Adormecido 
Blake Pierce


Um Mistério de Riley Paige #14
Uma obra-prima de thriller e mistério! O autor fez um trabalho magnífico no desenvolvimento das personagens com um lado psicológico tão bem trabalhado que temos a sensação de estar dentro das suas mentes, sentindo os seus medos e aplaudindo os seus sucessos. A história é muito inteligente e mantém-nos interessados durante todo o livro. Pleno de reviravoltas, este livro obriga-nos a ficar acordados até à última página. Books and Movie Reviews, Roberto Mattos (re Sem Pistas) ADORMECIDO é o livro #14 da série de mistério de Riley Paige que começou com o bestseller SEM PISTAS (Livro #1) – um livro que pode descarregar gratuitamente com mais de 1000 opiniões de cinco estrelas! Depois de permanecer inativo durante 10 anos, um esquivo serial killer ataca novamente, deixando poucas pistas – e a única forma de a Agente Especial Riley Paige do FBI o apanhar no presente, é resolvendo os enigmas do passado. Mulheres estão aparecendo mortas e nesse thriller psicológico negro, Riley Paige percebe que está numa corrida contra o tempo. Os assassinatos do passado eram demasiado complexos para terem sido resolvidos. Será que Riley conseguirá resolver casos não resolvidos passados 10 anos? E ligá-los aos crimes que estão a ocorrer no presente?Quando Riley vê a sua vida pessoal em risco, jogar ao gato e ao rato com psicopata brilhante pode se revelar demasiado para ela. Especialmente porque há algo de errado com esse caso…Um thriller pleno de ação com suspense de cortar a respiração, ADORMECIDO é o livro #14 de uma nova série alucinante – com uma inesquecível nova personagem – que o obrigará a não largar o livro até o terminar. O Livro #15 da série de Riley Paige estará disponível em breve.





BLAKE PIERCE

ADORMECIDO (UM MISTÉRIO DE RILEY PAIGE—LIVRO 14)




Blake Pierce


Blake Pierce é o autor da série de enigmas RILEY PAGE, com doze livros (com outros a caminho). Blake Pierce também é o autor da série de enigmas MACKENZIE WHITE, composta por oito livros (com outros a caminho); da série AVERY BLACK, composta por seis livros (com outros a caminho), da série KERI LOCKE, composta por cinco livros (com outros a caminho); da série de enigmas PRIMÓRDIOS DE RILEY PAIGE, composta de dois livros (com outros a caminho); e da série de enigmas KATE WISE, composta por dois livros (com outros a caminho)


Como um ávido leitor e fã de longa data do gênero de suspense, Blake adora ouvir seus leitores, por favor, fique à vontade para visitar o site www.blakepierceauthor.com para saber mais a seu respeito e também fazer contato



Copyright© 2018 Blake Pierce. Todos os direitos reservados. Exceto como permitido sob o Copyright Act dos Estados Unidos de 1976, nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, distribuída ou transmitida por qualquer forma ou meios, ou armazenada numa base de dados ou sistema de recuperação sem a autorização prévia do autor. Este ebook está licenciado apenas para seu usufruto pessoal. Este ebook não pode ser revendido ou dado a outras pessoas. Se gostava de partilhar este ebook com outra pessoa, por favor compre uma cópia para cada recipiente. Se está a ler este livro e não o comprou ou não foi comprado apenas para seu uso, por favor devolva-o e compre a sua cópia. Obrigado por respeitar o trabalho árduo deste autor. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, empresas, organizações, locais, eventos e incidentes ou são o produto da imaginação do autor ou usados ficcionalmente. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou falecidas, é uma coincidência. Jacket image Copyright  Pavel Chagochkin, usado sob licença de Shutterstock.com.




LIVROS DE BLAKE PIERCE




SÉRIE UM THRILLER PSICOLÓGICO DE JESSIE HUNT


A ESPOSA PERFEITA (Livro #1)


O PRÉDIO PERFEITO (Livro #2)




SÉRIE UM THRILLER PSICOLÓGICO DE CHLOE FINE


A PRÓXIMA PORTA (Livro #1)


A MENTIRA MORA AO LADO (Livro #2)




SÉRIE UM MISTÉRIO DE KATE WISE


SE ELA SOUBESSE (Livro #1)


SE ELA VISSE (Livro #2)


SE ELA CORRESSE (Livro #3)




SÉRIE OS PRIMÓRDIOS DE RILEY PAIGE


ALVOS A ABATER (Livro #1)


À ESPERA (Livro #2)


A CORDA DO DIABO (Livro #3)


AMEAÇA NA ESTRADA (Livro #4)




SÉRIE UM MISTÉRIO DE RILEY PAIGE


SEM PISTAS (Livro #1)


ACORRENTADAS (Livro #2)


ARREBATADAS (Livro #3)


ATRAÍDAS (Livro #4)


PERSEGUIDA (Livro #5)


A CARÍCIA DA MORTE (Livro #6)


COBIÇADAS (Livro #7)


ESQUECIDAS (Livro #8)


ABATIDOS (Livro #9)


PERDIDAS (Livro #10)


ENTERRADOS (Livro #11)


DESPEDAÇADAS (Livro #12)


SEM SAÍDA (Livro #13)


ADORMECIDO (Livro #14)




SÉRIE UM ENIGMA DE MACKENZIE WHITE


ANTES QUE ELE MATE (Livro #1)


ANTES QUE ELE VEJA (Livro #2)


ANTES QUE ELE COBICE (Livro #3)


ANTES QUE ELE LEVE (Livro #4)


ANTES QUE ELE PRECISE (Livro #5)


ANTES QUE ELE SINTA (Livro #6)


ANTES QUE ELE PEQUE (Livro #7)


ANTES QUE ELE CACE (Livro #8)




SÉRIE UM MISTÉRIO DE AVERY BLACK


RAZÃO PARA MATAR (Livro #1)


RAZÃO PARA CORRER (Livro #2)


RAZÃO PARA SE ESCONDER (Livro #3)


RAZÃO PARA TEMER (Livro #4)


RAZÃO PARA SALVAR (Livro #5)


RAZÃO PARA SE APAVORAR (Livro #6)




SÉRIE UM MISTÉRIO DE KERI LOCKE


RASTRO DE MORTE (Livro #1)


RASTRO DE UM ASSASSINO (Livro #2)


UM RASTRO DE IMORALIDADE (Livro #3)


UM RASTRO DE CRIMINALIDADE (Livro #4)


UM RASTRO DE ESPERANÇA (Livro #5)




PRÓLOGO


Gareth Ogden estava na ampla praia com vista para o Golfo do México. A maré estava baixa e o Golfo estava calmo – a água estava plana e as ondas baixas. Viu algumas gaivotas em silhueta contra o céu que escurecia e ouviu seus gritos cansados sobre o som das ondas.

Deu uma tragada no cigarro e pensou com um sorriso amargo…

As gaivotas parece também odiar esse clima.

Ele não sabia por que se incomodara em descer até ali de sua casa. Costumava apreciar os sons e cheiros da praia à noite. Talvez fosse apenas da idade, mas achava difícil aproveitar o que quer que fosse com aquele calor abafado. Os verões estavam ficando mais quentes do que costumavam. Mesmo depois do crepúsculo, a brisa da água não oferecia alívio e a umidade era sufocante.

Terminou o cigarro e pisou-o com o pé. Depois, afastou-se da água e caminhou de volta para o paredão à beira-mar, uma estrutura maltratada pelo tempo que dava para a velha estrada e praia deserta.

Enquanto percorria o trecho de areia, Gareth pensou em todas as reparações que tinha feito em casa depois do último furacão, alguns anos atrás. Tivera que reconstruir a grande varanda da frente e as escadas, e substituir um monte de paredes e telhas, mas tivera a sorte de não haver danos estruturais sérios. Amos Crites, dono das casas de ambos os lados da de Gareth, tivera que as reconstruir quase totalmente.

Aquela maldita tempestade, Pensou, afastando um mosquito.

Os valores das propriedades tinham despencado desde então. Ele desejou poder vender a casa e dar o fora de Rushville, mas ninguém pagaria o suficiente por isso.

Gareth tinha vivido naquela cidade toda a sua vida e não sentia que o tivesse favorecido grandemente. No que lhe dizia respeito, Rushville estava em decadência há muito tempo – pelo menos desde que a interestadual passara por ali. Ele ainda se lembrava de como tinha sido uma próspera pequena cidade turística de verão antes disso, mas esses dias tinham desparecido há muito tempo.

Gareth abriu caminho entre as grades de madeira e caminhou até a rua à beira-mar. Ao sentir as solas dos sapatos absorverem o calor do pavimento, olhou para a casa. Suas janelas do primeiro andar estavam iluminadas e convidativas…

Quase como se alguém morasse lá.

Embora “viver” dificilmente fosse a palavra certa para a existência solitária de Gareth. E pensamentos de dias mais felizes – quando sua esposa, Kay, ainda estava viva e criavam a filha, Cathy – só o fizeram se sentir mais deprimido.

Enquanto caminhava pela calçada que levava à sua casa, Gareth vislumbrou algo através da porta de tela – uma sombra se movendo dentro.

Quem poderia ser? Se perguntou.

Não ficou surpreso por algum visitante ter entrado. A porta da frente estava bem aberta e a porta de tela também. Os amigos de Gareth entravam e saíam quando quisessem.

"É um país livre", Gostava de dizer-lhes. "Ou pelo menos o dizem."

Enquanto subia as longas escadas tortas até a varanda, Gareth imaginou que o visitante pudesse ser Amos Crites. Talvez Amos tivesse vindo de onde morava do outro lado da cidade para conferir suas propriedades ao longo da praia. Gareth sabia que ninguém havia alugado nenhuma das casas para agosto, um mês notoriamente quente e úmido por ali.

Sim, aposto que é ele, Gareth pensou enquanto cruzava a varanda.

Amos costumava passar por ali para reclamar das coisas em geral e Gareth ficava contente em acompanhá-lo com as próprias queixas. Supôs que talvez ele e Amos fossem uma má influência um para o outro desse jeito…

Mas ei, para que servem os amigos?

Gareth ficou de pé do lado de fora da porta, sacudindo a areia das sandálias.

"Ei, Amos", Gritou. "Pegue uma cerveja na geladeira."

Esperou que Amos respondesse…

"Já tenho."

Mas nenhuma resposta veio. Gareth pensou que talvez Amos estivesse de volta à cozinha, só agora pegando uma cerveja. Ou talvez estivesse mais rabugento do que o normal. Gareth não se importava…

A tristeza adora companhia, como dizem.

Gareth abriu a porta de tela e entrou.

"Ei, Amos, o que está acontecendo?" Disse.

Um flash de movimento captou sua visão periférica. Ele se virou e vislumbrou uma silhueta sombria contra a lâmpada da sala de estar.

Quem quer que fosse aproximou-se de Gareth rápido demais para ele ter tempo de fazer qualquer pergunta.

A figura levantou um braço e Gareth vislumbrou um lampejo de aço. Algo indescritivelmente duro bateu contra sua testa e então uma explosão eclodiu em seu cérebro como vidro quebrando.

Depois tudo se apagou.




CAPÍTULO UM


A luz do sol da manhã brilhava sobre as ondas enquanto Samantha Kuehling dirigia o carro da polícia ao longo do passeio marítimo.

Sentada ao lado dela no banco do passageiro, seu parceiro, Dominic Wolfe, disse…

"Eu vou acreditar quando vir."

Sam não respondeu.

Nem ela, nem Dominic sabiam de que se tratava ao certo.

Mas a verdade era que ela já antecipava de que se trataria.

Conhecia Wyatt Hitt, de catorze anos de idade, toda a sua vida. Ele poderia ser teimoso, assim como qualquer garoto daquela idade, mas não era um mentiroso. E soara francamente histérico quando ligara para a delegacia há pouco. Não se conseguira expressar muito bem, mas tinha sido bem claro sobre uma coisa…

Algo aconteceu com Gareth Ogden.

Algo ruim.

Além disso, Sam não sabia nada. E Dominic também não.

Quando estacionou o carro em frente à casa de Gareth, viu que Wyatt estava sentado no final da escada que levava ao alpendre. Ao lado dele havia uma sacola de tecido de jornais não entregues.

