os degraus. Ela estava saturada com seus pais. Era simplesmente demais. Agora, nem mesmo seu pai a entendia. E ele sempre fora compreensivo, sempre, sempre esteve ao seu lado, o tempo todo. “Scarlet, volte aqui!”, ele gritou. “NÃO!”, Ela gritou de volta, em meio às lágrimas. Ela podia ouvir os passos de seu pai, seguindo-a pelas escadas, mas ela foi mais rápida. Correu pelo corredor, até seu quarto e fechou a porta com baque. Um momento depois, o punho de seu pai bateu na porta. “Scarlet. Abra a porta. Desculpa. Eu quero conversar. Por Favor. Eu sinto muito.” Mas Scarlet apagou as luzes e pulou na cama, se enrolando. Ela ficou ali parada, chorando e chorando. “Vá embora!”, ela gritou. Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, ela ouviu seus passos desaparecerem. Era cedo demais para dormir e Scarlet se sentia entorpecida demais para fazer qualquer outra coisa. Depois de um longo tempo, ela estendeu a mão e pegou o telefone. Os alertas não paravam – sua página do Facebook estava explodindo com novos posts e mensagens. Isto só a fez se sentir pior e ela o desligou. Depois de um longo tempo, ela continuou deitada ali, de lado, olhando através da janela para as árvores, que brilhavam diversas cores, cintilando sob a luz do final do dia. Ela ficou observando várias folhas que caíam das árvores diante de seus olhos, girando em direção ao chão. Ela se sentiu sobrecarregada de tristeza. Blake não queria estar com ela; Vivian tinha feito toda a escola se virar contra ela; suas próprias amigas não a entendiam; seus pais não confiavam nela; ela não sabia o que estava acontecendo com seu corpo. E, acima de tudo, ela havia perdido sua chance de conversar com Sage. Tudo estava errado. E ela não podia parar de pensar sobre aquele momento entre ela e Blake, na beira do rio. Ela não conseguia parar de pensar sobre o que estava lhe acontecendo. Quem era ela, realmente? Ela estendeu a mão e agarrou seu diário e sua caneta favorita, inclinou-se e começou a escrever. Eu não entendo minha vida. É surreal. Eu só conheci o garoto mais incrível de todos os tempos. Sage. Eu não quero admitir isso, pois Maria gosta dele, mas eu não consigo parar de pensar sobre ele. Sinto que, de algum jeito, eu  o conheço. Nós mal nos falamos, mas eu senti uma conexão com ele. Ainda mais forte do que com Blake. Mas ele foi embora tão rápido, e eu estupidamente recusei seu convite. Gostaria de não tê-lo feito. Há tantas perguntas que estou morrendo de vontade de fazer a ele. Tipo quem ele é. O que ele está fazendo aqui. E por que ele estava na frente da minha casa. Ele disse que estava apenas de passagem, mas, de alguma forma, eu não acredito nisso. Eu acho que ele estava me procurando. Eu não sei mais quem são meus pais. Todos os dias, tudo está mudando cada vez mais. Eu também não sei quem eu sou. É como se todo o mundo que eu conhecesse, o mundo que era tão familiar e seguro para mim, tivesse desaparecido, substituído por um mundo. E eu sinto que amanhã, tudo vai apenas mudar de novo. Eu tenho medo do amanhã. Será que todo mundo me odeia? Será que Blake vai me ignorar? Verei Sage? Eu não posso nem imaginar o que o dia seguinte vai trazer. * Scarlet abriu os olhos, despertada por uma campainha. Ela olhou para fora e ficou chocado ao perceber que já era de manhã, o sol inundava seu quarto. Ela percebeu que tinha caído no sono ainda de roupa, em cima dos lençóis. Ela pegou seu relógio e olhou para ele: 08:30. Seu coração acelerou em pânico. Ela estava atrasada para a escola. A campainha tocou novamente, e Scarlet saltou em seus pés. Pelo horário, ela presumiu que seus pais já haviam saído para o trabalho, então ela teria que atender a porta. Quem poderia estar ali tão cedo de manhã? Ela estava tentada a ignorá-lo, apenas se apressar e se preparar para a escola, mas a campainha soou de novo. Ruth latia e latia e, finalmente, Scarlet a soltou e a seguiu pelas escadas, atravessou a sala de estar e foi em direção à porta. Ruth estava de frente para a porta, latindo como um louca. “Ruth!” Finalmente Ruth se acalmou quando Scarlet caminhou até a porta. Ela lentamente a abriu. Seu coração parou. Ali, olhando para ela, estava Sage. Ele segurava um longo rosa do preto, em ambas as mãos. “Eu sinto muito chegar assim de repente”, disse ele. “Mas eu sabia que você estaria em casa.” “Como?”, Perguntou ela, totalmente confuso. Ele só a encarou de volta. “Posso entrar?”, Perguntou. “Um…” Scarlet começou. Uma parte dela queria desesperadamente para convidá-lo, mas uma outra parte sentia medo. O que ele estava fazendo aqui? Por que ele estava lhe trazendo uma rosa