Antes Que Ele Leve 
Blake Pierce


Um Enigma Mackenzie White #4
De Blake Pierce, autor do best-seller ONCE GONE (seu bestseller nº1 1 com mais de 800 avaliações cinco estrelas), vem o livro nº 4 da série que faz nossos corações baterem mais forte, a série de enigmas Mackenzie White. Em ANTES QUE ELE LEVE (Um Enigma da série Mackenzie White – Livro 4), a recém-formada agente do FBI, Mackenzie White, tem que assumir um novo e inquietante caso. Mulheres estão desaparecendo na região rural de Iowa, um padrão criminal está surgindo. Estão temendo que um assassino em série esteja agindo em ritmo crescente. Devido às suas raízes, Mackenzie é escolhida como a agente perfeita para caso. Mas Mackenzie está relutante em voltar para o Centro-Oeste, desta vez para um cenário rudemente rural que lembra muito o da sua infância, seus fantasmas assombrosos estavam todos lá. Ela também está à procura do assassino de seu pai, com aquele sentimento sombrio assombrando-a em cada parte de sua viagem. Mergulhada no mundo das fazendas, dos depósitos de grãos, dos matadouros, dos longos trechos de estradas vazias, Mackenzie se sente como se estivesse caindo nas profundezas de sua psique e nos pesadelos que ela sempre temeu enfrentar. No jogo mortal de gato-e-rato, ela finalmente percebe a psicose do assassino procurado, e percebe que o lugar onde cresceu está passando por horrores ainda mais sombrios e cruéis do que ela poderia imaginar. Um suspense psicológico escuro com suspense de coração-batendo, ANTES QUE ELE LEVE é o livro nº4 em uma série nova completamente atraente, – com uma personagem apaixonante – que fará você virar páginas e páginas até tarde da noite. O livro nº 5 da série Mackenzie White estará disponível em breve. Também disponibilizado pelo autor Blake Pierce é ONCE GONE (Um enigma da série Riley Paige – Livro nº 1), o bestseller nº 1 do escritor com mais de 800 avaliações cinco estrelas e download gratuito!





BLAKE PIERCE

ANTES QUE ELE LEVE  (UM ENIGMA DA SÉRIE MACKENZIE WHITE – LIVRO 4)




Blake Pierce

Blake Pierce é o autor da série de enigmas RILEY PAGE, com doze livros (com outros a caminho). Blake Pierce também é o autor da série de enigmas MACKENZIE WHITE, composta por oito livros (com outros a caminho); da série AVERY BLACK, composta por seis livros (com outros a caminho), da série KERI LOCKE, composta por cinco livros (com outros a caminho); da série de enigmas PRIMÓRDIOS DE RILEY PAIGE, composta de dois livros (com outros a caminho); e da série de enigmas KATE WISE, composta por dois livros (com outros a caminho).



Como um ávido leitor e fã de longa data do gênero de suspense, Blake adora ouvir seus leitores, por favor, fique à vontade para visitar o site www.blakepierceauthor.com (http://www.blakepierceauthor.com/) para saber mais a seu respeito e também fazer contato.



Direitos Autorais © 2016 por Blake Pierce. Todos os direitos reservados. Exceto conforme o permitido sob as Leis Americanas de Direitos Autorais (EUA Copyright Act, de 1976), nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, distribuída ou transmitida de qualquer forma ou por qualquer meio, ou armazenada em um sistema de banco de dados ou de recuperação, sem a prévia autorização do autor. Este ebook é licenciado apenas para seu prazer pessoal. Este ebook não pode ser revendido ou distribuído para outras pessoas. Se você gostaria de compartilhar este livro com outra pessoa, adquira uma cópia adicional para cada destinatário. Se você está lendo este livro e não o comprou, ou ele não foi comprado apenas para o seu uso, então, por favor, devolva o livro e compre a sua própria cópia. Obrigado por respeitar o trabalho duro deste autor. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, empresas, organizações, locais, eventos e incidentes são um produto da imaginação do autor ou são usados ficticiamente. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência. Jacket image lassedesignen Copyright, imagem usada sob licença da Shutterstock.com.




LIVROS DE BLAKE PIERCE




SÉRIE UM THRILLER PSICOLÓGICO DE CHLOE FINE


A PRÓXIMA PORTA (Livro #1)


A MENTIRA MORA AO LADO (Livro #2)




SÉRIE UM MISTÉRIO DE KATE WISE


SE ELA SOUBESSE (Livro #1)


SE ELA VISSE (Livro #2)




SÉRIE OS PRIMÓRDIOS DE RILEY PAIGE


ALVOS A ABATER (Livro #1)


À ESPERA (Livro #2)


A CORDA DO DIABO (Livro #3)


AMEAÇA NA ESTRADA (Livro #4)




SÉRIE UM MISTÉRIO DE RILEY PAIGE


SEM PISTAS (Livro #1)


ACORRENTADAS (Livro #2)


ARREBATADAS (Livro #3)


ATRAÍDAS (Livro #4)


PERSEGUIDA (Livro #5)


A CARÍCIA DA MORTE (Livro #6)


COBIÇADAS (Livro #7)


ESQUECIDAS (Livro #8)


ABATIDOS (Livro #9)


PERDIDAS (Livro #10)


ENTERRADOS (Livro #11)


DESPEDAÇADAS (Livro #12)


SEM SAÍDA (Livro #13)




SÉRIE UM ENIGMA DE MACKENZIE WHITE


ANTES QUE ELE MATE (Livro #1)


ANTES QUE ELE VEJA (Livro #2)


ANTES QUE ELE COBICE (Livro #3)


ANTES QUE ELE LEVE (Livro #4)


ANTES QUE ELE PRECISE (Livro #5)


ANTES QUE ELE SINTA (Livro #6)


ANTES QUE ELE PEQUE (Livro #7)


ANTES QUE ELE CACE (Livro #8)




SÉRIE UM MISTÉRIO DE AVERY BLACK


RAZÃO PARA MATAR (Livro #1)


RAZÃO PARA CORRER (Livro #2)


RAZÃO PARA SE ESCONDER (Livro #3)


RAZÃO PARA TEMER (Livro #4)




SÉRIE UM MISTÉRIO DE KERI LOCKE


RASTRO DE MORTE (Livro #1)


RASTRO DE UM ASSASSINO (Livro #2)




PREFÁCIO


Esta seria a última vez que ela faria uma sessão de autógrafos em uma cidade pequena da qual ninguém nunca tinha ouvido falar. Ela precisava conversar com o seu gerente de publicidade e fazê-lo entender que só porque uma cidade tem uma livraria, não significa que seja uma grande metrópole. Claro, ela poderia parecer uma diva cheia de condições, fazendo tal pedido, mas ela não se importava com isso.



Eram 10:35 da noite e Delores Manning estava dirigindo por uma estrada de duas pistas em alguma parte esquecida das florestas de Iowa. Ela sabia muito bem que ela havia feito uma curva errada, cerca de dezesseis quilômetros atrás porque foi logo depois disso que seu GPS parou de funcionar. Sem sinal. Claro. Era apenas a cereja no topo do que tinha sido um fim de semana terrível.



Delores estava neste trecho da estrada por pelo menos dez minutos. Ela não tinha visto nenhum sinal de paradas, sem casas, nada. Apenas árvores e um céu noturno surpreendentemente lindo acima de sua cabeça. Ela estava pensando seriamente em apenas parar no meio da estrada e voltar.

Quanto mais pensava sobre isso, mais parecia ser uma boa ideia.



Ela estava prestes pisar no pedal de freio para parar quando o som de um estalo soou dentro do carro. Delores gritou de medo e surpresa, mas seu grito foi abafado pelo repentino estrondo do carro, uma vez que parecia que ele abaixou e depois se inclinou fortemente para a esquerda.



Ela conseguiu jogar o carro de volta para um trajeto reto, mas percebeu que não podia lutar contra aquilo, ele estava arrastando muito. Desistindo da luta, ela conseguiu guiar o carro para o lado da estrada, estacionando-o em um pouco mais da metade da calçada. Ela ligou o pisca-alerta e deixou escapar um suspiro pesado.

“Merda,” disse ela.



Parece que foi o pneu, ela pensou consigo mesma. E se esse for o caso… inferno, eu nem me lembro se há um sobressalente no porta-malas. Isso é o que eu recebo em troca por ter esta armadilha em forma de carro comigo em todas as viagens. Você está prestes a ser uma autora de peso, garota. Gaste dinheiro com aviões e veículos de aluguel de vez em quando, né?



Ela puxou a alavanca e abriu o porta-malas, abriu a porta do carro e saiu na escuridão daquela noite. O ar estava frio, já que o inverno estava chegando no Centro-Oeste, chegando de mansinho ao final do outono. Ela ajustou o casaco em seu corpo e, em seguida, puxou o celular. Ela não estava surpresa de ver na tela do aparelho a frase Sem Serviço; ela viu isso continuamente durante os últimos vinte minutos ou mais, desde que o seu aplicativo GPS tinha parado de funcionar.



Ela olhou para os pneus e viu que os pneus traseiro e dianteiro do lado do motorista estavam furados. Mais do que isso, eles estavam completamente murchos. Ela viu algo brilhando no pneu dianteiro e ficou de joelhos para ver o que era.

Vidro, pensou. Sério? Como um vidro pode furar os meus pneus?



Ela olhou para o pneu traseiro e viu vários cacos grandes agarrados nele. Ela olhou de volta para a estrada e não havia sinal de nada. Mas isso não significava nada porque a lua estava bastante escondida atrás das copas das árvores e estava escuro demais lá fora.



Ela foi até o porta-malas, já sabendo que qualquer coisa que ela encontrasse seria inútil. Mesmo se houvesse um step lá atrás, ela precisava de dois.



Amedrontada, ela bateu no porta-malas, sem se preocupar em verificar se havia ou não os pneus. Ela pegou seu telefone e, sentindo-se uma idiota, subiu na parte de trás do carro. Ela segurou o telefone levantando o braço, esperando ver uma única barra de sinal de serviço.

Nada.



Não se desespere, pensou. Sim, você está no meio do nada. Mas alguém finalmente aparecerá. Todos os caminhos levam a algum lugar, certo?



Incapaz de acreditar no rumo que este fim de semana tinha tomado, ela voltou para o carro, onde o aquecedor ainda estava fazendo o seu trabalho. Ela ajeitou o seu espelho retrovisor para ver quando qualquer farol se aproximasse por trás e, em seguida, olhou para a frente para manter-se atenta ao que viesse pela frente.



Enquanto refletia sobre a sessão de autógrafos, a estratégia bagunçada de publicidade e seu mais recente problema de ter dois pneus furados na estrada, viu faróis se aproximando à frente. Ela estava esperando ali por cerca de apenas sete minutos, então ela se sentiu sortuda.



Ela abriu a porta, deixando que as  luzes que se aproximavam se juntassem às luzes do carro que já estavam piscando. Ela saiu e ficou perto do seu carro, acenando para que o caminhão que se aproximava parasse. Ela ficou imediatamente aliviada quando viu que ele estava diminuindo a velocidade. Ele desviou a pista dela e estacionou de frente para ela. O motorista ligou seu pisca-alerta e, em seguida, saiu.



“Oi,” disse o homem de quarenta e poucos anos que saiu do caminhão.

“Oi,” disse Delores. Ela analisou o cara, ainda muito chateada com a situação para conseguir ser cautelosa com um estranho qualquer que tinha surgido tarde da noite para ajudá-la.



“Problemas com o carro?” Perguntou.

“Muitos,” disse Delores, apontando para seus pneus. “Dois pneus furados ao mesmo tempo. Dá pra acreditar?”



“Ah, isso é terrível’, disse ele. “Você ligou para a seguradora “Triple A” ou uma oficina, algo assim?”

“Celular fora de área,” disse ela. Ela quase acrescentou eu não sou exatamente daqui, mas depois decidiu não falar isso.



“Bem, você pode usar o meu,” disse ele. “Eu normalmente consigo pelo menos duas barras aqui.”

Ele deu um passo para a frente, enfiando a mão no bolso para pegar seu telefone.



Só que não foi um telefone que ele tirou do bolso. Ela ficou muito confusa com o que estava vendo. Não fazia sentido. Ela não conseguia descobrir o que era exatamente aquilo—

De repente, aquilo foi em direção ao rosto dela, muito rapidamente. Uma fração de segundo antes dela ser atingida, ela viu a forma e o brilho do que ele tinha deslizado sobre os dedos.



Um soco inglês.

Ela ouviu o som daquilo atingindo a testa dela, sentiu uma pontada de dor e, em seguida, um momento depois, seus joelhos dobraram e ela sentiu seu corpo desmoronar  e bater no chão duro da estrada. A última coisa que ela percebeu foi o homem, descendo até ela quase carinhosamente, os faróis brilhando em seus olhos, antes que o mundo ficasse escuro.