Quando Sam e Dominic saíram do carro e caminharam até ele, o garoto de cabelos loiros nem sequer olhou para eles. Apenas continuou olhando em frente. O rosto de Wyatt estava ainda mais pálido do que o habitual e estava tremendo, embora a manhã já estivesse ficando quente.

Ele está em choque, Sam percebeu.

Dominic disse-lhe, "Conte-nos o que aconteceu".

Wyatt endireitou-se ao som da voz de Dominic e olhou para ele com olhos vidrados. Então Wyatt gaguejou com uma voz rouca e assustada, agravada pelas mudanças da adolescência.

“Ele – ele está lá dentro, em casa. O Sr. Ogden, quero dizer.”

Então olhou para o Golfo novamente.

Sam e Dominic se entreolharam.

Ela percebia pela expressão alarmada de Dominic que aquilo estava começando a ficar real para ele.

Sam estremeceu ao pensar…

Tenho a sensação de que isso está prestes a ficar muito real para nós dois.

Ela e Dominic subiram as escadas e atravessaram a varanda. Quando olharam pela porta de tela, viram Gareth Ogden.

Dominic cambaleou para trás da porta.

"Jesus Cristo!" Gritou.

Ogden estava deitado de costas no chão, com os olhos e a boca bem abertos. Apresentava uma ferida aberta e sangrenta na testa.

Então Dominic voltou para as escadas e gritou para Wyatt…

"O que diabos aconteceu? O que você fez?"

Sentindo-se um pouco surpresa em não compartilhar o pânico de Dominic, Sam tocou seu braço e disse em voz baixa, “Ele não fez nada, Dom. É apenas uma criança. É apenas um jornaleiro.”

Dominic sacudiu a mão e desceu as escadas. Levantou o pobre Wyatt.

"Diga-me!" Dominic gritou. "O que você fez? Porquê?"

Sam desceu as escadas atrás de Dominic. Agarrou o policial histérico e o puxou com força para o gramado.

"Deixe-o em paz, Dom" Disse Sam. "Deixe-me lidar com isso, ok?"

O rosto de Dominic parecia tão pálido quanto o de Wyatt agora e também estava tremendo com o choque.

Assentiu em silêncio e Sam voltou para junto de Wyatt, e ajudou-o a sentar-se novamente.

Ela se agachou na frente dele e tocou-o no ombro.

Disse, "Tudo vai ficar bem, Wyatt. Respire fundo.”

O pobre Wyatt não conseguiu seguir as instruções dela. Em vez disso, parecia estar hiperventilando e soluçando ao mesmo tempo.

Wyatt conseguiu dizer, "Eu – eu passei para entregar o jornal dele e o encontrei lá".

Sam olhou para Wyatt, tentando entender o que dizia.

"Por que você foi até ao alpendre do Sr. Ogden?" Perguntou. "Você não poderia simplesmente ter jogado o jornal do jardim?"

Wyatt encolheu os ombros e disse, “Ele fica – fica bravo quando faço isso. Fazia muito barulho, dizia, acordava-o. Então me disse que eu tinha que subir todo o caminho até ao alpendre – e eu tinha que deixar o jornal entre a porta de tela e a porta da frente. Caso contrário, iria explodir, ele disse. Então eu sempre fui até lá e estava prestes a abrir a tela quando vi…”

Wyatt ofegou e gemeu de choque por um momento, depois acrescentou…

"Então eu liguei para você."

Sam deu um tapinha no ombro dele.

"Tudo vai ficar bem" Disse ela. “Você fez a coisa certa, chamando a polícia. Agora espere aqui.”

Wyatt olhou para sua bolsa. "Mas esses jornais, ainda tenho que entregá-los."

Pobre garoto, Pensou Sam.

Ele estava obviamente confuso. Além disso, parecia sentir algum tipo de culpa. Sam calculou que fosse uma reação natural.

"Você não precisa fazer nada" Disse ela. "Você não está em apuros. Tudo vai ficar bem. Agora espere aqui, como eu disse.”

Levantou-se do degrau e procurou por Dominic, que ainda estava parado no pátio, surpreso com a situação.

Sam estava começando a ficar um pouco irritada.

Ele não sabe que é um policial?

Disse-lhe, “Dom, vamos lá. Temos que ir até lá e dar uma olhada nas coisas.”

Dom limitou-se a ficar parado como se fosse surdo e não se tivesse apercebido que ela tinha falado.

Sam falou mais agudamente. "Dominic, venha comigo, droga."

Dominic assentiu, seguiu-a pelas escadas e atravessou o alpendre até a casa.

Gareth Ogden estava deitado no chão, usando sandálias, shorts e uma camiseta. A ferida na testa parecia estranhamente precisa e simétrica. Sam se abaixou para dar uma olhada melhor.

Ainda de pé, Dominic gaguejou, "N-não toque em nada".

Sam quase rosnou…

"O que você acha que eu sou, uma idiota?"

Que policial não sabia melhor do que ela que deveria ter cuidado nesse tipo de cena de crime?

Mas olhou para Dominic e viu que ele ainda estava pálido e trêmulo.

E se ele desmaiar? Pensou.

Apontou para uma poltrona próxima e disse, “Sente-se, Dom.”

Em silêncio, Dominic fez o que lhe foi dito.

Sam se perguntou…

Ele já viu um cadáver antes?

Suas próprias experiências limitavam-se aos funerais de caixão aberto de seus avós. Claro, isso era completamente diferente. Mesmo assim, Sam se sentia estranhamente calma e sob controle – quase como se estivesse se preparando para lidar com algo assim por um longo tempo.

Dominic obviamente não estava se sentindo da mesma maneira.

Ela olhou atentamente para a ferida na testa de Ogden. Parecia um pouco como aquele grande buraco que desmoronara sob uma estrada rural perto de Rushville no ano passado – uma cavidade estranha e aberta que não pertencia àquele lugar.

Mais estranho ainda, a pele parecia estar intacta – não rasgada, mas esticada na forma exata do objeto que tinha batido contra ela.

Demorou apenas um momento para Sam perceber que objeto deveria ter sido.

Ela disse a Dominic, "Alguém bateu nele com um martelo".

Aparentemente sentindo-se menos sensível agora, Dominic levantou-se da cadeira, ajoelhou-se ao lado de Sam e olhou atentamente para o cadáver.

"Como você sabe que era um martelo?" Perguntou.

Apercebendo-se de que soava como uma piada doentia, Sam disse..

"Eu conheço minhas ferramentas."

De fato, era verdade. Quando ela era uma garotinha, seu pai lhe ensinou mais sobre ferramentas do que a maioria dos garotos da cidade aprendera toda a vida. E o recuo da ferida de Ogden era a forma exata da ponta arredondada de um martelo perfeitamente comum.

A ferida era grande demais para ser feita, digamos, por um martelo de bola.

Além disso, seria necessário um martelo mais pesado para dar um golpe tão mortal.

Um martelo de garra ou um martelo rip, Calculou. Um ou outro.

Disse a Dominic, "Eu me pergunto como o assassino entrou aqui."

"Oh, eu posso te dizer isso” Respondeu Dominic. “Ogden não se dava ao trabalho de trancar a porta da frente, mesmo quando estava fora. Ele às vezes deixava tudo aberto à noite. Você sabe como as pessoas que moram aqui ao longo do passeio marítimo são – idiotas e confiantes.”

Sam achou triste ouvir as palavras “idiota” e “confiante” na mesma frase.

Por que as pessoas não podem deixar suas casas abertas em uma cidade como Rushville?

Não ocorria nenhum crime violento há anos.

Bem, não serão tão confiantes agora, Pensou.

Sam disse, "A questão é, quem fez isso?"

Dominic encolheu os ombros e disse, "Quem quer que fosse, Ogden parece ter sido pego de surpresa."

Estudando o olhar selvagem no rosto do cadáver, Sam silenciosamente concordou.

Dominic acrescentou, “Meu palpite é que era um estranho total, não alguém daqui. Quero dizer, Ogden era mau, mas ninguém na cidade o odiava tanto assim. E ninguém por aqui tem as características de um assassino. Foi provavelmente um vagabundo que já desapareceu. Teremos muita sorte em pegá-lo.”

O pensamento desanimou Sam.

Eles não podiam deixar que algo assim acontecesse aqui em Rushville.

Nós simplesmente não podemos.

Além disso, ela tinha uma forte suspeita de que Dominic estava errado.

O assassino não era apenas um andarilho passando.

Ogden havia sido assassinado por alguém que morava bem aqui.

Por um lado, Sam sabia que esta não era a primeira vez que algo acontecia aqui em Rushville.

Mas também sabia que agora não era hora de começar a especular.

Disse a Dominic, “Ligue ao chefe Crane. Vou ligar para o médico legista do condado.”

Dominic assentiu e pegou o celular.

Antes de pegar o dela, Sam limpou o suor da testa.

O dia já estava ficando quente…

E vai ficar muito mais quente.




CAPÍTULO DOIS


Riley Paige respirou longa e profundamente o ar frio do oceano.

Estava sentada na varanda alta de uma casa de praia onde ela, seu namorado Blaine e suas três filhas adolescentes já tinham passado uma semana. Na extensa praia de areia, mais veranistas estavam espalhados e outros estavam na água. Riley podia ver April, Jilly e Crystal brincando nas ondas. Havia um salva-vidas de plantão, mas mesmo assim, Riley estava feliz por ter uma boa visão das garotas.

Blaine estava descansando na poltrona de vime ao lado dela.

Ele disse, "Então você está feliz por ter aceitado meu convite para vir aqui?"

Riley apertou sua mão e disse, “Muito feliz. Eu realmente poderia me acostumar com isso.”

"Espero que sim" Disse Blaine, apertando a mão dela de volta. "Quando foi a última vez que você tirou férias assim?"

A pergunta pegou Riley ligeiramente de surpresa.

"Eu realmente não tenho idéia" Disse ela. "Anos, eu acho."

"Bem, você tem que recuperar o tempo perdido" Disse Blaine.

Riley sorriu e pensou…

Sim e ainda tenho uma semana inteira para fazer isso.

Todos eles se estavam a divertir muito. Um amigo abastado de Blaine colocou à sua disposição a sua casa de Sandbridge Beach por duas semanas em agosto. Quando Blaine as convidou para ir junto, Riley percebeu que devia isso a April e Jilly de forma a passar mais tempo longe do trabalho, se divertindo com elas.

Agora ela pensava…

Eu devia isso a mim também.

Talvez se adquirisse prática suficiente neste verão, até se acostumasse a se mimar.

Quando chegaram, Riley ficou surpresa com a elegância do lugar, uma casa atraente erguida em estacas e com uma vista maravilhosa da praia a partir daquele alpendre. Havia ainda uma piscina exterior nas traseiras.

Eles chegaram ali a tempo de comemorar o décimo sexto aniversário de April. Riley e as meninas passaram o dia fazendo compras a quinze quilômetros de distância, em Virginia Beach, e visitaram o aquário lá. Desde então, mal tinham saído desse lugar – e as garotas não pareciam estar entediadas.

Blaine gentilmente soltou a mão de Riley e se levantou da cadeira.

Riley resmungou, "Ei, aonde você pensa que vai?"

"Terminar de preparar o jantar" Disse Blaine. Então, com um sorriso travesso, acrescentou, "A menos que você prefira comer fora".

Riley riu de sua piada. Blaine possuía um restaurante de qualidade em Fredericksburg e ele próprio era um chef de cozinha. Ele vinha fazendo maravilhosos jantares de frutos do mar desde que ali tinham chegado.

"Isso está fora de questão" Disse Riley. “Agora vá direto para a cozinha e comece a trabalhar.”

"OK, chefe" Disse Blaine.

Deu-lhe um beijo rápido e foi para a cozinha. Riley observou as garotas brincando nas ondas por alguns instantes, então começou a se sentir um pouco inquieta e pensou em entrar para ajudar Blaine no jantar.

Mas é claro, ele só diria para ela voltar para dentro e deixar a comida com ele.

Então, em vez disso, Riley pegou o romance de espionagem que estava lendo. Ela estava demasiado mentalmente confusa naquele momento para entender o enredo elaborado, mas ainda assim estava gostando de ler.

Depois de um tempinho, ela sentiu todo o seu corpo estremecer e percebeu que tinha largado o livro ao seu lado. Adormecera por alguns minutos – ou fora mais tempo?

Não que isso realmente importasse.