negra? Mas, novamente, ela não podia simplesmente mandá-lo embora. “Claro”, disse ela. “Entre.” Sage deu um largo sorriu enquanto atravessava a soleira. Logo em seguida, para sua surpresa, de repente, ele caiu no chão. Ele afundava e afundava, como se estivesse em areia movediça, depois levantou uma mão, gritando para ela. “Scarlet!”, ele gritou. “Ajude-me!” Scarlet se abaixou e pegou a mão dele, tentando puxá-lo para cima. Mas, de repente ela caiu no buraco, também, mergulhando de bruços. Ela gritou a plenos pulmões, enquanto caia a toda velocidade, em direcção às entranhas da terra. Scarlet acordou gritando. Ela olhou para o seu quarto, com o coração acelerado. Os primeiros raios do dia atravessavam sua janela. Olhou para seu relógio. 6:15. Ela havia adormecido de roupa. Ela respirava com dificuldade quando percebeu que tudo tinha sido apenas um sonho. Seu coração batia rápido. Parecia tão real. Ela se levantou, foi até o banheiro e jogou água fria no seu rosto várias vezes, tentando acordar. Quando ela olhou para o espelho, porém, seus medos se intensificaram: seu reflexo. Estava diferente. Ela estava lá, mas estava translúcido, como se fosse um fantasma. Como se estivesse desaparecendo. No início, ela pensou que a luz havia lhe pregado uma peça. Mas ela modificou a luz e conitnuou o mesmo. Ela estava tão assustada, sentia vontade de chorar. Não sabia o que fazer. Ela precisava de algo para a acalmá-la. Alguém com quem falar. Alguém para dizer a ela que tudo ficaria bem. Que ela não estava ficando louca. Que ela não estava mudando. Que ela era a mesma Scarlet de sempre. Por alguma razão, Scarlet pensou na oferta da sua mãe, sobre o padre. Agora, ela sentia como se ela realmente precisasse dele. Talvez ele pudesse ajudá-la a se sentir melhor. Ela saiu para o corredor e, em seguida, viu sua mãe andando pelo corredor, arrumando-se para o trabalho. “Mãe?”, ela chamou. Caitlin parou e se virou, parecendo surpresa. “Ah, querida, eu não sabia que você estava acordada tão cedo”, disse ela. “Você está bem?” Scarlet balançou a cabeça, com medo que fosse chorar, e andou pelo corredor para dar um abraço em sua mãe. Sua mãe a abraçou de volta, com força e a embalou, era tão bom estar em seus braços. “Eu senti sua falta, querida”, disse sua mãe. “E eu amo muito você.” “Eu também amo você,” Scarlet disse por cima do ombro, e começou a chorar. “O que há de errado?”, perguntou sua mãe dela, ao se afastar. Scarlet enxugou uma lágrima pelo canto do olho. “Você se lembra de sua oferta no outro dia? Sobre ver o padre? “ Ela assentiu com a cabeça para trás. “Eu gostaria de ir. Podemos ir junto? Hoje depois da escola?” Sua mãe deu um largo sorriso, parecia aliviada. “É claro que sim, querida.” Ela abraçou Scarlet novamente. “Eu amo você. Nunca se esqueça disso.” “Eu também amo você, mãe.” CAPÍTULO CINCO Scarlet chegou cedo à escola, pela primeira vez em muito tempo. As salas não tinham enchido ainda, parecia uma cidade fantasma, enquanto ela se dirigia até seu armário. Ela estava acostumada a chegar mais tarde, quando o local já estava cheio, mas neste dia, depois de seu pesadelo, ela se sentia  impaciente demais para ficar em casa e esperar. Ela também verificou seu Facebook e Twitter e viu a quantidade absurda de atividade, consequencias de Vivian e suas amigas postando sobre ela, ela estava tão ansiosa sobre como a escola iria reagir, ela sentia que chegando cedo, de alguma forma, ajudaria sua ansiedade . Pelo menos, estar ali tão cedo lhe deixava mais calma, de certa forma, mais preparada. Embora, claro, ela soubesse de que não seria nada bom. Logo aqueles corredores se encheriam com uma quantidade esmagadora de alunos e eles iriam se aglomerar em grupinhos, superando-a em números, e então a olhariam e sussurrariam sobre ela. Incluindo, talvez, Blake. Ela se perguntou o que ele poderia ter dito a todos sobre o encontro dos dois. Ele haveria contado tudo o que aconteceu? Ele teria dito que ela era algum tipo de aberração? O pensamento a deixou tão enjoada que ela havia pulado o café da manhã. Ela teria que encarar a situação e se perguntou quantas centenas de pessoas teriam seguido as mensagens – e o que todos estariam pensando sobre ela. Uma parte dela queria se enrolar e morrer, fugir, deixar a cidade e nunca mais voltar. Mas ela sabia que nada disso era opção, então ela percebeu que era melhor ser corajosa e encarar logo tudo aquilo. Quando ela abriu seu armário e recolheu seus livros para o dia, ela percebeu quão atrasada ela estava em relação a todos as suas lições de casa. Isso, também, era inusitado para ela. Os últimos dois