Chegada Morgan Rice As Crónicas da Invasão #2 Da autora de fantasia bestselling nº1 do mundo inteiro chega uma nova série de ficção científica há muito esperada. SETI recebeu um sinal de uma civilização alienígena. Há tempo para salvar o mundo?Um grande enredo, o tipo de livro que você terá problemas para parar de ler à noite. O suspense do final é tão espetacular que você vai imediatamente querer comprar o livro seguinte só para ver o que acontece. The Dallas Examiner (referente a Amada) Outra série brilhante, mergulhando-nos numa fantasia de honra, coragem, magia e fé no seu destino… Recomendado para a biblioteca permanente de todos os leitores que adoram uma fantasia bem escrita. Books and Movie Reviews, Roberto Mattos (referente a Ascenção dos Dragões) Uma leitura rápida e fácil.. você tem de ler o que acontece a seguir e não quer parar. FantasyOnline. net (referente a Uma Busca de Heróis) No rescaldo do SETI receber o sinal, Kevin, de 13 anos, percebe: ele é o único que pode salvar o mundo. Mas há tempo? O que é que ele deve fazer?E o que é que os alienígenas planeam a seguir?Repleta de ação.. A escrita de Rice é sólida e a premissa intrigante. Publishers Weekly (referente a Uma Busca de Heróis) Uma fantasia superior… Um vencedor recomendado para quem gosta de escrita de fantasia épica impulsionada por poderosos e credíveis protagonistas jovens adultos. Midwest Book Review (referente a Ascensão dos Dragões) Uma fantasia repleta de ação que irá certamente agradar aos fãs das histórias anteriores de Morgan rice, juntamente com os fãs de trabalhos tais como O CICLO DA HERANÇA de Christopher Paolini…Os fãs de ficção para jovens adultos irão devorar este último trabalho de Rice e suplicar por mais. The Wanderer, A Literary Journal (referente a Ascensão dos Dragões) O livro #3 da série estará disponível brevemente. Também estão disponíveis muitas séries de Morgan Rice do género de fantasia, incluindo UMA BUSCA DE HERÓIS (LIVRO #1 da série o ANEL DO FEITICEIRO), um download gratuito com mais de 1. 300 avaliações com 5 estrelas! CHEGADA (AS CRÓNICAS DA INVASÃO – LIVRO 2) MORGAN RICE Morgan Rice Morgan Rice é a best-seller nº1 e a autora do best-selling do USA TODAY da série de fantasia épica O ANEL DO FEITICEIRO, composta por dezassete livros; do best-seller nº1 da série OS DIÁRIOS DO VAMPIRO, composta por doze livros; do best-seller nº1 da série TRILOGIA DA SOBREVIVÊNCIA, um thriller pós-apocalíptico composto por três livros; da série de fantasia épica REIS E FEITICEIROS, composta por seis livros; da série de fantasia épica DE COROAS E GLÓRIA, composta por oito livros; da série de fantasia épica UM TRONO PARA IRMÃS, composta por 8 livros (a continuar); e da nova série de ficção científica AS CRÓNICAS DA INVASÃO, composta por 3 livros (a continuar). Os livros de Morgan estão disponíveis em edições áudio e impressas e as traduções estão disponíveis em mais de 25 idiomas. Morgan adora ouvir a sua opinião, pelo que, por favor, sinta-se à vontade para visitar www.morganricebooks.com (http://www.morganricebooks.com) e juntar-se à lista de endereços eletrónicos, receber um livro grátis, receber ofertas, fazer o download da aplicação grátis, obter as últimas notícias exclusivas, ligar-se ao Facebook e ao Twitter e manter-se em contacto! Seleção de aclamações para Morgan Rice "Se pensava que já não havia motivo para viver depois do fim da série O ANEL DO FEITICEIRO, estava enganado. Em A ASCENSÃO DOS DRAGÕES Morgan Rice surgiu com o que promete ser mais uma série brilhante, fazendo-nos imergir numa fantasia de trolls e dragões, de valentia, honra, coragem, magia e fé no seu destino. Morgan conseguiu mais uma vez produzir um conjunto forte de personagens que nos faz torcer por eles em todas as páginas… Recomendado para a biblioteca permanente de todos os leitores que adoram uma fantasia bem escrita." --Books and Movie Reviews Roberto Mattos “Uma fantasia repleta de ação que irá certamente agradar aos fãs das histórias anteriores de Morgan rice, juntamente com os fãs de trabalhos tais como O CICLO DA HERANÇA de Christopher Paolini…Os fãs de ficção para jovens adultos irão devorar este último trabalho de Rice e suplicar por mais.” --The Wanderer, A Literary Journal (referente a A Ascensão dos Dragões) "Uma fantasia espirituosa que entrelaça elementos de mistério e intriga no seu enredo. Uma Busca de Heróis tem tudo a ver com a criação da coragem e com a compreensão do propósito da vida que leva ao crescimento, maturidade e excelência… Para os que procuram aventuras de fantasia com sentido, os protagonistas, estratagemas e ações proporcionam um conjunto vigoroso de encontros que se relacionam com a evolução de Thor desde uma criança sonhadora a um jovem adulto que procura sobreviver apesar das dificuldades… Apenas o princípio do que promete ser uma série de literatura juvenil épica." --Midwest Book Review (D. Donovan, eBook Reviewer) “THE SORCERER’S RING has all the ingredients for an instant success: plots, counterplots, mystery, valiant knights, and blossoming relationships replete with broken hearts, deception and betrayal. It will keep you entertained for hours, and will satisfy all ages. Recommended for the permanent library of all fantasy readers.” --Books and Movie Reviews, Roberto Mattos "Neste primeiro livro repleto de ação da série de fantasia épica Anel do Feiticeiro (que conta atualmente com 14 livros), Rice introduz os leitores ao Thorgrin "Thor" McLeod de 14 anos, cujo sonho é juntar-se à Legião de Prata, aos cavaleiros de elite que servem o rei... A escrita de Rice é sólida e a premissa intrigante." --Publishers Weekly Livros de Morgan Rice AS CRÓNICAS DA INVASÃO TRANSMISSÃO (Livro #1) CHEGADA (Livro #2) ASCENSÃO (Livro #3) O CAMINHO DA ROBUSTEZ APENAS OS DIGNOS (Livro #1) UM TRONO PARA IRMÃS UM TRONO PARA IRMÃS (Livro #1) UMA CORTE PARA LADRAS (Livro #2) UMA CANÇÃO PARA ÓRFÃS (Livro #3) UMA ENDECHA PARA PRÍNCIPES (Livro #4) UMA JOIA PARA REALEZAS (Livro #5) UM BEIJO PARA RAINHAS (Livro #6) UMA COROA PARA ASSASSINOS (Livro #7) UM APERTO DE MÃOS PARA HERDEIRAS (Livro #8) DE COROAS E GLÓRIA ESCRAVA, GUERREIRA, RAINHA (Livro #1) VADIA, PRISIONEIRA, PRINCESA (Livro #2) CAVALEIRO, HERDEIRO, PRÍNCIPE (Livro #3) REBELDE, PEÃO, REI (Livro #4) SOLDADO, IRMÃO, FEITICEIRO (Livro #5) HEROÍNA, TRAIDORA, FILHA (Livro #6) GOVERNANTE, RIVAL, EXILADA (Livro #7) VENCEDORA, DERROTADA, FILHO (Livro #8) REIS E FEITICEIROS A ASCENSÃO DOS DRAGÕES (Livro #1) A ASCENSÃO DOS BRAVOS (Livro #2) O PESO DA HONRA (Livro #3) UMA FORJA DE VALENTIA (Livro #4) UM REINO DE SOMBRAS (Livro #5) A NOITE DOS CORAJOSOS (Livro #6) O ANEL DO FEITICEIRO UMA BUSCA DE HERÓIS (Livro #1) UMA MARCHA DE REIS (Livro #2) UM DESTINO DE DRAGÕES (Livro #3) UM GRITO DE HONRA (Livro #4) UM VOTO DE GLÓRIA (Livro #5) UMA CARGA DE VALOR (Livro #6) UM RITO DE ESPADAS (Livro #7) UM ESCUDO DE ARMAS (Livro #8) UM CÉU DE FEITIÇOS (Livro #9) UM MAR DE ESCUDOS (Livro #10) UM REINADO DE AÇO (Livro #11) UMA TERRA DE FOGO (Livro #12) UM GOVERNO DE RAINHAS (Livro #13) UM JURAMENTO DE IRMÃOS (Livro #14) UM SONHO DE MORTAIS (Livro #15) UMA JUSTA DE CAVALEIROS (Livro #16) O DOM DA BATALHA (Livro #17) TRILOGIA DE SOBREVIVÊNCIA ARENA UM: TRAFICANTES DE ESCRAVOS (Livro #1) ARENA DOIS (Livro #2) ARENA TRÊS (Livro #3) VAMPIRO, APAIXONADA ANTES DO AMANHECER (Livro #1) MEMÓRIAS DE UM VAMPIRO TRANSFORMADA (Livro #1) AMADA (Livro #2) TRAÍDA (Livro #3) PREDESTINADA (Livro #4) DESEJADA (Livro #5) COMPROMETIDA (Livro #6) PROMETIDA (Livro #7) ENCONTRADA (Livro #8) RESSUSCITADA (Livro #9) ALMEJADA (Livro #10) DESTINADA (Livro #11) OBCECADA (Livro #12) Sabia que eu já escrevi múltiplas séries? 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CONTEÚDO CAPÍTULO UM (#u66eef6d6-b24a-539f-a54a-f959556fc5b1) CAPÍTULO DOIS (#ubdb4e57b-e2ef-5a8b-a157-eb99bcde299b) CAPÍTULO TRÊS (#u6dd75b0d-630c-5747-aaea-f678112a13b1) CAPÍTULO QUATRO (#ua7be1375-2ac6-5bee-815c-093f6fa6cdb6) CAPÍTULO CINCO (#u769ab1eb-1196-5d96-97c6-38cec52dadb3) CAPÍTULO SEIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO SETE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO OITO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO NOVE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZ (#litres_trial_promo) CAPÍTULO ONZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DOZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TREZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO CATORZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO QUINZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZASSEIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZASSETE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZOITO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZANOVE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E UM (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E DOIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO UM Kevin batia na parede de monitores do bunker, em parte por frustração e, em parte porque ele tinha visto aquilo funcionar na televisão. Não funcionava aqui, porém, e isso só alimentava a frustração que ele sentia. “Eles não podem simplesmente ficar sem imagem” ele insistiu. Esses sistemas não deveriam ser projetados para sobreviver a praticamente qualquer coisa? “Agora não, não assim.” Não quando eles tinham acabado de ver o mundo praticamente a acabar, com as pessoas a agruparem-se enquanto naves alienígenas passavam sobre elas. Ao lado dele, Luna olhava fixamente para os monitores como se esperasse que eles voltassem a qualquer momento, ou talvez apenas porque ela estava a imaginar os seus pais algures lá fora, a entrarem numa nave alienígena. Kevin colocou um braço ao redor dela, sem ter a certeza se a estava a consolar ou a tentar consolar-se a si próprio. “Achas que as pessoas estão bem?” Luna perguntou. “Achas que os meus pais estão bem?” Kevin engoliu em seco, pensando nas pessoas em fila para entrar nas naves. A sua mãe também estaria algures entre essas pessoas. “Espero que sim” disse ele. “É injusto” disse Luna. “Nós estamos aqui seguros num bunker, enquanto toda a gente está presa lá fora... quantas pessoas achas que foram convertidas?” Kevin pensou na vasta maré de pessoas que tinha estado nos ecrãs antes de estes ficarem sem imagem, e nos números cada vez menores de pessoas que lá estavam para informar sobre tudo aquilo. “Eu não sei, muitas” ele supôs. “Talvez todas” disse Luna. “Talvez nós sejamos os últimos.” “Devíamos dar uma volta por aqui e procurar” disse ele. “Talvez consigamos encontrar uma maneira de ligar tudo novamente. E, então, depois podemos ver.” Ele disse isso tanto para tentar distrair Luna