O Orbe de Kandra 
Morgan Rice


Oliver Blue e a Escola de Videntes #2
Um início poderoso de uma série  oferece uma combinação de protagonistas determinados e circunstâncias desafiadoras para envolver completamente não apenas jovens, mas também fãs adultos de fantasia, que procuram histórias épicas alimentadas por poderosas amizades e vilões. Midwest Book Review (Diane Donovan) (em relação a Um Trono para Irmãs) A imaginação de Morgan Rice não tem limites! Books and Movie Reviews (em relação a Um Trono para Irmãs) A autora de bestsellers Morgan Rice apresenta uma nova série de livros para o público infanto-juvenil – e para adultos também! Fãs de Harry Potter e Percy Jackson: não precisam mais procurar! Em O ORBE DE KANDRA: OLIVER BLUE E A ESCOLA DE VIDENTES (LIVRO DOIS), Oliver Blue, de 11 anos, está de volta ao presente, correndo contra o tempo para salvar Armando antes de seu assassinato. Mas quando Oliver fica sabendo que o Orbe sagrado de Kandra foi roubado, ele sabe que depende dele – e apenas dele – salvar a Escola. E a única maneira de fazer isso é viajar de volta no tempo, para a Inglaterra na década de 1690, e salvar uma pessoa muito importante: Sir Isaac Newton. Enquanto isso, é preciso temer a Escola Obsidiana, que também possui Videntes poderosos, todos voltados para destruir Oliver. E quando eles recebem e transformam o irmão valentão de Oliver, Chris, isso poderá significar uma luta até a morte. Uma fantasia inspiradora, O ORBE DE KANDRA é o volume 2 de uma fascinante nova série, repleta de magia, amor, humor, decepções, tragédia, golpes do destino e reviravoltas impressionantes. Você vai se apaixonar por Oliver Blue e continuará virando as páginas até tarde da noite. O Livro 3 da série (OS OBSIDIANOS) também está disponível! Aqui há o início de algo notável.  --San Francisco Book Review (sobre Em Busca de Heróis) Também disponíveis são as várias séries de Morgan Rice do gênero fantasia, incluindo EM BUSCA DE HERÓIS (LIVRO 1 da série O ANEL DO FEITICEIRO), disponível para download gratuito, com mais de 1,3 mil resenhas cinco estrelas!







O ORBE DE KANDRA



(OLIVER BLUE E A ESCOLA DE VIDENTES — LIVRO DOIS)



MORGAN RICE


Morgan Rice



Morgan Rice é a best-seller nº1 e a autora do best-selling do USA TODAY da série de fantasia épica O ANEL DO FEITICEIRO, composta por dezassete livros; do best-seller nº1 da série OS DIÁRIOS DO VAMPIRO, composta por doze livros; do best-seller nº1 da série TRILOGIA DA SOBREVIVÊNCIA, um thriller pós-apocalíptico composto por três livros; da série de fantasia épica REIS E FEITICEIROS, composta por seis livros; da série de fantasia épica DE COROAS E GLÓRIA, composta por oito livros; da série de fantasia épica UM TRONO PARA IRMÃS, composta por 8 livros (a continuar); e da nova série de ficção científica AS CRÓNICAS DA INVASÃO, composta por 3 livros (a continuar). Os livros de Morgan estão disponíveis em edições áudio e impressas e as traduções estão disponíveis em mais de 25 idiomas.



Morgan adora ouvir a sua opinião, pelo que, por favor, sinta-se à vontade para visitar www.morganricebooks.com (http://www.morganricebooks.com) e juntar-se à lista de endereços eletrónicos, receber um livro grátis, receber ofertas, fazer o download da aplicação grátis, obter as últimas notícias exclusivas, ligar-se ao Facebook e ao Twitter e manter-se em contacto!


Opiniões da Crítica para Morgan Rice



"Se você achou que não havia mais motivos para viver após o final da série O Anel do Feiticeiro, pense de novo. Em A ASCENSÃO DOS DRAGÕES, Morgan Rice começa o que pode se tornar mais uma série brilhante, que nos levará a um mundo de fantasia com trolls e dragões em uma história de luta, honra, coragem, magia e fé no próprio destino. Mais uma vez, Morgan conseguiu criar personagens fortes que deixarão todos na torcida a cada página... Recomendado para fazer parte da biblioteca permanente de leitores que apreciam o gênero de fantasia".

--Books and Movie Reviews, Roberto Mattos



"Uma fantasia repleta de ação que com certeza deve agradar os fãs dos livros anteriores de Morgan Rice, assim como quem gosta de livros como os do CICLO A HERANÇA, de Christopher Paolini… O público jovem vidrado em obras ficção vai devorar esta mais recente obra de Rice e implorar por mais."

--The Wanderer, A Literary Journal (em relação a Ascensão dos Dragões)



"Um livro de fantasia que combina elementos de intriga e mistério em seu enredo. Em Busca de Heróis trata da coragem e da realização de um propósito de vida que leva ao crescimento, maturidade e excelência... Para quem procura aventuras de fantasia consistentes, os protagonistas, tramas e ação oferecem um vigoroso conjunto de encontros que foca na evolução de Thor, de uma criança sonhadora a um jovem que enfrenta enormes desafios para sobreviver... É apenas o começo do que promete ser uma série épica para o público jovem".

--Midwest Book Review (D. Donovan, eBook Reviewer)



"O ANEL DO FEITICEIRO reúne todos os ingredientes para um sucesso instantâneo: tramas, intrigas, mistério, bravos cavaleiros e florescentes relacionamentos repletos de corações partidos, decepções e traições. O livro manterá o leitor entretido por horas e agradará a todas as idades. Recomendado para fazer parte da biblioteca permanente de todos os leitores do gênero de fantasia."

--Books and Movie Reviews, Roberto Mattos



"Neste livro recheado de ação, o primeiro da série de fantasia O Anel do Feiticeiro (que atualmente conta com 14 livros), Rice apresenta aos leitores o garoto de 14 anos Thorgin "Thor" McLeod, cujo sonho é juntar-se ao Exército Prata, os cavaleiros de elite do rei... A narrativa de Rice é sólida e intrigante".

--Publishers Weekly


Livros de Morgan Rice



OLIVER BLUE E A ESCOLA DE VIDENTES

A FÁBRICA MÁGICA (Livro 1)

O ORBE DE KANDRA (Livro 2)

OS OBSIDIANOS (Livro 3)



AS CRÔNICAS DA INVASÃO

TANSMISSÃO (Livro 1)

CHEGADA (Livro 2)



O CAMINHO DA ROBUSTEZ

APENAS OS DIGNOS (Livro n.º 1)



UM TRONO PARA IRMÃS

UM TRONO PARA IRMÃS (Livro n.º 1)

UMA CORTE PARA LADRÕES (Livro n.º 2)



DE COROAS E GLÓRIA

ESCRAVA, GUERREIRA, RAINHA (Livro n.º 1)

VADIA, PRISIONEIRA, PRINCESA (Livro n.º 2)

CAVALEIRO, HERDEIRO, PRÍNCIPE (Livro n.º 3)

REBELDE, PEÃO, REI (Livro n.º 4)

SOLDADO, IRMÃO, FEITICEIRO (Livro n.º 5)

HEROÍNA, TRAIDORA, FILHA (Livro n.º 6)

GOVERNANTE, RIVAL, EXILADA (Livro n.º 7)

VENCEDORA, DERROTADA, FILHO (Livro n.º 8)



REIS E FEITICEIROS

A ASCENSÃO DOS DRAGÕES (Livro n.º 1)

A ASCENSÃO DOS BRAVOS (Livro n.º 2)

O PESO DA HONRA (Livro n.º 3)

UMA FORJA DE VALENTIA (Livro n.º 4)

UM REINO DE SOMBRAS (Livro n.º 5)

A NOITE DOS CORAJOSOS (Livro n.º 6)



O ANEL DO FEITICEIRO

EM BUSCA DE HERÓIS (Livro n.º 1)

UMA MARCHA DE REIS (Livro n.º 2)

UM DESTINO DE DRAGÕES (Livro n.º 3)

UM GRITO DE HONRA (Livro n.º 4)

UM VOTO DE GLÓRIA (Livro n.º 5)

UMA CARGA DE VALOR (Livro n.º 6)

UM RITO DE ESPADAS (Livro n.º 7)

UM ESCUDO DE ARMAS (Livro n.º 8)

UM CÉU DE FEITIÇOS (Livro n.º 9)

UM MAR DE ESCUDOS (Livro n.º 10)

UM REINADO DE AÇO (Livro n.º 11)

UMA TERRA DE FOGO (Livro n.º 12)

UM GOVERNO DE RAINHAS (Livro n.º 13)

UM JURAMENTO DE IRMÃOS (Livro n.º 14)

UM SONHO DE MORTAIS (Livro n.º 15)

UMA JUSTA DE CAVALEIROS (Livro n.º 16)

O DOM DA BATALHA (Livro n.º 17)



TRILOGIA DE SOBREVIVÊNCIA

ARENA UM: TRAFICANTES DE ESCRAVOS (Livro nº1)

ARENA DOIS (Livro n.º 2)

ARENA TRÊS (Livro n.º 3)



VAMPIRO, APAIXONADA

ANTES DO AMANHECER (Livro n.º 1)



MEMÓRIAS DE UM VAMPIRO

TRANSFORMADA (Livro n.º 1)

AMADA (Livro n.º 2)

TRAÍDA (Livro n.º 3)

PREDESTINADA (Livro n.º 4)

DESEJADA (Livro n.º 5)

COMPROMETIDA (Livro n.º 6)

PROMETIDA (Livro n.º 7)

ENCONTRADA (Livro n.º 8)

RESSUSCITADA (Livro n.º 9)

ALMEJADA (Livro n.º 10)

DESTINADA (Livro n.º 11)

OBCECADA (Livro n.º 12)


Você sabia que eu escrevi várias séries? Se ainda não leu todas, clique na imagem abaixo para começar!






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Copyright © 2018 por Morgan Rice. Todos os direitos reservados. Exceto como permitido pelo Ato de Direitos Autorais dos EUA, publicado em 1976, nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida, distribuída ou transmitida em qualquer formato ou por qualquer meio, ou armazenada num banco de dados ou sistema de recuperação, sem permissão prévia da autora. Este eBook está licenciado apenas para uso pessoal. Este eBook não pode ser revendido ou doado a outras pessoas. Se você quiser compartilhar este eBook com outra pessoa, por favor, compre uma cópia adicional para cada indivíduo. Se você está lendo este livro sem tê-lo comprado, ou se não foi adquirido apenas para seu uso, por favor, devolva-o e compre seu próprio exemplar. Obrigado por respeitar o trabalho da autora. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, empresas, organizações, lugares, eventos e incidentes são produto da imaginação da autora ou usados de forma fictícia. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência. Imagem de capa: DreamcatcherDiana, todos os direitos reservados. Usada sob licença da Shutterstock.com.