dias haviam sido tão loucos, tudo fora tão diferente do que costumava ser. Para piorar as coisas, ela estava apertando os olhos contra a luz da manhã que entrava pelas janelas e havia notado que  estava com uma dor de cabeça terrível, que ela nunca tinha tido antes. Ela se viu protegendo seus olhos em um corredor particularmente brilhante e se perguntou de novo se havia algo errado com ela. Ela ainda estava doente ou algo assim? Ela viu seus velhos óculos de sol ali, na prateleira de cima do armário dela, e sentiu vontade de pegá-los e usá-los dentro de casa, durante todo o dia. Mas ela sabia que só iria atrair mais ainda a atenção negativa. Como uma onda, as salas começaram a encher com alunos, se espalhando por todas as direções. Ela olhou para o telefone e percebeu que sua primeira aula teria início em poucos minutos. Ela respirou fundo e fechou seu armário. Ela tinha notado que seu telefone não tinhas novas mensagems e seus pensamentos se voltaram novamente para Blake, para o dia anterior. Sua fuga. Ela se perguntou de novo o que ele devia ter dito aos outros. Se ele realmente havia falado todas aquelas coisas prejudiciais? Que ele havia terminado com ela? Ou será que foi Vivian? O que ele realmente acha dela? E por que ele não respondeu a nenhuma de suas mensagens? Ela presumiu, é claro, que o silêncio era uma resposta. Que ele estava apavorado e não estava mais interessado. Mas ela queria, pelo menos, que ele respondesse, ela olhou para seu celular mais uma vez, só para checar se ele o fizera – mesmo que fosse para dizer que ele não estava mais a fim. Ela odiava não saber nada. Como se tudo isso não fosse suficiente, ela não conseguia parar de pensar em Sage, tampouco. O encontro, na frente de sua casa, havia sido tão misterioso. Ela lamentou ter se afastado dele e desejou ter tido mais alguns momentos para falar com ele, para fazer-lhe mais perguntas. Seu sonho a assustou demais, porém ela não conseguia entender porque ele estava ainda mais grudado em sua mente, mais ainda do que Blake. Sentia-se tão confusa. Com Blake, era como se ela conscientemente pensasse nele; com Sage, era como se ela não pudesse evitar, ela pensava nele com intenção ou não, e ela não entendia seus fortes sentimentos por ele. Estranhamente, embora ela conhecesse Blake há anos, ela se sentia, de alguma, mais próxima a Sage. O que a incomodava mais do que qualquer coisa, era que nada disso fazia sentido. Ela odiava não entender – ainda mais quando se tratava de amor. “Oh meu Deus, Scarlet?”, veio uma voz. Assim que ela fechou seu armário, ela viu Maria ali de pé, olhando para ela como se estivesse olhando para uma celebridade infame. “Você nunca está aqui cedo! Mandei uma mensagem para você tipo um milhão de vezes na noite passada! O que aconteceu? Onde você estava? Você está bem?” Scarlet sentiu uma pontada de remoros; ela estava sobrecarregada demais para responder a todas as mensagens. Sentia também um novo sentimento de nervosismo ao estar perto de Maria, devido aos seus sentimentos por Sage. Afinal de contas, Maria tinha deixado claro que ela estava obcecada por Sage. Se ela descobrisse que Scarlet tinha conversado com ele na noite anterior, especialmente na frente de sua própria casa – ela temia que Maria fosse surtar. Maria era tão possessiva e territorial quando o assunto era meninos. Ela sempre pensou que quem quer que ela colocasse seus olhos – era propriedade dela, quer a pessoa soubesse de sua existência ou não. E, se alguém, mesmo remotamente, ficasse em seu caminho, se tornava seu inimigo instante. Ela podia ser bem maldosa mesmo – e ela nunca iria perdoar e esquecer. Ela era esse tipo de pessoa: ou o seu amigo mais próximo, ou o seu inimigo mortal. “Desculpe,” Scarlet respondeu. “Eu dormi cedo. Eu não estava me sentindo bem. E eu não sabia como lidar com a coisa toda do Facebook.” “Nossa, como eu odeio ela”, disse Maria. “Vivian. É uma cobra. Quem ela pensa que é? Eu postei no mural dela, e na de suas amigas também. Eu as coloquei em seus devidos lugares por terem atacado você.” Scarlet sentia-se tão grata a Maria – o que a fez se sentir ainda mais culpada por ter falado com Sage. Ela gostaria de poder contar a ela, bastava explicar a ela o que acontecera com Sage – mas ela mesma não entendia o que tinha acontecido. E ela temia que, se ela contasse, Maria ficaria ofendida. “Você é a melhor”, disse Scarlet, ao colocar um braço em torno dela, mostrando seu apreço. As duas caminharam lado a lado, pelos corredores, que foram enchendo rapidamente, o ruído foi ficando cada vez mais alto, uma vez que elas começaram a longa marcha em