quanto porque achava que eles tinham esperança de o fazer. O que é que eles sabiam sobre arranjar sistemas de computador? Se um dos cientistas do instituto da NASA estivesse lá... talvez a Dra. Levin... mas eles tinham desaparecido, assim como todos os outros. Eles tinham sido transformados pelo vapor, transformando-se em coisas que os tinham perseguido. “Vamos” disse ele para Luna, puxando-a gentilmente para longe do ecrã. “Precisamos dar uma volta e procurar.” Luna acenou com a cabeça, embora ela não parecesse estar a compreender tudo naquele momento. “Acho que sim” Eles partiram pelo bunker sob o Monte Diablo. Kevin olhou em volta, surpreendido pela sua dimensão. Se eles estivessem estado num lugar como este, mas num momento diferente, isto poderia parecer uma aventura. Mas agora, cada passo ecoante lembrava a Kevin o quanto eles estavam sozinhos. Esta era uma base militar inteira, e eles eram os únicos que ali estavam. “Isto é fantástico” disse Luna, com um sorriso demasiado luminoso para ser real. “Como andar furtivamente pelos armazéns.” Porém, Kevin percebia que ela estava desanimada. Ela podia estar a esforçar-se ao máximo para ser a velha Luna, mas o que se via não era muito convincente. “Tudo bem” disse Kevin “para mim não precisas de fingir. Eu estou…” O que é que ele poderia dizer? Que ele estava triste também? Não parecia o suficiente para conter o fim do mundo, ou a perda de todos os que eles conheciam, ou nada daquilo, na verdade. “Eu sei” disse Luna. “Eu só estou a tentar ter... esperança, eu acho. Vem, vamos ver o que há por aqui. Kevin teve a sensação de ela o querer distrair. Então, eles dirigiram-se mais para dentro do bunker. Era um espaço enorme, que parecia ter abrigado centenas de pessoas, se necessário. Havia canos e cabos que iam para as profundezas do bunker e sinais pintados nas paredes com tinta amarela. “Olha” disse Luna, apontando “há uma cozinha naquela direção.” Kevin sentiu o estômago a roncar só de pensar nisso e, embora isso não resolvesse todos os outros problemas, os dois partiram na direção indicada pela placa. Eles caminharam por um corredor, e depois por outro, indo dar a uma cozinha que estava construída numa escala industrial. Havia arcas congeladoras na parte de trás, atrás de portas que poderiam ter protegido um cofre, e outras portas que pareciam ir dar a armazéns. “Devíamos ver se há alguma comida aqui” Luna sugeriu, abrindo uma. O espaço atrás era ainda maior do que Kevin poderia esperar, cheio de caixas empilhadas. Ele abriu uma e encontrou pacotes selados e prateados que pareciam ter sido guardados para sempre. “Há aqui comida suficiente para nos alimentar durante toda a vida” disse Kevin, e então percebeu exatamente o que acabara de dizer. “Não é isso… quero dizer, nós podemos não ter que ficar aqui para sempre.” “Mas e se ficarmos?” Luna perguntou. Kevin não tinha a certeza se tinha uma boa resposta para isso. Ele não se conseguia imaginar a viver aqui para sempre. Ele mal conseguia imaginar uma noite, quanto mais uma vida inteira, passada num bunker. “Então eu acho que estamos melhor aqui do que lá fora. Pelo menos aqui estamos em segurança.” “Eu acho que sim” disse Luna, dando uma olhadela nas paredes parecendo avaliar o quão grossas elas eram. “Em segurança, sim.” “Devíamos ver o que é que há mais aqui” disse Kevin. “Se vamos ficar aqui, vamos precisar de outras coisas. Água, lugares para dormir, ar fresco. Uma maneira de comunicar com o exterior.” Ele contava-as com os dedos enquanto pensava nelas. “Também devíamos ver se há outras maneiras de entrar ou sair” disse Luna. “Queremos ter a certeza de que ninguém mais consegue entrar.” Kevin assentiu, porque isso parecia importante. Eles começaram a revistar o bunker, usando a cozinha como uma espécie de base, indo e voltando entre ela e a sala de controlo principal, que parecia curiosamente silenciosa sem nada nos seus ecrãs. Havia outro compartimento próximo que estava cheio de equipamentos de comunicações. Kevin viu rádios e computadores. Havia até algo parecido com uma máquina telegráfica antiquada no canto, como se as pessoas de lá não confiassem que poderiam contar com o equipamento mais moderno quando precisassem dele. “Eles têm tanta coisa” disse Luna, tocando num botão e recebendo uma explosão de ruído branco em resposta. “Temos tanta coisa agora” salientou Kevin. “Talvez se houver outras pessoas lá fora, consigamos nos comunicar com elas.” Luna olhou em volta. “Achas que ainda há outras pessoas? E se formos só nós os dois?” Kevin não sabia o que dizer. Se ele ia ficar ali encurralado como uma das últimas pessoas no mundo, não havia mais ninguém com quem ele preferisse ficar encurralado do que com a sua melhor amiga. Mesmo assim, ele tinha que acreditar que havia outras pessoas algures lá fora. Ele tinha de acreditar. “Deve haver outras pessoas algures” disse ele. “Existem outros bunkers e outras coisas, e algumas pessoas terão percebido o que estava a acontecer. Havia pessoas a difundir fotos, pelo que elas deviam saber o que estava a acontecer.” “Mas os ecrãs ficaram em branco” Luna salientou. “Nós não sabemos se elas ainda estão por aí, lá fora.” Kevin engoliu em seco ao pensar nisso. Ele tinha assumido simplesmente que o sinal acabara de ser cortado, mas e se não fosse o sinal? E se as pessoas que os estavam a enviar também tivessem desaparecido? Ele abanou a cabeça. “Não podemos pensar assim” disse ele. “Temos que ter esperança que haja mais pessoas lá fora.” “Pessoas que podem matar os alienígenas” disse Luna, com um brilho severo nos seus olhos. Kevin teve a sensação de que se ela tivesse os meios para lutar contra eles, Luna estaria lá fora, agora mesmo, a tentar enfrentá-los. Kevin conseguia entender isso. Era uma parte de quem Luna era; uma parte dela que ele gostava tanto. Ele até sentia uma parte da mesma raiva, sentindo-a a borbulhar dentro de si ao pensar que tinha sido enganado pelos alienígenas, e por tudo o que lhe havia sido tirado. Ele precisava da distração de procurar pelo bunker tanto quanto Luna, porque a alternativa era pensar na sua mãe, nos seus amigos, e em todos os outros que poderiam ter estado sob as naves alienígenas quando estas chegaram. Eles continuaram a procurar ao redor do bunker, e não demorou muito para que eles encontrassem o que parecia ser uma saída para as traseiras. As palavras “Ambiente Não Selado. Apenas para Saídas de Emergência!” estavam estampadas por cima de uma escotilha que parecia o tubo de torpedo de um submarino, completo com uma grande alça circular que o selava. Não parecia ser suficientemente grande para a maioria das pessoas conseguir rastejar através dele. Claro, para Kevin e Luna significaria muito espaço. “Ambiente Não Selado?” Luna perguntou. “O que é que achas que isso significa?” “Eu acho que isso significa que não há nenhuma câmara-de-ar nesta saída?” Kevin disse, não tendo a certeza. As palavras estampadas em torno dela faziam-na parecer como algo extremamente perigoso para abrir. Talvez fosse. “Nenhuma câmara-de-ar?” “As pessoas não gostariam de uma, se tivessem que sair rapidamente.” Ele viu a mão de Luna a dirigir-se para a máscara de gás que ela tinha tido de usar durante todo o caminho até ali, e que agora pendia do cinto dos seus jeans. Kevin podia adivinhar o que ela estava a pensar. “Não há nenhuma maneira do vapor alienígena entrar aqui” disse ele, tentando tranquilizá-la. Ele não queria que Luna se assustasse. “Não se não abrirmos a porta.” “Eu sei que é estúpido” disse Luna. “Eu sei que o vapor provavelmente já nem sequer está lá fora; que são apenas as pessoas que eles controlaram...” “Mas ainda não parece ser seguro?” Kevin supôs. Nada parecia seguro naquele momento, mesmo num bunker. Luna assentiu. “Eu preciso de me afastar desta porta.” Kevin regressou com ela para o bunker, afastando-se da saída de emergência. Na verdade, saber que os dois poderiam escapar se precisassem, fazia com que ele se sentisse um pouco mais seguro, mas ele esperava que eles não precisassem de o fazer. Eles precisavam de algum lugar seguro, naquele momento. Um lugar onde eles se pudessem esconder dos alienígenas até que fosse seguro sair novamente. Ou até que a sua doença o matasse. Esse era um pensamento particularmente horrível. Não havia tremores provocados pela leucodistrofia naquele momento, mas Kevin não tinha dúvidas de que eles voltariam, e piores. Ele não podia pensar nisso, porque eles tinham coisas maiores com que se preocupar. Quem diria que seria necessária uma invasão alienígena para fazer com que a sua doença parecer insignificante? “Eu acho que há quartos aqui” disse Luna, indo à frente por um dos corredores. Havia. Havia dormitórios completos ali, com imensas filas de beliches que não eram mais do que armações de metal, mas alguns tinham coisas perto deles, juntamente com colchões e roupas de cama. “Terias pensado que alguns deles ficariam cá dentro” disse Kevin. “Não faz sentido que não haja ninguém aqui.” Luna abanou a cabeça. “Eles teriam saído para ajudar. E depois... bem, no momento em que eles tivessem percebido que isso não era uma boa ideia, os alienígenas já os estariam a controlar.” Isso fazia uma espécie de sentido, mas não deixava de ser um pensamento horrível. “Eu sinto falta dos meus pais” disse Luna do nada, embora talvez ela estivesse estado a pensar nisso todo este tempo. A dor causada por a mãe de Kevin ter sido levada não tinha desaparecido; tinha apenas sido empurrada para o segundo plano pela necessidade de continuar a fazer as coisas, pela necessidade de se porem a salvo e para garantir que ambos ficavam em segurança. “Também sinto falta da minha mãe” disse Kevin, sentando-se à beira de um estrado de cama. Ele descobriu que era impossível imaginá-la, naquele momento, como ela era antes os alienígenas chegarem. Em vez disso, a imagem que lhe vinha à mente era dela quando ela estava na porta da sua casa, controlada pelos alienígenas e a tentar agarrá-lo. Luna sentou-se no seu próprio estrado de cama. Nenhum deles tinha escolhido uma das que estava com roupa de cama. Isso não parecia correto de certa forma. Aquelas pareciam como se pertencessem a alguém, e os seus donos poderiam estar de volta a qualquer momento. “Não é apenas dos meus pais” disse Luna. “É de todas as outras crianças da escola, de todas as pessoas que conheci. Todas foram levadas. Todas.” Ela colocou a cabeça entre as mãos. Kevin colocou a sua mão na dela, sem dizer nada. Era igualmente avassalador para ele naquele momento pensar que todas as pessoas do mundo poderiam ter sido levadas pelos alienígenas. Pessoas comuns, celebridades, amigos... “Não sobraram pessoas” disse Luna. “De qualquer