Mas a luz da tarde estava diminuindo e as ondas estavam se curvando um pouco mais alto. A água parecia um pouco mais ameaçadora agora que a maré implacável estava subindo.

Mesmo com o salva-vidas ainda em serviço, Riley se sentiu desconfortável. Ela estava prestes a se levantar e acenar e chamar as garotas para dizer que era hora de sair da água, mas elas pareciam ter chegado à mesma conclusão por conta própria. Estavam na praia construindo um castelo de areia.

Riley ficou aliviada pela demonstração de bom senso. Às vezes, como agora, quando o oceano assumia uma tonalidade mais sinistra, ocorria a Riley que não era realmente um lugar onde humanos pudessem pertencer. Alguns habitantes das profundezas eram capazes de violência terrível – pelo menos tão brutal e cruel quanto os monstros humanos que ela caçava e lutava como investigadora da UAC.

Riley estremeceu quando se lembrou de como às vezes tinha que proteger sua família contra esses monstros humanos. Eles tinham sido formidáveis o suficiente. Ela sabia não era possível lutar com os monstros das profundezas.

O último caso de Riley fora há um mês atrás – uma série de assassinatos violentos de homens ricos e poderosos, perpetrados em casas elegantes na Geórgia. Desde então, sua vida profissional tinha sido estranhamente tranquila – e um tanto tediosa, na verdade.

Estava atualizando registros, participando de reuniões e dando conselhos a outros agentes sobre seus casos. Mas ela gostava de dar algumas palestras para os alunos da Academia do FBI. Como investigadora experiente e bastante célebre, Riley era uma palestrante popular, pelo menos quando estava disponível.

Ao ver aqueles rostos jovens e aspirantes na sala de aula, lembrou-se de seu próprio idealismo primitivo, quando era aluna na Academia. Então, ela tinha a esperança de libertar o mundo dos malfeitores. Agora era muito menos esperançosa, mas continuava dando o seu melhor.

O que mais posso fazer? Perguntou a si mesma.

Era o único trabalho que conhecia e sabia que era muito boa no que fazia.

Ouviu a voz de Blaine chamando…

“Riley, o jantar está pronto. Chama as crianças.”

Riley se levantou e acenou, gritando bem alto “Jantar!”.

As garotas se afastaram do castelo de areia, que se tornara bastante elaborado e correram em direção à casa. Correram por baixo do alpendre onde Riley estava sentada na direção das traseiras da casa, onde poderiam tomar um banho rápido na piscina.

Antes de ir para dentro, Riley ficou ao lado do corrimão e viu que o castelo de areia das meninas já estava sendo mordido pela maré alta. Riley não pôde deixar de sentir um pouco de tristeza, mas lembrou a si mesma que era normal em castelos feitos de areia.

Ela quase não passava tempo na praia quando era mais nova. Não tivera esse tipo de infância. Mas ao ver as garotas brincando nos últimos dias, soube que parte da diversão em construir castelos de areia era saber que seriam levados pela maré.

Uma lição de vida saudável.

Ela ficou observando o castelo de areia desaparecendo na água por alguns instantes. Quando ouviu as três meninas galopando pelas escadas acima, caminhou ao longo do alpendre ao redor da casa para ir ao seu encontro.

Uma era a filha de dezasseis anos de Blaine, Crystal, que era a melhor amiga de April. Outra era a recém-adotada filha de quatorze anos de Riley, Jilly.

Quando as três garotas rindo começaram a correr para o quarto para trocar as roupas de banho para o jantar, Riley notou um pequeno corte na coxa de Jilly.

Ela gentilmente pegou Jilly pelo braço e disse, "Como isso aconteceu?"

Jilly olhou para o corte e disse, “Não sei. Devo ter batido em um espinho ou algo mais afiado.”

Riley se inclinou para examinar o corte. Não era de todo ruim e já estava começando a sarar. Ainda assim, pareceu estranho para Riley. Ela se lembrava de Jilly ter um corte similar em seu antebraço no dia em que tinham ido para aquele lugar. Jilly tinha dito que a gata de April, Marbles, a tinha arranhado. April havia negado isso.

Jilly se afastou dela – um pouco defensivamente, pensou Riley.

"Não é nada, mãe, ok?"

Riley disse, “Há um kit de primeiros socorros no banheiro. Ponha um pouco de desinfetante antes de vir jantar.”

"Ok, vou fazer isso” Disse Jilly.

Riley observou Jilly a correr atrás de April e Crystal para o quarto.

Nada de preocupante, Riley disse a si mesma.

Mas era difícil não se preocupar. Jilly vivia com eles apenas desde janeiro. Quando Riley estivera a trabalhar em um caso no Arizona, resgatara Jilly de circunstâncias desesperadoras. Depois de algumas lutas legais e pessoais, Riley finalmente conseguira adotar Jilly há apenas um mês e Jilly parecia feliz com sua nova família.

E além disso…

É apenas um pequeno corte – nada de preocupante.

Riley foi até a cozinha para ajudar Blaine a por a mesa e colocar o jantar. As garotas logo se juntaram a eles e todos se sentaram para jantar – deliciosos filés de linguados fritos servidos com molho tártaro. Todos estavam felizes e rindo. No momento em que Blaine serviu cheesecake para a sobremesa, uma sensação quente e agradável apoderou-se de Riley.

Nós somos como uma família, Pensou.

Ou talvez isso não estivesse certo. Talvez, apenas talvez…

Nós somos realmente uma família.

Fazia muito tempo que Riley não se sentia assim.

Quando terminou a sobremesa, pensou novamente…

Eu realmente poderia me acostumar a isso.


*

Depois do jantar, as garotas voltaram para o quarto para jogar antes de dormir. Riley se juntou a Blaine no alpendre, onde bebericaram copos de vinho enquanto assistiam a noite se instalando. Os dois ficaram em silêncio por um longo tempo.

Riley desfrutou daquela quietude e sentiu que Blaine também.

Não conseguia se lembrar de ter compartilhado muitos momentos fáceis, confortáveis e silenciosos como aquele com seu ex-marido, Ryan. Eles praticamente sempre falavam ou deliberadamente não falaram. E quando não estavam falando, eles simplesmente habitavam seus próprios mundos separados.

Mas Blaine era parte do mundo de Riley…

E que mundo lindo é.

A lua brilhava e, à medida que a noite se tornava mais escura, as estrelas apareciam em aglomerados imensos – quase inacreditavelmente brilhantes, longe das luzes da cidade. As ondas escuras do Golfo refletiam a luz da lua e das estrelas. Ao longe, o horizonte desfocara-se e finalmente desapareceu, de modo que o mar e o céu pareciam se misturar perfeitamente.

Riley fechou os olhos e ouviu por um momento o som das ondas.

Não havia outros ruídos, nem vozes, nem TV, nem tráfego na cidade.

Riley libertou um suspiro profundo e feliz.

Como se estivesse respondendo a seu suspiro, Blaine disse…

"Riley, eu estive pensando…"

Ele fez uma pausa. Riley abriu os olhos e olhou para ele, sentindo apenas uma pontada de apreensão.

Então Blaine continuou…

"Você sente como se nos conhecêssemos há muito tempo ou há pouco tempo?"

Riley sorriu. Era uma pergunta interessante. Eles se conheciam há cerca de um ano e namoravam há cerca de três meses. Durante todo esse tempo sentiam-se muito bem juntos.

Eles e suas famílias também tinham passado por momentos de perigo angustiante e Blaine demonstrou incrível desenvoltura e coragem.

Por tudo isso, Riley começou a preocupar-se com ele, a confiar nele e a admirá-lo.

"É difícil dizer" Disse ela. “Ambos, eu acho. Parece muito tempo porque nos tornámos tão próximos. Parece pouco tempo porque… bem, porque às vezes fico tão impressionada com a rapidez com que nos aproximámos”.

Outro silêncio caiu – um silêncio que disse a Riley que Blaine se sentia exatamente da mesma maneira.

Finalmente Blaine disse…

"O que você acha… que deve acontecer a seguir?"

Riley olhou em seus olhos. Seu olhar era sério e inquisitivo.

Riley sorriu e disse a primeira coisa que surgiu em sua cabeça. "Ora, Blaine Hildreth, você está me pedindo em casamento?"

Blaine sorriu e disse, “Venha para dentro. Eu tenho algo para mostrar a você.”




CAPÍTULO TRÊS


Riley ficou sem fôlego. Um mundo inteiro de possibilidades futuras parecia estar se abrindo na frente dela e não sabia o que pensar.

Não sabia o que dizer, então apenas pegou seu copo de vinho e seguiu Blaine do alpendre para a sala de jantar.

Blaine foi até um armário e pegou um grande rolo de papel. Quando chegaram, Riley notara que ele descarregara o rolo do carro junto com as coisas de praia, mas não se incomodou em perguntar o que era.

Ele desenrolou o papel na mesa da sala de jantar, colocando copos nos cantos para segurá-lo. Parecia algum tipo de plano elaborado.

"O que é isso?" Riley perguntou.

"Você não reconhece?" Perguntou Blaine. "É a minha casa."

Riley olhou os desenhos com mais cuidado, sentindo-se um pouco confusa.

Ela disse, "Hum… parece muito grande para ser sua casa."

Blaine riu e disse, "Isso é porque uma ala inteira ainda não foi construída."

Riley ficou positivamente tonta quando Blaine começou a explicar os desenhos. Ele mostrou como a nova ala incluiria quartos para April e Jilly. E é claro que haveria um apartamento inteiro para Gabriela, a empregada doméstica de Riley, que poderia trabalhar para todos eles quando tudo fosse construído. O novo design incluía até um pequeno escritório para Riley. Ela não tinha um escritório em casa desde que Jilly se mudara e tinham precisado de um quarto.

Riley estava ao mesmo tempo esmagada e divertida.

Quando ele terminou de explicar as coisas, ela disse…

"Então, esta é a sua maneira de me pedir em casamento?"

Blaine gaguejou, “Acho que sim. Eu percebo que não é muito romântico. Sem anel, sem me ajoelhar.”

Riley riu e disse, "Blaine, se você se ajoelhar, eu juro por Deus que vou te dar um tapa."

Blaine olhou para ela com surpresa.

Mas Riley quase o disse com sinceridade. Ela estava tendo um flashback de Ryan pedindo-a em casamento há tantos anos quando eram jovens e pobres – Ryan, um advogado em dificuldades e Riley, estagiária do FBI. Ryan passou por todo o ritual, ajoelhando-se e oferecendo-lhe um anel que ele realmente não podia pagar.

Parecia muito romântico naquela época.

Mas as coisas tinham acabado tão mal que a memória parecia amarga para Riley naquele momento.

Em comparação, a proposta muito menos tradicional de Blaine parecia perfeita.

Blaine colocou o braço em volta dos ombros de Riley e a beijou no pescoço.

"Você sabe, o casamento teria vantagens práticas" Disse ele. "Não teríamos que dormir em quartos separados quando as crianças estivessem por perto".

Riley sentiu um arrepio de desejo em seu beijo e sua sugestão.

Sim, isso seria uma vantagem, Pensou.

Momentos íntimos tinham sido escassos. Os dois tinham se relegado a quartos separados, mesmo durante essas férias adoráveis.

Riley suspirou profundamente e disse, "É muito para pensar, Blaine. Muito para nós dois pensarmos.”

Blaine assentiu. "Eu sei. É por isso que não espero que você pule de alegria gritando alto ‘sim, sim, sim’. Só quero que você saiba… está na minha cabeça e espero que esteja em sua também.”

Riley sorriu e admitiu, "Sim, tenho pensado nisso."

Olharam nos olhos um do outro por alguns momentos. Mais uma vez, Riley se encontrou apreciando o silêncio entre eles. Mas é claro, ela sabia que não poderiam deixar todas essas perguntas passando por suas mentes sem resposta.

Finalmente, Riley disse, "Vamos voltar para fora".

Encheram os copos, saíram para o alpendre e sentaram-se novamente. A noite estava ficando mais bonita a cada minuto.

Blaine se aproximou e pegou a mão de Riley. "Eu sei que é uma grande decisão. Nós temos muito em que pensar. Por um lado, já nos casamos antes. E… bem, não estamos ficando mais jovens.”

Riley pensou em silêncio…

Mais uma razão para nos comprometermos.

Blaine continuou, "Talvez devêssemos começar listando todas as razões pelas quais isso pode não ser uma boa ideia".

