Antes Que Ele Cobice 
Blake Pierce


Um Enigma Mackenzie White #3
De Blake Pierce, autor do best-seller ONCE GONE (seu best-seller nº1, com mais de 600 avaliações com cinco estrelas), vem o livro nº 3 da emocionante série de enigmas Mackenzie White. Em Antes Que Ele Cobice, a agente do FBI, Mackenzie White, acaba de se formar na Academia do FBI em Quantico, e se envolve um sério caso de um assassino em série. As mulheres são mortas ao acampar em um remoto parque nacional no Oeste da Virginia. No entanto, o parque é imenso, e nenhuma conexão pôde ser encontrada entre as mortes. Ao mesmo tempo, Mackenzie recebe um telefonema de Nebraska, pedindo-lhe que volte. Depois de muitos anos, uma nova pista surgiu sobre o assassinato de seu pai. O caso vem à tona, Mackenzie precisa desesperadamente ajudar a resolvê-lo. Mas o assassino do FBI está acelerando, e não há tempo para distração, pois mais mulheres desaparecem neste jogo psicológico de gato e rato. Esse assassino é mais diabólico – e mais inteligente – do que Mackenzie poderia ter imaginado. Enquanto segue um caminho pelo qual temia viajar – de forma profunda em sua própria psique – ela encontra um desafio duplo esperando por ela, de um jeito que nunca imaginou. Um enigma psicológico sombrio com um emocionante suspense, Antes Que Ele Cobice é livro nº3 de uma série extremamente interessante – com uma personagem apaixonante – que fará você virar páginas e páginas até tarde da noite. O livro nº 4 da série Mackenzie White estará disponível em breve.







ANTES QUE ELE COBICE



(UM ENIGMA DA SÉRIE MACKENZIE WHITE – LIVRO 3)



B L A K E P I E R C E


Blake Pierce



Blake Pierce é o autor da série de enigmas RILEY PAGE, com seis livros. Blake Pierce também é o autor da série de enigmas MACKENZIE WHITE, composta por três livros; da série AVERY BLACK, composta por três livros e da nova série KERI LOCKE.

Como um ávido leitor e fã de longa data do gênero de suspense, Blake adora ouvir seus leitores, por favor, fique à vontade para visitar o site www.blakepierceauthor.com para saber mais a seu respeito e também fazer contato.

Direitos Autorais © 2016 por Blake Pierce. Todos os direitos reservados. Exceto conforme o permitido sob as Leis Americanas de Direitos Autorias (EUA Copyright Act, de 1976), nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, distribuída ou transmitida de qualquer forma ou por qualquer meio, ou armazenada em um sistema de banco de dados ou de recuperação, sem a prévia autorização do autor. Este ebook é licenciado apenas para seu prazer pessoal. Este ebook não pode ser revendido ou distribuído para outras pessoas. Se você gostaria de compartilhar este livro com outra pessoa, adquira uma cópia adicional para cada destinatário. Se você está lendo este livro e não o comprou, ou ele não foi comprado apenas para o seu uso, então, por favor, devolva o livro e compre a sua própria cópia. Obrigado por respeitar o trabalho duro deste autor. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, empresas, organizações, locais, eventos e incidentes são um produto da imaginação do autor ou são usados ​​ficticiamente. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência. Jacket image lassedesignen Copyright, imagem usada sob licença da Shutterstock.com.


LIVROS ESCRITOS POR BLAKE PIERCE



SÉRIE DE MISTÉRIO DE RILEY PAIGE

SEM PISTAS (Livro #1)

ACORRENTADAS (Livro #2)

ARREBATADAS (Livro #3)

ATRAÍDAS (Livro #4)



SÉRIE DE ENIGMAS MACKENZIE WHITE

ANTES QUE ELE MATE (Livro nº1)

ANTES QUE ELE VEJA (Livro nº2)

ANTES QUE COBICE (Livro nº3)

ANTES QUE ELE LEVE (Livro nº4)



SÉRIE DE ENIGMAS AVERY BLACK

RAZÃO PARA MATAR (Livro 1)



KERI LOCKE MYSTERY SERIES

UM RASTRO DE MORTE (Livro nº1)


SUMÁRIO



PREFÁCIO (#ua57beeac-8ba0-55fc-a7aa-0c604e243c08)

CAPÍTULO UM (#u082b4533-77ff-589e-b252-4e2bccf302b1)

CAPÍTULO DOIS (#ud55e6537-90d8-5368-b37d-5079ebe888bf)

CAPÍTULO TRÊS (#u0470b8e1-637c-5401-88c4-e1c06f8f5c90)

CAPÍTULO QUATRO (#u2505090b-568f-5b53-8b87-c172add01040)

CAPÍTULO CINCO (#u83e99521-840f-5023-a473-af1a01d9b637)

CAPÍTULO SEIS (#uc1c48198-9540-53d9-8f03-e5b68116b119)

CAPÍTULO SETE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO OITO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO NOVE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZ (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO ONZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DOZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TREZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO QUATORZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO QUINZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZESSEIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZESSETE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZOITO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZENOVE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E UM (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E DOIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E TRÊS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E QUATRO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E CINCO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E SEIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E SETE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E OITO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E NOVE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E UM (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E DOIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E TRÊS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E QUATRO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E CINCO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E SEIS (#litres_trial_promo)




PREFÁCIO


Pam sentou-se no tronco caído à beira do acampamento e acendeu um cigarro, energizada após ter feito sexo. Atrás dela, a tenda de Hunter estava montada em forma de cúpula. Podia ouvi-lo roncar levemente lá dentro. Mesmo aqui no bosque, era o mesmo; aqui estava ela, acordada e energizada no resplendor do amor que fizeram, enquanto ele estava dormindo. Aqui, no bosque, porém, ela não se importava tanto com isso.

Ela cavou um pequeno buraco no chão para as cinzas de seu cigarro, bem consciente de que fumar na floresta durante um outono seco era bastante imprudente. Ela olhou para o céu, olhou para as estrelas. Era uma noite muito fresca, já que o outono estava se mostrando presente na Costa Leste e baixou as temperaturas significativamente, e ela abraçou seus ombros para se aquecer. Ela desejou que a tenda de Hunter tivesse um daqueles topos de rede de onde você poderia ver lá fora, mas não teve essa sorte. Ainda assim, havia algo de romântico - fugir de casa, ficar a sós na floresta. Era o mais próximo de viver juntos que ela permitiria até que o idiota finalmente fizesse o pedido. Com aquele céu noturno, o clima perfeito e a química louca que sentiam, um pelo outro, foi uma das noites mais felizes que ela já teve.

Ela queria voltar para dentro, para se aquecer com ele, mas primeiro ela precisava ir ao banheiro. Ela se afastou entrando na floresta e levou um momento para se orientar. Era difícil saber onde ela estava indo, agora que estava escuro; a luz das estrelas e a meia-lua cheia forneceram alguma luz, mas não o suficiente. Ela estudou o lugar em torno dela e estava bastante certa de que só precisava virar para a esquerda para encontrar a área de descanso.

Ela saiu de mansinho alguns metros adiante e seguiu nessa direção por cerca de trinta segundos. Quando ela se virou, não conseguiu ver a tenda.

"Droga," ela respirou, agora começando a entrar em pânico.

Fique calma, disse a si mesma enquanto continuava a andar. A barraca está bem ali e—

Seu pé esquerdo pegou em algo, e antes que ela estivesse ciente do que tinha acontecido, ela caiu no chão. Ela conseguiu jogar as mãos sobre o rosto no último segundo, protegendo o seu rosto de bater no chão. O fôlego saiu dela em um suspiro sólido e ela se levantou imediatamente, envergonhada.

Ela olhou de volta para o tronco em que ela tropeçou, irritada com isso de uma forma quase infantil. No escuro, a forma parecia estranha e quase abstrata. No entanto, tinha certeza de uma coisa. Não era um pedaço de madeira.

Deveria ser a noite enganando os seus olhos. Tinha que ser alguma movimentação estranha das sombras na escuridão.

Mas como um medo gélido se arrastou sobre ela, ela sabia o que era. Não havia como negar.

Uma perna humana.

E pelo que ela podia descrever, era isso mesmo. Não parecia haver um corpo para acompanhá-la. Estava ali no chão, parcialmente escondida pela folhagem e outros restos da florestas. O pé estava coberto com uma sapatilha e uma meia que estava encharcada de sangue.

Pam soltou um grito. E quando ela se virou e correu noite negra a dentro, ela não parou de gritar por um só instante.




CAPÍTULO UM


Mackenzie sentou-se no banco do passageiro de um sedã com uma edição padrão da Glock na mão—uma arma que estava se tornando tão familiar para ela quanto a sua própria pele. Mas hoje, sentia-se diferente. Depois de hoje, tudo seria diferente.

A voz de Bryers quebrou seu mini-trance. Ele estava sentado no banco do motorista, olhando para ela de uma forma que Mackenzie pensava que era semelhante ao olhar de um pai decepcionado.

"Você sabe... Você não tem que fazer isso", disse Bryers. "Ninguém vai pensar menos de você se você se você não agir até o desfecho da situação."

"Eu acho que eu tenho que fazer algo. Eu acho que devo isso a mim mesma.

"Bryers suspirou e olhou para fora do pára-brisa. Na frente deles, uma grande área estacionamento estava iluminada à noite por postes de luzes fracas que foram posicionados ao longo das bordas e no centro da área. Havia três carros lá fora e Mackenzie também pode ver as formas de três homens, andando ansiosamente.

Mackenzie estendeu a mão e abriu a porta do lado do passageiro.

"Eu vou ficar bem", disse ela.

"Eu sei", disse Bryers. "Só...Por favor tenha cuidado. Se alguma coisa acontecer com você hoje à noite e as pessoas erradas descobrirem que eu estava aqui com você—”

"Ela não esperou. Ela saiu do carro e fechou a porta atrás dela. Ela segurou a Glock para baixo, caminhando casualmente no estacionamento em direção aos três homens de pé perto dos carros. Ela sabia que não havia nenhuma razão para estar nervosa, mas continuava nervosa assim mesmo. Mesmo quando ela viu o rosto de Harry Dougan entre eles, seus nervos ainda estavam à flor da pele.”

"Você teve que pedir o Bryers para trazê-la?", Um dos homens perguntou.

"Ele está zelando por mim", disse ela. "Ele particularmente não gosta de nenhum de vocês."

Todos os três homens riram e então olharam para o carro de onde Mackenzie tinha acabado de sair. Todos eles acenaram para Bryers em perfeita sincronia. Em resposta, Bryers deu um sorriso falso e mostrou-lhes o dedo do meio.

"Ele nem sequer gosta de mim, não é?" Perguntou Harry.

"Lamento. Não.”

Os outros dois homens olharam para Harry e para Mackenzie com a mesma resignação que tinham se acostumado a ter ao longo das últimas semanas. Enquanto eles não eram um casal, eles estavam agora perto o suficiente para causar um pouco de tensão entre os seus colegas. O menor era um cara chamado Shawn Roberts e o outro, um homem enorme de quase dois metros, era Cousins Trent.

Cousins gesticulou para a Glock na mão de Mackenzie e depois retirou a sua própria do quadril.

"Então vamos lá?"

"Sim, nós provavelmente não temos muito tempo", disse Harry.

Todos olharam ao redor do estacionamento de uma forma conspiratória. Um ar de excitação começou a pesar no ar entre eles, Mackenzie chegou a uma súbita percepção: ela estava realmente se divertindo. Pela primeira vez desde a sua infância, ela estava legitimamente animada por algo.

