Para Você, Para Sempre Sophie Love "A capacidade de Sophie Love encantar seus leitores é delicadamente trabalhada em poderosas e inspiradoras frases e descrições... Este é o romance perfeito para ler na praia, com uma diferença: seu entusiasmo e belas descrições nos chamam a atenção, inesperadamente, para a complexidade não apenas do desenvolvimento do amor, mas do desenvolvimento da psique dos personagens. É uma recomendação deliciosa para quem ama romances e está em busca de um toque a mais de complexidade em seus livros".--Midwest Book Review (Diane Donovan, sobre Agora e para Sempre)PARA VOCÊ, PARA SEMPRE, é o livro  da série de best-sellers A POUSADA EM SUNSET HARBOR, que começa com o livro 1, AGORA E PARA SEMPRE — que pode ser baixado gratuitamente!O outono chegou em Sunset Harbor e, enquanto a cidade se esvazia, Emily Mitchell entra no segundo trimestre da gravidez. As novas suítes na casa de Trevor são abertas para seus primeiros hóspedes, e o novo spa e restaurante também são inaugurados. Enquanto isso, eles continuam a dar sua oferta pela ilha, esperando acrescentar ainda mais uma dimensão a sua vida em Sunset Harbor.Amy insiste em comprar um enxoval para Emily em Nova York, e ela retorna a sua antiga casa, chocada ao ver o quanto ela mudara, e os hóspedes indesejados que aparecem. Ela fica mortificada ao descobrir que haverá um novo morador em Sunset Harbor: um investidor de Nova York que quer abrir uma pousada concorrente — e destruir o negócio de Emily.Chantelle volta para a escola, mas sua nova série é uma surpresa desagradável, e à medida que as coisas dão errado, o drama a leva a uma espiral descendente.Roy está cada vez mais doente e, à medida que o tempo esfria, ele convida a todos para uma estadia em sua casa na Grécia. Emily, apesar de se preocupar com o bebê, não pode recusar. É uma viagem que mudará a todos para sempre, culminando num Dia de Ação de Graças que nenhum deles esquecerá. PARA VOCÊ, PARA SEMPRE, é o livro 7 de uma nova e eletrizante série de livros que fará você rir, chorar e continuar virando páginas até tarde da noite: você vai se apaixonar pelo romance mais uma vez. O livro 8 será lançado em breve! A nova série de Sophie, AMOR COMO ESTE – CRÔNICAS ROMÂNTICAS, também já está disponível!"Um livro muito bem escrito, que narra a luta de uma mulher (Emily) para encontrar sua verdadeira identidade. A autora fez um trabalho incrível ao criar os personagens e descrever o cenário. O romance está presente, mas sem excessos. Parabéns à autora por este incrível começo de uma série de promete ser muito interessante".--Books and Movies Reviews, Roberto Mattos (sobre Agora e para Sempre) P A R A V O C Ê, P A R A S E M P R E (A POUSADA EM SUNSET HARBOR — LIVRO 7) S O P H I E L O V E Sophie Love A escritora de best-sellers Sophie Love apresenta sua série de comédia romântica A POUSADA EM SUNSET HARBOR, composta por oito livros (e mais um será lançado em breve), e que começa com AGORA E PARA SEMPRE (A POUSADA EM SUNSET HARBOR — LIVRO 1). Sopie Love também acaba de lançar uma nova série de livros, CRÔNICAS ROMÂNTICAS, que começa com AMOR COMO ESTE (LIVRO 1). Sophie adora ouvir seus leitores, então, visite www.sophieloveauthor.com (http://www.sophieloveauthor.com/) se quiser enviar-lhe um e-mail, receber eBooks de graça, saber das novidades e manter contato! Copyright © 201 por Sophie Love. Todos os direitos reservados. Exceto como permitido pelo Ato de Direitos Autorais dos EUA, publicado em 1976, nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida, distribuída ou transmitida em qualquer formato ou por qualquer meio, ou armazenada num banco de dados ou sistema de recuperação, sem permissão prévia da autora. Este eBook está licenciado apenas para uso pessoal. Este eBook não pode ser revendido ou doado a outras pesoas. Se você quiser compartilhar este eBook com outra pessoa, por favor, compre uma cópia adicional para cada indivíduo. Se você está lendo este livro sem tê-lo comprado, ou se não foi adquirido apenas para seu uso, por favor, devolva-o e compre seu próprio exemplar. Obrigado por respeitar o trabalho da autora. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, empresas, organizações, lugares, eventos e incidentes são produto da imaginação da autora ou usados de forma fictícia. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência. Foto da capa: Ioana Catalina E, todos os direitos reservados. Usada sob licença da Shutterstock.com. LIVROS DE SOPHIE LOVE A POUSADA EM SUNSET HARBOR AGORA E PARA SEMPRE (Livro 1) PARA TODO O SEMPRE (Livro 2) PARA SEMPRE, COM VOCÊ (Livro 3) QUEM DERA, PARA SEMPRE (Livro 4) PARA SEMPRE E UM DIA (Livro 5) PARA SEMPRE, MAIS UM (Livro 6) PARA VOCÊ, PARA SEMPRE (Livro 7) PARA SEMPRE NATAL (Livro 8) CRÔNICAS ROMÂNTICAS AMOR COMO ESTE (Livro 1) AMOR COMO AQUELE (Livro 2) AMOR COMO O NOSSO (Livro 3) ÍNDICE CAPÍTULO UM (#u6a44af69-7c9f-5242-9b6d-efd9488bc858) CAPÍTULO DOIS (#uae06afe1-8885-5d7e-b4d0-ce0112d0f65a) CAPÍTULO TRÊS (#uba88ac14-23dc-5987-b2ed-16b153f24e54) CAPÍTULO QUATRO (#u14ed4bcd-8f73-5ff2-9cf0-c48deb7d2d57) CAPÍTULO CINCO (#u97472ab5-640d-5530-a0c8-c92cf27528ed) CAPÍTULO SEIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO SETE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO OITO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO NOVE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZ (#litres_trial_promo) CAPÍTULO ONZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DOZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TREZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO CATORZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO QUINZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZESSEIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZESSETE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZOITO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZENOVE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E UM (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E UM (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E TRÊS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E QUATRO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E CINCO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E SEIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E SETE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E OITO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E NOVE (#litres_trial_promo) EPÍLOGO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO UM No quarto do bebê, as janelas estavam bem abertas e as cortinas de renda ondulavam ao vento. Emily dobrava as roupinhas, colocando-as cuidadosamente na cômoda. Ela suspirou, satisfeita. O tempo bom, excepcionalmente quente para o período, logo após o Dia do Trabalho, era muito bem-vindo. Um pouco cansada, Emily se sentou na poltrona de amamentação e pôs uma mão protetora em sua barriga. A bebê Charlotte estava se mexendo. "Você gosta do verão indiano?" Emily perguntou. "Ter 32°C nesta época do ano não é normal. Você terá que se acostumar com o frio em algum momento". O parto estava previsto para dezembro, no final do inverno, daqui a apenas três meses. Emily mal podia acreditar na rapidez da gestação e em como o tempo tinha passado rápido. As altas temperaturas que eles estavam desfrutando no momento faziam o inverno parecer muito distante, e Emily queria manter as coisas assim. Porque, a cada nova estação, ela pensava em seu pai, no fato de que seria a última vez que ele passaria por aquela estação em particular. Ela tentou ao máximo afastar a doença terminal dele dos seus pensamentos. Toda vez que falava com o pai — ou seja, todo dia — ele não mencionava a doença, em vez disso, contava todas as atividades divertidas que tinha planejado. E as cartas estavam começando a se acumular agora. Eles prometeram escrever um ao outro a quantidade de correspondência de uma vida inteira. Roy não estava se lamuriando sobre a morte iminente, então Emily também não iria. A porta se abriu e Chantelle entrou graciosamente no quarto. Ela estava carregando um pacote de fraldas. "Onde coloco isto?" ela perguntou. "No trocador, por favor", disse Emily, sorrindo para sua doce filha. Ela e Daniel estavam fazendo de tudo para que Chantelle se sentisse incluída no processo. No momento, isso consistia em deixá-la comprar um item prático de sua escolha no mercado, toda vez que a família ia fazer compras. Hoje, foram fraldas. Ontem, chupetas. Ela também comprou mamadeiras, paninhos para fazer o bebê arrotar, mordedores e um chocalho. Emily amava a maneira como Chantelle se comprometeu com sua tarefa. A menina levou aquilo muito a sério. Chantelle foi até o trocador e largou as fraldas. Então, se virou e encarou Emily. "Já tivemos alguma notícia?" perguntou. Emily sabia que Chantelle se referia à ilha que ela e Daniel queriam comprar, e para a qual já haviam feito uma oferta. Ela perguntava todos os dias. Emily verificou seu celular pela milionésima vez. Não havia ligações perdidas ou mensagens do corretor imobiliário. Olhou para Chantelle e balançou a cabeça. "Ainda não". Chantelle pareceu desapontada. "Quando vamos descobrir?" insistiu. "Será antes de Charlotte nascer?" Emily deu de ombros. "Eu não sei, querida". Ela acariciou o cabelo loiro e macio da menina. "Você sabe que talvez não seja possível comprarmos a ilha, certo?" ela estava preparando Chantelle para o pior desde o começo, mas a menininha tinha uma tendência a se deixar levar pela animação, às vezes. Ela falava sobre a ilha como se fosse algo já conquistado, conversando sobre o quanto seria legal quando pudessem ir brincar lá, ou quão bonita ela ficaria assim que Daniel terminasse o trabalho de construção do chalé. "Eu sei", disse Chantelle, um pouco triste. Emily deu um grande sorriso, então, vendo que a criança precisava se animar. "Venha, vamos descer para almoçar". Chantelle assentiu e pegou a mão dela. Elas desceram as escadas. Para a alegria de Emily, Amy estava sentada na ilha da cozinha. Ela estava em Sunset Harbor há semanas, morando com seu novo namorado, Harry, experimentando a familiaridade da vida a dois. Emily adorava tê-la por perto, e Amy certamente estava aproveitando ao máximo quando ela tinha tempo entre as teleconferências e a gestão remota de sua empresa. Ela estava tomando café e conversando com Daniel, que estava ocupado guardando o último item das compras feitas no mercado. Ele beijou Emily quando ela entrou. "Oi, minha esposa linda", ele murmurou, fixando um de seus intensos olhares de amor sobre ela. Emily sorriu e acariciou com o dedo a linha firme do queixo dele. Ela murmurou: "Ei". Então, Amy pigarreou. Emily tirou os olhos de Daniel e olhou por cima do ombro. "Oi, Ames", ela falou, revirando os olhos, brincalhona. Ainda parecia estranho para Emily ter Amy tão prontamente acessível. Sua mudança temporária para Sunset Harbor foi maravilhosa para as duas, trazendo de volta a amizade fácil que tinham compartilhado antes que Emily desaparecesse de Nova York sem avisar. E as habilidades organizacionais de Amy seriam certamente úteis quando se tratava de planejar a logística do nascimento de Charlotte. "Eu não sabia que você viria hoje", disse Emily para a amiga. "Acabei de falar com Dan sobre o checklist", Amy respondeu. Emily se sentou em frente a ela, franzindo a testa, curiosa. "Que checklist?" "Das coisas do bebê", Amy falou, em um tom que sugeriu que aquilo deveria ser óbvio. "Você precisa da sua bolsa de maternidade pronta para o hospital, um plano de como chegar lá, onde estacionar, para quem ligar. Nós escrevemos uma hierarquia de comunicação, onde Dan me liga e eu sou responsável por ligar para Harry, Jayne, sua mãe e Lois. Harry fica encarregado de avisar aos moradores de Sunset Harbor, Lois conta para o resto da equipe da pousada, etc. Sinceramente, Emily, estou chocada por você ainda não ter