direção ao outro lado da escola, para a sua primeira aula juntas. “Eu quero dizer, que ousadia dela”, disse Maria. “Primeiro, ela roubar seu garoto. Então, posta tudo sobre ele. Ela só está ameaçando. E com ciúmes. Ela só sabe que você é melhor que ela.” Scarlet se sentiu um pouco melhor, mas ainda sentia uma pontada de tristeza com a idéia de perder Blake. Especialmente sob tais circunstâncias. Tudo o que ela queria era uma chance de explicar a Blake, lhe dizer que o que acontecera lá no rio, aquilo não era ela de verdade. Mas ela realmente não sabia como explicar. O que ela poderia dizer? Ela achava que havia escrito o suficiente em sua mensagem. E ele sequer respondera. “Ei, pessoal,” veio uma voz. Caminhando ao lado delas estavam Jasmin e Becca. Scarlet sentiu quando elas começaram a lhe lançar olhares e começou a se sentir paranóica com toda a atenção. “Oi,” Scarlet disse, enquanto toda andavam juntas, como um pequeno grupo, pelos corredores. “Então, você vai tipo nos manter em suspense?”, Perguntou Jasmin. “O que aconteceu com Blake?” Scarlet podia sentir os olhares sobre ela e sentia-se perturbada. Enquanto caminhavam, ela também via outros alunos lhe espiando. Ela queria pensar que estava apenas sendo paranóica – mas ela sabia que não. Havia, definitivamente, uma tonelada de pessoas encarando-a, lançando olhares furtivos, como se ela fosse algum tipo de aberração. Ela se perguntou de novo quantos estudantes teriam acessado a internet e lido todos os posts e o que eles acreditariam. Será que ela estava seria conhecida como a garota que foi dispensada por Blake? Que perdeu Blake para Vivian? Ela se enfureceu com este pensamento. “É verdade?”, perguntou Becca. “Ele realmente lhe deu um fora?” “Se ele o fez”, disse Jasmin “, conte-nos e nós iremos acabar com o mural do Facebook dele.” “Obrigada, gente,” Scarlet disse. Ela pensou sobre a melhor forma de responder. Ela realmente não sabia como explicar. “Então?” Maria cutucou. “Você não realmente não vai nos contar?” Scarlet encolheu os ombros. “Eu não sei o que dizer. Não há realmente nada a dizer. Nós fomos até o rio, e tipo…” ela fez uma pausa, refletindo sobre como continuar. “… Blake me beijou.” “E então?” Jasmin pressionou. “Você está nos matando aqui!” Scarlet encolheu os ombros. “É isto. Nada aconteceu mesmo. Quero dizer, eu gosto dele. Eu ainda gosto dele. Mas… eu fui embora. Quer dizer, eu comecei a me sentir assim, muito doente, então eu tive que ir, do nada.” “O que quer dizer com doente?”, perguntou Becca. “Tipo meu estômago começou a me matar”, ela mentiu, não sabendo mais o que dizer. “E eu tive essa forte dor de cabeça.” Pelo menos era parcialmente verdade, ela pensou. “Eu acho que eu ainda estava doente desde aquelo outro dia. Então eu corri para fora de lá. Péssima hora, eu acho.” “Então, Blake tipo acompanhou você? Ou ele foi um idiota total?”, perguntou Jasmin. Scarlet encolheu os ombros. “Não é culpa dele. Eu realmente não lhe dei tempo para isso, eu acho. Eu simplesmente fui embora. Me senti mal com isso. Eu queria explicar isso a ele. Mas ele nunca respondeu minha mensagem.” “Que idiota”, disse Maria. “Que bobão”, acrescentou Jasmin. “Fala sério. Então você ficou doente – e daí, e ele não responde suas mesnagens? Qual é o problema dele? Você estava passando mal. Grande coisa. Quero dizer,  ele não vai nem lhe dar uma chance para você explicar?” “Concordo totalmente”, Maria entrou na conversa. “E então o que, ele vai correndo de volta para Vivian, e te dá um fora por ela? Só porque você estava doente? Qual é o problema dele? Ele realmente não merece você. É melhor assim.” Scarlet realmente apreciava todas aquela frases de apoio, isso a fez com que se sentisse melhor. Ela nunca tinha pensado desta forma. Reparou que ela mesma estava sendo seu pior crítico. Quanto mais pensava sobre isso, mais ela percebia que suas amigas tinham razão. Blake poderia ter sido mais simpático; Talvez ele devesse ter ido atrás dela, perguntado como ela estava se sentindo; talvez ele não devesse ter sido tão rápido para procurar Vivian. Mas será que ele fez isso mesmo? Ou Vivian tinha inventado tudo? “Obrigado, meninas”, agradeceu ela. “Eu realmente agradeço por tudo. Embora, honestamente, eu não sei o que aconteceu depois. Eu não sei se ele voltou para Vivian, ou se ela apenas inventou tudo.” “Então eu acho que isso significa que você não vai com ele para o baile?”, perguntou Maria. “Então com quem você vai? Quero dizer, ou você não vai? “, ela perguntou, erguendo a voz, como se isso fosse a coisa mais horrível do mundo. Scarlet encolheu os ombros. Essa festa estúpida