Riley riu e disse, "Oh, Blaine, temos que o fazer?"

Mas ela sabia perfeitamente bem que ele estava certo.

E eu poderia muito bem ser a primeira a começar, Decidiu.

Respirou longa e lentamente, e disse, “Para começar, temos que pensar não só em nós. Já somos pais, com três adolescentes entre nós. Se nos casarmos, também seremos padrasto e madrasta – eu e sua filha, você e as minhas duas garotas. Isso é um grande compromisso logo aí.”

"Eu sei" Disse Blaine. “Mas adoro a ideia de ser pai de April e Jilly.”

A garganta de Riley se apertou de emoção com a sinceridade em sua voz.

"Eu me sinto da mesma maneira acerca de Crystal" Disse ela. Então, com uma risada, ela acrescentou, “Minhas meninas já têm um gato e um cachorro. Espero que não haja problema.”

Blaine disse, "Tudo bem. Eu nem peço um depósito de animal de estimação.”

A risada de ambos soou musicalmente no ar da noite.

Então Riley disse, "OK, é a sua vez."

Blaine suspirou profundamente e disse, "Bem, nós dois temos ex marido e mulher."

Ecoando seu suspiro, Riley disse, "É verdade."

Ela estremeceu quando se lembrou de seu único encontro com a ex-mulher de Blaine, Phoebe. A mulher estava atacando fisicamente a pobre Crystal em uma raiva bêbada até que Riley a afastou.

Blaine disse a Riley que seu casamento com Phoebe tinha sido um erro de sua juventude, antes que ele tivesse alguma ideia de que ela era bipolar e um perigo para si mesma e para os outros.

Parecendo adivinhar os pensamentos de Riley, Blaine disse…

“Nunca mais tive notícias de Phoebe. Ela está morando com a irmã, Drew. Eu me comunico com Drew de tempos em tempos. Ela diz que Phoebe está em recuperação e está se saindo melhor, mas não pensa mais em Crystal e em mim. Tenho certeza de que está fora de nossas vidas para sempre.”

Riley engoliu em seco e disse…

"Eu gostaria de poder dizer o mesmo acerca de Ryan."

Blaine apertou a mão de Riley e disse, “Bem, ele é o pai de April. Vai querer continuar fazendo parte de suas vidas. Da de Jilly também. Eu entendo isso.”

"Você está sendo muito justo com ele" Disse Riley.

"Mesmo? Por quê?"

Riley pensou…

Como posso explicar?

A tentativa de Ryan de se reconciliar e voltar a morar com ela terminara desastrosamente – especialmente para Jilly e April, que aprenderam da maneira mais difícil que não podiam confiar nele para terem uma relação paternal.

Enquanto isso, Riley não tinha ideia de quantas namoradas tinham passado pela vida de Ryan.

Ela tomou um gole do seu vinho e disse, "Não acho que vamos ver muito Ryan. E penso que é bom que assim seja.”

Riley e Blaine ficaram em silêncio por alguns momentos. Enquanto olhavam para a noite, as preocupações de Riley sobre Phoebe e Ryan escapavam de sua mente, e de novo ela se deliciava com o calor e o conforto maravilhosos da companhia simples de Blaine.

O silêncio foi quebrado pelos sons de passos, conversas e risadas das garotas saindo de seu quarto. Então pareceu que estavam fazendo alguma coisa na cozinha – preparando alguma coisa para comer, Riley calculou.

Enquanto isso, Riley e Blaine começaram a falar baixinho sobre diferentes assuntos – como suas diferentes carreiras poderiam ou não se mesclar, como Riley teria que vender a casa que comprou há apenas um ano, como eles administrariam suas finanças e coisas do gênero.

Enquanto conversavam, Riley se viu pensando…

Começamos tentando listar as razões pelas quais casar não seria uma boa ideia.

Em vez disso, parecia uma idéia cada vez melhor a cada segundo que passava.

E a coisa realmente linda era que nenhum deles tinha que dizer isso em voz alta.

Eu poderia muito bem ter dito sim, Pensou.

Ela se sentia como se estivessem comprometidos para casar.

E ela realmente gostou dessa sensação.

A conversa deles foi interrompida quando April veio correndo para o alpendre com o celular de Riley na mão.

O telefone estava tocando.

Entregando o telefone para Riley, April disse…

“Ei mãe, você deixou seu telefone na cozinha. Você recebeu uma ligação.”

Riley reprimiu um suspiro. Ela não podia imaginar que a ligação fosse de alguém que gostasse de ouvir naquele momento. E logo viu que o interlocutor era seu chefe, o agente especial Brent Meredith.

Seu estado de espírito desanimou quando percebeu…

Ele me quer de volta ao trabalho.




CAPÍTULO QUATRO


Quando Riley atendeu a ligação, ouviu a voz ríspida e familiar de Meredith.

"Como vão as suas férias, Agente Paige?"

Riley conseguiu evitar dizer…

"Estavam indo bem até agora."

Em vez disso, respondeu, "Fantásticas. Obrigada."

Ela se levantou da cadeira e andou um pouco pelo alpendre.

Meredith soltou um grunhido hesitante, depois disse…

“Escute, temos recebido alguns telefonemas peculiares de uma policial do Mississippi – uma pequena cidade do litoral chamada Rushville. Ela está trabalhando em um caso de assassinato. Um homem local foi assassinado com um martelo…”

Meredith fez outra pausa e depois disse…

"Ela pensa que estão lidando com um serial killer".

"Porquê?" Riley perguntou.

"Porque algo semelhante aconteceu em Rushville – uns dez anos atrás."

Riley semicerrou os olhos com surpresa.

Disse, "Isso é muito tempo entre assassinatos".

"Sim, eu sei" Disse Meredith. “Falei com o chefe dela e ele disse que não havia nada. Ele disse que ela é apenas uma policial entediada de cidade pequena em busca de excitação. O problema é que ela continua ligando e não parece uma pessoa louca, então talvez… ”

Novamente Meredith ficou em silêncio. Riley olhou para dentro da casa e viu que Blaine estava ajudando as garotas a preparar alguma coisa na cozinha. Todos pareciam tão felizes. Riley desanimou com a idéia de ter que encurtar as férias.

Então Meredith disse, "Olha, eu estava pensando, se você está cansada das férias e sentindo saudades do trabalho, talvez você possa ir até o Mississippi e…"

Riley ficou surpresa ao ouvir sua própria voz interrompê-lo bruscamente.

"Não" Disse ela.

Outro silêncio se seguiu e o coração de Riley batia descompassadamente.

Oh, meu Deus, Pensou.

Eu acabei de dizer não para Brent Meredith.

Ela não lembrava de ter feito isso antes – e por uma boa razão. Meredith era conhecido por ter um desagrado agudo por essa palavra, especialmente quando havia um trabalho a fazer.

Riley se preparou para um ataque feroz. Em vez disso, ouviu um suspiro grave.

Meredith disse, “Sim, eu deveria ter imaginado. Provavelmente não é nada mesmo. Me desculpe por ter incomodado você. Continue aproveitando suas férias.”

Meredith terminou a ligação e Riley ficou no alpendre olhando para o telefone.

As palavras de Meredith ecoavam em sua cabeça…

"Me desculpe por ter incomodado você."

Isso não soava ao chefe.

Desculpas de qualquer tipo não eram o estilo dele.

Então, em que estava ele realmente pensando?

Riley tinha a sensação de que Meredith não acreditava no que acabara de dizer…

"Provavelmente não é nada mesmo."

Riley suspeitava que algo sobre a história da policial feminina despertara o interesse de Meredith e que ele realmente acreditava que havia um serial killer no Mississippi. Mas como não tinha nenhuma evidência tangível para continuar, não se sentia no direito de mandar Riley pegar o caso.

Enquanto Riley ficou olhando para o telefone, ficou pensando…

Devia ligar-lhe de volta?

Devia ir ao Mississippi e, pelo menos, verificar aquilo?

Seus pensamentos foram interrompidos pela voz de April.

"Então o que está acontecendo? As férias acabaram?”

Riley olhou e viu que sua filha estava perto do alpendre, olhando para ela com uma expressão azeda.

"Por que você acha isso?" Riley perguntou.

April suspirou e disse, “Vamos, mamãe. Eu vi de quem era a chamada. Você tem que enfrentar outro caso, não é?”

Riley olhou para a cozinha e viu que Blaine e as outras duas meninas ainda estavam preparando snacks. Mas Jilly olhava para Riley desconfortavelmente.

Riley de repente se perguntou…

O que diabos estava eu pensando?

Ela sorriu para April e disse…

"Não, eu não tenho que ir a lugar nenhum. De fato…"

Então sorrindo mais amplamente, acrescentou…

"Eu disse não."

Os olhos de April se arregalaram. Então ela correu de volta para a cozinha gritando…

"Ei pessoal! Mamãe disse não a um caso!”

As outras duas meninas começaram a gritar “Que bom!” E “Assim é que é!” enquanto Blaine olhava para Riley alegremente.

Então Jilly disse para a irmã…

"Eu te disse. Eu te disse que ela diria que não.”

April respondeu, "Não, não disse. Você estava ainda mais preocupada do que eu.”

"Não estava" Disse Jilly. "Você me deve dez dólares."

"Nós nunca fizemos uma aposta sobre isso!"

"Fizemos sim!"

As duas garotas brincaram, rindo enquanto discutiam.

Riley também riu e disse, “Ok, crianças. Vamos acabar com isso. Não discutam. Não estraguem umas férias perfeitas. Vamos todos comer alguma coisa.”

Ela se juntou ao grupo que conversava e sorria para um lanche noturno.

Enquanto comiam, ela e Blaine não paravam de olhar um para o outro com amor.

Eles realmente eram um casal com três filhas adolescentes para criar.

Riley se perguntou…

Quando foi a última vez que tive uma noite tão maravilhosa?


*

Riley estava descalça, caminhando em uma praia enquanto a luz da manhã brilhava nas ondas. As gaivotas estavam grasnando e a brisa era fria e gentil.

Vai ser um dia lindo, Pensou.

Mas mesmo assim, algo parecia profundamente errado.

Levou um momento para perceber…

Estou sozinha.

Olhou para a praia e não viu ninguém até onde a vista alcançava.

Onde estão eles? Perguntou-se.

Onde estavam April e Jilly e Crystal?

E onde estava Blaine?

Um medo estranho começou a crescer nela e também um pensamento aterrorizante…

Talvez eu tenha sonhado tudo.

Sim, talvez a noite passada nunca tenha acontecido.

Nada daquilo.

Aqueles momentos amorosos com Blaine enquanto planejavam o futuro juntos.

O riso de suas duas filhas – e também de Crystal, que estava prestes a se tornar sua terceira filha.

Seu caloroso e rico sentimento de pertencer – uma sensação que passara toda a sua vida procurando e desejando.

Tudo apenas um sonho.

E agora ela estava sozinha – mais sozinha do que já estivera na vida.

Nesse momento ouviu gargalhadas e conversas atrás dela.

Ela se virou e os viu…

Blaine, Crystal, April e Jilly estavam correndo, a jogar uma bola de praia uns para os outros.

Riley suspirou de alívio.

Claro que era real, Pensou.

Claro que eu não imaginei isso.

Riley riu de alegria e correu para se juntar a eles.

Mas então algo duro e invisível a impediu de prosseguir.

Era uma espécie de barreira que a separava das pessoas que ela mais amava.

Riley caminhou ao longo da barreira, correndo as mãos ao longo dela, pensando…

Talvez haja uma maneira de contornar isso.

Então ouviu uma risada familiar.

"Desista, menina" Disse uma voz. "Essa vida não é para você."

Riley se virou e viu alguém parado a poucos metros de distância dela.

Era um homem com uniforme de gala de coronel da Marinha. Era alto e desajeitado, o rosto desgastado e enrugado por anos de raiva e álcool.

Ele era o último ser humano no mundo que Riley queria ver.

"Papai" Ela murmurou com desespero.

Ele riu severamente e disse, "Ei, você não tem que ficar tão triste com isso. Eu pensei que você ficaria feliz em se reunir com sua própria carne e sangue.”

"Você está morto" Disse Riley.

Papai encolheu os ombros e disse, "Bem, como você já sabe, isso não me impede de aparecer de tempos em tempos."

Riley percebeu vagamente que isso era verdade.

Essa não era a primeira vez que ela via seu pai desde a sua morte no ano passado.