resolvido essas coisas". Emily riu. "Em minha defesa, o parto só será daqui a três meses!" "Você tem que estar preparada", disse Amy, com conhecimento de causa. "Se Charlotte sentir vontade de vir amanhã, essa é uma possibilidade muito real". Chantelle arregalou os olhos. "Ela poderia nascer amanhã?" a menina perguntou, parecendo emocionada com a perspectiva. "Eu poderia ter uma irmã amanhã?" Emily pôs a mão na barriga protetoramente, uma preocupação incômoda crescendo no fundo de sua mente. "Espero que não". Daniel veio e sentou-se ao lado delas. "Não dê a Emily cenários de pesadelo com que se preocupar", disse ele a Amy. "E também não dê esperanças a Chantelle. Ela está desesperada para conhecer sua irmãzinha". Ele se virou para Chantelle. "Charlotte vai ficar na barriga da mamãe até dezembro. Há apenas uma chance muito pequena dela vir mais cedo do que isso". "Então, você quer dizer que ela poderia vir no meu aniversário?" Chantelle perguntou, sorrindo de orelha a orelha com a perspectiva. Daniel riu e sacudiu a cabeça. "Halloween e dois aniversários?" brincou ele. "Melhor não!" "Isso tornaria a data fácil de lembrar", disse Amy, com uma risada. Então, a campainha tocou. "Eu atendo", disse Emily, querendo uma distração do pensamento de Charlotte nascer prematura. No foyer, a pousada estava muito agitada. A movimentada temporada de verão acabou, mas sempre havia muito para organizar, especialmente agora que, na sala de jantar, eram servidas três refeições por dia, e o bar funcionava todas as noites. Quando o restaurante e o spa abrissem, nunca teriam um momento de paz, pensou Emily. Ela passou apressada por Lois e Marnie, que estavam ocupadas na recepção, e abriu a porta. Um cavalheiro elegantemente vestido havia tocado a campainha. Ele parecia ter cerca de cinquenta anos de idade, com cabelos grisalhos e algumas rugas no canto dos olhos. "Paul Knowlson", ele falou, confiante, estendendo a mão para Emily, como se tivesse vindo para uma reunião de negócios. Ela apertou a mão dele. "Sinto muito, Paul, acho que não conheço você", disse ela. "Eu reservei um apartamento", disse ele, tirando um pedaço de papel do bolso interno da jaqueta. "Na Casa de Trevor", disse ele, lendo-o. "Ah!" Emily exclamou. Ele era seu primeiro hóspede dos novos apartamentos! "Fica na casa do outro lado do gramado", disse ela. "Venha, vou mostrar o caminho". "Fantástico", respondeu Paul. Emily levou-o pelos gramados. Ela sentiu uma onda de emoção, sabendo que esta seria a primeira vez que muitas pessoas fariam aquele trajeto. Era maravilhoso ver todo o seu trabalho duro na Casa de Trevor se concretizar, e saber que o presente que ele deixara estava sendo utilizado em vez de ser deixado ao abandono. "Acho que ouvi um traço do sotaque de Nova York", disse Paul enquanto caminhavam. "Você é de lá?" "Isso mesmo", Emily respondeu, sorrindo. "Nascida e criada. Você conhece bem a cidade?" Paul assentiu. "Sim, eu cresci lá. Mas agora moro na Flórida". "E você trabalha como executivo?" ela acrescentou. Paul riu, fazendo um gesto para o seu terno de aparência cara. "Como você descobriu?" Eles chegaram à Casa de Trevor e Emily o levou para dentro. A área principal do andar de baixo estava agora completamente aberta, com apenas uma divisória de vidro entre o novíssimo restaurante e o caminho até a escada que levava aos apartamentos. O restaurante ainda não tinha aberto as portas, mas não demoraria muito até que isso acontecesse, Emily pensou, animada. "Seu apartamento é o de número quatro", disse Emily, apontando para as escadas. "Tem uma linda varanda com vista para o mar". "Parece perfeito", respondeu Paul. Emily conduziu-o escada acima até o mezanino, depois apontou para um portão de ferro forjado de estilo parisiense com uma placa com letras douradas em que se lia Apenas para Hóspedes. Mostrou-lhe a chave grande que abria o portão, depois seguiram pelo corredor e pararam do lado de fora do apartamento Quatro. Emily lembrou-se da empolgação que sentiu na primeira vez em que viu os novos apartamentos. Eles foram magistralmente projetados pelos trigêmeos da Erik & Filhos. Ela esperava que Paul ficasse tão impressionado ao ver o apartamento quanto ela. Ela destrancou a porta e abriu-a, fazendo um gesto para Paul entrar. "É fantástico", disse Paul, com um aceno de cabeça. Ele parecia ser um homem bom, mas Emily teve uma impressão de que ele tinha uma perspicácia afiada para os negócios. Era a mesma qualidade de Amy, uma habilidade quase falciforme de farejar dinheiro e qualidade, avaliar o ambiente e fazer um julgamento instantâneo. Era um grande elogio que alguém assim quisesse se hospedar em sua humilde pousada! Emily entregou-lhe a chave. "No momento, as refeições são servidas na casa principal", explicou ela. "Então, por favor, junte-se a nós sempre que desejar. O restaurante no andar de baixo ainda não está aberto, então, tudo ficará muito tranquilo". Eles se despediram e Emily voltou para a casa principal. Ela encontrou Lois no foyer. "Eu esqueci que já temos um hóspede na Casa de Trevor", disse ela. "Tudo está preparado para ele? Roupa de cama limpa, roupão de banho, cápsulas de café para a máquina?" Lois assentiu, séria. "Sim", ela disse, soando um pouco ofendida pela insinuação de que poderia ter esquecido alguma coisa. Emily corou. "Desculpe, claro que você preparou tudo". Nem sempre era fácil para Emily lembrar que Lois não era mais a garota distraída e excessivamente emocional que ela já foi. Ela realmente floresceu recentemente, provavelmente em parte devido a sua promoção e aumento de salário, e Emily sabia que podia confiar nela para administar perfeitamente a pousada. Ela se saía bem ao lidar com os fornecedores e fazer pedidos de produtos e mercadorias. De fato, percebeu Emily, ela provavelmente poderia viajar para o exterior por um mês e confiar a pousada às mãos capazes de Lois; algo que ela nunca pensou ser possível! Emily voltou para a cozinha. Daniel, Amy e Chantelle ainda estavam sentados ao redor da mesa, conversando animadamente. Sem dúvida, Amy estava usando seu cérebro de negócios para forçar Daniel a planejar o nascimento de Charlotte nos mínimos detalhes, empregando o tipo de precisão organizada raramente vista quando se trata de bebês. "Aí está ela". Daniel sorriu quando a viu entrar. "Eu tenho novidades". "Sério?" Emily disse, sentando-se. "Mas eu só saí por um minuto". "Jack ligou", disse Daniel, referindo-se ao seu chefe na oficina de carpintaria, onde ele trabalhava desde o ano passado. "Foi? E o que ele disse?" Emily perguntou, curiosa. "É a dor nas costas novamente", disse Daniel. Jack havia sofrido uma distensão há pouco tempo e teve que tirar uma folga. "Você sabe como ele tem problemas com isso. Bem, sua esposa finalmente conseguiu convencê-lo a reduzir suas horas no trabalho. Ela herdou algum dinheiro e quer que eles tenham uma aposentadoria antecipada, viajem pelo Caribe, esse tipo de coisa". Emily franziu a testa. "Sua notícia emocionante é que Jack e sua esposa vão partir em um cruzeiro?" Daniel riu. "Sim!" "Eu não entendo", ela acrescentou, olhando com espanto para as expressões animadas de Chantelle e de Amy. "Qual é a graça? O que estou perdendo?" Daniel continuou. "Pense nisso", ele encorajou-a. "Ele precisará de alguém para administrar a carpintaria em sua ausência. Alguém para cuidar da oficina". Emily ofegou. "Quer dizer... você?" Chantelle não conseguiu mais se conter. Ela exclamou, alegre: "O papai foi promovido!" Emily colocou a mão sobre a boca. "Isso é incrível!" ela gritou. "Você merece". Ela não podia acreditar na sorte e pulou do banquinho, indo para trás de Daniel e abraçando-o com força. Daniel corou timidamente. Ele não aceitava elogios com facilidade. "Ele vai me dar um aumento e um novo cargo. Mas isso vai significar mais horas de trabalho", ele adicionou, parecendo muito sério. "Preciso ser o primeiro a chegar e vou precisar ser o último lá à noite para fechar tudo corretamente. Há equipamentos e produtos caros na oficina e Jack nunca deixa outra pessoa trancá-la, então, é meio que uma grande responsabilidade ele passar as rédeas para mim. Como resultado, meus turnos terão um padrão muito estranho. Jack nunca se importou em ir e vir da marcenaria a qualquer momento, mas agora que vou ter que fazer o mesmo, terei que me adaptar". Emily ainda não queria pensar em nenhuma das possíveis desvantagens da novidade. Turnos longos, responsabilidade extra relação à segurança e o inevitável estresse que causaria a Daniel eram coisas com as quais ela poderia lidar depois. Agora, queria manter a euforia causada pela boa notícia. "Estou tão orgulhosa de você", disse ela, pressionando um beijo na coroa da cabeça do marido. "Vocês deveriam fazer algo para comemorar", disse Amy, do outro lado da mesa. "Com certeza", concordou Emily. "Acho que devemos ir até a praia!" Chantelle sugeriu. "Bem, enquanto o tempo está assim, eu não vejo por que não", disse Emily. "Nós não devemos desperdiçar um tempo tão bom". Chantelle deu um soco no ar. Ela amava a praia, e atividades ao ar live em geral. Aceitava com prazer toda oportunidade de correr na natureza. "Amy?" Emily perguntou. "Você vem conosco?" Amy consultou o relógio. "Na verdade, eu preciso me encontrar com Harry em breve, então, não vou ter tempo". Emily não podia ter certeza, mas pensou ter notado uma nuance na voz de sua amiga, uma espécie de nervosismo. Ela se perguntou se havia algum um problema entre ela e Harry. Mas não tinha tempo para conversar agora. A família Morey estava em plena ação: Chantelle correndo em busca das coleiras dos cães, Daniel abrindo armários e pegando sacolas, suco de caixa e petiscos. Emily tocou a mão de Amy. "Vamos conversar mais tarde", disse ela. Amy assentiu, com uma expressão um pouco abatida. Então, Emily foi arrastada no caos de sua família, como um tornado girando em torno dela e puxando-a para dentro. "Vamos! Para a praia!" CAPÍTULO DOIS A praia estava incrivelmente linda sob a luz do sol. Emily mal podia acreditar que estava tão ensolarado naquela época do ano, um clima quente e luminoso quanto em qualquer dia de verão. Eles caminharam juntos, deixando ambos os cachorros sem coleira, para que pudessem correr livremente e latir para as ondas que quebravam na praia. Quando encontraram um bom lugar para sentar, Daniel ajudou Emily a se acomodar na areia. Ela se sentou de pernas cruzadas, com a barriga de grávida aninhada confortavelmente dentro de suas pernas. Chantelle dava saltos, querendo aproveitar ao máximo o que parecia ser sua última chance de curtir a praia este ano. Daniel pegou a mão de Emily e acariciou-a com ternura. "Como você se sente sobre a minha promoção?" ele perguntou. "Está preocupada com as horas extras, que vão me manter longe de casa?" "Bem, de quanto tempo estamos falando?" Emily perguntou. Ela estava pronta agora para saber mais sobre os detalhes, para considerar os desafios que eles podem ter que enfrentar. "Jack abre a oficina às oito", começou ele. "Mas esse não é o problema. Estou acostumado a começar cedo e vai se encaixar na correria da escola. Minha maior preocupação é a marcenaria. Às vezes, recebemos um pedido grande e não temos muito tempo para fazê-lo. Antes, quando eu era apenas um funcionário, eu era um entre muitos e, no máximo, adicionaria uma ou duas horas extras a cada dia de trabalho. Nós podíamos compartilhar o fardo. Mas como vou ser o único a supervisionar o uso dos equipamentos e o único responsável pela garantia da qualidade, precisarei estar no local durante a produção de cada pedido, supervisionando tudo até a conclusão, como Jack costumava fazer. Você sabe que podem ser longas horas. Bem, agora não vou mais fazer parte do padrão de turnos. Eu ficarei encarregado disso e espero estar lá durante os períodos de maior movimento". Quanto mais Daniel falava sobre o assunto, mais Emily podia sentir a ansiedade