das maneiras, eu pensava que tu não gostavas de pessoas.” retrucou Kevin. “Eu pensava que tu tinhas decidido que a maioria das pessoas é estúpida?” Luna sorriu ligeiramente ao ouvir aquilo, mas pareceu que era em esforço. “Eu prefiro estúpidas do que controladas por alienígenas em qualquer circunstância.” Ela parou por um momento. “Achas... achas que as pessoas vão alguma vez ficar bem outra vez?” Kevin não conseguia olhar para ela. “Eu não sei.” Ele não conseguia ver como. “Porém, nós estamos a salvo. Isso é tudo o que importa.” Não era, porém. Longe disso. *** Eles procuraram pelo bunker até encontrarem mais camas, não querendo tirar nada dos beliches que já estavam preparados. Esses permaneciam tão imaculados como se os seus donos pudessem voltar a qualquer momento, embora Kevin tivesse que desejar que não voltassem, porque ele suponha que os alienígenas os controlassem agora. Eles voltaram para a cozinha por tempo suficiente para comerem algo. O pacote dizia frango, mas Kevin mal conseguia sentir o seu gosto. Talvez isso fosse uma coisa boa, a julgar pelo olhar no rosto de Luna. “Eu nunca mais vou reclamar por ter que comer legumes” disse ela, embora Kevin suspeitasse que ela provavelmente o faria. Ela não seria Luna se não o fizesse. Quando terminaram, eles se revezaram na limpeza de uma das casas de banho do bunker. Eles provavelmente poderiam ter simplesmente escolhido uma casa de banho cada um, ou duas, ou mais, mas Kevin, pelo menos, não queria estar tão distante de Luna ainda. Mesmo quando chegou o momento de escolher os beliches, eles escolheram uns praticamente ao lado um do outro, quando eles tinham todo o espaço do dormitório por onde escolher. Era como uma pequena ilha escolhida no meio do dormitório, e se Kevin tentasse muito, ele conseguia quase fingir que era uma espécie de festa de pijama. Bem, não, ele não conseguia, na verdade, mas era bom pelo menos tentar. Eles apagaram as luzes, usando lanternas militares para os guiar de volta para a cama. Luna subiu para o beliche de cima que escolheu, enquanto Kevin ficou com um beliche em baixo. “Medo de alturas?” Luna perguntou. “Eu só não quero ter uma visão a meio do sono e cair no chão” disse Kevin. Não que ele tivesse tido visões desde aquela que o avisara sobre a invasão. Não que servisse de alguma coisa agora se ele tivesse. Ele interrogou-se de qual era o sentido das suas visões quando nada disso havia ajudado. “Certo” disse Luna. “Eu acho... que sim, eu acho que deves ter cuidado.” “Talvez de manhã as coisas pareçam melhores” sugeriu Kevin. Ele não acreditava realmente nisso. “Nós teríamos de as ver antes de elas poderem parecer melhores” Luna salientou. “Bem, talvez consigamos encontrar uma maneira de ver as coisas novamente” disse Kevin. Se eles o fizessem, no entanto, o que é que eles poderiam ver? Eles veriam agora hordas de alienígenas lá fora no mundo? Uma paisagem árida sem nada? “Talvez nós descubramos o que vamos fazer a seguir” sugeriu Luna. “Talvez sonhemos com uma maneira de melhorar tudo isto.” “Talvez” Kevin disse, embora suspeitasse que qualquer sonho que tivesse fosse ser dominado pela visão de todas aquelas pessoas silenciosas. “Dorme bem” disse Kevin. “Dorme bem.” Na verdade, pareceu demorar uma eternidade para Kevin adormecer. Ele estava ali no escuro, a ouvir a respiração profunda de Luna quando ela começou a roncar de uma maneira que ela provavelmente nunca iria admitir quando acordada. Isto seria sido muito diferente se ela não estivesse ali. Mesmo que estivesse ali outra pessoa, Kevin ter-se-ia sentido sozinho, mas assim... … Mas assim, ele ainda estava quase sozinho, mas pelo menos Luna estava ali para partilhar a solidão daquilo. Kevin não conseguia se afastar dos pensamentos do que havia acontecido com a sua mãe, com todos, mas pelo menos ele sabia que Luna estava segura. Esses pensamentos seguiram-no no seu sono e nos seus sonhos. Nos seus sonhos, Kevin estava cercado por todas as pessoas que ele conhecia. A sua mãe, os seus amigos da escola, os seus professores, as pessoas da NASA. Ted estava lá, com equipamento militar pendurado em cima de si, e o Professor Brewster também, com uma expressão carrancuda que sugeria que ele desaprovava tudo o que Kevin havia feito. Kevin viu as feições deles a contorcerem-se, transformando-se em alienígenas de um filme de ficção científica. Alguns deles ficaram com pele cinzenta e olhos grandes, enquanto outros pareciam-se mais com insetos com placas de armadura a atravessarem-nos. O Professor Brewster tinha tentáculos a saírem das suas mãos, enquanto os olhos da Dra. Levin estavam sobre hastes. Eles arrastaram-se em direção a Kevin e ele começou a correr. Ele correu pelos corredores do instituto da NASA, mal conseguindo se manter à frente deles enquanto eles apareciam por detrás de cada porta, e mesmo tendo vivido ali, Kevin não conseguia encontrar o caminho de saída para ficar em segurança. Ele não conseguia encontrar o caminho para melhorar isto. Ele entrou de rompante num laboratório, fechando a porta atrás de si e barricando-a com cadeiras, mesas e qualquer outra coisa que ele conseguisse encontrar. Mesmo assim, do lado de fora da sala, as pessoas transformadas martelavam na porta com os punhos quando, sem nenhum motivo que Kevin entendesse, um alarme começou a soar... Kevin acordou ofegante. Ainda estava escuro, mas ao olhar para as horas no seu telefone, ele percebeu que era só porque eles estavam debaixo da terra. Ao fundo, um alarme soava, e o seu zumbido abafado era constante, enquanto, por baixo desse som, havia uma batida abafada e metálica. Ele percebeu que Luna estava acordada, porque ela acendeu as luzes. “O que é?” Kevin perguntou. Luna olhou para ele. “Eu acho que... eu acho que alguém quer entrar.” CAPÍTULO DOIS Eles correram para o centro de comando e agora que eles estavam mais perto da entrada, o som da batida estava mais alto. Mesmo assim, com a câmara-de-ar no meio do caminho, Kevin ficou impressionado que o som estivesse a chegar. Com o que é que eles estavam a bater na porta? Luna não parecia impressionada; ela parecia preocupada. “O que foi?” Kevin perguntou. “E se forem alienígenas ou pessoas controladas?” ela perguntou. “E se eles estiverem por aí, a reunirem sobreviventes?” “Porque é que eles fariam isso?” Kevin perguntou, mas o medo se apoderou dele ao pensar nisso. E se eles estivessem? E se eles entrassem? “Era o que eu faria se eu fosse um alienígena” disse Luna. “Controlar tudo, ter a certeza que não havia mais ninguém para combater. Matar qualquer pessoa que se metesse no caminho. Não pela primeira vez na sua vida, Kevin jurou nunca ficar no lado oposto ao de Luna. Mesmo assim, ele conseguia ouvir o medo por baixo das palavras dela. Ele também estava com medo. E se eles tivessem fugido para um lugar que parecia seguro, mas que já não era seguro? “Conseguimos ver quem está lá fora?” Kevin perguntou. Luna apontou para os ecrãs em branco. “Eles não estão a funcionar desde a noite passada.” “Mas isso é apenas o sinal do mundo inteiro” insistiu Kevin. “Tem de haver... eu não sei, câmaras de segurança ou algo assim.” Tinha de haver. Um centro de pesquisa militar não ficaria cego relativamente a tudo o que acontecia à sua volta. Ele começou a pressionar os botões nos sistemas do computador, tentando encontrar uma maneira de fazer com que eles fizessem o que eles queriam. A maioria dos ecrãs estava em branco, com os sinais do mundo inteiro desligados, bloqueados ou simplesmente... desaparecidos. Luna começou a carregar nos botões juntamente com ele, embora Kevin suspeitasse que ela sabia tão pouco o que fazer como ele. “Quem quer que seja, não sei se o devíamos deixar entrar” disse Luna. “Pode ser qualquer um lá fora.” “Pode ser” disse Kevin “mas e se for alguém que precisa da nossa ajuda?” “Talvez” disse Luna, não parecendo convencida. “Quem quer que seja, está a bater na porta com muita força.” Isso era verdade. Os ecos metálicos de cada golpe reverberavam pelo bunker. Chegavam em grupos de três e, lentamente, Kevin começou a perceber que havia um padrão nos espaços entre eles. “Três curtos, três longos, três curtos” disse ele. “Queres dizer SOS?” Luna perguntou. Kevin olhou para ela. “Eu pensava que todas as pessoas conheciam isso” disse ela. “Isso é tudo o que eu me lembro.” “Então alguém lá fora está em apuros?” Kevin perguntou, e ao pensar nisso ficou preocupado de uma forma diferente. Eles deviam estar a ajudar em vez de estarem a hesitar? Ele viu uma foto de uma câmara no canto de um dos ecrãs. Ele pressionou na foto, e agora os ecrãs iluminaram-se com imagens de câmaras de segurança em torno da base deserta. “Aquela” disse Luna, apontando para uma das imagens como se Kevin não soubesse como selecionar uma de entre as outras. “Deixa-me tentar.” Ela pressionou um botão e a imagem preencheu o ecrã. Kevin não sabia o que tinha estado à espera. Uma horda de pessoas controladas pelos alienígenas, talvez. Algum soldado que sabia sobre a base e que tinha lutado para atravessar o país para lá chegar. Não era uma miúda da idade deles, segurando o que pareciam ser os restos de uma placa de sinalização e batendo com ela contra a porta num ritmo constante. Ela era atlética e tinha cabelos escuros, o cabelo curto e um piercing no nariz, como se a desafiar o mundo a dizer alguma coisa sobre isso. Kevin pôde ver que as suas feições eram bonitas, muito bonitas, ele pensou, mas algo desleixada o que sugeria que ela não apreciaria ser chamada assim. Ela estava a usar um top escuro com capuz e uma jaqueta de couro que parecia um par de tamanhos acima, jeans rasgados e botas de caminhada. Ela tinha uma pequena mochila, como se ela estivesse na montanha apenas para fazer as caminhadas, mas o resto dela parecia mais como se ela fosse uma fugitiva, com as suas roupas suficientemente sujas para ela poder ter andado lá por fora durante semanas antes dos alienígenas chegarem. “Eu não gosto disso” disse Luna. “Porque é que há apenas uma miúda lá fora, a tentar entrar?” “Eu não sei” disse Kevin “mas devíamos provavelmente deixá-la entrar.” Isso fazia sentido, não fazia? Se ela estava a pedir ajuda, então eles deviam pelo menos tentar, não era? A miúda estava a olhar para o ecrã agora, e embora não parecesse haver qualquer som, ela não parecia satisfeita por a estarem a deixar lá fora. Luna pressionou algo e agora eles conseguiam ouvi-la, com os microfones a captarem as suas palavras. “… para me deixarem entrar! Ainda há essas coisas aqui fora! Tenho a certeza disso!” Kevin deu por si a olhar para lá dela no ecrã, e, como era de esperar, ele achava que conseguia distinguir os sinais das pessoas ali, movendo-se com a