CAPÍTULO UM


Mackenzie White estava embaixo de um guarda-chuva e viu o caixão descer  para dentro da cova quando a chuva se tornou  torrencial. O choro dos presentes estava quase abafado pelos pingos de chuva na terra do cemitério e nas lápides próximas.

Ela observava com uma pontada de tristeza como o seu antigo parceiro passava seus últimos momentos entre o mundo dos vivos.



O caixão desceu até a sepultura através dos cabos de aço, enquanto aqueles mais próximos a Bryers ficaram de pé ao redor. A maior parte da procissão se dispersou após as últimas palavras do pastor, mas aqueles mais próximos a ele permaneceram.



Mackenzie ficou ao lado, a duas filas de distância. Ocorreu-lhe que, embora ela e Bryers tinham colocado suas vidas nas mãos um do outro em várias ocasiões, ela realmente não o tinha conhecido muito bem. Isto foi provado pelo fato de que ela não tinha ideia de quem eram as pessoas que tinham ficado para trás para vê-lo ser enterrado. Havia um homem que parecia estar na casa dos trinta e duas mulheres, agrupados juntos sob a lona preta, tendo um último momento com Bryers.



Quando Mackenzie se virou, ela notou uma mulher mais velha em pé, na outra fileira de trás, segurando seu próprio guarda-chuva. Ela estava toda vestida de preto e parecia muito bonita em pé na chuva. Seu cabelo era completamente cinza, puxado para trás em um coque, mas ela parecia jovem de alguma forma. Mackenzie acenou quando passou por ela.



“Você conhecia o Jimmy?” A mulher perguntou-lhe de repente.

Jimmy?



Levou um tempo para perceber que a mulher estava falando do Bryers. Mackenzie só tinha ouvido o nome dele uma ou duas vezes. Ele sempre foi apenas Bryers para ela.



Talvez nós não estávamos tão íntimos quanto eu pensava.

“Sim,” disse Mackenzie. “Nós trabalhamos juntos. E você?”

“Ex-mulher,” disse ela. Com um suspiro instável, ela acrescentou: “Ele era um homem tão bom.”



Ex-mulher? Deus, eu realmente não o conhecia. Mas no fundo da sua memória, ela conseguia se lembrar de uma conversa durante uma de suas viagens longas de carro, onde ele havia mencionado ter sido casado.

“Sim, ele era,” disse Mackenzie.



Ela queria dizer para a mulher sobre os momentos em que Bryers a guiou na sua carreira e até mesmo salvou sua vida. Mas ela percebeu que havia uma razão pela qual a mulher tinha se distanciado em vez de se juntar às três pessoas sob a lona.



“Vocês eram íntimos?” A ex perguntou.

Eu pensei que era, Mackenzie disse, olhando de volta para a sepultura com pesar. Sua resposta foi mais simples, no entanto. “Não muito.”



Ela então se afastou da mulher com um sorriso triste e se dirigiu para o carro dela. Ela pensou em Bryers… Seu sorriso seco, a forma como ele raramente ria mas quando o fazia era quase explosivo. Ela então pensou em como o trabalho seria como agora. Claro, era egoísta, mas ela não podia evitar isso, perguntou-se como o seu ambiente de trabalho seria alterado agora que seu parceiro e ao mesmo tempo o homem que a tinha protegido sob sua asa estava morto. Será que ela teria um novo parceiro? Será que o seu cargo mudaria e ela ficaria sentada atrás de uma mesa ou tomando conta de alguma área sem nenhum propósito real?



Deus, pare de pensar sobre si mesma, pensou.

A chuva continuou a apedrejar seu guarda-chuva. Era tão ensurdecedor que Mackenzie quase não ouviu seu telefone tocar no bolso do casaco.



Ela se atrapalhou para tirá-lo do bolso enquanto abria a porta do carro, guardou o guarda-chuva e saiu da chuva.

“White falando.”

“White, é McGrath. Você está no enterro?”

“Saindo de lá agora,” disse ela.



“Eu realmente sinto muito sobre o Bryers. Ele era um bom homem. Um agente muito bom,

também.”

“Sim, ele era,” disse Mackenzie.

Mas quando ela olhou para trás através da chuva até a sepultura, ela sentiu como se realmente não tivesse conhecido bem o Bryers.



“Eu odeio interromper, mas eu preciso de você aqui. Venha ao meu escritório, ok?”

Ela sentiu o seu coração saltar uma batida. Parecia sério.

“O que será?” Ela se perguntou.

Ele fez uma pausa, como se refletisse sobre o que dizer a ela, então finalmente disse:

“Um novo caso.”


***

Quando ela chegou no escritório de McGrath, Mackenzie viu Lee Harrison sentado na sala de espera. Ela lembrou-se dele como o agente que tinha sido designado como seu parceiro temporário quando Bryers ficou doente. Eles haviam se conhecido ao longo das últimas semanas, mas realmente não tinham tido a oportunidade de trabalhar juntos ainda. Ele parecia ser um agente razoável—talvez um pouco cauteloso demais para o gosto de Mackenzie.



“Ele ligou para você também?” Perguntou Mackenzie.

“Sim,” disse ele. “Parece que nós teremos o nosso primeiro caso juntos. Pensei em esperar por você antes de bater.”

Mackenzie não tinha certeza se fez isso por respeito a ela ou por medo de McGrath. De qualquer maneira, ela pensou que era uma decisão inteligente.



Ela bateu na porta e foi recebida por um rápido “Entrem” do outro lado. Ela acenou para Harrison e eles entraram na sala juntos. McGrath estava sentado atrás de sua mesa, digitando algo em seu laptop. Havia duas pastas à sua esquerda, como se estivessem à espera de uma reivindicação.



“Sente-se, agentes,” disse ele.

Mackenzie e Harrison cada um pegou uma das cadeiras em frente à mesa de McGrath. Mackenzie viu que Harrison estava sentado rígido e seus olhos estavam arregalados… não completamente com medo, mas certamente preenchido com uma excitação nervosa.



“Nós temos um caso na parte rural de Iowa,” ele começou. “Sendo onde você cresceu, eu pensei que seria boa para esse caso, White.”

Ela limpou a garganta, constrangida.

“Eu cresci em Nebraska, senhor,” ela corrigiu.

“Tudo a mesma coisa, não é?” Ele disse.



Ela balançou a cabeça; aqueles que não eram do Centro-Oeste nunca entenderiam isso.



Iowa, pensou. Claro, não era Nebraska, mas era perto o suficiente, e a mera ideia de voltar dessa maneira a fez se sentir desconfortável. Ela sabia que não tinha razão para temer o lugar; afinal, ela tinha ido para Quantico e estava segura de si mesma. Ela tinha alcançado o seu sonho de conseguir um cargo no FBI. Então, por que a ideia de viajar para lá para resolver um caso a deixou nervosa tão rapidamente?



Porque tudo de ruim em sua vida está lá, ela pensou. Sua infância, seus antigos colegas, os mistérios que cercam a morte de seu pai…



“Houve uma série de desaparecimentos, todos de mulheres,” McGrath continuou. “E até agora parece que elas estão sendo levadas da estrada nesses pequenos trechos solitários da rodovia. A mais recente foi levada ontem à noite. Seu carro foi encontrado ao lado da estrada com os dois pneus arrebentados. Havia uma quantidade ridícula de vidro na estrada, fazendo o DP local supor que houve um crime, uma armadilha.”



”Ele deslizou uma das pastas até Mackenzie e ela deu uma olhada. Havia várias fotos do carro, especialmente dos pneus. Ela também viu que o trecho da estrada era de fato isolado, rodeado por árvores altas em ambos os lados. Uma das fotos também mostrou o conteúdo do carro da recente vítima. Dentro havia um casaco, uma pequena caixa de ferramentas aparafusada ao lado e uma caixa de livros.



“Por que os livros?” Perguntou Mackenzie.



“A última vítima era uma autora. Delores Manning. O Google diz que ela tinha acabado de publicar o seu segundo livro. Um daqueles negócios de romance barato. Ela não é uma autora de renome, de qualquer forma, não devemos ter qualquer interferência da mídia…ainda. A estrada foi fechada e desvios foram criados pelo departamento de transporte do estado. Então, White, eu preciso de você em um avião para chegar lá o mais rápido possível. Rural ou não, o estado, obviamente, não quer que a estrada fique fechada por muito tempo.”

McGrath, em seguida, voltou sua atenção para Harrison.



“Agente Harrison, eu quero que você entenda uma coisa. A Agente White tem laços com o Centro-Oeste, por isso será moleza para ela este caso. E enquanto eu tiver atribuído você como seu parceiro, eu quero que você fique por aqui. Eu quero você aqui na sede para trabalhar nos bastidores. Se a Agente White precisar de uma pesquisa, eu quero você encarregado disso. Não só isso, mas Delores Manning tem um agente e publicitário e tudo isso. Então, se isso não for finalizado rapidamente, a mídia vai cair matando. Eu quero que você lide com esse lado das coisas. Mantenha tudo suaves e calmo aqui na sede se a merda cair no ventilador. Nada pessoal, mas eu quero um Agente mais experiente nisso.”



Harrison assentiu, mas a decepção em seus olhos era impossível de não ser notada. “Sem ofensa, senhor. Estou feliz em ajudar no entanto eu posso.”

Ah, não, pensou Mackenzie. Puxa-saco, não.

“Então, eu irei sozinha?” Perguntou Mackenzie.



McGrath sorriu e balançou a cabeça. Era quase um tipo brincalhão de gesto que mostrava que ela tinha percorrido um longo caminho com McGrath desde suas primeiras reuniões hostis difíceis e limítrofes.



“De jeito nenhum eu estou lhe enviando para lá por si mesma,” disse ele. “Providenciei para que o Agente Ellington trabalhe neste caso com você.”

“Ah,” ela disse, um pouco atordoada.



Ela não tinha certeza de como se sentia a respeito disso. Havia uma espécie estranha de química entre ela e Ellington—houve desde que ela o conheceu, quando trabalhava como detetive na área rural de Nebraska. Ela tinha gostado de trabalhar com ele por esse curto período, mas agora que as coisas eram diferentes… Bem, faria dessa situação um caso interessante, no mínimo. Mas não havia nada para se preocupar. Sentia-se confiante de que ela poderia facilmente dividir quaisquer sentimentos pessoais que ela tinha por ele das questões profissionais.



“Posso perguntar por quê?” Perguntou Mackenzie.

“Ele tem um breve histórico de trabalho com os agentes de campo locais de lá, como você sabe. Ele também tem uma bagagem impressionante quando se trata de casos de pessoas desaparecidas. Por quê?”



“Uma pergunta, senhor,” disse ela, facilmente recordando a primeira vez em que ela e Ellington tinham se encontrado para que ele a ajudasse com o caso do Assassino Espantalho, e ela ainda estava trabalhando para o DP de sua cidade. “Ele… bem, ele pediu para trabalhar comigo nisso?”



“Não,” disse McGrath. “Acontece que vocês são perfeitos para este caso, ele com suas conexões e você com o seu passado.”

McGrath se levantou de sua cadeira, efetivamente terminando a conversa. “Você deve receber e-mails sobre o seu vôo dentro de alguns minutos,” disse McGrath. “Eu acredito que você voará às 11:55.”



“Mas está a apenas uma hora e meia de distância,” disse ela.

“Então, eu sugiro que você se mexa.”



Ela saiu do escritório rapidamente, olhando para trás apenas uma vez para ver o Agente Harrison ainda sentado em sua cadeira como um cachorrinho perdido, sem saber o que fazer ou para onde ir. Mas ela não teve tempo de se preocupar com seus sentimentos potencialmente machucados. Ela tinha que descobrir como fazer as malas e ir para o aeroporto em menos de uma hora e meia.



E além disso, ela tinha que descobrir por que ela temia a ideia de trabalhar em um caso com Ellington.




CAPÍTULO DOIS


Mackenzie chegou correndo no aeroporto, com apenas tempo suficiente para chegar no portão de embarque. Ela correu para o avião cinco minutos após o embarque do vôo ter começado e caminhou pelo corredor ligeiramente sem fôlego, frustrada e confusa. Ela se perguntou brevemente se Ellington tinha conseguido chegar a tempo, mas francamente, estava feliz por não ter perdido o voo. Ellington já é crescidinho, pode cuidar de si mesmo.



Sua pergunta foi respondida quando ela localizou seu assento. Ellington já estava no avião, sentado confortavelmente no banco ao lado dela. Ele sorriu para ela de seu assento perto da janela, dando-lhe um pequeno aceno. Ela balançou a cabeça e suspirou profundamente.