não poderia vir em pior hora. Ela realmente não sabia o que dizer. “Eu duvido que Blake vai me levar”, disse ela. “E sobre ir sozinha…”. Por um momento, Scarlet não pôde deixar de pensar de Sage. Ela percebeu o quanto ela realmente gostaria de ir com ele. Ela mal sabia a razão disto. O rosto dele havia ficado preso em sua mente. Ao mesmo tempo, ela pensou em Maria, o que ela poderia pensar – e o pensamento de ir com Sage lhe soava como uma traição. Ela rapidamente tentou tirá-lo de sua cabeça. “Se eu não for, não tem problema”, ela finalmente disse. “Tudo bem. Talvez no próximo ano.” “Há uma enorme festa de esquenta hoje à noite na casa do Jake Wilson. Os pais dele estarão fora. Todo mundo vai. Você tem que ir. Talvez você encontre algum par por lá.” Scarlet engoliu em seco. Sair de casa e ficar caçando meninos era a última coisa que ela queria fazer. “Bom, de qualquer maneira, não se sinta mal”, disse Maria. “Eu também não tenho com quem ir.” “E o Brian?” Jasmin perguntou a ela. “Terminamos, lembra?”, Ela disse. “Mas ele não está namorando ninguém.” Maria deu de ombros. “Ele não me chamou. E, de qualquer forma, eu não queria ir com ele. Sage é quem eu realmente gostaria de ir. O garoto novo.” Scarlet engoliu em seco. “Então por que você não o convida?”, Perguntou Becca. “É, você continua falando sobre ele, mas você não está fazendo nada”, disse Jasmin. “Pare de ser medrosa.” “Eu não sou medrosa,” Maria retrucou. “Medrosa!!”, Elas zombou dela. O rosto de Maria parecia uma beterraba vermelha, Scarlet podia ver como ela estava brava. “Eu não sou medrosa. Na verdade, eu tenho aula com ele no próximo horário. Vou convidá-lo, então.” “Não, você não vai”, disse Becca. “Você nunca faria isso”, disse Jasmin. “Pois vejam só”, disse Maria. “Mas não é meio estranho isso?”, disse Becca. “Você o convidar?” Maria deu de ombros. “Poderia ser melhor. Mas o que é que eu posso fazer? Ele é novo. Se eu não convidá-lo, outra pessoa o fará. E se ele não estiver a fim de mim, eu prefiro saber gora, né?” “Eu ainda acho que você está blefando”, disse Jasmin. Maria olhou para ela. “Volte em uma hora e vamos ver quem é que está blefando.” Scarlet ficou aliviada que a conversa não era mais sobre ela. Ela estava começando a se sentir esperançosa, talvez toda a atenção negativa passaria realmente rápido, e não seria tão ruim quanto ela havia pensado. Afinal, suas amigas mudaram para novos temas de fofocas muito rapidamente. Mas, quando ela pensou sobre sua próxima aula, com Sage e Maria, seu estômago afundou. À medida em que viravam uma esquina, o estômago de Scarlet afundou ainda mais: lá, encostado contra a parede, estavam Vivian e sua turma. Elas se cutucaram, ao olhar em sua direção, então riram e sussurraram. Vivian se virou e olhou diretamente para ela com um sorriso vitorioso. Scarlet podia ver maldade em seu belo rosto, pela vingança mesquinha de que havia recebido da intimidação online. Por um momento, Scarlet estava tão furiosa que tinha vontade de atacá-la. Ela sentiu uma tremenda onda de raiva atravessá-la dela, formigando, corria desde seus pés até suas mãos. Ela não entendia o que estava acontecendo: era com uma onda de calor. Sentia seu corpo mais forte, mais violento e menos capaz de se controlar. Ela queria sair dali rápido, antes que algo de ruim acontecesse. “Ora, ora, ora”, disse Vivian em voz alta, enquanto elas passavam ao seu lado. A tensão no ar era tão pesada que poderia ser cortado com uma faca. “Olha quem é. Se não são as sobras Blake. “ “Isso é uma declaração e tanto, especialmente vindo de uma rejeitada por Blake”, Jasmin retrucou para ela. “E você , que tem tanto medo de dizer na cara que precisa postá-lo online?” Maria instigou. O rosto de Vivian se fechou com uma carranca, assim como o de suas amigas. Scarlet estava mortificada. Ela só queria que tudo isso passasse logo. Ela estava realmente agradecia a suas amigas, mas ela não queria que aquilo evoluísse para uma guerra de insultos. “E isso vindo de uma menina que sequer tem um par para o baile”, Vivian respondeu, agora centrada em Maria. “Perdedora”, disse ela. “Eu prefiro não ter um par, do que ter a sobra de alguém,” Maria retrucou. “Por favor, Maria,” Scarlet disse calmamente. “Vamos seguir em frente.” Por um momento, parecia que os dois grupos de meninas se atacariam, e que isso iria evoluir para uma luta física. Por maior que fosse a raiva que Scarlet sentia correndo por seu corpo, ela realmente não queria o confronto. Ela gentilmente cutucou suas amigas e lentamente seu grupo continuou andando, se afastando daquele corredo. Scarlet não queria descer ao