Amor Como Aquele Sophie Love Crônicas Românticas #2 A capacidade de Sophie Love em transmitir mágica aos seus leitores é primorosamente efetuada em frases e descrições fortemente sugestivas… [Este é] o romance, ou leitura praiana, perfeito, com uma diferença: seu entusiasmo e belas descrições oferecem uma atenção inesperada à complexidade não apenas da evolução do amor, como também da evolução da mente. É uma recomendação encantadora para leitores de romance à procura de uma pitada a mais de complexidade em suas leituras de romance. Midwest Book Review, Diane Donovan (re: Agora e Para Sempre) Um romance muito bem escrito, que descreve a dificuldade de uma mulher em encontrar sua verdadeira identidade. A autora fez um trabalho sensacional com a criação dos personagens e descrição do ambiente. O romance está lá, mas sem exagero. Parabéns à autora por este excelente início de uma série que promete ser muito interessante. Books and Movies Reviews, Roberto Mattos (re: Agora e Para Sempre) AMOR COMO AQUELE (Crônicas Românticas – Livro 2) é o livro #2 de uma nova série de romances escrita pela autora best-seller #1 Sophie Love. Keira Swanson, 28, retorna a Nova York, sua cabeça girando de sua viagem para a Irlanda, e ainda loucamente apaixonada por Shane. Mas quando um evento inesperado acontece, pode ser que seu relacionamento tenha que terminar. Keira é uma celebridade em sua revista e recebe sua próxima tarefa dos sonhos: viajar para a Itália por 30 dias e descobrir qual o segredo italiano do amor. Keira, ainda se recompondo de sua viagem para Irlanda, tem suas altas expectativas para a Itália destruídas, pois, a principio, nada acontece como planejado. Em sua rápida viagem pela Itália, incluindo Nápoles, Costa Amalfitana, Capri, Roma, Verona, Veneza e Florença, Keira começa a perguntar-se se os italianos realmente guardam um segredo para o amor. Isto é, até que ela encontra seu novo guia turístico – e tudo que achava que sabia vira de cabeça para baixo. Uma comédia romântica turbilhante, que é tão profunda quanto engraçada, AMOR COMO AQUELE é o livro #2 de uma nova série de romances estonteantes que irá fazê-lo rir, chorar e continuar virando as páginas até tarde da noite – e fará com que se apaixone novamente por romance. Livro #3 será publicado em breve! Sophie Love AMOR COMO AQUELE Sophie Love A autora best-seller #1 Sophie Love é a autora da série de comédias românticas A POUSADA EM SUNSET HARBOR, que inclui seis livros (e não vai parar por aí) e começa com AGORA E PARA SEMPRE (A POUSADA EM SUNSET HARBOR—LIVRO 1. Sophie Love também é a autora da série de comédias românticas CRÔNICAS ROMÂNTICAS, que começa com AMOR COMO ESTE (CRÔNICAS ROMÂNTICAS—LIVRO 1). Sophie adoraria ouvir sua opinião. Por favor, visite a página www.sophieloveauthor.com (http://www.sophieloveauthor.com/) para enviá-la um e-mail, juntar-se à lista de endereços, receber eBooks gratuitos, saber das últimas novidades e manter o contato! © Copyright 2017 por Sophie Love. Todos os direitos reservados. Salvo disposição em contrário prevista na Lei de Direitos Autorais dos EUA. de 1976, nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, distribuída ou transmitida de qualquer forma ou por qualquer meio, ou armazenada em um banco de dados ou sistema de recuperação, sem a autorização prévia da autora. Este eBook é licenciado apenas para seu prazer pessoal. Este eBook não pode ser revendido ou dado a outras pessoas. Se você gostaria de compartilhar este eBook com outra pessoa, favor comprar uma cópia adicional para cada receptor. Se você está lendo este livro e não pagou por ele, ou se este não foi comprado apenas para seu uso pessoal, então, por favor, devolva-o e adquira sua própria cópia. Obrigado por respeitar o trabalho árduo desta autora. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, empresas, organizações, lugares, eventos e incidentes são produto da imaginação da autora ou usados de forma fictícia. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência. Imagem da capa Copyright oneinchpunch, usada sob licença da Shutterstock.com. LIVROS POR SOPHIE LOVE A POUSADA EM SUNSET HARBOR AGORA E PARA SEMPRE (Livro #1) PARA TODO O SEMPRE (Livro #2) PARA SEMPRE, COM VOCÊ (Livro #3) QUEM DERA, PARA SEMPRE (Livro #4) PARA SEMPRE E UM DIA (Livro #5) PARA SEMPRE, MAIS UM (Livro #6) CRÔNICAS ROMÂNTICAS AMOR COMO ESTE (Livro #1) AMOR COMO AQUELE (Livro #2) CAPÍTULO UM Keira acordou no sofá grumoso de Bryn com um torcicolo e os pés congelados. A temperatura na cidade de Nova York estava caindo, com o outono no ar. Mas, apesar do sofá grumoso e dos tremores, Keira acordou no maior bom humor. Keira estava voltando hoje para o trabalho, dia 22 de Outubro, em sua nova, mais elevada e mais bem paga função na revista Viatorum. Ela estava ansiosa para ver Nina, sua amiga e editora na revista, e estava louca para voltar à sua paixão de escrever novamente. Ela ainda não sabia qual seria sua próxima tarefa, mas estava certa de que não seria tão emocionante quanto o seu último mês na Irlanda. Elliot tinha se comprometido a dar-lhe algo menos intenso desta vez e Keira não tinha absolutamente nenhum problema com isso. Ela mal tinha tido tempo de se reajustar à vida de Nova York, de falar com seus amigos e com sua mãe. E, além disso, Shane viria daqui a uma semana e isso era algo que deixava Keira muito mais animada do que seu status. Naquele momento, sua irmã mais velha, Bryn, entrou apressada na sala, toda descabelada, pulando com um pé com sapato e o outro não. “Estou atrasada para o trabalho,” gaguejou Bryn. “Por que você não me acordou?” Keira olhou para o relógio. “Porque são sete horas. Você ainda tem uma hora.” Ela gozou de sua irmã eternamente avoada. Bryn parou, olhou para o relógio com os olhos semicerrados e, então, olhou novamente. “É mesmo.” Ela tirou o sapato e sentou-se ao lado de Keira no sofá. “Eu realmente achei que fosse melhorar quando fizesse trinta,” ela divagou. Keira sorriu. “Nunca.” Amadurecer era algo que nenhuma das irmãs Swanson estava com pressa de fazer. Bryn inclinou-se e cutucou Keira. “Então… primeiro dia de volta para o trabalho após sua folga. Como está se sentindo?” “Sinto-me bem,” disse Keira. “Vai ser diferente sem o Joshua para arruinar o humor de todo mundo. Estou especialmente ansiosa para rever a Nina. E, é claro, estou animada para descobrir o que o Elliot está planejando para eu escrever.” “Será outra viagem para o estrangeiro?” Perguntou Bryn. “Duvido,” respondeu Keira. “Embora eu esteja precisando tomar um sol!” Ela gargalhou e olhou pela janela para as nuvens cinzas do outubro de Nova York. “E de sua própria cama,” brincou Bryn, batendo no sofá. “Sobre isso…” Começou Keira. “Você sabe que não estou planejando ficar aqui para sempre. Está apenas demorando um pouco mais do que eu pensava para encontrar um apartamento. E preciso receber o depósito do apartamento que morava com o Zach antes de alugar outro. Você sabe o quanto ele está enrolando.” “Tudo bem,” disse Bryn, dispensando a explicação de Keira com um gesto. “Fique o tempo que precisar. Mas não me julgue pelos homens que eu trouxer para casa.” Ela lançou um olhar fulminante para Keira. “Eu percebi o modo como me olha às vezes.” Keira riu. “Apenas acho que se você pudesse enxergar como é linda, não precisaria perder tanto tempo com homens feios.” Bryn rolou os olhos. “Já chega disso. Por que você acha que não vai viajar novamente para o estrangeiro?” “Eu não sei.” Keira encolheu os ombros. “Para começar, porque não seria justo com os outros redatores. Pareceria favoritismo.” “Não se esqueça de que você agora está em uma posição elevada.” Bryn lhe disse. “E favoritismo é uma palavra muito forte. São negócios. Se você é melhor do que os outros, você é melhor do que os outros. Aprenda a aceitar.” Keira não tinha a mesma confiança de sua irmã. Ela contorceu-se desconfortavelmente. “De qualquer forma, mesmo que fosse no estrangeiro, eu não poderia ir.” Ela pensou em Shane e sorriu com o pensamento longe. “Tenho planos aqui.” “Ah sim,” disse Bryn, sorrindo. “O namorado. Quando ele chega?” A mente de Keira invocou a imagem do lindo rosto de Shane—a barba por fazer em seu queixo esculpido, aqueles olhos azuis irlandeses incríveis—e relembrou inúmeras lembranças maravilhosas do mês que eles passaram se apaixonando. “Uma semana,” ela disse com um suspiro, pensando na sensação dos lábios dele sobre os delas, o toque de seus dedos em sua pele. “Por falar nisso, preciso ligar para ele.” Seria quase meia-noite na Irlanda, onde Shane vivia, e seria sua última chance de falar com ele antes que fosse dormir. E, então, ela teria que suportar a ausência de Shane por oito horas enquanto ele dormia. Sem torpedos, sem mensagens atrevidas ou gracejos engraçados. Aquelas oito horas eram quase insuportáveis para ela, de tanto que o desejava. “Você liga para ele todas as manhãs?” Perguntou Bryn, surpresa. Keira captou o descaso na voz de sua irmã. Ela era uma eterna solteira e pegadora serial, o que a deixava desconfiada de qualquer um que alegasse ter encontrado o amor. “Sim,” respondeu Keira. “Você geralmente está roncando, então não percebe.” “Bem, eu não acho isso saudável.” Começou Bryn. “Você já está muito dependente dele.” Keira rolou os olhos enquanto levantava. Bryn adorava dar uma de sabe-tudo, mesmo sendo um péssimo exemplo. E se ela ao menos soubesse, pensou Keira, se Bryn pudesse testemunhar o que ela e Shane viveram juntos, ela não estaria tão segura de si. Keira levou seu celular para o banheiro, sabendo que seria o único lugar que poderia ter alguma privacidade no apartamento minúsculo de Bryn, e discou o número de Shane. A sensação usual de excitação percorreu pelo seu corpo enquanto esperava, escutando o tom de discagem, antecipando escutar novamente a linda voz de Shane. Ela mal podia esperar para lhe dizer sobre todas as coisas excitantes que havia planejado durante a estada dele, todas as atrações de Nova York que estava planejando mostrar a ele, desde experimentar comidas de vários restaurantes até caminhadas à beira do rio em Tribeca, o Museu Tenement, os jardins no Battery Park, a fazenda de maças no interior da cidade e galerias de arte em Chelsea. Seu itinerário estava cheio até a boca e ela sabia que Shane ficaria tão empolgado para conhecer a cidade quanto ela estava para mostrar. Finalmente, a chamada foi conectada e Keira sentiu seu coração disparar. Mas, em vez de sua voz animada habitual, Shane parecia tenso. E, em vez de atender a ligação com um nome de animal exageradamente bobo como coelho ou pétala, ele usou seu nome verdadeiro. “Keira, oi,” ele disse, com voz de cansado, como se tivesse tido o pior dia imaginável. A euforia de Keira imediatamente se transformou em angústia. No fundo, ela podia escutar sons não familiares, muita conversa e telefones tocando. “O que aconteceu?” Ela perguntou, começando a entrar em pânico. “Onde você está?” “Hospital.” “Meu Deus, por quê?” O coração de Keira começou a disparar de medo, com a cabeça a mil por hora. “Você está machucado? Doente?” “Não sou eu,” disse Shane. “Eu estou bem. É o meu pai.” Keira viu o pai de Shane, Calum Lawder, em sua mente. Ele era uma das pessoas mais gentis e doces que ela já havia tido o privilégio de conhecer. Só