"Em três," disse Shawn Roberts.

Todos eles começaram a balançar seus pés assim que o Harry começou a contagem regressiva.

"Um... Dois... Três!"

Em um flash, todos os quatro estavam fora. Mackenzie decolou para a esquerda, dirigiu-se para um dos três carros. Atrás dela, ela já ouviu o som suave de tiros sendo disparados das armas que os outros carregavam. Essas armas, é claro, eram de brinquedo... Armas de paintball criadas para se parecerem ao máximo com as reais. Esta não foi a primeira vez Mackenzie tinha operado em um ambiente simulado, mas foi a primeira vez que ela passou por isso sem um instrutor—ou amortecedores.

À sua direita, uma mancha vermelha de tinta explodiu na calçada a não mais de seis polegadas do seu pé. Ela abaixou atrás do carro e rapidamente deslizou até a parte final dianteira. Ela abaixou as mãos e joelhos e viu dois pares diferentes de pés mais à frente dela, um dos quais estava atrás de outro carro.

Mackenzie estava fora do escopo do terreno, enquanto eles estavam juntos. Ela sabia que o melhor lugar para se estar no estacionamento seria na base do pilar de pedra que segurava o poste no centro do estacionamento. Como o resto da Hogan Alley, este estacionamento foi criado da forma mais aleatória possível, mas com uma finalidade para educar os formandos da Academia. Tendo em conta que, Mackenzie sabia que havia sempre um local ideal para o sucesso em todos os ambientes. Neste local, era essa coluna do poste. Ela não foi capaz de chegar a ele imediatamente, porque já havia dois dos caras na frente dele quando Harry fez a contagem de três. Mas agora ela tinha que descobrir como fazer uma corrida até lá sem ser atingida.

Ela perderia o jogo se fosse baleada. E havia quinhentos dólares em jogo aqui. Ela se perguntou há quanto tempo este pequeno ritual de pré-graduação tinha sido implementado pelos formandos e como ele tinha chegado a ser um certo tipo de lenda oculta entre os top de cada classe.

Enquanto esses pensamentos passavam pela sua cabeça, ela notou que Harry e Cousins tinham se envolvido em um pequeno tiroteio do outro lado do estacionamento. Cousins estava por trás de um dos carros e Harry foi pressionado contra a lateral de uma caçamba de lixo.

Com um sorriso, Mackenzie mirou Cousins. Ele estava bem escondido e ela não poderia realmente matá-lo de onde ela estava, mas ela poderia assustá-lo. Ela mirou no canto superior do carro e disparou. Um spray azul de tinta estourou quando o tiro dela caiu no chão. Ela viu Cousins se afastar um pouco para trás, sem ter notado o Harry. Harry, por sua vez, aproveitou e disparou dois tiros.

Ela esperava que ele estive mantendo a contagem. O principal objetivo do pequeno exercício não autorizado de fim de noite era ter uma única pessoa não atingida. Cada jogador tinha a mesma arma, uma arma que disparava bolinhas de tinta, e só tinham permissão para usar o número padrão de balas do tipo de Glock que serviu de modelo. Isso significava que cada um deles tinha apenas quinze balas. Mackenzie agora tinha quatorze e tinha certeza de que os três homens tinham disparado pelo menos três ou quatro vezes cada um.

Com Harry e Cousins ocupados, restou apenas Shawn. Mas ela não tinha ideia de onde ele estava. Por ser tão alto, ele fez um bom trabalho conseguindo se esconder.

Ela cuidadosamente ficou de joelhos e levantou a cabeça do lado do carro, olhando para Shawn. Ela não conseguia vê-lo, mas ouviu o som de uma arma sendo disparada nas proximidades. Ela voltou no mesmo momento em que uma bolinha de tinta atingiu a borda do pára-choque do carro. Um pouco de tinta verde espirrou em sua mão enquanto se afastava, mas isso não contava como um tiro.

Para ser eliminado, você tinha que ser atingido por um tiro no braço, na perna, nas costas ou no tronco. A única coisa que estava de cogitação eram tiros na cabeça. Mesmo as bolas sendo pequenas e feitas de plástico fino, elas poderiam causar concussões. E se alguma acertar você nos olhos, poderia cegá-lo. Essa foi uma das grandes razões pelas quais o pequeno exercício era tão desaprovado pelo FBI. Eles sabiam que acontecia a cada ano, mas eles normalmente deixavam os graduados ter a sua pouco de diversão secreta, faziam vistas grossas.

O tiro deu a Mackenzie uma boa ideia de onde Shawn estava escondido, apesar de tudo. Ele estava agachado atrás do poste de concreto. E, assim como ela tinha planejado, ele agora tinha dado um ótimo tiro em ninguém. Ele se afastou de Mackenzie e disparou um tiro rápido no Harry. O tiro foi perdido, atingindo o topo da lixeira algumas polegadas acima da cabeça de Harry. Ele caiu no chão enquanto ambos Cousins e Shawn começaram a disparar contra ele.

Mackenzie tentou acertar Shawn e quase atirou no ombro dele. Ele se movimentou de volta para baixo quando ela disparou e o tiro foi excitante. Enquanto isso, ela ouviu Cousins gritar de frustração e dor.

"Estou fora," disse Cousins, caminhando lentamente para a borda do terreno. Ele se sentou em um banco, onde aqueles que foram eliminados ficavam em silêncio. Mackenzie viu uma mancha de tinta amarela no tornozelo dele, onde Harry o tinha acertado com um tiro.

Harry aproveitou a distração e saiu de seu esconderijo atrás da lixeira. Ele estava indo para o terceiro carro estacionado com sua velocidade habitual.

Enquanto corria, Shawn rolou para fora de seu esconderijo. Ele primeiro atirou em Mackenzie para mantê-la escondida e, em seguida, girou para pegar Harry. Ele disparou outro tiro no Harry e atingiu o solo cerca de duas polegadas de distância do pé esquerdo de Harry assim que ele saltou para o lado de trás do carro.

Mackenzie aproveitou o momento para passar para a parte traseira do carro, pensando que poderia tirar o Shawn. Disparou à esquerda do pilar de concreto, no mesmo lugar que ela visava, na extremidade frontal do carro. Quando a bola de tinta explodiu, ele esperou um momento e então virou-se na parte da frente do carro. Quando ele fez isso, Mackenzie saiu da parte traseira do carro e avançou rapidamente em silêncio. Quando seu ângulo estava perfeito, ela disparou um tiro que o acertou diretamente no quadril. A tinta verde explodiu na calça e na camisa dele. Ele ficou tão chocado com o ataque que caiu para trás.

"Estou fora", Shawn gritou, dando à Mackenzie um olhar azedo.

Assim que ele começou a caminhar para a beira do estacionamento para se juntar a Cousins Mackenzie viu um lampejo de movimento a partir de sua esquerda.

Bastardo Sorrateiro, ela pensou.

Ela caiu no chão e se agachou atrás do poste de concreto. A luz brilhava acima de sua cabeça, como um refletor. Mas ela sabia que isso poderia funcionar com uma vantagem quando o seu atacante estivesse nas sombras. A luz pode ser muito brilhante, atrapalhando assim a mira dele.

Assim que ela apertou suas costas contra o concreto, ouviu uma bola de tinta golpear a parte de trás do poste. No silêncio que se seguiu, ela ouviu Cousins e Shawn rirem no banco.

"Isso deve ser divertido de se assistir," disse Cousins.

"Você diz divertido" Disse Shawn. "Eu digo doloroso."

Através de seus risos finas, Mackenzie não poderia deixar de sorrir para a situação. Ela sabia que Harry iria matá-la; eles não têm o tipo de relacionamento onde ele paparica ela e a deixaria ganhar. Ambos estavam no mesmo barco—graduando-se amanhã como novos agentes.

No entanto, eles haviam passado muito tempo juntos, tanto em um ambiente acadêmico como em situações mais amigáveis. Mackenzie o conhecia bem e sabia o que precisava fazer algo para pegá-lo. Quase se sentindo mal por isso, Mackenzie se inclinou lentamente e disparou, atingindo a roda no carro em que ele estava escondido atrás.

Ele saiu do esconderijo imediatamente, aparecendo sobre o capô. Ela fingiu ir para a direita, como se estivesse indo para trás do poste. Previsivelmente, é onde ele disparou. Mackenzie inverteu sua direção e rolou para a esquerda. Ela levou a arma para cima e disparou.

O tiro pegou Harry no lado direito do peito. A tinta amarela era quase tão brilhante quanto o sol em meio às sombras em que ele estava se escondendo.

Harry baixou os ombros e jogou a arma no chão do estacionamento. Ele saiu do carro e sacudiu a cabeça, espantado.

"Eu estou fora."

Mackenzie chegou a seus pés e inclinou a cabeça, franzindo a testa para ele.

"Você é maluco?", ela perguntou provocativamente.

"De modo nenhum. Esse foi um movimento meigo.”

Atrás deles, Cousins e Shawn estavam batendo palmas. Bem mais longe atrás deles, Bryers saiu de seu carro e juntou-se a todos. Mackenzie sabia que ele tinha se preocupado com ela, mas ele também foi homenageado para ir com ela. Uma parte da tradição deste exercício era que um agente experiente tinha que acompanhá-los apenas no caso de algo dar errado. Era o que acontecia ao longo do tempo. Mackenzie tinha ouvido falar que um cara tinha sido atingido na parte de trás do joelho em 1999 e teve de se graduar de muletas.

Bryers se juntou a eles quando se reuniram no banco. Em seguida, ele enfiou a mão no bolso e retirou os quinhentos dólares que estava segurando para eles— dinheiro que era resultado da contribuição de todos. Ele entregou a Mackenzie e disse:

"Havia mesmo alguma dúvida, rapazes?"

"Bom trabalho, Mac," disse Cousins. "Eu prefiro que você me tire do que um desses palhaços."

"Valeu," disse Mackenzie.

"Eu odeio soar como cara chato," disse Bryers, mas é quase uma da manhã. Vamos para casa descansar um pouco. Todos vocês. Por favor, não cheguem na graduação todos cansados e com cara de chapados.”

"Aquele sentimento estranho de felicidade se espalhou através de Mackenzie novamente. Este era o seu grupo de amigos, um grupo de amigos que ela conheceu bem desde o retorno a uma vida normal desde a sua experiência com McGrath nas noves semanas anteriores.

Amanhã, todos estariam se formando na Academia, e se tudo saísse da maneira esperada, todos eles seriam agentes dentro de uma semana. Enquanto Harry, Cousins e Shawn não tinham ilusões sobre começar suas carreiras fora dos casos ilustres, Mackenzie tinha mais para almejar... Ou seja, o grupo especial de agentes que McGrath tinha mencionado nos dias seguintes ao seu último caso inesperado. Ela ainda não tinha ideia do que isso implicava, mas ela estava animada.

Quando o seu pequeno grupo se separou e seguiu caminhos diferentes, Mackenzie sentiu algo que ela não sentia há muito tempo. Foi a sensação de que o futuro ainda estava à frente dela, ainda em desenvolvimento e dentro de seu alcance. E pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu como se tivesse muito controle sobre a direção que em que seguiria.

Mackenzie olhou para o hematoma no peito de Harry e mesmo sabendo que sua primeira emoção deveria ter sido de compaixão, ela não podia deixar de rir. O lugar onde ela tinha acertado ele estava muito vermelho, a irritação espalhou cerca de duas polegadas em todas as direções. Parecia muito com uma picada de abelha e ela sabia que aquilo doía muito mais.