“Dia ruim?” Perguntou.

“Bem, começou com um funeral e, em seguida, uma reunião com McGrath,” disse Mackenzie. “Então, eu tive que correr para casa para fazer a mala e correr através de Dulles para pegar o vôo. E nem é meio-dia ainda.”



“Então, as coisas só podem melhorar, em seguida,” Ellington brincou.

Empurrando sua mala para o compartimento de bagagem, Mackenzie disse: “Vamos ver. Diga-me, o FBI não tem aviões particulares?”



“Sim, mas apenas para casos extremamente sensíveis ao tempo. E para funcionários de altíssima performance. Este caso não é sensível ao tempo e certamente não somos estrelas do FBI.”



Quando ela estava finalmente em seu assento, ela tirou um momento para relaxar. Ela olhou discretamente por cima de Ellington e viu que ele estava folheando uma pasta que era idêntica a que tinha visto no escritório de McGrath.



“O que você acha deste caso?” Perguntou Ellington.

“Eu acho que é muito cedo para especular,” disse ela.



Ele rolou os olhos para ela e fez uma expressão lúdica. “Você tem que ter algum tipo de primeira reação. O que é isso?”



Enquanto ela não queria falar sobre os seus pensamentos para que mais tarde fosse provado que estavam errados, ela apreciou o esforço que ele fez para entrar imediatamente no clima do caso. Isso mostrou que ele era de fato o Agente trabalhador e comprometido que McGrath disse —o mesmo tipo de trabalhador que ela esperava que ele fosse.



“Eu acho que o fato de que estes estão sendo chamados desaparecimentos ao invés de assassinatos nos dá alguma esperança,” disse ela. “Mas dado que as vítimas levadas de estradas rurais também me diz que esse cara é um local que conhece a região. Ele poderia estar sequestrando as mulheres e, em seguida, matando-as, escondendo seus corpos em algum lugar na floresta ou em algum outro esconderijo que só ele conhece.”



“Você já leu isso detalhadamente?” Ele perguntou, apontando para a pasta.

"Não. Eu não tive tempo.”

“Fique à vontade,” disse Ellington, entregando-a.



Mackenzie leu a escassa informação enquanto os comissários de bordo explicavam os procedimentos de segurança. Ela ainda estava estudando as informações momentos mais tarde, quando o avião decolou em direção à Des Moines. Não havia muita informação no arquivo, mas o suficiente para Mackenzie mapear uma abordagem para quando eles chegarem lá.



Delores Manning era a terceira mulher a ser dada como desaparecida nos últimos nove dias. A primeira mulher era uma local, dada como desaparecido por sua filha. Naomi Nyles, quarenta e sete anos de idade, também levada de um trecho paralelo da estrada. A segunda era uma mulher de Des Moines chamada Crystal Hall. Ela tinha antecedentes criminais, principalmente coisas promíscuas em sua juventude, mas nada sério. Quando ela foi sequestrada, estava indo visitar uma fazenda de gado na região. O primeiro caso não mostrou nenhum vestígio de armadilha ou crime—apenas um carro abandonado ao lado da estrada. O segundo veículo abandonado era uma pequena caminhonete com um pneu furado. A caminhonete foi descoberta quando o seu pneu estava para ser trocado, o macaco ainda estava embaixo do eixo e o pneu furado encostado na lateral do caminhão.



Todos os três casos parecem ter ocorrido durante a noite, em algum momento entre 22h e 3h. Até agora, nove dias após o primeiro rapto, não havia um único fragmento de uma evidência e absolutamente nenhuma pista.



Como sempre fazia, Mackenzie examinou as informações várias vezes, guardando-as na memória. Não foi difícil, neste caso, como não havia muito para memorizar. Ela continuou voltando as páginas até as fotos da região rural—as estradas vicinais que cortam através da floresta parecem uma cobra enorme que segue sem rumo definido.



Ela também se permitiu cair na mente de um assassino usando essas estradas e a noite como proteção. Ele tinha que ser paciente. E por causa da escuridão, ele tinha que estar acostumado a ficar sozinho. A escuridão não o preocupava. Ele pode até preferir trabalhar na escuridão, não só para se sentir protegido, mas para ter a sensação de solidão e isolamento. Esse cara era, provavelmente, algum tipo de solitário. Ele estava levando as mulheres da estrada, aparentemente em diferentes situações estressantes. Consertando o automóvel, com pneus furados. Isso significava que ele provavelmente não considera matar por esporte. Ele só queria as mulheres. Mas por quê?



E sobre a última vítima, Delores Manning? Talvez ela era uma local com um passado naquela região, pensou Mackenzie. Ou isso, ou apenas corajosa o suficiente para viajar nessas estradas de volta a esta hora… Eu não me importo com o quão bom um atalho possa ser, é muito imprudente.



Ela esperava que este fosse o caso. Ela esperava que a mulher fosse valente. Porque a bravura, não importa o quão falsa, muitas vezes poderia ajudar as pessoas a lidar com situações tensas. Era mais do que apenas uma questão de honra, mas um traço psicológico profundo que ajudava as pessoas a lidar com a vida. Ela tentou imaginar Delores Manning, uma escritora promissora e prestes a alcançar o sucesso, passando por essas estradas à noite. Admirável ou não, simplesmente não era uma boa ideia.



Quando Mackenzie acabou, ela entregou a pasta de volta para Ellington. Ela olhou para a janela onde tufos brancos de nuvens estavam à deriva. Ela fechou os olhos por um momento e voltou para lá, não para Iowa, mas para a vizinha Nebraska. Um lugar onde havia lugares descampados e florestas imensas em vez de tráfego e edifícios altos. Ela de fato não sentia saudades, mas descobriu que a ideia de voltar para lá, mesmo a trabalho, era emocionante de uma forma que ela não entendia totalmente.



“White?”

Ela abriu os olhos ao som de seu nome. Ela se virou para Ellington, um pouco envergonhada por ele ter pegado ela nesta situação de devaneio. “Sim?”

“Você meio que ficou sem reação por um minuto. Você está bem?”

“Estou,” disse ela.



E o pior de tudo era que ela estava bem. As primeiras seis horas do dia tinham sido fisicamente e emocionalmente desgastantes, mas agora que ela estava sentada, suspensa no ar e com um parceiro temporário improvável, ela se sentia bem.



“Deixe-me perguntar uma coisa”, disse Mackenzie.

“Manda.”

“Você pediu para trabalhar comigo nisso?”



Ellington não respondeu de imediato. Ela podia ver as engrenagens girando atrás de seus olhos antes de responder e perguntou por que ele teria alguma razão para mentir para ela.



“Bem, eu ouvi sobre o caso e, como você sabe, eu tenho uma relação de trabalho com o escritório em Omaha. E, uma vez que esse é o escritório de campo mais próximo de nossa meta em Iowa, eu me mostrei interessado. Quando ele perguntou se eu me importaria de trabalhar com você no caso, eu não argumentei.”



Ela balançou a cabeça, começando a sentir-se quase culpada por achar se ele teria alguma outra razão para querer o trabalho. Enquanto ela tinha nutrido algum tipo de sentimento por ele (seja estritamente físico ou de alguma forma emocional, ela nunca teve certeza), ele nunca tinha dado qualquer razão para ela supor que ele sentia o mesmo. Era muito fácil lembrar de quando eles se encontraram pela primeira vez em Nebraska e, em seguida, ela foi rejeitada.



Vamos apenas esperar que ele tenha esquecido tudo isso, ela pensou. Eu sou uma pessoa diferente agora, ele está ocupado demais para preocupar-se comigo e estamos trabalhando juntos agora. São águas passadas.



“Então, e você?” Ela perguntou. “Quais são seus pensamentos iniciais?”

“Eu acho que ele não tem intenção de matar as mulheres,” disse Ellington. “Não há indícios, e como você, eu acho que é um local que faz isso. Eu acho que ele talvez está agrupando as mulheres… Para quê, eu não vou arriscar. Mas isso me preocupa, se eu estiver certo.”



Isso preocupou Mackenzie, também. Se havia alguém lá fora, sequestrando mulheres, ele acabaria ficando sem espaço. E talvez, sem interesse de continuar… O que significava que ele teria que parar mais cedo ou mais tarde. E, enquanto isso era teoricamente uma coisa boa, isso também significava que ele não deixaria mais rastros, não haveria cenas para eventualmente deixar evidências.



“Eu acho que você está certo sobre ele só levar as mulheres,” disse ela. “Ele está à procura delas enquanto estão vulneráveis—enquanto elas estão mexendo nos carros ou pneus furados. Isso significa que ele é mais sorrateiro. Ele provavelmente é tímido.”

Ele sorriu e disse: “Ah. Essa é uma boa observação.”



Seu sorriso largo se transformou em um sorriso que ela teve que desviar o olhar, sabendo que eles tinham o hábito de cruzar olhares demorando um pouco demais. Em vez disso, ela virou seus olhos de volta para o céu azul e as nuvens enquanto o Centro-Oeste rapidamente se aproximava abaixo deles.


***

Com muito pouca bagagem, Mackenzie e Ellington caminharam pelo aeroporto sem qualquer problema. Durante o fim do voo, Ellington informou a Mackenzie que os planos já haviam sido feitos (provavelmente enquanto ela estava correndo para seu apartamento e, em seguida, para o aeroporto). Ela e Ellington foram ao encontro de dois agentes de campo locais e trabalharão com eles para resolver o caso o mais rápido possível. Sem necessidade de parar na esteira de bagagens, eles se reuniram com os agentes sem nenhum problema.



Eles se conheceram em uma das inúmeras Starbucks do aeroporto. Ela deixou Ellington liderar, porque era evidente que McGrath o via como o responsável pelo caso. Por que ele deixaria o Ellington encarregado de saber onde encontraríamos os agentes de campo? Por qual outro motivo Ellington teria a devida atenção a ponto de ter tempo de sobra para fazer confortavelmente o seu voo a tempo?



Os dois agentes foram de fácil identificação. Mackenzie suspirou internamente quando viu que eram dois homens. Um deles, porém, parecia que era novo. Sem chances de ter mais de vinte e quatro anos. Seu parceiro parecia bastante durão e mais velho, provavelmente chegando nos cinquenta.



Ellington foi direto para eles e Mackenzie o seguiu. Nenhum dos agentes ficou de pé mas o mais velho estendeu sua mão para Ellington enquanto se aproximavam da mesa.

“Agentes Heideman e Thorsson, estou certo?” Perguntou Ellington.



“Quase,” o homem mais velho disse. “Sou Thorsson, e meu parceiro aqui é Heideman.”

“Prazer em conhecê-lo,” disse Ellington. “Eu sou o Agente Especial Ellington e esta é minha parceira, a Agente White.”



Todos eles apertaram as mãos de uma forma que havia se tornado quase entediante para Mackenzie, desde que ela se juntou à agência. Foi quase como uma formalidade, uma coisa estranha que precisava ser feita, para se ter acesso à tarefa. Ela reparou que quando Heideman apertou a mão dela, seu aperto foi fraco e suado. Ele não parecia nervoso, mas talvez um pouco tímido ou introvertido.

“Então, o quão longe estão as cenas do crime?” Perguntou Ellington.



“A mais próxima está a cerca de uma hora de distância,” disse Thorsson. “As outras estão todas dentro de dez ou quinze minutos uma da outra.”

“Houve quaisquer atualizações desde cedo?” Perguntou Mackenzie.



“Zero,” disse Thorsson. “Essa é uma das razões pelas quais nós chamamos vocês. Esse cara levou três mulheres até agora e não temos uma única pista. A situação é tão ruim que o estado está considerando o uso de câmeras ao longo da rodovia. O obstáculo, porém, é que você não pode realmente manter mais de 120 km de estrada secundárias sob a vigilância de câmeras.”



“Bem, você tecnicamente poderia,” disse Heideman. “Mas isso se resume à uma tonelada de câmeras e muita grana envolvida. Então, algumas pessoas da categoria estadual verão isso apenas como um último esforço.”

“Podemos ir em frente e ver a primeira cena, então?” Perguntou Ellington.



“Claro,” Disse Thorsson. “Vocês precisam de Hotéis e coisas assim, em primeiro lugar?”

“Não,” disse Mackenzie. “Vamos começar a trabalhar agora. Se vocês estão dizendo que há uma parte grande da estrada que precisa de cobertura, não podemos perder tempo.”



Enquanto Thorsson e Heideman ficaram de pé, Ellington olhou para ela de um jeito peculiar. Ela não podia dizer se ele estava impressionado com a sua dedicação para irem até a primeira cena o mais rápido possível ou se ele achou divertido ela não deixar ele tomar toda liderança neste caso. O que ela esperava que ele não suspeitasse era que a ideia de ir para algum lugar como um hotel com Ellington a fazia sentir muitas emoções ao mesmo tempo.