E essa não era a primeira vez em que ela ficara intrigada com a presença dele. Como poderia estar falando com um homem morto era algo que não fazia sentido para ela.

Mas ela sabia de uma coisa com certeza.

Não queria nada com ele.

Queria estar entre as pessoas que não a faziam se odiar.

Ela se virou e começou a andar em direção a Blaine e as meninas que ainda estavam brincando com a bola de praia.

Mais uma vez foi parada por aquela barreira invisível.

Seu pai riu. “Quantas vezes eu tenho que te dizer? Você não tem que estar com eles.”

Todo o corpo de Riley tremia – fosse de raiva ou de desânimo, ela não tinha certeza.

Ela virou-se para o pai e gritou…

"Me deixe em paz!"

"Você tem certeza?" Ele disse. "Eu sou tudo o que você tem. Eu sou tudo o que você é.”

Riley rosnou, "Eu não sou nada como você. Eu sei o que significa amar e ser amado”.

Seu pai abanou a cabeça e arrastou os pés na areia.

"Não é que eu não me compadeça" Ele disse. "É uma maldita vida inútil que você tem – buscando justiça para as pessoas que já estão mortas, exatamente as pessoas que não precisam mais de justiça. Tal como aconteceu comigo no Vietname, uma guerra estúpida que não havia como vencer. Mas você não tem escolha e é hora de resolver isso. Você é uma caçadora, como eu. Eu te criei assim. Não sabemos mais nada, nenhum de nós.”

Riley olhou fixamente para ele, testando sua vontade contra a dele.

Às vezes conseguia vencê-lo, fazendo-o piscar os olhos.

Mas aquele não era um desses momentos.

Ela piscou e desviou o olhar.

Seu pai zombou dela e disse, “Raios, se você quer ficar sozinha, tudo bem para mim. Eu também não estou gostando muito da sua companhia.”

Ele se virou e foi andando pela praia.

Riley se virou e desta vez viu todos eles indo embora – April e Jilly de mãos dadas, Blaine e Crystal seguindo seu próprio caminho.

Quando começaram a desaparecer na manhã perdida, Riley bateu na barreira e tentou gritar…

"Voltem! Por favor voltem! Eu amo todos vocês!"

Seus lábios se moviam, mas não emitiam som algum.


*

Os olhos de se abriram e ela estava deitada na cama.

Um sonho, Pensou. Eu deveria saber que era um sonho.

Seu pai às vezes aparecia em seus sonhos.

De que outra forma ele poderia visitá-la, estando morto?

Levou um momento para perceber que estava chorando.

A solidão avassaladora, o isolamento das pessoas que mais amava, as palavras de advertência de seu pai…

"Você é uma caçadora, como eu."

Não é de admirar que ela tivesse acordado com tanta aflição.

Riley pegou um lenço e conseguiu acalmar-se. Mas mesmo assim, essa sensação de solidão não desaparecia. Ela lembrou a si mesma que as crianças estavam dormindo em outro quarto e Blaine estava em outro.

Mas parecia difícil acreditar.

Sozinha no escuro, sentia como se outras pessoas estivessem longe, do outro lado do mundo.

Pensou em se levantar e ir na ponta dos pés pelo corredor e se juntar a Blaine em seu quarto, mas…

As crianças.

Eles estavam ficando em quartos separados por causa das crianças.

Riley arrumou o travesseiro em volta da cabeça e tentou dormir novamente, mas não conseguia parar de pensar…

Um martelo.

Alguém no Mississippi foi morto com um martelo.

Disse a si mesma que não era o caso dela e dissera não a Brent Meredith.

Mas mesmo quando finalmente voltou a dormir, esses pensamentos não iriam desapareceriam…

Há um assassino lá fora.

Há um caso para ser resolvido.




CAPÍTULO CINCO


Quando entrou na delegacia de polícia de Rushville logo pela manhã, Samantha teve a sensação de que estaria em apuros. No dia anterior fizera alguns telefonemas que talvez não devesse ter feito.

Talvez eu não me devesse meter no que não me diz respeito, Pensou.

Mas de alguma forma, não se meter não era fácil para ela.

Ela estava sempre tentando consertar as coisas, às vezes coisas que não podiam ser corrigidas ou coisas que outras pessoas não queriam corrigir.

Como de costume, quando ela apareceu para o trabalho, Sam não viu outros policiais por perto, apenas a secretária do chefe, Mary Ruckle.

Seus colegas a provocavam muito por isso…

"A sempre disponível Sam" Diziam. "Sempre a primeiro a chegar e a última a sair."

De alguma forma, nunca pareciam dizer isso de uma maneira legal. Mas ela sempre lembrou a si mesma que era natural que “a sempre disponível Sam” fosse provocada. Ela era a policial mais nova e a mais nova da força de Rushville. Não ajudava em nada que também fosse a única mulher na força.

Por um momento, Mary Ruckle não pareceu notar a chegada de Sam. Estava ocupada fazendo as unhas – sua ocupação habitual durante a maior parte do dia de trabalho. Sam não conseguia entender o apelo de fazer as unhas. Ela sempre mantinha aa suaa simples e curtaa, o que talvez fosse uma das muitas razões pelas quais as pessoas pensavam nela como, bem…

Pouco feminina.

Não que Mary Ruckle fosse o que Sam consideraria atraente. Ainda assim, Mary era casada e tinha três filhos, e poucas pessoas em Rushville previam esse tipo de vida para Sam.

Se Sam realmente queria esse tipo de vida, realmente não sabia. Tentava não pensar muito no futuro. Talvez fosse por isso que ela se concentrava tanto em qualquer coisa que aparecesse. Não conseguia imaginar um futuro para si mesma, pelo menos não entre as escolhas que pareciam estar disponíveis.

Mary soprou as unhas, olhou para Sam e disse…

"Chefe Crane quer falar com você."

Sam assentiu com um suspiro.

Assim como eu esperava, Pensou.

Ela entrou no escritório do chefe e encontrou-o jogando Tetris em seu computador.

"Só um minuto" Ele resmungou ao ouvir Sam entrar no gabinete.

Provavelmente distraído com a chegada de Sam, rapidamente perdeu o jogo que estava jogando.

"Droga" Disse ele, olhando para a tela.

Sam se preparou. Ele provavelmente já estava chateado com ela. Perder um jogo de Tetris não ia melhorar seu humor.

O chefe virou-se em sua cadeira giratória e disse…

"Kuehling, sente-se."

Sam obedientemente sentou-se em frente à sua mesa.

O Chefe Crane juntou as pontas dos dedos e olhou para ela por um momento, tentando, como de costume, parecer o grande cara que imaginava ser. E como de costume, Sam não ficou impressionada.

Crane tinha cerca de trinta anos e tinha uma aparência agradável, como Sam achava que seria mais adequado para um homem de seguros. Em vez disso, ele subiu para o posto de chefe de polícia devido ao vácuo de poder que o chefe Jason Swihart havia deixado quando se fora subitamente embora há dois anos.

Swihart era um bom chefe e todos gostavam dele, inclusive Sam. Foi oferecido a Swihart um ótimo trabalho com uma empresa de segurança em Sillicon Valley e ele compreensivelmente mudou-se para pastos mais verdes.

Então agora Sam e os outros policiais respondiam ao chefe Carter Crane. No que dizia respeito a Sam, ele era mediocridade em um departamento cheio de mediocridades. Sam nunca admitiria isso em voz alta, mas tinha certeza de que tinha mais cérebro do que Crane e todos os outros policiais locais juntos.

Seria bom ter uma chance de provar isso, Pensou.

Finalmente, Crane disse, “Recebi um telefonema interessante ontem à noite – de um certo agente especial Brent Meredith em Quantico. Você nunca acreditaria no que ele me disse. Ah, mas provavelmente até sim.”

Sam gemeu de aborrecimento e disse, “Vamos lá, chefe. Vamos direto ao assnto. Liguei para o FBI no final da tarde passada. Conversei com várias pessoas antes de finalmente me conectar com Meredith. Eu pensei que alguém deveria ligar para o FBI. Eles deveriam estar aqui ajudando-nos.”

Crane sorriu e disse, "Não me diga. É porque você ainda acha que o assassinato de Gareth Ogden na noite anterior foi o trabalho de um serial killer que mora aqui em Rushville.”

Sam revirou os olhos.

“Eu preciso explicar tudo de novo?” Ela perguntou. “Toda a família Bonnett foi morta aqui uma noite, dez anos atrás. Alguém bateu em suas cabeças com um martelo. O caso nunca foi resolvido.”

Crane assentiu e disse, “E você acha que o mesmo assassino saiu da toca dez anos depois.”

Sam encolheu os ombros e disse, “Há, obviamente, alguma conexão. O MO é idêntico.”

Crane de repente levantou a voz um pouco.

“Não há conexão. Nós passamos por tudo isso ontem. O MO é apenas uma coincidência. O melhor que podemos dizer é que Gareth Ogden foi morto por algum vagabundo que passava pela cidade. Estamos seguindo cada pista. Mas, a menos que ele faça a mesma coisa em outro lugar, é provável que nunca o peguemos.”

Sam sentiu invadir-se por uma onda de impaciência.

Ela disse, "Se ele era apenas um vagabundo, por que não havia sinal de roubo?"

Crane bateu na mesa com a palma da mão.

"Droga, você não desiste de suas idéias, não é? Nós não sabemos se não houve um roubo. Ogden era burro o suficiente para deixar a porta da frente aberta. Talvez ele também fosse burro o suficiente para deixar um maço de dinheiro em sua mesa de café. O assassino viu e decidiu servir-se, batendo na cabeça de Ogden no processo.”

Recolhendo as pontas dos dedos novamente, Crane acrescentou…

"Agora, isso não soa mais plausível do que um psicopata que passou dez longos anos… fazendo exatamente o quê? Hibernando, talvez?”

Sam respirou longa e profundamente.

Não comece com ele novamente, Disse a si mesma.

Não fazia sentido explicar de novo por que a teoria de Crane a incomodava. Por um lado, e o martelo? Ela mesma notara que os martelos de Ogden ainda estavam perfeitamente arrumados no seu baú de ferramentas. Então, o assassino levava um martelo consigo enquanto andava de cidade em cidade?

Era possível, claro.

Mas parecia-lhe algo ridículo.

Crane grunhiu de mau humor e acrescentou, “Eu disse ao Meredith que você estava entediada e era excessivamente imaginativa e para esquecer tudo isso. Mas, francamente, toda a conversa foi embaraçosa. Eu não gosto quando as pessoas passam por cima de mim. Você não tinha que fazer essas ligações. Pedir ajuda do FBI é meu trabalho, não seu.”

Sam estava rangendo os dentes, lutando para manter seus pensamentos para si mesma.

Ela conseguiu dizer em voz baixa…

"Sim, chefe."

Crane soltou um suspiro de alívio.

"Vou deixar isso passar e não tomar nenhuma ação disciplinar desta vez" Disse ele. “A verdade é que eu ficaria muito mais feliz se nenhum dos caras descobrisse que isso aconteceu. Você contou a mais alguém aqui sobre suas travessuras?”

"Não, chefe."

"Então continue assim" Disse Crane.

Crane virou-se e começou um novo jogo de Tetris quando Sam saiu de seu escritório. Ela foi até a sua mesa, sentou-se e ficou em silêncio.

Se não posso falar com alguém sobre isso, sou capaz de explodir, Pensou.

Mas ela apenas prometeu não conversar com os outros policiais.

Então, quem restava?

Ela conseguia pensar em exatamente uma pessoa… aquela que era a razão pela qual ela estava ali, tentando fazer esse trabalho…

Meu pai.

Ele tinha sido um policial ativo ali quando a família Bonnett fora assassinada.

O fato de o caso não ter sido resolvido o assombrou por anos.

Talvez papai pudesse me dizer alguma coisa, Pensou.

Talvez ele tenha algumas ideias.

Mas Sam desanimou quando percebeu que não seria uma boa ideia. Seu pai estava em uma casa de repouso local e estava sofrendo de ataques de demência. Ele tinha seus dias bons e seus dias ruins, mas levantar um caso de seu passado quase certamente o perturbaria e confundiria. Sam não queria fazer isso.

Agora não tinha muito o que fazer até que seu parceiro, Dominic, aparecesse para a sua ronda matinal. Ela esperava que ele chegasse logo, para que pudessem dar uma volta na área antes que o calor ficasse muito opressivo. Esperava-se que quebrasse alguns recordes naquele dia.