aumentar. A promoção veio num momento muito ruim. A ideia de Daniel não estar lá quando ela entrasse em trabalho de parto a preocupava. E a licença-paternidade? Será que ele conseguiria alguma coisa? Mas, apesar da ansiedade, ela estava explodindo de felicidade por ele. Também estava extremamente orgulhosa de Daniel e não queria diminuir a alegria dele de forma alguma. Ele havia alcançado muita coisa desde que ela o conheceu. E, além disso, ela tinha Amy por perto para lhe dar apoio. "Estou muito feliz por você", disse ela. "Você merece, depois de trabalhar tanto". "Nós certamente poderíamos fazer muita coisa com o aumento", Daniel respondeu, tocando suavemente a barriga de Emily com a mão sobressalente. "Já que em breve teremos mais bocas para alimentar". Emily sorriu e suspirou, satisfeita. Apesar das dificuldades que enfrentava, ainda estava ansiosa pelo futuro, para conhecer Charlotte. Quando Daniel falou novamente, ele pareceu um pouco melancólico. "Mais responsabilidade significa mais estresse. Espero ainda ter energia suficiente para passar tempo com as crianças". "Você vai se sair incrivelmente bem", Emily o encorajou. "Eu sei que vai". Embora capaz de desempenhar o papel de "esposa que apoia" externamente, Emily ainda estava bastante ansiosa sobre a mudança no trabalho de Daniel. Ele tinha a tendência de deixar o estresse afetá-lo ou de se sentir sobrecarregado pelo que esperavam dele. Era algo que ela admirava nele. Mas também poderia ser em detrimento da família, porque às vezes parecia que ele colocaria quase tudo antes delas. Nem sempre era fácil para Emily lembrar a si mesma que o motivo pelo qual ele às vezes colocava outras coisas em primeiro lugar era para elas – para ela, Chantelle, a pousada e, é claro, para Charlotte. "Eu me pergunto por que Jack não promoveu um dos outros funcionários", Daniel perguntou em voz alta. "Sou relativamente novo lá em comparação com alguns dos mais antigos". "Provavelmente porque você é novo", disse Emily. "Porque você vai trabalhar duro para sua família. Ou talvez porque ele saiba que você tem talento para fazer isso sozinho". Daniel franziu a testa. "O que você quer dizer?" "Quero dizer que você poderia facilmente abrir sua própria marcenaria. Até temos espaço para isso. Nós poderíamos converter um dos celeiros, afinal. E você adquiriu muita experiência na fabricação de móveis. Você fez o berço para Charlotte no seu tempo livre, e ficou fenomenal! As pessoas pagariam muito por algo assim, um berço exclusivo para seu bebê. Você precisa ver o preço da minha poltrona de amamentação!" Ela riu, lembrando-se dos milhares de dólares que Amy tinha jogado na poltrona de balanço e no banquinho para ela. Daniel, por outro lado, estava quieto. Sua expressão era meio sonhadora e distante. "No que você está pensando?" Emily perguntou. Ele saiu do devaneio. "Eu só estava pensando que você pode estar certa sobre Jack me promover para me manter lá, porque não quer me perder". "Posso estar certa?" Emily brincou. "Eu definitivamente estou certa! Você pode administrar um negócio de móveis para crianças sob medida. Ou pode até mesmo fazer barcos, se quiser. Você tem o talento para fazer qualquer coisa que se propuser a fazer". Era óbvio para Emily, mas Daniel parecia atordoado, como se a ideia nunca tivesse passado pela sua cabeça. "Eu nunca pensei nisso dessa forma", ele disse. "É apenas um trabalho para mim, sabe?" "Apenas um trabalho! Você é humilde demais, às vezes", Emily continuou. "Quantas pessoas você realmente acha que têm esse tipo de habilidade? Você tem talento, Daniel. Só precisa pensar grande, às vezes". Em vez de se sentir encorajado por essas palavras, Daniel pareceu recuar. "Eu penso grande", ele murmurou, defensivamente. "Eu não sou tão bom quanto você pensa que sou". "Não sou só eu", Emily disse a ele, gentil. "Jack obviamente pensa assim também". Ela não queria forçar a barra. Queria apenas que Daniel entendesse que ele tinha talento e que isso poderia levá-lo longe. Mas ele parecia estar encolhendo, definhando sob o peso da percepção da esposa. Em silêncio, Daniel baixou os olhos, pegando pedrinhas e jogando-as pela praia. Então, o celular de Emily começou a tocar. Ela suspirou, por um lado aliviada por ter sido salva pelo gongo, mas por outro frustrada por ter perdido a chance de chegar ao fundo da aparente mudança de humor de Daniel. Ela remexeu na bolsa e pegou o celular. Surpresa, viu que que era o corretor imobiliário da ilha. O aparelho brilhava para ela como um farol. "São eles!" exclamou em voz alta, sentindo o coração acelerar. Daniel levantou os olhos e parou de arremessar as pedras. Na beira da praia, Chantelle se virou ao ouvir a voz de Emily. "É o corretor!" Emily gritou para a filha. Os dois cães espelharam os movimentos da menina, e os três correram pela praia em direção a Emily, levantando nuvens de areia atrás de si. Assim que Chantelle alcançou Emily, ela parou, e os cachorros ficaram correndo em círculos em volta da família, com os pelos molhados com água salgada, latindo como se entendessem instintivamente que algo empolgante estava prestes a acontecer. Com a respiração irregular, Emily atendeu à ligação e ativou o viva-voz. A família se inclinou, olhando para o celular com expectativa. Era como se o pequeno aparelho de plástico contivesse o futuro deles em seu poder. "Estamos todos aqui", explicou Emily. "Na expectativa. Então, quais as novidades?" Desde que eles fizeram a oferta, Emily se preparou para o pior. Na verdade, ela praticamente se convenceu de que aquilo não aconteceria, que eles não iriam conseguir comprar a ilha. Não era o tipo de coisa que acontecia com pessoas normais. Mas, apesar de dizer a si mesma repetidamente que isso não ia acontecer, ela foi incapaz de amortecer a faísca de animação que sentia, aquela gota de esperança que desafiava a parte pessimista de sua mente com um simples mantra: e se… A corretora falou, com uma voz entrecortada. "É uma boa notícia", disse ela. "A oferta foi aceita. A ilha é sua!" Emily não podia acreditar no que acabara de ouvir. A estática na linha fez com que ela ouvisse o que queria? Mas quando olhou para Daniel, ela viu seus olhos brilhando de surpresa e alegria. Quando Chantelle começou a pular, agitando os braços, Emily sabia que não havia dúvida. Os cachorros começaram a latir por causa da euforia de Chantelle, saltando com as patas encharcadas, deixando marcas de areia molhada na roupa dela. "Sério?" Emily gaguejou, esforçando-se para ouvir a voz abafada através de toda a comoção. "Nós realmente conseguimos?" "Conseguiram sim", respondeu a corretora. Emily podia ouvir o sorriso na voz dela. "Claro que ainda há alguns documentos para assinar e arquivar. Mas vocês podem visitar a ilha quando quiserem, enquanto isso". Ela terminou com uma risada. Emily ficou tão surpresa que não conseguiu encontrar as palavras. Daniel assumiu, inclinando-se para mais perto do celular, colocado entre eles. "Você quer dizer que podemos ir até lá agora?" ele perguntou, com o olhar fixo em Emily ao invés de no telefone. "Como os donos oficiais?" Do viva-voz, veio a voz da corretora, baixa e robótica, "Na verdade, podem sim". Chantelle se agachou e jogou os braços ao redor do pescoço do pai, tão feliz que quase o derrubou no chão. "Vamos para a ilha agora!!", ela gritou no ouvido dele. Daniel estremeceu, mas sorria largamente. Os braços de Chantelle estavam em volta do pescoço dele como os tentáculos de um polvo e ele levantou as mãos para soltar o aperto dela enquanto levantava as sobrancelhas para Emily. "O que você acha? Vamos dar uma olhada na ilha, já como donos?" Emily tocou sua barriga, sentindo a forma da bebê. Ela estava ficando cada vez mais protetora à medida que as semanas passavam, não querendo submeter a filha em crescimento a qualquer contratempo. Mas o mar estava calmo hoje, e ela tinha certeza de que não sentiria nenhum enjoo no passeio. "Vamos sim", disse ela. Chantelle gritou de alegria. Daniel se inclinou para o telefone, quase gritando agora por causa do barulho dos cães e da criança, esforçando-se para se manter calmo enquando Chantelle o puxava com toda a sua animação. "Você nos deixou extremamente felizes", disse ele. "Obrigado por tudo." "Por nada, Sr. Morey", respondeu a corretora. Eles encerraram a ligação e Emily e Daniel ficaram parados, com expressões atônitas, igualmente perplexos, enquanto absorviam sua nova realidade. Chantelle se virou, jogando suas coisas ao acaso em uma sacola, movendo-se num ritmo mais acelerado. "Vamos", ela gritou. "Vamos lá!" Daniel entrou em ação, ficando em pé e ajudando Emily a se levantar. O porto estava a uma curta distância, mas Emily sabia que teria que ir devagar. Chantelle correu na frente com os cachorros, parando periodicamente para apressá-los, mas na verdade dobrando a distância que estava cobrindo em comparação a Daniel e Emily. No caminho, passaram por Cynthia e Jeremy, andando de bicicleta. "Nós compramos uma ilha!" Chantelle gritou para eles quando passaram, acenando. Cynthia franziu a testa. "Parece que ouvi você dizer uma ilha?" ela gritou de volta. "Eu disse!" Chantelle gritou, pulando. Emily riu. Ninguém ia acreditar no que eles fizeram, que haviam comprado uma ilha na costa do Maine! Ela mal podia acreditar. "Olha, é Amy e Harry!" Chantelle gritou, de repente. Emily apertou os olhos, olhando mais adiante, e viu que o casal apaixonado estava sentado em um banco na beira do porto, profundamente envolvidos numa conversa. Parecia até um tanto intensa demais, pois Amy estava inclinada e gesticulando, enquanto Harry sacudia a cabeça enfaticamente, com o que parecia uma expressão séria no rosto. Emily se perguntou novamente o que estava acontecendo com os dois. Parecia que estavam discutindo. "Você acha que eles vão querer vir conosco para ver a nossa ilha?" Chantelle perguntou. Emily estava prestes a dizer-lhe para deixá-los em paz, mas antes que tivesse a chance de responder, a menina já havia se apressado. Chantelle parecia estar numa missão e o passo de gestante de Emily era muito lento para acompanhar. Ela viu Chantelle alcançá-los e viu quando eles se separaram, chocados com a interrupção. Ela não podia ouvir nada daquela distância, mas podia ver os falsos sorrisos em seus rostos, e os olhares tensos por trás. Quando ela e Daniel chegaram ao trio, Chantelle já havia dado a notícia. Amy se virou e abraçou Emily. "Você é maluca, sabia?" disse a amiga. "Uma ilha?!" "É uma extensão da pousada", Emily tentou explicar. "Mas você acabou de reformar a casa de Trevor". Amy riu. "E ainda vai abrir um spa e um restaurante". Ela gesticulou para Harry, que seria o gerente do novo restaurante assim que ele abrisse. Seus olhares se encontraram, e seus sorrisos eram claramente fingidos, então, Amy desviou o olhar rapidamente. Mas não rápido o suficiente para Emily não perceber. Ela conhecia sua amiga muito bem. Definitivamente havia algo acontecendo entre ela e Harry. A naturalidade que normalmente existia entre eles deu lugar à tensão. Ela se perguntou o que poderia ser. De repente, Chantelle interrompeu a conversa com gritos de "Vamos, vamos lá!" A menina perdeu a paciência com a conversa "chata" dos adultos, e começou a puxar a mão de Amy. "Por favor, podemos ir para a ilha agora?" Daniel se dirigiu a Harry. "Vocês dois são bem-vindos para vir junto conosco. Como você está quase na nossa folha de pagamento agora, faz sentido conhecer o lugar!" Harry sorriu. "Eu mal posso esperar pela inauguração do restaurante Trevor", disse ele. "Estou pronto para mergulhar de cabeça!" "Fico feliz em ouvir isso", Emily respondeu, radiante. "Então, o que acham? Topam um passeio até a ilha?" Ela não tinha certeza se o convite seria bem-vindo, especialmente após deduzir que eles haviam interrompido uma discussão. Amy, pelo menos, claramente não estava com o humor para isso, mas Harry falou