de pensar que algo havia acontecido com ele, era horrível. “Ele está bem? Conte-me o que está acontecendo.” Shane respirou fundo. “Ele vai ficar bem agora que o operaram.” Keira sentiu seus ossos se enrijecerem. “Operado?” ela gritou. “Estive o dia todo no pronto-socorro. Ele teve um ataque cardíaco. Os médicos tiveram que fazer um cateterismo. É um milagre ele estar vivo. Se hoje de manhã não houvesse um cirurgião no hospital com uma consulta marcada, ele não haveria sobrevivido.” “Shane, eu sinto muito,”  respondeu Keira, sentindo o peito apertado de angústia. Ela queria poder entrar pela linha do telefone e puxar o Shane por ela, dar-lhe carinho e afeto. “Como sua mãe está? Suas irmãs?” “Estamos bem,” respondeu Shane. “Ainda em choque, para ser honesto. Especialmente Hannah.” Keira pensou na irmã caçula de Shane, a menina de dezesseis anos de cabelos dourados que ela sentiu uma ligação especial. “Coitadinha,” ela respondeu. De repente, agora não parecia o momento de falar sobre a visita de Shane. Não parecia correto falar sobre todos os planos emocionantes após o susto que o Shane havia acabado de passar. “Como o Calum está agora?” “Ele está acordado e fazendo piadas, mas posso perceber que ele está apenas tentando nos tranquilizar.” “Sinto muito, babe,” disse Keira. “Gostaria de poder estar com aí para apoiá-lo, mas vou ter que guardar todos os meus abraços para a próxima semana quando você chegar.” No outro lado da linha, Shane ficou em silêncio. Keira só conseguia escutar os telefones tocando do hospital movimentado, aparelhos apitando, o som remoto de sirenes e o corre-corre da equipe médica realizando seus deveres. “Soa caótico aí,” ela adicionou enquanto Shane ainda permanecia mudo. “Keira,” ele disse, interrompendo o final de sua frase. Keira não gostou do tom de sua voz. Ela teve a nítida impressão de que Shane estava prestes a dar más notícias. “O que…?” Ela perguntou, pronunciando a palavra como se estivesse escolhendo. “Vou ter que cancelar a viagem,” declarou Shane. Keira percebeu que ele estava arrasado apenas pelo tom de sua voz. Sua própria voz caiu para um sussurro doloroso. “Verdade?” “Sinto muito,” respondeu Shane. “Mas preciso ficar aqui. Pela mamãe e as meninas. Elas estão despedaçadas nesse momento. Eu iria me sentir um idiota se fosse para Nova York e as largasse aqui.” “Mas é só daqui a uma semana,” respondeu Keira. “As coisas não estarão mais calmas? Calum já vai estar recuperado. E você não ficará longe por muito tempo. Apenas uma semana. Não é como se você fosse ficar por um mês ou algo louco do tipo. Elas ficarão bem sem você por alguns dias. Quero dizer, elas ficam bem sem você uma vez por ano quando você está trabalhando de guia turístico em Lisdoonvarna.” Ela percebeu que estava divagando, e parecendo um tanto desesperada. Mas ela estava tão animada para rever Shane, para trazê-lo ao seu mundo da forma como ele teve a chance de fazer com ela. A espera era tão difícil, a ausência tão dolorosa de suportar. Isso sem mencionar todo o dinheiro que ela havia gasto nas passagens de avião, tudo que havia esbanjado—todas aquelas atividades com reserva sem políticas de cancelamento. Ela poderia ter usado o bônus que Elliot lhe deu para pagar um lugar em vez de ficar no sofá de Bryn arruinando suas costas. “Meu pai quase morreu, Keira,” Shane disse bruscamente. “Não é a mesma coisa que passar um mês longe de casa uma vez por ano.” “Eu sei,” ela disse, docilmente. “Não quero ser egoísta. É que sinto muito a sua falta.” “Também sinto a sua falta,” respondeu Shane, suspirando profundamente. A garganta de Keira estava apertada de infelicidade. Mas ela não queria falar sobre isso, especialmente quando não era o parente dela no pronto-socorro. Ele decidiu se alegrar. “Acredito que não há nada que possa ser feito,” ela disse, soando mais calma do que realmente estava. “Vamos apenas pensar em uma data para que não precisemos suspender a viagem. Não sei o quão bem vou lidar sem poder contar os dias.” Ela deu uma risadinha, tentando dar a impressão de que estava mais do que bem do que realmente estava. Novamente, não houve resposta de Shane. No intervalo onde a voz dele deveria estar, Keira conseguia apenas ouvir o som de uma recepcionista explicando para alguém o caminho para a ala de hemodiálise. “Shane?” Ela perguntou, timidamente, após receber o máximo de silêncio que conseguia suportar. Ele finalmente falou. “Não acho que posso agendar outra data,” Shane disse a ela. “Por causa de seu pai? Shane, ele vai estar melhor antes que imagina. Recuperado, trabalhando na fazenda. Eu lhe prometo que até novembro tudo estará de volta ao normal. Ou, se você preferir, podemos marcar para dezembro. Isso dará séculos para ele voltar ao trabalho.” “Keira,” interrompeu Shane. Ela calou-se, interrompendo a linha de pensamento que sabia ser uma tática para evitar a questão, para adiar o que ela temia que estava por vir, uma forma de pausar a terrível fatalidade que Shane estava prestes a dizer. “Não posso ir,” ele declarou. “Nunca.” Keira sentiu suas mãos começando a tremer. Seu telefone de repente ficou pegajoso em sua mão, como se não estivesse segurando-o de forma apropriada. “Então eu vou para a Irlanda,” ela disse docilmente. “Não me importo de viajar se você acha que não pode. Eu adorei a Irlanda. Posso ir até você novamente.” “Não é o que eu quis dizer.” Keira sabia o que ele queria dizer, mas não queria acreditar. Ela não iria deixar que Shane desistisse no primeiro obstáculo. O amor deles era maior do que isso, mais importante e especial. Ela teria que convencê-lo do contrário, mesmo que isso significasse parecer desesperada ou se tornar, nas palavras de Bryn, muito dependente. Ela escutou ao som da inspiração profunda e triste de Shane . “Precisam de mim na fazenda, com minha família. A Irlanda é o meu lar. Não posso me mudar para outro lugar.” “Ninguém está falando em mudar,” respondeu Keira. “Mas falaremos, em breve,” disse Shane. “Se quisermos que nossa relação funcione, em algum momento teremos que morar no mesmo país. Não posso me mudar para aí. Você não se mudará para cá.” “Eu poderia,” gaguejou Keira. “Estou certa que poderia. Em algum momento.” Ela pensou no lindo país que havia se apaixonado. Ela com certeza poderia morar lá se fosse necessário para ficar com Shane. “Na fazenda?” “Claro!” A bela fazenda cheia de amor e família era uma imagem maravilhosa para Keira. Sua própria família era fragmentada, com Bryn sempre ocupada, sua mãe morando a quilômetros de distância e seu pai completamente ausente de sua vida. Como não amar a família imediata que Shane poderia lhe proporcionar? “Com minha família? Minhas irmãs? Meus pais?” Shane a questionou. “E todas aquelas ovelhas?” Keira lembrou-se do estrume de ovelha que ficou afundada até os joelhos. Ela pensou nas seis irmãs de Shane, que eram adoráveis, mas ainda moravam em casa. Ficaria apertado. Muito longe da vida que esperava para si própria. Mas dormir no sofá de Bryn também não era o que esperava. Se ela conseguia aguentar morar com sua própria irmã, então definitivamente aguentaria morar com as seis irmãs de Shane! E a vida não significava superar os desafios? Não significava de abraçar o louco? “Shane,” respondeu Keira, tentando parecer calma. “Não precisamos resolver isto agora. A vida muda. Quem sabe, todas as suas irmãs podem se casar e mudar. Seus pais podem decidir vender a fazenda e velejar ao redor do mundo em um iate. Não é possível prever o futuro, então vamos parar de nos preocupar com isso.” “Escute, por favor,” respondeu Shane, sua voz crepitando de emoção. “Estou tentando terminar agora para que no futuro não seja ainda mais doloroso do que já está sendo.” A palavra terminar se repetia na cabeça de Keira, como um martelo batendo no aço. Ela encolheu-se, o nó doloroso em sua garganta ficando cada vez maior e mais difícil do que já estava. Ela, então percebeu pela primeira vez que a decisão de Shane estava tomada. Ele não iria voltar atrás. Nada do que ela dissesse mudaria sua decisão. “Não faça isso,” respondeu Keira. De repente, ela estava chorando, soluçando em voz alta, incontrolavelmente, quando finalmente caiu a ficha de que Shane não voltaria atrás de sua decisão. Que ele realmente estava terminando com ela. Seu amor verdadeiro. O amor de sua vida. “Sinto muito,” ele respondeu, também chorando. “Eu tenho que fazer isso. Por favor, entenda. Se não tivéssemos esse oceano entre a gente, eu iria querer estar com você o tempo todo. Talvez eu até quisesse casar com você.” “Não diga isso!” Keira gemeu. “Você só está piorando as coisas.” Shane deu um alto suspiro. “Quero que saiba o quanto você significa para mim, Keira. Não quero que pense que eu deixei de gostar de você ou algo do tipo. Se não estivéssemos neste impasse, nunca faria isso. Não é o que quero. Nem de perto. Você entende?” “Sim,” respondeu Keira, suas lágrimas caindo amargamente de seus olhos. Ela entendeu muito bem. O homem de seus sonhos, um homem que a amava e a fez sorrir todos os dias, estava desistindo dela porque as coisas eram um pouco complicadas. O homem que ela se apaixonou tão profundamente durante o mês mais transformador de sua vida estava desistindo no primeiro obstáculo. No final das contas, ele não iria se dedicar ao relacionamento. Os pensamentos rodopiavam amargamente na cabeça de Keira. “Então, suponho que isso seja um adeus?” Ela disse, friamente. Shane deve ter captado seu súbito tom deprimido. “Não fique assim,” ele disse. “Nós podemos manter o contato. Podemos ser amigos. Tem redes sociais. Não é como se eu estivesse te cortando totalmente de minha vida.” “É claro,” respondeu Keira, com o coração apertado, sabendo que mesmo com as melhores intenções, relacionamentos amorosos quase nunca se transformavam em amizades platônicas. Não era assim que funcionava. Quando o amor era perdido, acabava, pelo menos na experiência de Keira. “Você está brava comigo?” Shane perguntou, sua voz baixa e frágil. “Não,” respondeu Keira, percebendo que era verdade. Os motivos de Shane para terminar eram nobres. Ele estava colocando sua família em primeiro lugar. Este era exatamente o tipo de qualidade que ela precisava de um parceiro, então seria um pouco injusto se ela o criticasse. “Acho que você deveria desligar e ficar com sua família agora,” ela disse. “Dê um abraço em todos por mim.” “Ok,” respondeu Shane. Keira não tinha certeza, mas teve a nítida impressão, pelo jeito que ele disse, que ele sabia que ela não esperava falar nunca mais com ele. Ele pareceu estar devastado. Houve um longo período de silêncio. “Adeus, Keira,” Shane finalmente disse. Antes que ela tivesse a chance de responder, a ligação ficou muda. Ela afastou seu celular da orelha e ficou olhando para ele em sua mão. Como um pedaço tão pequeno de metal e chips de computador poderiam fazer com ela sentisse como se o mundo todo estivesse desmoronando debaixo de seus pés? Como uma conversa poderia virar sua vida de cabeça para baixo? Ela sentia como se cada milímetro de felicidade que já havia sentido tivesse sido sugado através dos alto-falantes do celular e sido cuspido em um abismo escuro, para nunca mais ser visto novamente. E o pior de tudo, Keira nem sequer podia sentir raiva. Shane não foi um idiota como