Enquanto isso, não valia a pena em se preocupar com coisas que não dependiam de si – nem mesmo a possibilidade de que um serial killer pudesse estar bem ali em Rushville, se preparando para atacar novamente.

Tente não pensar nisso, Disse a si mesma.

Então ela zombou e murmurou em voz alta…

"Como se isso fosse acontecer."




CAPÍTULO SEIS


O celular de Riley tocou enquanto Blaine os levava de volta a Fredericksburg. Ela ficou surpresa e inquieta ao ver de quem era a chamada.

Isso é algum tipo de emergência? Perguntou-se.

Gabriela nunca ligava para ela só para conversar e fez questão de não ligar durante suas duas semanas na praia. Ela só enviou um texto ocasional para deixar Riley saber que tudo estava bem em casa.

A preocupação de Riley cresceu quando atendeu e ouviu uma nota de alarme na voz de Gabriela…

“Señora Riley, quando chega a casa?”

"Daqui a meia hora" Disse Riley. "Porquê?"

Ela ouviu Gabriela respirar fundo e depois dizer…

"Ele está aqui."

"Quem está aí?" Riley perguntou.

Quando Gabriela não respondeu imediatamente, Riley entendeu…

"Oh meu Deus" Disse ela. "Ryan está aí?"

"Sí" Disse Gabriela.

"O que ele quer?" Riley perguntou.

“Ele não diz. Mas ele diz que é algo importante. Está esperando por você."

Riley quase pediu a Gabriela para colocar Ryan no telefone. Mas então ocorreu a ela – o que quer que Ryan quisesse provavelmente não era nada que ela quisesse discutir no telefone agora. Não com todo mundo ali no carro.

Em vez disso, Riley disse, "Diga a ele que logo voltarei para casa".

"Eu digo" Assentiu Gabriela.

Terminaram a ligação e Riley ficou olhando pela janela do SUV.

Depois de um momento, Blaine disse, "Hum … ouvi você dizer algo sobre…?"

Riley assentiu.

Sentadas atrás deles ouvindo música, as garotas não tinham ouvido nada até aquele momento.

"O quê?" Perguntou April. "O que está acontecendo?"

Riley suspirou e disse, "É seu pai. Ele está em casa esperando por nós.”

April e Jilly manifestaram a sua contrariedade.

Então Jilly disse, "Você não poderia dizer a Gabriela para fazê-lo ir embora?"

Riley estava tentada a dizer que realmente gostaria, mas não seria justo descarregar essa tarefa em Gabriela.

Em vez disso ela disse…

"Você sabe que não posso fazer isso."

April e Jilly gemeram de desânimo.

Riley podia entender como suas duas filhas se sentiam. A última visita não anunciada de Ryan fora desagradável para todo mundo – incluindo Ryan. Sua tentativa de entrar novamente na vida das garotas saíra pela culatra. April tinha sido fria com ele e Jilly fora totalmente rude.

Riley não fora capaz de culpar nenhuma delas.

Muitas vezes, Ryan enchera-as de esperança de que ainda poderia agir como um pai, mas destruíra as esperanças novamente e as garotas não queriam nada com ele.

O que ele quer agora? Riley se perguntou, suspirando novamente.

Fosse o que fosse, ela esperava que não fosse azedar os bons sentimentos de todos em relação as férias. Foram duas lindas semanas, apesar do sonho de Riley sobre o pai dela. Desde então, ela fez o melhor possível para tirar a ligação do agente Meredith de sua mente.

Mas agora as notícias sobre Ryan pareciam acionar seus pensamentos sombrios novamente.

Um martelo, Pensou.

Alguém foi morto com um martelo.

Ela se lembrou com firmeza de que fizera a coisa certa ao dizer não ao chefe Meredith. Além disso, ele não ligara novamente, o que certamente significava que afinal não estava muito preocupado com aquilo.

Provavelmente não era nada, Pensou ela.

Apenas um caso para a polícia local.


*

A ansiedade de todo mundo aumentou quando Blaine puxou seu SUV até a frente da casa de Riley. Um Audi caro estava estacionado na frente. Era o carro de Ryan, é claro – mas Riley não conseguia se lembrar se era o mesmo carro que ele tinha na última vez que ali estivera. Ele gostava de acompanhar os modelos mais recentes, não importando o valor.

Com o SUV estacionado, Blaine gaguejou desajeitadamente. Ele queria ajudar Riley e suas duas filhas a levarem suas malas de volta para a casa, mas…

"Vai ser estranho?" Blaine perguntou a Riley.

Riley reprimiu um gemido.

Claro, Pensou.

Blaine e Ryan raramente se encontravam, mas aqueles encontros dificilmente eram amigáveis – pelo menos por parte de Ryan. Blaine fazia o melhor que podia para ser agradável, mas Ryan era mal-humorado e hostil.

Riley, April e Jilly poderiam facilmente levar suas malas para dentro de uma só vez. Eles realmente não precisavam da ajuda de Blaine e Riley não queria que Blaine se sentisse desconfortável, e ainda assim…

Por que diabos deveria Blaine se sentir desconfortável em minha própria casa?

Mandar Blaine e Crystal irem embora não era solução para esse problema.

Riley disse para Blaine, "Entre".

O grupo levou todos os sacos para dentro da casa. Gabriela os encontrou na porta, junto com o pequeno cachorro de orelhas grandes, Darby. O cachorro saltou ao redor deles com prazer, mas Gabriela não parecia tão feliz.

Quando colocaram as malas na entrada, Riley viu Ryan sentado na sala de estar. Riley ficou alarmada ao ver que ele estava ladeado por duas malas…

Ele está planejando ficar?

O gatinho preto e branco de April, Marbles, estava confortavelmente em seu colo.

Ryan levantou os olhos.

Sorriu fracamente e disse com uma voz patética…

“Um gatinho e um cachorro! Uau, tudo isso é novo!”

Com um suspiro de aborrecimento, April retirou Marbles do colo de Ryan.

Ryan parecia magoado, claro. Mas, novamente, Riley entendeu bem como April se sentia.

Quando April e Jilly se dirigiram para as escadas, Riley disse…

“Esperem meninas. Vocês não têm algo a dizer a Blaine e Crystal?”

Parecendo um pouco envergonhadas com o lapso de suas maneiras, April e Jilly agradeceram a Blaine e Crystal.

Crystal deu a cada uma das garotas um abraço. "Ligo para você amanhã" Disse ela a April.

"Agora levem suas coisas com vocês" Disse Riley.

April e Jilly obedientemente pegaram suas malas. Jilly pegou a maioria de suas outras coisas, porque April ainda estava segurando Marbles em uma mão. Então ambas subiram as escadas e Darby correu atrás delas. Segundos depois vieram dois sons estridentes enquanto fechavam as portas do quarto atrás de si.

Gabriela olhou para Ryan com desalento e se dirigiu para seu próprio apartamento.

Ryan olhou para Blaine e disse timidamente, “Oi, Blaine. Espero que todos tenham tido boas férias.”

Riley ficou surpresa.

Ele está tentando ser educado, Pensou.

Agora ela sabia que algo estava errado.

Blaine deu um pequeno aceno para Ryan e disse, “Foi ótimo, Ryan. Como você tem estado?"

Ryan encolheu os ombros e não disse nada.

Riley estava determinada a não deixar Ryan limitar seu comportamento.

Beijou Blaine suavemente nos lábios e disse, "Obrigada pelas férias maravilhosas."

Blaine corou, obviamente embaraçado com a situação.

"Obrigado a você – e  as suas filhas" Disse ele.

Crystal apertou a mão de Riley e agradeceu.

Blaine falou silenciosamente para Riley, "Me ligue mais tarde."

Riley assentiu e Blaine e sua filha dirigiram-se para seu SUV.

Riley respirou fundo e se virou para a única outra pessoa na sala de estar. Seu ex-marido olhou silenciosamente para ela com olhos suplicantes.

O que ele quer? Ela se perguntou mais uma vez.

Normalmente, quando Ryan aparecia, ela logo percebia que ele ainda era um homem bonito – um pouco mais alto, mais velho e mais atlético do que Blaine, e sempre perfeitamente vestido e arrumado. Mas dessa vez foi de alguma forma diferente. Ele parecia amarrotado, triste e quebrado. Nunca o vira desse jeito.

Riley estava prestes a perguntar o que estava errado quando ele disse…

"Poderíamos talvez tomar uma bebida?"

Riley olhou para o seu rosto por um momento. Estava esgotado e amarelado. Ela imaginou…

Será que tem bebido ultimamente?

Será que bebeu antes de vir aqui?

Riley considerou brevemente negar seu pedido, mas então saiu para a cozinha e serviu bourbon no gelo para os dois. Trouxe as bebidas para a sala de estar e sentou-se em uma cadeira de frente para ele, esperando que ele dissesse alguma coisa.

Finalmente, com os ombros curvados, ele disse em voz baixa…

"Riley… estou arruinado."

Riley ficou surpresa.

O que ele quer dizer? Perguntou-se.




CAPÍTULO SETE


Como Riley ficou lá olhando para ele, Ryan disse novamente…

"Estou arruinado. Toda a minha vida está arruinada.”

Riley ficou chocada. Ela não conseguia se lembrar da última vez que ele falara em tom tão desanimado. Arrogância e autoconfiança eram mais seu estilo.

“O que você quer dizer?” Ela perguntou.

Ele soltou um suspiro longo e miserável e disse, "Paul e Barrett, eles estão me forçando a sair da empresa."

Riley mal podia acreditar no que ouvia.

Paul Vernasco e Barrett Gaynor eram sócios de Ryan desde que os três tinham fundado a empresa juntos. Mais do que isso, eles tinham sido os melhores amigos de Ryan.

Ela perguntou, "O que aconteceu?"

Ryan encolheu os ombros e disse em uma voz reticente, "Algo a ver com um problema na empresa… não sei."

Mas Riley não teve dúvidas de que ele sabia exatamente por que estava sendo forçado a sair.

E levou apenas um momento para ela adivinhar o motivo.

"Assédio sexual" Disse ela.

Ryan estremeceu perante aquelas palavras.

"Olha, foi tudo um mal-entendido" Disse ele.

Riley quase teve que morder a língua para não dizer…

"Sim, aposto que foi."

Evitando olhar para Riley, Ryan continuou, "O nome dela é Kyanne, é uma associada, jovem…"

Como sua voz sumiu por um momento, Riley pensou…

Claro que ela é jovem.

Eles são sempre jovens.

Ryan disse, “E eu pensei que tudo era mútuo. Eu realmente pensei. Começou com algum flerte – de ambas as partes, acredite em mim. Então, a partir daí, até que… bem, ela foi ter com Paul e Barrett reclamando que o ambiente de trabalho era tóxico. Eles tentaram lidar com isso fazendo um acordo de não divulgação, mas ela não se contentou. Nada chegaria, eu acho, exceto que eu fosse embora.”

Ele calou-se novamente e Riley tentou entender tudo o que ele não dizia. Não foi difícil montar um cenário possível. Ryan ficara fascinado por uma associada bonita e vivaz, talvez uma jovem ambiciosa, de olho em uma eventual parceria.

Quão longe Ryan fora? Ela imaginou.

Riley duvidava que ele tivesse prometido uma promoção em troca de favores sexuais…

Ele não é esse tipo de babaca, Pensou.

E talvez Ryan também estivesse dizendo a verdade sobre a atração ser mútua, pelo menos no começo. Talvez eles tivessem tido um caso consensual. Mas em algum momento as coisas azedaram e a mulher, Kyanne, não gostou do que estava acontecendo entre eles.

Provavelmente com um bom motivo, Riley pensou.

Como poderia Kyanne ter evitado pensar que seu futuro com a empresa estava de alguma forma ligado ao relacionamento dela com Ryan? Ele era sócio da empresa. Ele exercia o poder em seu relacionamento.

Ainda assim, algo não fazia sentido para Riley…

Ela disse, “Então Paul e Barrett estão te forçando a sair? Essa é a solução deles?”

Ryan assentiu e Riley abanou a cabeça com descrença.

Paul e Barrett não eram exatamente uns Escoteiros e Riley ouvira conversas bem obscenas entre os três parceiros ao longo dos anos. Ela tinha certeza de que o comportamento deles não era melhor do que o de Ryan – possivelmente até era pior.