nível de Vivian. Assim que os dois grupos foram ganhando mais distância entre si, de repente, Scarlet sentiu algo. Era uma sensação estranha, que ela nunca tinha sentido antes. Do nada, seus sentidos estavam em alerta máximo: ela sentiu, sem olhar, uma energia negra se aproximar por trás dela. Ela não sabia como, mas ela sentiu. E, em seguida, sua audição ficou muito aguçada: ela ouvia cada pequeno movimento no corredor. Ela ouviu o movimento dos passos de uma menina, que se aproximava por trás dela. Reagindo à velocidade da luz, Scarlet, de repente sentiu seu corpo se virar, sentiu sua própria mão subir e se viu agarrando a mão de outra pessoa um segundo antes de ser atingida na parte de trás de sua cabeça. Scarlet olhou para cima e ficou surpreso ao se ver mobilizando o pulso de Vivian. Ela olhou e viu um grande maço de goma de mascar na palma de sua mão e viu sua expressão chocada. Então ela percebeu o que tinha acontecido: Vivian tinha ido atrás dela e estava prestes a enfiar o chiclete em seu cabelo. De alguma forma, Scarlet tinha percebido isso e tinha se virado a tempo de bloquear o ato no último segundo, a apenas alguns centímetros de distância. Scarlet ficou ali, ela se viu torcendo o pulso de Vivian com uma força incrível; Vivian caiu de joelhos, gritando de dor. Todos os que estavam por lá pararam e uma enorme multidão se reuniu ao redor. “Você está me machucando!” Vivian gritou. “Solte-me!” “BRIGA! BRIGA! “, gritou a multidão de estudante que de repente se reunira ao redor. Scarlet sentia uma fúria avassaladora correndo por ela, uma raiva que ela mal conseguia controlar. Alguma coisa em seu corpo a tinha protegido de se machucar e agora queria que ela se vingasse quebrando o pulso desta menina. “Por que deveria?” Maria gritou. “Você estava prestes a enfiar um chiclete no cabelo dela.” “Por favor!” Vivian choramingou. “Desculpe-me!” Scarlet não entendia o que estava tomando conta dela e isso a assustava. De alguma forma, no último segundo, ela se obrigou a parar. Ela finalmente a soltou. O pulso de Vivian caiu ao seu lado e, assim que ela se levantou, correu de volta para o seu grupo de amigas. Scarlet se virou, com o coração acelerado e caminhou com suas amigas pelo corredor de novo. Lentamente, o local voltou ao normal, todos sussurravam enquanto se dispersavam. As amigas de Scarlet se agruparam em torno dela. “Uau, como você fez isso?”, perguntou Maria, impressionada. “Isso foi incrível!”, disse Jasmin. “Você realmente a colocou no seu devido lugar.” “Eu não posso acreditar que ela estava prestes a colocar chiclete no seu cabelo”, disse Becca. “Ela teve o que merecia”, disse Maria. “Mandou bem, menina. Acho que ela vai pensar duas vezes antes de provocar você de novo.” Mas Scarlet não se sentia bem. Ela se sentia vazia, drenada. E mais desnorteado do que nunca sobre o que estava acontecendo com ela. Por um lado, é claro que ela estava muito impressionada por ter sido capaz de pará-la a tempo, revidar e se defender. Mas, ao mesmo tempo, ela não conseguia entender como ela tinha conseguido reagir daquela maneira. Seus olhos estavam doendo mais ainda e sua dor de cabeça estava piorando e, por mais absurdo que parecia, ela não podia deixar de ter a sensação de que ela estava se transformando de alguma forma. E isto a aterrorizava mais do que qualquer coisa. O alarme tocou e pouco antes de se dirigirem para a aula, Scarlet olhou ao redor e viu Blake parado por ali. Ele estava com alguns de seus amigos e um deles o cutucou, ele então se virou e olhou para ela. Por um momento, seus olhos se encontraram. Scarlet tentou decodificar sua expressão. Esperava mais do que qualquer coisa que ele iria até ela, para lhe dar uma chance. Mas, de repente, ele se virou e caminhou com seus amigos na direção oposta. Scarlet sentiu seu coração partir. Então era isso. Ele não estava mais interessado nela. Não só isso, ele não estava mesmo a fim de falar com ela. Ele nem sequer a reconhecia. E isso doeu mais do que tudo. Ela pensou que eles tinham algo verdadeiro juntos, não conseguia entender como tudo tinha desmoronado tão rapidamente, como ele poderia ir embora tão facilmente. Por que ele não podia, pelo menos, ser mais compreensivo com ela – lhe dar pelo menos uma chance de explicar. A primeira aula não tinham nem começado ainda e o dia e já Scarlet já havia lhe machucado demais, como se ela fosse um saco de pancadas. Ela já tinha experimentado um turbilhão de emoções e se perguntou como ela seria capaz de enfrentar o resto do dia. “Vamos lá, você não precisa dele”, disse Maria, ao colocar o braço em volta de Scarlet e guia-la