ÍNDICE

CAPÍTULO UM (#ue0f38f0a-0cdd-5742-813d-7b16741f2529)

CAPÍTULO DOIS (#u77b8d8c7-33a4-57ca-8cbb-c130ebd35f7a)

CAPÍTULO TRÊS (#uf0f8254b-bb3b-519d-8976-3f21953b8f6b)

CAPÍTULO QUATRO (#u1ad86901-b906-5420-9893-1d885b8c3584)

CAPÍTULO CINCO (#u66364255-60ff-5340-87b4-be883ad8eca3)

CAPÍTULO SEIS (#u2fd54981-18d7-57ca-afcf-f949e826869d)

CAPÍTULO SETE (#u0a0cf424-686d-52cf-8087-995983c407de)

CAPÍTULO OITO (#u14da6ee4-6471-5415-b50e-dca90f6291c6)

CAPÍTULO NOVE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZ (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO ONZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DOZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TREZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO CATORZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO QUINZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZESSEIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZESSETE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZOITO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZENOVE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E UM (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E DOIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E TRÊS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E QUATRO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E CINCO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E SEIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E SETE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E OITO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E NOVE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E UM (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E DOIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E TRÊS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E QUATRO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E CINCO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E SEIS (#litres_trial_promo)

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CAPÍTULO TRINTA E OITO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E NOVE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO QUARENTA (#litres_trial_promo)

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CAPÍTULO QUARENTA E DOIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO QUARENTA E TRÊS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO QUARENTA E QUATRO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO QUARENTA E CINCO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO QUARENTA E SEIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO QUARENTA E SETE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO QUARENTA E OITO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO QUARENTA E CINCO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO CINQUENTA (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO CINQUENTA E DOIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO CINQUENTA E TRÊS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO CINQUENTA E QUATRO (#litres_trial_promo)




CAPÍTULO UM


Oliver Blue se viu sozinho num almoxarifado, sem saber por quê. Sentia-se peculiar, com um mal-estar estranho por todo o seu corpo. Sua cabeça latejava.

Desorientado, olhou ao redor, tentando reunir fragmentos de lembranças. Havia chegado aqui através de um vórtex rodopiante. Um buraco de minhoca. Sim! Agora se lembrava. O professor Ametista havia criado um buraco de minhoca e enviado Oliver através dele. Mas por quê?

Virou-se, procurando pelo buraco de minhoca pelo qual viera, para ver se poderia lhe dar uma pista de como tinha ido parar naquele lugar. Mas a passagem desaparecera.

De repente, sentiu a sensação fria de metal em seu peito e retirou um amuleto do macacão que usava. O professor Ametista tinha dado a ele, lembrou. O que foi que lhe disse? Que quando o metal ficava quente significava que havia uma chance de voltar para a Escola de Videntes? Foi isso.

Naquele momento, o amuleto estava muito frio. Isso significava que o caminho de volta para a Escola de Videntes tinha desaparecido.

Uma imensa onda de tristeza se apossou de Oliver quando se lembrou da escola que deixou para trás. Mas por que ele saiu de lá, não conseguia lembrar. Ficou ansioso ao tentar compreender tudo, lembrar onde ele havia pousado. E por quê. Onde estava? Que ano era aquele?

E então, lentamente, lhe ocorreu: Armando.

Ele havia voltado aos dias atuais para salvar Armando Illstrom.

Olhou em volta com uma súbita urgência. Armando estava prestes a ser morto. Cada segundo contava.

Saiu do almoxarifado e avançou apressadamente pelos corredores do que ele imediatamente reconheceu ser uma fábrica.

A fábrica de Armando, com certeza. Havia até uma placa: Invenções de Illstrom.

Ele correu em direção ao chão de fábrica. Chegou ao final do corredor e espiou o próximo, apenas com a cabeça esticada. Naquela época, em vez dos falsos corredores internos de Armando, a fábrica era um plano aberto e estava em plena atividade, cheia de trabalhadores usando o macacão azul antigo que Oliver usava atualmente.

O lugar parecia limpo e bem conservado. Criaturas robóticas aladas voavam pelo ar. Faíscas saíam dos soldadores enquanto os operários consertavam as dobradiças de máquinas gigantescas. Pássaros metálicos voavam pelas vigas e as janelas não estavam mais fechadas.

Tudo havia mudado. Oliver teve um momento de orgulho. Obviamente, suas ações em 1944 haviam alterado o dia atual. Graças a ele, a Invenções de Illstrom estava a pleno vapor.

Mas não por muito tempo.

Não se ele não salvasse Armando a tempo.

Através das claraboias, Oliver viu nuvens escuras de tempestade. A chuva começou a martelar no vidro. Então, um súbito relâmpago cruzou o céu, seguido rapidamente por um enorme trovão ensurdecedor.

As luzes da fábrica começaram a piscar. Pouco depois, apagaram completamente. Com um zumbido, todas as máquinas desligaram.

Os geradores de segurança entraram em ação e as luzes de emergência piscaram ao redor da fábrica, iluminando-a com uma luz vermelha ameaçadora.

Oliver percebeu agora para quando ele havia voltado. Aquele era o dia da grande tempestade. O dia em que o prefeito fechou todas as escolas e lojas da cidade. O dia em que ele se escondeu em uma lata de lixo para escapar de Chris e de seus amigos ameaçadores. O dia em que ele conheceu Armando.

Através das luzes vermelhas, Oliver avistou Armando. O Armando dele. Não o jovem de 1944, mas seu herói já idoso.

Seu coração disparou. Mas um momento depois, lembrou-se de algo muito importante novamente. Armando não se lembrava dele. Eles nem tinham se encontrado ainda. Todas aquelas memórias preciosas de seu tempo juntos haviam desaparecido de sua mente.

"Acho que podemos terminar por hoje!" Armando gritou para seus trabalhadores. "Parece que a tempestade chegou antes da previsão do prefeito. O ônibus irá levá-los para casa".

Enquanto os trabalhadores se dirigiam para a porta, Oliver avistou algo peculiar. Algo azul e cintilante.

Ele instantaneamente reconheceu o tom único do azul. Era a cor dos olhos de um Vidente maligno. E isso só podia significar uma coisa. Lucas, o Vidente malvado, estava aqui.

Oliver vasculhou a escuridão. Um relâmpago repentino iluminou todo o lugar. Então, ele viu uma silhueta atravessar as sombras da fábrica.

Ficou atônito e seu sangue gelou. Era Lucas. Ele estava seguindo Armando.

Mais um trovão ecoou. Oliver decidiu se apressar, indo na direção de Armando e de Lucas. Ele se aproximou cada vez mais do maligno Vidente, até que ambos começaram a caminhar paralelos.

Com outro relâmpago repentino, o rosto do velho se destacou de perfil. Oliver viu o rosto enrugado de Lucas em toda a sua glória. Seu olhar malvado se fixou em Oliver e seus olhos azuis brilharam de forma perturbadora.

"Oliver Blue", ele rosnou.

Oliver engoliu em seco. Sua garganta apertou. Ficar cara a cara com o homem que o queria morto era aterrorizante. Paralisante.

Naquele instante, Horácio, o cachorro, saltou da escuridão. Ele se colocou entre os tornozelos de Lucas, fazendo o velho tropeçar.

"Este maldito cachorro!" Lucas gritou, enquanto cambaleava para permanecer de pé.

Oliver nunca se sentiu tão feliz em ver o velho bloodhound. Ele aproveitou imediatamente o momento que Horácio lhe dera, correndo na direção que Armando tinha tomado. Chegou ao corredor a tempo de vê-lo desaparecer em seu escritório.

O som de passos pesados veio de trás. Oliver olhou por cima do ombro, quando um relâmpago iluminou as feições enlouquecidas de Lucas. Lutando com o terror que sentiu, Oliver chegou à porta do escritório de Armando e entrou.

O escritório permanecia em seu estado caótico habitual. Havia várias mesas espalhadas pelo lugar, cobertas de pilhas de papel. Computadores de diferentes épocas. Prateleiras repletas de livros.

E, em pé no meio de tudo aquilo, estava o próprio Armando.

Ele se virou e olhou para Oliver, perplexo. "Posso ajudar?"

Oliver olhou nos olhos dele, imaginando se Armando o reconheceria. Ele não sabia dizer. E não havia tempo para pensar nisso. Tinha que encontrar a ameaça.

Oliver olhou em volta freneticamente. Não havia nada de errado. Nenhum sinal de armadilha. Nada sugerindo que a vida de Armando estivesse em perigo iminente. Ele não pôde deixar de duvidar de si mesmo. Toda esta viagem havia sido um erro? Ele havia sacrificado sua amada escola sem motivo?

De repente, Lucas entrou no escritório. "Os guardas estão chegando, seu pestinha!"

Ele se lançou sobre Oliver, que deu um pulo e saiu do caminho. Continuou a procurar pela ameaça freneticamente. Ele não tinha muito tempo para salvar a vida de Armando. O que poderia ser?

"Volte aqui!" Lucas gritou.

Armando recuou de um salto quando Oliver passou correndo por ele, deslizando por baixo da mesa e indo direto para o outro lado. Lucas correu, mas a ampla mesa fornecia uma barreira. Ele avançou na direção de Oliver, batendo na mesa várias vezes em suas tentativas desesperadas de segurá-lo.

Foi então que Oliver viu. Uma xícara de café num dos lados da mesa estava sendo sacudida pelos movimentos de Lucas. E Armando pegou-a, tentando impedir que o café derramasse. Mas havia um brilho estranho na superfície da bebida.

Veneno!

Oliver pulou sobre a mesa e deu um chute. A xícara de café voou das mãos de Armando e se espatifou no chão, fazendo surgir uma poça de líquido marrom.

"O que está acontecendo?!" exclamou Armando.

Lucas pegou as pernas de Oliver e puxou. Oliver caiu, batendo as costas pesadamente contra a mesa.

"É VENENO!" ele tentou gritar, mas Lucas estava cobrindo a sua boca com as mãos.

Oliver se debatia contra o velho, chutando em todas as direções, tentando se libertar.

Só então os guardas entraram na sala.

"Levem este menino embora", disse Lucas.

Oliver mordeu a mão dele.

Lucas recuou, gritando de dor. Oliver pulou da mesa e correu para a esquerda e para a direita em suas tentativas de escapar dos guardas. Mas não adiantou. Eles o agarraram, torcendo seus braços rudemente atrás das costas. Então, começaram a arrastá-lo para a porta.

"Armando, por favor, ouça!" Oliver gritou, pressionando os calcanhares contra o chão. "Lucas está tentando te matar!"

Lucas estava cuidando de sua mão dolorida. Ele estreitou os olhos enquanto Oliver era arrastado para a saída.

"Ridículo", ele zombou.

Só então, Oliver notou que um pequeno rato saiu das sombras no canto da sala. Cheirou o café derramado no chão.

"Veja!" Oliver gritou.

Armando voltou seu olhar para o rato. Ele lambeu o café. Então, num instante, todo o seu pequeno corpo ficou rígido.

Caiu para o lado, morto.

Todos congelaram. Os guardas pararam de arrastar Oliver.

Todos se voltaram para Armando.

Armando olhou para Lucas e, lentamente, sua expressão mudou. Parecia sentir dor. A expressão de alguém que foi traído.

"Lucas?" ele perguntou, com uma voz desolada, incrédula.

O rosto de Lucas ficou vermelho de vergonha.

O rosto de Armando endureceu e, lentamente, ele apontou um dedo para Lucas.

"Levem-no daqui", instruiu os guardas.

Imediatamente, os guardas soltaram Oliver e cercaram Lucas.

"Isso é loucura!" Lucas gritou quando eles prenderam os braços do velho às suas costas. "Armando! Você vai acreditar nesse garotinho esquelético e não em mim?"

Armando não disse nada enquanto os guardas arrastavam Lucas para longe.

O rosto do velho se contorceu de raiva. Ele gritou, parecendo tão perturbado quanto Hitler quando Oliver desativou sua bomba.

"Isto ainda não acabou, Oliver Blue!" ele gritou. "Eu vou te pegar um dia!"

Então, ele foi arrastado pela porta e desapareceu de vista.

Oliver soltou um suspiro profundo de alívio. Ele conseguiu. Realmente conseguiu. Salvou a vida de Armando.

Olhou para o velho inventor, parado ali no caos de seu escritório, parecendo chocado, atordoado. Por um longo momento, encararam um ao outro.

Então, finalmente, Armando sorriu.

"Eu esperei muito tempo para vê-lo novamente".




CAPÍTULO DOIS


Malcolm Malice mirou com sua balestra. Firmou o corpo. Então, acionou a arma.