Riley disse, "Ryan, você disse que ela não assinaria um NDA".

Ryan assentiu e tomou um gole de sua bebida.

Com muita cautela, ela perguntou, "Quantos NDAs de assédio sexual você teve ao longo dos anos?"

Ryan estremeceu novamente e Riley sabia que tinha acertado num ponto sensível.

Acrescentou, "E Paul e Barrett – quantos NDAs tiveram que negociar por si mesmos?"

Ryan começou, "Riley, eu prefiro não entrar em…"

"Não, claro que você não iria" Interrompeu Riley. “Ryan, você está sendo um bode expiatório. Você sabe disso, não sabe? Paul e Barrett estão tentando limpar a imagem da empresa, fazer com que pareça que eles têm algum tipo de política de tolerância zero em relação ao assédio. Livrar-se de você é o jeito deles fazerem isso”.

Ryan encolheu os ombros e disse, “Eu sei. Mas o que posso fazer?"

Riley não sabia o que lhe dizer. Ela não queria simpatizar com ele. Ele estava cavando esse buraco por anos. Mesmo assim, ela odiava a armadilha que seus parceiros tinham preparado para ele.

Mas Riley sabia que não havia nada que ele pudesse fazer sobre isso naquele momento. Além disso, algo mais a preocupava.

Acenando para as malas, perguntou, "O que é isso?"

Ryan olhou para as malas por um momento.

Então disse com a voz embargada, "Riley, eu não posso ir para casa".

Riley não queria acreditar no que ouvia.

“O que você quer dizer?” Ela perguntou. "Você perdeu a casa?"

"Não, ainda não. É só que…"

A voz de Ryan sumiu, então ele disse…

"Eu não posso enfrentar isso sozinho. Eu não posso morar sozinha naquela casa. Eu continuo lembrando momentos felizes com você e April. Eu continuo pensando sobre o quanto eu estraguei tudo para todos nós. Aquele lugar quebra meu coração, Riley.”

Ele pegou o lenço e enxugou os olhos. Riley ficou chocada. Ela raramente vira Ryan chorar. Quase sentiu vontade de também chorar.

Mas sabia que tinha um problema sério para resolver naquele momento.

Ela disse com uma voz gentil…

"Ryan, você não pode ficar aqui."

Ryan se encolheu como um balão furado. Riley desejou que suas palavras não fossem tão dolorosas. Mas tinha que ser honesta.

"Eu tenho minha própria vida agora" Disse ela. “Eu tenho duas meninas para criar. E é uma boa vida. Blaine e eu temos uma relação séria – realmente séria. Na verddae…"

Ela quase contou a ele sobre os planos de Blaine para construir em sua casa.

Mas não, isso seria demais.

Em vez disso, ela disse, "Você pode vender a nossa antiga casa."

"Eu sei" Disse Ryan, ainda chorando baixinho. "Eu planeio fazer isso. Mas entretanto… eu simplesmente não posso viver lá.”

Riley desejou poder fazer alguma coisa para consolá-lo, pegar sua mão, dar-lhe um abraço ou algum outro gesto físico de conforto.

Era tentador e alguns de seus velhos sentimentos por ele estavam crescendo dentro dela, mas…

Não faça isso, Disse a si mesma.

Fique calma.

Pense em Blaine.

Pense nas crianças.

Ryan estava chorando pateticamente. Em uma voz verdadeiramente frenética, ele disse…

“Riley, me desculpe. Eu quero começar tudo de novo. Eu quero ser um bom marido e um bom pai. Certamente eu posso fazer isso se… nós tentarmos novamente.”

Ainda mantendo espaço físico entre eles, Riley disse…

“Ryan, não é possível. É muito tarde para isso.”

"Nunca é tarde demais" Disse Ryan. "Vamos embora, apenas nós dois e resolvemos tudo."

Riley estremeceu profundamente.

Ele não sabe o que está dizendo, Pensou.

Ele está tendo um colapso nervoso.

Também tinha certeza que ele já bebera naquele dia.

Então, com uma risada nervosa, ele disse…

"Já sei! Vamos até a cabana do seu pai! Eu nunca estive lá, você pode acreditar? Nem uma vez em todos esses anos. Podemos passar alguns dias lá e…”

Riley interrompeu-o bruscamente, "Ryan não".

Ele olhou para ela como se não pudesse acreditar no que ouvia.

Com uma voz mais gentil, Riley disse, “Eu vendi a cabana, Ryan. E mesmo que não tivesse…”

Ela ficou em silêncio por um momento, depois disse…

“Ryan, você precisa se libertar disso. Eu queria poder ajudar você, mas não posso.”

Os ombros de Ryan caíram e seus soluços ficaram mais silenciosos. Ele parecia estar considerando as palavras de Riley.

Ela disse, "Você é um homem duro, inteligente e cheio de recursos. Você pode resolver tudo isso. Eu sei que você pode. Mas eu não posso fazer parte disso. Não seria bom para mim – e se você for honesto consigo mesmo, você sabe que não seria bom para você também."

Ryan assentiu com tristeza.

"Você está certa" Ele disse, sua voz mais firme agora. "É minha própria bagunça e eu tenho que consertar isso. Me desculpe por ter incomodado você. Eu vou para casa agora.”

Quando ele se levantou, Riley disse…

"Espere um minuto. Você não está em condições de dirigir para casa. Deixe-me levar você. Você pode voltar e pegar seu carro quando estiver se sentindo melhor.”

Ryan assentiu novamente.

Riley ficou aliviada por não terem uma discussão sobre isso e ela não ter tido que tirar as chaves do carro dele à força.

Riley finalmente se atreveu a levá-lo pelo braço enquanto o encaminhava para seu próprio carro. Ele realmente parecia precisar do apoio físico dela.

Ambos ficaram em silêncio durante a viagem. Quando pararam na grande e bela casa que compartilhavam, ele disse, “Riley, há algo que eu queria dizer a você. Eu acho que você se saiu muito bem. E desejo a você toda felicidade.”

Riley sentiu um nó na garganta.

"Oh, Ryan…" Ela começou.

“Não, por favor, me escute, porque isso é importante. Eu te admiro. Você fez muitas coisas ótimas. Você tem sido uma ótima mãe para April, e você adotou Jilly, e está começando uma relação, e posso dizer que ele é um ótimo cara. E o tempo todo você tem feito o seu trabalho, prendendo vilões, salvando vidas. Eu não sei como você fez isso. Sua vida é formidável.”

Riley ficou profundamente assustada e profundamente perturbada.

Quando foi a última vez que Ryan dissera algo assim para ela?

Ela simplesmente não tinha ideia do que dizer.

Para seu alívio, Ryan saiu do carro sem dizer outra palavra.

Riley ficou olhando para a casa enquanto Ryan entrava, se compadecendo dele. Ela não podia se imaginar enfrentando sozinha aquela casa – não com todas as memórias que ela abrigava, boas ou más.

E aquelas palavras que ele dissera…

"Sua vida é formidável."

Ela suspirou e murmurou em voz alta…

"Não é verdade."

Ainda era uma luta para ela, criar duas garotas enquanto trabalhava em um trabalho desgastante e muitas vezes perigoso. Ela era muito solicitada, tinha muitos compromissos e ainda não aprendera a lidar com isso.

Sempre seria assim?

E como Blaine iria se encaixar nisso tudo?

Um casamento bem-sucedido era possível para ela?

Riley estremeceu ao pensar que talvez estivesse no lugar de Ryan um dia.

Então se afastou da casa onde havia morado e dirigiu de volta para casa.




CAPÍTULO OITO


Riley estava andando de um lado para o outro em sua sala de estar.

Ela disse a si mesma que deveria apenas relaxar agora, que aprendera tudo sobre relaxar em suas recentes férias. Mas quando pensou sobre isso, se viu lembrando o que seu pai havia dito em seu pesadelo…

"Você é uma caçadora, como eu."

Mas ela certamente não se sentia como uma caçadora naquele momento.

Mais como um animal enjaulado, Pensou.

Ela acabara de chegar a casa depois de levar as meninas para o primeiro dia de aulas. Jilly estava feliz por finalmente estar no mesmo colégio que sua irmã. Os novos alunos e seus pais receberam as boas-vindas habituais no auditório, depois uma rápida visita às salas de aula dos alunos. April pôde se juntar a Riley e Jilly para a ronda.

Embora Riley não tivesse tido a chance de conversar longamente com cada professor, conseguiu cumprimenta-los e se apresentar como a mãe de Jilly e April como irmã de Jilly. Alguns dos novos professores de Jilly tinham sido professores de April nos anos anteriores e tinham coisas agradáveis a dizer sobre ela.

Quando Riley quis ficar por perto depois das apresentações, as duas garotas brincaram com ela.

"E fazer o quê?" April perguntou. "Ir a todas as aulas de Jilly?"

Riley tinha dito que talvez fosse, provocando um gemido de desespero de Jilly.

“Mã-e-e-e! Isso seria tão pouco legal!”

April riu e disse, "Mãe, não seja um helicóptero".

Quando Riley perguntou o que era um “helicóptero”, April informou que significava “progenitor helicóptero”.

Um desses termos que eu deveria conhecer, Riley pensou.

De qualquer forma, Riley respeitara o orgulho de Jilly e voltara para casa – e agora ali estava. Gabriela saíra para encontrar um de seus numerosos primos para o almoço e depois fazer algumas compras de supermercado. Então Riley estava sozinha em casa, tirando a presença de um cachorro e de um gato que não pareciam nem um pouco interessados nela.

Eu tenho que sair disso, Pensou.

Riley foi até a cozinha e preparou um lanche. Então se forçou a sentar na sala de estar e ligou a TV. As notícias eram deprimentes, então ela mudou para uma novela. Não tinha ideia do que estava acontecendo na história, mas era divertida, pelo menos por um tempo.

Mas sua atenção logo se desvaneceu e se viu pensando sobre o que Ryan tinha dito durante a sua visita horrível quando ela voltara da praia…

"Eu não posso enfrentar isso sozinho. Eu não posso morar sozinho naquela casa.”

Agora, Riley tinha uma ideia de como ele se sentia.

Ela e seu ex-marido eram mais parecidos do que ela queria admitir?

Riley tentou se convencer do contrário. Ao contrário de Ryan, ela estava cuidando de sua família. Mais tarde nesse dia, as meninas e Gabriela estariam em casa e jantariam juntas. Talvez neste fim-de-semana, Blaine e Crystal se juntassem a eles.

Esse pensamento lembrou Riley que Blaine tinha sido um pouco reservado para ela desde que a coisa toda com Ryan havia acontecido. Riley podia entender o porquê. Riley não quisera falar com Blaine sobre a visita depois – parecia muito íntimo e pessoal – e era natural que Blaine se sentisse desconfortável com isso.

Ela queria telefonar-lhe naquele momento, mas sabia que Blaine estava muito ocupado em seu restaurante agora que as férias tinham terminado.

Então ali estava Riley, sentindo-se terrivelmente sozinha em sua própria casa…

Assim como o Ryan.

Ela não podia deixar de se sentir um pouco culpada em relação ao ex-marido – embora não conseguisse imaginar porquê. Nada do que estava errado em sua vida era culpa dela. Mesmo assim, sentia a necessidade de lhe ligar, saber como ele estava, talvez se solidarizar com ele um pouco. Mas claro, essa foi uma ideia incrivelmente idiota. A última coisa que ela queria fazer era dar-lhe quaisquer sinais falsos de que se poderiam conciliar novamente.

Enquanto os personagens da novela argumentavam, choravam, batiam uns nos outros e iam para a cama uns com os outros, algo ocorreu a Riley.

Às vezes, sua própria vida em casa, sua família e relacionamentos não pareciam mais reais para ela do que o que ela estava assistindo na TV. A presença real de seus entes queridos tendia a distraí-la de sua profunda sensação de isolamento. Mas mesmo apenas algumas horas sozinha na casa foi o suficiente para lembrá-la dolorosamente de como realmente se sentia sozinha por dentro.

Havia um lugar vazio dentro dela que só podia ser preenchido por…

O quê exatamente?

Pelo trabalho.

Mas quão significativo era o trabalho dela, para si mesma ou para qualquer outra pessoa?

Novamente ela se lembrou de algo que seu pai havia dito naquele sonho…

"É uma maldita vida inútil que você tem – buscando justiça para as pessoas que já estão mortas, exatamente as pessoas que não precisam mais de justiça."