estranha falta de propósito que sugeria que os alienígenas as controlavam. “Devíamos deixá-la entrar” disse Kevin. “Não podemos simplesmente deixar alguém lá fora.” “Ela não está a usar uma máscara” Luna salientou. “E então?” Luna abanou a cabeça. “Então, se ela não está a usar uma máscara, porque é que o vapor alienígena não a está a converter? Como é que sabemos que ela não é um deles?” Como se em resposta a isso, a miúda no ecrã aproximou-se da câmara, olhando para cima diretamente para ela. “Eu sei que há alguém aí dentro” disse ela. “Eu vi a câmara se mexer. Olhem, eu não sou um deles, sou normal. Olhem para mim!” Kevin olhou-a nos olhos. Eles eram grandes e castanhos, mas o mais importante, as pupilas eram normais. Não mudando para branco puro como tinha acontecido com os cientistas quando o vapor da rocha os havia reivindicado, ou como os olhos da sua mãe estavam quando ele foi a casa... “Temos que deixá-la entrar” disse Kevin. “Se a deixarmos lá fora, as pessoas controladas vão apanhá-la.” Como era de esperar, Kevin viu figuras em uniforme militar a avançar, movendo-se em uníssono, obviamente sob o controlo dos alienígenas. Ele correu para a câmara de ar e usou a chave que a Dra. Levin lhe havia dado para a abrir. Para lá daquele lugar, a miúda estava lá à espera, enquanto os antigos soldados estavam a aproximar-se, começando a correr. “Rápido, para dentro!” Kevin disse. Ele puxou a miúda para dentro da câmara, porque não havia tempo a perder. Ele tentou fechar a porta, sabendo que eles estariam seguros no momento em que esta estivesse entre eles e os controlados que avançavam pela base. A porta não se moveu. “Ajuda-me” Kevin gritou para ela, puxando a porta e sentindo a solidez do aço sob as suas mãos. A miúda agarrou-a juntamente com ele, puxando a porta, atirando o seu peso para trás para tentar movê-la. Um pouco mais longe, os antigos soldados avançavam a correr, e tudo o que Kevin conseguia fazer era manter a sua atenção na porta, não sobre eles. Era a única maneira que ele tinha de conseguir manter o seu medo afastado e de se concentrar em atirar o seu próprio peso para trás, puxando a porta. Finalmente, a porta cedeu, chiando em movimento enquanto eles a arrastavam para ela se fechar. Kevin ouviu o eco da porta a bater com força, fechando com um estalido que soou ao redor da câmara-de-ar. “Procedimento de Descontaminação a Começar”, disse uma voz eletrónica, da mesma maneira que tinha dito quando Kevin e Luna tinham chegado da primeira vez. À volta deles, ouviu-se o barulho do ar a ser limpo pelos filtros do bunker. “Olá, eu sou Kevin” disse ele. Ele suspeitava que deveria haver algo mais dramático para dizer num momento como este, mas ele não ele se conseguiu lembrar de nada. A miúda ficou em silêncio por um momento ou dois, depois pareceu perceber que Kevin poderia estar à espera de uma resposta. “Eu sou Chloe.” “Muito gosto em conhecer-te, Chloe” disse Kevin. Ela olhou para ele em silêncio, como se o estivesse a avaliar, e parecia quase pronta para correr. “Sim, eu acho.” A outra porta da câmara-de-ar abriu-se. Luna estava à espera deles, com um grande sorriso de boas-vindas, apesar de ter sido ela quem tinha argumentado contra deixar Chloe entrar. “Olá” disse Luna. Ela estendeu uma mão. “Eu sou Luna.” Chloe olhou para a mão dela, depois encolheu os ombros sem lhe pegar. “Esta é Chloe” Kevin disse por ela. Chloe assentiu num entendimento não muito entusiasmado, olhando em volta cautelosamente. “Onde é que estão as outras pessoas?” ela quis saber finalmente. “Não há mais ninguém” respondeu Luna. “Só nós. Eu e o Kevin.” Ela aproximou-se de Kevin como se para enfatizar que eles eram uma equipa. Ela até pôs uma mão no ombro dele. “Só vocês os dois?” Chloe perguntou. Ela sentou-se numa das cadeiras do centro de comando, abanando a cabeça. “Todo este caminho, e são só vocês os dois?” “De onde é que vieste?” Kevin perguntou. “Isso não importa” Chloe disse, sem olhar para eles. “Eu acho que até importa um pouco” Luna respondeu num ápice. “Quero dizer, tu apareceste do nada e estás a pedir-nos para confiar em ti.” Chloe olhou para ela bruscamente, encolheu os ombros novamente, e, depois, saiu da sala. Kevin foi atrás dela, principalmente porque suspeitava que, se Luna fosse atrás dela, poderia haver algum tipo de discussão, e também porque havia algo intrigante em Chloe. Havia tantas coisas que eles não sabiam sobre ela. “Não precisas de me seguir” disse Chloe, olhando para trás enquanto Kevin a seguia por um dos corredores. “Eu pensei que poderia levar-te a conhecer o lugar” disse Kevin. “Sabes... se quiseres.” Chloe encolheu os ombros mais uma vez. Parecia haver pormenores nos seus encolheres de ombros, e parecia que este significava que poderia ser. Kevin não sabia ao certo o que pensar dela. “Temos estado a explorar o lugar desde que aqui chegámos” disse Kevin. “Há uma cozinha e uma despensa aqui em baixo, e alguns casas de banho aqui. Este é o dormitório onde estamos a dormir. Escolhe uma cama, se quiseres. Eu estou ali, e a Luna também. Chloe escolheu uma cama. Era do outro lado do quarto de onde Luna e Kevin haviam escolhido. “Não é que eu não confie em vocês” ela disse “mas eu não vos conheço, e... “Ela abanou a cabeça, não terminando. Havia um olhar atormentado nela. “Estás bem?” Kevin perguntou. “Estou bem” Chloe respondeu bruscamente, mas depois suavizou um pouco a sua voz. “Estou bem.” Apenas estou habituada a cuidar de mim há algum tempo. Acho que não sou muito boa em abrir-me para as pessoas.” “Ok” disse Kevin. Ele recuou na direção da porta. “Eu posso ir-me embora se não quiseres...” “Eu fugi de casa” disse Chloe. Foi o suficiente para parar Kevin onde ele estava. “O quê?” “Quero dizer, antes dos alienígenas chegarem” Chloe continuou. “A minha mãe estava sempre a gritar comigo, e o meu pai era... bem, algumas coisas aconteceram e todos diziam que eu era louca... de qualquer maneira, eu tenho um primo no norte. Eu pensei que se eu conseguisse chegar até ele, ficaria bem, e, foi então que os alienígenas vieram.” Para Kevin, parecia que ela estava a passar por cima de um monte de coisas, mas ele deixou passar. Muitas das pausas pareciam lacunas que escondiam o tipo de coisas que doíam demasiado, como se fingir fizesse com que tudo acabasse. Ele sabia disso. Se ele fingisse que tudo estava bem era como se a sua doença não existisse. “Como é que sobreviveste lá fora?” Kevin perguntou. “Eu fiz o que tinha que fazer” Chloe disse, soando defensiva, e também meio atormentada novamente. “Espera, queres dizer quando todas as pessoas mudaram? Eu estava... acho que foi apenas sorte. Eu estava dentro, longe de todos quando isso começou a acontecer, e as pessoas disseram que havia gás ou algo assim, mas quando saí, eram apenas aquelas coisas a tentarem agarrar as pessoas e respirar sobre elas.” “Quando saíste?” Kevin perguntou. “Um talhante trancou-me no seu armário de carne. Disse que eu o estava a tentar roubar. Isso era em algum lugar que poderia manter o vapor alienígena fora? Isso significava que Luna e ele já não precisavam das suas máscaras? “Vai ficar tudo bem” disse Kevin. Chloe encolheu os ombros novamente. “Tu és o rapaz que aparece na televisão, não és? Quando disseste que o teu nome era Kevin, eu não entendi, mas eu acho que te reconheço. É por isso que estás aqui? Eles esconderam-te num lugar seguro porque tu és o rapaz que sabe sobre os alienígenas?” Kevin abanou a cabeça, voltando para perto dela. “Eles não me colocaram aqui. A Dra. Levin deu-me uma chave que servia nos bunkers que eles têm e contou-me sobre o que estava sob o centro de pesquisa da NASA, mas isso correu mal. Luna e eu tivemos que encontrar este lugar sozinhos. Chloe assentiu. “Luna... ela é tua namorada?” As pessoas sempre estavam a assumir isso. Kevin não conseguia entender porquê. Parecia óbvio para ele que Luna nunca seria sua namorada. “Ela é minha amiga” disse Kevin. “Nós não somos... quero dizer...” Era estranho como falar sobre alienígenas era mais fácil do que falar exatamente sobre o que ele e Luna eram. “Estranho” disse Chloe. “Quero dizer, tu pareces simpático. Eu definitivamente não te deixaria apenas como amigo. Porque será?” Porém, Kevin não conseguiu descobrir o que ela estava a pensar, porque uma tosse afiada veio da porta. Quase tão afiada quanto o olhar que Luna lhes lançou quando Kevin se virou. “Eu queria ver porque é que vocês estavam a demorar tanto tempo” ela disse, e ela não parecia contente. Ela parecia... quase com ciúmes, e isso não fazia sentido, porque nada estava a acontecer aqui, e em todo o caso, Kevin e Luna não eram assim. Ou eram? “Olá, Luna” disse Kevin. “Chloe estava a contar-me sobre ela.” “Aposto que sim” disse Luna. “Talvez ela também me possa contar um pouco. E talvez, enquanto o fazemos, possamos descobrir o que vamos fazer a seguir. “ *** Eles foram até à área da cozinha, porque nenhum deles havia tomado o pequeno-almoço ainda. Kevin foi buscar mantimentos à despensa, não inteiramente certo se deveria deixar Luna e Chloe sozinhas naquele momento. Kevin agarrou num pacote que dizia ser de panquecas de mirtilo e levou-o para eles. Elas estavam caladas, o que era meio preocupante - Luna quase nunca estava calada. “Eu encontrei panquecas de mirtilo” disse ele. “Isso é ótimo” disse Luna. “Eu adoro panquecas de mirtilo.” “Eu também” Chloe disse, embora Kevin tivesse a sensação de que ela só o tinha dito porque Luna tinha. “Bem, eu não sei se serão boas” disse Kevin. A resposta para isso era simples: elas sabiam a algo que estava num pacote numa despensa há mais tempo do que deveriam. Mesmo assim, nesta altura, ele já estava com fome suficiente para comer tudo aquilo. “Como é que soubeste deste lugar?” Kevin perguntou a Chloe enquanto eles estavam a comer. “O meu pai... o trabalho dele significava que ele... ouvia coisas” ela disse, mas não se expandiu mais do que isso sobre o assunto. Kevin suspeitou que, se tivesse sido Luna a perguntar em vez de ele, ela nem isso teria dito. “Então caminhaste até aqui, e bateste na porta até alguém te deixar entrar?” Luna perguntou. Para Kevin ela soava como se não estivesse a acreditar muito naquilo. “Eu tive que ir a um lugar” disse Chloe. “Eu pergunto-me se há outros lugares como este, onde as pessoas se tenham conseguido esconder” disse Kevin antes de isso se poder transformar numa discussão. Ele queria que elas se entendessem, já que elas estavam encurraladas ali. “Se há, não as conseguimos contactar” disse Luna. “Ainda não há sinal a entrar pelos ecrãs, e todos esses dispositivos de comunicação são inúteis se não soubermos a quem nos estamos a conectar.” “Talvez tu simplesmente não os estejas