A flecha cortou o ar na velocidade da luz antes de atingir o alvo. Um tiro perfeito. Malcolm sorriu.

"Ótimo trabalho, Malcolm", disse o treinador Royce. "Eu não esperaria menos do meu melhor pupilo".

Cheio de orgulho, Malcolm entregou-lhe a besta e foi se juntar ao resto de seus colegas. Eles estreitaram seus olhos ciumentos para ele.

"Melhor pupilo", alguém imitou, com voz de deboche.

Houve uma leve onda de risadinhas.

Malcolm ignorou a provocação. Ele tinha coisas mais importantes em que pensar. Estava na Obsidiana há apenas alguns meses, mas já havia ultrapassado as crianças que estudavam lá há anos. Ele era um Vidente poderoso. Atômico - o tipo mais forte, com uma mistura rara de cobalto e bromo.

E daí que nenhuma das outras crianças queria ser amiga dele? Ele não tinha amigos antes de vir para a Obsidiana. Não fazia muita diferença para Malcolm se continuasse assim. Não estava aqui para fazer amizade, afinal. Ele estava aqui para se destacar, para se tornar o melhor Vidente que podia ser, de modo que, quando chegasse a hora, poderia esmagar aqueles perdedores do Ametista até virarem pó.

De repente, sentiu algo na parte de trás de sua cabeça. Doeu e sua mão instintivamente foi até o local. Quando ele tirou a mão, viu uma abelha morta.

Alguém usou seus poderes contra ele. Virou-se bruscamente, procurando o culpado. Candice mal conseguia esconder seu sorriso.

Malcolm estreitou os olhos. "Você fez isso".

"Foi apenas uma picada de abelha", ela respondeu docemente.

"Eu sei que foi você. Tem uma especialização biológica. Se alguém é culpado por isso, é você".

Candice deu de ombros, parecendo inocente.

O treinador Royce bateu palmas com força. "Malcolm Malice. Olhos para a frente. Só porque é o melhor da turma, não significa que pode brincar enquanto seus colegas de classe tentam. Mostre algum respeito".

Malcolm sugou as bochechas. A injustiça doeu tanto quanto a picada.

Ele tentou focar em seus colegas de turma enquanto praticavam, um a um, o tiro ao alvo. Era um dia comum, sombrio como sempre, na Obsidiana, com uma leve neblina pairando no ar, tornando tudo enevoado. O grande campo se estendia por uma longa extensão até a imponente mansão onde morava a Diretora da Escola de Videntes Obsidiana.

Chegou a vez de Candice atirar. A flecha passou voando sobre o topo do alvo e Malcolm não pôde deixar de sorrir da sua falta de sorte.

"Este é exatamente o tipo de habilidade que é preciso aperfeiçoar", o treinador Royce falou para todos. "Quando se trata de lutar contra os Videntes Ametista, é esse tipo de domínio que realmente os derrota. Eles estão tão focados em suas especialidades de Vidente, que esqueceram tudo sobre o bom e velho armamento tradicional".

Os cantos da boca de Malcolm puxaram ainda mais para cima. Apenas a ideia de abater os videntes da escola do Professor Ametista o encantava. Mal podia esperar até o dia em que finalmente estaria cara a cara com um daqueles perdedores. Então, realmente mostraria quem era o chefe. Mostraria a eles por que a Obsidiana era a melhor escola. Por que merecia ser a primeira e única Escola de Videntes.

Só então, Malcolm notou alguns alunos do segundo ano saindo para os campos de jogos, com tacos de hóquei na mão. Ele notou Natasha Armstrong entre eles. Ela participava das sessões de estudo particulares que ele frequentava na biblioteca, para alunos superdotados como ele. Embora aos doze anos ele fosse o mais jovem de lá, os outros eram gentis. Natasha especialmente. Ela não o provocava por ser inteligente. E compartilhava o mesmo ódio contra o professor Ametista.

Natasha olhou e acenou. Belas covinhas apareceram em suas bochechas. Malcolm acenou de volta, sentindo suas próprias bochechas corarem.

Nesse momento, Malcolm ouviu a voz aveludada de Candice sussurrar em seu ouvido. "Ah, olha só. Malcolm está a fim de alguém".

Malcolm manteve o olhar à frente e ignorou o insulto. Candice só estava sendo maldosa porque ele rejeitou seus avanços. Seu despeito era causado por ciúmes - que uma garota mais velha, tão bonita e talentosa como Natasha Armstrong, poderia estar interessada nele.

Quando a outra turma começou a partida de hóquei, o olhar de Malcolm se elevou para a imponente mansão vitoriana que abrigava a Escola Obsidiana, até a torre, no topo. Ele podia apenas distinguir a silhueta sombria da Diretora Obsidiana de pé, à janela. Ela estava olhando para seus alunos. Então seu olhar se fixou nele.

Ele sorriu. Sabia que ela vinha o observando. Ela havia escolhido Malcolm a dedo para uma missão especial. Amanhã, ele teria uma reunião com a Diretora. Amanhã, ela contaria todos os detalhes de sua missão especial. Até lá, ele poderia tolerar os valentões e as provocações. Porque logo seria o herói. Em breve, o nome Malcolm Malice seria conhecido por todos os Videntes em todas as linhas do tempo. Ele estaria em todos os livros de História.

Em breve, ele seria conhecido no Universo como aquele que destruiu a Escola de Videntes de uma vez por todas.




CAPÍTULO TRÊS


O Oliver sentiu um profundo alívio. Armando lembrava-se dele, afinal. Apesar de todas as suas ações no passado terem mudado esta linha do tempo, de alguma forma seu herói não havia esquecido quem ele era.

"Você... se lembra de mim?" Oliver gaguejou.

Armando se aproximou. Caminhava mais ereto, com o queixo mais alto. Ele estava mais bem vestido, com calças escuras e uma camisa que lhe dava um ar de autoconfiança. Este não era o mesmo Armando que deu a Oliver abrigo na noite da tempestade; o homem encurvado, mal vestido e melancólico que passou décadas vivendo sob o rótulo de "maluco". Aqui estava um homem que mantinha a cabeça erguida, confiante e que acreditava em si mesmo.

Ele deu um tapinha no ombro de Oliver. "Eu me lembro de anos atrás, em 1944, você me disse que tudo faria sentido em setenta anos. E agora tudo faz sentido. Lucas está agindo pelas minhas costas há anos". Desviou o olhar, parecendo preocupado. "E pensar que ele me queria morto".

Oliver sentiu uma pontada de dor. Armando havia confiado em Lucas, que o havia traído da pior maneira imaginável.

"Mas isso está no passado agora", respondeu Armando. "Graças a você".

Oliver sentiu uma onda de orgulho. Então se lembrou da conversa com o professor Ametista. Ainda não tinha terminado. Havia mais trabalho a ser feito. O trabalho de um Vidente não tinha fim. E seu destino estava entrelaçado ao de Armando. Ele só não sabia como.

Pensar no professor Ametista fez seu coração apertar. Ele tocou o amuleto com os dedos. Estava tão frio quanto gelo. Retornar à Escola de Videntes não era uma opção agora. Ele provavelmente nunca voltaria. Nunca mais veria seus amigos: Walter, Simon, Hazel, Ralph e Esther. Ele nunca mais voltaria a brincar ou andaria pelos corredores sustentados pela imensa árvore sumaúma.

Armando sorriu. "Como, tecnicamente, nunca nos conhecemos, talvez eu deva me apresentar. Eu sou Armando Illstrom, da Invenções de Illstrom".

Oliver saiu de seu triste devaneio. Apertou a mão de Armando, sentindo o calor se espalhar por todo o seu corpo.

"Eu sou Oliver Blue. Da…"

Ele fez uma pausa. Não sabia a que pertencia agora. Não à Escola de Videntes, nem à fábrica nesta nova realidade, onde ele e Armando nunca se encontraram. E definitivamente não à sua casa em Nova Jersey com os Blues, que ele sabia agora que não eram seus pais verdadeiros.

Infelizmente, concluiu: "Na verdade, eu não sei aonde pertenço".

Ele olhou para Armando.

"Talvez seja essa a sua verdadeira missão, Oliver Blue", disse Armando, com voz suave e firme. "Encontrar o seu lugar no mundo?"

Oliver deixou as palavras de Armando serem absorvidas pela sua mente. Pensou em seus pais verdadeiros, no homem e na mulher que lhe apareceram em suas visões e sonhos. Queria encontrá-los.

Mas estava confuso.

"Eu pensei que minha missão era retornar para salvá-lo", afirmou.

Armando sorriu.

"As missões possuem vários níveis", respondeu ele. "Salvar-me e descobrir quem você realmente é - as duas coisas não são mutuamente exclusivas. Afinal de contas, foi a sua identidade que te trouxe a mim em primeiro lugar".

Oliver refletiu. Talvez ele estivesse certo. Talvez seu retorno no tempo não tenha sido tão simples quanto uma missão apenas; talvez tenha sido predestinado por vários motivos.

"Mas eu nem sei por onde começar", admitiu Oliver.

Armando bateu no queixo. Então, seus olhos se iluminaram de repente.

Ele foi até uma de suas muitas mesas, estalando os dedos. "Claro, claro, claro".

Oliver ficou intrigado. Observou com curiosidade enquanto o homem vasculhava uma gaveta. Então, ele se endireitou e se virou para Oliver.

"Aqui está".

Ele se aproximou e colocou um objeto circular de bronze nas mãos de Oliver, que o inspecionou. Parecia antigo.

"Uma bússola?" perguntou, levantando uma sobrancelha.

Armando sacudiu a cabeça. "Aparentemente, sim. Mas é muito mais que isso. Uma invenção que nunca consegui decifrar".

Oliver olhou para o objeto, admirado com a miríade de mostradores e símbolos estranhos em sua superfície. "Então, por que está com você?"

"Foi deixado nos degraus da minha fábrica", disse Armando. "Não havia nem um bilhete explicando de onde veio. Meu nome estava na embalagem, mas agora percebo que não era o destinatário final. Olhe do outro lado".

Oliver virou a bússola. Gravadas no bronze, estavam as letras O.B.

Oliver ficou perplexo e quase deixou cair a bússola. Voltou os olhos para Armando.

"Minhas iniciais?" perguntou. "Como? Por quê? Quem te enviaria algo destinado a mim?"

Armando respirou fundo. "Eu fui designado como um guia para um Vidente, Oliver. Você. Eu entendi errado no começo, pensando que era Lucas. Mas quando você chegou, em 1944, e me mostrou seus poderes, percebi o meu erro. Fui cauteloso depois disso, esperando que um Vidente viesse até mim. Oliver, esta bússola foi deixada na minha porta onze anos atrás. No dia 02 de dezembro".

Oliver engasgou. "É meu aniversário".

Armando deu o golpe final. "Agora penso que seus pais deixaram isto aqui".

Oliver sentiu como se tivesse levado um soco. Não conseguia acreditar. Estava realmente segurando um pequeno pedaço deles em suas mãos? Algo que lhes pertencia, que enviaram a Armando por segurança?

Ele sussurrou em voz baixa: "Meus pais?"

Certamente era um sinal. Um presente do Universo.

"Como tem certeza de que foram eles?" Oliver perguntou.

"Olhe para os mostradores", Armando falou.

Oliver baixou os olhos. Então viu que, no meio de uma dúzia de mostradores, apenas um apontava diretamente para um símbolo. O símbolo lembrava a Oliver os hieróglifos egípcios numa forma estilizada; parecia um desenho feito com linhas pretas. Mas o que descrevia era claro. Um homem e uma mulher.

Oliver não tinha dúvidas agora. Aquilo definitivamente era um sinal.

Decidiu pressionar Armando. "O que mais você sabe? Você viu quando eles deixaram o pacote? Eles disseram alguma coisa? Falaram algo sobre mim?"