*



Eles estavam de pé em sua cozinha e ela estava enrolando um bloco de gelo em um pano de prato para ele. Ela o entregou a ele e ele o segurou comicamente. Ficou claro que ele estava envergonhado, mas também era evidente que ela o tinha convidado para se certificar de que ele estava bem.

"Sinto muito," disse ela com sinceridade. "Mas você sabe, talvez eu possa levá-lo para tomar um café."

"Deve ser um café muito bom," disse Harry. Ele puxou o bloco de gelo para longe de seu peito e franziu o nariz quando olhou para o local.

Quando Mackenzie o olhou, ela percebeu que embora ele tivesse ido para o apartamento dela mais de uma dúzia de vezes e eles tivessem se beijado em algumas ocasiões, esta foi a primeira vez que ele tirou a camisa em seu apartamento. Foi também a primeira vez desde Zack que ela viu um homem parcialmente despido tão próximo dela. Talvez fosse a adrenalina de ganhar a competição ou por causa da graduação amanhã, mas ela gostou.

Ela se aproximou e colocou a mão sobre o lado ileso de seu peito, sobre o coração dele. "Ainda dói?" Ela perguntou, dando um passo para ainda mais perto dele.

"Agora não," disse ele, sorrindo nervosamente.

Ela lentamente deslizou sua mão sobre a marca e a tocou cautelosamente. Então, usando apenas os instintos femininos que ela tinha há muito tempo escondido e substituído por obrigação e tédio, ela se inclinou e a beijou. Ela sentiu ele ficar tenso imediatamente. Sua mão, em seguida, foi para o lado do corpo dele, puxando-o para mais perto dela. Ela beijou sua clavícula, em seguida, a base de seu ombro, depois seu pescoço. Ele suspirou e puxou-a ainda para mais perto.

Como de costume entre eles, eles estavam se beijando antes mesmo de saberem o que estava acontecendo. Isso só tinha acontecido quatro vezes anteriormente, mas a cada vez, ocorria como uma força da natureza, algo não planejado e sem qualquer expectativa.

Levou menos de dez segundos para ele pressioná-la levemente contra o balcão da cozinha. Suas mãos tocaram todo o seu peito enquanto a mão esquerda dele encontrou o caminho até a blusa dela. Seu coração batia forte no peito e todos os músculos do seu corpo lhe diziam que ela queria ele, que ela estava pronta para isso.

Eles haviam chegado perto antes, por duas vezes, na verdade. Mas em ambas as ocasiões, eles tinham interrompido a situação. Na verdade, ela tinha parado. Na primeira vez, ela parou quando começou a se atrapalhar com o botão de suas calças. Na segunda vez, ele estava muito bêbado e ela muito sóbria. Nenhum falou isso, mas a hesitação de dormir juntos veio como um respeito mútuo e como uma incerteza do que aconteceria futuramente. Além disso, ela pensou demais sobre usar Harry simplesmente como uma válvula de escape sexual. Ela foi ficando cada vez mais atraída por ele, mas sexo sempre foi uma questão muito particular para ela. Antes de Zack, houve apenas dois homens, e um deles tinha sido essencialmente uma agressão em vez de sexo mútuo.

Como tudo isso disparou através de sua cabeça, enquanto beijava Harry, ela percebeu que suas mãos estavam agora muito mais baixas do que o peito dele. Ele aparentemente percebeu isso, também; ele ficou tenso novamente e respirou forte.

Ela puxou as mãos de repente e interrompeu o beijo. Ela olhou para o chão, com medo de ver a decepção nos olhos dele.

"Espere," disse ela. "Harry... Eu sinto muito... Eu não consigo—"

"Eu sei," disse ele, claramente, um pouco frustrado e triste. "Eu sei é—"

Mackenzie deu um grande suspiro e, em seguida, se afastou dele. Ela se virou, incapaz de lidar com a confusão e dor que os olhos dele expressavam. "Nós não podemos. Eu não consigo. Sinto muito.”

"Está tudo bem," ele disse, ainda claramente perturbado. "Amanhã é um grande dia e já é tarde. Então, eu estou de saída antes que eu me importe por ter sido derrubado mais uma vez.”

"Ela virou para olhá-lo e concordou. Ela não se importava com os comentários maldosos. Ela meio que merecia.

"Isso deve ser bom no fim das contas," disse ela.

Harry deslizou sua camisa de volta, com tinta espalhada nela, e lentamente se dirigiu para a porta. "Bom trabalho hoje à noite," ele disse ao sair. "Não havia dúvidas de que você seria a vencedora."

"Obrigado", Mackenzie disse, sem muita expressão. "E Harry... realmente, eu sinto muito. Eu não sei o que está me impedindo.

"Ele deu de ombros quando abriu a porta. "Tudo bem,” disse ele. "Apenas...Eu realmente não consigo fazer isso por muito mais tempo."

"Eu sei," ela disse com tristeza.

"Boa noite, Mac."

Ele fechou a porta e Mackenzie foi deixada a sós. Ela estava na cozinha, olhando para o relógio. Era 01:15 e ela nem estava cansada. Talvez o pequeno exercício de Hogan Alley tinha levado muita adrenalina para a sua corrente sanguínea.

Ainda assim, ela tentou ir para a cama, mas passou a maior parte da noite se mexendo e virando. Em algum tipo de estado de semi-sono, ela tinha sonhos dos quais ela mal se lembrava, mas a única coisa consistente para cada um deles era o rosto de seu pai, sorrindo, orgulhoso por ela ter chegado tão longe, ela estava se formando a partir de amanhã na Academia.

Mas, apesar desse sorriso, não havia outra coisa consistente para os sonhos, algo com o qual tinha se acostumado há muito tempo, como um refúgio frequente, uma vez que as luzes se apagaram e o sono veio: o olhar morto em seus olhos e todo aquele sangue.




CAPÍTULO DOIS


Embora Mackenzie tivesse acertado o seu alarme para oito horas, ela foi acordada de um jeito agitado pela vibração do seu telefone celular às 6:45. Ela gemeu quando despertou. Se for o Harry, pedindo desculpas por algo que ele nem sequer fez, eu vou matá-lo, pensou. Ainda meio adormecida, ela pegou o telefone e olhou para a tela com os olhos enevoados.

Ela ficou aliviada ao ver que não era o Harry, mas Colby.

Intrigada, ela respondeu. Colby não era tradicionalmente alguém que acordava cedo e elas não se falavam a mais de uma semana. Colby, certinha como é, provavelmente estava apenas pirando sobre a graduação e a incerteza do seu futuro. Colby era a única amiga que Mackenzie tinha aqui em Quantico, de modo que ela fez tudo o que podia para garantir que a amizade perdurasse, mesmo se isso significasse atender uma chamada no início da manhã do dia de graduação, depois de ter dormido só quatro anos e meia de sono na noite anterior.

“Ei, Colby,” disse ela. "O que foi?"

"Você estava dormindo?" Colby perguntou.

"Sim."

"Meu Deus. Eu sinto muito. Imaginei que você estaria acordada esta manhã, com tudo o que está acontecendo.”

"É apenas uma graduação", disse Mackenzie.

"Ah! Eu gostaria que fosse só isso," disse Colby numa voz ligeiramente histérica.

"Você está bem?" Mackenzie perguntou, sentando-se lentamente na cama.

"Eu ficarei bem," disse Colby. "Olha... Você acha que consegue me encontrar na Starbucks da Fifth Street?"

"Quando?"

"Assim que você pode chegar lá. Estou saindo agora.”

"Mackenzie não queria ir—ela realmente não queria nem sair da cama. Mas nunca tinha ouvido Colby assim. E em um dia tão importante, ela achou que deveria tentar estar presente para a amiga.

"Preciso de cerca de vinte minutos," disse Mackenzie.

Com um suspiro, Mackenzie saiu da cama e teve o cuidado de pegar apenas o básico em termos de se arrumar. Ela escovou os dentes, colocou uma blusa de moletom com capuz e calça de corrida, prendeu o cabelo em um rabo de cavalo desleixado e depois saiu.

Enquanto ela caminhava os seis blocos para a 5th Street, o peso daquele dia começou a cair sobre ela. Ela estava se formando na academia do FBI hoje, pouco antes do meio-dia, entre os cinco por cento melhores de sua classe. Ao contrário da maioria dos graduados que conheceu ao longo das últimas vinte semanas, ela não teria qualquer familiar presente para ajudá-la a comemorar esta realização. Ela estaria sozinha, como na maior parte de sua vida, desde a idade de dezesseis anos. Ela estava tentando se convencer de que isso não a incomodava, mas incomodou. Isso não criou tristeza nela, mas uma espécie estranha de angústia que era tão antiga que se tornou entediante.

Quando chegou ao Starbucks, ela ainda notou que o trânsito estava um pouco mais pesado do que o habitual, provavelmente a família e os amigos de outros graduados. Ela deixou pra lá, apesar de tudo. Ela passou os últimos dez anos de sua vida tentando não dar a mínima para o que sua mãe e sua irmã pensavam dela, então por que começar com isso agora?

Quando ela entrou no Starbucks, ela viu que Colby já estava lá. Ela estava bebendo em uma xícara e olhando pensativamente para a janela. Havia uma outra xícara na frente dela; Mackenzie assumiu que era para ela. Ela se sentou em frente a Colby e fez uma demonstração de como estava cansada, estreitando os olhos de uma forma mal-humorada ao se assentar.

"Este é o meu?" Perguntou Mackenzie, pegando a segunda xícara.

"Sim," disse Colby. Ela parecia cansada, triste e completamente mal humorada.

"Então, o que há de errado?" Perguntou Mackenzie, ignorando qualquer tentativa de Colby fugir do assunto.

"Eu não estou me graduando," disse Colby.

"O quê?", perguntou Mackenzie, genuinamente surpresa. "Eu pensei que você tinha passado com sucesso em tudo."

"Eu passei. Só que... Eu não sei. Só de estar na academia eu fiquei exausta.

"Colby... Você não pode estar falando sério.”

"Seu tom de voz tinha saiu com alguma força, mas ela não se importava. Aquela não era a Colby, de jeito nenhum. Essa decisão tinha sido tomada com algum exame de consciência. Não era por acaso, não era o último suspiro dramático de uma mulher atormentada e nervosa.

Como ela poderia simplesmente desistir?

"Mas eu estou falando sério," disse Colby. "Eu realmente não sou apaixonada por isso desde as últimas três semanas ou mais. Eu ia para casa alguns dias e chorava sozinha, porque eu me sentia presa. Eu só não quero mais isso.”

"Mackenzie estava atordoada, ela mal sabia o que dizer.

"Bem, o dia de graduação é um inferno para tomar essa decisão."

Colby deu de ombros e olhou para trás para fora da janela. Ela parecia abatida. Derrotada.

"Colby... Você não pode cair fora. Não faça isso." O que estava na ponta da língua, mas ela não disse foi: Se você sair agora, estas últimas vinte semanas não significarão nada. Isso também faz de você uma desistente.

"Ah, mas eu realmente não estou caindo fora," disse Colby. "Eu vou para a graduação hoje. Eu tenho que fazer isso, na verdade. Meus pais vieram da Flórida, então eu meio que preciso ir. Mas depois de hoje, será assim.”