a ligar corretamente” disse Chloe. Luna lançou-lhe um olhar sério. “De qualquer maneira, nós podemos ficar aqui o tempo que precisarmos” disse Luna. “Estamos a salvo aqui. Nós conversámos sobre isto ontem, Kevin.” Eles tinham-no feito, e tinha sido um pensamento reconfortante naquele momento, mas seria mesmo? Eles iriam os três ficar ali durante o resto das suas vidas? “Eu talvez saiba de um lugar” disse Chloe, entre bocados de panqueca. “Acabaste de saber sobre um lugar?” Luna perguntou. “Da mesma forma que ouviste falar deste lugar?” Para Kevin, ela parecia desconfiada. Ele queria dar a Chloe o benefício da dúvida, mas Luna parecia confiar nela muito menos do que ele. Chloe posou o garfo. “Eu ouvi algumas pessoas, que encontrei no caminho para aqui, a falar nele. Eu imaginei que este era mais próximo e mais seguro. Mas se não há ninguém aqui...” “Nós estamos aqui” disse Luna. “Nós estamos a salvo aqui.” “Estamos?” Chloe quis saber, olhando para Kevin como se para confirmação. “É suposto haver um grupo em direção a Los Angeles que está a ajudar refugiados a se reunirem e a permanecerem a salvo. Eles autointitulam-se de Sobreviventes.” “Então queres que a gente vá até Los Angeles e procure essas pessoas?” Luna perguntou. “Qual é o teu plano? Ficar aqui simplesmente à espera que as coisas melhorem?” Kevin olhou de uma para a outra, tentando descobrir a melhor maneira de manter tudo calmo. “Nós temos comida suficiente para durar para sempre, e talvez consigamos que o rádio funcione em breve. Não podemos simplesmente sair quando pode haver qualquer coisa.” Chloe abanou a cabeça. “As coisas não melhoram. Confiem em mim.” “Confiar em ti?” Luna perguntou. “Nós nem te conhecemos. Nós vamos ficar aqui.” Kevin conhecia aquele tom. Significava que Luna não estava a recuar. “Ouçam a pequena líder de claque perfeita, a pensar que está no comando” Chloe retrucou. “Tu não sabes nada sobre mim” insistiu Luna, num tom de voz perigoso. Kevin mal conseguia entender porque é que elas estavam a discutir. Ele tinha estado a tentar não se envolver, mas agora parecia que ele o teria de fazer. Ele levantou-se para dizer uma coisa, mas parou, porque uma dor disparou pela sua cabeça, juntamente com outra coisa, uma sensação que ele não tinha há dias. “Kevin?” Luna chamou. “Estás bem?” Kevin abanou a cabeça. “Eu acho que... eu acho que está a chegar outro sinal.” CAPÍTULO TRÊS Uns números passaram pela mente de Kevin, explodindo numa sequência rápida, parecendo quase se queimarem no seu cérebro. Eles pareciam demasiado rápidos para segurar, mas Kevin sabia que tinha que tentar. Ele tentou agarrá-los... Kevin acordou, pestanejando no cimo do beliche superior da cama que escolhera. Doía-lhe a cabeça como se tivesse sido atingido, mas não era isso. Era apenas a dor que ele tinha quando o seu corpo tentava processar um sinal alienígena que não conseguia, tentando em vão agarrá-lo. Ele colocou uma mão no nariz que ficou manchada por um fino fluxo de sangue. “Toma” disse Luna, entregando-lhe um pano. “Obrigado” respondeu Kevin. Chloe estava a olhar para ele do outro lado do beliche, como se fosse uma barreira entre ela e Luna. “Está bem?” ela perguntou. “O que aconteceu?” “Eu disse-te o que aconteceu” disse Luna. Kevin notou algum aborrecimento ali. Chloe abanou a cabeça. “Eu quero ouvir isso dele.” Kevin engoliu em seco. “Eu acho... acho que há uma transmissão.” “Eu disse-te” disse Luna, com uma certa satisfação e, em seguida, olhou para Kevin. “Espera, achas que há uma?” Kevin pôde entender aquela incerteza. Antes, as transmissões tinham todas sido tão claras. “Não havia palavras” disse Kevin. “Eram só números.” “Como da primeira vez” disse Luna. Kevin assentiu, esforçando-se para se sentar. Quando pestanejou, ele conseguiu ver os números claramente, queimando por detrás das suas pálpebras, ali, quer ele as quisesse ver quer não. “Então é assim que acontece?” Chloe perguntou, parecendo quase excitada com isso. “Recebes transmissões reais no teu cérebro?” “Recebo indícios de coisas” disse Kevin “mas as transmissões reais passam pelos radiotelescópios da NASA. Eu apenas sou capaz de os traduzir.” “Isso é... incrível” disse Chloe. Era fácil esquecer que havia pessoas por aí que não o tinham visto a fazer isto imensas vezes antes. “Não é algo divertido” disse Luna. “Podes ver o que isso faz a Kevin. E todos os problemas que vêm daí também... não apenas os alienígenas que vêm. Nós tivemos pessoas a ameaçarem-nos, a tentarem matar-nos, pessoas a não acreditarem em Kevin. Sabes como é, ninguém acreditar em ti quando estás a dizer a verdade? Dizerem-te que és louco?” Chloe estava cada vez mais irritada à medida que Luna falava, mas quando ela acabou, Chloe ficou quieta. “Sim” ela disse suavemente. “Sim, sei.” Ela afastou-se e sentou-se na esquina de uma das outras camas. Kevin viu os dedos dela tamborilarem juntos, como se houvesse muita coisa que ela quisesse dizer. Mas ela não o fez. Kevin poder-lhe-ia ter perguntado o que se passava, mas Luna começou a falar com ele novamente. “Então isto significa que há outra mensagem à espera?” ela perguntou. “Outra transmissão dos alienígenas?” Kevin assentiu. “Não dos que invadiram, no entanto. Esta era mais parecida com o que ele tinha sentido com os outros. Os que nos tentaram avisar.” “Eu imaginei isso” disse Luna. “Quero dizer, o que é que os invasores vão dizer agora? Rendam-se ou serão destruídos, humanos insignificantes? A resistência é fútil? Que tipo de alienígenas se gabam quando já te venceram?” “Todas as pessoas fazem isso” Chloe murmurou e, em seguida, levantou-se e saiu. Luna franziu a testa ao vê-la sair. “Qual é o problema dela?” Kevin abanou a cabeça. “Eu não sei. Tenho a sensação de que algo muito mau aconteceu antes de ela vir para aqui.” “Queres dizer, pior do que o mundo estar a ser invadido por alienígenas?” Luna perguntou. “Ou pior do que ser agarrado por um indivíduo com uma arma numa conferência de imprensa?” “Eu não sei” Kevin repetiu. Ele teve a sensação de que provavelmente deveria ir atrás de Chloe, mas ele ainda não se sentia suficientemente forte para o fazer, e de qualquer maneira, ele também tinha a sensação de que Luna não ficaria feliz consigo se ele o fizesse. “Eu imaginei que ela te tivesse dito” disse Luna. “Quero dizer, parecia que vocês estavam a ter uma boa conversa quando eu apareci há pouco.” Quase que pareciam ciúmes, mas porque é que Luna ficaria com ciúmes? Ela tinha que saber que ela e Kevin seriam sempre melhores amigos, e que nada se iria meter entre eles, certo? E quanto a qualquer outra coisa... bem, isso implicaria que Luna estava interessada em ser mais do que apenas sua amiga, e Kevin não acreditava que isso alguma vez fosse acontecer. “Ela não disse muito” disse Kevin. “Apenas que ela fugiu.” “Parece que ela é boa nisso” disse Luna, com outro olhar aguçado em direção à porta. “Luna” disse Kevin. “Podes ao menos tentar ser simpática com ela? Quer dizer, eu nem sequer sei porque é que estás com raiva dela. Eu teria pensado que vocês se dariam bem.” “Porque somos ambas miúdas?” Luna perguntou. “Não!” Kevin disse apressadamente. “Quero dizer, porque vocês são ambas...” Ele tentou pensar nas palavras certas. Valentes estaria correto? Chloe certamente parecia valente, enquanto Luna não, mas Kevin sabia por experiência que ela era. “Nós não somos nada parecidas” disse Luna. “Ela chamou-me de líder de claque.” Ela parecia insultada com isso. “Bem, tu estavas no...” “A questão não é essa” disse Luna, mas depois parou. “Mas ok. Eu vou ser simpática. Eu acho que se vamos todos ficar encurralados num bunker juntos, teremos que nos dar bem. Mas faço isto por ti, não por ela.” “Obrigado” disse Kevin. “Claro que, se houver algum sinal novo, então não vamos poder ficar no bunker, não é?” Luna disse, soando como se fosse tudo bastante óbvio. Talvez fosse para ela. Luna tinha sido sempre boa a elaborar planos para as coisas. Muitas vezes, tinham planos para se meter em mais sarilhos. Kevin ainda não tinha pensado nisso, mas Luna provavelmente estava certa. Se havia um novo sinal, então eles tinham que descobrir o que significava, e só havia um lugar onde podiam fazer isso. “Acho que temos que voltar ao instituto de pesquisa” disse Kevin. “Apesar de quase não termos saído de lá da primeira vez?” Luna perguntou. “E não sabemos o que está na mensagem e não sabemos se isso servirá para alguma coisa quando os alienígenas já tiverem conquistado o nosso mundo. Poderia ser apenas 'desculpem, nós tentámos avisá-los.'“ “Mas e se não for?” Kevin ripostou. “Quero dizer, acreditas realmente que eles enviariam uma mensagem pelo espaço para isso?” “Não, eu acho que não” disse Luna, parecendo mais séria agora. “E se eles descobriram uma maneira de vencer os alienígenas, ou de forçá-los a deixar de controlar o corpo das pessoas?” Kevin perguntou. “E se eles nos derem uma maneira de melhorar isso? Nós temos que voltar. Bem, eu tenho. Quero dizer, tu podes ficar mais segura se...” “Se terminares esse pensamento eu dou-te um soco” disse Luna. “Claro que eu vou.” “Mas eu pensei que...” “Tu pensaste que me ias deixar para trás enquanto tinhas uma aventura sozinho?” Luna quis saber. Kevin abanou a cabeça. “Eu pensei que finalmente tínhamos chegado a um lugar seguro. Eu pensei que talvez tu não quisesses desistir disso. Eu tenho que estar lá para traduzir a mensagem, mas ninguém mais... uouuu!” Ele esfregou o punho onde Luna o tinha agarrado. “Eu disse-te que sim” disse ela com um grande sorriso que sugeria que ela não estava remotamente arrependida. “Eu vou contigo, porque alguém tem que impedir que sejas agarrado por pessoas controladas. Além disso, se houver alguma coisa que nos permita voltar atrás e dar-lhes uns pontapés no rabo pelo que eles fizeram, eu quero saber.” Isso era parte do que era tão incrível em Luna. Ela não desistia, mesmo quando tudo dizia que era a coisa sensata a fazer. Ela lutaria contra qualquer coisa, incluindo uma invasão alienígena. “Alguma vez te disse o quão incrível és?” Kevin perguntou. “Não precisas de me dizer” disse Luna com outro sorriso irónico. “Eu simplesmente sei. Francamente, tens sorte em poderes ser meu amigo.” “É verdade” disse Kevin. Ele ficou sério por um momento. “Precisamos de um plano, se vamos voltar.” “Nós vamos precisar de suprimentos” disse Luna, começando a verificar itens com os seus dedos. “Vamos precisar de comida, talvez ferramentas para entrar, máscaras...” “A Chloe disse que o vapor tinha desaparecido” destacou Kevin. “E como é que ela sabe?” Luna ripostou. “Ok, talvez, mas eu prefiro ter uma comigo por precaução. Tu podes ficar com a incumbência de lhe dizer a ela que nós