para a primeira aula do dia. Scarlet engoliu em seco, sabendo que Sage estava atrás daquelas portas. CAPÍTULO SEIS A  primeira de Scarlet tinha cerca de trinta alunos, todas lutando para tomar os seus lugares. As mesas estavam alinhadas em três fileiras cada uma com dez mesas, enquanto nos cantos da sala haviam longas mesas de madeira, com bancos sob elas. Ela examinou a sala e viu, aliviada, que Sage não estava lá; pelo menos, um drama a menos para lidar naquele dia. “Onde ele está?” Maria perguntou, desanimada. Era aula de Inglês, a aula favorita de Scarlet. Normalmente, ela ficaria feliz em estar ali, especialmente porque o Sr. Sparrow era seu professor favorito e porque naquele momento eles estavam estudando Shakespeare e sua peça favorita: Romeu e Julieta. Mas, quando ela se sentou em sua carteira, na fileira ao lado de Maria, ela se sentia vazia. Apática. Ela mal conseguia se concentrar em Shakespeare. A classe se aquietou e ela tirou seus livros de forma mecânica e olhou para uma página, em transe. “Hoje vai ser um pouco diferente,” Mr. Sparrow anunciou. Scarlet olhou para cima, feliz ao ouvir o som de sua voz. Tinha uns 30 e poucos anos, de boa aparência, com a barba por fazer, cabelo comprido e uma mandíbula forte, ele parecia fora de lugar naquela escola secundária. Ele parecia um pouco mais glamouroso do que os outros, como um ator pouco após seu auge. Ele sempre estava tão feliz, sorridente e gentil com ela – e com todos os alunos. Ele nunca teve havia lhe dado uma bronca, nem para nenhum outro estudante, e sempre dava notas altas nas provas. Ele também conseguia fazer até mesmo o texto mais complicado virar fácil de entender e realmente conseguia fazer com que todos se animassem com a leitura. Ele também era uma das pessoas mais inteligentes que ela já tinha conhecido – com um conhecimento enciclopédico sobre o mundo e sobre literatura clássica. “Uma coisa é apenas ler as peças de Shakespeare”, anunciou ele, com um sorriso arteiro no rosto. “E outra coisa bem diferente é encená-las”, acrescentou. “Na verdade, argumenta-se que você não pode realmente compreender suas peças até que você as leia em voz alta para si mesmo – e tente encená-las.” A classe riu em resposta, os alunos se olhavam e murmuravam um para o outro com um zumbido animado. “É isso mesmo”, disse ele. “Vocês adivinharam. Após a discussão de hoje, nós vamos nos dividir em grupos, cada um de vocês deve escolher um parceiro e ler o texto em voz alta para o outro.” Sussurros excitados se espalharam pela sala de aula, o nível de energia definitivamente havia subido alguns graus. Ele conseguiu tirar Scarlet de seu devaneio, conseguiu fazê-la esquecer, por alguns momentos, todos os problemas em sua vida. Fazer duplas e ler as falas: iria ser divertido. De repente, a porta da sala se abriu e Scarlet se virou, com o resto da turma, para ver quem era. Ela não podia acreditar. Ali, pomposo, livros à mão, estava Sage, vestindo uma jaqueta de couro fino, botas pretas de couro e jeans com um grande cinto de colar prateado – que parecia platina pura com um grande pingente no meio. Parecia que era feito de rubis e safiras e brilhavam à luz. Sr. Sparrow se virou e olhou para ele, surpreso. “E você quem é?” “Sage”, ele respondeu, entregando-lhe um bilhete. “Desculpe-me pelo atraso. Sou novo.” “Bem, então seja muito bem-vindo”, o Sr. Sparrow respondeu. “Por favor, classe, dêem boas-vindas a Sage e lhe dêem espaço na parte de trás.” Sr. Sparrow voltou-se para o quadro-negro. “Romeu e Julieta. Para começar, vamos falar sobre o pano de fundo desta peça…” A voz do Sr. Sparrow desvaneceu na cabeça de Scarlet. Seu coração batia tão forte enquanto Sage descia as fileiras de assentos. E, de repente, ela percebeu: o único lugar vazio na sala era exatamente atrás dela. Ah, não, ela pensou. Não com Maria sentada ao seu lado. Enquanto Sage caminhava pelo corredor, ela podia jurar que o viu olhar diretamente para ela. Ela desviou o olhar rapidamente, pensando em Maria, sem entender por que ele estava olhando para ela assim. Ela sentiu mais ainda quando o viu caminhar para trás dela, ouviu sua cadeira raspar o e sentiu ele se sentando atrás dela. Ela podia sentir a energia que emanava dele; era tremenda. De repente, seu celular tocou em seu bolso. Ela furtivamente estendeu a mão, colocou-o fora alguns centímetros e olhou. É claro. Maria. Meu Deus, eu estou morrendo. Scarlet empurrou seu celular de volta para o bolso,não se virou nem olhou para Maria, não querendo deixar óbvio que elas estavam trocando mensagens de texto. Ela, então, colocou as mãos para trás em sua