"Quando Mackenzie tinha começado a academia, os instrutores avisaram que a taxa de abandono entre os agentes potenciais durante as vinte semanas de Academia era de cerca de vinte por cento—e tinha chegado a trinta no passado. Mas pensar em Colby entre esses números simplesmente não fazia sentido.

Colby era muito forte, muito determinada. Como ela poderia tomar essa decisão tão facilmente?

"O que você vai fazer?" Perguntou Mackenzie. "Se você realmente deixar tudo isso para trás, o que você pretende seguir como carreira?"

“Não sei, disse ela. "Talvez algo no sentido de prevenir o tráfico de seres humanos. Pesquisa e recursos ou algo assim. Quero dizer, eu não tenho que ser uma agente, certo? Há muitas outras opções. Eu só não quero ser uma agente."

"Você realmente está falando sério," disse Mackenzie secamente.

"Estou. Eu só quero que você saiba agora, porque depois da formatura, meus pais estarão fazendo aquela bajulação em cima de mim.”

"Oh, coitadinha, pensou Mackenzie, sarcasticamente. Isso deve ser tão terrível.

"Eu não entendo," disse Mackenzie.

"Eu não espero que entenda. Você é maravilhosa para isso. Você ama isso. Acho que feita para isso, sabe? Quanto a mim... Eu não sei. Uma negação, eu acho.”

"Nossa, Colby... Eu sinto muito.”

"Não há necessidade de se lamentar," disse ela. "Quando eu enviar minha mãe e o pai de volta para a Flórida, toda a pressão ficará lá fora. Eu vou dizer a eles que eu simplesmente não fui poupada de fazer uma atribuição boba qualquer que me foi repassada. E então, isso está fora do que desejo fazer, suponho.”

"Bem... Boa sorte, eu acho," disse Mackenzie.

"Nada disso, por favor," disse Colby. "Você está graduando-se entre os top cinco por cento hoje. Não se atreva a deixar meu o meu drama desanimá-la. Você tem sido uma ótima amiga, Mac. Eu queria que você ouvisse isso de mim agora ao invés de apenas perceber que eu não estive por algumas semanas.”

"Mackenzie não fez nenhuma tentativa de esconder sua decepção. Ela odiava se sentir como se estivesse recorrendo a táticas infantis, mas ela permaneceu em silêncio por um tempo, tomando seu café.

"E você?" Perguntou Colby. "Algum familiar ou amigo chegando?"

"Nada," disse Mackenzie.

"Oh," Colby disse, um pouco envergonhada." Eu sinto muito. Eu não sabia—"

"Não precisa se desculpar," disse Mackenzie. Agora foi a sua vez de olhar fixamente para fora da janela quando ela acrescentou: "Eu meio que gosto que seja assim."



***



Mackenzie estava despreocupada com a graduação. Era nada mais do que uma versão formalizada de sua graduação do ensino médio e não tão elegante e formal como sua graduação da faculdade. Enquanto esperava que seu nome fosse chamado, ela teve muito tempo para refletir sobre aquelas graduações e como sua família tinha parecido se dissolver cada vez mais em cada uma delas.

Ela se lembrava, quase chorando, enquanto caminhava para o palco em sua formatura do ensino médio, entristecida pelo fato de que seu pai nunca a veria crescer. Ela sentiria isso através da adolescência, mas foi um fato que a atingiu como uma pedra entre os olhos quando ela caminhou até o palco para receber seu diploma. Não foi algo que mexeu tanto com ela na faculdade. Quando ela foi para o palco durante a sua graduação da faculdade, ela o fez sem sua família no meio da multidão. Foi esse, ela percebeu durante a cerimônia da Academia, o momento crucial em sua vida em que ela decidiu de uma vez por todas que preferia estar sozinha na maioria dos acontecimentos de sua vida. Se a sua família não tinha nenhum interesse nela, ela não teria nenhum interesse neles.

A cerimônia terminou sem muito alarde e quando acabou, ela viu Colby tirar fotos com a mãe e o pai, do outro lado do grande lobby que os formandos e seus convidados todos saíram em seguida. Pelo que Mackenzie poderia dizer, Colby estava fazendo um excelente trabalho ao esconder seu descontentamento de seus pais. Durante todo o tempo, seus pais sorriam com orgulho.

Sentindo-se desajeitada e sem nada para fazer, Mackenzie começou a se perguntar o quão rapidamente ela poderia sair, chegar em casa, tirar o seu traje de formatura e abrir a primeira, provavelmente, de várias cervejas naquela tarde. Quando ela começou se dirigir para a porta, ela ouviu uma voz familiar atrás dela, chamando seu nome.

"Ei, Mackenzie," disse a voz masculina. Ela sabia quem ele era, não apenas por causa da própria voz, mas porque havia poucas pessoas que a chamavam de Mackenzie neste ambiente ao invés de apenas White.

Era Ellington. Ele estava vestido com um terno e parecia quase tão desconfortável quanto Mackenzie se sentia. Ainda assim, o sorriso que ele deu a ela era de quem estava confortável demais. No entanto, naquele momento, ela realmente não se importava.

"Oi, Agente Ellington."

"Eu acho que em uma situação como esta, não há problemas em me chamar de Jared."

"Eu prefiro Ellington," ela disse rindo brevemente de si mesma.

"Como você se sente?" Ele perguntou.

Ela deu de ombros, percebendo o quanto queria sair de lá. Ela poderia dizer a si mesma todas as mentiras que queria, mas o fato de não ter família, amigos ou entes queridos presentes estava começando a pesar sobre ela.

"Apenas um encolher de ombros?" Perguntou Ellington.

"Bem, como eu deveria me sentir?"



***



"Realizada. Orgulhosa. Animada. Só para citar alguns.”

"Eu estou todas essas coisas," disse ela. "Só que... Eu não sei. Toda a cerimônia me parece um pouco demais.

"Eu posso entender," disse Ellington. "Nossa, eu odeio usar terno."

Mackenzie estava prestes a fazer com um comentário, talvez sobre como ele, na verdade, ficava bem de terno quando viu McGrath se aproximando por trás Ellington. Ele também sorriu para ela, mas ao contrário Ellington, seu sorriso parecia quase forçado. Ele estendeu a mão para ela e ela a segurou, surpresa com a moleza do punho dele.

"Estou feliz que você conseguiu," disse McGrath. "Eu sei que você tem uma carreira brilhante e promissora pela frente."

"Sem pressão ou qualquer coisa do tipo, certo?" Disse Ellington.

"Os cinco por cento superiores," disse McGrath, não permitindo Mackenzie a chance de dizer uma única palavra. "Que trabalho foda, White."

"Obrigada, senhor," foi tudo o que conseguiu encontrar para dizer.

McGrath inclinou-se, falando de negócios agora. "Eu gostaria que você viesse ao meu escritório na segunda de manhã, às oito horas. Eu quero levá-la para dentro do processo o mais rápido possível. Já tenho a sua papelada pronta—Na verdade, tive o cuidado de prepará-la há muito tempo, então tudo estaria pronto quando esse dia chegasse. Isso demonstra como aposto em você. Então... Não vamos esperar. Segunda-feira às oito. Está bem assim?”



"Claro," disse ela, surpresa com esta exibição atípica de apoio entusiasmado.

Ele sorriu, apertou a mão dela novamente e rapidamente desapareceu na multidão.

Quando McGrath já tinha ido embora, Ellington olhou para ela perplexo e deu um sorriso largo.

"Então, ele está de bom humor. E eu posso dizer que isso não acontece muito frequentemente.”

"Bem, é um grande dia para ele, eu acho," disse Mackenzie. “Um banco de talentos todinho para ele escolher."

"Isso é verdade", disse Ellington. "Mas piadas à parte, o cara é muito inteligente com a forma como ele utiliza os novos agentes. Tenha isso em mente quando se reunir com ele na segunda-feira.”

Um silêncio constrangedor passou entre eles; era um silêncio com o qual tinham se acostumado, e que tornou-se um elo importante da amizade deles, ou o que quer que estava acontecendo entre eles.

"Bem, olhe," disse Ellington. "Eu só queria dizer parabéns. E eu queria que você soubesse que sempre pode me chamar se as coisas ficarem difíceis. Sei que parece idiota, mas em algum momento—mesmo para a temida Mackenzie White—você vai precisar de alguém para desabafar. Ele posso estar por perto muito rapidamente quando precisar.

"Obrigada," disse ela.

Então, de repente, ela quis chamá-lo para acompanhá-la, não de um jeito romântico, mas apenas para ter um rosto familiar ao seu lado. Ela o conhecia relativamente bem e mesmo que ela tivesse sentimentos conflitantes sobre ele, ela o queria ao seu lado. Ela odiava admitir, mas estava começando a sentir que deveria fazer algo para comemorar este dia e este momento em sua vida. Mesmo apenas passando algumas horas estranhas com Ellington, seria melhor (e provavelmente mais produtivo) do que sentir pena de si mesma e beber sozinha.

Mas ela não disse nada. E mesmo podendo ter reunido coragem, não teria importância; Ellington rapidamente lhe deu um pequeno aceno de cabeça e, em seguida, como McGrath, voltou para a multidão.

Mackenzie ficou ali por um momento, fazendo seu melhor para livrar-se da crescente sensação de estar completamente sozinha.




CAPÍTULO TRÊS


Quando Mackenzie apareceu para seu primeiro dia de trabalho na segunda-feira, ela não conseguia afastar as palavras de Ellington, correndo pela sua cabeça como um mantra: O cara é muito inteligente na maneira como usa os novos agentes. Tenha isso em mente quando se reunir com ele na segunda-feira.

Ela tentou usar isso para manter os pés no chão pois na verdade, ela estava nervosa. Não ajudou começar a manhã sendo encontrada por um dos homens de McGrath, Walter Hasbrook, agora seu supervisor de departamento, e ele acompanhou-a como uma criança para os elevadores. Walter parecia estar na casa dos sessenta e ter uns 13 quilos de sobrepeso. Ele não tinha personalidade e mesmo Mackenzie não tendo feito nada contra ele, ela não gostava da maneira como ele explicava tudo para ela, como se ela fosse burra.

Isso não mudou enquanto a levava para o terceiro andar, onde um labirinto de cubículos se espalhava como um zoológico. Os agentes foram colocados em cada cubículo, alguns falavam ao telefone enquanto outros digitavam em seus computadores.

"E este é para você", disse Hasbrook, apontando para um cubículo no centro de uma das fileiras exteriores. "Este é o centro de Investigação e Vigilância. Você vai encontrar alguns e-mails esperando por você, dando-lhe acesso aos servidores e uma lista de contatos em todo o departamento.”

Ela entrou em seu cubículo, sentindo um pouco desencantada, mas ainda nervosa. Não, este não era o caso emocionante que ela esperava para começar a sua carreira, mas ainda era o primeiro passo em uma jornada em direção a tudo o que ela sempre quis e sempre trabalhou para atingir desde quando saiu da escola. Ela puxou sua cadeira de rodinhas para fora e se sentou.

O laptop na frente dela era seu agora. Foi um dos itens que Hasbrook passou para ela durante a explicação. A mesa era dela, o gabinete, todo o espaço. Não era exatamente glamouroso, mas era o seu espaço.

"Em seu e-mail, você vai encontrar os detalhes de sua primeira missão," disse Hasbrook. "Se eu fosse você, começaria imediatamente. Você vai querer chamar o agente de supervisão do caso para coordená-la, mas você deve se aprofundar no caso até o final do dia.”