vamos. “Talvez ela queira vir connosco” disse Kevin. Luna fez uma careta. “Acho que é melhor do que a deixar aqui sem saber se ela nos vai deixar entrar novamente. Vou começar a reunir suprimentos. Tu vai, e fala com ela.” *** Kevin atravessou o complexo subterrâneo, à procura de Chloe. Demorou algum tempo a encontrá-la nos emaranhados corredores e despensas, mas acabou por a ouvir lá à frente. Ela parecia estar a falar sozinha. “Eu não posso fazer isso... eu não posso fazer isso...” Kevin olhou cautelosamente por uma porta e encontrou Chloe sentada no chão de uma despensa. Havia coisas espalhadas por ali de uma forma que não parecia acidental. Parecia que ela tinha varrido com o seu braço uma das prateleiras, derrubando tudo para o chão. Ela tinha a cabeça entre as suas mãos e parecia estar a chorar. “Chloe?” Ela olhou para cima quando Kevin se aproximou, enxugando as lágrimas como se temesse que pudessem ser usadas contra ela. “Eu estou bem” disse ela, antes que Kevin conseguisse perguntar se ela estava bem. “Eu estou bem.” “Eu costumava dizer que estava bem quando as pessoas me perguntavam sobre a minha doença” disse Kevin, movendo-se para se sentar ao lado dela. “Isso significava principalmente que eu não estava.” “É só que eu fico... chateada... às vezes” Chloe disse, e Kevin achou que ela tinha escolhido essa palavra cuidadosamente de todas as que lhe tinham ocorrido. “Eu faço coisas sem na verdade pensar. É parte da razão pela qual as pessoas diziam que eu era louca.” “Eu não acho que tu sejas louca” disse Kevin. Chloe suspirou. “Ainda não me conheces. Vieste aqui só para ver o quanto eu estava a estragar tudo?” “Não, claro que não” disse Kevin. “Nós… eu… acho que precisamos de voltar ao instituto de pesquisa da NASA. Com o que vi, pode haver uma mensagem e esta pode ser importante.” “Queres ir para o meio da cidade, para um lugar que pode estar cheio deles?” Chloe perguntou. “Isso… isso não faz nenhum sentido. Nós poderíamos ir a qualquer lugar. Há os Sobreviventes em Los Angeles, ou o meu primo no norte...” “Nós precisamos de fazer isto” disse Kevin. “A Luna está a reunir suprimentos e vamos elaborar um plano para chegar lá em segurança. Podias ficar aqui se quisesses, porém. Não tens de vir connosco se achas que não vai ser suficientemente seguro.” “Não queres que eu vá contigo?” Chloe perguntou, e agora ela parecia tão chateada quanto tinha parecido antes. “Não foi isso que eu disse” disse Kevin. “Mas era isso que querias dizer, não era?” Chloe ripostou. “Não” respondeu Kevin. “Eu só pensei que tu poderias não quer ir. Tu própria disseste que poderia ser perigoso.” Chloe encolheu os ombros. “Como queiras.” “Chloe” disse Kevin. “Eu não quero...” “Como queiras” repetiu Chloe, num tom aborrecido. “Faz como quiseres. Tanto me faz. Vai tratar dos teus preparativos estúpidos.” “Chloe...” “Vai!” ela retrucou bruscamente. Kevin foi, com a esperança que, se ele deixasse Chloe sozinha por um tempo, eles conseguissem falar sobre isso novamente mais tarde ou algo assim. Era isso o que as pessoas faziam, não era? Eles conversaram sobre as coisas e fizeram as pazes? Por enquanto, ele sabia que provavelmente deveria ajudar Luna a encontrar suprimentos para a jornada deles. Eles precisariam de todo o tipo de coisas, desde combustível, para o carro que eles haviam deixado lá fora à espera, a roupa, mapas. Ele passou por uma porta com a palavra “Arsenal” impressa acima e tentou abrir a maçaneta, mas esta estava trancada. Talvez isso fosse bom também. Ele duvidava que ele e Luna conseguissem passar por uma horda de pessoas controladas, independentemente de quantas armas eles tivessem. Além disso, isso fê-lo imaginar a sua mãe a correr na sua direção, ou os cientistas do Instituto ou os pais de Luna. Ele achava que não iria ser capaz de magoar nenhum deles. Ele ainda estava a pensar nisso quando ouviu alarmes a soarem na direção da sala de controlo. Kevin correu para lá, esperando que isso não passasse de um falso alarme ou de uma falha menor, mas no fundo, ele sabia que não era. Ele sabia exatamente quem seria a responsável por aquele alarme e ele não queria pensar no que ela poderia estar a fazer. Ele correu para a sala de controlo e viu Chloe. Ela estava a pressionar botões nos computadores numa névoa de lágrimas, apunhalando-os com os dedos, como se pressioná-los com mais força os fizesse funcionar melhor. “Chloe, o que é que estás a fazer?” Kevin quis saber. “Eu não tenho que fazer o que tu dizes. Não tenho que fazer o que as outras pessoas dizem” disse ela num tom determinado. “Tu não me podes manter aqui. Eu preciso de sair!” “Ninguém está a tentar...” “Eu pensei que tu gostasses de mim. Eu pensei que tu poderias ser meu amigo, mas tu és como todos os outros. Vou-me embora. Não me podes impedir!” Ela pressionou outra coisa qualquer e o tom dos alarmes mudou. Palavras geradas por computador soaram nos altifalantes. “Procedimento de Evacuação de Emergência iniciado. A abrir portas. Por favor, saiam da base de uma forma ordenada." “O quê?” Kevin perguntou. “Chloe, o que é que fizeste?” “O que é que ela está a fazer agora?” Luna perguntou, enquanto corria para a sala. Ela tinha uma mochila sobre um ombro que obviamente ela tinha estado a usar para recolher suprimentos, ainda meio aberta por causa da pressa de chegar ali. Ela não parecia satisfeita. Não tão insatisfeita quanto Chloe, no entanto. “Tu ias deixar-me aqui sozinha como uma espécie de... de prisioneira” ela disse, e o seu tom era frenético, irritado e assustado, tudo ao mesmo tempo. “Tu não me vais manter aqui. Eu vou para o meu primo. Eu vou descobrir o que aconteceu com ele. Depois eu vou até aos Sobreviventes.” Atrás dela, a grande porta da câmara de ar estava a abrir-se. Para choque de Kevin, o mesmo estava a acontecer com a porta externa, ambas abrindo de uma só vez num caminho claro para o lado de fora. Kevin conseguia ver a estrada da montanha lá fora e as árvores. Pior, ele conseguia ver figuras a deslocarem-se lá fora, voltando-se para o som quase em uníssono. Praticamente assim que o caminho ficou livre, Chloe desatou a correr para a porta, saindo para a montanha. Kevin estava em choque com tudo o que estava a acontecer, tanto que não tentou detê-la, e Luna estava a colocar a sua máscara de gás apressadamente, obviamente ainda sem saber se devia confiar no ar do lado de fora ou não. “A porta, Kevin!” Luna gritou enquanto corria para a colocar no lugar. “Precisamos de fechar a porta.” Kevin assentiu. “Eu faço isso.” Ele esperava fazê-lo, pelo menos. Ele conseguia ver as pessoas do lado de fora a avançarem em direção à porta, mais delas do que ele poderia ter acreditado, dado que os alienígenas supostamente tê-las-iam levado. Havia soldados e caminhantes, famílias inteiras a deslocarem-se numa espécie de coordenação silenciosa e pomposa. Kevin pressionava botões no computador, na esperança de desfazer tudo o que havia sido feito. Nada parecia produzir qualquer efeito. Não ajudava que ele não tivesse nenhuma ideia de como o sistema do computador aqui funcionava. Não era como se tudo estivesse rotulado para quem o quisesse usar. Além disso, ele suspeitava que uma porta de emergência a abrir assim não deveria ser fácil de desfazer, no caso de as pessoas ficarem presas lá dentro. Ele batia nas teclas do computador, esperando encontrar alguma combinação que pudesse fazer alguma coisa. Nada disso funcionava. As portas permaneciam abertas, um caminho desimpedido para o lado de fora, e agora, ao longo daquele caminho, as pessoas controladas pelos alienígenas estavam a seguir em frente. Eles estavam a vir. Kevin estava aterrorizado com o que aconteceria a seguir, se eles chegassem ao bunker. CAPÍTULO QUATRO “Foge!” Kevin gritou à medida que as pessoas que os alienígenas haviam convertido se aproximavam do bunker. Luna já parecia estar a seguir o seu conselho, correndo de volta para as confusas profundezas do lugar, tão depressa que Kevin teve que se esforçar para se conseguir aproximar dela. Eles tinham sempre sido bons a fugir. Sempre que se metiam em sarilhos por estarem em algum lugar onde não deviam estar, conseguiam sempre manter-se à frente de quem os seguia. Bem, na maior parte do tempo. Bem, pelo menos mais do que na metade. Desta vez, porém, Kevin suspeitava que eles iriam conseguir algo muito pior do que um aviso severo se as criaturas por trás deles se aproximassem. Ele conseguia ouvir o bater dos pés deles no chão do bunker enquanto eles os perseguiam, sendo silencioso o som da sua perseguição, exceto pelo barulho das botas contra o cimento. Eles não os chamavam enquanto os perseguiam, não guinchavam, gritavam ou exigiam que Kevin e Luna parassem. De alguma forma, isso tornava tudo mais assustador. “Por aqui!” Luna gritou, levando-o ainda mais para as profundezas da base. Eles passaram pelo arsenal, e Kevin desejou efetivamente ter algum tipo de arma, simplesmente porque parecia ser a única maneira que eles tinham de conseguirem sair dali inteiros. Uma vez que ele não tinha uma, ele resolveu derrubar tudo por onde passava enquanto corria, empurrando um carrinho para o caminho das pessoas que avançavam, fechando as portas atrás de si. Os estrondos diziam-lhe quando elas chocavam com os obstáculos que Kevin estava a colocar no seu caminho, mas até agora nada disso parecia estar a atrasá-los nem um pouco. “Silêncio” sussurrou Luna, puxando Kevin para outro corredor e diminuindo a velocidade até andarem pé ante pé. Uma multidão de caminhantes e soldados passou apressadamente um segundo depois, movendo-se com toda a velocidade e força que pareciam ser uma consequência de estarem a ser controlados pelos alienígenas. “Por que é que eles são tão rápidos?” Kevin sussurrou, tentando recuperar o fôlego. Não parecia justo, eles serem tão rápidos. O mínimo que uma pessoa deveria ser capaz de esperar de uma invasão alienígena era conseguir fugir dela apropriadamente. “Os alienígenas provavelmente estão apenas a fazer com que eles usem todos os seus músculos” disse Luna “não se importando se os magoam. Sabes, como quando as avós libertam as pessoas debaixo dos carros.” “As avós conseguem libertar as pessoas debaixo dos carros?” Kevin perguntou. Luna encolheu os ombros. Com a máscara de gás colocada, era impossível saber se ela estava a brincar com ele ou não. “Eu vi na televisão. Já recuperaste o fôlego? Kevin assentiu, embora não fosse exatamente verdade. “Para onde é que estamos a ir? Se eles forem espertos, terão deixado pessoas na entrada.” “Então, nós vamos para a outra entrada” disse Luna. A saída de emergência. Kevin estava tão ocupado a pensar no bunker a ser invadido que ele praticamente se tinha