mesa, esperando que Maria pararia de enviar mensagens de texto. Ela realmente não queria conversar naquela hora. Ela queria se concentrar. Mas seu telefone tocou novamente. Ela não podia ignorá-lo, especialmente com Maria sentada ao lado dela, então novamente, ela estendeu a mão. Olá? O que devo fazer? Mais uma vez, Scarlet empurrou o celular de volta no bolso. Ela não queria ser rude, mas ela não tinha idéia do que dizer e realmente não queria começar uma conversa de mensagens de texto naquele momento. A situação só estava piorando, e ela queria se concentrar no que o Sr. Sparrow estava dizendo, especialmente porque era sobre sua peça favorita. Mas, novamente, não podia ignorar completamente Maria. Ela rapidamente se abaixou e digitou com um dedo. Não sei. Ela clicou em, em seguida, empurrou o celular de volta para o fundo de seu bolso, esperando que Maria a deixasse em paz. “Romeu e Julieta”, o Sr. Sparrow começou, “não é uma história original. Shakespeare, na verdade, se baseou em um conto antigo. Como todas as peças de Shakespeare, ele encontrou suas fontes na história. Ele reciclou velhas histórias e as adaptou em sua própria língua, em seu próprio tempo. Nós gostamos de pensar que ele é o maior escritor original de todos os tempos – mas, na verdade, seria mais correto chamá-lo o maior adaptador de todos os tempos. Se estivesse vivo e escrevendo hoje, ele não iria ganhar o prêmio de melhor Roteiro Original, ele ganharia de melhor roteiro adaptado. Porque nenhuma de suas histórias – nenhuma – são originais. Todos haviam sido escritas antes, algumas muitas vezes ao longo de muitos séculos. “Mas isso não significa necessariamente depreciar sua grande habilidade, sua habilidade como escritor. Afinal de contas, é tudo sobre como você formula uma frase, não é? A mesma trama contada de duas maneiras pode ser chata em uma instância e atraente em outra, não pode? A grande habilidade de Shakespeare era sua capacidade de pegar a história de outra pessoa e reescrevê-la em suas próprias palavras, em seu próprio tempo. E ao escrever com tanta beleza e poesia, ele a trouxe à vida pela primeira vez. Ele era um dramaturgo, sim. Mas, afinal e acima de tudo, ele era um poeta.” Sr. Sparrow parou ao erguer a peça. “No caso de Romeu e Julieta, a história já existia há alguns quando Shakespeare pôs as mãos sobre ela. Alguém sabe a fonte original?” Sr. Sparrow olhou ao redor da classe, completamente silenciosa. Ele esperou alguns segundos e, em seguida, abriu a boca para falar, quando, de repente, ele parou e olhou na direção de Scarlet. O coração de Scarlet bateu quando ela pensou que ele estava olhando para ela. “Ah, o novo garoto”, perguntou o Sr. Sparrow. “Por favor, nos ilumine.” A classe inteira se virou e olhou na direção de Scarlet, para Sage. Ela ficou aliviada ao perceber que ele não a estava chamando. Não podia deixar de virar um pouco, também, e olhou para trás, para Sage. Em vez de olhar para o professor, estranhamente, Sage olhou para ela enquanto falava. “Romeu e Julieta foi baseado em um poema de Arthur Brooke:. A Trágica História de Romeu e Julieta.” “Muito bem!”, Disse o Sr. Sparrow, parecendo impressionado. “E, para ganhar pontos extras, talvez você saiba o ano em que foi escrito?” Scarlet ficou surpresa. Como Sage sabia disso? “1562,” Sage respondeu, sem hesitar. Mr. Sparrow parecia agradavelmente surpreso. “Que Incrivel! Eu nunca tive um aluno que conseguisse acertar isso. Bravo, Sage. Já que você parece um estudioso, aqui vai uma pergunta final. Eu nunca conheci ninguém – mesmo entre os meus companheiros professores – que acertasse essa, então não se sinta mal se você não o fizer. se você conseguir, eu vou lhe dar um 10 utomático no seu primeiro teste. Onde e quando a peça foi realizada pela primeira vez?” A classe inteira virou em seus assentos e olhou para Sage, a tensão era alta. Scarlet olhou também e viu Sage sorrir de volta para ela. “Acredita-se ter sido realizada pela primeira vez em 1593, em um pequeno local chamado The Theatre, no lado oposto do rio Tamisa.” Mr. Jordan gritou de emoção. “UAU! Meu caro Sage, você é bom. Uau, estou impressionado.” Sage pigarreou, não havia terminado. “Esse é o conhecimento comum”, disse Sage, “mas, na verdade, ela realmente foi realizada uma vez antes disso. Em 1592. No castelo de Elizabeth. Em seu pátio, no meio de seu pomar privado.” Конец ознакомительного фрагмента. Текст предоставлен ООО «ЛитРес». Прочитайте эту книгу целиком, купив полную легальную версию (https://www.litres.ru/pages/biblio_book/?art=43696655) на ЛитРес. 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