Armando balançou a cabeça, triste. "Não sei mais nada, Oliver. Mas talvez isto ajude a guiá-lo em sua busca para descobrir seu lugar no mundo".

Os olhos de Oliver se voltaram para a bússola novamente. Era muito estranha, coberta de símbolos e mostradores. Não tinha ideia de como decifrar aquilo, mas sabia que era importante. Que, de alguma forma, seria parte de sua missão encontrar seus pais. Para descobrir quem ele era e de onde veio. O simples fato de segurar uma parte deles em suas mãos dava-lhe forças para procurar.

Só então notou que um dos mostradores estava se movendo. Pairava agora sobre três linhas onduladas que fizeram Oliver pensar em água. Ele esfregou o polegar contra o símbolo. Para sua surpresa, quando limpou a sujeira, viu que o símbolo logo abaixo era colorido. As linhas de água estavam coloridas numa bela cor azul, nítida e brilhante.

"Já sei por onde começar", Oliver falou com determinação.

Azul. Os Blues. O sobrenome dos seus pais. O homem e a mulher que o criaram como se fosse filho deles. Se alguém tinha alguma resposta sobre de onde ele veio, seriam eles.

E, além disso, ele tinha algo a resolver.

Já era hora de finalmente colocar Chris em seu lugar.




CAPÍTULO QUATRO


Na noite escura e tempestuosa, Oliver saiu da fábrica e começou a caminhar pelas ruas de Nova Jersey. Coisas espalhadas pela tempestade jaziam pelas calçadas, levadas pelo vento, que ainda estava forte.

Enquanto caminhava, Oliver ficou chocado ao ver que, embora tudo fosse o mesmo em termos de edifícios, estradas e calçadas, nada era como antes. Toda a área havia sido transformada. Parecia mais nova, mais limpa e mais rica. Havia arbustos e canteiros de flores nos pátios da frente, em vez de máquinas de lavar roupa quebradas e carros batidos. Não havia buracos no asfalto, nem bicicletas enferrujadas e abandonadas presas aos postes da rua.

Oliver percebeu que o fato da Invenções de Illstrom não ter fechado significava que muitos moradores da área haviam mantido seus empregos. Os efeitos colaterais de suas ações no passado pareciam muito amplos. Oliver se sentiu um pouco sobrecarregado pela enorme responsabilidade de ser um Vidente. Uma simples mudança no passado parecia afetar tudo no futuro. Mas ele também sentiu uma sensação de orgulho, porque as coisas mudaram para melhor.

Oliver esperou no ponto de ônibus, que tinha uma placa nova e reluzente agora, em vez de enferrujada. O ônibus chegou e ele subiu. Este não cheirava a cebola e batatas fritas gordurosas como o da sua antiga linha do tempo, mas a um leve aroma de loção pós-barba e esmalte.

"Você não é um pouco jovem para sair tão tarde?" perguntou o motorista.

Oliver entregou-lhe o dinheiro da passagem. "Estou indo para casa".

O motorista pareceu preocupado enquanto Oliver se sentava num banco.

Até os motoristas são mais agradáveis que em minha linha do tempo antiga!, o garoto pensou.

Quando o ônibus se afastou, ele tentou se lembrar em que momento voltaria. Para o Sr. e a Sra. Blue, Oliver não havia retornado da escola no ônibus durante a tempestade. Era uma coisa muito estranha para compreender. Para Oliver, ele viveu toda uma aventura. Voltou no tempo e ficou cara a cara com Hitler, jogou um jogo louco nas costas de uma criatura geneticamente modificada do ano 3000, e fez amizade com crianças de várias épocas diferentes. E, o mais importante de tudo, descobriu que tinha uma mãe e um pai, verdadeiros, não os maldosos Blues. Pelo que eles sabiam, Oliver não tinha conseguido voltar da escola durante a tempestade e duvidava que ficassem realmente aliviados em vê-lo de volta são e salvo. Provavelmente, só reclamariam da preocupação que lhes causou.

Enquanto o ônibus sacolejava, ele tirou o presente de Armando do bolso. Ficava cheio de admiração ao olhar para ele. O metal estava manchado e precisava de um bom polimento. Mas, tirando isso, era um instrumento notável. Havia muitas setas e mostradores e pelo menos cem símbolos diferentes. Com um sentimento de admiração, Oliver tentou imaginar seus pais com a bússola. Para que usaram isto? E por que eles a enviaram para Armando?

Só então, percebeu que tinha chegado a sua parada. Ele deu um pulo e tocou a campainha, depois correu para a frente do ônibus. O motorista parou para ele descer.

"Cuidado, garoto", disse ele. "Os ventos podem recomeçar a qualquer momento".

"Eu vou ficar bem, obrigado", Oliver respondeu. "Minha casa é logo ali".

Ele desceu do ônibus. Mas a cena que viu o deixou sem fôlego. Não era o que esperava. O antigo bairro decadente parecia muito melhor do que quando ele tinha ido embora. Não parecia o tipo de lugar que seus pais pudessem pagar. De repente, teve medo de que aquele talvez não fosse mais seu lar.

Rapidamente, ele consultou a bússola. Os mostradores ainda apontavam para a imagem esboçada de um homem e uma mulher, assim como para as linhas azuis onduladas. Se ele estivesse lendo corretamente, então este era o lugar certo. Esta ainda era sua casa.

Com o coração acelerado, Oliver abriu o portão do jardim e foi até a porta da frente. Tentou a chave e ficou aliviado ao ver que era a mesma. Ele abriu a porta.

A casa estava escura e muito silenciosa. Tudo o que Oliver podia ouvir era o tique-taque de um relógio distante e um ronco suave. Ele percebeu que era noite, então todos estariam dormindo.

Mas, quando entrou na sala de estar, ficou surpreso ao ver seus pais sentados no sofá, com uma expressão pálida. Pareciam desgrenhados, como se nenhum dos dois tivesse sequer tentado ir para a cama.

Sua mãe se levantou. "Oliver!" ela gritou.

Seu pai deixou cair o telefone. Ele olhou para Oliver como se estivesse vendo um fantasma.

"Onde você esteve?" a mãe exigiu. "E que roupa é essa?"

Oliver não sabia explicar o macacão azul de operário. Mas isso não importava, porque ele não teve a chance de falar. Seu pai iniciou um discurso.

"Estávamos muito preocupados! Ligamos para todos os hospitais! Liguei para o diretor do Colégio Campbell para lhe dar um puxão de orelha! Nós até ligamos para a imprensa!"

Oliver cruzou os braços, lembrando-se do artigo de jornal no qual eles pediram ajuda financeira. Tinha acontecido em uma linha do tempo diferente, mas isso não significava que, se Oliver não tivesse voltado para casa esta noite, não teria acontecido nesta também.

"Claro que você ligou", disse ele, irônico.

"Por que você não estava no ônibus da escola?" perguntou a mãe. "Chris conseguiu pegá-lo. Por que não fez o mesmo?"

"Eu acho que sei", papai interveio. "A cabeça de Oliver estava tão longe, nas nuvens, que ele nem pensou nisso. Você sabe como ele é, sempre perdido em sua imaginação". Ele suspirou pesadamente. "Vou ter que ligar para a escola de manhã para me desculpar. Você sabe o quão embaraçoso será para mim?"

Mamãe recuou e balançou a cabeça. "Onde você esteve? Vagando pelas ruas? Você não está com frio?" Então, ela cruzou os braços e bufou. "Na verdade, espero que você esteja com frio. Pelo menos assim vai aprender uma lição".

Oliver ouviu seus pais em silêncio. Pela primeira vez, suas palavras não o afetavam. Seus rostos irritados não o faziam tremer. Suas palavras duras não magoavam.

Oliver percebeu o quanto ele havia mudado. O quanto a Escola de Videntes o transformara, sem mencionar que os Blues não eram realmente sua família. Era como se tornar-se um Vidente lhe tivesse colocado um casaco à prova de balas invisível ao redor de seus ombros e agora nada pudesse machucá-lo.

Ele ficou diante deles com confiança, esperando pacientemente por uma pausa naquela súbita raiva desconexa.

Mas antes que tivesse a chance de dizer alguma coisa, passos trovejantes vieram da escada atrás dele. Era Chris.

"O que você está fazendo aqui?" ele falou. "Pensei que tivesse morrido na tempestade".

"Chris!" Papai repreendeu.

Por um breve segundo, Oliver pensou que talvez seus pais fossem defendê-lo. Enfrentar o seu filho valentão. Mas, claro, eles não fizeram nada.

Oliver cruzou os braços. Não tinha mais medo de Chris. Sua frequência cardíaca não aumentou.

"Eu estava me escondendo. De você. Lembra como me perseguiu com seus amigos? Como você ameaçou me bater?"

Chris fez uma expressão incrédula. "Eu não fiz isso! Você é um mentiroso!"

Mamãe afundou o rosto nas mãos. Ela odiava brigas, mas nunca fazia nada para deter o filho.

Oliver apenas balançou a cabeça. "Eu não me importo se você me chamar de mentiroso. Eu sei a verdade e você também". Ele cruzou os braços. "E de qualquer forma, nada disso importa. Eu vim aqui para dizer que estou indo embora".

Sua mãe levantou a cabeça das mãos. "O quê?"

O pai olhou para Oliver com horror. "Embora? Você tem onze anos! Aonde pensa que vai?"

Oliver deu de ombros. "Eu não sei ainda. Mas o que sei é que vocês não são meus pais verdadeiros".

Todos ficaram perplexos. Chris ficou boquiaberto. A sala inteira ficou em silêncio.

"Do que você está falando?" sua mãe perguntou. "Claro que somos".

Oliver estreitou os olhos. "Não. Não são. Você está mentindo. Quem são eles? Minha mãe e meu pai de verdade. O que aconteceu com eles?"

Sua mãe parecia ter sido pega no flagra. Seus olhos percorreram a sala, como se procurassem um lugar por onde escapar.

"Tudo bem", ela falou, de repente. "Nós adotamos você".

Oliver assentiu devagar. Ele achava que aquelas palavras seriam difíceis de ouvir, mas realmente foi um alívio obter ainda mais uma confirmação de que as duas pessoas de sua visão eram seus pais, não estas pessoas horríveis. Que Chris não era seu irmão verdadeiro também. O grande valentão parecia prestes a desmaiar de choque com a revelação.

Mamãe continuou. "Não sabemos nada sobre seus pais verdadeiros, ok? Nós não recebemos nenhuma informação sobre isso".

Oliver sentiu o coração apertar. Esperava que eles fornecessem uma peça do quebra-cabeça de sua identidade. Mas não sabiam de nada.

"Nada?" ele perguntou, triste. "Nem os seus nomes?"

Seu pai se aproximou. "Nem seus nomes, nem suas idades, nem seus empregos. Os pais adotivos não são informados dessas coisas. É como um sorteio. Você pode ser o filho de um criminoso, até onde eu sei. Ou de um maluco".

Oliver olhou para ele. Tinha certeza de que seus pais não eram nada disso, mas a atitude do Sr. Blue ainda era terrível. "Por que me adotaram, em primeiro lugar?"

"Foi sua mãe", o pai zombou. "Ela queria um segundo filho. Eu não faço ideia do porquê".

Ele afundou no sofá ao lado da mãe. Oliver olhou para eles, sentindo como se tivesse levado um soco no estômago. "Você nunca realmente me quis, não é? Era por isso que me tratava tão mal".

"Você deveria ser grato", seu pai murmurou, sem levantar os olhos. "A maioria das crianças se perde no sistema".



"Grato?" Oliver disse. "Grato por vocês mal terem me alimentado? Nunca terem me dado roupas novas ou brinquedos? Grato por um colchão em um canto no chão da sala?"