primeiro, silenciando-a antes que a namorada tivesse a chance de recusar. "Com certeza", disse ele. "Não temos mais nada para fazer hoje, não é, Ames?" Amy olhou rapidamente para Harry, e Emily viu a exasperação em seus olhos sobre o que quer que tenha sido deixado sem solução entre eles. "Claro", Amy respondeu, com um tom excessivamente alegre, como se estivesse fingindo alegria pelo bem de todos. Ela sorriu para Emily, mas não conseguiu esconder de sua melhor amiga a preocupação em seus olhos. Seu sorriso vacilou, como se tivesse percebido que ela havia sido pega fingindo. Pelo menos a felicidade dela parecia genuína quando passou um braço pelos ombros de Chantelle, pensou Emily. "Quero ver em que loucura você se meteu agora!" Ela olhou para Emily por cima da cabeça de Chantelle. "Você está bem?" Emily mexeu os lábios, mas sem emitir nenhum som. Amy assentiu uma vez, decidida, depois respondeu da mesma forma: "Mais tarde eu falo". Qualquer que fosse a atmosfera que Emily tenha percebido entre Harry e Amy, ela estava certa em pensar que havia algo errado. Preocupava-se com a amiga e decidiu conversar com ela a sós para chegar ao fundo da questão. Mas, por enquanto, Emily preferiu se concentrar em seu próprio momento feliz; um passeio de barco com amigos e familiares para a ilha dos seus sonhos. CAPÍTULO TRÊS O sol brilhava sobre a superfície da água enquanto o barco cortava o mar calmo. Enquanto subia e descia ao sabor das ondas, Emily protegeu sua barriga com as mãos. Felizmente, ela não se sentiu enjoada. "Acho que nunca levamos tantas pessoas no barco", comentou Chantelle. "Quatro adultos, uma criança, dois cachorros. E um bebê na barriga da mamãe, é claro". Emily riu. "É uma aventura e tanto", ela concordou. Amy ficou quieta durante o trajeto, com os braços cruzados no meio do corpo, o rosto virado para o oceano. Parecia estar em profunda contemplação. Ela estava claramente perdida em seus pensamentos, e Emily se perguntou de novo o que estava acontecendo. Estar no mar, Emily descobrira, convidava à reflexão silenciosa nos melhores momentos e podia facilmente levar a mente a uma crise existencial. Ela observou sua amiga com ansiedade. Harry, por outro lado, ou não tinha nada em mente ou era muito bom em esconder. Ele estava conversando abertamente com Daniel e Chantelle sobre os tipos de peixes que poderiam ser capturados no mar, sobre seus planos para a ilha e passeios de barco em geral. "Agora que temos um destino para passear de barco, podemos navegar com muito mais frequência", dizia Daniel. "Vamos transportar pessoas para cá o tempo todo, para festas e piqueniques". "Parece incrível", Harry disse, com seu jeito alegre habitual. Chantelle olhava para o pai com muita atenção. "Podemos passar o Dia de Ação de Graças aqui?" ela perguntou, com os olhos arregalados. "Duvido muito", respondeu Daniel. "Levará muito tempo para instalar o poço, instalar o encanamento e os geradores de energia solar. Requer muito mais do que alguns meses de trabalho, e o clima de inverno que chegará em breve não vai ajudar. Desculpe, filha, há muito a fazer entre agora e o Dia de Ação de Graças para que isso seja uma possibilidade". Chantelle fez beicinho, parecendo abatida. "Mas podemos visitar a ilha sempre que o clima permitir", disse Emily. "E como não vamos mais velejar em círculos, porque agora temos um lugar para ir, acho que poderemos passear de barco mais vezes". Chantelle ponderou as palavras da mãe por um momento, e voltou a ficar alegre. Emily sorriu para Daniel. Ele parecia aliviado por ela ter lidado com a situação tão bem e Emily sentiu uma onda de orgulho. Seus instintos maternais pareciam estar se aguçando à medida que a data do parto se aproximava. Depois de um tempo, chegaram à ilha e ao antigo cais em que mal dava para ficar de pé. A placa apagada que anunciava que a ilha estava à venda ainda estava lá. "Você pode começar derrubando esta placa!" Emily disse a Chantelle. Chantelle não precisou ouvir duas vezes. Ela saltou do barco, correu para a placa e arrancou-a do chão. Enquanto amarrava o barco, Daniel gesticulou para uma pilha de velhos caixotes de pesca apodrecendo. "Coloque ali. Podemos fazer uma fogueira". A ideia de uma fogueira pareceu animar Chantelle. Ela começou a pular, entusiasmada. Emily afastou-se com cuidado do barco para a terra firme, tentando absorver a estranha realidade de que agora possuía esta ilha, que agora era dela. Diferentemente da pousada, que havia herdado, e da casa de Trevor, que lhe foi dada de presente, esta era a primeira coisa que ela realmente comprara, ela e Daniel, juntos. Era deles, e a relevância esmagadora disso a impressionou ainda mais profundamente agora que estava em pé em sua praia. Atrás dela, Amy e Harry saíram do barco. Ambos pareciam confusos enquanto olhavam para eles na ilha rústica e coberta de vegetação, com destroços espalhados de tempos passados. Amy, em particular, deve ter pensado que Emily tinha enlouquecido comprando aquela ilha deserta, cheia de esquilos e pássaros. Se ela achava que Sunset Harbour era pouco civilizada, o que deveria pensar sobre a ilha? "Eu sei que não há muito para ver, no momento", confessou Emily. "Mas há muito potencial". "Claro", disse Amy, parecendo perturbada, enquanto caminhava com cuidado ao longo do terreno irregular. Suas roupas sofisticadas pareciam mais fora de lugar do que o habitual. "Vocês querem fazer um tour?" Emily perguntou. Harry assentiu entusiasticamente, mas Amy apenas confirmou meio sem graça. "Eu mostro a vocês!" Chantelle gritou. Ela liderou o caminho, guiando Harry e Amy entre as árvores. Seus passos e vozes pertubaram os esquilos negros que habitavam a ilha, fazendo-os correr pelas árvores. Enquanto Emily caminhava atrás deles, mais devagar por causa da barriga, podia ouvir Chantelle animadamente dando informações. "Vamos ter uma casa na árvore aqui", disse Chantelle. "Vai ser na forma de navio pirata, para eu e Charlotte brincarmos. E ali será o salão de baile mágico, do castelo de fadas". Daniel, tendo acabado de prender o barco, aproximou-se de Emily e ajudou-a a atravessar os matagais. Eles caminhavam atrás dos outros, enquanto Emily ofegava ligeiramente pelo esforço e alegria por estar ali. Amy levantou as sobrancelhas quando eles se aproximaram, surpresos e interessados. "Você fará todo o trabalho sozinho?" ela perguntou a Daniel. "Parece que há muito a fazer. É coisa demais para um homem só, especialmente um que em breve será pai". Emily sorriu internamente; sua amiga sempre se preocupava com ela e sabia como era difícil para Emily quando Daniel estava longe de casa. "Não!" Daniel exclamou com uma risada. "Temos ótimos empreiteiros para isso. Dois jovens, recém-saídos da faculdade. Eles estão desesperados para aumentar o portfólio, por isso, posso esperar grandes coisas dos dois". "E, além de navios piratas e castelos mágicos", disse Harry, "onde estarão as partes da pousada mesmo?" "Bem, haverá um chalé de três quartos que queremos começar como uma espécie de retiro para artistas, escritores. Tracy também vai fazer alguns workshops de ioga na ilha, como retiros de um dia inteiro". "Parece fantástico", disse Harry. "Quanto você acha que pode construir no inverno?" "Depende do tempo", disse Daniel. "É uma pena termos demorado tanto para comprar, realmente. Este verão fora de época poderia ter nos dado uma vantagem inicial, mas tenho certeza que terá acabado na época em que tivermos organizado todos os equipamentos e materiais". Pensar no futuro fez Emily se preocupar. A ilha não era mais uma fantasia ou um sonho. Era real. Agora, tudo tinha que ser prático. Havia muito para organizar e pagar, vários componentes que precisavam estar no lugar. Eles mal terminaram as reformas na casa de Trevor. Parecia um pouco como se tivessem pulado da frigideira para o fogo! Mas, ainda assim, Emily estava muito animada. Não acreditava que ela e Daniel tinham tido coragem de comprar a ilha. Não só foram corajosos o suficiente para ter uma filha juntos, eles foram corajosos o suficiente para seguir seus sonhos, não importa o quão louco eles possam parecer. Emily sorriu internamente, sabendo que, acima de tudo, eram um time e que, unidos, eram indestrutíveis. "Agora, vamos acender uma fogueira", disse Daniel, esfregando as mãos ansiosamente. "Chantelle, você pode coletar pedaços de madeira na praia?" Ela assentiu e saiu apressada, sempre precisando de uma tarefa, sempre querendo fazer sua parte para ajudar. Então, Daniel puxou um pacote de marshmallows do bolso da jaqueta. Emily riu com prazer, sabendo o quanto Chantelle ficaria feliz quando voltasse de sua ida à praia para descobrir o plano de Daniel de assar marshmallows na fogueira. "Você deveria ter trazido o seu violão!" Emily disse. Mas Daniel apenas sorriu e beijou-a carinhosamente. "Haverá muito mais oportunidades para cantar ao redor da fogueira", disse ele, com um olhar sonhador. "Você, eu e as meninas". Emily olhou para ele, impressionada pelo homem que ele era, pela beleza do marido e muito animada com seu futuro juntos, com todas as aventuras que estavam por vir. * Com as bocas pegajosas com marshmallow derretido, barrigas e bochechas doendo de rir, o pequeno grupo voltou para o barco. Daniel havia dito que era hora de ir, argumentando que o sol logo ia se pôr. E, além disso, não havia encanamento na ilha ainda e a bebê Charlotte tinha uma tendência a ativar a bexiga de Emily regularmente, então, ela ficaria aliviada por estar voltando para perto de um banheiro. Quando chegaram à raia principal, Daniel encontrou seu lugar no porto. Havia muito poucos navios na água naquele período, embora muitos mais do que o habitual, nesta época do ano. Todos aproveitavam o tempo quente, navegando o máximo que podiam antes do inverno chegar e roubar-lhes aquele prazer. "Obrigada pelo passeio inesperado para a sua ilha", disse Amy, abraçando Emily para se despedir. "Acho que nunca vou me acostumar com essa loucura". Emily sorriu para ela, afastando os fios de cabelo dos seus olhos. "Quando podemos sair apenas nós duas?" ela perguntou. Embora Amy estivesse sempre por perto, elas sempre estavam cercadas de pessoas. Emily não conseguia se lembrar da última vez que puderam ter uma boa conversa, e percebeu que Amy precisava de alguém para conversar agora. "As aulas de Chantelle recomeçam amanhã", acrescentou Emily, "e teremos mais tempo livre e privacidade. Que tal tomarmos café no Joe depois de deixá-la na escola?" Amy assentiu e Emily notou o olhar de alívio em seus olhos por saber que finalmente seria capaz de desabafar o que quer que estivesse em sua mente. Eles se separaram de Amy e Harry, após vários abraços, e depois voltaram lentamente para a pousada, exaustos com o longo dia. Até os cachorros estavam arrastando as patas. "Estou cansada", disse Chantelle, bocejando, enquanto passavam pela entrada da garagem. À frente deles, estava a pousada, recortada contra um profundo céu azul. Suas janelas emitiam uma luz amarelada, parecendo estrelas cintilantes àquela distância. Emily sorriu, satisfeita. Ver a pousada sempre lhe dava uma sensação de paz e a fazia se sentir em casa. "Vamos jantar primeiro e depois você pode ir para o seu quarto", disse Emily. "É o seu primeiro dia de aula amanhã, então, precisa dormir bem". Chantelle parecia um pouco triste. "O verão já acabou?" Emily assentiu. "Temo que sim, querida. Mas não se preocupe, você adora a escola! Você verá Bailey e Toby todos os dias novamente. E Gail". "A Srta. Glass ainda será minha professora?" Chantelle perguntou. Emily balançou a cabeça. "Você estará em uma nova série, com uma nova professora. Isso te preocupa?" Chantelle fez uma pausa, sua expressão mostrando que ela estava refletindo. "Não", ela disse, por fim. "Eu ainda vejo a Srta. Glass no parquinho às vezes". Emily sorriu, em seguida, olhou para Daniel pelo canto do olho. Ele estava