todos os outros namorados com quem ela havia terminado. Não houve traição, mentiras, discussões aos gritos ou insultos inaceitáveis. Talvez fosse por isso que era muito mais doloroso. Talvez tenha sido porque ela tenha se empolgado, achando que Shane pudesse ser a pessoa certa, que qualquer um pudesse ser a pessoa certa. Com as lágrimas ainda caindo, Keira saiu do banheiro e jogou seu celular no sofá. Bryn, que estava de pé no balcão do café da manhã preparando café, recuou com surpresa. “O que aconteceu?” perguntou Bryn. “Você está chorando?” Ignorando a pergunta de Bryn, Keira agarrou seu itinerário de outono na mesa—olhando brevemente para a lista de eventos que havia planejado para ela e Shane, lugares onde eles supostamente criariam lembranças preciosas para contar aos netos—e rasgou ao meio. CAPÍTULO DOIS Bryn colocou o braço ao redor do ombro de Keira enquanto a caçula das duas irmãs chorava amargamente. “Você fez a coisa certa,” tranquilizou Bryn. “Eu sei que não parece nesse momento, mas confie em mim. Você estava ficando muito envolvida. Você tem 28 anos, Keira, não está na hora de se comprometer.” Suas palavras não confortaram muito Keira. O que exatamente Bryn sabia? Sua vida havia sido uma série de relacionamentos desastrosos. Ela não tinha ideia do tipo de amor que Keira e Shane tinham encontrado, e agora perdido. Soluços fizeram seu corpo todo estremecer. “Venha,” acrescentou Bryn, “Vamos tomar um café. Vou ligar para a mamãe. Você sabe como ela é ótima com esse tipo de coisa.” Keira não podia discordar mais. Sua mãe, ao contrário de Bryn, parecia estar em uma corrida para que Keira se comprometesse e tivesse bebês. Ela foi ainda mais longe ao ponto de dizer que não fazia sentido Keira colocar tanta energia em sua carreira quando ela própria havia desistido de tudo durante alguns anos para ter filhos. Ela balançou a cabeça. “Não posso, preciso trabalhar.” Bryn fez uma careta. “Babe, você está um caco. Eles não vão querer você lá neste estado. Você não vai ajudar ninguém”. “Obrigada,” Keira murmurou. “Mas não posso deixar de ir. Primeiro dia depois de uma folga. Nova posição sênior. Elliot vai estar no escritório. Ele estará me esperando para traçar meu plano.” Enquanto ela falava, Bryn pegou o celular de Keira de suas mãos. “Ei!” Protestou Keira. Bryn digitou alguns números e, então, colocou o celular triunfantemente sobre a mesa de centro. “Feito.” “O que?” Gritou Keira, aterrorizada, agarrando o celular. “Você solicitou uma licença por doença para mim? Eu nunca tirei uma folga por doença! Você não é nada profissional. Não acredito que tenha feito isso.” Mas quando ela rolou através das ações mais recentes em seu celular, viu que Bryn não contatou o trabalho, mas sim Nina, a amiga de Keira e editora na revista. Ela leu a mensagem que Bryn enviou a Nina. Shane terminou comigo. Minha vida acabou. Socorro. Keira rolou os olhos, pouco impressionada, e lançou um olhar mortal para sua irmã. Bryn apenas encolheu os ombros insolentemente. Um segundo depois, o celular de Keira vibrou com uma mensagem recebida de Nina. Tudo vai ficar bem. Vou dizer ao Elliot que estamos em uma reunião fora do escritório. Café em dez? A expressão de Keira suavizou. Talvez Bryn tivesse alguma utilidade no final das contas. “Nina vai me encontrar,” ela disse, guardando o celular. “Feliz agora?” “Sim,” respondeu Bryn. “Agora eu apenas tenho que avisar meu chefe que não vou trabalhar hoje.” “Você não precisa fazer isto.” “Ah, por favor, qualquer desculpa,” disse Bryn Keira cedeu. Às vezes, não havia como discutir com Bryn. Embora sua irmã não fosse sempre o ombro mais confortável para se chorar, ela era boa em se colocar em primeiro lugar e aquela prática ocasionalmente funcionava em favor de Keira. Vários minutos depois, as irmãs deixaram o apartamento juntas, envoltas em suas roupas quentes de outono, e desceram a rua até a cafeteria que combinaram de encontrar Nina. Ainda era muito cedo. Quando chegaram, a cafeteria havia acabado de abrir. Elas foram as primeiras a entrar. Bryn pediu pequenos muffins de baunilha para as duas e conduziu Keira até o sofá de couro macio. Um momento depois, Nina entrou. “Keira,” ela disse, sua expressão de dor. Ela se sentou e deu um abraço forte em Keira, o que a fez se sentir instantaneamente consolada. Talvez faltar ao trabalho tenha sido uma boa ideia no final das contas, embora ela tenha anotado de não deixar isso se tornar um hábito. Não era nada profissional, mesmo que Bryn e Nina não pensassem dessa forma. Keira provavelmente não havia muito com que se preocupar; ela estava prestes a se comprometer com uma vida de celibato e, portanto, havia pouca chance dela tirar outra folga por coração partido… “Deus, não acredito que Shane tenha sido tão idiota,” começou Nina. Keira balançou a cabeça. “Não é bem assim.” Nina lhe lançou uma expressão impassível. “Como não é bem assim? Ele a manipulou para pensar que havia se apaixonado por ele e, então, uma semana antes de vocês se reencontrarem, ele termina com você?” “Bem, pensando dessa forma,” disse Keira. “Mas confie em mim, não foi isso o que aconteceu. O pai dele ficou doente. Isso fez com que ele, sei lá, reavaliasse as coisas.” Ela sentiu lágrimas ameaçando asfixiá-la novamente. “Mas podemos não fazer isso? Não quero ser colocada em uma posição em que tenha que defender o cara que acabou de partir meu coração.” Nina fez uma pausa, aparentemente deliberando sobre o pedido. “Talvez seja melhor assim,” ela disse. “Elliot irá provavelmente enviá-la para o exterior para uma nova tarefa em breve. Talvez você conheça outro cara. Um cara ainda melhor.” “Esta é a última coisa que quero nesse momento,” respondeu Keira desanimadamente, enterrando seu queixo no punho. “Não sei o quanto mais meu coração consegue aguentar. De Zach para Shane para outra pessoa que irá me tratar como lixo? Não, obrigada. Eu estava certa antes em colocar todo o meu foco em minha carreira. Não é como meu trabalho me dissesse que se as coisas fossem diferentes poderia se casar comigo.” Nica franziu. “Shane disse isso?” Keira afirmou com a cabeça, sentindo-se mais triste e mais decepcionada do que nunca. Nina deu-lhe outro aperto nos ombros . “Você é jovem. Muito jovem para se comprometer. Tem um mundo enorme lá fora, e você só viu uma fração dele.” “Obrigada,” concordou Bryn. “É o que venho dizendo. Ela ainda tem vinte e poucos anos, meu Deus. Espere pelo menos até chegar nos trinta.” Nina ergueu uma sobrancelha. “Quarenta,” ela disse, encolhendo-se. “Mais alguns outros para sorte. Não estou com pressa de me comprometer. Apesar do que a mídia possa estar dizendo de meu relógio biológico.” “A mídia?” Gozou Keira. “Você quer dizer nós? Somos jornalistas antes de qualquer coisa. É nosso dever fazer as pessoas pensarem que querem coisas. Como o amor,” ela adicionou amargamente. Nina riu e Keira sentiu-se um pouco melhor. Ela olhou pela janela para as ruas movimentadas da cidade de Nova York, cheias de pessoas a caminho do trabalho, pessoas voltando para casa depois de festejar pela madrugada adentro, pessoas vestidas com trajes caros, outras com camisetas com slogan divertido. Ela podia ver tantas raças e nacionalidades, e todos os penteados imagináveis. Eles andavam com pressa, lutando contra os ventos gelados que o outono havia trazido. À medida que os observava, Keira percebeu o quanto amava sua cidade. Ela nunca teria sido feliz na Irlanda. Shane estava certo sobre isso. Mudar-se não era uma opção para ela. Ela era totalmente Nova Yorkina. A cidade praticamente corria em suas veias. Ela voltou sua atenção para Nina e Bryn. "Então, como Elliot reagiu com minha ausência hoje?" Ela perguntou a Nina, mais do que pronta para mudar de assunto. Nina mexeu seu café. "Honestamente, ele parece um pouco distraído hoje. Outra noite, eu o ouvi discutindo no telefone quando estava trabalhando até tarde. Eu acho que pode haver alguém tentando comprar a revista." Keira elevou as sobrancelhas, surpresa. "Mas isso não aconteceria. Elliot não venderia. Ele ama a Viatorum. Às vezes, ama até demais." Nina simplesmente encolheu os ombros e tomou um gole de seu café. "Às vezes, não importa o quanto você ama algo. Se uma das grandes empresas vai começar uma revista rival, copiar nosso modelo, mas usar todos os bens financeiros e conexões para se promover e nos enterrar, ele não terá outra opção senão vender. Às vezes, a única maneira de uma revista independente como a Viatorum permanecer viável é se o chefe, tal como Elliot, entrar em um acordo sobre o patrimônio". "Mas seria como rebaixá-lo de posição, não seria?" Perguntou Keira. "Ele iria de dono para apenas, o que, gerente?" Nina inclinou a cabeça para o lado. "Não é tão ruim como parece. Ele poderia ganhar mais dinheiro dessa maneira. Ele apenas teria que responder a superiores. Provavelmente perderia parte da liberdade criativa.” Ela encolheu os ombros novamente. "Na verdade, ele definitivamente perderia parte da liberdade criativa." Keira mordeu o lábio, considerando a premonição de Nina. Por que as coisas sempre precisam mudar tão rapidamente? Esta manhã, ela acordou com um parceiro amoroso e um trabalho incrível. Agora, ela estava ensopada de lágrimas e deprimida em uma cafeteria, novamente solteira e preocupada com sua situação empregatícia. "Bem, essa é uma maneira de tirar o meu pensamento de Shane," Keira disse a Nina com ironia. "Meu Deus, desculpe," disse Nina. "Eu não queria te preocupar. Tenho certeza de que nada mudará para você, nem para mim, nem para ninguém. Apenas para Elliot. Já passei por aquisições no passado, inúmeras vezes, na verdade. Geralmente, é imperceptível para a maioria dos funcionários." Keira fez beicinho. "Veremos," ela respondeu. Nina parecia estar um pouco em pânico, pensou Keira, e ela observou como sua amiga olhou para Bryn como se estivesse tentando induzi-la a assumir o comando da conversa. Bryn de repente se iluminou como se tivesse sido atingida por uma ideia. "Tenho uma ideia incrível," ela disse, seus olhos se arregalando. "Por que tenho a sensação de que não vou gostar nem um pouco?" Respondeu Keira, restringindo seu próprio pensamento. "Hoje à noite, vai ter essa festa incrível no Gino, aquele autêntico restaurante italiano na cidade," disse Bryn. "É com o tema de Halloween. Na verdade, o tema é Dia de Todas as Almas, que é um feriado italiano que nunca ouvi falar, mas parece muito assustador e eles estão levando muito a sério no Gino. Vai ser um baile de máscaras com comida gótica. Parece louco, mas de uma forma super. legal." Keira semicerrou ainda mais os olhos. Bryn estava tagarelando. "Continue …” Ela incentivou sua irmã. "O negócio é o seguinte," disse Bryn. "Fui convidada por um cara que conheci na outra noite, Malcolm. Ele queria ver como era essa festa, fazer algo diferente. Eu, obviamente, disse claro, você me conhece, vou tentar qualquer coisa pelo menos uma vez. Enfim, hoje ele mencionou que tem um amigo que está solteiro e perguntou se eu conhecia alguém para apresentar ao amigo. Eu ia convidar Tasha, mas por que não vamos nós duas? Agora você está solteira de novo." Keira nem precisou de um segundo para considerar a proposta de Bryn. Ela balançou a cabeça com um não enfático. "Absolutamente não," ela disse. Nina