"Nós não somos os vilões aqui", argumentou a mãe. "Seus pais verdadeiros te abandonaram! Você deveria descontar neles, não em nós".

Oliver ouviu sem reagir. Se seus pais verdadeiros realmente o abandonaram ou não, ele não tinha como saber. Aquele era um mistério para outro dia. Por enquanto, ouviria as palavras da sua mãe com desconfiança.

"Pelo menos a verdade finalmente apareceu", disse Oliver.

A boca de Chris finalmente se fechou. "Você quer dizer que este insolente não é meu irmão afinal?"

"Chris!" Mamãe o repreendeu.

"Não fale assim", acrescentou o pai.

Oliver apenas sorriu. "Ah, sim, Christopher John Blue. Já que esta é a hora da verdade. Seu filho querido - seu verdadeiro filho biológico - é um valentão. Ele me intimidou minha vida toda, para não mencionar outras crianças na escola".

"Isso não é verdade!" Chris gritou. "Não acreditem nele! Ele nem é filho de vocês. Ele é... ele não é nada! Ninguém! Um zé-ninguém!"

Mamãe e papai olharam para Chris com expressões chocadas.

Oliver apenas sorriu. "Eu acho que você revelou a verdade sozinho".

Todos ficaram em silêncio, abatidos por causa das revelações. Mas Oliver não havia terminado. Ainda não. Andava de um lado para o outro, dominando a sala e a atenção de todos.

"Ouçam o que acontece agora", disse ele. "Vocês não me querem. E eu também não quero vocês. Eu nunca deveria ter vivido aqui. Então, estou indo embora. Vocês não vão me procurar. Não vão falar de mim. Deste dia em diante, será como se eu nunca tivesse existido. Quanto ao fim do acordo, eu não vou à polícia denunciar sobre os anos de tormento, sobre dormir em um canto no chão e sobre ter minha comida racionada. Estamos combinados?"

Ele olhou de um par de olhos azuis para o seguinte. Que bobagem, ele pensou agora, não ter imaginado antes, já que seus olhos eram castanhos.

"Estamos combinados?" ele perguntou novamente, com mais firmeza.

Com satisfação, viu que todos estavam tremendo. Sua mãe assentiu. Chris também.

"Estamos combinados", gaguejou papai.

"Bom. Agora vou só arrumar minhas coisas e nunca mais terão que olhar para minha cara".

Ele podia sentir os olhos de todos na sua direção, enquanto caminhava até o canto que era seu quarto. Pegou sua mala, ainda cheia de partes de suas invenções, e colocou o livro de inventores dentro dela.

Então, tirou a bússola do bolso e a colocou no topo.

Quando estava prestes a fechar a mala, percebeu que os mostradores da bússola haviam se movido. Um apontava agora para um símbolo que parecia um bico de Bunsen. Um segundo pairava sobre o símbolo de uma única figura feminina. Um terceiro apontou para um capelo, aquelés chapéus de formatura.

Oliver juntou todas as peças em sua mente. Será que a bússola o estava guiando em direção à Srta. Belfry? O queimador de Bunsen poderia representar a ciência, que ela ensinava. A única figura feminina era auto-explicativa. E o capelo poderia representar um professor.

Deve ser um sinal, Oliver pensou com entusiasmo. O Universo o estava guiando.

Ele fechou a mala e se virou para olhar para os Blues. Estavam todos observando-o em completo choque e silêncio. Era muito gratificante ver a expressão em seus rostos.

Mas então Oliver percebeu que Chris estava fechando os punhos. Ele sabia muito bem o que isso significava - Chris estava prestes a atacar.

Oliver teve apenas uma fração de segundo para reagir. Ele usou seus poderes para amarrar rapidamente os cadarços de Chris um no outro.

O garoto se lançou para frente, mas tropeçou imediatamente e caiu no chão. Então, gemeu.

A mãe deu um grito. "Seus cadarços! Você viu os cadarços dele?"

O pai ficou pálido. "Eles... se amarraram sozinhos".

Esparramado no chão, Chris olhou para Oliver. "Você fez isso. Não foi? Você é uma aberração".

Oliver deu de ombros, inocentemente. "Eu não tenho ideia do que você está falando".

Depois se virou, com a mala na mão, e saiu da casa, fechando a porta.

Enquanto caminhava, um sorriso surgiu em seus lábios.

Ele nunca mais teria que lidar com os Blues.




CAPÍTULO CINCO


Oliver parou do lado de fora do Colégio Campbell. A quadra de basquete estava barulhenta como sempre, cheia de adolescentes correndo, gritando e jogando bolas como se fossem granadas.

Ele sentiu um nó no estômago. Não que estivesse com medo dos outros alunos - ou de atravessar a quadra cheia de bolas de basquete voadoras -, mas sim porque em breve ele veria a Srta. Belfry novamente.

Para sua professora favorita, ele estava na aula dela ontem. Mas, para Oliver, parecia que havia sido séculos atrás. Tinha vivido uma tumultuada aventura no passado. Aquilo o transformara: havia amadurecido. Ele se perguntou se ela notaria quando se encontrassem frente a frente.

Atravessou o pátio do recreio, abaixando-se para desviar das bolas voadoras, depois seguiu direto pelo corredor até a sala de ciências da Srta. Belfry. Estava vazia, ninguém havia chegado ainda. Ele esperava que a professora tivesse vindo mais cedo, para poder falar com ela. Mas logo seus colegas de turma começaram a entrar. Ainda não havia sinal de Belfry, então Oliver não teve outra escolha a não ser se sentar também. Escolheu uma carteira na frente, ao lado da janela.

Oliver olhou para as quadras, para todos os adolescentes praticando esportes diferentes. Ficou admirado com a estranheza de fingir ser um estudante normal de novo, estar perto de pessoas normais ao invés de Videntes com poderes extraordinários.

Mais crianças entraram na sala de aula. Entre eles estava Samantha, a garota que zombava de Oliver toda vez que ele respondia a uma das perguntas da Srta. Belfry. Ela se sentou no fundo da sala. Então Paul entrou. Foi ele quem jogou papel amassado na cabeça de Oliver.

Sentiu-se desconfortável ao ver os colegas que o provocaram novamente. Mas as lembranças da intimidação já estavam desaparecendo, e a acidez de suas palavras tinham muito menos poder agora. Graças à Escola de Videntes e aos amigos que fez lá, Oliver sentia como se as velhas feridas tivessem sarado. Ele havia superado. Os valentões não podiam mais machucá-lo.

A turma ficou cheia e todos riam e conversavam em voz alta até o momento em que a Srta. Belfry entrou apressada. Ela parecia confusa.

"Desculpe, cheguei atrasada". Ela deixou seus materiais caírem sobre a mesa. Entre eles, estava uma maçã vermelha reluzente. "Hoje, vamos falar sobre forças". Ela pegou a maçã e a deixou cair no chão. "Quem pode me dizer sobre o que vamos aprender?"

Oliver levantou a mão imediatamente. A Srta. Belfry assentiu para ele.

"Gravidade", ele falou.

Imediatamente, Oliver ouviu a voz zombeteira de Samantha imitando-o às suas costas. Ela foi sucedida pelas risadinhas de seus colegas.

Oliver decidiu que era hora de uma pequena vingança. Nada muito sério, apenas um pouco de retorno pelas ações dela.

Ele se virou e a encarou. Então, usou seus poderes para fazer um pequeno jato de poeira entrar no nariz da garota.

Imediatamente, Samantha espirrou. Uma enorme meleca explodiu de seu nariz. Todas as crianças ao redor dela começaram a rir e a apontar.

Belfry ofereceu-lhe um lenço. Samantha rapidamente limpou o nariz. Suas bochechas estavam vermelhas.

Oliver sorriu e então se virou novamente.

A Srta. Belfry bateu palmas para chamar a atenção de todos. "Gravidade. A força que mantém nossos pés no chão. A força que faz todas as coisas caírem em direção à terra. Diga-me, Oliver, como você sabia que iríamos aprender sobre a gravidade hoje?"

Oliver falou com uma voz forte e confiante. "Porque Sir Isaac Newton descobriu a lei da gravidade quando viu uma maçã cair. Não na cabeça dele, aliás. Esse é um mito comum".

Só então, Oliver sentiu algo bater na sua cabeça. Um lápis caiu no chão ao seu lado. Ele nem precisou olhar para trás para saber que o "míssil" tinha vindo de Paul.

Tente jogar lápis sem as mãos, pensou Oliver.

Ele se virou e olhou nos olhos de Paul. Então, usou seus poderes para grudar as mãos do garoto na mesa.

Paul imediatamente olhou para suas mãos e tentou movê-las. Mas estavam completamente presas.

"O que está acontecendo!?" ele gritou.

Todos se viraram e viram as mãos de Paul presas à mesa. Eles começaram a rir, claramente pensando que ele estava brincando. Mas Oliver sabia que o olhar de pânico nos olhos de Paul era real.

Belfry não parecia impressionada. "Paul. Colar as mãos na mesa não é a ideia mais inteligente que você já teve".

A turma explodiu em gargalhadas estridentes.

"Eu não fiz isso, Srta. Belfry!" Paul gritou. "Algo estranho está acontecendo comigo!"

Só então, Samantha soltou outro enorme espirro.

Sorrindo em silêncio, Oliver voltou-se para a frente da classe.

A Srta. Belfry bateu palmas. "Atenção, turma. Sir Isaac Newton foi um matemático e físico inglês. Alguém sabe quando formulou a lei da gravidade?"

A mão de Oliver se elevou confiante novamente. Era a única. A Srta. Belfry olhou para ele e assentiu. Ela parecia satisfeita por ele não estar mais reticente em levantar a mão. Antes, ela precisava estimulá-lo a responder.

"Sim, Oliver?"

"1687".

Ela sorriu. "Correto".

Então, Oliver ouviu Paul zombar dele novamente. Obviamente, colar suas mãos na mesa não foi suficiente para fazê-lo parar. Oliver precisava fechar sua boca também.

Ele se virou e estreitou os olhos para Paul. Em sua mente, visualizou um zíper fechando os lábios de garoto. Então, ele tentou tornar a imagem uma realidade. E assim, a boca de Paul se fechou.

Paul começou a fazer um ruído abafado e em pânico. Os alunos se viraram e começaram a gritar com aquela estranha visão. A professora parecia alarmada.

Imediatamente, Oliver percebeu que tinha ido longe demais. Ele rapidamente inverteu o que tinha feito a Paul, liberando sua boca e mãos. Mas era tarde demais. Paul olhou para ele e levantou um dedo.

"Você! Você é uma aberração! Você fez isso acontecer!"

Quando as crianças começaram a insultar Oliver, ele olhou para a professora. Havia uma estranha expressão de confusão em seu rosto, como se ela estivesse fazendo a si mesma uma pergunta silenciosa.

Quando um coro gritando "Monstro!" soou atrás dele, a Srta. Belfry bateu palmas.

"Quietos! Acalmem-se!"

Mas os colegas de Oliver estavam em um frenesi. Todos se aglomeraram ao redor de Oliver, apontando e gritando ofensas. Ele se sentiu perseguido, diminuído. Foi terrível.

Ele queria afastá-los. Então, fechou os olhos e tentou reunir seus poderes. De repente, tudo ficou em silêncio.

Oliver abriu os olhos novamente e viu crianças agarrando suas gargantas e bocas. Ainda estavam gritando para ele, mas não conseguiam emitir mais nenhum som. Era como se Oliver simplesmente tivesse desligado suas vozes.

As pessoas começaram a cambalear para trás, em direção à porta. Logo, eles estavam correndo para fora da sala. Mas Oliver não havia terminado. Eles precisavam aprender a não intimidar as pessoas, a não insultá-las ou apontar para seus rostos. Precisavam realmente aprender a lição.