Eles deixaram a Starbucks em uma espécie de fila única. Mackenzie ficou ligeiramente tocada quando Ellington esperou por ela, certificando-se de que ela não fosse a última da fila.



“Você sabe,” Thorsson disse, olhando por cima do ombro, “Estou contente por vocês quererem chegar lá imediatamente. Há uma energia ruim por aí sobre essa coisa toda. Você pode sentir isso quando conversa com a polícia local, e  está começando a passar para nós, também.”

“Que tipo de vibração?” Perguntou Mackenzie.



Thorsson e Heideman trocaram um olhar de mau agouro entre eles antes que os ombros de Thorsson caíssem um pouco, e ele respondeu: “Como se simplesmente nada poderá ser feito. Eu nunca vi nada parecido. Não há uma única pista. O cara é como um fantasma.”



“Bem, espero que possamos ajudar com isso,” disse Ellington.

“Espero que sim,” disse Thorsson. “Porque a partir de agora, o sentimento geral entre todos os que trabalham neste caso é que nós nunca conseguiremos encontrar esse cara.”




CAPÍTULO TRÊS


Mackenzie ficou bastante surpresa ao ver  que o escritório local tinha oferecido para Thorsson e Heideman um carro Suburban. Após o seu calhambeque e os veículos modelo aluguel que com os quais ela ficou ao longo dos últimos meses, ela sentiu como se estivesse viajando em grande estilo enquanto estava sentada atrás com Ellington. Quando eles chegaram na primeira cena uma hora e dez minutos mais tarde, ela estava quase contente por estar fora dele, no entanto. Ela não estava acostumada a essas comodidades agradáveis no seu cargo e isso a fez se sentir um pouco desconfortável.



Thorsson estacionou ao longo da State Route 14, uma estrada de duas pistas que serpenteava através das florestas da área rural de Iowa. A estrada era cercada por árvores de ambos os lados. Durante as poucas milhas por onde passaram na estrada, Mackenzie viu algumas pequenas estradas de terra que pareciam ter sido esquecidas, costuradas por um cabo fino e postes de cada lado do caminho. Com exceção dos pequenos intervalos, não havia nada mais do que árvores.



Thorsson e Heideman os levaram a alguns policiais locais que acenaram por mera formalidade quando eles passaram. Mais à frente, na frente de dois carros da polícia que estavam estacionados, estava um pequeno carro Subaru vermelho. Os dois pneus laterais dianteiros estavam completamente murchos.



“Como é a força policial por aqui?” Perguntou Mackenzie.

“Pequena,” disse Thorsson. “A cidade mais próxima daqui é um pequeno lugar chamado Bent Creek. População de cerca de novecentos habitantes. A força policial é composta por um xerife—que está lá com outros caras—dois deputados e sete oficiais. Eles tiveram alguns problemas com o pessoal de Des Moines, mas quando aparecemos, eles recuaram. É um problema do FBI agora. Esse tipo de coisa.”



Então, eles estão contentes de estarmos aqui, em outras palavras?’ Perguntou Ellington.

“Oh, absolutamente,” disse Thorsson.



Eles se aproximaram do carro e o cercaram por um momento. Mackenzie deu uma olhada para trás, para ver os oficiais. Apenas um deles parecia legitimamente interessado no que os agentes do FBI estavam fazendo. Para ela, tudo bem. Ela já teve intromissão suficiente de policiais de cidades pequenas que fazem as coisas se tornarem mais difíceis do que são. Seria bom trabalhar sem ter que ficar cheia de cuidados em torno das sensibilidades e egos do DP local.



“O carro já foi inspecionada à procura de impressões?” Perguntou Mackenzie.

“Sim, hoje mais cedo,” disse Heideman. “Fique à vontade”.



Mackenzie abriu a porta do lado do passageiro. Uma breve olhada ao redor lhe disse que enquanto o veículo poderia ter sido inspecionado à procura de impressões, nada tinha sido ainda removido e marcado como prova. Um telefone celular ainda estava no banco do passageiro. Uma caixa de chicletes estava no topo de algumas peças dispersas de papel dobradas na parte central do carro.



“Este é o carro da escritora, correto?” Perguntou Mackenzie.

“É,” disse Thorsson. “Delores Manning.”



Mackenzie continuou verificando o carro. Ela encontrou os óculos de sol de Manning, um caderno de endereços quase vazio, algumas cópias de The Tin House espalhadas no banco de trás e mudas de roupa aqui e ali. No porta-malas havia apenas uma caixa de livros. Havia dezoito cópias de um livro chamado Love Blocked, escrito por Delores Manning.



“Tudo aqui foi inspecionado?” Perguntou Mackenzie.

“Não, acho que não,” disse Heideman. “É apenas uma caixa de livros, certo?”

“Sim, mas alguns estão em falta.”

“Ela vinha de uma sessão de autógrafos,” disse Thorsson. “As chances são muito boas de que ela tenha vendido alguns ou dado.”



Não valia a pena discutir sobre isso, ela o ignorou. Ainda assim, Mackenzie folheou dois dos livros. Ambos haviam sido assinados por Manning na página de título.



Ela colocou os livros de volta na caixa e, em seguida, começou a estudar a estrada. Ela caminhou ao longo da borda da estrada, procurando por algo que pudesse ter furado os pneus. Ela olhou para Ellington e ficou satisfeita ao ver que ele já estava analisando os pneus. De onde estava, ela podia ver os pedaços brilhantes de vidro ainda saindo dos pneus.



Havia mais daquele vidro na estrada adiante. O pouco de luz solar que conseguia romper os galhos das árvores sobre a cabeça deles ricocheteava de uma forma que estava estranhamente bonita. Ela caminhou até ele e agachou-se para ver melhor.



Era óbvio que o vidro tinha sido colocado lá intencionalmente. Ele estava localizado principalmente perto das linhas amarelas no centro da estrada. Estava espalhado aqui e ali, como areia, mas de forma espaçada para garantir que qualquer pessoa dirigindo ao longo da rodovia passasse diretamente sobre ele. Alguns fragmentos maiores permaneceram na estrada; o carro tinha aparentemente desviado desses, já que eles não tinham sido moídos em migalhas. Ela pegou um desses pedaços maiores e o analisou.



O vidro estava escuro, à primeira vista, mas quando Mackenzie deu uma olhada mais atenta, ela viu que tinha sido pintado de preto. Para impedir o brilho dos faróis que se aproximavam, pensou. Alguém dirigindo à noite veria o vidro com seus faróis… Mas não se ele estivesse pintado de preto.



Ela selecionou alguns pedaços e arranhou os maiores com a unha. O vidro tinha duas cores diferentes; a maioria era vidro claro, mas alguns tinham uma coloração ligeiramente verde. Era muito grosso para ser de uma garrafa de água ou pote comum. Ele tinha a espessura de algo feito por um oleiro. Alguns pareciam facilmente ter uma polegada e meia de largura, mesmo depois de quebrados e, em seguida, esmagados pelo carro de Delores Manning.



“Qualquer um percebe que este vidro foi pintado com spray?” Ela perguntou.

Ao longo da lateral da estrada, os oficiais estavam olhando um para o outro como se estivessem confusos. Mesmo Thorsson e Heideman deram um ao outro um olhar interrogativo.

“Isso é um não,” disse Thorsson.



“Será que nada disso foi recolhido e analisado ainda?” Perguntou Mackenzie.

“Recolhido, sim,” disse Thorsson. “Analisado, não. Mas há uma equipe nisso agora. Devemos ter algum resultado em poucas horas. Eu acho que eles finalmente falaríam para nós sobre a tinta spray.”



“E esse vidro não estava em nenhuma das outras cenas, certo?”

“Isso mesmo.’

Mackenzie ficou de pé, olhando para o vidro enquanto começava a imaginar o tipo de suspeito que estavam procurando.



Nenhum vidro nas cenas anteriores, pensou. Isso significa que o suspeito fez isso propositalmente com esta mulher. Por quê? Talvez os dois primeiros desaparecimentos foram apenas coincidência. Talvez estavam apenas no lugar certo no momento certo. E se esse foi o caso, ele é definitivamente um local—um assassino rural, não urbano. Mas ele é inteligente e calculista. Ele não está fazendo isso sem planejamento.



Ellington se aproximou dela e analisou o vidro. Sem olhar para ela, ele perguntou: “Alguma ideia inicial?”

“Algumas”

“Quais?”



“Ele é um cara do meio rural, como pensávamos. Eu também acho que este caso foi planejado. Os pneus furados… Ele fez isso de propósito. Se o vidro não estava presente nas outras cenas, ele fez isso só desta vez. Isso me faz pensar que ele não tinha o controle da situação nos outros dois casos. Foi apenas sorte de parte dele. Mas este… Este demandou trabalho.”



“Você acha que vale a pena falar com a família?’ Perguntou Ellington.

Ela não podia dizer se ele estava interrogando-a de uma maneira estranha, como Bryers tinha feito uma vez, ou se ele estava genuinamente interessado em sua metodologia e abordagem.



“Pode ser a maneira mais rápida de obter quaisquer respostas por agora,” disse ela. “Mesmo se não der em nada, é uma tarefa concluída.”

“Isso soa robótico,” Ellington disse com um sorriso.

Ignorando-o, Mackenzie voltou para o carro, onde Thorsson e Heideman estavam observando os dois.



“Sabemos onde Delores Manning vive?” Ela perguntou.

“Bem, ela vive em Buffalo, Nova York,” disse Thorsson. “Mas ela tem família perto de Sigourney.”

“Fica em Iowa, também, certo?”



“Fica, disse Thorsson. “Sua mãe vive a cerca de dez minutos da cidade. O pai é falecido. Ninguém informou-os sobre o seu desaparecimento ainda. Pelo que podemos dizer, ela só está desaparecida há vinte e seis horas ou algo assim. E enquanto não podemos confirmar isso é inevitável se perguntar se ela fez uma visita a sua família enquanto estava por perto, por causa de sua sessão de autógrafos em Cedar Rapids.”



“Eu acho que eles provavelmente seriam informados,” disse Mackenzie.

“Também acho,” Ellington disse, se juntando a eles.

“Seja o meu convidado, então,” Thorsson riu. “Sigourney fica a de cerca de uma hora e quinze minutos daqui. Gostaríamos muito de embarcar nessa com vocês,” ele acrescentou sarcasticamente,” mas isso não faz parte do combinado.”



Quando ele disse isso, um dos policiais se juntaram a eles. O crachá que ele usava indicava que ele era o xerife da área.

“Você precisa de nós em alguma coisa?” Perguntou.



“Não,” disse Ellington. “Talvez apenas o nome de um hotel decente por aqui.”

“Há apenas um em Bent Creek,” disse o xerife. “Então esse é o único que eu posso realmente recomendar.”



“Bem, então, parece que vamos aceitar a sua recomendação. E nós também precisaremos de um carro alugado em Bent Creek.”

“Eu posso ver isso,” disse o xerife, encerrando o assunto.



Com uma ligeira sensação de se sentir deslocada, Mackenzie voltou para o Suburban e pegou o seu lugar no banco de trás. Com os outros três agentes no carro, Mackenzie começou a pensar sobre essas pequenas passagens de terra fora da State Route 14. De quem era aquela propriedade? Para onde é que as passagens levam?



Enquanto se dirigiam para Bent Creek, as estradas do país parecia apresentar mais e mais perguntas na mente de Mackenzie… servil, mas muito imediato. Ela agrupou todas elas quando pensou sobre o vidro quebrado na estrada. Tentou imaginar alguém pintando o vidro com a clara intenção de furar os pneus do carro de alguém.



Isso mostrava mais do que apenas intenção. Isso indicava um planejamento cuidadoso e conhecimento do fluxo de tráfego ao longo da State Route 14 naquela hora da noite.

Nosso cara é inteligente de um jeito perigoso, ela pensou. Ele também é um planejador e parece procurar apenas mulheres.



Ela começou a juntar as peças do perfil do suspeito e imediatamente começou a sentir uma sensação de pressão… Uma necessidade de se mover rapidamente. Ela sentiu que ele estava em algum lugar dentro deste pequeno buraco rural de árvores e estradas sinuosas, quebrando mais vidros, pulverizando-os com tinta spray.

E planejamento para capturar outra vítima.




CAPÍTULO QUATRO


Delores Manning estava pensando em sua mãe quando abriu os olhos. Sua mãe vivia em uma área casas móveis, rural e grotesca, fora de Sigourney. A mulher era muito orgulhosa, muito teimosa. O plano de Delores era visitar sua mãe após os autógrafos em Cedar Rapids.