sorrindo também. Entraram na pousada, no vestíbulo luminoso, quente e acolhedor. Bryony estava no lounge lateral, em seu sofá favorito, cercada por canecas de café meio cheias, como de costume. Ela deu um salto quando os viu, com suas pulseiras de metal balançando, e correu até eles. Seu perfume cheirava a especiarias. "Gente, eu não posso acreditar!" Ela se emocionou. "Uma ilha!" Ela abraçou Emily. "Você sabia que existem pouquíssimas ilhas no mundo da hotelaria? Esta vai ser uma mina de ouro!" "Fico feliz em ouvir isso", Emily respondeu. "Ou seria um erro muito caro". Daniel e Chantelle foram até a cozinha para preparar a comida. Emily decidiu dirigir-se ao quarto do bebê enquanto cozinhavam. Ela queria examinar outra das caixas de Charlotte para ver se havia algum brinquedo que pudesse passar para o bebê. Entrou no quarto e sentou-se no chão, ao lado de uma das muitas caixas que continham brinquedos e roupas velhas da irmã, trazidas do sótão, onde estavam guardadas cuidadosamente. Esta tarefa sempre era tingida de melancolia. Embora Emily sentisse que o espírito de Charlotte estava com ela na casa, sorrindo para ela e para a família que construiu, sempre parecia que ela desaparecia mais a cada dia que passava. O tempo deveria diminuir a dor, mas Emily sentia que, quanto mais dias passava sem a irmã, mais sentia falta dela, porque a última vez em que se falaram ficava um pouco mais longe, no passado. Ela abriu a caixa de papelão, levantando um cheiro de poeira. Como a maioria das caixas, esta estava cheia de bichos de pelúcia. Ela ficou surpresa ao ver que Charlotte possuía tantos. Quase não tinha lembranças de sua irmã brincando com ursinhos ou bonecas. Elas passavam a maior parte do tempo imaginando mundos e interpretando peças teatrais. Além de suas bonecas de pano gêmeas e do urso favorito de Charlotte, Andy Pandy, Emily não conseguia se lembrar delas brincando com aqueles bichinhos. Mas quando tirou um brinquedo rosa desbotado da caixa, Emily sentiu uma súbita onda de lembranças. Ela virou o brinquedo e viu que era um unicórnio, com um chifre de lantejoulas, outrora brilhante, agora meio opaco. "Uni", ela murmurou em voz alta, pois o nome do brinquedo surgiu em sua língua antes que sua mente tivesse sequer entrado em ação. Então, de repente, teve uma sensação familiar de turbilhão, uma que não sentia há muito tempo. Ela estava deslizando de volta ao passado, em suas memórias. Os flashbacks começaram assim que ela retornou pela primeira vez à pousada. Eles eram aterrorizantes no começo, memórias assustadoras, como a noite em que Charlotte morrera e as discussões furiosas entre os pais dela. Mas então, com o passar do tempo, enquanto processava essas memórias reprimidas, Emily começou a experimentar algumas das mais agradáveis. Tempos em que ela e Charlotte brincaram juntas; sem preocupação. Aquela lembrança encheu Emily de uma sensação de calma, e ela sabia que seria agradável. Ela e Charlotte estavam no sótão, em um dos cômodos que seu pai enchera de objetos antigos. No chão, ao lado delas, havia um globo de bronze, e Charlotte estava girando-o com um dedo. Sentado ao lado de Charlotte estava Uni, o lindo unicórnio. Novo em folha, fofo, rosa, com um chifre de lantejoulas. "Uni está triste", disse Charlotte a Emily. "Por quê?" Emily perguntou, curiosamente, ouvindo a voz de uma criança saindo de sua garganta. "Porque ela é o último unicórnio que existe", explicou Charlotte. "Ela não tem outros amigos unicórnios." "Isso é triste", Emily respondeu. "Talvez fosse bom levá-la em uma aventura para fazê-la se sentir melhor?" Charlotte pareceu se animar com a sugestão. "Aonde você quer ir, Uni?" ela perguntou a seu brinquedo. Então, girou o globo dourado e parou com um dedo apontado. Era uma pequena ilha a leste do continente americano. "Uni quer ir para uma ilha", Charlotte disse a Emily. Emily assentiu. "Nesse caso, é melhor entrarmos no barco". Elas puxaram velhas cadeiras e mesinhas de centro, perturbando a poeira e agitando o cheiro de mofo, então, arrumaram-nas de uma forma parecida com um barco. Usaram uma cortina surrada como vela e subiram em sua embarcação com Uni. Emily quase podia sentir o vento em seus cabelos enquanto navegavam pelo oceano até uma praia distante. Charlotte usou um caleidoscópio como telescópio, examinando o sótão como se estivesse à procura de algo. "Terra à vista!" gritou de repente. Emily jogou a âncora — que, na verdade, era um cabide de madeira amarrado a uma corda de cortina. Então, saltaram do barco e nadaram até a praia. Ofegando pelo esforço, as duas meninas começaram a explorar a ilha, espiando por entre as pilhas de antiguidades, fingindo que era um vulcão. "Olhe aqui", Charlotte gritou para Emily. "Lá no fundo do vulcão!" Emily espiou atrás do suporte de chapéus para o qual Charlotte apontava. "Não acredito!" ela exclamou, entrando na brincadeira. Os olhos de Charlotte estavam arregalados. "São os outros unicórnios", ela disse. Então, falou apressadamente com Uni. Ela ficou triste. "Uni quer descer pelo vulcão, para ficar com eles", ela falou para Emily. "Ah", Emily disse, um pouco triste. "Mesmo que isso signifique nos deixar?" Charlotte olhou para sua querida amiga unicórnio e assentiu. "Ela diz que esta é sua ilha natal. Ela sente muita falta de todos os seus amigos. Ela quer morar aqui. Mas nós temos permissão de visitá-la". "Tudo bem, então", disse Emily. Elas amarraram as mangas de seus cardigãs para fazer uma cadeirinha para Uni. Então, foram baixando o unicórnio pela parte de trás do móvel e a deixaram lá. "Você está triste em dizer adeus?" Emily perguntou a Charlotte enquanto voltavam para o barco improvisado. A menina balançou a cabeça. "Não. Porque sei que nos veremos novamente". Emily repentinamente voltou ao presente. Ela estava segurando Uni firmemente contra o peito, e a cabeça do brinquedo estava molhada com suas lágrimas. Por um lado, sentia-se desesperadamente triste, porque sabia que Charlotte nunca tivera a chance de ver Uni novamente. Mas a outra parte dela se sentia animada e alegre. O brinquedo era um sinal de Charlotte, Emily tinha certeza. Uni havia sido deixado naquela ilha, na parte de trás da mobília, completamente esquecido até aquele momento, talvez até especificamente para este momento. Ela abraçou Uni com força, em seguida, colocou-a, dolorosamente, na prateleira com vista para o berço da bebê Charlotte. Sentiu o círculo da vida continuando e sorriu, sabendo que, assim que Charlotte chegasse, ela teria um anjo da guarda guardando-a enquanto dormia. * Emily se aconchegou na cama ao lado de Daniel. Foi um dia longo e cansativo, e ela caiu no sono rapidamente. "Eu não posso acreditar que nós temos uma ilha", ela murmurou na escuridão, quando começou a adormecer. "Meu futuro não parece nada com o queeu pensei que seria". Daniel soltou uma risada sonolenta. "Como assim?" "Bem, eu nunca pensei que estaria casada e grávida. Eu nunca pensei que teria Chantelle, ou esta pousada". Ela acariciou o peito de Daniel enquanto ele subia e descia lentamente. "Eu nunca pensei que eu teria Chantelle ou a pousada também", respondeu ele. "Mas você está feliz por isso?" "Claro". "Você está feliz por termos outra menina?" Ele beijou sua testa. "Estou muito feliz", ele assegurou. "E que nossa filha vai voltar para a escola amanhã, onde ela está indo fabulosamente bem?" Daniel riu novamente. "Sim. Fico feliz que Chantelle esteja indo bem na escola". Emily sorriu, satisfeita. Parecia prestes a pegar no sono. "Só estou triste com uma coisa", disse ela. "O que é?" "Que meu pai não vai estar aqui para aproveitar tudo isso com a gente". Daniel ficou em silêncio. Ela sentiu os braços dele a apertarem. "Eu sei", disse ele. "Estou triste com isso também. Mas vamos aproveitar ao máximo o tempo que temos com ele agora. Vamos garantir que todos os dias sejam tão bons quanto possível. Vamos fazer cada dia valer a pena". Emily assentiu. "Acho que fizemos hoje valer a pena", disse ela, bocejando. "Nós compramos uma ilha, afinal. Não é todo dia que isso acontece". Ela sentiu o peito de Daniel estremecer com uma risada. Ela se apertou ainda mais contra ele, feliz e repleta de amor. Nos braços um do outro, com os batimentos cardíacos sincronizados. Adormeceram em uníssono, em perfeita harmonia, duas pessoas unidas pelo amor. CAPÍTULO QUATRO Emily deu um último gole no café descafeinado e colocou a caneca na mesa da cozinha. Ela dormiu profundamente, mas acordou sentindo-se meio grogue — em parte por causa do despertador estar definido para uma hora antes do que ela tinha se acostumado durante o verão — e ela gostaria de poder tomar uma dose de cafeína de verdade. Era provavelmente a coisa que ela mais ansiava fazer assim que Charlotte nascesse, a coisa que ela mais sentia falta e que mais desejava. Ela observou Daniel com inveja enquanto ele bebia seu café do outro lado da mesa. "Certo, querida", disse Emily por fim, olhando para Chantelle. "É hora de ir para a escola". Chantelle estava debruçada sobre uma pilha de peças de relógio, com a ponta da língua saindo do canto da boca, de tão concentrada. Havia uma tigela vazia de cereal ao seu lado, descartada a esmo para que ela pudesse prosseguir com sua tarefa. "Não posso ter mais cinco minutos?" ela perguntou, tão absorta que nem sequer olhou para cima. "Eu só preciso descobrir onde colocar esta engrenagem". Desde que voltou da Inglaterra, Chantelle estava determinada a fazer um relógio como o vovô Roy. Emily pensou que era muito doce Chantelle se inspirar tanto no avô, mas também partia seu coração, ao mesmo tempo. Ela e Daniel ainda não haviam contado a Chantelle a notícia da doença do avô; e a menina ficaria totalmente arrasada quando o perdesse. Todos ficariam. Daniel assumiu o comando. "Não, desculpe, querida. Você precisa chegar na hora para conhecer sua nova professora e novos colegas". Chantelle baixou a chave de fenda com um suspiro relutante. "Tudo bem". Emily desejou poder convencer Chantelle a fazer seu trabalho oleoso em algum lugar mais apropriado — a garagem, ou no barracão, ou praticamente em qualquer lugar que não fosse a mesa da cozinha. Mas Chantelle não ia querer. Seu avô consertava relógios na mesa da cozinha, então, Chantelle queria fazer igual! Todos se dirigiram para a picape e Daniel assumiu a direção, já que Emily estava achando muito desconfortável encaixar sua barriga cada vez maior atrás do volante. Chantelle pulou no banco de trás do carro. "Mal posso esperar até que Charlotte venha conosco para a escola", disse ela, olhando para a cadeirinha de bebê que haviam instalado recentemente (por recomendação de Amy, é claro, já que nunca se sabe quando o bebê pode decidir nascer e a última coisa que você vai querer fazer é tentar instalar uma cadeirinha complicada durante as contrações). "Eu também", disse Emily, descansando as mãos sobre sua barriga volumosa. Parecia estar ficando mais desconfortável a cada dia que passava. "Primeiro, ela só estará passeando, mas não demorará muito para ela entrar por aquelas portas com você", disse Daniel, com uma risada. "Ela vai estar no jardim de infância num instante". Emily se sentiu melancólica ao pensar nisso. Ela sabia o que Daniel queria dizer, que o tempo passava rapidamente, que eles deveriam apreciar cada momento, porque desapareceria como a areia passa por uma ampulheta. Mas o futuro ao qual Daniel estava se referindo era também um em que o pai dela já teria falecido. Ele não estaria lá quando Charlotte começasse o jardim de infância. Ele nunca iria ver as numerosas fotos que Emily tiraria das duas meninas indo para a escola juntas, de mãos dadas. Esse futuro, embora ela estivesse ansiosa para viver, por um lado, também seria repleto de pesar, por outro. Ela seria uma pessoa diferente, mudaria irremediavelmente ao perder Roy. Eles dirigiram pelas conhecidas ruas de Sunset Harbor e entraram no