Então, quando correram para o corredor, Oliver fez surgir uma nuvem de tempestade. Choveu sobre as crianças enquanto elas corriam, encharcando-as completamente.

A última criança saiu correndo da sala. Então, ficaram apenas Oliver e a Srta. Belfry.

Ele olhou para ela e engoliu em seco. Não havia dúvida agora. Oliver havia revelado seus poderes.

A Srta. Belfry correu até a porta e fechou-a com firmeza. Então, se virou para Oliver. Havia um sulco profundo entre suas sobrancelhas. "Quem é você?"

Oliver sentiu um aperto no peito. O que a Srta. Belfry achava dele? Se ela estava com medo ou pensava que ele era um monstro, como seus colegas de classe, se sentiria arrasado.

Ela foi até ele. "Como você fez isso?"

Mas, quando se aproximou, Oliver percebeu que sua expressão não era de choque ou medo. Era um olhar de admiração. Um olhar de espanto.

Ela puxou uma cadeira para o lado dele e afundou nela, olhando para ele atentamente. Seus olhos brilhavam de curiosidade. "Quem é você, Oliver Blue?"

Oliver se lembrou da bússola. Ela o havia guiado até aqui, até a Srta. Belfry. O Universo lhe indicou que ela era alguém em quem ele podia confiar. Alguém que iria ajudá-lo em sua busca.

Ele pôs o nervosismo de lado e começou a falar.

"Eu tenho poderes. Poder sobre os elementos e as forças da natureza. Eu posso viajar no tempo e mudar a história".

A Srta. Belfry ficou completamente em silêncio. Olhou para ele e piscou várias vezes. Finalmente, falou.

"Eu sempre suspeitei que havia algo diferente em você". O tom em sua voz era de admiração.

Oliver ficou chocado. A Srta. Belfry não achava que ele era uma aberração. Seu coração pulou de alegria.

"Você acredita em mim?" ele perguntou.

Ela assentiu. "Sim. Acredito". Então, ela se aproximou um pouco mais e olhou nos olhos dele. "Conte-me tudo".

Então, Oliver falou. Ele começou do início, desde o dia da tempestade. Para a Srta. Belfry, tinha sido na noite passada, mas, para Oliver, vários dias haviam se passado.

Ele contou a ela sobre Armando Illstrom e sobre Lucas. Sobre seu encontro com Ralph Black e sua jornada até a Escola de Videntes. Sobre como a escola ficava entre as dimensões e só podia ser acessada através de um portal especial em 1944. Ele contou-lhe sobre as aulas, a Doutora Ziblatt e os portais interdimensionais. Contou a ela sobre a praça de alimentação e as mesas suspensas, sobre Hazel Kerr, Simon Cavendish e Walter Stroud, o incrível jogador de zástrás. Ele contou a ela sobre o Orbe de Kandra e o escritório do Professor Ametista com gravidade zero, as cápsulas de sono e o teste que determinava o tipo de Vidente que se é. Então ele contou a ela sobre seu encontro com Esther Valentini e o ataque à escola. Ele falou sobre os eventos na Alemanha nazista com a bomba de Lucas. Mostrou-lhe o amuleto que o Professor Ametista lhe dera, aquele que esquentaria se estivesse perto de um portal que o pudesse levar de volta à Escola de Videntes. E finalmente, ele contou a ela sobre seus pais, sobre como os Blues não eram sua verdadeira família e como ele queria encontrar seus pais verdadeiros, que lhe apareciam em visões.

Finalmente, quando falou toda sua história, Oliver parou de falar.

A Srta. Belfry parecia atordoada. Ela apenas balançou a cabeça devagar, enquanto seus olhos se moviam discretamente de um lado para o outro dentro das órbitas. Parecia que estava tentando processar tudo o que ele acabara de contar. Era muito para absorver de uma vez, pensou Oliver. Ele esperava que seu cérebro não explodisse com aquilo.

"Fascinante", ela falou, finalmente.

Então, se recostou na cadeira, ainda com os olhos fixos nele. Eles estavam cheios de curiosidade e admiração.

Oliver esperou, com o estômago revirando de antecipação.

Finalmente, a Srta. Belfry deu uma leve batidinha no queixo com o dedo. "Posso ver a bússola?"

Ele a pegou da bolsa e entregou a ela. Ela examinou o objeto muito devagar. Então, pareceu subitamente muito animada.

"Eu vi uma assim uma vez..."

"Sério?"

"Sim. Pertencia ao Professor Rouxinol, de Harvard. Um antigo professor meu. O homem mais brilhante que já conheci".

Sua animação era palpável. Oliver viu quando ela pulou da cadeira e correu para a estante de livros. Pegou um livro e entregou a ele.

Oliver olhou para o livro com curiosidade, e leu o título. "A Teoria da Viagem no Tempo". Ele ficou perplexo e seu olhar se ergueu para encontrar o dela. "Eu... não entendo".

A Srta. Belfry se sentou novamente. "A especialidade do professor Rouxinol era física - com ênfase na viagem no tempo".

Oliver ficou tonto. "Você acha que ele pode ser um Vidente? Como eu?"

Ele pensava que não havia outros em sua linha do tempo. Mas talvez esse professor Rouxinol fosse um deles. Talvez por isso a bússola o tenha guiado até a Srta. Belfry, em primeiro lugar.

"Sempre que ele me ensinava sobre um novo inventor, falava como se os conhecesse pessoalmente". Ela levou a mão à boca e balançou a cabeça em descrença. "Mas agora eu percebo que ele realmente conhecia. Ele deve ter viajado através do tempo para conhecê-los!"

Oliver se sentiu sobrecarregado. Seu coração começou a bater descontroladamente. Mas Belfry descansou a mão sobre a dele, confortando-o.

"Oliver", ela falou, gentil, "acho que você deveria conhecê-lo. Acho que o caminho para os seus pais e para o seu destino passa por ele".

Assim que ela disse isso, Belfry pareceu perplexa.

"Oliver, olhe".

Só então, Oliver viu os mostradores de sua bússola se moverem. Um apontou para o símbolo de uma folha de carvalho. O segundo apontou para um símbolo que se assemelhava a um pássaro. O terceiro permaneceu na imagem de um capelo de formatura.

Os olhos de Oliver se arregalaram de surpresa.

Ele apontou para a folha de carvalho. "Boston". Então, para o pássaro. "Rouxinol". E, finalmente, para o capelo. "Professor." Sentiu-se muito animado. "Você está certa. Eu tenho que ir para Boston. Conhecer o Professor Rouxinol. Ele tem a próxima pista".

A Srta. Belfry rapidamente rabiscou algo em seu caderno e depois rasgou a página. "Tome. É o endereço dele".

Oliver pegou o papel e olhou para o endereço. Aquela era a próxima peça do quebra-cabeça em sua missão? O professor Rouxinol era outro Vidente?

Ele dobrou o papel com cuidado e colocou-o no bolso, subitamente ansioso para começar sua jornada. Levantou-se logo.

"Espere", disse Belfry. "Oliver. O livro". O livro de viagens no tempo do professor Rouxinol estava em sua mesa. "Pegue", ela acrescentou. "Quero que fique com ele".

"Obrigado", Oliver disse, sentindo-se emocionado e agradecido. A Srta. Belfry era realmente a melhor professora não-Vidente que ele já teve.

Ele pegou o livro e se dirigiu para a porta. Mas então ouviu a Srta. Belfry chamar.

"Você nunca mais vai voltar?"

Ele fez uma pausa e olhou para ela. "Eu não sei".

Ela assentiu, triste. "Bem, se isso é um adeus, então tudo o que resta a dizer é boa sorte. Espero que você encontre o que procura, Oliver Blue".

Oliver sentiu um profundo sentimento de gratidão. Sem a Srta. Belfry, ele provavelmente não teria sobrevivido àqueles miseráveis primeiros dias em Nova Jersey. "Obrigado, senhorita Belfry. Obrigado por tudo".

Oliver saiu correndo da sala, ansioso para pegar o primeiro trem para Boston e conhecer o Professor Rouxinol. Mas se ele iria partir de Nova Jersey para sempre, havia uma coisa que precisava fazer primeiro.

Os valentões.

Era hora do almoço.

E ele tinha mais uma coisa a corrigir no mundo.



*



Ele desceu apressadamente os degraus, enquanto o cheiro de frituras gordurosas flutuava do refeitório. Ele e a Srta. Belfry tinham conversado por tanto tempo que já era hora do almoço.

Perfeito, Oliver pensou.

Dirigiu-se para o refeitório. Estava cheio de estudantes e extremamente barulhento. Ele viu Paul e Samantha, seus algozes da aula de ciências. Olharam para ele e começaram a apontar e sussurrar. Outras crianças também se viraram, todas rindo de Oliver. Ele viu as crianças que jogaram bolas nele na quadra. As crianças da turma do Sr. Portendorfer que se deleitaram com a insistência do velho professor rabugento em chamá-lo de Oscar.

Oliver examinou o lugar com os olhos até encontrar seu alvo: Chris e seus amigos. Os que o haviam perseguido durante a tempestade. Até ele ter que entrar em uma lata de lixo. Que o chamaram de esquisito, aberração e mais um monte de xingamentos horríveis.

Eles o notaram também. A garota malvada que usava o cabelo em tranças de aparência severa começou a sorrir. Cutucou o rapaz magro e sardento que tinha assistido com alegria enquanto Chris prendeu Oliver em uma gravata. Até onde eles sabiam, ontem haviam perseguido Oliver durante uma tempestade, forçando-o a se esconder em uma lata de lixo. Vê-los sorrir o fez cerrar os dentes com uma súbita onda de raiva.

Chris também levantou o olhar. Qualquer indício do medo que mostrava em relação a Oliver em sua sala de estar tinha desaparecido, agora que ele estava cercado por seus amigos valentões.

Mesmo do outro lado do refeitório, Oliver podia ler os lábios de Chris enquanto dizia a seus amigos: "Ah, olhem, é o rato encharcado".

Oliver concentrou toda a atenção na mesa deles. Então, convocou seus poderes.

As bandejas começaram a flutuar da mesa. A garota pulou para trás em sua cadeira, completamente aterrorizada.

"O que está acontecendo?"

O menino sardento e o garoto gordinho também saltaram, parecendo igualmente assustados, gemendo de medo. Chris pulou da cadeira. Mas ele não parecia assustado. Parecia furioso.

Ao redor da mesa, outros estudantes começaram a se virar para ver o motivo da comoção. Quando viram as bandejas subindo no ar como por magia, começaram a entrar em pânico.

Oliver fez as bandejas subirem cada vez mais alto. Então, quando estavam na altura da cabeça deles, ele as inclinou.

O que havia nas bandejas caiu como uma chuva em cima dos valentões.

Vejam se gostam de estar cobertos de lixo, pensou Oliver.

O refeitório virou um pandemônio. As crianças começaram a gritar, correndo por todo lado, empurrando-se na pressa de chegar à saída. Um dos torturadores de Oliver - coberto da cabeça aos pés com purê de batata - escorregou nos grãos que haviam sido derramados. Ele derrapou no chão, tropeçando em outro enquanto corriam.

Através do caos, Oliver viu Chris em pé no outro extremo do corredor, com os olhos apertados fixos em Oliver. Seu rosto ficou vermelho de raiva. Ele estufou sua enorme estrutura corporal para parecer mais ameaçador.

Mas Oliver não se sentiu ameaçado. Nem um pouco.

"Você!" Chris gritou. "Eu sei o que é você! Eu sempre soube! Você tem poderes estranhos, não é? Você é uma aberração!"

Ele correu na direção de Oliver.

Mas Oliver já estava dois passos à frente. Ele usou seus poderes, cobrindo o chão sob os pés de Chris com óleo espesso e escorregadio. Chris começou a oscilar, depois cambaleou e deslizou. Ele não conseguia manter o equilíbrio e caiu de bunda no chão. Então, começou a deslizar na direção de Oliver, como se estivesse em um tobogã.