Tendo assinado um contrato de três livros com sua editora atual, Delores tinha feito um cheque de US$ 7.000, esperando que sua mãe o aceitaria e o usaria com sabedoria. Talvez fosse esnobe, mas Delores estava envergonhada por sua mãe ter que depender da assistência social, ter que usar vale-refeição para comprar mantimentos. Tinha sido assim desde que o seu pai morreu—



Os pensamentos nebulosos sobre sua mãe adormeceram assim que os seus olhos começaram a se acostumar com a escuridão em que ela se encontrava. Ela estava sentada com as costas pressionadas contra algo muito duro e quase frio ao toque. Lentamente, ela se levantou. Quando conseguiu, ela bateu a cabeça em algo que parecia exatamente com a superfície sobre a qual ela apoiou as costas.



Confusa, ela estendeu a mão e não pôde estender muito os braços. Quando o pânico começou a crescer, os olhos dela perceberam que havia pequenas tiras de luz caindo na escuridão. Diretamente na frente dela havia três tiras retangulares de luz. As tiras serviram para lhe dar uma ideia de qual era a situação.



Ela estava em algum tipo de container… Ela tinha certeza que era feito de aço ou algum outro tipo de metal. O container não tinha mais de 1,2 m de altura, não permitindo que ela ficasse totalmente de pé. Parecia não haver mais do que 1,2 m de profundidade e o mesmo de largura. Ela começou ter respirações rasas, sentindo-se instantaneamente claustrofóbica.



Apertou-se contra a parede da frente do container e aspirou ar fresco através das tiras retangulares. Cada tira tinha aproximadamente quinze centímetros de altura e talvez sete  centímetros de largura. Quando ela inspirou o ar pelo nariz, ela percebeu um cheiro de terra e algo doce desagradável.



Em algum lugar mais distante, tão fraco que parecia vir de outro mundo, ela pensou ter ouvido uma espécie de ruído de guinchando. Máquinas? Talvez algum tipo de animal? Sim, um animal… Mas ela não tinha ideia de que tipo. Porcos, talvez?



Com sua respiração vindo mais naturalmente agora, ela deu um passo para trás em sua posição agachada e, em seguida, olhou através das ripas.

Lá fora, ela viu o que parecia ser o interior de um celeiro ou alguma outra construção de madeira velha.



Talvez, seis metros à frente dela, ela pôde ver a porta do celeiro. A sombria luz solar entrava pela estrutura deformada, onde a porta não se encaixava. Enquanto ela não podia ver muito, ela viu o suficiente para avaliar que provavelmente tinha sérios problemas.



Estava evidente na borda da porta trancada, ela mal podia ver através das tiras do container. Ela gemeu e empurrou a frente do container. Não aconteceu nada—nada além de um ruído de rangido.



Ela sentiu o pânico subindo novamente e sabia que teria que usar o pouco de lógica e calma que ela possuía agora. Ela passou as mãos ao longo do fundo da porta do container. Ela estava esperando encontrar dobradiças, talvez algo com parafusos ou roscas que ela pudesse desenroscar. Ela não era muito forte, mas se ao menos um parafuso fosse solto ou entortado…



Mais uma vez, não havia nada. Ela tentou a mesma coisa na parte de trás e não encontrou nada lá também.



Em um ato de desespero absoluto, ela chutou a porta o mais forte que pôde. Quando isso não adiantou, ela foi para o fundo do container e correu para lançar seu ombro direito contra ele. Tudo o que conseguiu foi bater, voltar e cair para trás. Ela bateu a cabeça na lateral do container e caiu com força de costas.



Um grito cresceu em sua garganta, mas ela não sabia se isso seria a melhor coisa a fazer. Ela poderia facilmente se lembrar do homem do caminhão na estrada e como ele a tinha atacado. Será que ela realmente queria que ele viesse correndo até ela?



Não, ela não queria. Pense, disse a si mesma. Use o seu cérebro criativo e descubra uma maneira de sair disso.



Mas ela não conseguia pensar em nada. Assim, enquanto ela foi capaz de engolir o grito que queria sair, foi incapaz de conter as lágrimas. Ela chutou a frente do container e, em seguida, caiu no canto de trás. Ela chorou o mais silenciosamente que pôde, balançando para frente e para trás na posição sentada e olhando para os raios de luz empoeirados que se espalhavam através das tiras.

Por agora, era tudo que ela podia pensar em fazer.




CAPÍTULO CINCO


Mackenzie não gostou do fato de que sua mente trouxe dezenas de estereótipos clichês enquanto ela e Ellington entravam no hall da Sigourney Oaks Mobile Home Court. As casas móveis eram todas empoeiradas e pareciam estar caindo aos pedaços. Os veículos que estavam estacionados na frente delas, em sua maioria, tinham a mesma condição. No pátio sem vida de um dos trailers pelos quais eles passaram, dois homens estavam sentados sem camisa em cadeiras de praia. Um cooler de cerveja estava entre eles, bem como várias latas vazias e esmagadas… Às 16:35 da tarde.



A casa de Tammy Manning, a mãe de Delores Manning, foi localizada bem no meio do terreno. Ellington estacionou o carro alugado atrás de uma pickup Chevy velha e batida. O carro alugado parecia melhor do que os veículos de lá, mas não muito. A oferta de carros na Automotiva Irmãos Smith era escassa e eles terminaram escolhendo um Ford Fusion 2008, que tinha uma extrema necessidade de um trabalho de pintura e novos pneus.



Enquanto subiam os frágeis degraus da frente até a porta, Mackenzie fez uma varredura rápida do lugar. Algumas crianças estavam brincando com carrinhos de brinquedo na terra. Uma menina pré-adolescente caminhava cegamente com os olhos colados a um telefone celular, sua barriga ficava exposta através da blusa suja que vestia. Um idoso, dois trailers mais para baixo, estava deitado no chão olhando um cortador de grama com uma chave na mão e com a calça suja de óleo.



Ellington bateu na porta e ela respondeu quase instantaneamente. A mulher que atendeu a porta era bonita de uma forma simples. Ela parecia estar na casa dos cinquenta e os fios grisalhos em seu cabelo, que já foi preto, destacavam-se de uma forma que era quase decorativa em vez de serem sinais de envelhecimento. Ela parecia cansada, mas o cheiro que veio do seu hálito quando ela disse: “Quem é você?” Fez Mackenzie ter certeza de que ela tinha bebido.



Ellington respondeu, mas fez questão de não passar na frente de  Mackenzie quando fez isso. “Eu sou o Agente Ellington e esta é a Agente White, somos do FBI”, disse ele.

“FBI?” Ela perguntou. “Que diabos é isso?”



“A senhora é Tammy Manning?” Perguntou.

“Sou eu,” disse ela.

“Podemos entrar?” Perguntou Ellington.



Tammy olhou para eles de uma forma que não era suspeita, mas algo mais próximo à descrença. Ela assentiu com a cabeça e deu um passo para trás, permitindo a entrada deles. No momento em que entraram, o cheiro denso de fumaça de cigarro os envolveu. O ar era puro cheiro de cigarro. Um cigarro solitário queimava em um cinzeiro de pontas mortas em uma mesa velha de café.



Outra mulher se sentou no sofá do lado oposto da mesa de café. Ela parecia um pouco desconfortável. Mackenzie pensou que ela realmente parecia um pouco incomodada de estar sentada lá.

“Se você tem companhia,” Mackenzie disse, “talvez devêssemos conversar lá fora.”

“Ela não é uma companhia,” disse Tammy. “Esta é a minha filha Rita.”



“Oi,” disse Rita, de pé para dar um aperto de mãos.

Era evidente que esta era a irmã mais nova de Delores Manning, cerca de três ou quatro anos mais jovem. Ela se parecia muito com a foto de Delores que Mackenzie viu na parte traseira do livro Love Blocked.



“Ah, entendi,” disse Ellington. “Bem, talvez seja uma coisa boa você também estar aqui, Rita.”

“Por quê?” Perguntou Tammy, sentando-se de forma pesada ao lado de sua filha mais nova. Ela arrancou o cigarro do cinzeiro e deu uma tragada profunda.



“O carro de Delores Manning foi encontrado abandonado com dois pneus furados na State Route 14 na noite passada. Ninguém a viu ou ouviu falar dela desde então. Nem o seu agente, e nem amigos, ninguém. Nós estávamos esperando que você soubesse onde ela está.”



Antes de Ellington terminar, Mackenzie teve a resposta a partir do olhar de choque no rosto de Rita Manning.

“Oh meu Deus,” disse Rita. “Tem certeza de que era o carro dela?”



“Nós estamos certos disso,” disse Ellington. “Havia meia caixa de seu mais recente livro na parte de trás. Ela tinha acabado de chegar de uma sessão de autógrafos em Cedar Rapids.”



‘Sim,’ disse Rita. “Ela estava… Provavelmente no caminho para cá. Esse era o plano dela. Quando ela não apareceu até meia-noite, eu supus que ela havia decidido ficar em um hotel por aí.”



“Vocês fizeram planos para ela ficar aqui?’ Perguntou Mackenzie. Ela estava olhando para Tammy quando ela perguntou isso, mas Tammy parecia estar mais interessada em desfrutar o seu cigarro.



“Mais ou menos,” disse Tammy. “Ela me ligou na semana passada e disse que estaria em Cedar Rapids. Disse que queria passar por aqui para me visitar, então eu disse a ela que tudo bem. Eu avisei a Rita e ela chegou aqui ontem, logo depois do almoço. Foi uma espécie de surpresa.”



“Eu dirigi por todo o Texas,” disse Rita.

“Quando foi a última vez que falou com Delores?” Ellington perguntou Rita.

“Cerca de três semanas atrás. Geralmente mantemos uma boa frequência de contato.”

“Qual era o seu estado de espírito na última vez que conversaram?” Perguntou Mackenzie.

“Ah, ela estava nas nuvens. Ela tinha acabado de assinar um contrato de mais três livros com o seu editor. Nós fizemos planos de sair na cidade para bebermos da próxima vez ela estivesse no Texas.”



Você é uma estudante, estou certo?” Perguntou Ellington.

"Sim. Veterana.”



‘“Mrs. Manning,” Mackenzie disse, certificando-se de que a mãe sabia que ela estava sendo questionada, e não a filha, “se você não se importar, não me parece muito incomodada com o acontecido.”



Ela encolheu os ombros, exalou um bocado de fumaça, e depois apertou o toco de cigarro no cinzeiro transbordante. “Será que alguém do FBI sabe mais sobre como eu deveria me sentir sobre algo assim do que eu?”

“Eu não disse isso, senhora”, disse Mackenzie.



“Olhe… Estamos falando de Delores aqui. Ela tem uma boa cabeça. Tenho certeza de que ela chamou a seguradora Triple A ou alguma merda dessas quando os pneus furaram. Ela, provavelmente, já está a meio caminho de volta para Nova York agora. Ganhando dinheiro, viajando pelo país. Se ela estivesse com algum tipo de problema, teria ligado.”



“Então, será que ela não teria ficado com vergonha de pedir a sua ajuda?”

Tammy realmente pensou sobre isso por um minuto. "Provavelmente não. Ela teria pedido ajuda e, em seguida, feito o inferno se eu fizesse uma única pergunta. É exatamente como ela age.”



O ressentimento em sua voz era quase tão denso quanto a fumaça no ar que se espalhava por todo o minúsculo trailer.



“Então, você não tem ideia de onde ela poderia estar?” Perguntou Ellington.

"Nenhuma. Onde quer que ela seja, ela não se incomodou em me ligar para avisar. Mas isso não é uma grande surpresa. Ela nunca me disse muita coisa a seu respeito.”



“Sei,” disse Ellington. Ele olhou ao redor da sala com uma careta. Mackenzie poderia dizer que ele estava pensando a mesma coisa que ela: Desperdiçamos uma hora e dez minutos de carro para conseguirmos isso.



Mackenzie olhou diretamente para Rita, atualmente um pouco chateada com a falta de ajuda de Tammy. “Temos o DP de Bent Creek neste caso, bem como agentes de dois escritórios diferentes. Pelo que sabemos, ela está desaparecida há cerca de vinte e nove horas. Nós entraremos em contato quando soubermos de algo.”



Rita deu um aceno e um leve “Obrigada.”

Ambos, Mackenzie e Ellington pararam um pouco para dar à Tammy a chance de acrescentar alguma coisa. Quando ela não fez nada mais do que acender outro cigarro e procurar o controle remoto da TV na mesa de café, Mackenzie se dirigiu para a porta.



Quando ela saiu, ela respirou o ar fresco profundamente e foi direto para o carro. Ela já estava abrindo a porta do lado do passageiro quando Ellington finalmente desceu os degraus.

“Você está bem?” Perguntou quando ele se aproximou do carro.