inclinou-se para frente, aparentemente a bordo. "Conheço essa loja incrível de fantasias," ela disse. "Você pode conseguir um vestido de baile completo, luvas, máscara, o lote." Keira lhe lançou um olhar fulminante. "Por que você não vai ao encontro se gostou tanto da ideia?" Nina calou a boca. Bryn assumiu novamente o comando. "Venha pelo menos pela comida," disse Bryn. "Refeição grátis. Comida chique. Baile. Apenas pense como se fosse uma balada para nós duas,  com dois caras acompanhando e pagando a conta. Você nem precisa dizer-lhes o seu nome verdadeiro se não quiser, ou mesmo tirar sua máscara. Poderia ser uma noite de anonimato. Você poderia inventar uma nova pessoa." Keira riu. "Deixe-me adivinhar, você já fez isso antes?" Nina interrompeu. "Por favor, querida, todo mundo já fez isso antes. Se você nunca foi a um encontro e fingiu que trabalhava para o FBI ou que você era herdeira de uma herança bilionária, então você realmente não viveu." Balançando a cabeça, Keira olhou de novo pela janela. Ela olhou para as pessoas que passavam pelas ruas. Algumas das lojas já tinham decorações de Halloween em suas janelas. Ela viu um casal de góticos caminhando pela rua— a mulher com um vestido preto de renda carregando uma sombrinha, o homem em trapos de couro. Somente na cidade de Nova York, pensou para si mesma, entretida. Na vida, deveríamos abraçar o louco, ela relembrou. Ela não havia falado exatamente a mesma coisa essa manhã a si mesma? "Tudo bem," ela disse, virando para Bryn com um suspiro de resignação. "Irei ao seu baile." * Keira descobriu mais tarde naquela noite que Bryn estava certa sobre uma coisa: Gino estava incrível. O restaurante inteiro estava decorado como se fosse um castelo gótico, as mesas empurradas para o canto para que a parte do meio fosse transformada em uma pista de dança. Havia uma vibração incrivelmente sinistra, com música folk italiana antiga, garçons em ternos de veludo e, claro, todos com máscaras. Se apenas as duas tivessem ido, Keira teria tido uma ótima noite. Mas, infelizmente, elas estavam com Malcolm, o encontro de Bryn e Glen, o encontro de Keira. Eles deveriam ser os dois homens mais entediantes do mundo. Keira deu uma garfada em seu macarrão, quase incapaz de manter-se acordada, enquanto Glen contava mais detalhes de sua carreira em contabilidade. Conversa de trabalho geralmente irritava Keira, mas quando envolvia matemática, a chatice alcançava outro nível. Isso sem mencionar que ele não havia feito uma única pergunta sobre seu trabalho. Houve uma pausa repentina na conversa e Keira sentou-se como se tivesse sido acordada com um susto. "Então, o que você faz no seu tempo livre?" Ela perguntou a Glen, desesperada para mudar o rumo da conversa. Glen levou um longo tempo para responder, outra coisa que Keira tomou como um mau sinal. Quem não sabia quais hobbies tinham? Ou o que eles gostavam de fazer além de seus empregos? "Eu assisto esportes," ele finalmente disse. "Assiste," repetiu Keira. "Não joga?" Glen riu. "De jeito nenhum. Não quero uma lesão. Prefiro ser um espectador." "Isso é …" Keira lutou por uma palavra. A palavra que encontrou era provavelmente o oposto do que ela queria dizer. "…interessante." "E você?" Perguntou Glen. Era a primeira vez que ele perguntava sobre ela, e Keira ficou quase surpresa. "Bem, eu estou na área de jornalismo, então passo grande parte do meu tempo livre lendo," ela começou. Glen interrompeu-a imediatamente. "Eu também leio. Principalmente o Wall Street Journal." Percebendo que seu tempo para falar havia acabado, Keira sentiu seu peito afundar. Ela espetou seu macarrão novamente. "Legal." Bryn inclinou-se sobre a mesa. "Nós estávamos falando sobre planos," ela disse. "O que queremos alcançar em cinco anos. Keira, e quanto a você?” Se Bryn lhe tivesse perguntado ontem, Keira teria certeza de que o que queria nos próximos cinco anos era passar o maior tempo possível com Shane. Comprar a casa de seus sonhos juntos. Talvez até se casar e ter alguns filhos. Mas esse sonho estava destruído agora. Keira simplesmente encolheu os ombros. "Eu gostaria de viajar. Ver o mundo. Dentro de um período de cinco anos, quero ter pisado em cada continente pelo menos uma vez." Bryn aplaudiu. "Esse é um plano ótimo, mana". Glen zombou. "Viajar é tão superestimado nos dias de hoje, agora que temos a tecnologia para mapear tudo. Quero dizer, para que passar horas em um tubo de alumínio voando pelo céu, poluindo a atmosfera, quando você pode ver o mundo a partir do conforto de sua própria casa? A realidade virtual está atualmente engatinhando, mas dentro de cinco anos irá decolar. Um fone de ouvido de cinquenta dólares assumirá o lugar de centenas de dólares desperdiçados em voos." Apenas Malcolm concordou com a cabeça, sua expressão revelando que ele achou o ponto de vista de Glen provocador. Bryn, por outro lado, ficou horrorizada com a declaração dele e lançou um olhar de desculpas para Keira. Keira apenas deu um olhar inexpressivo para sua irmã, como se dissesse Eu sabia que isso seria terrível. "E você Glen?" Perguntou Bryn, tentando salvar a conversa. "Se você não é um fã de viagens, como você acha que serão seus próximos cinco anos?" Todos voltaram sua atenção para o contador. Ele estalou os dedos. "Tenho tudo planejado," ele disse com confiança. Ele apontou para seu dedo indicador. "Uma esposa em um ano." Então, ele seguiu para o próximo dedo. "Nossa casa dos sonhos nos subúrbios no ano seguinte." Ele apontou para os dois dedos seguintes. "Dois filhos, com uma diferença de dezoito meses. Um menino, uma menina." Então, finalmente, ele balançou o polegar. "E um cachorro." Keira suspirou profundamente. Ela sabia antes mesmo de sair do apartamento de Bryn que não iria encontrar nada semelhante a um romance nesse encontro. Mas ainda havia um lampejo de esperança. Apenas uma pequena faísca que alguém tão iluminado quanto Shane aparecesse de repente em sua vida, virando seu mundo de cabeça para baixo, tão rápido quanto o próprio Shane havia feito. Mas ela percebeu, com uma decepção amarga, que havia sido uma boba por até mesmo considerar essa ideia. Shane era uma experiência em um milhão. Não, uma em um bilhão. Seu encontro com Glen tinha acabado de confirmar seus piores medos. Ela nunca mais acharia um amor como aquele. CAPÍTULO TRÊS Keira não teve escolha senão retornar ao escritório na manhã seguinte. Para começar, coração partido não era um motivo válido para faltar no trabalho, e dois dias seguidos parecia abuso. Além disso, ela não queria passar outro dia se lamentando em cafeterias e, definitivamente, não queria ser persuadida a participar de outro esquema maluco e estúpido de Bryn! O último, o encontro no Gino, havia deixado um gosto muito azedo na boca de Keira. Apesar de sentir que havia uma nuvem negra pairando sobre sua cabeça, Keira conseguiu se vestir e se preparar para começar o dia. Geralmente, ela se sentia poderosa ao se vestir para o trabalho, mas hoje ela se sentia como uma imitação barata, apesar de ter optado por uma das roupas mais casuais de suas opções de roupas formais. Quando saiu do apartamento de Bryn, Keira viu que Nina havia lhe enviado uma mensagem de apoio. Todos estão ansiosos para o seu retorno. Keira sorriu. Ela estava feliz por ter uma boa amiga como Nina. Apesar da diferença de idade, havia uma grande sintonia entre elas. E Nina teve uma carreira tão impressionante no mundo da escrita que também era uma excelente mentora para Keira. Quando Keira entrou na sede da Viatorum, ela ficou surpresa com o clima imediatamente diferente. Antes, sempre havia um ar de pânico no escritório, uma espécie de estresse invisível que impregnava toda a revista. No passado, não importava o quão bom estava seu humor quando entrava na revista, era impossível não sair de lá se sentindo cansada, estressada e ansiosa. Mas, é claro, que a diferença agora era que Joshua não trabalhava mais na revista. Graças à Keira, ele foi demitido por Elliot. Era incrível a diferença que isso fez na revista. Parecia até mais confortável, embora os azulejos fossem o mesmo branco clínico e imaculado de antes, e o estilo de ambiente aberto ainda com o mesmo eco. Havia apenas uma diferença real visível, observou Keira; todas as portas para as salas de reuniões e escritórios estavam abertas. Ela podia ver a Heather, a assistente de Elliot, digitando em um computador em seu escritório. Dentro da sala de conferência, vários membros da equipe estavam envolvidos em uma reunião que parecia alegre, em vez de formal e estranha. Quando Joshua trabalhava lá, essas portas eram sempre fechadas rapidamente, agindo como uma barreira física entre a equipe sênior e o pessoal subalterno. "É Keira!" Alguém disse e, de repente, as cabeças se viraram para olhar para ela. Para a completa surpresa de Keira, alguém começou a aplaudir. Ela sentiu suas bochechas ficando ruborizadas à medida que mais e mais pessoas se levantaram e começaram a aplaudir. Foi assim que Dorothy se sentiu depois de matar a Bruxa Malvada? Afinal de contas, um homem havia perdido seu sustento, mesmo merecendo! Nina saiu de sua mesa e abraçou Keira. "Você conseguiu," ela disse gentilmente. "Eu te disse que todos estavam felizes em vê-la!" Denise, uma das redatoras subalternas, que Keira ainda não havia trocado mais do que duas palavras, correu e abraçou-a. Keira ficou surpresa. "Oi, ei," ela disse, embaraçosamente. "Eu só queria dizer obrigada," Denise falou efusivamente. "Eu estava tão perto de desistir por causa de Joshua. Ele me fez pensar que eu era inútil, que eu não conseguia escrever e não tinha talento algum. Eu iria desistir completamente do jornalismo. Mas, graças a você, ainda estou aqui e tudo é um milhão de vezes melhor do que antes." "De nada," disse Keira, sentindo uma pequena onda de orgulho. Não foi fácil aguentar o Joshua, mas valeu à pena, e ajudou mais pessoas do que ela havia imaginado. Qualquer resquício de culpa residual que ela sentia por suas ações desapareceu ao ver o impacto que havia causado em todos. Josh era um homem adulto, responsável por suas próprias ações. Ninguém o obrigou a agir como um idiota com todos ao seu redor. Na verdade, ele é o culpado pela própria demissão; Keira apenas foi o catalisador. Sentindo uma onda de confiança pela primeira vez desde que Shane despedaçou seu coração, Keira foi até a mesa, pronta para mergulhar no trabalho. Afinal, era onde ela se sobressaía. Mesmo que sua vida amorosa estivesse atualmente em cacos, sua carreira estava florescendo e ela iria aproveitar ao máximo. Mas, quando chegou a sua mesa, viu que nenhuma de suas coisas estavam lá. A foto emoldurada de sua mãe e Bryn havia desaparecido, junto com seu mini cacto, o mousepad de bolinhas que ela ganhou de presente de sua amiga Shelby em sua formatura, e a caneca em forma de gato que sua outra melhor amiga, Maxine, tinha lhe presenteado no ano anterior. Ela esperava desesperadamente que não haviam sido jogados fora por acidente. Pequenas bugigangas, essencialmente inúteis, mas que significavam muito para ela. Ela olhou ao seu redor, preocupada. Foi então que notou Elliot caminhando em sua direção. Ele parou, seu grande contorno de dois metros crescendo sobre ela, e apertou a mão de Keira. "Bem-vinda de volta. Eu