Oliver abriu a porta da saída. Chris passou direto por ela, aos gritos. Ele deslizou para o pátio, em seguida, ainda escorregando no óleo invisível de Oliver, até desaparecer de vista.

"Tchau!" Oliver gritou, acenando.

Com sorte, aquela seria a última vez que veria Christopher Blue.

Ele fechou as portas e virou-se.

Com a cabeça erguida, abriu caminho pelo refeitório caótico e caminhou confiantemente pelos corredores do Colégio Campbell. Nunca se sentira melhor. Nada podia superar aquilo.

Quando chegou à saída, abriu as duas portas principais com as duas mãos. Uma rajada de ar puro e frio o atingiu. Ele respirou fundo, sentindo-se rejuvenescido.

E foi quando ele a viu.

De pé, na base da escada, olhando para cima, havia uma figura solitária. Cabelo preto. Olhos verde-esmeralda.

Oliver não podia acreditar. Seu coração deu um salto, subitamente batendo a mil por minuto em seu peito. Seu cérebro começou a girar enquanto tentava desesperadamente descobrir como... por que...

Suas palmas ficaram úmidas. Sua garganta ficou seca. Um arrepio de animação percorreu sua espinha.

Porque na sua frente havia uma bela visão.

Ninguém menos do que Esther Valentini.




CAPÍTULO SEIS


"Esther?!" Oliver exclamou.

Ele a segurou pelos ombros, absorvendo a visão de cada pedacinho dela. Não podia acreditar em seus olhos.

"Oliver". O rosto de Esther se abriu em um sorriso. Ela o abraçou. "Eu te encontrei".

Sua voz era doce como o mel. Parecia música em seus ouvidos. Oliver a abraçou. Era maravilhoso envolver seus braços ao redor dela. Achou que nunca mais a veria.

Mas então ele saiu de seu abraço, sentindo-se alarmado de repente. "Por que você está aqui?"

Esther sorriu, travessa. "Há uma máquina do tempo na escola. Escondida dentro da árvore sumaúma. Eu notei um pequeno X esculpido nele e, como há um X em cada entrada que somente os professores podem usar, imaginei que isso deveria significar que havia uma entrada ali. Então, bisbilhotei por um tempo; vi alguns professores desaparecerem e percebi que devia haver uma máquina do tempo dentro dela. Estritamente proibida para os estudantes usarem, é claro".

Oliver sacudiu a cabeça. Claro que a brilhantemente talentosa Esther Valentini encontraria uma máquina do tempo escondida. Mas ninguém viajaria no tempo sem uma razão muito boa, especialmente não para uma linha do tempo à qual não pertencia! Pelo que Oliver havia aprendido na Escola de Videntes, passar uma quantidade significativa de tempo na linha do tempo errada colocava uma pressão real no corpo. De fato, ele se sentiu um pouco estranho apenas ao voltar para a sua.

E isso sem mencionar o sacrifício. Não havia garantia de retorno. Deixar a Escola de Videntes quebrou o coração de Oliver e ele só fez isso para salvar a vida de Armando. Então, algo deve ter levado Esther a vir até aqui. Uma busca, talvez. Uma missão. Talvez a Escola estivesse em perigo de novo?

"Não quero saber como chegou aqui". Oliver contestou. "E sim por quê".

Para sua grande surpresa, Esther sorriu. "Você me prometeu um segundo encontro".

Oliver fez uma pausa, franzindo a testa. "Você quer dizer que veio até aqui por mim?"

Ele não conseguia entender. Esther podia nunca mais voltar. Ela poderia ficar presa na linha do tempo errada para sempre. E fez isso por ele?

Suas bochechas ficaram rosadas. Ela tentou dar de ombros, tornando-se repentinamente tímida. "Eu achei que você precisaria de ajuda".

Embora não pudesse entender, Oliver estava grato pelo sacrifício que Esther fizera. Ela poderia ficar presa na linha do tempo errada para sempre e havia feito isso por ele. Ele se perguntou se isso significava que ela o amava. Não conseguia pensar em outra razão pela qual alguém pudesse se colocar numa tal situação.

O pensamento o aqueceu. Ele rapidamente mudou de assunto, sentindo-se subitamente muito tímido.

"Como foi a viagem através do tempo?" ele perguntou. "Você chegou aqui ilesa?"

Esther pôs a mão sobre o estômago. "Eu fiquei um pouco enjoada. E tive uma dor de cabeça terrível. Mas foi só".

Então, Oliver se lembrou do amuleto. Ele o tirou do macacão. "O professor Ametista me deu isto antes de eu sair".

Esther tocou o amuleto com os dedos. "Um detector de portais! Eles ficam mais quentes quando estamos perto de um buraco de minhoca, não é?" Ela sorriu despreocupadamente. "Isso pode nos guiar de volta para a Escola de Videntes um dia".

"Mas está frio desde que cheguei aqui", Oliver disse, melancólico.

"Não se preocupe", ela falou. "Não precisamos ter pressa. Temos todo o tempo que quisermos". Ela sorriu com a piada.

Oliver riu também.

"Eu tenho uma nova missão", Oliver disse.

Os olhos de Esther se arregalaram. "Sério?"

Ele assentiu e mostrou-lhe a bússola. Esther olhou para ela, admirada.

"É linda. O que isto significa?"

Oliver apontou para os mostradores e os estranhos hieróglifos. "Ela está me levando aos meus pais. Estes símbolos representam determinados lugares ou pessoas. Veja, estes são meus pais". Ele apontou para o mostrador que nunca se moveu, que permanecia fixo na imagem de um homem e uma mulher de mãos dadas. "Estes outros mostradores parecem se mover dependendo de aonde eu preciso ir em seguida".

"Ah, Oliver, que emocionante! Você tem uma missão! Aonde precisa ir agora?"

Ele apontou para a folha de carvalho. "Boston."

"Por que Boston?"

"Eu não tenho certeza", Oliver respondeu, colocando a bússola de volta no bolso do macacão. "Mas tem a ver com encontrar meus pais".

Esther pegou a mão dele e sorriu. "Então vamos".

"Você vem comigo?"

"Sim". Ela sorriu timidamente. "Se você quiser".

"Claro".

Oliver sorriu. Embora não conseguisse entender como Esther estava tão calma sobre o fato de que ela poderia ficar presa na linha do tempo errada para sempre, sua presença o alegrou. De repente, tudo parecia muito mais promissor, muito mais parecido com o Universo que o guiava. Sua busca para encontrar seus pais seria muito mais agradável com Esther ao seu lado.

Eles desceram os degraus na saída do Colégio Campbell e foram na direção da estação de trem, andando lado a lado. A pele macia de Esther era muito reconfortante.

Embora fosse um dia frio de outubro, Oliver não sentia frio. Apenas estar com Esther o mantinha aquecido. Era tão bom vê-la novamente. Ele achou que nunca mais voltaria. Mas não podia deixar de pensar que ela era uma miragem que poderia desaparecer a qualquer momento. Então, enquanto caminhavam, continuou olhando para ela apenas para ter certeza que ela era real. Toda vez, ela lhe dava seu doce sorriso tímido e ele sentia outra onda de calor em seu peito.

Eles chegaram à estação de trem e se dirigiram para a plataforma. Oliver nunca havia comprado uma passagem de trem antes e a máquina de bilhetes parecia muito intimidante. Mas então se lembrou de que tinha desativado uma bomba atômica. Certamente poderia descobrir como usar uma máquina de passagens de trem.

Ele comprou dois bilhetes para Cambridge, em Boston, selecionando a opção só ida, já que não tinha ideia se voltaria a Nova Jersey ou não. O pensamento o preocupou.

O trem levaria pouco mais de quatro horas para chegar em Cambridge. Observaram os vagões pararem na plataforma e depois embarcaram, encontrando um vagão silencioso onde pudessem se acomodar para a longa viagem.

"Como estão todos na escola?" Oliver perguntou. "Ralph? Hazel? Walter? Simon?"

Esther sorriu. "Eles estão bem. Todos sentimos sua falta, é claro. Walter sente muito, na verdade. Ele diz que jogar zástrás não é a mesma coisa sem você".

Oliver sorriu com tristeza. Ele sentia muita falta de seus amigos também.

"E a escola?" ele perguntou. "Está segura? Houve novos ataques?"

Ele estremeceu ao lembrar quando Lucas levou os Videntes vampiros a atacar a Escola. E apesar de ele ter frustrado Lucas naquela linha do tempo, tinha a sensação de que ainda teria lidar com aquele homem maligno.

"Não houve mais ataques de morcegos de olhos azuis brilhantes", disse ela com um sorriso.

Oliver pensou naquele momento terrível durante o encontro deles. Estavam caminhando pelos jardins... Esther falava sobre sua própria vida e família, sobre crescer em Nova Jersey na década de 1970, quando o ataque os interrompeu.

Oliver percebeu agora que eles nunca terminaram a conversa. Ele nunca mais teve a chance de descobrir quem era Esther Valentini antes de entrar na Escola de Videntes.

"Somos do mesmo bairro, não somos?" ele perguntou.

Ela pareceu surpresa por ele se lembrar. "Sim. Só com uns trinta anos de diferença".

"Isso não é estranho para você? Estar em um lugar que conhece tão bem, mas ver como é no futuro?"

"Depois da Escola de Videntes, nada mais me parece estranho", ela respondeu. "Só tenho medo de esbarrar em mim mesma por aí. Tenho certeza de que esse é o tipo de coisa que poderia fazer o mundo implodir".

Oliver ponderou suas palavras. Ele lembrou que Lucas tinha envenenado a mente do jovem Lucas por vários anos para fazê-lo fazer o que ele queria. "Eu acho que não seria tão ruim, desde que você não percebesse que é você mesma, se é que isso faz sentido?"

Ela cruzou os braços firmemente. "Prefiro não arriscar".

Oliver observou seu rosto ficar sério. Parecia estar escondendo algo.

"Você não está curiosa?" ele perguntou. "Para ver sua família? Para ver a si mesma?"

Ela balançou a cabeça. "Eu tenho sete irmãos, Oliver. Tudo o que fazíamos era brigar, especialmente porque eu era a aberração. E tudo que mamãe e papai faziam era discutir sobre mim, sobre o que havia de errado comigo". Sua voz ficou baixa e melancólica. "Estou melhor longe de tudo".

Oliver se sentiu mal por ela. Por mais terrível que fosse sua vida doméstica, ele tinha profunda compaixão por qualquer pessoa com dificuldades.

Pensou em como todas as crianças da escola se sentiam sozinhas, tiradas de suas famílias para desenvolver seus poderes. Na época, ele se perguntou por que nenhum deles parecia solitário ou com saudades de casa. Talvez fosse porque ninguém tinha vindo de lares felizes. Talvez houvesse alguma coisa em ser um Vidente que os diferenciasse dos demais, algo que preocupava os pais e tornava os lares infelizes.

Esther olhou para ele. "Seus pais verdadeiros. Tem certeza de que eles aceitarão você como você é?"

Oliver percebeu então que ele nem tinha pensado nisso. Eles o haviam abandonado, não foi? E se tivessem ficado tão aterrorizados com seu bebê peculiar que o haviam abandonado e fugido?

Mas então ele se lembrou das visões em que seus pais apareciam. Eles eram acolhedores. Gentis. Receptivos. Disseram que o amavam e que estariam sempre com ele, observando-o, guiando-o. Ele tinha certeza de que ficariam felizes em se reunirem.

Ou não tinha?

"Tenho certeza", disse ele. Mas, pela primeira vez, ele não tinha tanta certeza. E se toda aquela missão fosse mal concebida?