esquecido da porta de emergência. Se eles conseguissem lá chegar, então talvez eles tivessem uma hipótese. Eles conseguiriam chegar ao carro e ir até à NASA. “Pronto?” Luna perguntou. “Ok, vamos.” Eles correram pelos corredores e, de alguma forma, não ver as pessoas controladas era pior do que as ver. Eles estavam tão quietos que poderiam estar em qualquer esquina, esperando para os apanhar, e se eles o fizessem, o que aconteceria a seguir não valeria... “Foge!” Luna gritou quando um braço a agarrou na esquina seguinte, conseguindo segurar o tecido da sua blusa. Kevin lançou-se para frente, atirando todo o seu peso contra o braço como se estivesse a tentar atacá-lo. Ele soltou-a. Kevin e Luna começaram a correr novamente, dando voltas e mais voltas ao acaso, para tentar despistar os seus perseguidores. Eles não conseguiam correr mais rápido do que eles numa linha reta, pelo que tiveram que procurar por espaços onde as pessoas controladas não os conseguissem seguir, e tentar usar a configuração labiríntica do bunker contra eles. “Está aqui” disse Luna, apontando para uma porta. Kevin teve que acreditar na palavra dela. Naquele momento, ele sentia-se tão perdido que nem conseguia dizer a ninguém o caminho de volta para a sala de controlo. Ele entrou apressadamente na secção do corredor a seguir a Luna, e, depois, fechou a porta atrás deles, pegando num extintor de incêndio, tentando usá-lo para bloquear a porta. Parecia tão frágil quanto papelão em comparação com a força das pessoas controladas. Agora eles só tinham que abrir a porta da escotilha. Kevin colocou as mãos na roda, tentando girá-la. Não aconteceu nada; era tão tesa que parecia ter sido feita de rocha. Ele tentou novamente. Os nós dos seus dedos começaram a ficar brancos com o esforço. “Talvez uma pequena ajuda?” ele sugeriu. “Mas tu pareces estar a divertir-te” Luna ripostou por trás da sua máscara, antes de se agarrar à roda de bloqueio com ele e puxar. Ainda assim continuava presa. “Precisamos de nos esforçar mais” disse Luna. “Estou a tentar o máximo que consigo” assegurou Kevin. “Bem, a menos que queiras pedir ajuda a uma das pessoas controladas, precisamos de fazer mais. Quando eu disser três. Um…” Um barulho veio da porta que Kevin havia trancado. “Três!” ele disse, puxando a roda com toda a sua força. Luna pareceu ter tido a mesma ideia, pendurando praticamente todo o seu peso na coisa. Finalmente, quando um segundo barulho estridente veio da porta que eles haviam trancado, a coisa deslocou-se. Eles abriram-na enquanto os músculos de Kevin reclamavam, e, então, Luna atirou-se lá para dentro de cabeça, sem esperar para ver se Kevin queria ir primeiro. Ele apressou-se a ir atrás dela, fechando a escotilha a seguir, na esperança de que o corredor parecesse vazio para qualquer coisa que os seguisse. O espaço era estreito, pouco mais que uma espécie de túnel para rastejar. Se os dois fossem adultos, provavelmente não caberiam ali. Mas assim, havia espaço suficiente para eles conseguirem rastejar de mãos e joelhos, indo apressadamente na direção da outra escotilha no final. Felizmente, esta não estava presa, e abriu suavemente, revelando a encosta da montanha. “Precisamos de ter cuidado” disse Luna suavemente enquanto os dois saíram na encosta da montanha. “Eles podem ainda estar por aqui.” E estavam, porque Kevin pôde ver figuras mais à frente, subindo a encosta como se para chegarem à entrada da frente. Havia algumas árvores por perto. Ele e Luna deslizaram até lá, mantendo-se agachados e tentando ficar fora de vista. Eles rastejaram pela montanha acima, tentando descobrir exatamente onde é que eles haviam escondido o carro da Dra. Levin. Se eles conseguissem chegar ao carro, poderiam sair dali e ir para a base, abandonando as pessoas controladas pelos alienígenas. Kevin avistou-o um pouco mais ao longe, exatamente onde eles o haviam deixado, fora de vista. Ele rastejou em direção ao carro... e foi quando ele viu Chloe a aparecer de uma curva na estrada da montanha, vinda do estacionamento no cume. Um par de turistas, movendo-se com o silêncio estranhamente coordenado dos alienígenas controlados, estava a correr atrás dela e a aproximar-se dela. “Temos que a ajudar” disse Kevin. “Depois de tudo o que ela acabou de fazer?” Luna contrapôs. “Devíamos deixar que ela se tornasse numa alienígena também. Ela provavelmente seria menos problemática.” “Luna” disse Kevin. “Eu só estou a dizer que ela não merece de todo a nossa ajuda” disse Luna. As pessoas controladas estavam quase a apanhar Chloe agora. “Provavelmente é verdade” disse Kevin. Ele começou a avançar. “Mas ainda assim eu vou ajudá-la.” Ele partiu em direção a Chloe e não ficou tão surpreendido por ver Luna correr ao seu lado. “Eu estou a fazer isto por ti, não por ela” disse Luna. “Claro” Kevin concordou, correndo mais rápido. “E podes parar de sorrir” continuou Luna. “Eu só estou a fazer isto porque senão tu irás ficar alienado se eu não ajudar.” “Alienado?” “Vou pensar numa palavra melhor depois” disse Luna. Eles estavam quase a chegar a Chloe agora. Uma das pessoas controladas tentou agarrá-la, mas Kevin e Luna foram mais rápidos, agarrando-a, puxando-a para fora do caminho e descendo para as árvores. A encosta tornava a descida traiçoeira, mas talvez isso fosse uma coisa boa quando uma das pessoas controladas passasse por eles a cair. “Tu vieste atrás de mim” disse Chloe. “Tu...” “Pára de falar e continua a correr” Luna retrucou. “O carro está mais à frente.” E o caminhante restante estava logo atrás, movendo-se com toda a tenacidade de um lobo perseguindo um cervo. Kevin não queria pensar em como este tipo de coisa geralmente terminava, ele apenas continuava a correr, mudando de direção por entre as árvores. O caminhante controlado por alienígenas agarrou-se a ele e Kevin conseguiu se esquivar. Para sua surpresa, Chloe estava lá, empurrando o homem de lado, fazendo com que ele caísse pela encosta abaixo enquanto lutava para parar a sua queda. Ela sorriu, embora Kevin estremecesse, porque mesmo que houvesse um alienígena a controlar aquele corpo, ele ainda pertencia a alguém, e se eles o recuperassem, provavelmente quereriam que ele não tivesse os ossos partidos. “Entrem!” Luna gritou lá da frente. Ela estava no carro agora, tendo saltado para o lugar do motorista. Kevin e Chloe correram para o carro e entraram enquanto Luna começou a girar a chave. Kevin ouviu-a a resmungar baixinho, e foi apenas preciso um momento para perceber o motivo: o carro não estava a pegar. Fazia uma espécie de zumbido, um som de tosse, mas fora isso, nada acontecia, não importando quantas vezes Luna tentasse que ele trabalhasse. O medo cresceu em Kevin naquele momento, embora ele tivesse sempre estado com medo mais do que suficiente, por ter de fugir de pessoas controladas pelos alienígenas. Ele olhou em volta para as árvores, tentando detetar movimento, procurando por qualquer sinal das pessoas controladas. Não apenas daquelas que tinham caído pela encosta abaixo, porque haveria mais. Parecia sempre haver mais. “Não está a funcionar” disse Luna. “Não vai funcionar” disse Chloe. “Tu afogaste-o” “Como se tu percebesses alguma coisa disso” Luna ripostou. Parecia uma discussão que demoraria muito e seria demasiado barulhenta; isso iria fazer com que eles ainda estivessem ali sentados quando chegassem mais pessoas controladas Kevin achava que já conseguia ver a agitação das folhas das árvores. “Temos que ir” disse Kevin. Ele achava que conseguia ver formas para lá dos troncos mais próximos. “Temos que ir agora.” Ele saiu do carro novamente e elas seguiram-no com óbvia relutância. Pelo menos elas seguiram-no, deslizando para o meio das árvores mesmo a tempo. Kevin olhou para trás e viu os caminhantes, soldados, guardas florestais e famílias, a irem na direção do carro numa massa silenciosa e coordenada. Alguns deles olhavam ao redor, parecendo quase estarem a cheirar o ar. Kevin correu para longe o mais rápido que ousou. “Eles não vão se distrair com o carro por muito tempo” Kevin supôs. “Precisamos de pensar em outra coisa.” “Há imensos carros lá em cima no estacionamento” disse Chloe. Luna bufou. “Para os quais não temos chaves.” “Eu não preciso de uma chave. Era isso que eu estava a fazer lá em cima, até eles irem atrás de mim.” Ela ainda soava como se quisesse provocar uma discussão, mas naquele momento, se eles todos conseguissem sair dali, Kevin conseguiria viver com isso. “Precisamos de ficar calados” disse Kevin, e elas olharam para ele como se ele tivesse acabado de dizer a coisa mais óbvia do mundo. Todos continuaram a andar para a frente rastejando, subindo a montanha até ao cume e ao parque de estacionamento que existia ali para os visitantes. Por enquanto, pelo menos, parecia estar vazio. “Podias muito bem tirar essa máscara idiota” Chloe disse para Luna. “Eu disse-te, o que quer que tenha sido que eles colocaram no ar já desapareceu. Ou estás com medo?” Esta última frase foi o suficiente para atingir Luna. De uma maneira contundente, ela tirou a máscara, pendurando-a no seu cinto. “Eu não estou com medo” disse ela. “Simplesmente não sou estúpida.” “Precisamos de encontrar um carro” disse Kevin, interrompendo antes que elas pudessem discutir novamente. Havia muito por onde escolher, deixados onde quer que tivessem sido estacionados pelas pessoas que visitavam a montanha. Havia SUVs e minivans, carros modernos e antigos em todos os tipos de cores e... “Aquele” Chloe disse, apontando para uma pick-up que parecia tão maltratada que Kevin estava surpreendido por restar ainda alguma coisa dela. A pintura estava a descascar e a ferrugem aparecia em alguns pontos. “Eu vou conseguir por aquele a funcionar.” Eles foram até lá e viram que uma das janelas estava ligeiramente aberta. Chloe puxou-a ainda mais para baixo, depois pôs a mão lá dentro e abriu a porta. “Não te preocupa que ela saiba como fazer tudo isto?” Luna perguntou a Kevin. Chloe olhou para trás. “Nem todos nós temos pequenas vidas perfeitas, líder de claque.” Kevin ficou quase grato pela visão de um grupo de pessoas controladas a avançarem lentamente, obviamente à procura. “Rápido” ele disse “para a pick-up!” Eles entraram, mantendo a cabeça baixa. Chloe estava no banco do condutor a trabalhar algo com a ignição. Parecia estar a demorar muito tempo. “Eu pensei que tu tinhas dito que conseguias fazer isto” sussurrou Luna. “Eu gostaria de te ver a tentar” Chloe retrucou. “Desde que nos consigas levar para a NASA” disse Luna. Chloe abanou a cabeça. “Nós vamos para Los Angeles.” “São Francisco” insistiu Luna. “Los Angeles” Chloe ripostou. Kevin sabia que tinha de intervir, porque, se não o fizesse, provavelmente