mudei você para o escritório do canto. Espero que não se importe." O alívio em saber que seus pertences estavam seguros foi a única coisa que se passava em sua mente. Então, ela percebeu o que Elliot realmente havia dito. "Eu tenho um escritório?" Ela repetiu, seu tom um de descrença. "Claro," respondeu Elliot. "Você é uma sênior agora. Todos os seniores recebem escritórios." Ele acenou para que ela o seguisse. Quando Keira atravessou o escritório, olhou para Nina. Sua amiga piscou. Ela já deveria saber. Eles pararam na porta aberta para o pequeno escritório de canto. O nome de Keira havia sido gravado em uma placa dourada, que estava parafusada na porta. Seus itens favoritos foram posicionados na mesa da mesma forma que antes, mas enquanto antes eles deixavam seu espaço de trabalho apertado, agora eles pareciam pequenos com o resto da sala vazia. Keira sentiu-se eufórica, como se estivesse nas nuvens. Ela nunca teve seu próprio escritório, nem uma placa na porta. "O escritório está bom?" Perguntou Elliot. "É incrível!" Respondeu Keira, caminhando dentro e girando. A sala não era suficientemente grande para os arabescos, mas isso não importava para Keira! "Adotamos uma política de portas apenas abertas," disse Elliot. "A menos que você esteja tendo uma reunião ou esteja em uma chamada. Houve uma votação enquanto você estava de licença." Keira olhou para ele com uma expressão surpresa, mas satisfeita. Ela nem conseguiu imaginar como seria um sistema de votação na Viatorum. Nos tempos de Joshua, ele apenas dava ordens e todos seguiam. Se ele o chamava no escritório em um feriado—fosse Natal, Chanuká, Eid, ou o quer que seja que você celebra—você tinha que estar lá ou seria demitido. Keira ficou tão feliz em saber que a opinião da equipe de redação júnior era agora considerada. "Você já foi apresentada ao Lance?" Continuou Elliot. "Lance?" Perguntou Keira. "Não, ele é um novo redator júnior?" Elliot riu. "Ele é o seu novo chefe," ele disse. "Ah," respondeu Keira, franzindo o rosto. "Pensei que você seria o meu novo chefe." A ideia de outra pessoa estando em controle preocupava Keira. E se ele se transformasse em outro Joshua? E se suas visões criativas não se alinhassem completamente? Elliot balançou a cabeça. "Não posso estar aqui 24 horas, sete dias por semana. Apesar de todos os defeitos, Joshua era dedicado. Eu precisava de alguém no comando para quando eu não pudesse estar aqui, portanto Lance foi nomeado. Mas não se preocupe, você o amará. Ele é o oposto de Joshua, eu prometo." Ela seguiu Elliot para fora de seu escritório e entrou na sala de conferências, onde o anteriormente mencionado Lance já estava aguardando. Elliot estava certo, ele era o oposto de Joshua, pelo menos na aparência. Ele era um homem baixo e robusto, vestindo um terno folgado e com cabelos despenteados. Quando ele viu Keira entrar, abriu um grande sorriso—algo que Keira suspeitava que Joshua nem sequer havia os músculos faciais corretos para fazer—e estendeu a mão para ela. Ela apertou sua mão. "Você deve ser a estrela de Viatorum," começou Lance. "A heroína, Keira Swanson." Keira deu uma risadinha envergonhada. "Eu não iria tão longe." "Eu iria," disse Lance, voltando a sentar-se e gesticulando para que Keira e Elliot fizessem o mesmo. "Eu li todos os seus artigos anteriores e devo dizer que você tem muito talento." "Obrigada," disse Keira, corando. Ela não estava acostumada a receber elogios. Elliot os fazia moderadamente, Joshua, nunca. Ela ainda não sabia como recebê-los, como responder adequadamente sem parecer arrogante. Ela olhou para Elliot enquanto se sentava ao lado dele, e ele lhe deu um olhar como se dissesse Eu te disse que ele era o oposto. "Então, vamos direto às tarefas," disse Lance, batendo palmas. "Elliot já organizou uma tarefa ainda melhor." Ele esfregou as mãos, sorrindo com alegria. "A competição vai ser intensa!" Então, ele saltou e correu para a porta. Na voz mais animada imaginável, ele gritou: "Hora da tarefa, meninos e meninas!" Houve uma enxurrada de movimento à medida que as pessoas correram em direção à sala de conferências. Keira de repente sentiu-se incapaz. As coisas estavam tão diferentes por aqui, mas, aparentemente, o ritmo continuava rápido. E a excitação da competitividade ainda estava lá, apenas era completamente diferente de quando Joshua estava no controle. À medida que o resto dos redatores entrava na sala, Keira conseguiu sentir a sede e anseio deles por um desafio. Isto sempre esteve presente, mas havia sido encoberto pela insegurança. Claramente, sem Joshua para arrastá-los para a lama, juntamente com a abordagem amigável e encorajadora de Lance, os outros redatores da Viatorum começaram a florescer, a se revelar. Keira percebeu, com surpresa, que a competição na revista era mais acirrada do que nunca. “Um de vocês sortudos está prestes a ganhar a melhor tarefa que já tivemos," disse Lance, sorrindo amplamente. "Três semanas viajando pela Itália. Estou falando de Florença, Toscana, Verona, Capri." Houve risadinhas de animação, uma agitação por toda a sala de reuniões. Keira se moveu no assento, sedenta pela tarefa. Ela não podia deixar de imaginar o quão incrível seria visitar a Itália, comer a verdadeira pizza italiana, macarrão e gelato, ao invés da versão pirata oferecida pelo Gino. Esta tarefa era claramente para ela. Ela era a única pessoa lá com experiência anterior. Mas todos iriam querer a tarefa! Ela se deixou levar por uma falsa sensação de segurança, com todos os aplausos e o novo escritório de canto. Mas parecia que as coisas eram as mesmas por baixo de tudo isso, com apenas uma fachada diferente. Ela se preparou para uma briga. "Então," disse Lance, cruzando as mãos. "Quem vai participar da disputa?" A mão de Keira imediatamente se elevou. Ela havia deixado no passado os dias em que esperava pelas oportunidades cair em seu colo. Ela agora tinha fome de sucesso e não ia deixar essa oportunidade escapar-lhe entre os dedos. Além disso, ela realmente precisava dessa viagem para tirar Shane de sua cabeça. Mas, para sua surpresa, ela percebeu que ninguém mais levantou a mão. Confusa, Keira olhou para cada um, percebendo que todos estavam olhando para ela. E todos estavam sorrindo. "O que está acontecendo?" Perguntou, abaixando a mão. Lance riu calorosamente. "É sua!" Ele exclamou. "Obviamente. Estávamos apenas pregando uma peça em você." Todos começaram a rir. Keira olhou em volta, completamente chocada. Desde quando a Viatorum era um lugar para brincadeiras? "Você quer dizer que já iria me dar a tarefa?" Ela perguntou. "Sim!" Respondeu Lance, ainda rindo calorosamente. E para a grande surpresa de Keira, todos estavam contentes com isso. Eles pareciam felizes por ela. Já não havia mais inveja, nenhuma crueldade. "Eles também receberam ótimas tarefas," explicou Lance. "Não se preocupe com isso. Não gosto de conflitos internos, não suporto. Todos têm pontos fortes. E o seu é viajar para o exterior e escrever aqueles artigos incríveis." Keira queria se beliscar. Isso era um sonho? Ela ainda estava dormindo no sofá grumoso de Bryn fantasiando sobre com como desejava que seu primeiro dia de volta ao trabalho fosse? Mas não, era real. Sem o Joshua, a Viatorum transformou-se em seu emprego dos sonhos. E ela acabou de conseguir sua tarefa dos sonhos. "É a nossa maneira de agradecer," falou Denise. "Por se livrar de Josh." Keira riu, encantada. Ela estava tão animada com a nova tarefa. Mas também estava muita nervosa. Se isso era algo que Joshua tinha instilado nela ou se era apenas uma parte de sua personalidade, uma nova tarefa sempre lhe causava ansiedade e dúvidas. No fundo, ela não tinha certeza se estava preparada, especialmente porque ainda estava sofrendo por Shane. Mas ela também sabia que não podia dizer não. Todos estavam olhando para ela com tanto entusiasmo. Ela teve que voltar à ativa, por assim dizer. "Qual é o título do artigo?" Ela perguntou, tentando se concentrar na tarefa em mãos, a fim de manter sua cabeça longe de Shane. "O País do Amor," disse Lance, estendendo as mãos na frente dele de forma teatral. "Outro artigo de amor?" Perguntou Keira, chocada. "Claro!" Lance gritou. "É o seu talento, Keira. Seu último artigo foi notável." "Só porque me apaixonei," ela disse. Lance assentiu avidamente. "Exatamente. Estava lindo. Quero ver isso de novo. Então, estou enviando-a para os lugares mais românticos. Eu quero que você fale com os moradores, descubra seus segredos. Os italianos realmente conhecem o amor verdadeiro? Por que a Itália é considerada o lugar mais romântico da face da Terra? Quais são os segredos que eles guardam sobre o romance?” Ele estava sorrindo amplamente, de forma encorajadora. Mas para Keira, o pânico estava começando a se manifestar. Como ela poderia escrever sobre o amor depois de seu coração ter sido estraçalhado em mil pedaços? Na Irlanda, ela teve dificuldades com a tarefa por ser ingênua, tola e inexperiente. Desta vez, ela estava indo amarga e exausta. Isso nunca daria certo. "Existe alguma flexibilidade no título?" Balbuciou Keira. "Qualquer escopo para mudar o ângulo? Não quero ser estereotipada como a escritora do amor." Lance parecia confuso. "Mas você é a escritora do amor, Keira. O guru do romance. É o que as pessoas querem ler de você. Seu ponto de venda único. Seu PUV." Ela não podia acreditar nisso. Mas que escolha ela tinha? Lance havia feito de tudo por ela, certificando-se de que recebesse a melhor tarefa. Não havia escolha, ela tinha que aceitar o artigo. Todos queriam que ela aceitasse, e sua carreira dependia disso. Ela só precisaria fingir. Ou, talvez, ela não precisasse fingir. Talvez ela conhecesse um novo cara. Não outro Shane, nem alguém por quem ela se apaixonasse loucamente, mas um italiano fogoso com o qual pudesse ter um caso enlouquecedor. Sem compromisso, sem amor, apenas luxúria. Ela sorriu para si mesma. Talvez essa fosse a cura para seu coração partido! O amor pode ser a última coisa em sua cabeça no momento, mas talvez uma aventura com um italiano gostoso pudesse ser o antídoto que precisava para superar Shane. Ela olhou para Lance e curvou uma sobrancelha. "Obrigada," ela disse. "Quando eu parto?" CAPÍTULO QUATRO "Amanhã?" Exclamou Bryn, equilibrando-se no braço do sofá. Keira concordou com a cabeça e correu pelo pequeno apartamento, recolhendo suas coisas e jogando-as em sua mala. Ela estava fervilhando de emoção. "Você acredita nisso? Você recupera o seu espaço por três semanas inteiras." "Mas você vai perder o Halloween," lamentou Bryn. "Malcolm e Glen queriam nos levar a uma festa." Keira revirou os olhos. "Que pena," ela disse sarcasticamente. Então a campainha tocou. Bryn foi atender, usando o sistema de interfone para ver quem era. Ela olhou por cima do ombro para Keira, seus olhos semicerrados. "Por que a Shelby e a Maxine estão paradas na minha porta?" Maxine e Shelby eram as duas amigas mais antigas de Keira, a quem ela conheceu na faculdade. Bryn as odiava, embora Keira não entendesse o porquê e presumiu ser ciúmes. "Eu esqueci completamente," arfou Keira. "Eu as convidei para bebidas há séculos. Era para colocar a fofoca em dia antes que o Shane chegasse e ocupasse todo o meu tempo. Tudo bem?" "Eu claramente não tenho escolha," respondeu