“Eu estou bem,” disse ela. “Eu só não tolero as pessoas que não têm nenhuma preocupação com a segurança dos que são sangue do seu sangue.”



Ela estava prestes a entrar no carro quando a porta da frente do trailer de Tammy Manning abriu. Ambos assistiram como Rita desceu as escadas em uma pequena corrida rápida. Ela veio até o carro e soltou um suspiro trêmulo.



“Meu Deus, eu sinto muito,” disse ela. Mackenzie viu que Rita também parecia estar respirando muito mais facilmente agora que ela estava do lado de fora da casa. “As coisas entre a mamãe e Delores não estão boas desde que o meu pai morreu. E então, quando Delores tornou-se uma escritora promissora, foi quase como uma ofensa para a mamãe.”



“Você não tem que explicar problemas pessoais,” disse Ellington. “Vemos isso de vez em quando.”



“Seja honesta comigo… Essa situação da Delores… Você acha que ela será encontrada? Você acha que ela poderia estar morta em algum lugar por aí?”

“É muito cedo para sabermos,” disse Mackenzie.



“É… Bem, houve alguma armadilha ou jogo sujo?”



Mackenzie se lembrou do vidro pintado com spray. Ela tinha certeza de que ela ainda tinha alguns dos flocos pretos de tinta embaixo de suas unhas. Mas era muito cedo no curso dos acontecimentos para dar essa informação aos familiares—até que mais informações possam ser obtidas.



“Mais uma vez, nós simplesmente não podemos saber com certeza ainda,” disse ela.

Rita balançou a cabeça. “Bem, obrigada por nos informar. Quando vocês encontrarem alguma coisa, é só me chamar diretamente. Esqueça a minha mãe, para enquanto. Eu não sei qual é o problema dela. Ela… Eu não sei.



Uma mulher envelhecida que deixou a vida derrubá-la e nunca se preocupou em ficar de pé novamente.”

Ela deu-lhes o seu número e depois, lentamente, voltou a subir as escadas. Ela deu-lhes um adeus rápido quando Ellington saiu do estacionamento e voltou através da área de trailers.



Então, o que você acha?” Perguntou Ellington. “Esta foi uma viagem desperdiçada?”

“Não. Eu acho que agora sabemos o suficiente sobre Delores para saber que ela teria ligado se seus planos tivessem mudado.”

“Como você sabe disso com tanta certeza?”



“Eu não sei, com certeza. Mas pelo que eu peguei da Tammy e da Rita, Delores estava tentando se reconectar com sua família. Rita disse que havia uma relação tensa entre elas. Eu não acho que Delores teria tido o trabalho de ligar para perguntar se poderia fazer uma visita se não houvesse a esperança de reconciliação. E, se esse for o caso, ela certamente teria ligado se os planos tivessem mudado.”



‘Talvez ela mudou de ideia.’

“Eu duvido. Filhas e mães… Quando se desentendem… É difícil. Delores não teria feito o todo esse movimento de ligar para a mãe para depois voltar atrás.”



“Você está analisando isso como uma psiquiatra,” disse Ellington. “Isso é impressionante.”



Mackenzie mal notou o elogio. Ela estava pensando em sua mãe—uma mulher com a qual ela não falava a muito tempo. Era fácil forçar um relacionamento que era suposto ser fundamental para a vida de uma mulher. Ela sabia tudo sobre mães que deixavam seus filhos para baixo, então ela pode relacionar isso à Delores.



Perguntou-se se Delores Manning estava pensando em sua mãe naquele período de desespero. Isso, é claro, se Delores Manning ainda estivesse viva.




CAPÍTULO SEIS


Mackenzie sabia que o escritório do FBI mais próximo de Bent Creek estava em Omaha, Nebraska. O pensamento de voltar a Nebraska em uma situação oficial era intimidante, mas ao mesmo tempo, quase conveniente. Ainda assim, ela ficou aliviada quando Heideman ligou para informá-los de que a base atual de operações para o caso seria o departamento de polícia de Bent Creek.



Ela e Ellington chegaram pouco depois das seis naquela noite. Enquanto caminhava em direção às portas da frente do local designado com Ellington, os sentimentos de como era trabalhar como uma mulher responsável pela aplicação da lei no centro-oeste voltaram a assombrá-la. Era quase de um jeito misógino a forma como alguns dos homens de uniforme olhavam para ela. A mudança de roupas e o título que ela portava aparentemente não tinham efeito algum. Os homens ainda olhavam para ela como alguém de segunda classe.



A única diferença agora era que ela não dava a mínima se ofendesse alguém ou se ferisse seus sentimentos. Ela foi para lá enviada pelo FBI para ajudar uma pequena e inexperiente força policial a entender quem estava sequestrando mulheres nas estradas vizinhas. Ela não seria tratada da mesma maneira que ela tinha sido a última vez que trabalhou no centro-oeste como uma detetive da Polícia do Estado de Nebraska.



Logo ela descobriu que parte de suas suposições sobre entrar naquele lugar estavam erradas. Talvez a mudança de título e reputação significava alguma coisa. Quando foram escoltados de volta para a sala principal de conferência, ela viu que o DP local tinha encomendado comida chinesa para eles. Ela estava espalhada em um pequeno local para se tomar café, nos fundos da sala, junto com algumas garrafas de dois litros de bebidas e salgadinhos.



Thorsson e Heideman já estavam apreciando o jantar oferecido, retirando porções de macarrão lo mein e frango ao molho de laranja e colocando em seus pratos. Ellington encolheu os ombros olhando para ela como se dissesse: e agora? e se dirigiu para mesa também. Ela fez o mesmo que algumas outras pessoas dentro e fora da sala. Enquanto ela estava sentada na mesa de conferência com uma porção de frango com gergelim e rangum de caranguejo, um dos oficiais que ela viu na borda da State Route 14 aproximou-se dela e estendeu a mão. Mais uma vez, ela viu o distintivo e o reconheceu como sendo o xerife.



“Agente White, Certo?” Perguntou ele.

“Sou eu.”

“Prazer em conhecê-la. Sou Xerife Bateman. Ouvi dizer que você e seu parceiro foram perto de Sigourney para falar com a mãe da vítima mais recente. Nenhum resultado?”



“Nada. Apenas uma potencial fonte de informação para tirármos da lista. E uma boa confirmação de que não estamos lidando com um caso de uma filha que simplesmente decidiu não ligar para a mãe quando seus planos mudaram.”



Claramente desapontado com isso, Bateman balançou a cabeça e voltou-se para a frente da sala onde dois outros oficiais estavam conversando.



Quando Ellington pegou um assento ao lado de Mackenzie, os dois olharam para a frente da sala. Um homem que tinha anteriormente se apresentado como o substituto de Wickline estava colocando fotos e impressões em um quadro branco com imãs. Outra oficial—a única outra mulher na sala—estava escrevendo uma série de anotações ao longo do outro lado do quadro.



“Parece que eles fazem um trabalho eficiente por aqui,” disse Ellington.

Ela estava pensando a mesma coisa. Ela chegou imaginando que esse lugar seria uma zona, assim como era o DP de Nebraska quando ela trabalhava lá. Mas, até agora, ela estava impressionada com a forma como o DP de Bent Creek organizava as coisas.



Alguns minutos depois, o xerife Bateman conversou os oficiais perto do quadro e conduziu os dois oficiais do sexo masculino para fora da sala. A mulher ficou e sentou-se à mesa. Bateman fechou a porta e foi para a frente da sala. Ele olhou em volta para os quatro agentes do FBI e três oficiais restantes na sala.



“Pedimos este jantar porque eu não tenho ideia de quanto tempo ficaremos aqui,” disse ele. “Nós geralmente não temos tanta presença de pessoas do FBI em Bent Creek, por isso esta situação é nova para mim. Então, por favor, Agentes, deixe-me saber se há alguma coisa que podemos fazer para tornar as coisas mais fáceis. Agora, eu deixarei isso nas mãos de vocês, Agentes.”



Ele se sentou, deixando Ellington e Thorsson dar uma rápida olhada confusa um para o outro. Thorsson sorriu e apontou para a frente da sala, passando a responsabilidade para os Agentes de DC.



Ellington cutucou Mackenzie levemente por debaixo da mesa quando disse: “Sim, então a Agente White nos passará as informações que temos até agora, bem como quaisquer teorias que temos sobre o caso.”



Ela sabia que ele estava tentando zoar com a cara dela, fazendo aquilo, mas ela não se importava. Na verdade, uma pequena e egoísta parte dela queria estar na frente da sala. Talvez fosse alguma fantasia de vingança feminina, de voltar á esta parte do país e liderar uma reunião em uma sala de conferências de uma maneira que ela nunca tinha sido autorizado a fazer em Nebraska. Seja qual for a razão, ela foi até a frente da sala e deu uma rápida olhada para o quadro que tinha sido colocado ali.



“O trabalho que seus oficiais fizeram aqui,” disse ela apontando para o quadro, “praticamente conta toda a história para mim. A primeira vítima era uma residente de Bent Creek. Naomi Nyles, quarenta e sete anos de idade. Ela foi dado como desaparecida por sua filha e foi vista pela última vez há duas semanas. Seu carro foi encontrado ao lado da estrada em bom estado. Acredito que oficiais dentro deste mesmo edifício foram capazes de, com facilidade, trazer o carro até aqui.”



‘Correto,’ Wickline disse. “O carro ainda está no pátio de apreensão, na verdade.”



“A segunda pessoa desaparecida tem vinte e seis anos de idade, Crystal Hall. Seu chefe era Wrangler Beef em Des Moines e eles confirmaram que ela foi enviada para uma fazenda de gado nos arredores de Bent Creek. O proprietário da fazenda confirmou que Cristal apareceu para uma reunião planejada e deixou a propriedade pouco depois das cinco da tarde. O histórico de seu cartão de crédito mostra que ela comprou o seu jantar no Subway de Bent Creek às cinco e cinquenta e dois.” Ela apontou para onde um dos oficiais já tinha anotado essas informações no quadro.



“A pergunta que não quer calar,” Bateman disse, “ quando ela foi sequestrada? O carro dela não foi descoberto até cerca de uma e meia da manhã. Para alguém não reparar no seu carro ou pelo menos reportá-lo, mesmo na State Route 14, significa que há uma boa chance de que ela estivesse em outro lugar na cidade antes de voltar para casa. Eu duvido seriamente que alguém teria sido ousado o suficiente para levá-la entre seis e meia e sete e meia. E se eles foram ousados assim…



“Ele parou aqui, como se não gostasse de como ele deveria terminar o comentário. Então, Mackenzie tomou a liberdade e terminou o comentário para ele.



“Então, isso significa que ele seria alguém familiarizado com a área,” disse ela. “Particularmente familiarizado com os padrões de tráfego na State Route 14. No entanto, o perfil para esse tipo de cara não se alinha com algo tão ousado. Ele se esconde na escuridão. Ele age sorrateiramente. Não há nada explícito sobre a maneira desse cara agir.”



Bateman balançou a cabeça concordando, com os olhos arregalados e um sorriso no rosto. Ela já tinha visto esse olhar antes. Era o olhar de um homem que não só estava impressionado com a forma como ela pensava, mas apreciava isso.



Ela viu o mesmo olhar no rosto da policial e de um homem obeso que estava na borda da mesa, ainda aproveitando o jantar gratuito. Wickline estava balançando a cabeça durante o seu comentário, rabiscando anotações em um bloco de notas.



“Xerife,” Ellington disse: “Temos alguma ideia da média de tráfego que passa por essa estrada naquela hora do dia?”



“Um monitoramento de tráfego sancionado pelo Estado e um relatório de 2012 estimaram que entre seis da tarde e meia-noite, há uma média de cerca de oitenta veículos que passam pela rodovia State Route 14. Realmente não é uma estrada muito movimentada. Mas lembre-se, apenas a autora e Crystal Hall foram levadas da 14. A primeira pessoa desaparecida, Naomi Nyles, foi sequestrada da rodovia County Road 664.”



‘E como é o tráfego lá durante essa hora do dia?’ Mackenzie perguntou.

“Quase nenhum carro,” disse Bateman. “Eu acho que o número era de cerca de vinte ou trinta. Wickline, é isso mesmo?”

“Parece que é isso mesmo,’ disse Wickline.



“E por falar na autora,” Mackenzie continuou. “Delores Manning, trinta e dois anos. Ela vive em Buffalo, mas tem familiares em Sigourney. Seus pneus foram furados por cacos de vidro que estavam na estrada. O vidro é muito grosso e tinha sido pintado de preto para impedir que brilhassem com a luz dos faróis. Seu agente informou que ela estava desaparecida cerca de meia hora depois que seu carro foi descoberto por um caminhão passando volta das duas da manhã. O Agente Ellington e eu falamos com a mãe e a irmã dela hoje e elas não forneceram nenhuma pista sólida. Na verdade, parece que não há nenhuma pista sólida em qualquer um desses desaparecimentos. E, infelizmente, isso é tudo o que temos.”