"Entendi," disse ela, ligando o computador. Parte dela ainda estava com raiva por ser incumbida com um trabalho de escritório. Ela queria um trabalho de campo. Depois de tudo que o McGrath tinha dito a ela, isso era o que ela estava esperando.

Não importa o quão grandiosa seja a sua história, ela disse a si mesma, você não deve esperar um começo glamuroso. Talvez esteja pagando os seus pecados, ou pode ser a forma que o McGrath tem de mostrar a você quem é que manda aqui, colocando-a no seu devido lugar.

Antes que Mackenzie não conseguisse mais responder as instruções secas e monótonas, Hasbrook já havia se afastado. Ele voltou para os elevadores rapidamente, como se estivesse feliz por ter acabado com aquela minúscula tarefa do dia.

Quando ele foi embora e ela estava sozinha em seu gabinete, ela logou no seu computador e se perguntou por que estava tão terrivelmente nervosa.

É por causa da conquista, ela pensou. Eu trabalhei duro para chegar até aqui e finalmente o cargo de agente é meu. Todos os olhos estão em mim agora, então eu não posso me atrapalhar, mesmo fazendo um trabalho de escritório qualquer.

Ela verificou o seu e-mail e disparou as respostas necessárias para começar. Dentro de uma hora, ela tinha todos os documentos e os recursos necessários. Ela estava determinada a fazer o seu melhor, para dar ao McGrath todas as razões para que ele visse como estava desperdiçando o seu talento colocando-a atrás de uma mesa.



Ela se debruçou sobre os mapas, registros de telefone celular e dados do GPS, trabalhando para identificar a localização de dois suspeitos potenciais envolvidos em uma quadrilha de tráfico sexual. Em cerca de uma hora e profundamente envolvida, ela já estava comprometida com o assunto. O fato de que ela não estava na rua trabalhando ativamente para pegar homens como estes não a incomodava naquele momento. Ela estava focada e tinha um objetivo em mente; isso era tudo o que ela precisava.

Sim, era frenético e quase chato, mas ela não deixaria que isso dificultasse o seu trabalho. Ela parou para almoço e voltou, trabalhando com fervor e obtendo resultados. Quando o dia chegou ao fim, ela enviou um e-mail para o supervisor do departamento com os seus resultados e saiu. Ela nunca tinha tido um emprego em um escritório antes, mas deu para sentir como era a coisa. A única coisa diferente era a falta de um ponto para registrar o seu horário de trabalho.

No momento em que ela chegou no seu carro, ela se permitiu se envolver na decepção novamente. Um trabalho de escritório. Presa atrás de um computador e presa entre as paredes do gabinete. Isso não era o que ela tinha imaginado.

Apesar disso, ela estava orgulhosa de estar onde estava. Ela não deixaria o ego ou as altas expectativas descarrilar o fato de que ela era agora uma agente do FBI. Ela não conseguia parar de pensar em Colby. Ela se perguntou onde Colby estaria agora e o que ela teria a dizer se descobrisse que Mackenzie trabalhado em um escritório para começar sua carreira.

E uma pequena parte de Mackenzie não resistia, mas se perguntava se Colby, tendo decidido de sair, tinha sido a mais inteligente das duas.

Será que ela ficaria atrás daquela mesa por anos?



***



Mackenzie apareceu na manhã seguinte determinada a ter um bom dia. Ela fez algum grande progresso em seu caso no dia anterior e sentiu que se pudesse fornecer resultados rápidos e eficientes, McGrath tomaria conhecimento.

Imediatamente, ela descobriu que tinha sido levada para outro caso. Este envolvia uma fraude do “green card”. Os anexos aos e-mails lhe proporcionaram mais de três centenas de páginas de testemunhos, arquivos do governo e documentos e o jargão jurídico para ser usado como recurso. Parecia incrivelmente tedioso.

Fumegante, Mackenzie olhou para o telefone. Ela tinha acesso aos servidores, o que significava que ela poderia obter o número de McGrath. Ela se perguntou como ele reagiria se ela ligasse e perguntasse por que ela estava sendo punida daquele jeito.

Ela se convenceu a não fazer aquilo. Em vez disso, imprimiu cada documento e criou diferentes pilhas sobre a mesa.

Vinte minutos nesta tarefa de entorpecimento mental, ela ouviu uma pequena batida na entrada do seu gabinete. Quando ela se virou e viu McGrath ali, ela congelou naquele momento.

McGrath sorriu para ela da mesma maneira que ele tinha se aproximado dela após a graduação. Algo naquele sorriso lhe dizia que ele sinceramente não tinha ideia de que ela poderia se sentir humilhada por estar presa em um cubículo.

"Desculpe-me por ter levado tanto tempo para chegar a você," disse McGrath. "Mas eu só queria passar por aqui e ver como você está."

Ela mordeu de volta as primeiras várias respostas que vieram à mente. Ela deu uma encolhida de ombros indiferente e disse: "Eu estou indo bem. Só... Bem, eu só estou um pouco confusa.”

"Como assim?”

"Bem, em algumas ocasiões, você me disse que não podia esperar para me ter como uma agente ativa. Eu não imaginei que isso envolveria ficar sentada atrás de uma mesa imprimindo documentos de “green card”.

“Ah, eu sei, eu sei. Mas confie em mim. Há uma razão para tudo isso. Apenas concentre-se no que está fazendo. Sua hora chegará, White.”

Em sua cabeça, ela ouviu a voz de Ellington novamente. O cara é muito inteligente na forma como utiliza novos agentes.

Se você diz, então tá, ela pensou.

"Nós vamos chegar lá embreve," disse McGrath. "Até lá, se cuide."

Como Hasbrook no dia anterior, McGrath parecia estar com uma enorme pressa para fugir do cubículo. Ela observou-o sair, perguntando que tipo de lição ou habilidades ela deveria ter. Odiava se sentir no direito de reclamar, mas nossa...

O que Ellington tinha dito sobre McGrath... Ela realmente deveria acreditar nisso? Pensando em Ellington, ela se perguntou se ele sabia o que estava acontecendo com ela. Ela então pensou em Harry e sentiu culpa por não ter ligado para ele ao longo dos últimos dias. Harry tinha ficado quieto porque sabia que ela odiava se sentir pressionada. Foi uma das razões que fez ela ter vontade de continuar a vê-lo. Nenhum homem tinha sido tão paciente com ela antes. Mesmo Zack tinha o seu limite, a única razão para ter durado tanto tempo era porque eles tinham se acomodado e não queriam se incomodar com a inconveniência de uma mudança.

Mackenzie concluiu a pilha final de papéis, assim que o meio-dia chegou. Antes de mergulhar na loucura em forma de anotações e formulários à sua espera, ela sentiu que deveria sair para almoçar e tomar uma xícara de café bem grande.

Ela saiu pelo corredor e seguiu para os elevadores. Quando o elevador chegou e as portas se abriram, ela se surpreendeu ao encontrar Bryers do outro lado. Ele pareceu surpreso ao vê-la, mas sorriu largamente.

"O que você está fazendo?" Ela perguntou.

"Eu vim vê-la. Pensei que você quisesse almoçar.”

"É para onde eu estava indo. Ótimo.”

Eles desceram de elevador juntos e pegaram uma mesa em uma pequena delicatessen a uma quadra da rua. Quando eles se sentaram com seus sanduíches, Bryers fez uma pergunta muito tendenciosa.

"Como vai?" Perguntou.

"É... Bem, indo. Presa atrás de uma mesa, presa em um cubículo, e lendo intermináveis pilhas de papel, não era exatamente o que eu tinha em mente.”

"Vindo de qualquer outro agente novo, pode parecer manha," disse Bryers. "Mas é isso, eu concordo. Você está sendo desperdiçada. É por isso que estou aqui: Eu vim para salvá-la.”

Ela olhou para ele, pensativa.

"Que tipo de resgate?"

"Outro caso," respondeu Bryers. "Quero dizer, agora, se você quiser ficar com sua carga de trabalho atual e continuar estudando sobre a fraude de imigração, eu entendo. Mas eu acho que eu tenho algo que está mais dentro dos seus interesses.”

"Ela sentiu seu coração começar a bater mais rápido.

"Você pode conseguir essa para mim?" Ela perguntou, desconfiada.

"Na verdade eu posso. Ao contrário da última vez, você tem total apoio de todos. Recebi um telefonema de McGrath há meia hora. Ele não é um grande fã da ideia de você pular diretamente para a ação, mas eu forcei a barra um pouco.”

"Sério?" Perguntou ela, sentindo-se aliviada e, como Bryers tinha indicado, apenas um pouco mimada.

"Eu posso mostrar o meu histórico de chamadas, se quiser. Ele ia chamá-la e dizer ele mesmo, mas eu pedi o favor de ser a pessoa que iria lhe dizer isso. Eu acho que ele sabia desde ontem que você acabaria sendo escolhida, mas nós queríamos ter certeza de que tínhamos um caso sólido.”

"E vocês?" Ela perguntou. Uma pequena bola de excitação começou a crescer na boca do seu estômago.

"Sim. Encontramos um corpo em um parque em Strasburg, Virginia. Assemelha-se muito a um corpo que encontramos em torno da mesma área, cerca de dois anos atrás.”

"Você acha que eles estão relacionados?”

Ele descartou a pergunta dela e mordeu o sanduíche.

"Eu vou te dizer sobre isso no caminho. Por enquanto, vamos apenas comer. Aprecie o silêncio enquanto é possível.”

Ela balançou a cabeça e mordiscou o sanduíche, embora de repente ela tivesse perdido a fome.

Ela sentiu emoção, mas também temor e tristeza. Alguém havia sido assassinado.

E dependia dela fazer as coisas darem certo.




CAPÍTULO QUATRO


Eles deixaram Quantico imediatamente após o almoço. Quando Bryers dirigia, ao sudoeste, Mackenzie sentiu como se estivesse sendo resgatada do tédio para ser levada ao perigo.

"Então, o que você pode me dizer sobre este caso?" Ela perguntou.

"Um corpo foi descoberto em Strasburg, Virginia. O corpo foi encontrado em um parque estadual, em uma condição que se assemelha a um corpo que foi descoberto muito perto da mesma área cerca de dois anos atrás.

"Você acha que eles estão relacionados?”

“Tem que estar, se você quer minha opinião. Mesmo local, mesmo estilo brutal de assassinato. Os arquivos estão em minha bolsa no banco de trás, se você quiser dar uma olhada.”

"Ela enfiou a mão no banco de trás e pegou o caso na bolsa que Bryers geralmente levava consigo quando havia alguma pesquisa envolvida. Ela deslizou uma única pasta, continuando a fazer perguntas.

"Quando o segundo corpo foi descoberto?" Perguntou ela.

"Domingo. Até agora, não tem nada para nos dar qualquer direção. Não é uma pista, como da última vez. Nós precisamos de você.

"Por que eu?" Ela perguntou, curiosa.

Ele olhou para trás, curioso também.

"Você é um agente agora—e boa pra caramba nisso," disse ele. "As pessoas já estão cochichando sobre você, as pessoas que não sabiam quem você era quando veio para Quantico. É atípico para um novo agente conseguir um caso como este, bem, você não é exatamente uma agente comum, é?

"Isso é uma coisa boa ou uma coisa ruim?" Perguntou Mackenzie.

"Isso depende de como você age, eu acho," disse ele.

Ela deixou as coisas como estavam,, voltando a sua atenção para a pasta. Bryers deu umas espiadas quando ela olhou o conteúdo, seja para avaliar sua reação ou para ver o que ela estava olhando naquele momento.Enquanto ela examinava as informações através da pasta, ele narrou o caso.