Bryn, parecendo incomodada. "Uma pena, no entanto. Nós duas poderíamos ter tido uma noite muito divertida, já que você vai ficar fora por tanto tempo…" "Desculpe," respondeu Keira, encolhendo os ombros. "Eu não sabia que era minha última noite quando fiz os planos. Eu presumi que você estaria fora em um encontro com algum cara como a maioria das noites." Bateram na porta, e Bryn levantou bufando para atender. Quando a porta se abriu, Keira ouviu as exclamações alegres de Maxine e Shelby. Ela correu até a porta e contemplou a paisagem de suas duas amigas: a pequena Shelby, com seus longos cabelos loiros, e a super em forma Maxine, com seus curtos cachos negros e sua pele escura. "Keira!" Elas gritaram, jogando os braços em volta dela. "Quanto tempo," disse Maxine em seu ouvido. "Estava certa de que você nunca mais voltaria para Nova York," acrescentou Shelby no outro. Keira recuou. "Eu sei, desculpe. Tudo aconteceu tão rapidamente—ser enviada para a Irlanda, romper com Zach, sair do apartamento. Simplesmente não encontrei tempo para colocar minha cabeça em ordem." Bryn, que ainda estava de pé segurando a porta, acrescentou, sucintamente: "Foi um período familiar, sabe?” "Claro," disse Maxine, com um sorriso forçado. Keira conduziu suas amigas para dentro do apartamento. "Venha, vamos beber. E conversar." "E fazer as malas," Bryn acrescentou de maneira maternal. Todas entraram, falando bobeiras. Bryn relutantemente abriu uma garrafa de vinho para elas, depois se sentou com raiva no balcão da cozinha, entregando um copo a cada uma das amigas de Keira com uma expressão obscura. "Então, você vai para a Itália?" Perguntou Shelby, sorrindo de animação. "Quanto tempo desta vez?" "Três semanas," respondeu Keira, dobrando as roupas e colocando-as em sua mala. "É tipo meu nicho na revista neste momento. Eu vou para o exterior e escrevo um artigo sobre o amor. Eles estão me chamando de Guru do Romance." Shelby e Maxine trocaram um olhar, um que Keira entendeu imediatamente. "Eu sei, sou um desastre com relacionamentos. Dois rompimentos em poucos meses, certo? Mas eu posso interpretar um personagem." "Você quer dizer mentir?" Maxine perguntou com uma risada. "Se for preciso," respondeu Keira, lembrando-se da dificuldade que foi escrever o último artigo. Ela foi uma cínica tentando negar o fato de que estava se apaixonando pela Irlanda e, mais especificamente, por Shane. Agora, ela deveria tomar outra perspectiva, de ser uma eterna romântica, uma convertida que facilmente e voluntariamente se perderia no amor e paixão. Tudo o que ela menos sentia. "Você apenas terá que se apaixonar por um italiano gostoso," acrescentou Shelby. Keira sorriu. "Isso não seria ótimo?" Ela ficou pensando, embora sentisse que, naquele momento, uma freira em um convento tinha melhores chances de um caso amoroso apaixonante do que ela. "Você vai perder o Halloween," acrescentou Maxine, desanimadamente. "Eu sei, é uma pena," respondeu Keira. "É o meu feriado favorito. Mas eles também comemoram na Itália. Na verdade, é como um feriado público de quatro dias, eu acho. O dia dos mortos, Dia de Todas as Almas, Dia de Todos os Santos, é um acordo maciço. Uma grande festa." Shelby cruzou os braços com uma falsa afronta. "Basicamente, você está dizendo que seu Halloween vai ser muito melhor do que o nosso." "Não!" Keira riu, protestando. "Bem, talvez." Todas riram. Exceto Bryn, é claro. Ela estava olhando para seu copo de vinho, fazendo beicinho. "De qualquer forma," disse Keira, "podemos ter um ótimo Dia de Ação de graças juntas. Estarei de volta até lá." A cabeça de Bryn levantou. "Este ano, vamos passar o Dia de Ação de Graças na mamãe, lembra. Somente nós três." "Essa é a refeição," contestou Keira, ficando impaciente com sua irmã difícil. "Posso passar o resto do dia com minhas amigas, não posso?" "Claro que você pode," resmungou Bryn. Ela voltou a olhar para o copo dela. Maxine levantou suas sobrancelhas. Ela e Shelby estavam acostumadas com a atitude de Bryn, mas Keira simplesmente não conseguia entender por que Bryn tinha que ser tão possessiva com ela. Ela podia ter outras pessoas em sua vida! Bryn era super independente e sempre tinha muitos amigos e namorados, sempre saindo, indo de uma balada para outra. No entanto, quando Keira queria passar algum tempo com alguém além dela, ela ficava de mau humor. Honestamente, às vezes Keira sentia como se fosse a mais velha das duas. Bryn conseguia ser uma pirralha mimada às vezes. "Parece que Ação de Graças está tão longe," pensou Shelby. "Eu sei," respondeu Keira. "Sinto como mal tivesse tido a chance de estar em Nova York. É como se estivesse de férias aqui! Achei que eu teria mais tempo para tirar o atraso. Eu ainda nem encontrei um apartamento novo.” "Falando em apartamentos novos …" Disse Bryn. Ela estava olhando para o celular de Keira no balcão. A tela estava acesa com a chegada de uma mensagem de texto. E o nome de Zach estava claramente visível na tela. "Espero que essa mensagem seja sobre a devolução do depósito," disse Keira. Naquele momento, Maxine e Shelby trocaram um olhar culpado e Keira teve a nítida impressão de que estavam escondendo alguma coisa. "O que foi?" Ela exigiu. Ela não aguentava mais ter surpresas. Foi Shelby quem finalmente confessou. "Acho que pode ser sobre Julia. Eles terminaram." Keira levantou uma sobrancelha, surpresa. "Terminaram?" O caso que tinha custado seu relacionamento durou apenas algumas semanas? Ela pegou o telefone e leu a mensagem de Zach. Isso confirmou as notícias de Shelby. Ei Keira. Há quanto tempo não nos falamos. Queria que você soubesse, antes de escutar por aí, que terminei com Julia. Simplesmente não estava dando certo. Queria saber se você está a fim de sair para beber alguma coisa? Esta noite? Amanhã? Avise-me. X "Ele é um idiota arrogante," murmurou Keira. "O que ele disse?," perguntou Maxine. "Nada sobre o fato de ele estar mantendo meu depósito," Keira lhe disse com uma voz revoltada. "Ele quer sair para beber algo." O queixo de Bryn caiu com a surpresa. "Você não vai, vai?," ela perguntou. Keira olhou para ela, chocada. "Claro que não," ela disse. "A menos que seja a única maneira de recuperar esse dinheiro". Bryn fez um som de desaprovação. "Se ele está te subornando para sair com ele, juro por Deus que vou dar-lhe um corretivo…" Shelby fez cara feia para ela. "Ele não está subornando ela. Não seja tão dramática." Bryn parecia insultada. "Desculpe, você é amiga de quem? Dele ou de Keira?” "Dos dois," respondeu Shelby, cruzando os braços. Bryn não pareceu impressionada. "Mesmo ele tendo traído?" "Pessoal!" Interrompeu Keira. Ela não estava a fim de brigar. Seus olhos ainda estavam colados na tela do celular. De repente, Bryn arrancou o celular dela. "Pare de considerar isso!" Ela ordenou a Keira. "Não estou!" Gritou Keira, tentando se defender. Mas Bryn estava certa, havia uma pequena parte dela que estava considerando isso. Zach, com todos os seus defeitos, tinha cuidado dela. Eles haviam passado dois anos juntos, haviam morado juntos em um apartamento. Ele era comprometido e confiável. E, definitivamente, do tipo família. Foi apenas o fato de ela ter colocado o trabalho acima dele que arruinou as coisas entre eles, desencadeando a situação que o jogou para os braços convidativos de Julia. A expressão de Bryn parecia de um trovão. Ela balançou o telefone de Keira sobre o copo de vinho. "Não me faça mergulhá-lo," ela disse. Em sua visão periférica, Keira podia ver Maxine e Shelby balançando a cabeça, não acreditando no comportamento dramático de Bryn. Ela suspirou alto. "Está bem, está bem. Não vou me encontrar com ele. É isso que você quer ouvir?" Bryn afirmou com a cabeça, satisfeita, e devolveu o telefone à irmã. "Agora exclua a mensagem e tire-o de seus contatos." Keira exalou alto. "Isso é ridículo," Shelby resmungou em voz baixa. Keira olhou para o telefone, para os detalhes de contato de Zachary. Eles estiveram lá durante anos. Ela não podia simplesmente excluí-lo como se nunca houvesse existido. Mas ela tinha que admitir que Bryn estava certa, novamente, apesar de suas táticas nada convencionais. Pois retomar o contato com Zach seria como dar um passo para trás. A vida de Keira mudou tanto em tão pouco tempo, e ter ele de volta, sob qualquer forma, seria como uma regressão. Ela tinha que seguir adiante, avançar. Não apenas em relação ao Zach, mas ao Shane também. Agora era sua hora de brilhar, andar com suas próprias pernas, e se tornar independente. Resolvida, ela apagou os detalhes dele, observando à medida que o nome dele desaparecia de seu telefone. Foi uma sensação boa, fortalecedora. Se ela tivesse a coragem de excluir Shane também, então ela realmente teria conseguido. Mas não, ainda não, a dor da separação ainda era muito real. Keira olhou para a irmã. "Feliz agora?" Bryn sorriu. "Claro. Eu sempre fico feliz quando ganho." E acrescentou, furtivamente, "E eu sempre me asseguro de ganhar." Shelby gemeu. Maxine enterrou a cabeça em suas mãos, agitando-o de forma teatral. Keira apenas riu, feliz e aliviada por ter dado o primeiro pequeno passo para seguir adiante com sua vida. CAPÍTULO CINCO Não demorou muito para Keira descobrir que deixar o passado para trás era muito mais fácil falar do que fazer, e envolveria muito mais do que simbolicamente excluir contatos de seu celular. Isso por que no momento em que chegou ao aeroporto de Newark na manhã seguinte, ela foi bombardeada com memórias de Shane, da Irlanda. Keira sentiu um redemoinho de sentimentos de nostalgia enquanto atravessava o saguão. Ao entregar sua passagem no portão de embarque, ela lembrou com vívida clareza das emoções que teve na última vez—a ansiedade misturada com entusiasmo e esperança. Não fazia tanto tempo, mas ela já se sentia uma pessoa completamente diferente, mais triste e amarga. Ela embarcou no avião e sentou-se. Por sorte, ela estava no assento da janela, o que lhe deu uma desculpa para não interagir com o passageiro ao lado. Ela não estava a fim de conversar. Infelizmente, para Keira, o homem ao lado dela parecia decidido. Enquanto decolavam, ele se inclinou e falou. "Meu nome é Garrett. Já esteve em Nápoles antes?" Ele lhe perguntou, sorrindo jovialmente. Ele era um homem de meia idade, ligeiramente calvo. Ele parecia estar viajando sozinho. Keira notou que ele não estava usando um anel de casamento, mas que a pele estava mais pálida onde já havia estado um anel. Um divorciado recente, ela supôs, e gemeu internamente. Seriam oito horas longas. “Não," ela respondeu, monossilabicamente. "Então, por que você está viajando hoje?" Ele completou. "Negócios ou prazer?" Keira encolheu-se no assento. "Negócios," ela explicou. "Eu sou—" Ela, então, parou, lembrando-se do que Bryn e Nina lhe disseram na cafeteria sobre fingir ser quem não era por diversão. Ela poderia se divertir um pouco. "Sou uma sommelier," ela disse. "Estou no auge de minha carreira. Estou indo para a Itália para encontrar preciosidades ocultas para importar." Garrett levantou as sobrancelhas surpreendido. "Isso parece divertido. De longe muito mais emocionante do que o meu trabalho." "É mesmo?" Perguntou Keira. "Você trabalha em que?" "Trabalho com contabilidade," ele disse. "Bem, não completamente. É um pouco