estacionamento da escola. Já estava muito movimentado, com muitos pais ansiosos para deixar seus filhos depois das longas férias de verão. "É Bailey!" Chantelle gritou, apontando para onde sua melhor amiga brincava na grama. O cabelo ruivo normalmente rebelde de Bailey tinha sido estilizado em duas longas tranças. Emily nunca a tinha visto tão apresentável. "Mas com quem ela está conversando?" acrescentou Chantelle. Bailey estava brincando com uma criança desconhecida, uma garota pálida e magra, com longos cabelos lisos e loiros. "Eu não sei", disse Emily. "Eu nunca a vi antes". Daniel estacionou e eles saíram da caminhonete. Emily notou Yvonne encostada em sua 4x4, conversando com Holly, outra das mães que eles conheciam bem. "Por que você não vai dizer olá", Daniel disse a ela. "Eu posso supervisionar Chantelle e falar com a professora". Emily deliberou. Ela queria conhecer a nova professora, mas sentiu um desejo de se reconectar com as amigas, cuja companhia havia perdido no verão. "Eu vou ser super rápida", ela disse a ele, com uma mão já abrindo a porta do passageiro. Daniel riu e foi em direção aos degraus onde todos os professores estavam reunidos, supervisionando a sessão de brincadeira matinal. Emily foi até Yvonne e deu um grande abraço na amiga. Então, também abraçou Holly. "Como passaram o verão?" Emily perguntou. Holly corou. Yvonne parecia estar segurando um sorriso. "Foi ótimo", Holly disse a Emily. "Logan e eu levamos as crianças para Vancouver, para visitar a família". "E..." Yvonne pressionou. Emily franziu a testa, olhando de uma mulher para a outra. "E..." Holly disse, ainda mais ruborizada. "Eu estou grávida". Os olhos de Emily se abriram mais. "Você está brincando!" exclamou ela. Holly sacudiu a cabeça. Ela parecia tímida, mas emocionada. "Estou tão feliz por você!", Emily exclamou, abraçando-a novamente. "Nossos bebês poderão brincar juntos". "Com Robin", acrescentou Holly, referindo-se ao novo filho de Suzanna, que tinha apenas dois meses de idade. "Eles podem formar uma pequena gangue", Emily acrescentou, com uma risada. Yvonne fez beicinho então. "Ah, eu estou com inveja. Eu gostaria de ter outro". "Foi planejado?" Emily perguntou Holly. "Você está corando como se não tivesse sido!" "Não", Holly disse a ela. "Foi uma surpresa. Bem-vinda, mas Minnie ainda não tem nem um ano, então não achamos fosse possível! Mas, em Vancouver, as crianças passaram muito tempo com nossos parentes e pudemos descansar e sair só nós dois e, bem, uma coisa levou a outra". Todo mundo riu. Emily sentiu-se feliz por ter novamente a companhia de algumas de suas amigas da escola. Embora Yvonne fosse uma das melhores amigas dela, e Suzanna em menor escala, o círculo mais amplo de amigos pais era muito dependente do contexto. Ela percebeu então que havia perdido a companhia deles, que sentia falta de ter pessoas para compartilhar as provações e tribulações da maternidade. "Olhem para a minha pequena Bailey", disse Yvonne então, desviando o olhar para o parquinho. "Ela está mantendo a menina novata sob sua asa". Emily olhou para o parque e viu as duas zunindo pelo playground. Chantelle, percebeu, não estava brincando com elas. Em vez disso, estava com os meninos, Toby, Levi e Ryan, participando de um tipo de jogo muito mais áspero e caótico. Ela se perguntou por que não estavam brincando todos juntos. Yvonne sussurrou: "Mas eu espero que ela não a convide para brincar lá em casa". Eu conheci a mãe esta manhã. Ela é tão azeda quanto a filha. E o nome da menina é Laverne". Emily não pôde deixar de rir. Era tão bom conversar novamente com suas amigas que também eram mães, de volta aos portões da escola. Da última vez que havia feito isso, tudo ainda era novo e estranho. Chantelle apareceu do nada e mudou completamente a vida de Emily. Mas ela não mudaria nada agora. Tornar-se mãe tinha sido a melhor experiência de sua vida, e ela amava as sensações, as oportunidades que isso lhe dava, e as pessoas que conhecera no processo. Ela viu Suzanna se aproximando com o bebê Robin amarrado ao peito num sling, com seus pezinhos balançando a cada passo que ela dava. Logo, seria Emily, ela percebeu, seu coração tornando-se maior ao pensar nisso, com animação, mas também por causa da ansiedade. Charlotte ia mudar tudo de novo, assim como Chantelle mudara. E Roy não estaria lá para ajudá-la ao longo do processo. Mas, enquanto olhava de Suzanna para Yvonne e para Holly, sabia que tinha as melhores pessoas do mundo ao seu lado, para lhe dar apoio. Ela podia fazer isso. Podia fazer qualquer coisa com o apoio de suas amigas. Ela percebeu então que tinha ficado tão absorvida em recuperar o atraso com suas amigas que perdeu a noção do tempo. "É melhor eu ir conhecer a nova professora", disse ela, virando-se para a escada. Mas no mesmo momento em que fez isso, notou Daniel se aproximando. Ele estava olhando para o relógio com uma expressão de alarme. "Daniel!" Yvonne gritou, com entusiasmo. "Olá a todos", disse ele, aproximando-se do grupo de mães. "Sinto muito, mas não posso parar para conversar, tenho que começar a trabalhar". Ele se virou para Emily. "Ainda quer uma carona até o Joe?" "Posso me apresentar à professora primeiro?" Emily perguntou. Daniel olhou para o relógio, tenso. "Hum..., bem..." ele disse, parecendo um pouco confuso. Emily podia sentir que ele estava obviamente ansioso para causar uma boa impressão em sua nova posição no trabalho, após a promoção. Ela decidiu deixar pra lá e não criar confusão. "Não se preocupe", falou, cedendo. "Eu posso conhecer a nova professora quando vier buscá-la". Ela se despediu de suas amigas, triste por ter sido arrancada de sua companhia maravilhosa, e se dirigiu para a caminhonete com Daniel. "Depois, a gente coloca o papo em dia", ela falou alto por cima do ombro, acenando enquanto entravam no carro. Batendo a porta do veículo, Emily se virou para Daniel. "Lembre-me de não marcar um café da manhã com Amy durante os dias de aula. Pelo menos não até eu voltar ao volante do meu próprio carro!" Ela sentia falta da liberdade que tinha antes da gravidez. Perder o encontro com a professora a fez se sentir péssima. Esperava que não tivesse causado uma má impressão por causa disso. Ela não queria parecer uma mãe desinteressada, distraída e egocêntrica. Daniel saiu do estacionamento, indo em direção à cidade. "Então, quem é a professora?" Emily perguntou a ele. "Senhorita Butler", Daniel informou. Ele deu de ombros, como se não estivesse prestando muita atenção. "Ela parece um pouco mais severa em comparação à Srta. Glass. Um pouco mais velha, um pouco mais exigente". "Eu me pergunto o que Chantelle vai achar dela", Emily refletiu. A menina tinha dificuldade, às vezes, em lidar com figuras de autoridade. A abordagem suave funcionava bem com ela, mas a principal coisa para Chantelle era realmente os limites. Contanto que ela soubesse o que se esperava dela, poderia se sobressair. Ela só esperava que essa nova professora, mais severa, tivesse a paciência necessária para chegar a esse ponto. "Gail estava lá também", disse Daniel. "Ela será a conselheira de Chantelle novamente este ano". "Isso é um alívio", Emily respondeu, pensando novamente no pai. Chantelle precisaria da ajuda de Gail mais do que nunca. Não só por causa da segurança que Gail deu a ela, mas por causa das experiências de vida pelas quais precisaria ser guiada ao longo deste ano. "Então, sobre o que você e Amy vão conversar hoje?" Daniel perguntou. A pergunta tirou Emily de seu devaneio angustiado. "Não tenho certeza, mas acho que sobre Harry. Você notou algo estranho entre eles na ilha?" "Não", disse Daniel, confuso. Emily não ficou surpresa por Daniel não ter percebido as nuances do comportamento de Amy. Amy era sua melhor amiga, afinal; ela a conhecia por dentro e por fora e podia ler os menores sinais em sua expressão. "Espero que não estejam se separando", disse Daniel, sério, ao entrar numa rua lateral. "Estamos prestes a abrir o restaurante. Eu não quero que Harry deixe a sopa salgada com suas lágrimas!" Emily riu. "Tenho certeza de que não é isso. É provavelmente o oposto, eu acho. Amy está pronta para se casar com ele, mas quer que eu diga a ela que não está indo muito rápido. Você se lembra do que aconteceu com Fraser?" "Como eu poderia esquecer?", disse Daniel, com uma careta. Eles chegaram à lanchonete de Joe e Daniel parou. Ele beijou Emily e ela deslizou de seu assento para fora do carro, incapaz de saltar alegremente, como fazia antes de ganhar quinze quilos durante a gravidez. "Tenha um bom dia no trabalho", ela disse. Ele sorriu e acenou, depois foi embora. Emily entrou no restaurante. "Ora, se não é Emily Mitchell!", Joe exclamou quando ela entrou. "Eu não vejo você há muito tempo!" Ela o saudou com um abraço. "É Emily Morey agora, não esqueça", brincou. "Claro", Joe riu. "E pensar que vocês tiveram seu primeiro encontro aqui". Ele sorriu. "Café?" Emily deu um tapinha de leve na barriga. "Descafeinado, por favor". Joe saiu para fazer uma nova garrafa de café enquanto Emily encontrava a mesa onde Amy já estava sentada. "Como nos velhos tempos, não é?" Amy disse, saudando sua amiga com um beijo. "Tomando um café rápido antes do trabalho, sempre que podíamos, é claro. Café da manhã, almoço e um drinque à noite". "Drinques!" Emily exclamou, acariciando sua barriga. "Nem me lembre". Ela riu. "É maravilhoso ter você por perto. E, tem razão, é como nos velhos tempos, só que sem os aumentos de salário ou fileiras de táxis amarelos". Ela sorriu ao recordar a antiga vida em Nova York. Parecia que já havia se passado muito tempo. "Então, o que está havendo?" ela perguntou a Amy. "Como estão as coisas?" Amy mordeu o lábio como se refletisse se deveria ou não se abrir. Ela nitidamente decidiu não esconder as coisas e foi direto ao assunto. "É Harry. Estamos tendo discussões". "Ah", disse Emily, com tristeza. "Que chato. Eu sinto muito". Amy estremeceu e arrumou o cabelo loiro e brilhoso, num corte bob, atrás das orelhas. "É inevitável, não é? A distância. O fato de sermos de mundos diferentes. Quero dizer, eu brinco com as coisas sendo como em Nova York, mas elas não poderiam ser mais diferentes. Eu só não sei se posso me comprometer a morar aqui. Como você fez isso?" Emily ponderou a questão. "Sinceramente, acho que a cidade de Nova York não tinha mais nada para me oferecer". "Ah, obrigada", disse Amy, com um beicinho. "Eu não estou me referindo a você!" Emily exclamou, retrocedendo. "Quero dizer, em relação à carreira e relacionamentos. Minha relação com mamãe era terrível. Ben era um idiota e parecia certo fugir. Vir para cá me obrigou a confrontar muitas coisas. Você sabe, sobre o meu pai e a morte de Charlotte. Só fazia sentido que eu me encontrasse aqui. Então, Daniel apareceu". Ela sorriu internamente ao lembrar quando o conheceu pela primeira vez. Da hesitação que sentiu, da resistência em se deixar apaixonar por alguém novo. Mas os riscos haviam valido a pena. "Então, basicamente, você está dizendo que eu preciso arrumar uma casa antiga, começar um negócio e me encontrar", disse Amy, com uma risadinha. "E se apaixonar", acrescentou Emily. "Então, menos um item da lista". Amy suspirou. "Eu sei. Isso só dificulta. Eu não quero jogar fora o que tenho com Harry, mas não sei se posso ser feliz aqui". Emily segurou a mão da amiga. "Isso é por causa do que aconteceu com Fraser? Eu realmente não quero que uma experiência ruim atrapalhe. Porque eu tenho certeza que sabe que é completamente diferente desta vez. O que há entre você e Harry é mil vezes melhor do que o que havia entre você e Fraser". "Será mesmo?" Amy falou, com uma voz tensa. "Pelo menos, Fraser e eu éramos do mesmo mundo. Nós queríamos coisas parecidas. Viagens, carreiras e um patrimônio. Filhos, mas haveria uma babá para ajudar, obviamente. Harry é o oposto disso. Ele é... eu não sei. Rústico? Ele