"Demorou apenas algumas horas para termos certeza de que o assassinato estava vinculado a outro corpo que foi descoberto a cerca de cinquenta e seis quilômetros de distância, há quase dois anos. As imagens que você vê na pasta são do corpo.”

"Dois anos atrás," disse Mackenzie, desconfiadamente. Na foto, ela viu um corpo que tinha sido mutilado. Era uma visão tão ruim que ela teve que desviar o olhar por um momento. "Como vocês tão facilmente relacionam os dois assassinatos com uma extensão tão grande de tempo entre eles?"

"Porque ambos os corpos foram encontrados no mesmo parque estadual e na mesma condição, assassinados com muita crueldade. E você sabe o que pensamos sobre as coincidências no FBI, certo?

"Que eles não existem?”

"Exatamente.”

"Strasburg," disse Mackenzie. "Eu não estou familiarizada com tudo isso. Cidade pequena, certo?

"É, quase de médio porte. População de cerca de seis mil habitantes. Uma dessas cidades do sul que ainda estão se agarrando com força na Guerra Civil.”

"E há um parque estadual lá?”

"Ah, sim," disse Bryers. "Isso foi novidade para mim, também. Bem grande. Parque Estadual Little Hill. Cerca de 112 quilômetros de terra, ao todo. Ele quase se aproxima de Kentucky. É popular para pescaria, camping e caminhadas. Um monte de floresta inexplorada. Esse tipo de parque estadual.”

"Como os corpos foram descobertos?" Perguntou Mackenzie.

"Um campista encontrou o mais recente na noite de sábado," disse Bryers. "O corpo descoberto há dois anos foi uma cena horrível. O corpo foi descoberto semanas depois do assassinato. Estava apodrecendo e alguns dos animais selvagens tinham arrancado alguns pedaços dele, como você vê nas fotos.”

"Qualquer indicação clara de como eles foram assassinados?”

"Nada que podemos identificar.” Os corpos foram muito mutilados. O primeiro, de dois anos atrás—tinha a cabeça toda cortada, todos os dez dedos foram cortados e nunca encontrados e a perna direita foi arrancada do joelho para baixo. O mais recente foi espalhado por todo o lugar. A perna esquerda foi descoberta a sessenta metros de distância do resto do corpo. A mão direita foi cortada e ainda não foi encontrada.”

"Mackenzie suspirou, oprimida por um momento pelo mal no mundo.

"Isso é brutal," ela disse suavemente.

Ele concordou.

"É."

"Você está certo," disse ela. "As semelhanças são muito estranhas para serem ignoradas."

Ele parou e soltou uma tosse forte, ele a tampou com a parte interior do seu cotovelo. Era uma tosse profunda, uma das longas e secas que muitas vezes vêm seguidas de um resfriado desagradável.

"Você está bem?" Perguntou ela.

"Sim eu estou bem. O outono está chegando. Minhas estúpidas alergias explodem todo ano neste período. Mas e você?Você está em bem? A graduação acabou, você é agora oficialmente uma agente, e o mundo é todo seu. Isso faz você ficar animada ou assustada?”

"Um pouco de ambos,” ela disse honestamente.

"Algum familiar virá vê-la no sábado?"

"Não," disse ela. E antes que ele tivesse tempo de fazer uma cara triste ou expressar seu pesar, ela acrescentou: "Mas tudo bem. Minha família nunca esteve próxima de mim.”

"Sei," disse ele. "A mesma coisa acontece comigo. Meus pais eram pessoas boas, mas eu me tornei um adolescente e comecei a agir como um adolescente e, depois disso, eles meio que me ignoraram. Eu não era Cristão o suficiente para eles. Eu gostava demais de garotas. Esse tipo de coisa.”

Mackenzie não disse nada porque ela estava um pouco em choque. Foi o máximo que ele tinha dito sobre si mesmo desde que ela o conheceu—e tudo veio em uma súbita, inesperada explosão de doze segundos.

Então, antes que ela estivesse ciente de que estava mesmo fazendo isso, ela falou novamente. E quando as palavras saíram de sua boca, ela quase se sentiu como se estivesse vomitando.

"Minha mãe fez isso comigo," disse ela. "Eu fiquei mais velha e ela viu que não tinha realmente controle sobre mim. E se ela não podia me controlar, então, ela não tinha interesse em mim. Mas quando ela perdeu o controle sobre mim, ela perdeu o controle sobre quase tudo, também."

"Ah, os pais são orgulhosos, não é?" Disse Bryers.

"À sua própria maneira."

"E o seu pai?" Perguntou Bryers.

A pergunta era como uma fincada no coração, mas ela novamente surpreendeu-se por responder. "Ele está morto," disse ela com um tom decidido em sua voz. Ainda assim, uma parte dela queria dizer a ele sobre a morte de seu pai e como ela havia descoberto o corpo.

Enquanto o tempo separados parecia ter melhorado a relação de trabalho entre eles, ela ainda não estava pronta para compartilhar essas feridas com Bryers. Ainda assim, apesar da sua resposta fria, Bryers parecia agora muito mais aberto, falador e disposto a criar vínculos. Ela se perguntou se era porque ele estava agora trabalhando com ela com a garantia e a bênção daqueles que o supervisionavam.

"Lamento ouvir isso," disse ele, passando por cima do assunto de uma forma que fez ela saber que ele sentiu a sua falta de vontade de falar sobre aquilo. "Meus pais... Eles não entendiam o porquê de eu ter escolhido este trabalho. Claro, eles eram cristãos muito severos. Quando eu lhes disse que não acreditava em Deus, aos dezessete anos, eles basicamente desistiram de mim. Desde então, eu vi os meus pais apenas no túmulo. Papai se manteve firme por cerca de seis anos após a minha mãe ter morrido. Papai e eu meio que fizemos as pazes de um jeito inseguro depois da morte da minha mãe. Estávamos bem novamente até ele morrer de câncer no pulmão, em 2013.”

"Pelo menos você tem uma chance de consertar as coisas," disse Mackenzie.

"Verdade," disse ele.

"Alguma vez você se casou? Teve filhos?”

"Eu fui casado por sete anos. Eu tenho duas filhas. Uma delas está na faculdade no Texas agora. A outra está em algum lugar na Califórnia. Ela parou de falar comigo há dez anos, logo depois que ela deixou a escola, ficou grávida e noiva de um cara de vinte e seis anos de idade.”

"Ela balançou a cabeça, achando a conversa muito desconcertante para continuar. Era estranho que ele estivesse se abrindo para ela de tal maneira, mas ela gostou. Algumas das coisas que ele tinha dito a ela fazia algum sentido, apesar de tudo. Bryers era um homem bastante solitário e isso se alinhava com o fato de ter tido uma relação tensa com os seus pais.

A informação sobre as duas filhas com quem ele raramente falava, no entanto, tinha sido uma grande revelação. Fez algum tipo de sentido a respeito do porquê de ele estar tão aberto com ela e porque ele parecia gostar de trabalhar com ela.

As duas horas seguintes foram preenchidas com pouca conversa, falou-se principalmente sobre o caso em questão e o período de Mackenzie na Academia. Foi bom ter alguém para conversar sobre essas coisas e isso fez com que se sentisse um pouco culpada por ter se fechado quando ele perguntou sobre o seu pai.

Passaram-se mais uma hora e quinze minutos antes de Mackenzie começar a ver sinais que anunciavam a saída para Strasburg. Mackenzie praticamente podia sentir o ar dentro do carro mudando, pois ambos mudaram de rumo, colocando questões pessoais e lado e se concentrando exclusivamente no trabalho em mãos.

Seis minutos depois, Bryers virou o sedan para a saída Strasburg. Quando eles entraram na cidade, Mackenzie sentiu-se tensa. Mas era um bom tipo de tensão, o mesmo tipo que ela sentiu quando entrou no estacionamento à noite antes da graduação com a arma de paintball em suas mãos.

Ela tinha chegado. Não apenas em Strasburg, mas em uma fase de sua vida que ela tinha sonhado desde que assumiu o seu primeiro trabalho humilhante de escritório em Nebraska, antes de ter uma oportunidade adequada.

Meu Deus, pensou. Foram apenas cinco anos e meio?

Sim. E agora que ela estava literalmente sendo conduzida para a realização de todos os seus sonhos, os cinco anos que separavam o trabalho de escritório do momento atual no banco de passageiros do carro de Bryers pareciam uma espécie de barricada que mantinha esses dois lados dela separados. E isso foi tão bom quanto Mackenzie esperava. Seu passado nunca tinha feito outra coisa além de prendê-la, e agora que ela finalmente parecia fugir dele, ela estava contente de deixá-lo para trás, o passado estava morto e apodrecendo.

Ela viu o sinal para Little Hill State Park, e quando ele diminuiu a velocidade do carro, seu coração acelerou. Ali estava ela. Seu primeiro caso, enquanto oficialmente no trabalho. Todos os olhos estariam sobre ela, ela sabia.

Havia chegado a hora.




CAPÍTULO CINCO


Quando Mackenzie saiu do carro no estacionamento para visitantes do Parque Estadual Little Hill, preparou-se, sentindo imediatamente a tensão do homicídio no ar. Ela não entendia como podia senti-lo, mas podia. Era uma espécie de sexto sentido que ela, às vezes, desejava não ter. Ninguém mais com quem ela já tinha trabalhado parecia sentir o mesmo.

De certa forma, ela percebeu, essas eram pessoas de sorte. Era uma bênção, mas também uma maldição.

Atravessaram o estacionamento e foram para o centro de visitantes. Embora o outono ainda não tivesse totalmente dominado a Virginia ainda, ele estava se fazendo presente mais cedo. As folhas ao redor deles estavam começando a mudar, criando uma série de vermelhos, amarelos e dourados. Havia uma cabana de segurança atrás do centro e uma mulher com cara de tédio acenou mostrando ter notado a presença dos dois.

O centro de visitantes era uma armadilha medíocre para turistas, na melhor das hipóteses. Algumas prateleiras de roupas exibiam camisetas e garrafas de água. Uma pequena prateleira no lado direito continha mapas da área e algumas publicações sobre dicas de pesca. No centro de tudo isso havia uma única mulher, com alguns anos além da aposentadoria, sorrindo para eles atrás de um balcão.

"Vocês são do FBI, certo?" Perguntou a mulher.

"É isso mesmo," disse Mackenzie.

A mulher, sentada atrás do balcão, deu um aceno rápido e pegou o telefone fixo. Ela apertou um número que estava em um pedaço de papel ao lado do telefone. Enquanto esperava, Mackenzie virou-se e Bryers também.

"Você disse que não falou diretamente com o Departamento Policial de Strasburg, certo?" Perguntou ela.

Bryers sacudiu a cabeça.

"Somos bem-vindos ou um obstáculo?"

"Acho que vamos ter que ver isso."

Mackenzie concordou quando voltaram para o balcão. A mulher tinha acabado de desligar o telefone e estava olhando para eles novamente.

"O Xerife Clements estará aqui em cerca de dez minutos. Ele gostaria de encontrá-los no lado de fora da cabana.

"Eles caminharam de volta para fora e se dirigiram para a cabana do vigia. Mais uma vez, Mackenzie encontrou-se quase hipnotizada pelas cores que floresciam nas árvores. Ela caminhou lentamente, absorvendo tudo.

"Ei, White?" Disse Bryers. "Você está bem?"

"Sim. Por que pergunta?”