‘Obrigado, Agente White,” disse Bateman. “Então, para onde vamos a partir daqui?”



Mackenzie sorriu um pouco e acenou para a comida chinesa sobre a mesa nos fundos. “Bem, é uma coisa boa o que você planejou. Eu acho que o melhor para começarmos é buscar quaisquer desaparecimentos não resolvidos dentro de um raio de cento e sessenta quilômetros ao longo dos últimos dez anos.”



Ninguém se opôs, mas os olhares nos rostos de Bateman, Wickline e dos outros oficiais disseram o suficiente. A policial encolheu os ombros em sinal de derrota e levantou a mão obedientemente. “Eu posso conseguir em documentos e puxar tudo isso,” disse ela.



“Bom, Roberts,” disse Bateman. “Você pode ter esses resultados para nós em uma hora? Pegue alguns dos papéis lá da frente para ajudar.”

Roberts levantou-se e saiu da sala de conferência. Mackenzie notou que Bateman observou-a um pouco mais do que os outros homens na sala.



“Agente White,” disse Bateman. “Por acaso você tem alguma ideia de que tipo de suspeito devemos procurar? Em uma pequena cidade como Bent Creek, o quanto mais rápido pudermos excluir pessoas da lista de suspeitos, mais rápido poderemos indicar para vocês o tipo de pessoa que vocês estão procurando.”



“Sem pistas de qualquer espécie, pode ser difícil de identificar,” disse Mackenzie. “Mas até agora, há certas coisas que podemos supor. Agente Ellington, gostaria de assumir nesta parte?”



Ele sorriu para ela dar uma mordida em um enrolado de ovo. “Por favor, continue. Você está indo muito bem.”



Foi um vai-e-vem estranho entre eles que ela esperava não ser tão óbvio para os outros na sala. Ela estava tentando mostrar respeito—mostrar para ele que ela não estava tentando liderar o show. Mas ele, por sua vez, não estava nem aí. Por enquanto, parecia que ele quase apreciava o fato de que ela estava assumindo a liderança.



“Em primeiro lugar,” disse ela, fazendo o seu melhor para não ser descartada, “o suspeito é quase com certeza um local. Sua capacidade de estudar os padrões de tráfego ao longo destas estradas vizinhas mostra um tipo rigoroso de paciência que torna o perfil dele um pouco mais fácil de ser analisado. Se o suspeito passou por tantos problemas para raptar estas mulheres, logo os casos passados envolvendo rapto e sequestro sugerem que ele não está levando essas mulheres para matá-las. Como eu disse, ele parece ser sorrateiro. Tudo o que sabemos sobre ele—atacar quando elas estão vulneráveis, no escuro e aparentemente planejando as ações—demonstra a ação de um homem com tendências não-violentas. Afinal, qual é o propósito de meticulosamente planejar um sequestro apenas para matar as vítima mais tarde? Isso indica que ele está agrupando essas mulheres, por falta de um termo melhor.”



‘Sim,’ Roberts, a policial, disse. “Mas agrupá-las para quê, exatamente?”

“É terrível supor que é uma coisa sexual?” Perguntou o substituto de Wickline.



“Nem um pouco,” disse Mackenzie. “Na verdade, se o nosso suspeito é tímido, isso é mais um item favorável a isso no perfil dele. Homens tímidos que vão atrás de mulheres, de tal forma, são geralmente muito tímidos ou com dificuldades de socialmente se relacionar com as mulheres. É geralmente o caso de estupradores que fazem de tudo para não ferir as mulheres.”



Ela ganhou um pouco mais desses olhares de admiração das pessoas da sala. Mas, dado o assunto que estava sendo discutido, ela não poderia apreciar o momento.

“Mas não podemos ter certeza disso?” Perguntou Bateman.



“Não,” disse Mackenzie. “E é aí que a pressão recai sobre nós. Esse não é apenas um assassino que estamos esperando atacar novamente. Este homem é psicótico e perigoso. Quanto mais tempo levar para encontrá-lo, mais tempo ele tem que fazer o que quiser com essas mulheres.”




CAPÍTULO SETE


Cheios de comida chinesa e um monte de informações sobre os três sequestros, Mackenzie e Ellington deixaram o DP de Bent Creek às 21:15 . O único hotel na cidade—o Hotel 6, que parecia que não tinha sido pintado, decorado ou cuidado desde os anos 80—estava a cinco minutos de distância. Não foi nenhuma surpresa encontrar dois quartos vagos, que eles reservaram para aquela noite.



Quando eles deixaram o escritório e saíram noite a dentro, Mackenzie olhou ao redor do estacionamento. Bent Creek realmente era uma cidade muito pequena. Era tão pequena, na verdade, que os empresários aparentemente trabalharam em conjunto para assegurar uma utilização eficiente do espaço. Isso ficou evidente no fato de que havia um pequeno bar do outro lado do estacionamento do Hotel 6. Faz sentido, pensou Mackenzie. Qualquer um que precisasse ficar em um hotel de beira de estrada em Bent Creek, provavelmente, precisaria de uma bebida.



Ela certamente poderia tomar um.

Ellington deu um tapinha nas costas dela e foi na direção do bar. “É por minha conta,” disse ele.



Ela estava começando a apreciar o humor seco e bastante básico que existia entre eles. Ambos sabiam que houve um constrangimento inconstante entre eles, mas já tinha sido enterrado. Para contornar a situação, eles criaram uma tentativa de amizade com base em seus empregos—empregos que insistiam em fazê-los pensar logicamente e abordar as coisas com uma atitude sem sentido. Até agora, estava funcionando muito bem.



Ela se juntou a ele enquanto cruzavam o estacionamento e quando entraram no bar— chamado sem originalidade de Bent Creek Bar—a escuridão da noite foi substituída por uma espécie esfumaçada e úmida de penumbra que só existia em bares de pequenas cidades e botecos de música country. Uma velha canção de Travis Tritt estava tocando em uma jukebox empoeirada no canto do estabelecimento quando eles se sentaram perto do balcão do bar. Ambos pediram cervejas e, como a visita ao bar tinha sido sua sugestão, Ellington de alguma forma foi direto para os assuntos de trabalho.



“Eu acho que vale a pena investigarmos essas estradas fora da State Road 14,” ele disse.

“Concordo,” disse ela. “Acho estranho não terem sido mencionadas em nenhuma das anotações que os policiais colocaram naquele quadro.”



“Talvez eles não fizeram isso apenas porque conhecem a geografia local melhor do que nós,” Ellington sugeriu. “Pelo que sabemos, seriam pequenos caminhos empoeirados que terminam como becos sem saída. Algum motivo para você não ter perguntado sobre elas enquanto estava no comando da reunião na sala de conferências?”



‘Eu quase fiz isso,’ disse ela. “Mas eles juntaram tudo tão bem… Eu não queria ser uma pedra no sapato deles. Essa coisa toda de um departamento de polícia cooperativo tentando fazer o melhor possível para nós é algo novo para mim. Eu chegarei nesse ponto amanhã. Se fosse crucial ou importante, eles teriam verificado ou, pelo menos, mencionado isso para nós.”



Ellington assentiu e tomou um gole de cerveja. “O inferno, eu quase me esqueci,” disse ele. “Fiquei triste pra caramba sobre o Bryers. Eu só trabalhei com ele algumas vezes e não foi de uma forma muito próxima. Mas ele parecia ser um homem verdadeiramente agradável. Um um Agente bom pra caramba, também, pelo que ouvi.”

‘Sim, ele era impressionante,’ disse Mackenzie.



“Eu não sei se você gostaria de saber isso ou não,” disse Ellington, “mas havia um pouco de controvérsia sobre colocar você com ele quando entrou. Bryers era algo como uma pedra preciosa. Um dos melhores. Mas quando a ideia foi dada a ele, ele foi totalmente a favor. Eu acho que, no fundo, ele sempre quis ser um mentor. E acho que ele teve uma boa pessoa para fazer a sua primeira tentativa.”



‘Obrigada,’disse ela. “Mas eu não sinto que já provei isso, ainda.”

“Por que não?”



“Bem… Eu não sei. Talvez essa sensação chegará quando eu conseguir resolver um caso sem deixar o McGrath chateado comigo sobre alguma coisa ou detalhe.”



“Ele só faz isso porque ele espera muito de você. Você veio como um pavio de uma dinamite que já tinha sido acesa.”

“É por isso que ele me colocou em parceria com você agora?”



“Não. Eu acho que ele só me quis nisso por causa da minha conexão com o escritório de campo de Omaha. E entre você e eu e mais ninguém, ele quer que você tenha sucesso neste caso. Ele quer que você arrase desta vez. Comigo a bordo, você não será capaz de recorrer a um de seus finais solo, tão propensos.”



Ela queria discutir esse ponto, mas ela sabia que ele estava certo. Então, ao invés disso, ela bebeu sua cerveja. A jukebox agora estava tocando Bryan Adams e sabe-se lá o motivo, ela estava pedindo a sua segunda cerveja.



“Então me diga,” disse Mackenzie. “Se eu não estivesse nisso com você, como você estaria lidando com a situação? Quais seriam as suas abordagens?”



“Igual a você. Trabalhando em estreita colaboração com o DP e tentando fazer amigos. Fazendo anotações, apresentando teorias.”

‘E você tem alguma?’ Ela perguntou.



“Nada que você já não tenha exposto naquela sala de conferências. Acho que estamos no rumo certo… Pensando nesse cara como um tipo de colecionador. Um solitário tímido. Eu me sinto muito seguro em dizer que ele não está levando essas mulheres apenas para matá-las. Eu acho que você está absolutamente correta em todos os pontos.”



‘A única coisa que não sai da minha cabeça,’ Mackenzie disse,‘é ficar pensando em todas as possíveis razões para ele sequestrar e coletar mulheres.’

“Você notou que o xerife Bateman manteve uma policial feminina na sala o tempo todo?” perguntou Ellington.



"Sim. Roberts. Eu achei que era para manter a conversa centrada nos fatos e não em especulações. Especulações sobre por que o suspeito manteria consigo as mulheres. Falar sobre estupro e abuso sexual é um pouco mais fácil quando não há uma mulher ao redor.”



“Esse tipo de coisa te incomoda?” Ellington  perguntou.



“Costumava incomodar. Infelizmente, de tanto lidar com casos assim eu já fiquei calejada. Isso não me incomoda mais.” Não era cem por cento verdade, mas ela não queria que Ellington soubesse disso. A verdade era que, muitas vezes, esse tipo de coisa a levava a ser e fazer o melhor possível.



“Chato, não é?” Ele perguntou. “Essa parte da natureza humana que nos torna insensíveis às coisas como esta?”

‘Sim, é,’ disse ela. Ela se escondeu atrás de sua cerveja por um momento, um pouco chocada por Ellington ter dado esse passo, ter tocado nesse assunto tinha sido um pequeno passo para ele, mas isso também demonstrou um certo grau de vulnerabilidade.



Ela terminou sua cerveja e deslizou o copo para a borda do balcão. Quando o Bartender veio, ela acenou para ele. “Parei,” disse ela. Então, voltando-se para Ellington, ela disse: “Você disse que era a sua vez, certo?”



“Sim, entendi. Espere um segundo e eu vou levá-la para o seu quarto.”

A leve emoção que ela sentiu com este comentário foi embaraçosa. Para parar aquilo antes mesmo de aproveitá-la, ela balançou a cabeça. “Não é necessário,” disse ela. “Eu sei cuidar de mim.”



“Eu sei,” disse ele, deslizando o seu próprio copo vazio em direção à borda do balcão. “Outro para mim,” ele disse para o barman.



Mackenzie acenou para ele já se levantando para sair. Enquanto caminhava pelo estacionamento, uma parte pequena e ansiosa dela não conseguia evitar se perguntar como seria caminhar de volta para o hotel com Ellington ao seu lado, empurrados pela incerteza que os aguardavam quando as portas fossem fechadas e as cortinas também.


***

Levou menos de vinte minutos para a chama de luxúria diminuir. Como de costume, ela usou o trabalho para se distrair de tais iscas. Ela abriu seu laptop e foi diretamente para o seu e-mail. Lá, ela encontrou vários e-mails que foram enviadas para ela pelo DP de Bent Creek durante a última metade do dia—mais um jeito de começarem a mimá-la, sem dúvida.