difícil de explicar. É mais fácil simplesmente dizer que sou um contador para contadores. Isso faz sentido?" Dolorosamente, pensou Keira. "Sim," ela disse em voz alta. Típico ela sentar ao lado de um contador. Era como se o destino estivesse tentando lhe dizer para desistir de procurar o Sr. Perfeito e aceitar o Sr. Matemática! "Porém, tenho certeza que você não quer ouvir sobre o meu trabalho," acrescentou o homem. "O seu parece fascinante. Como você entrou nesse ramo?" "É fascinante," continuou Keira, surpreendendo-se com a facilidade com que estava mentindo e com o quanto estava se divertindo com a mentira. "Meu pai era um importador de vinhos," ela acrescentou. "Ele amava tanto o seu trabalho que eu até fui concebida em uma vinha." Ela sentiu uma pequena faísca de emoção à medida que a mentira saía facilmente de sua boca. Ela estava realmente entrando no clima. Seu pai foi embora quando ela era muito jovem e não esteve muito presente em sua vida, de modo que inventar um personagem para ele era fácil. Além disso, todo esse enfeite seria útil ao longo de sua tarefa, pensou ela, já que teria que fingir que ainda acreditava no amor. "Meu Deus," disse o homem ao lado dela. "Eu sei. Ele também se casou lá. Mas, infelizmente, ele também morreu naquela mesma vinha." Ela suspirou melodramaticamente. "Fazia sentido enterrar ele lá também." Keira notou a forma como o homem se movimentou para aumentar a distância entre eles. Ele estava perdendo a vontade de falar com ela, provavelmente por causa da maneira como ela conduziu a conversa em direção ao mórbido. Ela riu para si mesma à medida que ele tentava mudar sua atenção para o filme a bordo. O avião subiu ainda mais alto. Logo as nuvens estavam bem abaixo deles. Finalmente, em paz e tranquila, Keira aproveitou a oportunidade para olhar o itinerário que Heather preparou para ela. Isso imediatamente trouxe-lhe memórias de sua última tarefa. Heather usou a mesma fonte, o mesmo layout clinicamente organizado com marcadores e títulos. Durante o mês na Irlanda, Keira tinha sujado o itinerário, o qual ficou coberto de Guinness e manchas de óleo dos fartos cafés-da-manhã irlandeses que ela comia com Shane. Era impossível isso acontecer desta vez. Ela já podia sentir o quão diferente tudo seria nesta segunda tarefa. Ela se sentia mais madura. Mais calejada. Então, no itinerário em seu colo, Keira viu uma palavra que fez seu estômago revirar. Guia turístico. Claro que haveria um, ela se deu conta. Só porque ela tinha se apaixonado loucamente pelo último guia turístico, que depois estraçalhou seu coração em mil pedaços, não significava que não haveria um para essa tarefa! Mas só de pensar, parecia perigoso. Foi apenas pelo fato do que aconteceu na última vez? Keira perguntou-se. Ou porque ela tinha uma faísca de esperança de que isso pudesse acontecer novamente? Ela parou de pensar nisso e se concentrou nos destinos. Pouso em Nápoles, e uma noite lá antes de pegar um trem para a Costa Amalfitana. Uma balsa para Capri. Um passeio de gôndola para um lugar chamado Gruta Azul. Roma. O Vaticano. Se estivesse indo de férias, Keira ficaria empolgada com o itinerário. Ela olhou para as fotos dos lugares que visitaria no iPad e todos eram deslumbrantes. Era como uma viagem romântica perfeita. Mas esse era o problema. Ela visitaria alguns dos locais mais inspiradores do país mais romântico da face da Terra e estaria fazendo isso sem o Shane. E para piorar as coisas, ela teria que escrever sobre algo que não mais sentia. Seria como se torturar com romance dia após dia, esfregando sal na ferida de seu coração, sabendo que seu próprio grande amor havia se perdido. Não parecia justo. A injustiça poética, pensou Keira. Ela simplesmente não conseguia ficar entusiasmada com a viagem. Sentindo-se deprimida, Keira chamou o comissário de bordo e pediu uma bebida. Em seguida, guardou as coisas de trabalho e verificou suas redes sociais, o que era sempre uma ótima maneira de se distrair. A bebida chegou e Keira tomou um gole enquanto navegava no Instagram, olhando um milhão de fotos de gatos, as fotos de Bryn da desastrosa noite de encontro a quatro no Gino, e a mais recente maratona beneficente de Maxine. Então, ela notou que Shelby tinha postado algo que havia recebido milhares de curtidas. Era uma foto simples de sua mão, e havia um anel de noivado no dedo. "Não!" Keira falou em voz alta, quase derramando sua bebida. Garrett, o homem no assento ao lado, olhou, franzindo a testa. "Está tudo bem?" Keira fez um gesto de sim com as mãos. Ela não podia acreditar no que estava vendo. Shelby não havia dito nada sobre a probabilidade de casamento. Na verdade, ela falava tão pouco de seu parceiro, David, que Keira às vezes suspeitava que eles haviam se separado secretamente. Ela estava tão errada! Os dois estavam juntos desde a faculdade, afinal de contas, então já compartilhavam bons sete anos de história. O casamento era o passo lógico para eles. E, mesmo assim, foi difícil para Keira. Ela chamou novamente o comissário de bordo. "Quero outro," ela disse. Ela precisava de algo para acalmar seus nervos. O homem ao lado dela olhou com desconfiança. Keira apenas olhou para ele com desprezo, e ele voltou sua atenção para o filme, fingindo que não estava bisbilhotando. Ela rapidamente enviou uma mensagem de felicitações para Shelby e David, embora estivesse se sentindo mais amarga do que comemorativa. Não era algo que queria sentir. Ela preferiria mil vezes estar feliz por sua velha amiga de faculdade. Mas estava muito triste no momento, com seu coração muito machucado. Ela verificou seu celular, perguntando-se se Shane entraria em contato com ela. Já havia se passado alguns dias desde a última vez que se falaram e ela não tinha tido nenhum contato com ele. Ele prometeu que eles poderiam permanecer amigos, mas claramente aquilo era apenas algo que ele disse no momento. Ela duvidava que ele tivesse alguma intenção de cumprir essa promessa. Nem mesmo uma mensagem para dizer como estava Calum, ou uma das irmãs. Tanto para amigos… Ela bebeu a segunda bebida e não demorou para que os efeitos do álcool começassem a fazer efeito. Sentindo-se sonolenta, Keira se ajeitou em seu assento e deixou o sono dominá-la. É melhor dormir durante a infelicidade, ela pensou. Keira caiu no sono e começou a sonhar. Sua mente evocou as imagens da Itália que olhou no iPad. No sonho, ela estava vestida com trajes de maratona e coberta de lama. Ela tinha que correr até a Costa Amalfitana para assistir ao casamento de Shelby e David. Mas, quando finalmente chegou, ofegante e coberta de lama, percebeu que todos estavam usando uma máscara. E, quando David tirou a dele, ela viu que era Shane. A mulher com quem ele estava casando? Era Bryn. Keira andou pela praia na direção deles. "Como você pôde me trair desse jeito?" Ela gritou, olhando horrorizada para Shane. "Achei que seu pai estivesse doente, que era por isso que não podíamos ficar juntos." Ele encolheu os ombros com indiferença. "Eu inventei aquilo," foi sua resposta fria. "Eu terminei com você porque sua irmã é muito mais gostosa." Keira, então, olhou para Bryn. "Você mentiu para mim todo esse tempo! Minha própria irmã!" Mas Bryn parecia completamente inabalável. "O que eu deveria fazer?" Ela deu de ombros. "Ele tem um corpo incrível." Dominada pela emoção, Keira olhou ao redor dela, desesperada, ofegante. Um a um, os convidados sentados removeram suas máscaras. O primeiro a se revelar, Keira percebeu com horror, era outro Shane. O par desse Shane era Julia, a garota com quem Zach a traiu. Ao lado daquela versão de Shane, outro Shane foi revelado, desta vez com Maxine. E de novo, de novo e de novo, Shane com Shelby, Shane com Tessa, a garota da Irlanda que ela achou que Shane havia transado, Shane com sua mãe. Repetidamente. Para onde quer que Keira olhasse, os convidados do sexo masculino se transformavam em Shane Ela caiu de joelhos e começou a chorar. Mas, de repente, alguém segurou seu cotovelo. Ela olhou para cima, o sol encobrindo sua visão, e viu os mais belos olhos castanhos alinhados com cílios longos. “Keira, não chore," disse o homem com um leve sotaque cantado italiano. "Quem é você?" Ela perguntou, permitindo que ele a levantasse. "Você não me reconhece?" Ele perguntou, sorrindo. Seu rosto era perfeito, Keira percebeu enquanto o olhava. Ele era tão lindo que ela sentiu seus joelhos enfraquecendo. De repente, ele a segurou em seus braços. Ele a embalou contra o peito, segurando-a facilmente, como se ela fosse leve como uma pena. O mar estava avançando em seus tornozelos. Eles estavam de pé no oceano. "Você ainda não me disse seu nome," perguntou Keira novamente. O homem riu, um som que era pura música aos seus ouvidos. "Não preciso lhe dizer, você já sabe," ele disse. Keira ficou confusa. Então, o nome veio à tona, repentinamente e com muita clareza. "Você é Romeu?" Ela perguntou sem acreditar. O homem sorriu, seu rosto vivo com a beleza. "Sim. Eu sou Romeu. Seu Romeu." Ele se inclinou em sua direção, lentamente, seus lábios apenas a milímetros de distância. Um súbito solavanco fez com que Keira acordasse. Ela olhou ao redor, desorientada, assustada por estar em um avião. Eles estavam descendo através das nuvens e o sinal de cinto de segurança estava ligado. A aterrisagem deve ter começado. Ela dormiu a viagem inteira. O sonho a deixou ofegante. Ela tocou seu peito, sentindo o coração tremular sob sua camisa. Sua cabeça ainda estava girando sob o efeito do licor que ainda não havia passado com a dormida. “Acho que você estava tendo um pesadelo," disse Garret. Keira esfregou suas têmporas, lembrando-se do sonho estranho que teve. "Sim, acho que você está certo. A princípio. Estava sendo assombrada pelo meu ex-namorado que estava casando com minha irmã. E todas as minhas melhores amigas. E com minha mãe." O homem parecia confuso. Keira perguntou-se o que ele realmente pensou dela. Pela expressão dele, ela teve a impressão que ele a achou uma doida.  