"Você está tremendo. Um pouco pálida. Como um agente experiente do FBI, meu palpite é que você está nervosa—muito nervosa.”

"Ela apertou as mãos com força, ciente de que realmente havia um ligeiro tremor nas suas mãos. Sim, ela estava nervosa, mas ela esperava estar disfarçando isso. Aparentemente, ela estava fingindo muito mal.

"Veja. Você está na coisa real agora. Pode ficar nervosa. Mas aprenda a lidar com isso. Não lute contra isso ou esconda esse sentimento. Eu sei que soa contra-intuitivo, mas você tem que confiar em mim."

Ela concordou com a cabeça, sentindo-se um pouco sem graça.

Eles continuaram sem dizer uma palavra, as cores selvagens das árvores ao redor deles parecendo pressioná-los. Mackenzie olhou para a frente para a cabine do guarda, olhando para a barra que pendia da cabine ao outro lado da estrada. Parecia brega , mas ela não pôde deixar de sentir que seu futuro estava esperando por ela do outro lado dessa barra e ela encontrou-se igualmente intimidada e ansiosa para atravessá-la.

Em poucos segundos, os dois ouviram o barulho de um pequeno motor. Quase imediatamente depois disso, um carrinho de golfe apareceu, vindo ao redor da curva. Parecia estar indo em alta velocidade e o homem atrás do volante estava praticamente debruçado sobre ele, como se quisesse ir mais rápido.

O carro acelerou para frente e Mackenzie conseguiu seu primeiro vislumbre de um homem que assumiu ser o Xerife Clements. Ele era um homem durão de quarenta e poucos anos. Ele tinha o olhar vítreo de um homem que tinha sentido a mão áspera da vida. Seu cabelo negro estava apenas começando a ficar grisalho nas têmporas e ele tinha um a sombra de barba ao redor do rosto que parecia sempre ter estado lá.

Clements estacionou o carro, mal notando o guarda na cabana e caminhou para encontrar Mackenzie e Bryers.

"Agentes White e Bryers," Mackenzie disse, oferecendo-lhe a mão.

Clements pegou a mão dela e a apertou de forma passiva. Ele fez o mesmo com Bryers antes de voltar a sua atenção para a trilha pavimentada por onde tinha acabado de descer.

"Sendo honesto," disse Clements, "embora eu certamente aprecie o interesse do FBI, eu não tenho tanta certeza de que precisamos de ajuda."

"Bem, estamos aqui também para ver se nós podemos dar uma mão," disse Bryers, sendo o mais amigável possível.

"Bem, então, pegamos o carro e vamos ver", disse Clements. Mackenzie estava tentando avaliá-los quando eles carregaram no carro. Sua principal preocupação desde o início era tentar determinar se Clements estava simplesmente sob um estresse imenso ou se ele era tão estúpido por natureza.

Ela estava ao lado de Clements na frente do carrinho, enquanto Bryers se agarrou à parte de trás. Clements não disse uma única palavra. É verdade, parecia que ele estava fazendo um esforço para deixá-los saber que ele se sentiu incomodado por ter que rodar com eles.

Depois de um minuto, mais ou menos, Clements desviou o carro para a direita onde a estrada pavimentada se tornava bifurcada. Lá, a calçada terminava e se tornava uma trilha ainda mais estreita na que mal cabia o carro.

"Então, quais instruções foram passadas para o guarda na guarita?" Perguntou Mackenzie.

"Ninguém vem aqui," disse Clements. "Nem mesmo guardas florestais ou policiais a menos que eu tenha dado autorização prévia. Já temos pessoas suficientes peidando em torno daqui, tornando as coisas mais difíceis do que tem que ser.”

"Mackenzie levou o golpe não muito sutil e o ignorou. Ela não estava prestes a entrar em uma discussão com Clements antes de ela e Bryers terem uma oportunidade de verificar a cena do crime.

Cerca de cinco minutos depois, Clements apertou os freios. Ele saiu antes mesmo que o carro parasse completamente. "Vamos lá," disse ele, como se estivesse falando com uma criança. "Por aqui."

Mackenzie e Bryers desceram. Ao redor, a floresta pairava muito acima deles. Era bonito, mas preenchida com uma espécie de silêncio espesso que Mackenzie reconheceu como um tipo de presságio—um sinal de que havia algo ruim e uma má notícia no ar.

Clements levou-os para a floresta, andando rapidamente à frente deles. Não houve real chance para falar. Aqui e ali Mackenzie podia ver sinais de caminhos antigos sinuosos através da folhagem e ao redor das árvores, mas era só isso. Sem perceber que estava fazendo isso, ela assumiu a liderança na frente de Bryers enquanto tentava manter-se com Clements. Na ocasião, ela teve que afastar um ramo com teias de aranha do seu rosto.

Depois de caminhar por dois ou três minutos, ela começou a ouvir várias vozes que se misturavam. Os sons de movimentação ficaram mais altos e ela começou a entender o que Clements estava falando; mesmo sem ver a cena, Mackenzie poderia dizer que estaria lotada de gente.

Ela viu a prova disso menos de um minuto mais tarde, quando a cena veio à tona. Fita isolando a cena do crime e pequenas bandeiras de fronteira tinham sido colocadas em uma grande forma triangular dentro da floresta. Entre as bandeiras vermelhas e a fita amarela, Mackenzie contou oito pessoas, Clements estava incluído. Com ela e Bryers seriam dez.

"Percebe o eu quero dizer?" Perguntou Clements.

Bryers apareceu ao lado Mackenzie e suspirou. "Bem, é uma bagunça."

Antes de darem um passo à frente, Mackenzie fez o seu melhor para fazer o levantamento da cena. Dos oito homens, quatro eram do DP local, facilmente identificados pelos seus uniformes. Havia dois outros que estavam com uniformes, mas de um DP do estado, Mackenzie pensou. Além disso, porém, ela pegou na cena em si, em vez de deixar que a briga a distraísse.

A localização parece ser aleatória. Não havia pontos de interesse, há itens que podem ser vistos como simbólicos. Era exatamente como qualquer outra parte dessa floresta em todos os sentidos, Mackenzie podia ver. Ela adivinhou que era cerca de uma milha fora da pista central. As árvores não eram particularmente grossas aqui, mas havia uma sensação de isolamento ao redor.

Com a cena completamente tomada, ela olhou para os homens brigando. Alguns pareciam agitados e um ou dois pareciam zangados. Dois deles não estavam usando qualquer tipo de uniforme ou roupa para mostrar a profissão deles.

"Quem são os caras sem uniforme?" Perguntou Mackenzie.

"Não tenho certeza", disse Bryers.

Clements virou para eles com uma carranca no rosto. "Guardas florestais", disse ele. "Joe Andrews e Charlie Holt. Merda assim acontecem e eles pensam que são da polícia.

"Um dos guardas olhou para cima com veneno em seus olhos. Mackenzie tinha certeza que Clements não gostava daquele homem quando ele disse Joe Andrews. "Observe, Clements. Este é um parque estadual ", disse Andrews. "Você tem tanta autoridade aqui quanto um mosquito."

"Isso poderia ser", disse Clements. "Mas você sabe tão bem quanto eu que tudo o que tenho a fazer é fazer uma única chamada para a delegacia e conseguir algumas rodas em movimento. Eu posso ter você fora daqui dentro de uma hora, então apenas faça tudo o que você precisa fazer e tire o seu traseiro daqui.

"Você hipócrita fudid—”

"Deixem disso," disse um terceiro homem. Este era um dos policiais estaduais. O homem era forte como uma montanha e usava óculos de sol que faziam ele parecer o vilão de um filme ruim de ação dos anos 80. "Eu tenho autoridade para jogar ambos fora daqui. Então parem de agir como crianças e façam o seu trabalho.

Este homem notou Mackenzie e Bryers pela primeira vez. Ele andou até eles e balançou a cabeça quase se desculpando.

"Desculpe-me, mas você está tendo que ouvir todo esse absurdo," disse ele enquanto se aproximava. "Eu sou Roger Smith com a polícia estadual. Alguma coisa aqui, hein?

"Isso é o que vamos descobrir ", disse Bryers.

Smith voltou-se para os outros sete e usou uma voz potente quando disse: "Afastem-se e deixem que os federais façam o trabalho deles."

"E quanto à nossa coisa" o outro guarda perguntou?. Charlie Holt, Mackenzie lembrou. Ele olhou para Mackenzie e Bryers com suspeita. Mackenzie pensou que ele parecia um pouco tímido e com medo perto deles. Quando Mackenzie olhou para ele, ele olhou para o chão, curvando-se para pegar uma castanha. Ele jogava a castanha de mão em mão, em seguida, começou a pegar na ponta dela.

"Vocês já tiveram tempo suficiente", disse Smith. "Aguardem um segundo, tá?"

Todo mundo fez o que ele pediu. Os guardas florestais, em particular, pareciam infelizes com isso. Fazendo tudo o que podia para aliviar a situação, Mackenzie imaginou que seria bom se ela tentasse envolvê-los, tanto quanto possível, para que os ânimos não se incendeiem.

"Que tipo de informação os guardas normalmente precisam puxar de algo assim?" Ela perguntou aos guardas quando ela se abaixou sob a fita da cena do crime e começou a olhar ao redor. Ela viu um marcador onde a perna tinha sido encontrada, marcada com um pequeno marcador de madeira. A uma boa distância ela viu outro marcador onde tinha sido encontrado o restante do corpo.

"Nós precisamos saber por quanto tempo manteremos o parque fechado por causa de uma coisa", disse Andrews. "Por mais egoísta que possa parecer, o parque representa um bom pedaço de receitas para o turismo."

"Você está certo", Clements falou. "Isso soa egoísta."

"Bem, acho que nós estamos autorizados a sermos egoístas de tempos em tempos," Charlie Holt disse, bastante defensivamente. Ele então, encarou Mackenzie e Bryers com um olhar de desprezo.

"Por que?" Perguntou Mackenzie.

"Algum de vocês já sabe que tipo de porcaria temos que aturar aqui?" Perguntou Holt.

"Não, na verdade," perguntou Bryers.

"Adolescentes fazendo sexo", disse Holt. "Orgias de tempos em tempos. Práticas Wicca estranhas. Eu mesmo peguei um cara bêbado aqui brincando com um toco, e eu estou falando de coisas surpreendentes para todo lado. Estas são as histórias que os estaduais dão risada e a polícia local apenas usa como forragem para piadas nos fins de semana. "Ele se abaixou e pegou outro castanha, como ele fez com a primeira.

"Ah", acrescentou Joe Andrews. "E depois há a captura de um pai no ato de molestar sua filha de oito anos de idade, perto do caminho de pescaria. E o que eu ganho? A menina gritando comigo para deixar o pai dela em paz e, em seguida, um aviso da polícia local e estadual para não ser tão rude da próxima vez. Então, sim... podemos ser egoístas de vez em quando.”

"A floresta ficou em silêncio, em seguida, silêncio quebrado apenas por um dos outros policiais locais, que fez um som de riso de desprezo e disse: "Sim. Autoridade. Certo.”

"Ambos os guardas florestais encararam o homem com um ódio extremo. Andrews deu um passo adiante, parecendo poder explodir de raiva. "Foda-se," ele simplesmente disse.

"Eu disse para parar este absurdo," disse o oficial Smith. "Mais uma vez e cada um de vocês saíra daqui. Entenderam?”