é..." ".... ele é Sunset Harbour", Emily disse, assentindo com decisão. Ela sabia exatamente o que Amy estava tentando dizer. "Mas eu preciso te lembrar que Fraser era uma cilada? Harry é diferente. Ele é honesto, gentil e fiel. Isso é o que você ganha com um homem de Sunset Harbour". Joe chegou com os waffles e o café de Emily. As duas amigas se serviram e continuaram a conversa. "A questão é", Amy acrescentou, "você nunca teve que se preocupar com essas coisas. Tipo, você e Daniel não precisaram debater sobre longa distância ou sobre quem iria para onde. Sempre seria aqui. Mas Harry e eu parecemos falar sobre isso sem parar. Poderíamos continuar namorando a distância? Posso realmente deixar minha vida para trás, minha empresa, por um homem? É contra tudo que eu acredito!" Emily sorriu e suspirou. "Amy, isso é realmente o que está te segurando? Ou é outra coisa?" Amy mastigou seu waffle lentamente. "Sinceramente, não sei. Estou muito indecisa". "Você acha que pode estar com medo?" Emily perguntou. "Eu sei que você não se assusta, que você é uma empresária confiante e sensata, mas há apenas uma pequena chance de que talvez você esteja com medo porque Harry te ama e pode ser o homem certo, e que, se você se mudar para cá e correr esse risco, poderá ser feliz?" "Acho que sim", Amy disse. "Mas não estou com medo de ser feliz. Tenho medo de ser apenas... mais ou menos. De… me entediar". Ela olhou para Emily com uma expressão de desculpas. Emily sabia que Amy estava sugerindo que a vida em Sunset Harbor era entediante, mas não ligou. Não trocaria a cidade por nada no mundo. Se isso fosse chato, ela preferia a uma vida empolgante! "Talvez eu devêsse voltar um pouco para a cidade grande", Amy disse. "Limpar a mente. Conferir como vão meus negócios. Lembrar-me de minhas raízes, sabe?" "Se você acha que vai ajudar", Emily disse. Ela pegou um pedaço de waffle e colocou na boca. "Cara, faz séculos que não vou para Nova York". Os olhos de Amy se arregalaram. "Ai, meu Deus! Venha comigo!" Emily olhou para ela, surpresa. "Humm..." "Por favor, Em", Amy acrescentou. "Podemos passar um fim de semana prolongado juntas. Vou fazer um novo chá de bebê para você, já que o último foi um fracasso". Emily corou quando se lembrou de como tinha fugido apressadamente do chá de bebê que Amy havia preparado para ela. Ela não pôde deixar de hesitar. "Por favor, por favor, por favor", Amy continuou. "Você merece uma folga. E a correria do verão já passou. Tenho certeza de que a pousada pode sobreviver sem você por alguns dias". Amy estalou os dedos. "E se fizermos o chá de bebê em Nova York, sua mãe pode vir!" Amy se encolheu imediatamente. "Ok, agora, eu definitivamente não quero ir", ela disse, lembrando a imensa briga que ela e Patricia tiveram na última vez que se viram. Na verdade, toda vez que se viam. "Em," Amy falou, com um tom maternal. "Ela será avó pela primeira vez. Quanto tempo vai durar essa rusga entre vocês?" "Para sempre", disse Emily, sombria. "Você conhece minha mãe, não é?" ela acrescentou ironicamente. Mas quando pensou melhor, percebeu que havia uma coisa muito importante que precisava falar com sua mãe, algo que não podia ser feito por telefone. A doença de Roy. Ela precisava saber. "Na verdade", disse Emily, estou devendo uma viagem a Nova York. Talvez minha mãe seja mais fácil de lidar em seu próprio território". Amy bateu palmas. "Mesmo? Este fim de semana?" Emily deu de ombros. "Pode ser". Quando seria um bom momento para contar à sua mãe que seu ex-marido iria morrer? Parecia não haver uma solução para Emily, então, o final de semana que se aproximava era tão bom quanto qualquer outro. Amy pulou em seu assento, animada. "Será muito divertido. Vou dizer a Harry". Ela pegou o celular e digitou o número dele. Ao mesmo tempo, o celular de Emily começou a tocar. Ela o tirou do bolso e atendeu ao mesmo tempo que Amy. Realmente, era como os velhos tempos, quando elas moravam em Nova York! "É a Sra. Morey?" perguntou a voz do outro lado. "Sim, quem fala?" "É a Srta. Butler, a professora de Chantelle. Desculpe incomodá-la, mas houve um incidente. Eu acho que a senhora deveria vir até aqui". Emily deu um salto. "Que tipo de incidente? Chantelle está bem? Ela está ferida?" "Ela está bem", respondeu a Srta. Butler. "Foi um incidente comportamental". Emily franziu a testa. O poderia ser? "Estou a caminho", disse ela, desligando o celular e jogando-o na bolsa. Amy estava conversando com Harry ao telefone, mas ela olhou para Emily, usando suas incríveis habilidades multitarefa para manter uma conversa sem palavras com a amiga, sem perder o ritmo do telefonema. "Chantelle", Emily mexeu os lábios, mas não emitiu nenhum som. "Escola". Ela imitou um movimento de dirigir. Daniel estava com o carro, então, Amy era sua única maneira de chegar lá. Amy assentiu e apontou para seus waffles. Elas mal tinham comido alguma coisa. Mas Emily sacudiu a cabeça. Ela tinha que ir agora mesmo. Sem questionar, Amy se levantou, pegou sua bolsa e, ainda conversando com Harry, saiu da lanchonete em direção ao carro, com Emily a reboque. Enquanto iam, Emily esperava que tudo desse certo entre Amy e Harry, porque era em momentos como aquele, quando Daniel estava ocupado e surgia um problema inesperado, que Emily precisava de seus amigos mais do que nunca. CAPÍTULO CINCO Enquanto Amy dirigia até a escola, Emily sentiu seu nervosismo aumentar. Ela odiava quando Chantelle tinha uma crise comportamental, porque parecia que estava dando um passo para trás, e lembrava-a do terrível começo que a garota teve na vida, das cicatrizes que ela ainda carregava, apesar de sua aparência sempre feliz. "Quer que eu vá com você?" Amy perguntou, olhando para o rosto pálido de Emily no banco do passageiro. Emily normalmente não mordia as unhas, mas a ansiedade a levou a fazer isso. "Não, não, provavelmente é melhor eu ir sozinha", disse ela, sentindo-se tensa, com o rosto rígido de pânico. Chegaram ao estacionamento, agora vazio, e Amy estacionou na vaga mais próxima da entrada da escola. "Então, eu vou esperar aqui e levá-la para casa quando você terminar". Emily já estava com uma mão na maçaneta da porta e balançou a cabeça. "Obrigada, mas não tenho ideia de quanto tempo isso vai levar". "Como você vai chegar em casa?" "Depois eu penso nisso. Atrás do caminhão de entregas de Raj? No bagageiro da bicicleta de Cynthia?" Ela estava fazendo piada, mas apenas para tentar conter a angústia. Amy sorriu ternamente. "Tem certeza?" "Tenho", disse Emily, empurrando a porta e saindo rapidamente. Ela fechou a porta e soprou um beijo para Amy antes de subir os degraus de pedra, o mais rápido que sua barriga de grávida permitia. Apertou o botão do interfone e a recepcionista respondeu. "Sra. Morey", Emily disse, no alto-falante prateado. "A mãe de Chantelle". Seguiu-se um zumbido. Ela abriu a porta e correu para a recepção. Era a mesma garota do ano passado, Emily percebeu, jovem, sardenta, com um sorriso doce que revelava uma brecha entre os dentes. "Oi, Emily", a recepcionista a cumprimentou enquanto ela passava com pressa. Emily percebeu — sentindo-se um pouco angustiada por isso — que ela era bem conhecida na escola, já que a recepcionista a reconheceu e lembrou seu nome. "Aqui está o seu crachá de visitante", a jovem acrescentou. Emily pegou o crachá e viu que ela tinha escrito seu nome com um marcador vermelho, em letra cursiva, cercando-o de estrelas. Foi um gesto doce, mas Emily estava nervosa demais para apreciá-lo. Seu foco estava apenas em Chantelle. Mas ela notou o nome no crachá da garota: Tilly. Fez questão de memorizá-lo para que, pelo menos da próxima vez que a visse, esperançosamente, em circunstâncias menos estressantes, ela pudesse ser mais gentil. "Elas estão no final do corredor, no escritório da orientadora", disse Tilly. "Você conhece o caminho?" "Infelizmente, eu conheço muito bem", Emily respondeu. Tilly deu-lhe um sorriso empático e Emily caminhou rapidamente pelo corredor até o escritório de Gail. Pela pequena janela na porta, ela viu os conhecidos sofás vermelhos, a mesa de jogos, o cantinho da leitura, a casa de bonecas e a mesinha de artes. Ela reconheceu Gail imediatamente, sentada em uma das cadeiras de tamanho adulto, com um coque alto. Havia outras duas mulheres que Emily não conhecia. E Chantelle não estava à vista. Ela podia ouvi-la, porém, gritando tão alto que dava para ouvir até mesmo através do vidro duplo da porta de incêndio reforçada. Emily bateu rapidamente e viu Gail virar-se para a janela. Através do vidro, ela fez sinal para Emily entrar. Foi só quando entrou na sala que Emily viu Chantelle pela primeira vez. A criança estava encolhida no canto, chorando desesperadamente, cercada por papel rasgado. "O que houve?" Emily perguntou. "Sente-se", disse Gail. "Você já deve conhecer a Srta. Butler". "Na verdade, não, nós não tivemos a chance de nos conhecer mais cedo", disse Emily. Ela apertou a mão da professora. Era uma maneira terrível de conhecê-la, pensou Emily. Sentia-se uma pilha de nervos e completamente esgotada. "Você falou com meu marido, Daniel". A jovem professora sorriu com polidez, dando a Emily um vislumbre da severidade que Daniel notara. "Sim eu lembro". "E esta é a Sra. Doyle", acrescentou Gail. Emily foi pega de surpresa. Em sua pressa, ela não percebeu que havia uma terceira mulher na sala, mas notou agora que era a diretora. O problema deve ser sério, se ela teve que ser chamada! "Então?" Emily disse. "Foi a nova classe que desencadeou isso?" Gail assentiu. "Acho que todos nós sabemos que isso poderia acontecer. Mas talvez devêssemos pedir a Chantelle para nos explicar. Chantelle?" A voz de Gail era incrivelmente suave e gentil. Era o tipo de voz que poderia persuadir alguém a sair de uma birra. A garotinha soluçava furiosamente, no canto. "Eu ODEIO ela!" Chantelle gritou. Emily se virou para a Srta. Butler, presumindo que era a ela que Chantelle se referia, e lançou-lhe um olhar de empatia. Não queria que a professora pensasse que era culpa dela, de alguma forma. "Quem é que você odeia?" Gail continuou. "LAVERNE!" Chantelle gritou. Emily se lembrou de Yvonne fofocando no portão da escola, dizendo que Laverne era o nome da aluna novata, a garota loira de aparência frágil que Bailey tinha tomado sob sua asa. Ela nunca ouviu a voz de Chantelle soar tão estridente e penetrante, tão encharcada de ódio. E nunca tinha visto tanta paixão no rosto da menina, tanta dor e angústia. Mesmo em seus colapsos passados sobre Sheila, ela nunca pareceu tão angustiada. Laverne realmente havia perturbado Chantelle. Emily não tinha ideia do que ela poderia ter feito para a filha achá-la pior do que Sheila. "Você pode explicar o que aconteceu com Laverne?" Gail perguntou suavemente. "Queremos entender por que você está se sentindo tão mal". Chantelle levantou os olhos, com o rosto vermelho de fúria. "Ela roubou Bailey de mim". Emily franziu a testa, confusa ao ouvir o nome de Bailey. Ela e Chantelle eram como carne e unha. "O que você quer dizer?" perguntou Gail. A expressão de Chantelle era de extrema dor e mágoa. Só de vê-la daquele jeito, Emily se entristecia. "Ela disse que eu tenho um sotaque de gente burra", gritou Chantelle. "E que Bailey só poderia ter uma amiga com cabelos loiros. Então, Bailey me disse que Laverne é sua nova melhor amiga". O rosto da menina assumiu uma expressão de profunda tristeza. Em vez de raiva, ela se desfez em lágrimas, deixando cair a cabeça entre os joelhos e soluçando amargamente. Emily pôs a mão sobre o coração. Aquilo era demais para suportar. "Podemos fazer alguma coisa?" Emily perguntou, olhando para Gail. "Você entende como é importante para Chantelle ter consistência em sua vida". "Claro", Gail respondeu, diplomática. "Você é uma boa amiga de Yvonne, mãe de Bailey, não é? Talvez possa falar com ela a respeito?" "Eu não tenho