Ela imaginou…

Isso é verdade?

O que eu faço é realmente inútil?

Certamente não, já que muitas vezes ela prendera assassinos que teriam matado novamente se pudessem.

Ela salvou vidas a longo prazo – quantas vidas, nem conseguia imaginar.

E no entanto, para que ela tivesse um trabalho a fazer, alguém tinha que matar e alguém tinha que morrer…

Sempre começa com a morte.

E frequentemente, seus casos continuavam a incomodá-la e assombrá-la, mesmo depois de terem sido resolvidos, depois de os assassinos serem mortos ou presos.

Riley desligou a televisão. Então sentou-se, fechou os olhos e pensou em seu caso mais recente, o de um serial killer na Geórgia.

Pobre Morgan, Pensou.

Morgan Farrell tinha sido casado com um homem rico mas abusivo. Quando ele fora brutalmente esfaqueado até a morte enquanto dormia, Morgan tinha certeza de que ela era a pessoa que o matara, mesmo que não conseguisse se lembrar da ação.

Ela tinha certeza de que tinha esquecido por causa de pílulas e álcool.

E estava orgulhosa do que pensava ter feito. Ela até ligou para Riley por telefone para dizer a ela…

"Eu matei o filho da puta."

Morgan, afinal, era inocente. Outra mulher demente matara o marido de Morgan – e vários outros maridos igualmente abusivos.

A mulher, que sofrera nas mãos do falecido marido, estava em uma missão de vigilância para libertar outras mulheres daquela dor. Riley a tinha detido antes que ela pudesse erroneamente matar um homem que não era culpado de nada, exceto amar sua esposa perturbada e delirante.

Riley lembrou a cena em sua mente, depois de lutar com a mulher no chão e lhe colocar as algemas…

"Adrienne McKinney, você está presa."

Mas agora Riley se perguntava…

E se tudo pudesse ter terminado de forma diferente?

E se Riley fosse capaz de salvar o homem inocente, explicar à mulher o erro que cometera, e então simplesmente a tivesse deixado ir?

Ela teria continuado a matar, Pensou Riley.

E os homens que ela matou teriam merecido morrer.

Então, que tipo de justiça ela realmente realizou daquela vez?

Riley desanimou e se lembrou novamente das palavras de seu pai…

"É uma maldita vida inútil que você tem."

Por um lado, ela estava desesperadamente tentando viver a vida de uma mãe criando duas filhas, a vida de uma mulher apaixonada por um homem com quem ela esperava se casar. Às vezes, aquela vida parecia estar funcionando para ela e ela sabia que nunca iria parar de tentar ser boa nisso.

Mas assim que se viu sozinha, a vida comum parecia irreal.

Por outro lado, lutou contra adversidades terríveis para derrubar monstros. Seu trabalho era intensamente importante para ela, embora muitas vezes começasse e terminasse em pura futilidade.

Riley sentia-se perfeitamente miserável agora. Apesar da hora adiantada, estava tentada a se servir de uma bebida forte. Ao resistir à tentação, o telefone tocou. Quando viu quem era o interlocutor, deu um suspiro enorme de alívio.

Isso era real.

Ela tinha trabalho a fazer.




CAPÍTULO NOVE


Durante seu caminho para o edifício da UAC, Riley percebeu que seus sentimentos estavam misturados em relação ao retorno ao trabalho. Quando Meredith lhe ligou, ela sabia pelo seu tom de voz que ele não estava de bom humor.

Ele não ofereceu nenhum detalhe. Só dissera que estava convocando uma reunião de sua equipe sobre alguns novos desenvolvimentos. Ela ficou aliviada por sair de casa e ir para Quantico. Agora imaginava por que Meredith estava zangado.

Cerca de uma semana e meia atrás, ele sugerira que ela fosse a Rushville, Mississippi, para verificar um assassinato que acabara de acontecer ali. Riley lhe dissera não.

Mas Meredith não parecera zangado com ela então. Na verdade, ele se desculpou por tê-la incomodado.

"Eu sinto muito por ter incomodado você" Disse. “Continue aproveitando suas férias.”

Algo havia mudado desde então.

Qualquer que fosse a mudança, provavelmente significava que ela tinha um trabalho real a fazer. Riley ficou mais animada quando parou em frente ao grande edifício branco que continha a Unidade de Análise Comportamental. Percebeu que era como voltar para casa.

Depois que estacionou o carro, Riley abriu o porta-malas e tirou sua mala, que mantinha sempre pronta. Sabia que era provável que estivesse prestes a partir para um novo caso.

Quando entrou na sala de conferências, a reunião estava começando. Os dois parceiros de Riley, Bill Jeffreys e Jenn Roston, estavam sentados no lado oposto da mesa face ao agente especial Brent Meredith, o chefe da equipe.

Como sempre, Meredith apresentava uma figura assustadora, com sua grande estrutura e suas feições angulosas e negras.

Mas naquele dia parecia mais intimidante do que o habitual. Encarou Riley quando ela se sentou à mesa.

Então retrucou, "Como foram suas férias, Agente Paige?"

Suas palavras afiadas atingiram Riley. Em vez de responder à pergunta de Meredith, ela retribuiu o olhar e disse com firmeza, "Estou pronta para voltar ao trabalho".

Meredith assentiu com aprovação soturna.

Então disse, "Agora que estamos todos aqui, vamos começar".

Olhando para seus três colegas, Meredith acrescentou, “Eu fiquei pensando sobre o assassinato em Rushville, Mississippi – aquele em que a policial local nos telefonou. Eu pedi ao agente Jeffreys para fazer uma pequena pesquisa sobre o assunto. Ele fez e agora está pensando que talvez devêssemos investigar isso afinal. Gostaria de explicar, agente Jeffreys?”

"Certamente" Disse Bill erguendo-se e caminhando até a tela na frente da sala. Bill tinha sido parceiro e amigo íntimo de Riley por muitos anos, e Riley estava feliz em vê-lo ali. Ele tinha mais ou menos a idade dela, um homem sólido e marcante, com toques de cinza no cabelo escuro.

Bill clicou em um controle remoto e algumas imagens apareceram na tela. Uma era de um homem de aparência taciturna na casa dos cinquenta. O outro era do cadáver do mesmo homem estendido no chão de madeira, com uma única ferida profunda e brutal na testa.

Apontando para as imagens, Bill explicou…

Gareth Ogden foi morto em sua casa em Rushville há onze dias. O assassinato ocorreu às oito e meia da noite. Ele foi morto com um único golpe de martelo na testa.

Olhando para Riley e Jenn, Meredith acrescentou, “Este foi o assassinato que fez com que a policial local chamasse a UAC. Ela era muito insistente e acabei falando com ela. Estava preocupada com a semelhança da morte de Ogden com os assassinatos não resolvidos de uma família inteira que acontecera em Rushville há dez anos.”

"Isso mesmo" Disse Bill. "Comecei a investigar e foi isso que encontrei."

Bill clicou no controle remoto novamente e um novo conjunto de imagens apareceu. Um homem e uma mulher estavam em uma cama ensopada de sangue, seus crânios literalmente pulverizados. As outras duas vítimas, mortas de maneira idêntica, jaziam em suas próprias camas – uma delas era adolescente e a outra, uma menina de dez ou doze anos.

Bill explicou…

Enquanto a família Bonnett dormia, um intruso entrou em sua casa. Primeiro espancou a filha, Lisa, até a morte em seu quarto. Depois disso, ele se arrastou até o quarto onde seu irmão, Martin, dormia, e o matou também. Finalmente, foi para o quarto dos pais. Desfez a cabeça de Leona Bonnett enquanto ela dormia. Seu marido, Cosmo, parece ter sido despertado e uma breve luta se seguiu antes de ele se tornar a vítima final ”.

Jenn Roston olhou para a tela e disse, “É chocante, claro. Mas se houver uma conexão entre o assassinato da família e a morte de Ogden, não tenho certeza se a vejo – além da arma usada.”

Riley assentiu em aprovação. Jenn era uma jovem afro-americana que já provara ser uma agente extraordinariamente capaz durante seu curto período de tempo na UAC. Riley e Jenn trabalharam juntas em vários casos. Seu relacionamento tinha sido complicado no início, mas depois começaram a confiar uma na outra.

Meredith disse, “Explique, agente Roston.”

Jenn apontou para as imagens terríveis na tela e disse, “Os assassinatos dos Bonnett foram notavelmente brutais. Parece que cada uma de suas cabeças foi repetidamente batida, golpe após golpe. Os assassinatos foram claramente realizados com fúria, por razões profundamente pessoais. Agente Jeffreys, você poderia nos mostrar essas outras fotos de novo?”

Bill clicou no controle remoto e as fotos de Ogden apareceram.

Jenn apontou para a foto de seu cadáver e disse, “O assassinato de Ogden foi rápido e limpo em comparação. Ele morreu do que parece ser um único golpe de martelo na testa. Nenhuma raiva envolvida. Sua morte parece fria e… qual é a palavra que estou procurando? Quase cirúrgica.”

Riley estava intrigada e o que Jenn estava dizendo fazia sentido para ela.

"Sim e assassinatos com um martelo são realmente muito comuns" Disse Riley. "Pode ter sido apenas uma coincidência."

Meredith perguntou a Bill, "Qual é o tamanho de Rushville?"

Bill disse, “É apenas uma pequena cidade na costa do Golfo, com uma população de cerca de sessenta e cinco mil. Isso é parte do que me incomoda. Eles normalmente não têm nenhum crime violento – apenas alguns assaltos, roubos e roubos de carros. Então, se é uma coincidência, é bem estranho – um novo assassinato cometido com um martelo em uma cidade como essa, mesmo depois de um longo período de tempo”.

Jenn coçou o queixo e disse, “Então, o que você está pensando – que um único assassino esteve adormecido todo esse tempo? Não é um pouco forçado?”

"Na verdade não" Disse Bill. "Você está familiarizada com o chamado assassino ATM?"

Jenn balançou a cabeça negativamente.

Claro, Riley sabia a que assassino Bill estava se referindo e ela estava interessada em ouvir o que ele pretendia dizer.

Bill mostrou mais algumas fotos mostrando as vítimas amarradas, espancadas e estranguladas do assassino ATM.

Ele disse, “Dennis Rader era um psicopata clássico – aparentemente charmoso, um escoteiro e presidente da congregação de sua igreja. Mas seus assassinatos foram tão brutais que ele se autodenominou assassino ATM – as iniciais significavam "amarrar, torturar e matar". Ele matou quatro membros de uma família em 1988, depois uma única mulher no mesmo ano.

Meredith acrescentou, “Então ele desapareceu por três anos antes de matar novamente. Continuou adormecido entre seus dez assassinatos, às vezes ficando mais de cinco anos sem atividade.”

"Isso mesmo” Disse Bill. “Durante seus anos ativos, ele enviou cartas provocadoras para a mídia. Então desapareceu completamente por dez anos. Começou a enviar cartas novamente em 2004 e isso levou à sua prisão e condenação em 2005, mais de quarenta anos depois de ter começado a matar.”

Bill fez uma pausa, parecendo esperar por alguma resposta.

Meredith franziu a testa e disse, “Eu vejo algumas semelhanças, mas também algumas diferenças. Se há um serial killer em Rushville, ele não está procurando publicidade. Lembre-se, o assassino ATM ansiava positivamente por publicidade e ficava muito irado quando não recebia atenção suficiente. Algumas das fotos que você está mostrando foram tiradas por ele e enviadas à mídia, junto com lembranças das cenas de crime.”

Riley disse para Bill, "Ainda assim, vejo onde você quer chegar. Não só o assassino ATM permaneceu adormecido por anos de cada vez, mas seu MO mudou. Ele começou como um "aniquilador familiar" clássico, depois mudou para vítimas únicas em série. Talvez Rushville tenha o mesmo tipo de assassino.”

Bill concordou e disse, “Se assim for, esses dez anos entre os assassinatos foram apenas um período incomumente longo de reflexão. Os assassinatos originais podem ter sido de raiva, mas talvez o cara tenha achado que gostou. Talvez ele tenha passado muito tempo pensando em como poderia repetir. Nós simplesmente não sabemos o que está acontecendo naquela cidade e eu prefiro não arriscar para que isso nunca mais volte a acontecer.”




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