elas ainda estariam a discutir quando as pessoas controladas os alcançassem. “Por favor, Chloe, nós precisamos ouvir esta mensagem. E... bem, se não der certo, então talvez pudéssemos ir para Los Angeles. Juntos.” Chloe ficou calada por um minuto. Kevin ousou dar uma olhadela por cima do painel de instrumentos do carro. Ele esperava que ela tomasse uma decisão em breve, porque o grupo de pessoas controladas estava a aproximar-se. “Eu acho que vocês basicamente salvaram-me a vida da outra vez” disse Chloe. “Ok.” Ela continuou a fazer o que estava a fazer com a ignição. O motor tossiu. Kevin olhou para cima e viu cada uma das pessoas controladas pelos alienígenas a olhar fixamente para eles agora, com a intensidade de um gato que acabara de avistar um rato. “Hum... Chloe?” Eles começaram a correr para a frente. “Consegues fazer isto ou não?” Luna perguntou. Chloe não respondeu, limitando-se a continuar a trabalhar no que estava a fazer. O motor gaguejou novamente, e, depois, começou a trabalhar. Chloe olhou para cima triunfante. “Veem! Eu disse-vos que...” Ela parou logo a seguir quando uma figura bateu na pick-up, tentando agarrá-los. “Tira-nos daqui” disse Kevin, e Chloe assentiu. A pick-up foi aos solavancos para a frente enquanto ela conduzia, aparentemente não se importando se batia nas pessoas controladas ou não. Eles giraram em torno de um carro e um soldado atirou-se para a frente da pick-up. Chloe não diminuiu a velocidade nem por um momento, e o estrondo quando o atingiram foi horrível. Ele bateu no capô, rebolou e levantou-se, mas nessa altura eles já se tinham afastado. Ou quase afastado, de qualquer das maneiras. Mas havia limites para a velocidade a que eles conseguiam ir na estrada da montanha, especialmente com o risco de haver carros abandonados no caminho, deixados onde as pessoas estavam quando o vapor converteu os seus ocupantes. Chloe estava a contorná-los, mas, ainda assim, isso estava a atrasá-los ao ponto das pessoas controladas se estarem a aproximar. “Eles não estão a desistir” disse Luna olhando para trás. “Eles não se cansam, eles não param” Chloe disse, e houve algo na maneira como ela o disse que sugeriu que ela o tinha aprendido da maneira mais difícil. “Segurem-se.” Kevin agarrou-se ao painel quando ela acelerou, com a pick-up a rolar de forma alarmante enquanto contornava os obstáculos no caminho. Kevin tinha a certeza de que eles iriam bater a qualquer momento, mas de alguma forma, incrivelmente, isso não aconteceu. Chloe puxava o volante de um lado para o outro, e a pick-up arrastava-se em resposta. Eles derraparam para perto da beira da estrada, e Kevin não sabia o que é que seria pior: bater ou ser apanhado. No entanto, Chloe parecia já ter decidido, porque eles não abrandaram. Eles desceram pela montanha e Kevin pôde ver as pessoas controladas a ficarem cada vez mais para trás. “Conseguimos” disse ele. “Nós sobrevivemos.” Luna abraçou-o. Por cima do ombro, Kevin pôde ver o olhar no rosto de Chloe. “Agora tudo o que temos a fazer” disse Luna “é ir para a cidade, entrar num lugar do qual mal conseguimos sair e encontrar uma mensagem de um segundo conjunto de alienígenas sem sermos agarrados pelos primeiros.” Colocado assim, parecia uma tarefa impossível. Kevin mal conseguia imaginar conseguirem chegar inteiros ao instituto da NASA, mas ainda assim eles precisavam de o fazer. Era a única esperança que o mundo tinha. CAPÍTULO CINCO “Estou tentada a dizer 'já estamos quase lá'” disse Luna, com um sorriso para Kevin. Kevin deveria ter adivinhado que um dos maiores perigos de uma viagem como esta não era apenas o risco de cair, ou ser emboscado por pessoas controladas por alienígenas, ou qualquer coisa assim. Era a possibilidade de Luna ficar suficientemente entediada para começar a pensar em maneiras de se entreter. Ele não tinha dúvida de que isso significaria uma discussão com Chloe e, como Chloe estava a conduzir, isso não parecia uma coisa boa. Muitas coisas não pareciam, desde a nave alienígena a pairar no céu, do tamanho da lua e sinistra, até ao silêncio, quase ao vazio, das estradas. Tudo isso apenas o lembrava de quão estranha era toda aquela situação e o quanto o mundo havia mudado quase da noite para o dia. “Não consegues ir mais rápido?” Luna perguntou. “Queres mais rápido?” Chloe perguntou e acelerou a fundo. Kevin segurou-se. Assim que eles saíram da montanha, as estradas alargaram-se um pouco, mas isso não significava que eles conseguiam ir tão depressa quanto queriam. Por um lado, Kevin duvidava que Chloe soubesse conduzir melhor do que ele ou Luna. Por outro lado, ainda havia muitos carros na estrada para isso. “Vai mais devagar” disse Kevin, quando eles passaram por um Chevy estacionado no meio da estrada, cujo dono já havia desaparecido há muito tempo. Eles não bateram por pouco numa motocicleta que havia sido deixada na berma, simplesmente abandonada. “Chloe, por favor, vai mais devagar.” Eles desaceleraram um pouco, e provavelmente ainda bem que o fizeram. Havia carros espalhados por toda parte agora, a maioria apenas deixado onde os seus proprietários tinham sido convertidos, mas alguns deles eram pouco mais que pedaços torcidos de metal onde eles obviamente tinham chocado. Um camião cisterna estava tombado na beira da estrada, com o combustível a infiltrar-se na terra ao seu redor. Uma faísca tê-lo-ia feito explodir e, naquele momento, Kevin achou que ele entendia o que se sentia. “Precisamos trabalhar juntos” disse ele, tentando acalmar as coisas um pouco. Ele tentou pensar sobre o que a sua mãe poderia ter dito numa situação como aquela, ou Ted, ou a Dra. Levin. O único problema com isso era que era demasiado doloroso pensar em todas as pessoas que lhe haviam sido tiradas, e que poderiam estar agora na nave que pairava como uma segunda lua no céu. “Nós... todos os outros desapareceram” disse ele, sufocando a dor. “Todos nós perdemos pessoas. Todos nós já tivemos coisas más a acontecerem-nos. Tal não parecia uma coisa suficientemente grande a dizer para conter todo aquele horror. “Todos nós estamos a sofrer e não podemos discutir só porque é mau. Só vamos superar isso se trabalharmos juntos.” Elas mantiveram-se caladas durante um pouco. “Ok” Chloe disse finalmente. “Sim, acho que sim” concordou Luna. Eles continuaram a sua viagem, com a antiga pick-up a dar sacudidelas e a ressaltar em estradas cheias de detritos dos últimos momentos das pessoas antes dos alienígenas as levarem. Havia caixas de fast food e veículos abandonados, animais de estimação deixados a vaguear na berma da estrada e pessoas que jaziam onde haviam caído quando os carros as tinham atingido, tão quietas que era óbvio que não havia nada que pudesse ser feito para as ajudar, mesmo que Kevin tivesse conhecimentos de medicina. Ele olhou para cima para a nave alienígena em órbita acima do mundo. A sua mãe estaria lá em cima? Ou estaria numa das naves que ele e Luna tinham visto a descer de lá e que pairavam sobre as cidades do mundo? Talvez a tivessem deixado ficar por ali, à espera de algo mais, como tinha acontecido com os caminhantes e os soldados na montanha. Kevin não tinha a certeza de qual opção seria melhor. Nenhuma delas parecia boa. “Olhem” disse Luna, apontando. Kevin viu imediatamente o que ela estava a apontar. A grande nave que se havia posicionado acima de São Francisco ainda estava lá, pairando surpreendentemente por cima da cidade, enquanto ocasionalmente formas muito menores saiam de lá disparadas. Depois de tanta quietude nas estradas, esse movimento era quase tão perturbador quanto a situação de haver uma nave alienígena ali. Quase. “Estamos mesmo a ir na direção daquilo” disse Chloe. “Isto realmente não parece nada bom.” “Bem, aqui está uma coisa em que conseguimos concordar” disse Luna. Era provavelmente a única coisa sobre a qual eles concordavam, mas ainda assim, eles tinham que ir lá. Eles tinham que fazer isso porque, naquele momento, parecia ser a única esperança para todos. Kevin engoliu em seco ao pensar nisso. Era muita pressão; demasiada. A nave alienígena estava tão alta, acima da cidade, que demorou mais de dez minutos até os prédios abaixo começarem a aparecer, e arranha-céus apontarem para o ar abaixo dela como dedos a tentarem alcançá-la. À medida que eles se aproximaram, as estradas ficaram também mais movimentadas, cada vez com mais carros abandonados, de tal forma que eles precisaram desacelerar, quase até a um ritmo lento, para avançarem com segurança. “Pelo menos não estamos do outro lado da estrada” disse Luna. Ela tinha razão. A saída da cidade estava tão entupida de carros que parecia impossível que alguém conseguisse atravessar o caos. Parecia que eles tinham saído mesmo a tempo da primeira vez. “Vai fazer com que voltar a sair da cidade vá ser um pouco difícil” disse Kevin enquanto pensava sobre isso. Ele não gostava da ideia de ficar ali encurralado. Talvez houvesse uma maneira fácil de lidar com os alienígenas assim que eles chegassem à NASA e escutassem o novo sinal, talvez eles não precisassem de se ir embora antes de ficar tudo estar bem. No entanto, olhando para as naves alienígenas, era difícil acreditar nisso. “É fácil” disse Chloe. “Não há ninguém na estrada, por isso podemos ir pelo lado contrário da estrada.” Isso seria suficiente. Era estranho, porém, que, mesmo com o que parecia ser o fim do mundo, ainda parecesse errado pensar isso. “Vamos por onde?” Chloe perguntou. Kevin apontou, esperando estar certo. Ele tinha morado na NASA durante tanto tempo, mas ele e a sua mãe só tinham ido para lá de carro pouco mais do que algumas vezes. Eles dirigiram-se mais para dentro da cidade, tentando seguir sinais que parecessem que os iriam levar para mais perto de onde eles queriam ir. A cidade estava estranhamente sossegada. Havia lixo deixado nas ruas e animais vagueando, mas Kevin não via nenhum sinal de pessoas. Ele supôs que ninguém tão longe na cidade tivesse caminhado até ao local onde todos tinham estado parados a olhar para a nave que estava ali pendurada. Ele queria tentar ignorar isso, mas era impossível. Mesmo quando ele tirou os olhos da nave, isso significou apenas que ele olhou para a forma ainda maior que estava em órbita. Конец ознакомительного фрагмента. Текст предоставлен ООО «ЛитРес». Прочитайте эту книгу целиком, купив полную легальную версию (https://www.litres.ru/pages/biblio_book/?art=43696559) на ЛитРес. Безопасно оплатить книгу можно банковской картой Visa, MasterCard, Maestro, со счета мобильного телефона, с платежного терминала, в салоне МТС или Связной, через PayPal, WebMoney, Яндекс.Деньги, QIWI Кошелек, бонусными картами или другим удобным Вам способом.