"Aparentemente, sim.” A floresta caiu em silêncio novamente. Bryers deu um passo para atrás da fita com Mackenzie e quando todos os outros se ocupavam atrás deles, ele se inclinou para ela. Ela sentiu os olhos de Charlie Holt sobre ela e isso a fez querer socá-lo.

"Isso pode ficar feio," Bryers disse calmamente. "Vamos fazer o nosso melhor para sair daqui o mais rápido possível, o que você acha?"

Ela passou a trabalhar em seguida, analisar a área e tomar notas mentais. Bryers tinha saído da cena do crime e estava descansando contra uma árvore enquanto tossia em seu braço. Ela fez o seu melhor para não deixar que isso a distraísse. Ela manteve os olhos no chão, estudando a folhagem, o chão e as árvores. A única coisa que fazia pouco sentido para ela era como um corpo em tão mau estado tinha sido descoberto aqui. Era difícil dizer há quanto tempo o assassinato despejado o corpo; o solo em si não mostrava sinais de um ato brutal.

Ela observou a localização dos cartazes que marcaram onde as diferentes partes do corpo tinham sido encontradas. Estava longe de ter sido um acidente. Se alguém despejou um corpo mutilado e colocou as partes tão distantes, mostrava intencionalidade.

"Oficial Smith, você sabe se houve quaisquer sinais de marcas de mordida de bichos selvagens no corpo?" Perguntou ela.

"Se houvesse, eles eram tão minúsculos que um exame de base não revelou nada. Claro que, quando a autópsia chegar saberemos mais.”

"E ninguém em sua equipe ou da polícia local mudou o corpo ou os membros cortados?”

"Não.”

"O mesmo aqui", disse Clements. "Guardas, e quanto a vocês?"

"Não", disse Holt com um desdém em sua voz. Ele agora parecia estar ofendido com quase tudo.

"Posso perguntar por que pode ser importante em termos de descobrir quem fez isso?" Smith perguntou a ela.

"Bem, se o assassino fizesse tudo aqui, haveria sangue por toda parte", explicou Mackenzie. "Mesmo acontecendo há muito tempo atrás, haveria pelo menos vestígios espalhados. E eu não vejo qualquer vestígio. Então, a outra possibilidade é de que ele talvez despeje o corpo aqui. Mas se esse é o caso, por que uma perna decepada estar tão longe do resto do corpo?”

"Não entendi ", disse Smith. Atrás dele, ela viu que Clements também ouvia atentamente, mas tentando não demonstrar isso.

"Isso me faz pensar que o assassino se livrou do corpo fora aqui, mas ele separou as partes tão distantes de propósito."

"Por quê?" Perguntou Clements, não foi capaz de fingir que não estava escutando.

"Pode haver várias razões", disse ela. "Poderia ter sido algo tão mórbido como apenas se divertir com o corpo, espalhando-os em torno como se fossem nada além de brinquedos com os quais ele estava brincando. Querendo chamar nossa atenção. Ou poderia haver algum tipo de razões calculados, pelo fato da distância, pelo fato de que era uma perna, e assim por diante.”

"Sei", disse Smith. "Bem, alguns de meus homens já escreveram um relatório que tem a distância entre o corpo e a perna. Temos qualquer distância que você poderia pedir.”

Mackenzie deu uma olhada ao redor de novo, para o grupo reunido de homens e na floresta aparentemente pacífica e fez uma pausa. Não havia nenhuma razão clara para se escolher este local. O que a fez pensar que a localização era aleatória. Ainda assim, estar tão longe do caminho significava outra coisa. Isso indicava que o assassino conhecia essa floresta, talvez até mesmo o próprio parque, muito bem.

Ela começou a andar ao redor da cena, olhando mais de perto para achar vestígios de sangue seco. Mas não havia nada. A cada momento que passava, ela se tornava mais e mais certa de sua teoria.

"Rangers," disse ela. "Existe alguma maneira de se ter os nomes das pessoas que frequentam o parque? Penso nas pessoas que vêm aqui muito e que conhecem bem a área.”

"Não é verdade," disse Joe Andrews. "O melhor que podemos fazer é fornecer uma lista de doadores financeiros."

"Isso não é necessário," disse ela.

"Você tem uma teoria para testar?" Perguntou Smith.

"O assassinato estava em outro lugar e o corpo foi jogado aqui", ela disse, meio para si mesma. "Mas por que aqui? Estamos quase a uma milha de distância do caminho central e não parece haver nada de significativo nesse local. Isso me faz pensar que quem está por trás disso conhece as terras do parque muito bem.”

Ela teve alguns acenos enquanto explicava as coisas, mas teve a sensação geral de que eles duvidavam dela ou simplesmente não se importavam com a sua opinião.

Mackenzie virou-se para Bryers.

"Tudo bem?" Perguntou ela.

Ele concordou.

"Obrigada, senhores."

Todo mundo olhou para ela em silêncio. Clements parecia julgá-la.

"Bem, vamos lá então," Clements disse, finalmente. "Eu darei uma carona de volta para o carro."

"Não, está tudo bem," disse Mackenzie de um jeito um pouco rude. "Eu acho que eu prefiro andar."

Mackenzie e Bryers saíram, voltando pela floresta e para a pista de caminhada por onde Clements os tinha trazido.

Quando eles se afundaram de volta na floresta, os olhares das polícias estaduais, Clements e seus homens, e os guardas do parque estavam em suas costas, Mackenzie não podia resistir, apreciava a grande escala da floresta. Era estranho pensar nas infinitas possibilidades ali fora. Ela pensou sobre o que o guarda tinha dito, sobre os inúmeros crimes que ocorreram nessas florestas, e algo que lançou um arrepio gelado através do corpo dela.

Se alguém tinha abatido pessoas, como a pessoa que tinha sido descoberta dentro deste triângulo, e eles tinham um conhecimento bastante decente dessas florestas, praticamente não havia limites para a quantidade de ameaça que eles poderiam causar.

E ela tinha certeza de que ele iria atacar novamente.




CAPÍTULO SEIS


Mackenzie estabeleceu-se em seu escritório pouco depois das seis da tarde, exausta após aquele longo dia e começou a arrumar suas anotações para se preparar para o interrogatório que pediram sobre a missão dela na volta de Strasburg.

Alguém bateu na porta e ela olhou para cima para achar o Bryers, parecia tão cansado quanto ela, segurava uma pasta e uma xícara de café. Parecia que ele estava tentando esconder sua exaustão e, em seguida, ela percebeu que ele tinha deixado ela tomar as decisões no Parque Estadual, permitindo-lhe assumir a liderança com o Clements, Smith, Holt, e os outros homens egoístas lá na floresta. Isso, mais sua tosse, fez ela se perguntar se ele estava em declínio em sua carreira.

"O questionário está pronto"..

Mackenzie levantou-se e seguiu-o para uma sala de conferência no final do corredor. Quando ela entrou, olhou em volta para os vários agentes e peritos que compõem a equipe sobre o caso do Parque Estadual Little Hill. Havia sete pessoas e enquanto ela pensava, pessoalmente, que era muita mão-de-obra para um caso que começava, não era papel dela dizer tal coisa. Era papel do Bryers e ela estava simplesmente feliz por estar junto dele. Foi muito melhor do que ler sobre as leis de imigração e “nadar” naquela papelada.

"Tivemos um dia agitado hoje," disse Bryers. "Então, vamos começar as coisas com uma breve recapitulação."

Se ele estava cansado quando entrou, o cansaço desapareceu. Mackenzie assistiu e ouviu com muita atenção como Bryers informou as sete pessoas da sala com o que ele e Mackenzie tinham descoberto na floresta do Parque Estadual Little Hill naquele dia. As pessoas na sala anotavam, alguns rabiscavam, outros digitavam em tablets ou smartphones.

“Uma coisa a acrescentar,” um dos outros agentes disse. “Eu recebi novidades cerca de quinze minutos atrás. O caso chegou oficialmente no noticiário local. Eles já começaram a chamar esse cara de Assassino do Camping.”

Um momento de silêncio tomou conta da sala, e interiormente, Mackenzie suspirou. Isso tornaria a vida muito mais difícil para todos eles.

“Cara, que rápido,” disse Bryers. “Droga de mídia. Como fizeram para colocar as mãos nisso tão rápido?”

”Ninguém respondeu, mas Mackenzie achava que sabia. Uma cidade pequena como Strasburg estava cheia de pessoas que amavam ouvir o nome da sua cidade no noticiário, mesmo se fosse por causa de más notícias. Ela poderia pensar em alguns guardas do parque ou da polícia local que poderiam se encaixar nessa categoria.

“De qualquer forma,” Bryers continuou, implacável, “a última informação que recebemos veio do DP do estado. Eles entregaram detalhes da cena do crime para análise forense. Sabemos agora que a perna decepada e o corpo estavam exatamente a dez metros e meio de distância. Nós, obviamente, não temos ideia se isso é significativo, mas nós investigaremos isso. Também—”

”Uma batida na porta o interrompeu. Outro agente correu para a sala e entregou uma pasta para Bryers. Ele sussurrou algo rapidamente para Bryers e, em seguida, saiu.

“O relatório do legista do corpo mais recente,” disse Bryers, abrindo a pasta e olhando para dentro dela. Examinou-o rapidamente e, em seguida, começou a passar três folhas para a equipe ao seu redor. “Como vocês verão, não havia marcas de predadores famintos pelo corpo, embora houvesse leves contusões ao longo das costas e ombros. Acredita-se que a perna e mão direita foram cortadas com uma faca bastante “cega” ou alguma outra lâmina grande. Os ossos pareciam ter sido mais quebrados do que serrados. Isso difere do caso de dois anos atrás, mas é claro que poderia ser apenas porque o assassino não cuidou de suas ferramentas ou armas.”

”Bryers deu-lhes um momento para olhar para o relatório. Mackenzie mal o olhou, perfeitamente ok, confiando no resumo de Bryers. Ela já confiava nele e enquanto sabia o valor de arquivos e relatórios, não havia nada melhor do que um relatório verbal direto na opinião dela.

“Também sabemos agora o nome do falecido: Jon Torrence, vinte e dois anos de idade. Ele desapareceu cerca de quatro semanas atrás e foi visto pela última vez em um bar em Strasburg. Alguns de vocês terão a tarefa, não tão agradável, de falar com os membros de sua família hoje. Nós também buscamos algumas informações sobre a vítima de dois anos atrás. Agente White, você gostaria de compor a equipe para trabalhar sobre o caso dessa vítima?”

Mackenzie tinha lido os detalhes em um documento enviado através do Oficial Smith e sua equipe do DP do estado durante a viagem entre Strasburg e Quantico. Ela memorizou os detalhes em dez minutos e, como tal, foi capaz de repeti-los para a equipe com confiança.

“O primeiro corpo era o de Marjorie Leinhart. Sua cabeça estava quase completamente separada do seu corpo. O assassino cortou todos os seus dedos e sua perna direita do joelho para baixo. Nenhuma das partes cortadas foram descobertas. No momento da sua morte, ela tinha vinte e sete anos de idade.

Sua mãe era o único familiar vivo, já que Marjorie era filha única e seu pai morreu enquanto estava no Afeganistão em 2006. Mas a Sra Leinhart suicidou uma semana depois de o corpo de sua filha ser descoberto. Pesquisas vigorosas revelaram apenas um outro parente—um tio distante que vive em Londres—que não sabe nada sobre a família. Não tinha namorado e os poucos amigos que foram questionados todos estavam fora de suspeita. Portanto, não há literalmente ninguém para se interrogar lá.”




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