Eles tinham fornecido mapas da área, os relatórios das únicas quatro pessoas desaparecidas dentro da área ao longo dos últimos dez anos, a análise de tráfego conduzida pelo estado de Iowa em 2012, e até mesmo uma lista de todas as prisões feitas nos últimos cinco anos que envolviam indivíduos com história de agressão. Mackenzie se debruçou sobre tudo isso, levando um pouco mais de tempo para analisar os quatro casos de pessoas desaparecidas.



Dois deles devem ter sido fugas e depois de ler os relatórios, Mackenzie concordou. Ambos poderiam ser usados como um meio para adolescentes angustiados cansados da vida na pequena cidade, para sair de casa mais cedo do que os seus pais teriam gostado. Um deles era de uma menina de quatorze anos de idade, que tinha na verdade contactado a família dela há dois anos para avisar que ela estava vivendo muito confortavelmente em Los Angeles.



Os outros dois eram um pouco mais difíceis de entender, no entanto. Um caso envolvia um menino de dez anos que tinha sido raptado de um parquinho da igreja. Ele tinha desaparecido há três horas antes de alguém sequer notar o ocorrido. Fofocas locais sugeriram que foi a avó que o levou por causa de uma situação familiar complicada. O drama familiar, além do gênero e idade da vítima, fez Mackenzie duvidar se havia alguma conexão com os sequestros atuais.



O quarto caso era mais promissor, mas ainda parecia um pouco fraco como pista. A primeira bandeira vermelha foi levantada quando ela viu que esse caso envolveu um acidente de carro. Em 2009, Sam e Vicki McCauley perderam o controle do carro e saíram da estrada durante uma tempestade de granizo. Quando a polícia e a ambulância chegaram, Sam estava quase morto, e morreu a caminho do hospital. Ele implorou para saber como sua esposa estava. Pelo que eles sabiam, Vicki McCauley havia sido jogada para fora do veículo, mas seu corpo nunca foi encontrado.



Mackenzie olhou o relatório duas vezes e não conseguiu encontrar descrições do que fez o carro deixar a estrada. O termo condições de granizo foi usado várias vezes, isso era uma boa causa, mas Mackenzie pensou que seria uma boa ideia ir mais a fundo. Ela foi leu o relatório várias vezes e depois releu o relatório de Delores Manning. O fato de que houve um acidente de carro parecia ser a única ligação entre os dois.



Ela, então, mudou de marcha e tentou entrelaçar as atuais três vítimas a esses cenários. Era quase impossível, no entanto. Os dois casos inexplicáveis foram tidos como fugas e enquanto ambos eram do sexo feminino, isso deixava muitas opções em aberto. Mais do que isso, as três vítimas atuais foram retiradas de seus carros. Talvez porque ficar com um carro quebrado na beira da estrada seja uma ocorrência bastante comum. Estava muito longe de ser uma fuga adolescente. Isso simplesmente não se encaixa.



Esse cara não quer fugitivos ou adolescentes problemáticos que saem correndo para fugir da mãe e do pai. Ele vai atrás de mulheres. Mulheres que estão, por alguma razão, fora de seus carros durante a noite. Talvez ele perceba a esperança que inspira nas pessoas—mulheres especialmente.



Por outro lado, porém, foi o fato de que ela sabia que a maioria das mulheres esperaria o pior de um homem estranho na beira de uma estrada. Especialmente se seus carros estivessem estragados e em meio à escuridão.

Talvez elas conheçam ele, então…



Parecia ser uma extensão, também. A partir das informações que se reuniram de Tammy e Rita Manning, Delores provavelmente não conhecia ninguém em Bent Creek.



Ela voltou para o caso de McCauleys, principalmente porque era o único com maior semelhança com ele. Ela puxou o e-mail de volta para cima e abriu o e-mail mais recente do DP de Bent Creek. Ela respondeu a ele e escreveu:



Muito obrigado pela ajuda. Fiquei me perguntando se eu poderia obter algumas outras informações o mais rápido possível. Gostaria de obter uma lista de membros da família de  McCauleys que vivem dentro de um raio de oitenta quilômetros, juntamente com informações de contato. Se vocês tiverem o telefone do agente de Delores Manning, será ótimo também.



Sentia-se quase preguiçosa solicitando as informações de tal forma. Mas se eles estavam oferecendo ajuda tão facilmente, ela usaria o DP de Bent Creek como um recurso tanto quanto ela pudesse.



Com isso feito, Mackenzie abriu outro arquivo… Um arquivo que ela tinha conseguido arrumar e não ficar obcecado com ele por já quase três semanas. Abriu o arquivo, passou através dos arquivos e puxou uma única fotografia.



Era um cartão de visita com o nome de seu pai rabiscado no verso. No outro lado, mostrado em outra foto, havia um nome de empresa em negrito: Barker Antiguidades: Artigos Colecionáveis Raros Novos e Antigos.



E foi isso. Ela já sabia que tal lugar não existia—não que ela ou o FBI soubessem—o que tornava a situação ainda mais frustrante. Ela olhou para o cartão e sentiu um arranco em seu coração. Ela estava a cerca de duas horas e meia de distância do local onde seu pai tinha morrido e talvez três horas de distância de onde o cartão de visita da foto tinha sido encontrado—quase vinte anos após a morte de seu pai.



Não era o caso dela… Na verdade, não. McGrath lhe deu por baixo dos panos uma permissão para ajudar quando pudesse, mas até agora, o caso permanecia frio. Ela pensou em Kirk Peterson, o detetive que tinha descoberto as novas pistas que tinham reaberto o caso de seu pai. Ela quase ligou para ele, mas percebeu que já eram 23:45. E, além disso, sobre o que eles falariam além do silêncio nos casos atuais e no reaberto?



Mas ela precisava ligar para ele. Talvez depois deste caso, quando ela pudesse dar ao Peterson e ao caso toda a sua atenção. Já era hora de se livrar disso.



Ela se preparou para a cama, escovando os dentes e vestindo uma calça fina de moletom e uma camiseta. Pouco antes de se acomodar na cama, ela verificou seu telefone uma última vez para ver se havia novos  e-mails recebidos mais tarde.



Ela viu que o seu pedido via e-mail para obter informações do DP de Bent Creek já havia sido respondido, tendo chegado em apenas dezessete minutos depois que ela escreveu. Ela adicionou a informação em seus arquivos e fez uma programação mental para o dia seguinte. Ela, então, finalmente, permitiu-se desligar as luzes e ir para a cama.



Ela não gostava de terminar um dia e apagando as luzes com questões não respondidas. Era uma sensação perturbadora que ela sentia que nunca iria se acostumar com ela. Mas ela tinha se adaptado a isso muito tempo atrás, encontrando uma maneira de dormir algumas horas intermitentes, enquanto as respostas às suas perguntas se escondiam na escuridão da noite confortavelmente fora de seu alcance.




CAPÍTULO OITO


Mackenzie tinha acabado de se vestir quando alguém bateu na porta de seu quarto no hotel. Ela olhou através do olho mágico e viu Ellington parado lá. Ele estava segurando uma pequena caixa de papelão com duas xícaras de café no topo. Ela abriu a porta e o deixou entrar, não tendo um sentimento claro sobre ele estar pronto antes dela. Ela sempre se orgulhava de sua rapidez e sua tendência a chegar mais cedo. Parecia que ela tinha agora um competidor nessa área.



“Estou interrompendo o fluxo matinal complicado de uma mulher se arrumando?”, Brincou ele enquanto colocava a caixa e os cafés na pequena mesa ao lado da cama já arrumada.

“Não, eu já terminei,” disse ela, pegando o café com prazer.



Ellington abriu a caixa e revelou meia dúzia de donuts. “Claro, isso é um clichê,” disse ele. “Mas droga… Há alguma coisa melhor do que donuts?”

Em resposta, ela pegou um e deu uma mordida.

“Então, como será o dia de hoje?” Perguntou.

“Por que você está me perguntando?”



Ele encolheu os ombros e pegou seu próprio donut. “Vamos direto ao ponto, White. Eu sei o suficiente sobre você para deduzir que você trabalha melhor quando está no controle. Isso não quer dizer que você não é uma boa parceira. Mas fatos são fatos. Não tenho nenhum problema em deixar você liderando as coisas aqui. Eu quero ver você brilhar tanto quanto McGrath. Então, repito a minha pergunta: Como será o dia de hoje?”



“Bem, eu olhei os casos de pessoas desaparecidas nos últimos dez anos na noite passada,” Mackenzie respondeu. “Há apenas um caso que vale a pena ser analisado—um acidente de carro durante uma tempestade de gelo, onde uma mulher foi jogada para fora do carro e seu corpo nunca foi encontrado. Vicki McCauley.”



“Há quanto tempo foi isso?” Perguntou Ellington.

“Aconteceu em 2009. Eu tenho a informação de que há um único membro da família na região e acho que pode valer a pena investigar isso. Eu também quero ligar para o agente de Delores Manning. Talvez ele saiba de detalhes pessoais sobre a vida dela que podem nos ajudar. O fato de que Manning tem família tão perto das áreas onde os desaparecimentos estão ocorrendo me faz pensar que pode valer a pena investigar a sua vida pessoal.”



“Bem, então, vamos lá,” disse Ellington.

Mackenzie olhou seu telefone e viu que eram 7:50. Ela sorriu para ele e tomou um gole de seu café. Era preto, e ela normalmente não tomava esse tipo de café, mas também não iria reclamar.

“Você é uma pessoa matutina, hein?” Disse ela.



“Depende do caso. Quanto mais respostas há para se encontrar, mais fácil para mim é sair da

cama.”

“Bem, como nós temos zero respostas para este caso, eu acho que você acordou muito cedo esta manhã.”



Ele deu um aceno de cabeça e tomou um gole de café enquanto saíam do quarto para o estacionamento. Quando eles entraram no carro—Ellington no assento do motorista e Mackenzie já puxando o número do agente de Delores Manning—Mackenzie achou que Ellington estava engajado naquilo. Era um pouco mais fácil começar uma nova atividade quando não havia respostas à disposição. A sensação de que havia algo a ser descoberto lá fora que poderia levá-los às três mulheres desaparecidas fez a manhã parecer um pouco mais promissora. E isso a deixava ainda mais ansiosa para começar a trabalhar.


***

Quando Mackenzie ouviu Harriett Wheeler no telefone, ela soube imediatamente que ela tinha acordado aquela mulher. Wheeler, que foi a agente de Delores Manning nos últimos quatro anos, parecia cansada e irritadiça quando atendeu o telefone no quarto toque.

“Oi?”



“Oi, Senhora Wheeler. Sou a Agente Mackenzie White do FBI. Eu quero saber se poderia responder algumas perguntas para mim.”

“Sobre Delores, presumo?”



“Sim, sobre Delores. Peço desculpas por ligar tão cedo, mas tenho certeza que a senhora entende, o tempo urge.”

“Sim, eu entendo. Eu pulei no telefone agora porque eu estava esperando que fosse um policial ou talvez Delores para me dizer que tudo estava bem agora. Mas eu suponho que ela ainda está desaparecida, certo?”



“Sim. Sendo assim, qualquer nova informação que você puder fornecer vai nos ajudar a encontrá-la muito mais rápido.”

“Bem, eu já falei com a polícia.”

“Eu sei. A minha questão principal diz respeito às pessoas que Delores conhecia. Por exemplo, você sabia que sua família mora aqui em Iowa?”



“Sabia, mas ela nunca falou sobre eles. Eu tenho a sensação de que ela era uma espécie de vergonha de sua situação familiar.”

É fácil de acreditar nisso, pensou Mackenzie, recordando a visita ao estacionamento de trailers ontem.

“Alguém mais sabia que ela faria esta viagem?” Perguntou Mackenzie.



“Apenas as livrarias onde ela estava fazendo a sessão de autógrafos e o pessoal de RP. Mas eles estiveram aqui no escritório durante a última semana.”

“Quanto tempo Delores ficou fora viajando?”

“Quatro dias. Ela começou em Nebraska, em seguida, foi para Iowa, e então ela tinha uma sessão de autógrafos programada em Chicago. Depois disso, ele estaria de volta a Nova York.”



“Ninguém estava viajando com ela?”

“Não. Ela adorava dirigir sozinha nessas viagens. Teria sido a sua terceira jornada atravessando a  maior parte do país para fazer essas sessões. Tirando a tarefa de escrever, eu acho que essa era a sua parte favorita do trabalho.”




Конец ознакомительного фрагмента.


Текст предоставлен ООО «ЛитРес».

Прочитайте эту книгу целиком, купив полную легальную версию (https://www.litres.ru/pages/biblio_book/?art=43693391) на ЛитРес.

Безопасно оплатить книгу можно банковской картой Visa, MasterCard, Maestro, со счета мобильного телефона, с платежного терминала, в салоне МТС или Связной, через PayPal, WebMoney, Яндекс.Деньги, QIWI Кошелек, бонусными картами или другим удобным Вам способом.