Uma lunática. O avião aterrissou com um estremecimento, e começou a andar pela pista. Quando finalmente estacionou, o homem ao lado de Keira levantou no mesmo segundo em que a luz do cinto de segurança desligou. "Evitando as filas," ele disse, encabulado. "Claro," respondeu Keira com um sorriso peculiar. As portas da cabine foram abertas e Garrett saiu por elas. Keira riu para si mesma. Ela divertiu-se com sua falsa identidade. Talvez Bryn não fosse tão tola como sempre pensou! Ela juntou suas coisas, tirou o cinto de segurança e, então, pegou a bolsa do compartimento de bagagem. Andando ao longo do corredor, Keira pensou em como a brincadeira que havia feito com Garrett precisaria ser colocada em ação. Durante as próximas três semanas, ela teria que fingir ser alguém que não era, alguém que ainda acreditava no amor. De alguma forma, ela tinha a sensação de que isso seria muito mais difícil do que ser a sommelier. Ela saiu do avião e deixou o sol quente acariciar sua pele. Era muito mais agradável do que o tempo frio que tinha deixado para trás em Nova York. Havia algo sobre o sol que sempre a fazia sentir-se otimista. O sol fazia tudo parecer mais bonito e, embora não pudesse ver muito da Itália além do aeroporto, as colinas ao redor pareciam deslumbrantes na luz brilhante. Ela seguiu em direção ao saguão, sabendo que logo iria encontrar seu guia turístico. Pela primeira vez desde que saiu de Nova York, ela se deixou imaginar que seu Romeo a estava esperando… CAPÍTULO SEIS Após pegar a mala e ir para área de desembarque, a mente sonhadora de Keira ficou a mil. Ela havia ligado o Romeu de seu sonho com o guia turístico que estava prestes a conhecer, transformando-o em uma pessoa de carne e osso que iria levá-la às nuvens com esta personalidade fogosa e apaixonante. Ela mal podia esperar para conhecê-lo! Ela ficou de pé com a mala, olhando ao redor no movimentado aeroporto de Nápoles. Havia várias pessoas segurando placas e quando Keira viu a dela, seu coração disparou. O homem segurando a placa era um gato. Keira sentiu uma carga de eletricidade atravessar seu corpo enquanto se apressava. "Oi, sou Keira," ela disse, apontando para a placa com o nome dela. O homem olhou para ela, confuso e, então, olhou para a placa. "Isso?" Ele começou a rir. "Eu estava apenas segurando para um cara enquanto ele foi ao banheiro." Naquele momento, Keira viu um homem saindo do banheiro e indo em sua direção. Ele era baixo, gorducho, desleixado, mal vestido com uma camisa cinza manchada e calças jeans largas, e o pouco cabelo que restava em sua cabeça parecia um ninho de passarinho bagunçado. Ela queria que ele passasse reto, mas percebeu, seu coração desmoronando, que ele estava indo direto na direção deles. O bonitão com a placa o viu. Quando ele se aproximou deles, o bonitão lhe entregou a placa e correu na direção de uma garota linda que havia aparecido na área de desembarque. Eles começaram a se agarrar. Keira fez uma careta. "Amor jovem, né?" Disse o guia, coçando a tira de pele exposta que sua camisa não estava cobrindo. "Você Karla?" “Keira.” Ele verificou a placa e encolheu os ombros. "Os nomes americanos soam todos iguais para mim." Enquanto ele falava, um cheiro de cebola e café veio de seu bafo, fazendo o estômago de Keira revirar. "Vamos," ele berrou para Keira. "O carro está nessa direção." Ele virou as costas e saiu andando rapidamente, desaparecendo na multidão de pessoas e deixando Keira atrapalhada no meio do aeroporto. Ela agarrou sua mala e procurou desesperadamente pelo sinal de saída. Ela avistou o sinal e a parte de trás da cabeça do guia enquanto ele passava rapidamente pelo sinal. Ele nem sequer se virou para verificar se ela ainda estava com ele! Com uma careta, Keira seguiu na direção do homem desleixado, arrastando sua mala pesada. À medida que era atropelada pela multidão, sua empolgação com a possibilidade de um romance italiano curando seu coração partido foi totalmente destruída. Em vez de ser acompanhada por um homem bonito, ela teria que suportar o bafo de cebola e um guia de turismo grosseiro. Tanto para Romeu, pensou com um peso no coração. CAPÍTULO SETE "Você sabia que está atrasada?" O guia turístico, Antonio, disse enquanto a conduzia pelo estacionamento. As rugas em sua testa eram tão profundas que parecia que ele estava fazendo careta para ela. "Demorou um pouco para minha mala aparecer," respondeu Keira, ainda irritada com o fato de que suas esperanças de encontrar Romeu haviam sido destruídas. Antonio fazia Keira se sentir muito desconfortável em sua companhia, e não apenas por causa da barriga redonda e peluda que se projetava acima de seu cinto. Sua atitude era rude, como uma professora que ela nunca iria conseguir agradar. O clima estava muito quente, quase sufocante, mas isso não parecia desacelerá-lo. Eles apressaram-se, Antonio mantendo alguns passos à frente de Keira, que lutava para administrar suas malas. Ela já estava ficando melada com o suor. "Minhas costas são ruins," disse ele, como uma forma de explicação por não ajudá-la. Enquanto caminhavam, Antonio falava, suas palavras saindo em um fluxo enorme e rápido, sua voz como a de um cão ladrando. Keira pensou em seu Romeu dos sonhos. Antonio não estava nem perto daquilo! "Vinte e um dias, hein?" Ele disse, caminhando a passos largos, de modo que Keira precisava saltitar para conseguir acompanhar. Ela já estava com medo desses dias. Ele a conduziu até um carro. Keira esperava algo legal, mas, em vez disso, deparou-se com um veículo pequeno, antigo e enferrujado. "É isto aqui?" Ela perguntou. "Não há espaço para a mala nos bancos traseiros. Coloque-a no porta-malas,” ordenou Antonio. Keira abriu o porta-malas e descobriu que o carro estava cheio de sacolas de compras. Enquanto forçava sua mala entre as compras de Antonio, um fedor de queijo emanou em sua direção. Uma das sacolas abriu e alguns pecorinos caíram. Keira colocou-os de volta, percebendo com uma mistura de surpresa, curiosidade e nojo que todas as sacolas estavam cheias de queijo pecorino. Isso era tudo o que o homem comia? Ela perguntou-se. Então ela percebeu que, além disso, o cheiro provavelmente iria contaminar sua mala e penetrar em todas as suas roupas. Ela iria ficar com cheiro de queijo nas próximas três semanas! Ela fez uma careta e fechou o porta-malas. Ao fazê-lo, Antonio ligou o carro, fazendo com que uma nuvem de fumaça explodisse sobre suas pernas. Furiosa, Keira entrou no banco dianteiro ao lado dele, descobrindo com horror que estavam tão próximos que seus joelhos se tocavam. Ela olhou para as mãos úmidas e peludas de Antonio segurando o volante. O cheiro no interior do carro era uma combinação de queijo, suor e ar úmido. Antes mesmo de ela ter a chance de colocar seu cinto de segurança, Antonio acelerou. O carro avançou e ela segurou nas laterais de seu assento enquanto ele dirigia, tão forte que suas articulações ficaram brancas. Antonio dirigia como um maníaco. "Então, fale-me, Nova York," disse Antonio. "Lugar ruim, hein? Muitos crimes?" Keira olhou para ele, chocada. "Não. Quero dizer, não muito. Tem seus problemas, como todas as cidades, mas é maravilhosa." "Mas é frio, não é?" Pressionou Antonio. Para Keira, ele realmente parecia estar querendo encontrar defeitos em sua cidade natal. "Agora está frio. Mas ainda desfrutamos de um sol magnífico." Ele riu sibilantemente, mostrando dentes tortos amarelos. "Você já esteve lá?" Perguntou Keira, um pouco ofendida por seus comentários. "Não, não, não," respondeu Antonio, balançando a cabeça como se a sugestão fosse absurda. "Nunca irei para uma cidade ateia como aquela. Aqui, somos bons católicos." Se Antonio pretendia irritar Keira, ele certamente havia alcançado seu objetivo. Mas se o próprio Antonio era um choque para o sistema, Nápoles também não era o que Keira esperava. As ruas eram muito estreitas, com prédios de cinco andares com terraços que se erguiam de cada lado, varandas feitas de metal enferrujado, varais esticados entre elas cobertos de roupas coloridas que esvoaçavam ao vento. Quase não havia calçada, o que significava que as pessoas andavam pela rua, muitas vezes sem olhar, correndo por trás dos carros estacionados. Mesmo as placas de trânsito e as lâmpadas de rua, observou Keira, estavam presas às paredes das casas, visto que não havia espaço suficiente para um poste. Entretanto, nenhum desses obstáculos fez com que Antonio dirigisse mais devagar. Ele apenas xingava em voz alta e em italiano toda vez que alguém cruzava seu caminho, desviando, às vezes buzinando. "Che cavolo!" Ele exclamou em voz alta, apontando para uma senhora que havia acabado de entrar na frente dele. Apesar de não saber exatamente o que Antonio estava dizendo, Keira podia deduzir que era algum tipo de palavrão e sentiu suas bochechas queimarem de constrangimento e vergonha pela Senhora vítima da fúria dele. Mas a mulher apenas gesticulou rudemente para Antonio. Claramente, ela estava acostumada com tais ocorrências. Vespas passavam zunindo por eles. Keira percebeu que as paredes estavam todas pichadas. Havia tanta pichação, que as pessoas começaram a desenhar sobre as pichações que já estavam lá! Keira perdeu a conta da quantidade de pizzarias que eles passaram. Seu estômago roncou. Fazia horas desde que havia tido a comida sem gosto de avião. Eles viraram em uma esquina e passaram por uma barraca instalada à beira da rua vendendo peixe. O cheiro a fez engulhar e Keira perdeu completamente o apetite. "Cuidado!" Gritou Keira, à medida que Antonio acelerou na direção de um gato sujo e sarnento sentado no meio da rua. Felizmente, o gato saiu da frente à tempo. "Animais de rua," disse Antonio, como se tentasse explicar o porquê ele nem sequer tentou diminuir a velocidade. "Pragas. Estamos infestados com eles." As ruas de paralelepípedos faziam o carro pular para cima e para baixo. Foi uma viagem desconfortável, para dizer o mínimo. "Você poderá ver a montanha em um minuto," disse Antonio. "Vesúvio." "Oh," respondeu Keira, quase chocada por achar que esta havia sido sua primeira tentativa de puxar assunto. "Ali," ele disse, de repente, apontando para a esquerda dela. Se deu para ver a montanha, foi apenas por um segundo, porque Keira não conseguiu ver nada. "Você viu?" Perguntou Antonio de forma agressiva. "Você viu?" "Eu devo ter perdido," respondeu Keira. "Nós passamos um pouco rápido". "Rápido?" Zombou Antonio. "Rápido? Estou dirigindo a passos de tartaruga graças a esse idiota na minha frente!" Ele apontou para o carro vermelho na frente deles, com o qual estava colado, depois tocou ao buzina repetidamente e xingou alto novamente. Ele virou bruscamente o carro para outra rua. Esta estava cheia de sacos de lixo. As paredes estavam cobertas de pichações e muitos dos carros pareciam abandonados, cobertos com poeira e fezes de pássaros. Aqui, várias varandas de metal acima deles estavam enferrujadas e caindo das paredes. Muitas plantas em vasos nas varandas estavam mortas. Antonio de repente gargalhou e apontou para um enorme outdoor pendurado na entrada do que parecia ser um estacionamento. "Uma mulher sexy, não acha?" Ele disse. "Nossas mulheres italianas são deusas." Keira se retorceu ainda mais. "Sim, elas são muito bonitas," ela disse. "Você está olhando para o lixo?” Disse Antonio com sua voz rouca. Keira, culpada, desviou o olhar das montanhas de saco de lixo. "É um grande problema," acrescentou Antonio. "Grande problema. Aqui é chamado de Triângulo da Morte. Todos os resíduos causam câncer, defeitos congênitos, esse tipo de coisa." Keira fez uma careta. "O sistema não faz nada a respeito," acrescentou Antonio. "O sistema?" Perguntou Keira. "A máfia, sabe?" Acrescentou Antônio, novamente falando daquela maneira que fazia com que Keira se sentisse uma completa imbecil. "Você os verá por aí. Quando há uma briga, lá estão eles. Eles são os que estão armados." Com o passar do tempo, Keira sentiu-se cada vez pior. Elliot estava ciente das condições dessa cidade quando planejou a tarefa? Ela sabia que era só de passagem, mas mesmo assim parecia um descuido. Certamente Heather sabia sobre o crime e as condições precárias—ela era tão organizada que Keira não podia imaginar que não estivesse ciente dessas coisas. "Há muitas brigas por aqui?" Perguntou Keira com receio. "Claro, claro," disse Antonio. "Muitos bares e jovens desempregados. É uma cidade pobre. Brigas sempre." Конец ознакомительного фрагмента. Текст предоставлен ООО «ЛитРес». 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