"E o que você fará quando os encontrar?" Esther acrescentou.

Oliver ponderou suas palavras. Tinha que haver algum bom motivo para que eles tivessem desistido dele quando bebê. Alguma razão pela qual eles nunca vieram buscá-lo. Alguma razão pela qual eles não estavam atualmente em sua vida.

Ele olhou para Esther. "Boa pergunta. Sinceramente, não sei".

Eles ficaram em silêncio, enquanto o trem sacolejava suavemente, atravessando a paisagem.

Oliver olhou pela janela quando a cidade histórica de Boston surgiu. Parecia maravilhosa, como saída de um filme. Sentiu uma onda de animação. Apesar de não saber o que faria quando visse seus pais verdadeiros, mal podia esperar para encontrá-los.

Nesse momento, surgiu uma voz pelo alto-falante.

"Próxima parada: Boston".




CAPÍTULO SETE


Quando o trem parou na estação, Oliver sentiu o coração acelerar. Nunca tinha viajado antes, pois os Blues nunca saíam de férias, portanto, estar em Boston era muito emocionante.

Desceram do trem e entraram na movimentada estação. Era grandiosa, com seus pilares e esculturas de mármore. Homens de terno e mulheres executivas passavam apressados, falando alto em seus celulares. Tudo parecia bastante opressivo para Oliver.

"Daqui até a Universidade de Harvard são cerca de três quilômetros", explicou ele. "Precisamos ir para o norte e atravessar o rio".

"Como você sabe?" Esther perguntou. "Sua bússola também dá esse tipo de instruções?"

Oliver riu e balançou a cabeça. Ele apontou para um grande mapa de cores vivas pendurado na parede da estação. Mostrava todos os pontos turísticos, incluindo a Universidade de Harvard.

"Ah", disse Esther, corando.

Quando saíram da estação, uma suave brisa de outono agitou as folhas caídas na calçada. O céu apresentava uma leve cor dourada.

Eles começaram a caminhar na direção de Cambridge.

"Parece muito diferente do que na minha época", comentou Esther.

"Sério?" Oliver perguntou, lembrando que Esther era da década de 1970.

"Sim. Há mais tráfego. Mais pessoas. Mas os estudantes parecem todos iguais". Ela sorriu. "Veludo marrom deve ter voltado à moda".

Havia de fato muitos estudantes universitários caminhando pelas ruas, parecendo decididos, carregando livros nos braços. Oliver lembrou das crianças da Escola de Videntes, que estavam sempre correndo para algum lugar com expressões sérias e compenetradas.

"Como você acha que estão todos lá na escola?" perguntou. "Sinto falta deles".

Ele pensou em Hazel, Walter e Simon, os amigos que havia feito na escola. Mas, acima de tudo, sentia falta de Ralph. Ralph Black era o mais próximo que ele chegara de ter um melhor amigo.

"Tenho certeza de que eles estão bem", respondeu Esther. "Devem estar ocupados com a aula. A Doutora Ziblatt tinha acabado de começar suas aulas de projeção astral quando saí".

Os olhos de Oliver se arregalaram. "Projeção astral? Sinto tanto por estar perdendo!"

"Eu também".

Oliver ouviu uma certa melancolia na voz dela. Ele se perguntou novamente o que levara Esther a segui-lo até aqui. Sentiu que deveria haver mais naquela história, algo que ela não estava lhe dizendo.

Chegaram na ponte que cruzava o rio Charles. Estava cheia de estudantes universitários. Na água, mais abaixo, podiam ver barcos a remo, canoas e caiaques. Parecia um lugar muito animado e vibrante.



Começaram a atravessar a ponte.

"Alguma coisa mudou na sua bússola?" Esther perguntou.

Oliver verificou. "Não. Ainda está mostrando aqueles mesmos quatro símbolos".

Esther estendeu a mão e Oliver entregou-lhe a bússola. Ela a inspecionou com um olhar de admiração. "Me pergunto o que é isto. De onde veio. Estou surpresa por Armando não saber, já que ele é um inventor".

"Eu acho que é tecnologia vidente", disse Oliver. "Quero dizer, apenas o Universo conhece os cronogramas e pode guiar alguém ao longo deles, então deve ser",

Esther entregou-a novamente para Oliver, que a colocou cuidadosamente no bolso.

"Será que o professor Rouxinol sabe?" perguntou. "Você disse que ele era Vidente, não é?"

Oliver assentiu. Ele estava ansioso para saber mais sobre a bússola, e ainda mais para conhecer o Professor Rouxinol.

"Você acha que ele sabe alguma coisa sobre seus pais?" Esther perguntou.

Oliver sentiu um pequeno nó na garganta. Então, engoliu em seco. "Eu não quero ter esperanças. Mas todos os sinais estão me levando até aqui. Então, estou otimista".

Esther sorriu. "Que bom que pensa assim".

Eles chegaram ao final da ponte e seguiram pela avenida principal. O tráfego estava muito intenso, então eles pegaram uma das muitas ruazinhas paralelas.

Estavam apenas na metade da rua quando Oliver notou um grupo de garotos, um pouco mais velhos do que ele e Esther, agrupados na penumbra. Ele pressentiu imediatamente o perigo.

Quando ele e Esther se aproximaram do grupo, os meninos de repente olharam para cima e fixaram os olhos neles. Começaram a cutucar um ao outro e sussurrar, claramente falando sobre Oliver e Esther. Seus olhares maldosos deixaram óbvio que não eram amigáveis.

"Oh-oh, parece um problema", disse Esther.

Oliver se lembrou dos valentões com que teve que lidar no Colégio Campbell. Eles não o atemorizavam mais. Mas ele sentiu Esther se aproximar dele. Ela parecia intimidada.

"Gostei do macacão!" um dos garotos zombou.

Os outros começaram a rir.

"O que você é?" repetiu o seguinte. "Um limpador de chaminé ou algo assim?"

Oliver continuou a evitar contato visual. Apressou o passo. Ao seu lado, Esther fez o mesmo.

"Ei!" o primeiro menino gritou. "Estou falando com você!"

De repente, o grupo os cercou. Havia cinco garotos no total, formando um círculo em volta de Oliver e Esther. Ela parecia extremamente estressada com a situação.

"Por favor", ela sussurrou para Oliver baixinho. "Sem brigas. Eu não acho que meu escudo é forte o suficiente para deter cinco".

Mas Oliver estava calmo. Tinha visto a força de Esther. E ele também tinha seus poderes. Entre os dois, ninguém poderia machucá-los. Nenhum mortal, pelo menos.

Oliver manteve o queixo alto. "Com licença", falou, educadamente. "Por favor, deixe-nos passar".

O garoto mais alto do grupo, que parecia ser o chefe, cruzou os braços. "Não até que você esvazie seus bolsos. Vamos lá". Ele estendeu a mão. "Celular. Carteira. Passe pra cá".

Oliver não se abalou. Falou com uma voz relaxada e firme. "Eu não tenho celular nem carteira. E mesmo se tivesse, eu não daria a você".

Ao seu lado, Oliver ouviu Esther falar, como num sussurro. "Oliver. Não os provoque".

O garoto soltou uma risada. "Sério? Então eu vou ter que pegar à força".

Ele partiu para cima de Oliver.

"Eu não faria isso se fosse você", disse Oliver.

Imediatamente, Esther lançou um de seus escudos, criando uma barreira ao redor deles. O menino bateu nela. Ele parecia confuso. Tentou novamente, lançando-se para frente. Mas a barreira impenetrável o impedia, como um vidro à prova de balas.

"O que está esperando, Larry?" um terceiro rapaz incitou. "Pegue ele!"

"Eu não posso", Larry gaguejou, parecendo cada vez mais confuso. "Há algo no caminho".

"Do que você está falando?" perguntou o quarto garoto.

Ele também se lançou para frente. Mas bateu no escudo invisível e gemeu.

Oliver olhou para Esther. Ela estava se saindo brilhantemente, mas ele podia ver a tensão em seu rosto enquanto tentava segurar a barreira. Ele precisava fazer algo para ajudar.

Oliver recolheu-se em sua mente, visualizando o vento chicoteando através das folhas do outono, transformando-se em um tornado. Então, ele se concentrou para tornar a imagem realidade.

De repente, as folhas começaram a girar. Colunas de vento se elevaram no ar, girando como pequenos tornados. Oliver criou cinco, um para cada um dos meninos.

"O que está acontecendo?!" Larry gritou, enquanto o vento fazia seu cabelo voar descontroladamente por todo lado.

Oliver se concentrou. Ele fortaleceu os ventos com a mente, depois "empurrou" a imagem para fora.

Em um instante, os garotos foram atingidos pela enxurrada de folhas. Eles tentaram afastá-los, golpeando com os braços como se estivessem sendo atacados por um enxame de abelhas, mas não adiantou. Os tornados de Oliver eram fortes demais.

Eles saíram correndo. Os ventos eram tão fortes que tropeçaram mais de uma vez.

Oliver pegou a mão de Esther. Ela estava rindo.

"Vamos. Melhor pegar um caminho diferente".




CAPÍTULO OITO


A Universidade de Harvard era um lugar impressionante. A arquitetura era linda, com seus vários prédios altos com torres e tijolos vermelhos. Havia um vasto gramado, cercado por cafeterias, bares e livrarias.

"Como vamos encontrá-lo?" Esther perguntou. "Este lugar é enorme!"

Oliver pegou o livro que a Srta. Belfry lhe dera. Ele procurou a biografia do autor sobre o Professor Rouxinol e a leu em voz alta.

"O professor H. Rouxinol é membro do Departamento de Física da Universidade de Harvard, onde realiza experimentos no histórico Laboratório Farnworth do Centro de Ciências, junto com sua pequena equipe de brilhantes alunos do pós-doutorado".

Esther apontou para um prédio do outro lado do pátio. "Ali. Aquele é o Centro de Ciências".

Oliver guardou o livro. Eles correram pela grama e subiram os degraus em direção ao prédio. De pé, no topo, havia um segurança de guarda.

"ID de visitante?" ele perguntou bruscamente, estendendo a palma da mão.

"ID de visitante?" Oliver repetiu. Ele começou a dar tapinhas no bolso do macacão. "Ah… hmmm. Onde será que eu coloquei?"

"Aqui!" Esther falou, de repente.

Oliver viu quando ela tirou algo do bolso e entregou para o guarda. Percebeu que ela deve ter usado seus poderes para alterar algo, fazendo-o parecer um crachá. Esperava fosse algo convincente.

Mas o guarda olhou para o crachá falso com uma expressão inexpressiva antes de devolvê-lo a ela.

"Um de verdade, senhorita", disse ele. Parecia muito entediado, como se duas crianças tentando entrar em uma biblioteca não passasse de um inconveniente. "Não esta carteira falsa".

Oliver começou a pensar. A tentativa de Esther de criar um cartão de identificação falso falhou. Ele teria que bolar outro plano.

Olhou em volta em busca de inspiração e viu uma lixeira do outro lado da escada. Rapidamente, usou seus poderes para fazer fumaça sair dela.

"Ai, não! Eu acho que a lata de lixo está pegando fogo!" gritou.

O guarda correu rapidamente para apagar o fogo. Oliver e Esther aproveitaram a chance e entraram no prédio.

"Bem pensado", disse Esther, enquanto avançavam pelo corredor.

O interior parecia um labirinto. Parecia um hospital em vez de um laboratório, exceto pelo estranho cheiro de produtos químicos, é claro.

Pararam diante de uma placa que mostrava em qual andar ficava cada um dos diferentes departamentos.



"Departamento de Física", Oliver falou, apontando. "Último andar".

Eles subiram a escada e entraram num longo corredor. Havia placas douradas com os nomes de professores e pesquisadores fixadas em cada porta. Eles começaram a andar pelo corredor, lendo os nomes.




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