certeza de como isso vai ajudar", Emily respondeu. "Bailey é muito determinada. Mesmo que a mãe dela lhe diga para fazer algo, isso não significa que ela fará. Não seria mais fácil simplesmente transferir Laverne para outra turma, para que elas, naturalmente, se separassem?" A Sra. Doyle parecia perplexa. "De jeito nenhum". "Mas olhe o que isso está fazendo com Chantelle!", exclamou Emily. A Sra. Doyle falou com franqueza. "Laverne é nova aqui, assim como Chantelle já foi. Ela encotrou uma amiga em Bailey e seria cruel tirar isso dela". Emily sentiu seus instintos maternais se aguçarem. "Com todo o respeito, Laverne não tem o mesmo tipo de história que Chantelle. Ela não passou pelas mesmas dificuldades. A solução mais fácil não seria trocar as classes agora? Para arrancar o mal pela raiz antes que fique pior? Se Laverne pôde ser tão maldosa agora, quanto pior ela poderá ser amanhã ou no dia seguinte?" "Sinto muito", disse a Sra. Doyle, meneando a cabeça. "Mas elas terão que resolver seus problemas. Gail pode guiá-las e, claro, a Srta. Butler estará supervisionando tudo em sala de aula. Não há soluções rápidas nesse tipo de situação, Sra. Morey. As circunstâncias de Chantelle não são relevantes nesse caso". Emily olhou suplicante para Gail. "Você está do meu lado, não é?" "Não é sobre quem está do lado de quem", respondeu Gail. "Estou aqui por Chantelle e o que é melhor para ela". "Deixe-me adivinhar", disse Emily. "O que é melhor para ela é vir ao seu escritório uma vez por semana para falar sobre seus sentimentos? Ela é uma criança de sete anos. Ela age de acordo com suas emoções, seus sentimentos. Sentar aqui falando com você sem parar não ajudará com o bullying". "Nossas sessões são muito valiosas", Gail respondeu calmamente. "Eu não acho que devemos rotular isso de bullying", a Sra. Doyle interveio. Emily ficou furiosa. Ela sentiu como se todo mundo estivesse abandonando Chantelle. Como que aquilo não era bullying? Chantelle foi ridicularizada por seu sotaque. Sua melhor amiga foi tirada dela. Essa nova garota a ostracizou. Como isso não é bullying?" "Emily", Gail falou, suavemente. Mas Emily estava exasperada. Ela sentiu como se ninguém na sala estivesse preparada para fazer qualquer coisa concreta sobre a situação. Tudo o que elas estavam oferecendo era mais das mesmas conversas inconsistentes, que lhe pareciam inúteis agora, como aconselhamento matrimonial para um casal de jovens que mal tinham idade para amarrar seus próprios cadarços! "O quê?" Emily perguntou furiosa para Gail, tão perto de perder a paciência que a assustou. "Tenho muita experiência em lidar com essas situações", continuou Gail. "Vou reunir Chantelle, Laverne e Bailey aqui. Não há culpa. Nós só precisamos descobrir uma maneira delas ocuparem o mesmo espaço juntas". Emily ouviu o suficiente. "Isso é um absurdo. Vocês estão querendo contornar as coisas para proteger uma bully. Vamos, Chantelle, vamos embora". Chantelle pareceu completamente surpresa. Ela piscou, com os cílios úmidos de lágrimas, e depois se levantou. Emily sentiu uma grande sensação de alívio quando a garota correu para ela e colocou os braços firmemente ao redor de sua barriga. Ela fez o que deveria como mãe; apoiar sua filha incondicionalmente. Nada disso era culpa de Chantelle e a última coisa que ela queria era que a criança pensasse que havia feito algo errado. Juntas, elas saíram da sala. "Mamãe, você está tremendo", disse Chantelle enquanto caminhavam pelos corredores, passando por Tilly na recepção e pelos degraus de pedra. "Desculpe", Emily respondeu, respirando fundo. "Eu não queria perder a paciência". Mas Chantelle parecia ter se distraído completamente de sua birra. "Não precisa se desculpar", disse ela, com os olhos arregalados. "Foi legal!" Emily não pôde evitar sentir um pequeno puxão no canto dos lábios. "Bem, obrigada. Mas não se anime. Gritar com as pessoas não é uma boa maneira de se comportar". "Ok, mamãe", Chantelle respondeu. Mas Emily podia ver o brilho de respeito nos olhos da filha. Quando Chantelle precisava de alguém do lado dela, Emily estava lá. Embora se sentisse péssima por sua explosão, pelo menos Chantelle podia ver em primeira mão que esta Mamãe Urso sempre a apoiaria. Quando chegou aos degraus da escola, Emily lembrou que elas não tinham como chegar em casa. Pensou em ligar para Daniel, mas sabia que ele estava extremamente ocupado hoje com seu trabalho na oficina de Jack. Ela não tinha certeza se deveria perturbá-lo. Sabia que, por um lado, ele ia querer saber o que havia acontecido, mas ela era mãe de Chantelle tanto quanto Daniel era seu pai, e Emily tinha certeza de que podia lidar com essa situação sem ele. Eles poderiam discutir isso quando ele chegasse em casa, depois do trabalho. Ela ligou para a pousada. Lois atendeu. "Acho que Parker não está por aí, está?" Chantelle perguntou a Lois, com a imagem do pequeno caminhão para fretes de Parker em sua mente. "Ele está", disse Lois. "Eu vou chamá-lo". A linha ficou muda. Um momento depois, veio a voz de Parker pelo celular. "Oi, Chefa", ele brincou, "o que posso fazer por você?" Emily olhou para Chantelle, que estava sentada no degrau mexendo nos cadarços do sapato. Ela parecia muito triste. Emily teve certeza de que tomara a decisão certa em não incomodar Daniel. Ela queria estar de volta em um terreno seguro, no conforto de sua casa, antes de abordar o incidente na escola. Emily falou para Parker: "Eu queria te pedir um favor..." * Naquela noite, a família se reuniu para relaxar na sala de estar. Finalmente, Emily sentiu que havia se passado tempo suficiente e estava pronta para abordar o tema do primeiro dia de aula de Chantelle na escola. "Chantelle não teve um bom dia hoje, não foi, querida?", disse Emily. "Você pode dizer ao papai o que houve?" Daniel ergueu as sobrancelhas e olhou para a filha. Ela mudou de posição em seu assento. "Você não está em apuros", Emily explicou, suavemente. "É só que o papai não sabe que eu tive que ir à escola, falar com a Srta. Butler e a Sra. Doyle". A expressão surpresa de Daniel se aprofundou. "A Sra. Doyle, a diretora?" perguntou. Emily percebeu que ele estava lutando para manter seu tom de voz uniforme. Chantelle assentiu, envergonhada. "Eu queria mudar de classe por causa de uma menina horrível", disse ela, com o olhar fixo no colo. "Que menina horrível?" Daniel perguntou. "Ela é novata", disse Chantelle. "O nome dela é Laverne. E ela é a melhor amiga de Bailey". Daniel olhou para Emily. Ela lançou-lhe um olhar triste. "Tenho certeza de que não é verdade", disse Daniel. "Tenho certeza de que Bailey está apenas tentando ser gentil com ela, porque é novata e não conhece ninguém". "Não é isso", disse Chantelle, batendo o punho contra o braço do sofá. "Laverne disse a Bailey que ela só podia ter uma amiga com cabelo loiro, e porque Laverne é mais loira do que eu, Bailey a escolheu!" Emily podia ver que a garotinha estava sofrendo, e estava ficando irada ao recordar os eventos dolorosos do dia. "Você falou com Yvonne?" Daniel perguntou a Emily. Ela balançou a cabeça. Ao mesmo tempo, Chantelle gritou: "Não!" Ela parecia em pânico. "Por favor, não fale com Yvonne sobre isso. Eu não quero que ela diga a Bailey ou a force a ser minha amiga novamente. Eu só quero que ela seja minha amiga se ela quiser, não porque a mãe dela disse para ela ser". Emily se sentiu muito mal por Chantelle. O mundo das crianças de sete anos poderia ser tão complicado quanto o dos adultos. Ela queria desesperadamente poder fazer toda a dor da filha passar, mas isso não era possível. E não estava certo também. Era seu trabalho como mãe guiar Chantelle por essas experiências desagradáveis, não protegê-la delas ou erradicá-las. "Você também lembra o que Laverne disse sobre você?" Emily lembrou-a. Ela sabia que Chantelle não queria falar sobre o assunto, mas era importante trabalhar suas emoções. Ela tinha quase oito anos e as pessoas ao seu redor logo perderiam a paciência com suas birras. Ela tinha uma curva de aprendizado íngreme à frente e muito tempo para compensar. A criança já tinha feito um progresso notável, mas ainda havia muito a fazer. "Ela disse que eu tinha um sotaque de gente burra", disse Chantelle. Então, com tristeza, acrescentou: "Ela está certa. Eu queria falar como você, papai. Por que eu tenho que falar como Sheila?" "Não há nada de errado com o jeito como você fala", Daniel disse a ela. "Seu sotaque é lindo". "Mas ele me torna diferente. E faz as pessoas pensarem que sou burra". "Você não é burra", disse Daniel, com firmeza. "Nunca deixe ninguém fazer você se sentir como se fosse. Você é perfeita do jeito que é". Emily amava o calor na voz dele. Sua fala foi muito tocante. Mas Chantelle parecia estar convencida. Parecia triste da mesma forma. "Podem me dar licança agora?" ela falou baixinho. Daniel olhou para Emily. Ela encolheu os ombros, sem saber qual a melhor coisa a fazer. "Eu gostaria de assistir desenho animado no meu quarto", acrescentou Chantelle. "Claro", disse Emily. Todo mundo merece uma atividade rotineira para se animar, ela pensou. Se assistir a desenhos animados na cama pudesse acalmar Chantelle, então era melhor do que vê-la chorar. Chantelle saiu do sofá e foi para o quarto. Depois que ela saiu, Daniel olhou com tristeza para Emily. "Você devia ter me dito", disse ele, com um suspiro exasperado. "Assim que aconteceu. Por que não me ligou?" Emily franziu a testa. Ela estava muito segura sobre sua decisão de pedir para Parker buscá-las na escola, mas agora, vendo a expressão de Daniel, sentiu sua determinação enfraquecer. "Você estava no trabalho", falou suavemente. "Eu não queria incomodar". "Mas é a minha filhinha", disse ele, com firmeza. "Eu preciso saber se ela está sofrendo bullying". Emily tocou a mão de Daniel. Ela o conhecia bem o suficiente agora para entender que era o estresse de seu novo trabalho que estava deixando-o rabugento e ríspido com ela. Não era para ser pessoal e ela tentou não aceitar aquilo como tal. "Querido, eu cuidei dela", ela falou calmamente, mas com firmeza. "Você ter ido lá não teria ajudado em nada. Na verdade, ver nós dois aparecendo assim na escola poderia ter sido muito intimidante para Chantelle. Eu não sei se é sempre a melhor coisa para ela ter esse monte de adultos observando-a, avaliando seu comportamento. Eu lidei com a escola, depois voltamos para casa e passamos o resto do dia tranquilamente trabalhando em nossas respectivas atividades. Dar-lhe o espaço é tão importante quanto falar sobre essas coisas". Ela cruzou os braços, triunfante. "Eu realmente acho que fiz um ótimo trabalho". Daniel parecia um pouco aflito. "Eu não estou dizendo que você não fez um ótimo trabalho", disse ele. "Você sabe que eu acho te acho uma mãe incrível". Ele passou as mãos pelos cabelos. "Eu odeio ter responsabilidades que me afastam de você, da nossa família". Emily assentiu, entendendo. Ela estava certa em pensar que era o estresse da promoção que estava agravando a reação de Daniel. "Eu tenho certeza de que tudo vai resolver", ela falou, para tranquilizá-lo. "Depois que você se ajustar às novas responsabilidades e pegar o jeito". Pela primeira vez, Emily viu um sorriso voltar aos olhos de Daniel. "Obrigado, querida", ele falou. "Tenho certeza de que você está certa. É muito difícil não estar presente para Chantelle. Especialmente depois de perder os primeiros seis anos, sabe?" Ele parecia melancólico. Конец ознакомительного фрагмента. Текст предоставлен ООО «ЛитРес». Прочитайте эту книгу целиком, купив полную легальную версию (https://www.litres.ru/pages/biblio_book/?art=51922226) на ЛитРес. Безопасно оплатить книгу можно банковской картой Visa, MasterCard, Maestro, со счета мобильного телефона, с платежного терминала, в салоне МТС или Связной, через PayPal, WebMoney, Яндекс.Деньги, QIWI Кошелек, бонусными картами или другим удобным Вам способом.